Agrale Marruá AM (VTNE-VTE-VTL)

História e Desenvolvimento.
A trajetória da Agrale S/A, uma das mais emblemáticas empresas do setor automotivo brasileiro, teve início em outubro de 1965, quando Francisco Stedile, fundador e proprietário da Fras-le S/A, indústria de lonas de freio, adquiriu o controle acionário da Agrisa Ltda. Sediada em Sapucaia do Sul, Rio Grande do Sul, a Agrisa, tradicional fabricante de motocultivadores mecânicos, enfrentava graves dificuldades financeiras que a levaram à insolvência. Com visão empreendedora, Stedile enxergou na aquisição uma oportunidade de diversificar seus negócios e fortalecer a presença de sua empresa no setor industrial. Em novembro do mesmo ano, a linha de produção da Agrisa foi transferida para Caxias do Sul, também no Rio Grande do Sul, onde estava sediado o Grupo Stedile, marcando os primeiros passos de uma história de inovação e sucesso que consolidaria a Agrale como o único fabricante de caminhões, tratores e motores com capital 100% nacional. Os motocultivadores, principal produto herdado da Agrisa, permaneceram como carro-chefe da Agrale por muitos anos, com atualizações constantes que garantiram sua competitividade. A partir de 1967, a empresa passou a fabricar motores sob licença da alemã Motorenfabrik Hatz, reforçando sua expertise em engenharia e qualidade. Contudo, Francisco Stedile, movido por um espírito visionário, buscou desde cedo diversificar o portfólio da Agrale, aproveitando a capacidade de sua linha de produção de motores. Essa ambição culminou no lançamento, durante o VI Salão do Automóvel, em 1968, do microtrator T-415, com peso de 950 kg. Inteiramente desenvolvido pela Agrale, esse modelo marcou a entrada da empresa no segmento de tratores, no qual se tornaria líder de mercado, posição que mantém até hoje. O T-415 representou não apenas um avanço tecnológico, mas também a determinação de uma empresa jovem em conquistar espaço em um setor altamente competitivo. Em 1976, a Agrale já celebrava um marco significativo, com a produção de tratores alcançando a marca de 400 unidades mensais. No entanto, o mercado de máquinas e implementos agrícolas enfrentava uma instabilidade crônica, impulsionada por flutuações econômicas e mudanças nas demandas do setor rural. Consciente desses desafios, Stedile optou por diversificar ainda mais o portfólio da empresa, direcionando seus esforços para o desenvolvimento de um caminhão leve, uma iniciativa ousada que ampliaria a presença da Agrale no mercado automotivo. O primeiro protótipo de caminhão leve da Agrale, apresentado em 1976, foi uma demonstração de engenhosidade e adaptação. O modelo contava com rodado traseiro simples, motor Agrale-Hatz bicilíndrico diesel de 36 cavalos de potência, câmbio mecânico de quatro marchas derivado da Volkswagen Kombi, freios a disco na dianteira e a tambor na traseira, e uma cabine espartana, porém cuidadosamente projetada, fabricada em chapa de aço plana soldada. Com capacidade de carga de uma tonelada, o veículo combinava a agilidade de uma picape com a resistência de um caminhão, oferecendo uma solução prática para pequenos transportadores e produtores rurais. Essa inovação destacou a capacidade da Agrale de criar produtos que atendiam às necessidades específicas do mercado brasileiro.

Em 1981, em meio a uma queda acentuada na produção de tratores no Brasil, a Agrale apresentou o terceiro e último protótipo de seu caminhão leve, que trouxe avanços significativos. A nova cabine, ainda metálica, foi redesenhada para maior funcionalidade, e a capacidade de carga foi ampliada para 1.100 kg. O modelo incorporava um eixo traseiro Albarus e uma caixa de câmbio mecânica fabricada pela Clark Equipamentos S/A, substituindo o conjunto anterior da Volkswagen do Brasil. Batizado como Agrale TX 1100, esse veículo foi pioneiro ao introduzir no mercado brasileiro a configuração de cabine avançada em um caminhão leve, oferecendo ergonomia e visibilidade superiores para o motorista. O lançamento oficial do Agrale TX 1100 ocorreu em janeiro de 1982, marcando um momento histórico para a empresa e para a indústria automotiva brasileira. Com um plano comercial ambicioso, a Agrale projetava a venda de pelo menos 500 unidades no primeiro ano, apostando na robustez, economia e versatilidade do modelo para conquistar transportadores autônomos, pequenas empresas e produtores rurais. O TX 1100 não apenas atendia às expectativas, mas também consolidava a reputação da Agrale como uma empresa capaz de inovar em um mercado dominado por grandes montadoras multinacionais. O modelo trazia uma cabine em plástico reforçado com fibra de vidro de linhas agradáveis, fornecida pela Hidroplás S/A, apresentando um estilo totalmente distante das superfícies planas e cantos vivos mostrados nos protótipos anteriores. Apesar das otimistas previsões de vendas, o pequeno caminhão teria um nível de aceitação limitado, devido principalmente a pequena potência do motor, seu baixo torque e baixas velocidades obtidas. Em resposta a esta demanda, a montadora passaria a oferecer dois novos modelos o TX 1200 e TX 1600 com capacidade de transporte de respectivamente para 1,2 e 1,6 toneladas. O primeiro estaria equipado com um motor General Motors a álcool de quatro cilindros, 2,5 litros e 90 cv de potência, equipado com uma caixa mecânica com quatro marchas. Já o segundo passaria a ser equipado com um motor a diesel MWM de três cilindros com 63 cv de potência. Em conjunto com estes novos modelos também seria lançado também uma versão furgão integral, que receberia o nome comercial de Furgovan,  representando uma excelente solução para entregas urbanas, inédita no Brasil. Todos estes novos modelos chegariam as concessionarias com uma nova grade dianteira, na cor preta, diferenciando-os do “irmão” menor TX 1100. Seu desempenho em vendas apresentaria nos primeiros meses tendencias superiores ao TX 1100, que sua vez em junho de 1984, teria sua produção suspensa após a montagem de trezentos e cinquenta caminhões, com esta decisão sendo influenciada razões fiscais, pois as políticas vigentes oneravam desproporcionalmente veículos diesel com menor capacidade de carga.  A linha 1986 seria lançada com uma cabine totalmente nova em termos de desing, sendo também moldada em plástico e fibra pela Hidroplas S/A, com 15 cm a mais na largura, capacidade para três lugares, área envidraçada 32% maior, ventilação e isolamento termoacústico melhorados. Esta nova cabine vinha resolver algumas das deficiências apontadas pelos usuários no modelo anterior, tais como espaço reduzido e ruído e aquecimento interno excessivos. 
Como diferencial podia ser customizado passando a fazer uso de um sistema de rodado duplo traseiro, melhorando sua capacidade de transporte. Receberia a designação comercial de Agrale 1600A (ou D, conforme o combustível fosse álcool ou diesel), abandonando assim a sigla TX de seu nome. Neste modelo seriam pela primeira vez oferecidas opções de cabine dupla e tração 4×4 (Engesa, com roda livre e freios dianteiros a disco), além de uma versão para passageiros – antecipando em anos a conquista do país, na década seguinte, por essa classe de veículos. Neste mesmo período a Agrale S/A realizaria sua abertura de capital na bolsa de valores, potencializando assim seu crescimento a médio e longo prazo. Seus excelentes resultados seriam proporcionados pela exploração deste nicho de mercado quase que com exclusividade até a chegada das vans coreanas (e de seus sucedâneos) importadas a partir do início da década de 1990.  Já os primeiros passos  do envolvimento da Agrale S/A com mercado militar se daria em uma oportunidade criada a partir do ano de 1983, quando a Ford do Brasil S/A optaria pelo encerramento da produção de sua linha de utilitários da marca Jeep. Neste momento tanto o mercado civil quanto militar no Brasil, passavam a ficar carentes no atendimento de suas demandas por veículo de porte leve de custo acessível, com tração 4X4 e características para operação em qualquer terreno. Apesar do Toyota Bandeirante militarizado se encontrar em fase de desenvolvimento, ainda não havia previsão para sua homologação e consequente produção em série, gerando uma lacuna temporal que poderia representar uma oportunidade comercial, com este cenário sendo observado e entendido pela diretoria da empresa paulista Engesa S/A. Esta movimentação levaria a empresa a desenvolver um modelo para este nicho operacional, resultando na criação do Engesa EE-12, que fazia uso principalmente de componentes da indústria automotiva comercial nacional, agregando ainda soluções desenvolvidas pela empresa para seus sistemas de tração total.  Apresentando inicialmente em 1984, este jipe seria oferecido ao mercado civil  e militar a partir do ano seguinte, com a denominação de Engesa 4, e tinha como principal diferencial o emprego de um exclusivo sistema de suspensão por molas helicoidais, barras oscilantes longitudinais e transversais, que brindavam um excepcional curso de 225 mm, perfeito para transpor terrenos irregulares. De sobra este conjunto proporcionava ao veículo em ambientes fora de estrada, de uma maciez de condução próximas a um carro de passeio tradicional. A fim de reduzir custos, sua carroceria seria desenhada fazendo uso do novo sistema digital de computador  Cad Cam, implementados novos conceitos e minimizando assim seu tempo de desenvolvimento. Entre suas inovações seria concebida para ser produzida apenas com dobras e soldas, dispensando as caras ferramentas de estamparia. Seu chassi contava com longarinas tubulares em aço de alta resistência. 

A propulsão era garantida por um motor Chevrolet 151 de quatro cilindros e 2.470 cm3, igual ao da linha Opala oferecido em versões a álcool de 88 cv e gasolina de 85 cv. O modelo estava equipado com a transmissão Clark 240v, de cinco velocidades e redução total de 6,33:1, que, de certo modo compensava a falta da reduzida na caixa de transferência. Este conjunto lhe proporcionava uma capacidade de subida de rampa de até 60º, atingindo velocidade máxima de  116 km/h na versão a álcool,  com consumo médio em estrada de até  5,2 km/litro de álcool.  O utilitário que pesava cerca de 1.500 kg, podia acomodar 500 kg de carga útil sobre os pneus 7-50x16, com comprimento de 3.590 mm de comprimento, tornando assim o jipe  Engesa 4 mais curto que o Fiat Uno. Um pacote de aprimoramentos seria implementado em 1988, de modo a tornar seu modo de condução  4X4 mais confortável e econômico, com principal destaque para o aumento entre eixos do balanço traseiro em 100 mm, permitindo portas maiores e espaço adicional para a bagagem. Também neste processo seu para-brisa seria ampliado e a tampa traseira e o painel foram redesenhados, sua caixa de transferência seria redesenhada, se tornando mais silenciosa. Para melhor desempenho global a transmissão foi encurtada e o diferencial foi alongado.  Porém no início da década de 1990, a Engesa S/A passaria a sofrer com sérios problemas de ordem financeira, sendo este cenário provocado em face de altos investimentos com recursos próprios para o desenvolvimento do blindado EE-T1 Osório, que infelizmente não logrou êxito em vendas. Este cenário seria  profundamente agravado por um processo de  inadimplência, na ordem de US$ 200 milhões de dólares, junto ao governo iraquiano. A somatória destes fatores  culminariam na falência da empresa no início da década de 1990 levando ao encerramento de suas atividades. Parecia o fim do jipe militar brasileiro, mas felizmente este promissor projeto denominado como " Modelo 4" seria retomado em fins da década d 1990 por um grupo de ex-funcionários da Engesa S/A que detinham os direitos intelectuais, sobre veiculo. Inicialmente objetivava-se produzir este modelo junto a Columbus Comercial Importadora e Exportadora Ltda, uma empresa fundada especificadamente para prover a manutenção de blindados e caminhões da marca Engesa que ainda se encontravam em uso nas Forças Armadas Brasileiras.  No entanto neste momento esta nova empresa ainda se encontrava em fase de estruturação, e não dispunha das mínimas condições básicas para um projeto desta amplitude técnica. Apesar deste entrave inicial,  esta ideia seria apresentada ao Exército Brasileiro, que demonstraria grande interesse no projeto, com conversações resultando em uma parceria entre  este grupo de engenheiros, o Exército Brasileiro  e a empresa Ceppe Equipamentos Ltda.  
Os primeiros três protótipos seriam construídos quase que artesanalmente nas instalações do  Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP), em Barueri – São Paulo, sendo apresentados oficialmente em fevereiro de 2001. Durante quatro meses, estes três protótipos seriam exaustivamente avaliados em um programa de testes de campo, visando a sua homologação pelo Exército Brasileiro, recebendo ao fim desta, sua aprovação para produção em série e futura implementação.  Os excelentes resultados aferidos, motivariam o Ministério da Defesa a programar a aquisição de uma grande quantidade destes utilitários para o reequipamento da frota das três Forças Armadas. Porém o atendimento a esta possível demanda esbarrava na capacidade econômica e financeira tanto da Ceppe Equipamentos Ltda, quanto da Columbus Comercial Importadora e Exportadora Ltda, que não tinham as capacidades exigidas para uma demanda desta monta, levando assim a busca por um novo parceiro industrial. Neste cenário se destacava a Agrale S/A, esta montadora lograria êxito em absorver o know how para a produção em larga escala de veículos robustos, com esta transferência de tecnologia sendo proporcionada a partir de 1988 através de um acordo da empresa com  a montadora norte-americana Navistar Corporation para a montagem de caminhões médios e pesados da marca International nas suas instalações. Negociações seriam estabelecidas, com a  Agrale S/A, passando a assumir posição de investidor no projeto, realizando um aporte de R$ 11.000.000,00, adquirindo então desta maneira, os direitos do projeto, ficando assim responsável por sua produção em série. Este projeto receberia o nome de batismo de Marruá, que significa em tupi guarani “novilho selvagem” , sendo apresentada oficialmente em 2003 durante a edição da Feira Internacional de Defesa e Segurança (LAAD) no Rio de Janeiro. Neste evento o utilitário despertaria a interesse de outras nações, resultando nos primeiros entendimentos para sua comercialização. No ano seguinte seria lançada a primeira versão civil, que se diferenciava da versão militar por contar com sistema elétrico de 12 volts e apresentar para-brisas dianteiro fixo, ademais todas as demais características da versão militar foram mantidas. Neste primeiro momento mais de cem veículos seriam imediatamente comercializados, superando as expectativas iniciais. 

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
Por muitas décadas, a frota de utilitários com tração integral 4x4 do Exército Brasileiro foi sustentada por uma ampla gama de jipes, incluindo os modelos Ford GPA e Willys MB, importados dos Estados Unidos na década de 1940, e suas versões produzidas nacionalmente pela Willys-Overland do Brasil S/A e pela Ford do Brasil S/A entre 1954 e 1983. Esses veículos, verdadeiros ícones de resistência e versatilidade, desempenharam papéis essenciais em diversas missões, como ligação entre unidades, transporte leve, evacuação de feridos, reconhecimento, comunicação via rádio e apoio anticarro. Contudo, o desgaste natural e o envelhecimento inevitável dessa frota desafiaram a prontidão operacional do Exército, levando o comando militar a buscar soluções para renovar seus meios ao longo dos anos. Inicialmente, medidas paliativas foram adotadas, incluindo a aquisição de modelos como o Engesa EE-34, Toyota Bandeirante, JPX A3 Montez e Land Rover Defender. Essas viaturas atenderam à necessidade urgente de renovação, garantindo a continuidade das operações em diferentes cenários. No entanto, a diversidade de modelos trouxe um desafio logístico: cada veículo demandava linhas específicas de peças de reposição, elevando os custos operacionais e dificultando a manutenção. Diante desse cenário, tornou-se evidente a necessidade de estudar alternativas para a padronização da frota, um passo crucial para otimizar recursos e assegurar a eficiência das Forças Armadas. A resposta a essa demanda veio com o investimento do Ministério da Defesa Brasileiro na revitalização do projeto do Engesa EE-4, um jipe militar desenvolvido na década de 1980 pela Engesa S/A. Renovado por meio de uma parceria estratégica entre o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP) e a Ceppe Equipamentos Ltda, o projeto ganhou novo fôlego com a entrada da Agrale S/A como investidora principal. A expertise da Agrale, aliada à sua robusta infraestrutura industrial, garantiu as condições necessárias para a produção em série do veículo, que seria batizado como Agrale Marruá. Este modelo foi concebido para se tornar o padrão no segmento de Viatura Tática Leve (VTL) e Viatura de Transporte Não Especializada (VTNE), unificando as capacidades operacionais do Exército Brasileiro. O Agrale Marruá foi homologado pelo Exército após atender integralmente ao Requisito Técnico Básico (RTB) 063/94, que definia as especificações para uma viatura VTNE ½ ton 4x4. Projetado para o transporte de pessoal ou carga, o veículo era capaz de carregar 500 kg em qualquer terreno e rebocar um trailer militar com até 250 kg. Sua configuração básica permitia acomodar quatro militares com equipamento individual, mas sua plataforma versátil foi planejada para suportar armamentos como mísseis anticarro, canhão sem recuo de 106 mm, metralhadora leve 7,62 mm (tipo MAG) ou metralhadora .50 (tipo Browning), ampliando seu papel em missões táticas. 

O Agrale Marruá foi projetado com foco na durabilidade, funcionalidade e adaptação às condições desafiadoras do Brasil. Sua carroceria, construída inteiramente em aço, contava com teto e portas em vinilona, janelas de enrolar, barra de proteção anticapotagem e para-brisa rebatível com vidro basculante regulável. O banco traseiro, projetado para passageiros, e a tampa traseira de abertura lateral facilitavam o acesso ao compartimento de carga, tornando o veículo prático para operações logísticas e táticas. As especificações técnicas do Marruá destacavam sua robustez e eficiência: Motorização: Equipado com um motor dianteiro MWM 4.07 TCA a diesel, de quatro cilindros em linha, 2,8 litros e 135 cavalos de potência, oferecendo desempenho confiável e economia de combustível. Transmissão: Câmbio manual Eaton FS 2305 com cinco marchas à frente e uma ré, acoplado a uma caixa de transferência de fabricação própria, garantindo tração 4x4 eficiente. Direção: Sistema TRW TAS-2 com acionamento hidráulico, proporcionando maior controle em terrenos irregulares. Suspensão: Composta por barras oscilantes longitudinais e transversais, molas helicoidais e amortecedores de dupla ação, tanto na dianteira quanto na traseira, assegurando estabilidade e conforto em condições adversas. Essas características fizeram do Marruá um veículo excepcionalmente adaptado às demandas do Exército Brasileiro, combinando a herança tecnológica do Engesa EE-4 com inovações modernas introduzidas pela Agrale. O primeiro contrato de produção seria celebrado no ano de 2005 entre o Ministério da Defesa e a montadora, previa a entrega de oito unidades do modelo Agrale Marruá AM2, destinados ao Exército Brasileiro. Estes primeiros veículos designados como VTNE ½ ton t 4×4 seriam entregues no dia 10 de abril de 2006, sendo alocados ao 3º Batalhão de Suprimentos (3º Bsup), na cidade de Nova Santa Rita no Rio Grande do Sul. Após serem aceitos para operação, seriam distribuídas as unidades de Grupo de Exploradores dos Pelotões de Cavalaria e Pelotões de Explorador. Seus excelentes resultados em campo, renderiam a montadora um novo contrato, agora envolvendo cinquenta e sete carros, que passariam a ser entregues ao longo do ano de 2007. O emprego operacional do jipe Agrale Marruá AM2 (VTNE ½ ton 4×4), despertaria o interesse da Marinha do Brasil, que tinha por intermédio do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) a necessidade na substituição das versões mais antigas dos utilitários Toyota Bandeirante militarizados. Assim no início do ano seguinte, seria homologada a versão AM2-MB 4X4, especificadamente customizada para o emprego junto ao Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), apresentando características únicas, em destaque a aplicação de uma pintura especial que garante maior resistência à corrosão causada pelo mar e pneus especiais para uso em terreno arenoso.  O primeiro lote contratado de vinte e nove carros, seria entregue em agosto de 2008, sendo seguidos pois mais contratos de produção, o que permitiria um maior nível de renovação da frota, possibilitando assim a desativação de muitos utilitários dos modelos Toyota Bandeirante e Land Rover Defender.  
A partir de 2010, o Exército Brasileiro intensificou a incorporação das viaturas Agrale Marruá nas configurações Viatura de Transporte Não Especializada (VTNE) ½ ton 4x4 e Viatura Tática Leve (VTL) ½ ton 4x4, com contratos que ultrapassaram a marca de 200 veículos. Essa expansão marcou um avanço significativo na modernização da frota militar, reforçando a confiança nas capacidades do Marruá, um utilitário robusto, versátil e projetado para atender às exigências operacionais do Brasil. Em seguida, foi adotada a versão Marruá AM11, desenvolvida sobre um chassi longo e equipada com um reparo para metralhadora MAG 7,62 mm. Designada como Viatura Tática Leve de Reconhecimento (VTL Rec), essa variante tornou-se o principal veículo leve empregado pelos Pelotões de Cavalaria Mecanizada do Exército, destacando-se por sua agilidade e eficácia em missões de reconhecimento e patrulhamento. Em 2011, a Força Aérea Brasileira também abraçou o Marruá, adotando não apenas a versão básica AM2, mas também variantes especializadas de cabine dupla, configuradas como viaturas de socorro e combate a incêndios em suas bases aéreas. No mesmo ano, a Agrale S/A apresentou, na LAAD (Latin America Aerospace & Defence), a nova versão picape Marruá AM31 – VTNE 1,5 ton 4x4, projetada para atender às especificações militares com capacidade de carga de 1.500 kg e reboque de igual peso. Essa configuração ampliou o alcance da família Marruá, oferecendo uma solução robusta para transporte de carga e equipamentos em cenários variados, desde operações militares até aplicações logísticas. O Marruá AM31 compartilhava muitos componentes com as versões básicas, incluindo a suspensão de molas semi-elípticas com taxa variável, semelhante à da picape comercial Ford F-250, garantindo o mesmo desempenho off-road excepcional do jipe original. Sua plataforma versátil, combinada com manutenção simplificada e baixo custo operacional, tornou o Marruá uma escolha ideal para as Forças Armadas. Em 18 de novembro de 2013, a Portaria Nº 224-EME do Ministério da Defesa formalizou a adoção da VTNE 1½ ton 4x4, Categoria 2, Agrale Marruá AM31, consolidando sua posição como um pilar da motomecanização militar brasileira. A versatilidade da plataforma Marruá permitiu o desenvolvimento de novas versões especializadas, atendendo a uma ampla gama de necessidades operacionais. Entre elas, destacam-se: VTNE ¾ ton 4x4 – VCC (Viatura Porta-Shelter para Comando e Controle): Equipada para operações de coordenação e comunicação. VTNE ½ ton Amb UTI (Ambulância UTI de 14 m³): Configurada para evacuação médica com suporte avançado. AM21 GLO (Garantia da Lei e da Ordem): Adaptada para missões de pacificação e manutenção da ordem pública, com características específicas para ambientes urbanos, como os da cidade do Rio de Janeiro. Um dos focos centrais do projeto foi a incorporação de um kit básico de blindagem em aço balístico para a VTNE ¾ ton Agrale Marruá Cargo, projetado para oferecer proteção em operações em terrenos com características topográficas e urbanísticas desafiadoras, especialmente no Rio de Janeiro. Essa blindagem reforçou a segurança dos militares em missões de alto risco, demonstrando a capacidade da Agrale de responder às demandas específicas das Forças Armadas.

O portfólio do Marruá continuou a evoluir com o desenvolvimento de variantes ainda mais avançadas, incluindo: Marruá VTL REC RHD: Uma versão de reconhecimento com direção à direita, adaptada para operações específicas. Marruá VTNE 2½ ton AM41: Projetada para maior capacidade de carga, ampliando as opções logísticas. VTL Rec com Sistema de Visão Termal: Desenvolvida em parceria com a AEL Sistemas S/A, essa variante incorporou tecnologia de ponta para operações noturnas e em condições adversas. Marruá AM200 Cabine Dupla Nova Geração Blindada: Uma opção versátil para uso pelas Forças de Segurança, Polícias e até mesmo aplicações civis, combinando proteção balística com conforto e funcionalidade. O modelo de maior porte, o  Agrale Marruá AM-41 VTNE 2 ½ , apresentava capacidade total para transporte de 2.500 kg e reboque de 2.500kg, sendo desenvolvido de acordo com as necessidades das Forças Armadas Brasileiras para o transporte de equipamento, carga e pessoal em qualquer terreno. Já a versão armada a Viatura Tática Leve de Reconhecimento - VTL Rec passaria a adotar a possibilidade de portar uma segunda metralhadora MAG de calibre 7,62 mm, ou ainda uma gama variada de armamentos, inclusive misseis anticarro, possuindo ainda quatro lançadores de granadas fumiginas instaladas no para-choque dianteiro e um guincho elétrico. A plataforma seria ainda empregada ainda com base no modelo AM20 Marruá, para a tarefa de transporte do avançado sistema de controle para a artilharia antiaérea, desenvolvido para o Exército Brasileiro pela empresa OrbiSat S/A (atual Bradar) e controlada pela Embraer Defesa e Segurança S/A. Este projeto desenvolvido em parceria com o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), tinha por objetivo integrar o Sistema de Defesa Antiaérea do Exército Brasileiro, abastecendo-o com informações capazes de contribuir para a tomada de decisões em inúmeras situações que envolvam questões de defesa e segurança, levando ao acionamento do sistema de defesa antiaérea. Este sistema funciona como uma base para o comando e controle das informações enviadas, em tempo real, pelo radar Saber M60, também produzido pela mesma empresa, e usado para vigilância aérea e terrestre de aeronaves a baixa altura, rastreando alvos em um raio de até sessenta quilômetros e a altitude de até cinco mil metros. Deste conceito nasceriam três versões especializadas com diferentes configurações, como Agrale AM20 GE (Guerra Eletrônica), Agrale AM20 MAGE (Medidas de Apoio de Guerra Eletrônica) e Agrale AM20 VCC (Viatura Comando e Controle), passando a ser operados pelos Centros de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército e Companhias de Comando e Controle. Todas estas nova versões fazem uso de um shelter MTO TKV-1 produzido pela empresa Truckvan Ltda, com seu interior sendo configurado de acordo com a especialização da viatura. 
O primeiro emprego dessas viaturas em um contexto de conflagração real ocorreu em 2008, quando 19 unidades do modelo AM20 VTNE ½ ton 4x4 (Viatura de Transporte Não Especializada), pertencentes ao Exército Brasileiro, foram enviadas ao Haiti como parte do contingente brasileiro na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH). Operando sob a bandeira das forças de paz da ONU, esses veículos demonstraram excepcional desempenho, transportando tropas e suprimentos em condições adversas, reforçando o compromisso do Brasil com a estabilização e a reconstrução do país caribenho. Em 2010, a missão brasileira no Haiti foi ampliada com a incorporação de 10 viaturas VTNE ½ ton Amb UTI, configuradas como ambulâncias de unidade de terapia intensiva. Essas unidades, empregadas principalmente na capital, Porto Príncipe, desempenharam um papel vital no atendimento médico de emergência, salvando vidas em meio aos desafios impostos pelo terremoto que devastou a região naquele ano. O sucesso dessas operações internacionais evidenciou a confiabilidade do Marruá, consolidando sua reputação como um veículo indispensável para missões humanitárias e táticas. No cenário doméstico, o Marruá tornou-se a viatura padrão nas Forças Armadas Brasileiras, operando com tração integral nas configurações VTNE 1½ ton 4x4 e ¾ ton 4x4. Sua capacidade de adaptação a diferentes funções, aliada a custos operacionais reduzidos e facilidade de manutenção, garantiu sua ampla adoção pelo Exército, pela Força Aérea Brasileira e por outras unidades militares. Em 2011, a Força Aérea Brasileira encomendou uma versão especializada do Agrale AM20, configurada como Carro de Resgate e Salvamento (CRS) para uso em bases aéreas. Equipada com um guincho elétrico de 4.100 kg de capacidade e uma torre de iluminação, fabricados pela Triel HT S/A, essa variante foi projetada para operações de socorro e resgate, reforçando a segurança e a eficiência nas instalações aeronáuticas. Na primeira metade da década de 2010, durante revisões de manutenção padrão, foi identificado um alto nível de corrosão nas carrocerias e desgaste de componentes críticos, como suspensão, direção e freios, nos veículos Marruá mais antigos. Esses problemas, decorrentes de anos de uso intensivo em terrenos variados, levaram o Exército Brasileiro a iniciar estudos para a revitalização da frota. Liderado pela equipe técnica do Parque Regional de Manutenção da 7ª Região Militar (PqRMnt/7), o Projeto Marruá foi concebido para prolongar a vida útil dessas viaturas, garantindo sua prontidão operacional e valor estratégico para as Forças Armadas. O escopo do projeto abrangeu a manutenção preventiva e corretiva de segundo e terceiro escalões, com foco na recuperação de sistemas críticos, reparos de funilaria, pintura, renovação da capotaria e substituição de caçambas danificadas por conjuntos novos. Iniciado no final de 2018, o Projeto Marruá alcançou, até o presente momento, a revitalização de 225 viaturas, que foram devolvidas às Organizações Militares da 7ª Região Militar, prontas para continuar servindo com eficiência. O sucesso dessa iniciativa inspirou a criação de projetos semelhantes em outros Arsenais de Guerra do Exército, distribuídos pelo país, assegurando maior longevidade às viaturas e reforçando sua importância para os Comandos Militares e a Força Terrestre.

Em Escala.
Para representarmos o veículo Agrale Marruá AM20 VTE MAGE (Medidas de Apoio de Guerra Eletrônica), fizemos como base, o uso do modelo em die cast na escala 1/43 da coleção “Veículos de Serviço do Brasil” da editora Planeta de Agostini. A versão original representa o modelo cabine dupla Marruá AM 150 CD CC ano 2006, para se representar a versão utilizada pelo Exército Brasileiro, tivemos de construir em scratch o “shelter”, fazendo uso de fotos e referências do veículo real. Empregamos decais confeccionados pela Decals e Books pertencentes ao set "Forças Armadas do Brasil 1983 a 2002 1/35”.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura do Exército Brasileiro aplicado em todos os seus veículos militares a partir de 1983. Os únicos veículos do Exército Brasileiro que receberam um esquema diferente deste, foram os destinados ao contingente brasileiro a serviço durante a operação da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), onde passaram a ostentar o padrão de pintura padrão das forças de paz das Nações Unidas (ONU). Já os veículos a serviço do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) e Força Aérea Brasileira (FAB) adotaram esquemas de pintura diferentes, pertinentes a suas funções ou padrão de cada força.

Bibliografia :
- Agrale Marruá, um legítimo 4X4 militar Made In Brasil - Expedito Carlos Stephani Bastos
- Agrale Marruá AM2 no Exército Brasileiro - Expedito Carlos Stephani Bastos
- Agrale S/A – www.agrale.com.br
- Viatura Tática de Reconhecimento Agrale  - Expedito Carlos Stephani Bastos

F-5E Tiger II Northrop (Bloco 28NO)

História e Desenvolvimento.
Na década de 1950, a aviação militar atravessava um período de transformações profundas, impulsionado pelo ambiente estratégico da Guerra Fria e pela crescente competição tecnológica entre as superpotências. O advento da propulsão a jato, dos radares embarcados e de novas doutrinas de emprego aéreo permitiu o desenvolvimento de aeronaves capazes de atingir velocidades supersônicas, maior autonomia e significativa capacidade de carga bélica. Contudo, tais avanços implicavam custos de aquisição, operação e manutenção cada vez mais elevados, suscitando preocupações tanto no âmbito do Departamento de Defesa norte-americano quanto entre os principais fabricantes da indústria aeronáutica. Nesse contexto, a Northrop Corporation percebeu a necessidade de propor uma alternativa que conciliasse desempenho e racionalidade econômica. Em 1956, a empresa constituiu uma equipe de desenvolvimento liderada por Edgar Schmued, então vice-presidente de engenharia e reconhecido projetista que anteriormente participara da concepção do North American P-51 Mustang e do North American F-86 Sabre. A proposta era clara: desenvolver um caça leve, de elevada manobrabilidade e confiabilidade, capaz de oferecer desempenho competitivo a custos significativamente inferiores aos dos interceptadores pesados e complexos então em produção. O projeto incorporou conceitos inovadores para a época. Entre eles, destacava-se a noção de “potencial de crescimento projetado”, segundo a qual a aeronave deveria possuir margem estrutural e volumétrica para futuras modernizações, assegurando vida útil superior a duas décadas. Associado a esse princípio estava o enfoque no “custo do ciclo de vida”, que buscava reduzir despesas não apenas na aquisição, mas também na operação e manutenção ao longo de todo o período de serviço. Sob a liderança técnica de Welko Gasich, engenheiro-chefe do programa, optou-se por uma configuração bimotora compacta, com os propulsores integrados de forma eficiente à fuselagem, solução que favorecia desempenho, simplicidade estrutural e facilidade de manutenção. O projeto recebeu a designação interna N-156. Inicialmente, o N-156 foi concebido para atender a uma concorrência lançada pela Marinha dos Estados Unidos (U.S Navy), que buscava um caça leve apto a operar a partir de porta-aviões de escolta. Esses navios, de menor porte, apresentavam limitações de convés, armazenamento e capacidade de lançamento, o que inviabilizava o emprego dos caças mais pesados então em serviço nos grandes porta-aviões de frota. A flexibilidade do projeto, contudo, permitia sua adaptação a outras necessidades, inclusive às da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), vislumbrando-se eventual aplicação em missões de defesa aérea tática ou de exportação. Entretanto, a reavaliação estratégica conduzida pela marinha norte-americana, que culminou na desativação progressiva dos porta-aviões de escolta, representou revés significativo para o programa em sua concepção original. Diante desse novo cenário, a Northrop viu-se compelida a redirecionar o N-156 para outras oportunidades, adaptando-o a diferentes requisitos operacionais decisão que, paradoxalmente, abriria caminho para o surgimento de uma das mais difundidas famílias de caças leves do período da Guerra Fria.

O cancelamento, pela Marinha dos Estados Unidos (U.S Navy), da demanda por um caça leve destinado à operação em porta-aviões de escolta representou um duro revés para a Northrop Corporation. A decisão interrompeu a perspectiva de produção em larga escala do projeto N-156 e colocou sob risco os investimentos técnicos e financeiros já realizados. Ainda assim, a direção da empresa reagiu com notável capacidade estratégica, optando por reestruturar o programa em duas vertentes complementares e tecnologicamente correlatas. A primeira delas resultou no N-156F, concebido como um caça tático leve conhecido internamente como “Tally-Ho” , enquanto a segunda deu origem ao N-156T, configurado como aeronave de treinamento avançado. Este último rapidamente despertou o interesse da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), que buscava substituir seus treinadores subsônicos Lockheed T-33 Shooting Star, já então tecnologicamente superados frente à nova geração de caças supersônicos. Após criterioso processo de avaliação, o N-156T foi selecionado como o novo treinador padrão, recebendo a designação oficial de Northrop T-38 Talon. O protótipo YT-38 realizou seu voo inaugural em 12 de junho de 1959, a partir da Base Aérea de Edwards, na Califórnia centro nevrálgico dos ensaios em voo norte-americanos. Superada uma extensa campanha de testes, a aeronave foi aprovada para produção em série, totalizando 1.158 exemplares fabricados. As entregas tiveram início em 1960 e se estenderam até janeiro de 1972. A solidez conceitual do projeto evidenciou-se ao longo das décadas seguintes. Programas sucessivos de modernização estrutural, atualização aviônica e reforço de célula permitiram que o T-38 permanecesse em serviço ativo por mais de meio século, formando gerações de pilotos militares. Apenas na segunda metade da década de 2020 iniciou-se seu processo gradual de substituição, encerrando um dos mais longevos ciclos operacionais da aviação de treinamento supersônica. Paralelamente, e apesar do reduzido entusiasmo inicial pela versão monoplace N-156F, a Northrop decidiu prosseguir com seu desenvolvimento por conta própria uma decisão empresarial arrojada. Esse esforço seria recompensado em um contexto geopolítico em transformação. Ao final da década de 1950, o Departamento de Estado dos Estados Unidos, identificou a necessidade estratégica de disponibilizar a países aliados uma aeronave de combate supersônica multifuncional, de baixo custo de aquisição e operação. Tal iniciativa estava diretamente vinculada ao fortalecimento do Military Assistance Program (MAP), instrumento central da política externa norte-americana durante a Guerra Fria. Dessa demanda emergiu o chamado “Programa FX”, que previa a aquisição inicial de aproximadamente 200 aeronaves, além do financiamento para a construção de três protótipos destinados à avaliação comparativa. Diversas empresas do setor apresentaram propostas; contudo, foi o N-156F da Northrop que demonstrou o melhor equilíbrio entre desempenho, simplicidade construtiva e viabilidade econômica. O primeiro protótipo do N-156F realizou seu voo inaugural em 30 de julho de 1959, igualmente a partir da Base Aérea de Edwards. Após rigoroso programa de ensaios e comparações técnicas com projetos concorrentes, a aeronave foi declarada vencedora da concorrência. Esse resultado marcou um ponto de inflexão na trajetória da Northrop, consolidando o N-156F posteriormente conhecido mundialmente como F-5.
No contexto da Guerra Fria, a Northrop Corporation alcançou um marco de grande impacto estratégico ao desenvolver o caça tático leve oficialmente designado F-5A, popularmente conhecido como Freedom Fighter  ou Combatente da Liberdade. O nome escolhido refletia a finalidade geopolítica do projeto: fornecer às nações aliadas, sobretudo às de menores recursos e em desenvolvimento, um avião de combate eficiente, de custos de aquisição e operação reduzidos, capaz de garantir sua defesa aérea num período de tensões decorrentes do expansionismo soviético. O F-5A foi concebido como solução robusta e econômica, alinhada aos objetivos do Programa de Assistência Militar (Military Assistance Program - MAP) dos Estados Unidos, programa que visava reforçar a influência política e militar americana por meio da transferência de equipamentos a países parceiros. A Northrop assinou o primeiro grande contrato de produção em 26 de outubro de 1962, para a fabricação de cerca de 200 unidades, marcando o início de sua ampla adoção internacional. Ao longo das décadas seguintes, o Freedom Fighter tornou-se um dos principais caças exportados sob os termos deste programa, entrando em serviço nas forças aéreas de numerosos países, como Filipinas, Irã, Etiópia, Noruega, Taiwan, Marrocos, Venezuela, Grécia, Turquia, Países Baixos, Coreia do Sul e Espanha um testemunho de sua versatilidade, simplicidade de manutenção e eficácia operacional. Com o avanço das exigências táticas e tecnológicas no final da década de 1960, os Estados Unidos promoveram uma revisão dos requisitos de aeronaves de combate para seus aliados, levando à criação do programa Improved International Fighter Aircraft (IFA) em 1969. O objetivo era desenvolver um sucessor para o F-5A/B com desempenho superior, especialmente em termos de potência, autonomia e capacidades em combate ar-ar. Após um processo de avaliação competitivo, a Northrop foi escolhida como vencedora com uma versão significativamente aprimorada do design original, inicialmente referida como F-5A-21 e posteriormente redesignada F-5E Tiger II. O primeiro protótipo do F-5E Tiger II realizou seu voo inaugural em 23 de agosto de 1972, na Base Aérea de Edwards - AFB.  Projetado para superar limitações dos modelos anteriores como autonomia restrita e a ausência de radar  o Tiger II incorporou uma fuselagem alongada e aumentada para maior capacidade de combustível, asas com extensões de borda de ataque que melhoraram a manobrabilidade e aviônicos mais avançados, incluindo o radar Emerson Electric AN/APQ-153. Além disso, a aeronave podia ser equipada com sistemas de navegação inercial, TACAN (Tactical Air Navigation) e contramedidas eletrônicas (ECM), oferecendo versatilidade para atender às necessidades específicas de diferentes operadores. Esses desenvolvimentos consolidaram a aeronave, tanto nas versões F5-A Freedom Fighter quanto F-5E Tiger II  como um dos caças leves mais bem-sucedidos e amplamente utilizados durante a após o  período da Guerra Fria, combinando desempenho, simplicidade e baixo custo operacional para uma vasta gama de forças aéreas ao redor do mundo.

Em 6 de abril de 1973, o 425º TFS Esquadrao de Treinamento Tático (Tactical Fighter Training) sediado na Base Aérea de Williams, no Arizona, receberia o primeiro Northrop F-5E Tiger II de produção. Neste momento seria iniciado o programa de formação de equipes de voo e solo, e também a construção da doutrina operacional e de combate da nova aeronave. Posteriormente os caças bombardeiros Northrop F-5E Tiger II, começaram a ser despachados para o Sudeste Asiático, onde receberiam seu batismo de fogo no conflito do Vietnã, atuando como substitutos dos Northrop F-5A Freedon Fighter nas operações “Skoshi Tiger”, onde se mostrariam muito superiores em termos de performance. Dotando não só a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), mas também diversos esquadrões da Força Aérea do Vietnã do Sul (VNAF). Além desta nação, seguindo as diretrizes iniciais de seu desenvolvimento, o Northrop F-5E Tiger II, passou a ser oferecido em termos vantajosos através dos programas de ajuda militar, uma série de países alinhados a política externa do governo norte-americano, recebendo contratos de exportação para Coreia do Sul, Irã, Chile, Brasil, México, Suíça, Malásia, Cingapura, Taiwan, Marrocos, Jordânia, Grécia, Tunísia, Arábia Saudita, Etiópia. Honduras, Indonésia, Quênia, Noruega, Sudão e Iêmen. Neste contexto o 425º TFS (Tactical Fighter Training) foi designado como o esquadrão responsável em ministrar o treinamento e transição para o Northrop F-5E Tiger II de todos os pilotos estrangeiros cujos países tivessem adquirido a aeronave. Desta unidade sairiam centenas de pilotos, que empregariam o pequeno caça bombardeiro em combates reais como na Guerra do Ogaden (entre Etiópia e Somália), e na Guerra Irã X Iraque (1980 - 1988). Durante este processo de formação, observou-se a excelente manobrabilidade da aeronave em combate aéreo, iniciando assim seu emprego em como aeronave especializada para o combate dissimilar (Dissimilar Air Combat Training - DACT), substituindo os treinadores avançados Northrop T-38 Talon até então em uso, que não eram totalmente adequados a esta missão. Aproximadamente setenta células novas de fábrica, que estavam destinadas a Força Aérea do Vietnã do Sul (VNAF) foram absorvidas pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), que as destinou aos esquadrões de treinamentos “Agressores”  como os esquadrões 57th, 64th e  65th Esquadrões de Armas de Caça (Fighter Weapons Squadrons) que operavam junto à Base Aérea de Nellis no estado de Nevada.  Vale salientar que a aeronave também seria operada aviação naval da Marinha dos Estados Unidos (U.S Navy) sendo empregadas também no papel de “agressores” em unidades baseadas nas instalações do   Naval Air Station Key West na Florida. A produção do Northrop F-5E e F-5F Tiger II alcançou, até 1987, um total de 1.399 unidades, divididas entre a versão monoplace (F-5E) e a biplace (F-5F). A substituição progressiva do F-5E/F Tiger II pela nova geração de caças norte-americanos teve início no final da década de 1980, quando a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) passou a introduzir em larga escala o  F-16 Fighting Falcon, aeronave de quarta geração dotada de sistemas eletrônicos mais avançados, maior capacidade multimissão e desempenho superior em cenários de combate de alta intensidade
Tal transição refletia não apenas a evolução tecnológica do período, mas também as novas exigências estratégicas impostas pelo contexto pós-Guerra Fria.  Apesar desse processo de substituição, o  F-5E/F Tiger II não perdeu imediatamente sua relevância. Ao contrário, manteve-se como uma plataforma notavelmente eficiente, graças a uma combinação singular de baixo custo operacional, elevada manobrabilidade e reduzida assinatura radar. Essas características, aliadas à simplicidade de manutenção e à robustez estrutural, permitiram que a aeronave continuasse competitiva mesmo em um ambiente progressivamente dominado por vetores de quarta geração. Diante desse cenário, diversas nações optaram por investir em programas de modernização com o propósito de estender a vida útil de suas frotas e atualizar suas capacidades de combate. A Força Aérea da República de Singapura (RSAF) destacou-se como pioneira ao implementar um abrangente programa de modernização em seus F-5E/F. A iniciativa contemplou a incorporação de novos sistemas aviônicos, radares atualizados e integração de armamentos mais modernos, revitalizando significativamente a frota. Os resultados obtidos foram expressivos, demonstrando o potencial do F-5E Tiger II como plataforma versátil e adaptável, capaz de absorver sucessivas atualizações tecnológicas. O êxito do programa singapuriano serviu de referência para outros operadores. Países como Brasil, Chile, Tailândia e Taiwan adotaram projetos de modernização que incluíram novos sistemas de navegação, guerra eletrônica e armamentos ar-ar mais avançados. Essas iniciativas garantiram que o F-5E/F permanecesse operacional até o final da década de 2020, superando em muito sua expectativa inicial de serviço. Nos próprios Estados Unidos, o Tiger II encontrou uma nova e importante função. Na Marinha dos Estados Unidos (U.S Navy), a aeronave passou a desempenhar o papel de “Agressor”, simulando vetores adversários em exercícios de combate aéreo. Nessa função, o F-5E/F contribuiu decisivamente para o aprimoramento tático de pilotos embarcados e da aviação naval, proporcionando um ambiente de treinamento realista e desafiador. Em 2015, a marinha norte-americana reforçou sua frota ao adquirir células usadas provenientes da Força Aérea Suíça (Schweizer Luftwaffe) , assegurando a continuidade dessa missão. Assim, o Northrop F-5E/F Tiger II consolidou-se como um exemplo emblemático da engenhosidade da indústria aeronáutica norte-americana. Concebido originalmente como um caça leve de exportação, revelou extraordinária capacidade de adaptação ao longo de mais de cinco décadas de serviço. Mesmo diante da ascensão dos caças de quinta geração, o Tiger II manteve-se relevante seja como vetor de defesa aérea em forças com orçamentos mais restritos, seja como instrumento essencial na formação e no aperfeiçoamento de pilotos de combate, reafirmando seu lugar na história da aviação militar contemporânea.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Ao término da Segunda Guerra Mundial, a Força Aérea Brasileira (FAB) encontrava-se em posição de notável destaque no cenário hemisférico. Seu inventário ultrapassava 1.500 aeronaves militares consideradas modernas para a época, recebidas majoritariamente a partir de 1942 no âmbito do programa norte-americano Lend-Lease Act. Tal aporte material não apenas ampliou significativamente a capacidade operacional da aviação militar brasileira, como também consolidou sua inserção no esforço aliado durante o conflito. Em termos de poder de combate, dispunha-se de um expressivo conjunto de aeronaves de primeira linha, entre as quais se destacavam os caças-bombardeiros Republic P-47D Thunderbolt e Curtiss P-40 Warhawk, além dos aviões de ataque Douglas A-20 Havoc e North American B-25 Mitchell. A esses somavam-se vetores dedicados ao transporte, à patrulha marítima e à guerra antissubmarino, compondo um aparato aéreo que posicionava o Brasil como a segunda maior força aérea das Américas e a principal do hemisfério sul naquele momento histórico. Todavia, o advento e a rápida consolidação dos motores turbojato, já no final da década de 1940, alteraram profundamente os paradigmas da aviação militar. A nova geração de aeronaves a jato tornou obsoletos, em poucos anos, os caças e bombardeiros equipados com motores a pistão. Paralelamente, a substituição acelerada desses modelos nas linhas de produção internacionais provocou crescente escassez de peças de reposição, dificultando a manutenção da frota existente. O Ministério da Aeronáutica (MAer) aspirava incorporar aeronaves de desempenho superior, como o Republic F-84E Thunderjet ou o North American F-86F Sabre, que já representavam o padrão tecnológico da Guerra Fria. Entretanto, restrições orçamentárias e condicionantes de ordem geopolítica impediram a concretização desse objetivo naquele momento. A solução encontrada, a partir de 1953, foi a aquisição de aeronaves menos avançadas, porém disponíveis no contexto internacional, como o Gloster Meteor F.8 e o Lockheed F-80C Shooting Star. Esses jatos passaram a constituir o núcleo das unidades de aviação  caça brasileiras ao longo da década de 1950. Contudo, no início dos anos 1960, problemas de fadiga estrutural determinaram a desativação precoce dos caças britânicos, produzindo severo impacto na capacidade defensiva nacional. A outrora pujante aviação de caça brasileira viu-se reduzida a um nível de prontidão aquém das exigências estratégicas do período. A situação tornou-se ainda mais preocupante quando os F-80C, responsáveis pela defesa aérea das regiões Norte e Nordeste, começaram a apresentar sérias dificuldades de manutenção, sinalizando a iminência de sua retirada de serviço. Diante desse quadro, ao final de 1965, o comando do Ministério da Aeronáutica (MAer) iniciou uma série de estudos técnicos destinados à avaliação e futura incorporação de um novo caça capaz de restaurar a credibilidade operacional da força. A aquisição de uma aeronave multifuncional moderna passou a ser entendida como prioridade estratégica, não apenas para recompor o poder aéreo nacional, mas também para integrar e fortalecer o recém implantado Sistema de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (SISDACTA), elemento central da reorganização da defesa aérea brasileira no contexto da Guerra Fria.

Em um primeiro momento, o governo brasileiro avaliou a possibilidade de adquirir o McDonnell Douglas F-4 Phantom II, então um dos mais avançados caças multifuncionais em operação, amplamente empregado na Guerra do Vietnã. Contudo, o Contudo, o Departamento de Estado dos Estados Unidos (DoS) vetou a transferência do modelo, sob o argumento de que a introdução de um vetor de tal desempenho poderia alterar o equilíbrio estratégico do poder aéreo na América do Sul. Diante dessa restrição, o Brasil voltou-se para alternativas mais compatíveis com o cenário político e financeiro do período, entre elas os caças  Northrop F-5A e F-5B  Freedom Fighter. Esses modelos apresentavam custos de aquisição e operação relativamente reduzidos, sendo considerados uma solução viável para substituir os já obsoletos F-8 Meteor então em serviço na Força Aérea Brasileira (FAB). A intenção inicial previa a aquisição de ao menos 12 exemplares da versão F-5A/B Freedom Fighter, com o objetivo de reforçar as capacidades do recém-implantado Sistema de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (SISDACTA). Entretanto, limitações orçamentárias, aliadas à necessidade premente de modernizar a aviação de transporte, levaram ao cancelamento do programa, adiando mais uma vez a renovação da aviação de caça. Como medida paliativa, ainda em 1964, o Brasil firmou entendimento para a cessão de células usadas do treinador a jato Lockheed T-33A . Essas aeronaves foram posteriormente convertidas e modernizadas para o padrão AT-33A-20-LO, aptas a cumprir missões de ataque leve e defesa aérea limitada. Embora não fossem caças supersônicos nem possuíssem desempenho comparável aos interceptadores contemporâneos, os AT-33A permitiram a recomposição emergencial da capacidade operacional nas regiões Sudeste e Sul do país, assegurando um mínimo de prontidão enquanto soluções definitivas permaneciam em estudo. A lacuna na defesa aérea de alta performance somente seria plenamente suprida em 1972, com a incorporação dos primeiros Mirage IIIEBR F-103E, que passaram a desempenhar a missão de interceptação supersônica. Ainda assim, no início da década de 1970, tornou-se evidente a necessidade de substituir definitivamente os AT-33A que continuavam a equipar unidades tradicionais, como o 1º Grupo de Aviação de Caça e o 1º/14º Grupo de Aviação. Com maior disponibilidade orçamentária em meados da década, o governo brasileiro lançou uma concorrência internacional para a aquisição de ao menos 30 aeronaves de combate multifuncionais, capazes de atender às demandas de defesa aérea e ataque ao solo em um único vetor. A competição atraiu propostas de diversos fabricantes de destaque no cenário aeroespacial. Entre os modelos avaliados figuravam o SEPECAT Jaguar, caça-bombardeiro anglo-francês reconhecido por sua eficiência em missões de ataque e reconhecimento; o BAE Harrier, notável por sua capacidade de decolagem e pouso vertical (V/STOL), que ampliava a flexibilidade operacional; o Aermacchi MB-326K, versão de ataque leve derivada de um treinador avançado e caracterizada pelo baixo custo operacional; o McDonnell Douglas A-4F Skyhawk; e, finalmente, o Northrop F-5E Tiger II, evolução direta do F-5A Freedom Fighter, dotada de motores mais potentes, aviônicos aprimorados e maior manobrabilidade, concebida para enfrentar com eficácia caças de origem soviética como o MiG-21.
No contexto da reestruturação da aviação de caça brasileira, o Ministério da Aeronáutica (MAer) conduziu um criterioso estudo comparativo entre as propostas apresentadas por diferentes fabricantes internacionais. Após avaliações técnicas, operacionais e orçamentárias, a escolha recaiu sobre o Northrop F-5E Tiger II, considerado a alternativa mais equilibrada entre desempenho, custo e viabilidade logística. Foi então celebrado contrato para a aquisição de 36 aeronaves monoplaces F-5E e seis células biplaces destinadas à conversão operacional. Com os detalhes finais ajustados em maio de 1974, instituiu-se a Comissão de Fiscalização e Recebimento (COMFIREM), incumbida de acompanhar a produção, a inspeção e a incorporação dos novos caças. Durante aproximadamente seis meses, uma equipe composta por pilotos e especialistas brasileiros participou de intenso programa de capacitação junto ao 425º Esquadrão de Treinamento de Caça Tático, na Base Aérea de Williams, no Arizona. Essa etapa revelou-se fundamental para assegurar a assimilação doutrinária, técnica e logística do novo vetor antes de sua introdução definitiva no Brasil. O traslado das aeronaves foi conduzido por meio de uma complexa operação logística, denominada Operação Tigre. As primeiras unidades monoplaces começaram a ser recebidas em junho de 1975, e o processo de entrega foi concluído em fevereiro de 1976. A chegada do F-5E marcou um momento decisivo na história da Força Aérea Brasileira (FAB), representando a consolidação de um novo patamar tecnológico na aviação de combate nacional. As aeronaves, matriculadas de FAB 4820 a FAB 4835, foram distribuídas entre o 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvC), sediado na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e o 1º/14º Grupo de Aviação (Esquadrão Pampa), baseado na Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul. Essa distribuição estratégica fortaleceu a defesa aérea tanto na Região Sudeste quanto no extremo sul do país. A introdução do F-5E Tiger II representou um salto qualitativo expressivo. O novo caça substituiu aeronaves que já não atendiam plenamente às exigências operacionais contemporâneas, como o Embraer AT-26 Xavante e os remanescentes Lockheed AT-33A Shooting Star. Dotado de capacidade supersônica, radar AN/APQ-153 e apto a empregar o míssil ar-ar AIM-9B Sidewinder, o F-5E conferiu à Força Aérea Brasileira (FAB) maior efetividade nas missões de interceptação e defesa aérea, ampliando significativamente seu poder dissuasório. Entretanto, em meados da década de 1980, após quase quinze anos de operação, a frota já acumulava um número preocupante de perdas decorrentes de acidentes e desgaste estrutural, o que reduzia sensivelmente a disponibilidade de aeronaves nas unidades de primeira linha. Esse quadro evidenciava a necessidade urgente de recomplementação, de modo a restabelecer níveis satisfatórios de prontidão operacional. Paralelamente, amadureceu a percepção de que o processo de conversão de pilotos deveria ser aprimorado. Até então, essa função era desempenhada pelos Northrop F-5B Freedom Fighter, cuja concepção derivava da geração anterior do F-5 e que apresentava desempenho inferior ao da versão E. Assim, passou-se a considerar a aquisição do Northrop F-5F Tiger II, versão biplace plenamente compatível com o padrão operacional do F-5E, permitindo uma formação mais adequada e alinhada às características de voo e aos sistemas embarcados da versão monoplace.

A hipótese de aquisição de aeronaves novas de fábrica encontrava-se, naquele momento, completamente descartada. A linha de produção do  F-5E Tiger II havia sido encerrada ao final de 1987, eliminando a possibilidade de encomendas diretas ao fabricante. Restava, portanto, recorrer a oportunidades no mercado internacional, especialmente por meio de estoques excedentes, com especial atenção à reserva estratégica da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Entretanto, para surpresa do Ministério da Aeronáutica (MAer), o governo norte-americano demonstrou inicialmente pouco interesse em atender à demanda brasileira. Questões de natureza política e estratégica influenciavam tal postura, impondo obstáculos às negociações pretendidas. Diante desse cenário, tornou-se imperativo buscar alternativas no mercado internacional. Nesse contexto, foram iniciadas tratativas com o governo da República Popular da China, contemplando a possível aquisição de até trinta caças Chengdu F-7M, versão chinesa derivada do MiG-21. A proposta avançou a ponto de pilotos brasileiros realizarem avaliações operacionais da aeronave, demonstrando que a alternativa era considerada de maneira concreta.A perspectiva de consolidação desse acordo, contudo, despertou preocupações norte-americanas , que vislumbrava na negociação sino-brasileira o risco de abertura de uma nova esfera de influência estratégica na América do Sul. Nesse contexto geopolítico, a proposta brasileira de adquirir um segundo lote de F-5E voltou à pauta das discussões bilaterais. Essa iniciativa resultaria na formalização do programa Peace Amazon II, viabilizado por meio do Foreign Military Sales (FMS), no valor de US$ 13,1 milhões. O contrato previa o fornecimento de vinte e duas células monoplace do F-5E e quatro exemplares biplace da versão F-5F. Os seis primeiros F-5E partiram da Base Aérea de Nellis, no estado de Nevada, ao final de setembro de 1988, enquanto as aeronaves subsequentes decolaram de Homestead, na Flórida. Os traslados foram realizados sob escolta de um Boeing KC-137 do 2º/2º Grupo de Transporte, em razão de as aeronaves não estarem equipadas com o sistema padrão de rádio VHF exigido para navegação autônoma em rotas internacionais.As entregas ocorreram entre outubro de 1988 e setembro de 1989. Após a incorporação, inspeções técnicas mais aprofundadas revelaram problemas estruturais significativos, alguns classificados como graves  situação particularmente observada nas células oriundas dos Esquadrões Agressores, que operavam sob um perfil de voo altamente exigente e com elevado estresse estrutural. Diante desse diagnóstico, decidiu-se encaminhar todas as aeronaves ao Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMASP), onde foram submetidas a um criterioso processo de recuperação estrutural. Durante esse ciclo de revitalização, seis aeronaves foram adaptadas para operar o casulo francês CT-51F Caiman, destinado a missões de guerra eletrônica. Cabe destacar que as aeronaves deste segundo lote  pertenciam as versões bloco 28-NO, 31-NO e 34-NO, e apresentavam diversas diferenças em relação às células novas de fabrica pertencentes ao Bloco 5, recebidas em 1975 . Entre as principais ausências estavam a sonda de reabastecimento em voo, a antena de VHF e a quilha dorsal destinada a abrigar a antena do ADF. Além disso, os assentos ejetores instalados eram do modelo Northrop Improved, em substituição aos Martin-Baker MK.BR-Q7A originalmente especificados pelo fabricante.
Estas diferenças trariam problemas para a padronização na cadeia de suprimentos de reposição, assim por pertencerem a lotes distintos, resolveu-se concentrar as aeronaves do primeiro lote junto as unidades de caça baseadas em Santa Cruz no Rio de Janeiro e as do segundo lote na Base Aérea de Canoas no Rio Grande do Sul. Atendendo a diretiva de alocação de aeronaves por lotes de produção, os biplaces Northrop F-5F Tiger II permaneceriam concentradas em Canoas junto ao  1º/14º Grupo de Aviação - Esquadrão Pampa  (1º/14º GAv), tornando esta unidade gaúcha, como a responsável pela formação e conversão de todos os pilotos de Northrop F-5E Tiger II brasileiros.  Estas células "novas" receberam  as matriculas de  "FAB 4956 a 4877", e curiosamente deste lote 16 células estavam entre as primeiras trinta produzidas,  dos quais os FAB 4856, 4857 e 4858, eram respectivamente a primeira, segunda e quarta células que deixaram as linhas de produção. Estes aviões foram selecionados diretamente das unidades operacionais da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), sendo onze originarias do 425th Tactical Fighter Training, sediado em na base aérea de  Willians AFB e as demais pertencentes aos famosos Esquadrões 64th e 65th Agressor Squadron.   Curiosamente o F-5E FAB  4858 (ex USAF 71-1420), também teve um papel especial como protótipo do RF-5E Tigereye, versão de reconhecimento tático do F-5 que trocou o radar e um dos canhões por uma plástica duvidosa no nariz. O Tigereye tinha um conjunto de câmeras capazes de registrar alvos a quase 80 km, inclusive em voo supersônico. Esta células foi alugada junto a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e convertida para teste e programa de certificação, sendo posteriormente devolvida e reconfigurada a sua versão original.  Durante os anos 1980 e 1990, o cenário regional ainda era influenciado por desconfianças remanescentes do período de rivalidade estratégica no Cone Sul. Assim, manter um vetor supersônico moderno permanentemente baseado em Canoas representava elemento dissuasório relevante. O desempenho do F-5E  com boa relação peso-potência, elevada taxa de subida e excelente manobrabilidade  mostrou-se particularmente adequado às exigências de defesa aérea regional. Em 1997 os dois lotes dos caças Northrop F-5E Tiger II brasileiros, começaram a receber a integração para a operação com os modernos mísseis israelenses Rafael Python III em substituição aos já obsoletos AIM-9B Sidewinder,  devolvendo a aeronave uma capacidade adequada para emprego em missões de combate ar ar. . Posteriormente, a frota também foi homologada para o emprego do míssil nacional MAA-1 Piranha, reforçando a autonomia tecnológica brasileira no setor de defesa. Ao final da década de 1990, iniciaram-se estudos para uma modernização estrutural e sistêmica mais abrangente da frota, projeto que ficou conhecido como F-5BR.  Este programa seria iniciado em 2003 pela Embraer S/A em parceria com a empresa israelense Elbit Systens, com a Força Aérea Brasileira (FAB), recebendo sua primeira célula modernizada  no dia 21 de setembro de 2005 na Base Aérea de Canoas no Rio Grande do Sul. As últimas aeronaves seriam entregues no   início de 2013, possibilitando assim estender a vida útil das aeronaves até o final da década de 2020 quando passarão a ser  substituídos pelos novos SAAB Gripen NG F-39.

Em Escala.
Para representarmos o Northrop F-5E Tiger II "FAB "4856", empregamos o antigo kit da Monogram, na escala 1/48,  que infelizmente apresenta linhas em alto-relevo, sendo na época a única opção disponível (hoje sem dúvida o novo modelo do fabricante AFV representa a melhor opção em termos de detalhamento e linhas em baixo relevo). Para se configurar a versão brasileira não é necessário proceder nenhuma modificação no modelo original. A pintura e as marcações foram aplicadas utilizando decais do conjunto Set 48/03 da FCM Decals, uma marca reconhecida pela qualidade na reprodução de insígnias brasileiras.
Estas 22 "novas" células do F-5E foram recebidas  ostentando esquemas de pintura camuflada em diversos tons, inspirados nos padrões utilizados pelos esquadrões “Agressor” da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Esses esquadrões, responsáveis por simular táticas de adversários em exercícios de treinamento, empregavam esquemas distintos como Ghost, Snake, Lizard, Grape e Partchese, caracterizados por combinações vibrantes de cinza, azul, verde e marrom. Posteriormente estas células ao serem submetidas as revisões em âmbito de parque, receberiam a aplicação de um esquema de pintura de baixa visibilidade com suas cores sendo descritas abaixo. 




Bibliografia : 
- O Catorze - Esquadrão Pampa, Carlos Lorch - Revista Força Aérea Nº 5
- História da Força Aérea Brasileira, Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.htmEnviar por e-mail
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores

UC-SR10 Stinson SR-10E Reliant

História e Desenvolvimento.
A Stinson Aircraft Company foi fundada em 1920 na cidade de Dayton, Ohio, o berço histórico da aviação norte-americana, local do primeiro voo dos Irmãos Wright em 1903. Seu criador, Edward "Eddie" Stinson, era um empreendedor visionário e aviador apaixonado, irmão da célebre Katherine Stinson, a quarta mulher dos Estados Unidos da América a obter uma licença de piloto e a primeira aviadora a realizar voos para o Serviço Postal do país. Nos seus primórdios, a empresa dedicou-se à fabricação quase artesanal de aeronaves de pequeno porte, voltadas para o turismo e o treinamento de pilotos. Contudo, a produção inicial enfrentava desafios: o ritmo lento de fabricação limitava as vendas, frustrando clientes que buscavam entregas mais ágeis, o que resultava em oportunidades perdidas para a companhia. Determinado a superar essas dificuldades e expandir seus horizontes, Eddie Stinson vislumbrou, no final de 1924, a cidade de Detroit como o palco ideal para o crescimento da empresa. A vibrante atmosfera industrial da região, aliada à disponibilidade de mão de obra qualificada e acesso a linhas de financiamento, tornava-a estratégica para seus planos de empreender no segmento aeronáutico. Ao se estabelecer em Detroit, Stinson rapidamente se conectou à comunidade empresarial local, conquistando apoio para sua visão. Seu empenho rendeu frutos em agosto de 1925, quando um grupo de investidores, membros do Comitê de Aviação do Conselho de Comércio de Detroit, decidiu respaldar sua iniciativa. Assim nasceu a Stinson Aircraft Syndicate, uma empresa de porte médio instalada na zona industrial sudoeste de Detroit, nas proximidades do Aeroporto Metropolitano Wayne County. Com um investimento inicial de aproximadamente US$ 25.000, a nova empreitada focou no desenvolvimento de uma aeronave monomotora de pequeno porte, destinada ao mercado civil de transporte e turismo. O projeto ganhou vida rapidamente, culminando na criação do modelo Stinson SBM-1 Detroiter. Em 25 de janeiro de 1926, sob o rigoroso inverno de Detroit, a aeronave realizou seu voo inaugural, enfrentando condições adversas com notável desempenho surpreendendo a todos os presentes naquele dia. Para garantir a segurança em um terreno escorregadio, o avião foi equipado com correntes nas rodas, uma solução prática que assegurou decolagens e pousos sem incidentes. O SBM-1 Detroiter um monoplano de asa alta, com suportes de sustentação (strut-braced), construída com tubos de aço ao cromo-molibdênio, revestida com tecido (entoilada), destacou-se não apenas por sua capacidade de transportar até quatro passageiros, mas também por incorporar inovações pioneiras para a época. Entre suas características estavam o aquecimento interno da cabine, freios de roda individuais fabricados pela Harley-Davidson Inc. e um sistema de partida elétrica para o motor Curtiss-Wright J-5 Whirlwind, de 220 cv -164 kW (Algumas unidades posteriores foram equipadas com o Wright J-6 de 300 hp). 

Essas inovações representaram um avanço significativo no design de aeronaves de pequeno porte, consolidando a Stinson Aircraft Syndicate como uma referência em engenhosidade e visão no cenário da aviação civil. O SBM-1 Detroiter, após passar por um exigente programa de ensaios em voo, recebeu a certificação dos órgãos reguladores norte-americanos, obtendo a autorização para sua produção em série. Suas características inovadoras, aliadas a um design avançado e funcionalidades técnicas pioneiras, como o aquecimento de cabine, freios Harley-Davidson e partida elétrica, rapidamente conquistaram o mercado. Em 1926, a venda de dez unidades marcou um feito notável para a época, consolidando o modelo como um sucesso comercial e atraindo a atenção de operadores privados e entusiastas da aviação. Inspirada por esse êxito inicial, a Stinson Aircraft Syndicate, liderada pela visão de Edward "Eddie" Stinson, decidiu aprimorar o projeto. O resultado foi o SM-1D Detroiter, um monoplano de asa alta com capacidade para até seis passageiros, que trouxe ainda mais sofisticação e conforto. Esse novo modelo reforçou o sucesso da empresa, alcançando vendas expressivas e elevando a reputação da marca no mercado aeronáutico. O êxito comercial do SM-1D permitiu a captação de US$ 150.000 em capital público, um marco que culminou na fundação da Stinson Aircraft Corporation em 4 de maio de 1926. Esse momento representou não apenas o crescimento da empresa, mas também a realização do sonho de Eddie Stinson, cuja paixão pela aviação o impulsionava a buscar inovações constantes. Além de sua dedicação como empreendedor, Eddie Stinson era um aviador talentoso, atuando nas horas vagas como piloto dublê. Essa atividade, que lhe rendia cerca de US$ 100.000 anuais, fornecia recursos adicionais para reinvestir na empresa, fortalecendo sua capacidade de inovação. A partir de 1928, o SBM-1 Detroiter passou a integrar as frotas de companhias aéreas emergentes, como a Braniff Air Lines, de Paul Braniff, e a Northwest Airways, marcando a entrada da Stinson no competitivo mercado de transporte aéreo. Em 1929, a empresa entregou 121 aeronaves, um testemunho do crescimento contínuo e da confiança depositada em seus produtos. Nesse mesmo ano, em setembro, a Stinson Aircraft Corporation recebeu um impulso significativo com a aquisição de 60% de suas ações por Errett Lobban (E.L.) Cord, um magnata da indústria automotiva e proprietário da Cord Corporation. Essa parceria injetou capital e expertise, permitindo à empresa oferecer preços mais competitivos e investir em novos projetos. Nos três anos subsequentes, a Stinson lançou quatro novos modelos, incluindo o SM-2 Junior, voltado ao mercado de proprietários privados. Cada lançamento foi recebido com entusiasmo, alcançando resultados de vendas expressivos e consolidando a posição da empresa no setor aeronáutico. 
Esses recursos financeiros possibilitaram melhorias estruturais, pavimentando o caminho para o desenvolvimento de um dos maiores sucessos comerciais da Stinson, que marcaria sua trajetória como uma referência em inovação e qualidade. No auge da Grande Depressão, em 1930, a Stinson Aircraft Corporation consolidava sua posição no mercado aeronáutico norte-americano, oferecendo uma linha diversificada de seis modelos de aeronaves, que variavam do compacto SM-2 Junior, com capacidade para quatro ocupantes, ao imponente trimotor Stinson 6000 Airliner, conhecido como Stinson Trimotor ou Model T. Contudo, um evento trágico marcou a trajetória da empresa: em 26 de janeiro de 1932, Edward "Eddie" Stinson, fundador e coração da companhia, faleceu em um acidente aéreo em Chicago, Illinois, durante uma viagem de vendas. Sua perda, além de abalar profundamente a comunidade aeronáutica, acelerou a integração da Stinson Aircraft Corporation em estruturas corporativas maiores. Inicialmente adquirida pela Cord Corporation, a empresa passou, posteriormente, para o controle da Aviation Corporation (AVCO) e, por fim, foi incorporada pela Consolidated Vultee Company. Sob a gestão da Consolidated Vultee, a Stinson Aircraft Corporation passou a operar como uma divisão aeronáutica independente.  A estratégia da empresa, nesse período, concentrou-se na ampliação de seu portfólio de aeronaves leves, com capacidade para dois ou três ocupantes, destinadas ao mercado civil para funções de ligação e treinamento básico.  Em maio de 1933, os engenheiros Robert W. Ayer e C.R. "Jack" Irvine projetaram o  Reliant (SR-1), um monoplano de asa alta com trem de pouso fixo, equipado inicialmente com um motor radial Lycoming R-680 de 215 hp (160 kW). O preço acessível de cerca de US$ 3.995 o tornou competitivo em relação a rivais, e sua capacidade para três passageiros além do piloto atendeu à demanda por aviões de negócios e utilitários. Este modelo recebeu a designação de Stinson SR Reliant, com seu primeiro protótipo alçando voo em julho de 1933, e logo seria envolvido em um programa de ensaios de voo pelo fabricante. Próximo ao termino deste mesmo ano,  a aeronave receberia da Administração Federal de Aviação (FAA), sua certificação para operação civil. Em dezembro de 1933 seria lançado oficialmente no mercado mercado, e rapidamente conquistou notoriedade entre potenciais compradores, resultando em expressivas vendas. As versões subsequentes, como o Reliant SR-1, SR-2 e SR-3, consolidaram uma carteira de vendas superior à de qualquer outra aeronave de sua categoria nos Estados Unidos naquele período.​ Essas versões iniciais tinham asas de corda constante e espessura uniforme, suportadas por dois estrutos por lado com reforços adicionais. Eram mais simples e robustos, ideais para operações em terrenos irregulares. O modelo Reliant SR-4 foi equipado com o motor de pistão radial Wright R-760-E de 250 hp (186 kW), mais potente que os das versões anteriores, ampliando sua participação no mercado. O SR-5, por exemplo, foi usado por celebridades como a atriz Ruth Chatterton, a primeira a possuir e pilotar seu próprio avião.

A partir de 1936, introduziu-se a asa cônica dupla (gull-wing), com maior corda e espessura no meio da envergadura, borda de fuga inclinada para frente nas pontas e um corte arredondado na raiz da borda de ataque, suportada por um único estruto por lado. Essa mudança melhorou a aerodinâmica, a visibilidade e o desempenho, tornando os modelos mais elegantes e eficientes. Em meados de 1938, a empresa lançou o SR-8E, com capacidade para cinco ocupantes melhorando suas vendas neste segmento. Já o Stinson SR-10, introduzido em 1938, representaria o ápice comercial, com interiores luxuosos (couro, painéis de nogueira e janelas retráteis como em automóveis), motores mais potentes (até 300 hp) e velocidade de cruzeiro de cerca de 150 mph (241 km/h), com alcance de 800 milhas (1.287 km). Deste modelo seriam comercializadas e entregues 120 aeronaves no mercado civil norte-americano. Em suma,  a produção desta família de aeronaves totalizaria 1.327 unidades entre 1933 e 1941, podendo ser dividida em dois tipos distintos: os Reliant de asa reta (todos os modelos até o SR-6) e os Reliant de asa de gaivota (todos os modelos do SR-7 em diante). O modelo Stinson SR-10 serviu como base para o desenvolvimento da versão militar AT-19, uma aeronave projetada para missões de treinamento intermediário. Tal versão foi concebida inicialmente para atender a um contrato envolvendo a produção de 500 unidades destinadas à Força Aérea Real (Royal Air Force) e à Marinha Real Britânica (Royal Navy), sendo fornecidas no âmbito do programa de ajuda militar conhecido como Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). Os SR-10 Reliants foram fornecidos aos britânicos a partir de 1942, recebendo a designação local de  Reliant I para as versões de transporte de cinco lugares, e T-19A (treinador de instrumentos com três lugares), AT-19B (observação e fotografia aérea) e AT-19C (carga). Na Marinha Real (Royal Navy) seriam empregados principalmente em tarefas de treinamento junto aos esquadrões No. 730, 748 e 886 Naval Air Squadrons (NAS), para formar navegadores e operadores de rádio. A variante AT-19A, com configuração de três lugares, era ideal para treinamento de instrumentos, permitindo voos em condições adversas e prática de navegação por rádio. Já na Força Aérea Real (RAF) foram utilizados em unidades especializadas em comunicações e transporte VIP, como o No. 510 Squadron RAF, No. 24 Squadron RAF e 1 Communications Unit, aproveitando sua confiabilidade em operações de curto alcance e terrenos variados.  Neste contexto seriam utilizados em tarefas de ligação e transporte leve, focando em  em comunicações e suporte logístico, usando o avião em missões na Europa ocupada e no Reino Unido. Após o fim da guerra, cerca de 350 dos 500 Reliants britânicos foram devolvidos ao governo dos Estados Unidos, onde foram vendidos no mercado civil como V-77, muitos adaptados para operações "bush" no Canadá e Alasca (equipados com flutuadores ou skis). Na Força Aérea Real (RAF), os remanescentes foram desativados rapidamente, com sobreviventes vendidos ou sucateados. Hoje, poucos exemplares originais britânicos sobrevivem, como o FK887 (agora N69996, exibido no War Eagles Air Museum, nos Estados Unidos).
Durante o ano de 1941, à medida que as tensões na Europa se intensificavam e o Pacífico fervilhava com o expansionismo japonês, os Estados Unidos anteviam sua inevitável entrada em um conflito mundial. Nesse panorama de incertezas e preparativos, o governo americano, priorizou a expansão das forças armadas, incluindo a criação de uma robusta infraestrutura de aviação para treinamento de pilotos e missões de ligação. Como parte desse esforço, foi lançado um programa nacional de requisição e adaptação de aeronaves civis para uso militar, refletindo a urgência de mobilizar recursos em tempo de crise e preparar milhares de jovens aviadores para os desafios da guerra. Nesse contexto inicial, dois exemplares do Stinson Reliant SR-8B foram convertidos para a designação UC-81, entrando em serviço no Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) em setembro de 1941.  No ano seguinte, em 1942, aproximadamente 91 aeronaves Stinson Reliant de origem civil foram incorporadas ao arsenal militar americano, sendo reclassificadas de acordo com suas variantes específicas nas designações UC-81B, UC-81C, UC-81E, UC-81F, UC-81G, UC-81H, UC-81J, UC-81K, UC-81L, UC-81M e UC-81N. Essas conversões incluíam reforços estruturais e modificações para maior durabilidade em condições adversas, permitindo que esses aviões realizassem missões essenciais de transporte de pessoal, comunicações e treinamento em diversos teatros de operação. Dentre as inovações notáveis, destaca-se o modelo experimental Stinson XC-81D, desenvolvido especificamente para a remoção de planadores do campo de batalha após a aterrissagem. Equipado com um motor mais potente Pratt & Whitney R-985 de 450 hp, mecanismo de liberação aerodinâmico e trem de pouso reforçado, esse variante único foi testado em 1943 e provou sua utilidade no teatro europeu, auxiliando na recuperação de planadores como o Waco CG-4A durante operações aliadas, incluindo preparativos para o Dia D em 1944. Com o fim do conflito em 1945, a produção civil do Reliant foi retomada  com o lançamento do modelo V-77. Essa versão, mais espartana, incorporando o motor radial Lycoming R-680-E3B de 300 hp, uma única porta lateral à esquerda para facilitar o acesso em operações rápidas, e uma carenagem lisa e simplificada no lugar do tradicional capô saliente ("bump"). A estrutura interna foi substancialmente reforçada em comparação aos modelos comerciais pré-guerra, com adições como um contrapeso triangular no leme para melhorar a estabilidade em voo. Nesse período pós conflito, um grande contingente dessas aeronaves militarizadas foi declarado "excedente militar" pelo governo dos Estados Unidos, sendo disponibilizado ao mercado civil por meio de leilões e vendas diretas, o que permitiu a reconversão para usos pacíficos como transporte executivo e operações em regiões remotas. Uma porção significativa dessa frota foi destinada a forças armadas de nações aliadas ou alinhadas aos interesses estratégicos americanos durante a nascente Guerra Fria, incluindo Argentina, Uruguai, Austrália, El Salvador, México e Noruega.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
A história do uso do Stinson SR-10E Reliant  em contexto militar no Brasil está intrinsecamente ligada ao conturbado cenário político da segunda metade da década de 1930, um período marcado por transformações profundas e tensões que moldaram o futuro do país. Durante esse tempo, a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, em 1930, com o apoio das forças militares, marcou o fim da política do "café com leite", caracterizada pela alternância de poder entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais. Governando inicialmente como presidente provisório até 1934, Vargas consolidou sua liderança sob a nova Constituição, assumindo a presidência constitucional. Contudo, a insurreição comunista de 1935 intensificou especulações sobre um possível autogolpe, enquanto o país se preparava para as eleições presidenciais de 1938. Com a impossibilidade de concorrer a um novo mandato em 1938, Vargas e seus aliados articularam um movimento para manter sua influência no poder. Em 18 de setembro de 1937, os preparativos para o golpe ganharam força com a divulgação do Plano Cohen, um documento fraudulento utilizado por oficiais superiores militares para justificar a declaração de estado de guerra pelo Congresso Nacional. Na manhã de 10 de novembro de 1937, forças militares cercaram o Congresso, e Vargas, em um discurso transmitido pelo rádio, proclamou o Estado Novo, um regime autoritário que suspendeu liberdades individuais, dissolveu o Congresso e estabeleceu uma nova constituição corporativa. O mandato presidencial foi estendido por seis anos, posteriormente ampliado para oito, enquanto o poder dos estados foi drasticamente reduzido, centralizando a autoridade no governo federal. Apesar do forte apoio ao regime, a oposição, embora fragmentada, persistia em diversos redutos pelo país, representando uma ameaça potencial à consolidação do Estado Novo. Para assegurar a continuidade de seu governo, Vargas priorizou a neutralização dessas resistências, tanto no âmbito civil quanto militar, buscando formar um núcleo coeso em torno de sua liderança. Uma das estratégias adotadas foi a nomeação de interventores federais nos estados, que assumiram as funções antes exercidas por governadores eleitos. A partir de 1937, todos os estados da federação passaram a ser governados por esses interventores, leais ao governo central, com frequentes trocas ao longo dos anos para manter o controle político. Com a instauração do Estado Novo em 10 de novembro de 1937, São Paulo viu a substituição de seus governadores eleitos por interventores federais. O primeiro a assumir o cargo foi Joaquim Cardoso de Melo Neto, que governou de 11 de novembro de 1937 a 25 de abril de 1938. Sua gestão foi sucedida pela breve passagem do general Francisco Silva Júnior, comandante da 2ª Região Militar, que permaneceu no cargo por apenas três dias, de 25 a 27 de abril de 1938, deixando a posição por motivos pessoais.

A brevidade de sua gestão evidenciou a urgência do governo federal em estabilizar a administração do estado, que era um pilar econômico e político do Brasil. Em 27 de abril de 1938, Adhemar Pereira de Barros, médico, político e veterano da Revolução Constitucionalista de 1932, foi nomeado interventor federal por indicação de Benedito Valadares e Filinto Müller, com a chancela do presidente Getúlio Vargas. Nascido em uma influente família de cafeicultores de São Manuel, no interior paulista, Adhemar trouxe à interventoria uma combinação de visão progressista e entusiasmo pessoal pela aviação. Tendo obtido seu brevê de piloto na Europa na década de 1920, ele via na aviação civil e esportiva uma ferramenta de modernização e integração, capaz de impulsionar a administração pública e conectar as diversas regiões do estado. Entre as prioridades de Adhemar Pereira de Barros como interventor estava a modernização da infraestrutura aeronáutica do estado de  São Paulo, com foco na renovação da frota de aeronaves utilizada pelos gabinetes administrativos do governo estadual. Essa iniciativa culminou na aquisição de diversos modelos de aeronaves novas de fábrica, entre estas estava uma célula do modelo Stinson SR-10E Reliant, que foi importado diretamente do fabricante no final do ano de 1939, sendo logo em seguida transladada em voo para o Brasil, acompanhada de outros aviões adquiridos, chegando à capital paulista em  29 de janeiro de 1940.  Após sua chegada, foi oficialmente registrada no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) em 19 de janeiro de 1940, recebendo a matrícula civil PP-EAC.  Com uma velocidade máxima de 262 km/h,  alcance de 1200 km  e teto de serviço de 3.962 metros (13.000 pés), o SR-10E Reliant  era ideal para as necessidades do governo estadual.  Incorporado à frota esta aeronave foi intensivamente utilizado em missões de transporte de autoridades e funcionários públicos, desempenhando funções de ligação e transporte leve em todo o estado. Ocasionalmente, a aeronave também realizava voos para a Capital Federal, no Rio de Janeiro, conectando a administração paulista ao governo central. Sua versatilidade e confiabilidade tornaram-no uma ferramenta essencial para a gestão de Adhemar, que via na aviação um meio de agilizar a comunicação e fortalecer a administração pública em um período de centralização política. A gestão de Adhemar Pereira de Barros reflete não apenas seu compromisso com a modernização, mas também sua paixão pessoal pela aviação, que encontrou eco nas iniciativas de fortalecimento da infraestrutura aeronáutica do estado.
Desta maneira , o Stinson SR-10E Reliant, registrado como PP-EAC, desempenhava com eficiência suas funções a serviço do governo do Estado de São Paulo, conectando autoridades e facilitando a administração estadual. Contudo, sua trajetória nesse papel foi breve, pois a aeronave logo seria destinada a uma nova missão, integrando o meio militar. Em outubro de 1941, em meio ao turbulento contexto da Segunda Guerra Mundial – quando o Brasil, sob o regime do Estado Novo de Getúlio Vargas, ainda mantinha uma neutralidade precária perante o conflito global iniciado com a invasão alemã à Polônia em 1939 –, o interventor federal Adhemar Pereira de Barros, um médico, aviador e empresário visionário nomeado por Vargas para governar São Paulo desde 1938, tomou a iniciativa de doar uma aeronave Stinson SR-10E Reliant ao recém-criado Ministério da Aeronáutica (MAer). Essa doação, que refletia o espírito patriótico e o interesse pessoal de Adhemar pela aviação – ele próprio um piloto civil que utilizava aeronaves para supervisionar obras e projetos em seu estado –, visava integrar o avião à nascente Força Aérea Brasileira (FAB), fortalecendo sua frota incipiente. A ação ecoava uma contribuição similar ocorrida no início de 1940, quando um Stinson 105 Voyager fora doado à Aviação Naval da Marinha do Brasil, destacando o esforço coletivo para modernizar as forças armadas nacionais em um período de crescentes tensões internacionais, incluindo os ataques de submarinos alemães às costas brasileiras que culminariam na declaração de guerra aos Países do Eixo em agosto de 1942. Supõe-se que um dos termos dessa generosa doação estipulava que a aeronave permanecesse baseada em uma instalação aérea no estado de São Paulo, garantindo assim que o equipamento continuasse a servir aos interesses locais enquanto contribuía para a defesa nacional. O Stinson SR-10E Reliant, um modelo de asa alta e monomotor que representava o auge da engenharia aeronáutica americana da década de 1930, destacava-se por sua robustez e versatilidade, características que o tornavam ideal para missões de ligação e transporte em um país de vastas distâncias como o Brasil. Equipado com o motor radial a pistão Wright R-760E-1 Whirlwind de sete cilindros – um propulsor confiável que gerava 320 hp (239 kW) a 2.200 RPM ao nível do mar –, o avião oferecia um desempenho notável para a época, incluindo uma velocidade de cruzeiro de cerca de 241 km/h e um alcance de até 1.287 km, permitindo voos eficientes entre capitais regionais e simbolizando o progresso tecnológico que inspirava jovens aviadores brasileiros em uma era de transformação.

O processo de transferência foi concluído em dezembro de 1941, nesse momento, a matrícula civil PP-EAC foi cancelada, e o avião passou a ostentar inicialmente o registro militar "2", posteriormente alterado para "FAB 2653". Em março de 1942, redesignado como UC-SR10 Stinson – uma adaptação militar inspirada nas variantes usadas pelos Aliados –, foi alocado à Base Aérea de São Paulo (BASP), ficando à disposição do Quartel-General da 4ª Zona Aérea. Durante a Segunda Guerra Mundial, período em que a FAB se envolveu ativamente na patrulha antissubmarino no Atlântico Sul e enviou esquadrões para o teatro europeu, incluindo a participação heroica do 1º Grupo de Aviação de Caça na Itália em 1944-1945, essa aeronave operou em conjunto com outros modelos de transporte, executando missões orgânicas essenciais, como o deslocamento de oficiais e suprimentos, em benefício daquela unidade, contribuindo para o esforço de guerra que uniu a nação em torno de ideais de soberania e aliança internacional. Houve especulações sobre a incorporação de uma segunda aeronave do mesmo modelo à frota da FAB, que teria recebido inicialmente a matrícula militar "1" e, em seguida, "FAB 2652". No entanto, investigações posteriores revelaram que se tratava, na verdade, de uma célula do modelo Stinson 105 Voyager, erroneamente classificada como UC-SR10, o que gerou controvérsias nos registros históricos e ilustra as desafios de documentação em tempos de guerra, quando a urgência frequentemente superava a precisão burocrática. Com o término da Segunda Guerra Mundial em 1945, marcado pela rendição incondicional da Alemanha em maio e do Japão em setembro, a Força Aérea Brasileira iniciou um amplo processo de reorganização de suas unidades e meios materiais, alinhando-se ao bloco ocidental durante os primórdios da Guerra Fria e adotando tecnologias mais avançadas, como os primeiros jatos Gloster Meteor na década de 1950. Apesar dessas mudanças, o Stinson SR-10E Reliant permaneceu alocado ao Quartel-General da 4ª Zona Aérea, continuando a desempenhar missões de ligação e transporte leve em benefício de oficiais e autoridades daquela unidade. ​Durante sua operação na Força Aérea Brasileira (FAB), a aeronave Stinson SR-10E Reliant, designada como "FAB 2653", demonstrou notável disponibilidade, realizando frequentemente missões para o Rio de Janeiro e Belo Horizonte sem registros de falhas mecânicas, hidráulicas ou elétricas.  ​A manutenção do Stinson SR-10E era conduzida com rigor pelo Parque de Aeronáutica de São Paulo (PqAerSP, posteriormente redesignado como Parque de Material Aeronáutico de São Paulo – PAMA-SP), responsável pela revisão de seu motor radial Wright R-760E-2 Whirlwind de 320 hp (239 kW). 
Este motor, amplamente utilizado em outras aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB),, como o Beechcraft Staggerwing e os modelos Waco CSO e CSJ, era conhecido por sua durabilidade e eficiência, características essenciais para operações em um país de dimensões continentais como o Brasil. Com o advento da segunda metade da década de 1950, a FAB enfrentava um período de renovação de sua frota, impulsionado pela aquisição de aeronaves mais modernas, como os caças a jato Gloster Meteor e os treinadores North American T-6 Texan, que refletiam a transição para uma era de maior sofisticação tecnológica e alinhamento com os padrões da Guerra Fria. Nesse cenário, constatou-se que as funções desempenhadas pelo Stinson SR-10E – missões de ligação, transporte de oficiais e tarefas administrativas – podiam ser realizadas por modelos mais novos, disponíveis em maior quantidade e com custos operacionais mais acessíveis. A operação de uma única célula do Reliant, embora confiável, tornou-se economicamente inviável devido aos elevados custos de manutenção de um modelo singular, que exigia peças específicas e cuidados técnicos especializados. Após sua última revisão geral, realizada com meticulosidade nas oficinas do PAMA-SP em março de 1957, a aeronave acumulou aproximadamente 400 horas de voo em apoio ao Quartel-General da 4ª Zona Aérea, desempenhando tarefas que incluíam o transporte de autoridades e a entrega de documentos críticos entre bases regionais. Em novembro de 1960, com a frota da FAB em plena modernização, a decisão foi tomada de desativar o Stinson SR-10E. A aeronave foi enviada de volta ao PAMA-SP, onde foi formalmente retirada do inventário do Ministério da Aeronáutica. Posteriormente, foi vendida a um operador particular e registrada no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) com a matrícula PT-BRT. Sob essa nova designação, o Reliant continuou a voar ativamente até o final da década de 1960, sendo utilizado em operações civis, possivelmente em serviços de táxi aéreo ou transporte executAnos mais tarde, reconhecendo o valor histórico do Stinson SR-10E como um dos primeiros aviões a integrar a frota da FAB e sua relevância para a memória aeronáutica nacional, a Força Aérea Brasileira readquiriu a aeronave com o propósito de preservá-la no acervo do Museu Aeroespacial (MUSAL), localizado no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro, até ser desativado e armazenado no Aeroporto de Campo de Marte, em São Paulo. Um meticuloso processo de restauração foi empreendido para devolver o Stinson UC-SR10, novamente designado como "FAB 2653", à sua configuração militar original, passando a  integrar o acervo do Museu Aeroespacial (MUSAL) no Rio de Janeiro. 

Em Escala.
Para representar com fidelidade o Stinson SR-10E Reliant UC-SR10 “FAB 2653”, optou-se pela utilização do único kit disponível no mercado referente a este modelo, produzido pela fabricante AMT na escala 1/48. Contudo, por tratar-se originalmente da versão SR-9, foi necessário realizar adaptações em scratch build para adequar a miniatura à configuração utilizada pela Força Aérea Brasileira. Dentre essas modificações, destaca-se a remoção do radiador de óleo, procedimento essencial para compor corretamente a variante aqui empregada. Adicionalmente, considerando a inexistência de um conjunto específico de decalques para este modelo, recorreu-se à aplicação de decalques provenientes de diferentes sets fornecidos pela FCM Decais, garantindo uma representação visual precisa da aeronave.
O esquema de cores (FS) descrito a seguir corresponde ao padrão de pintura civil originalmente aplicado à aeronave no momento em que foi doada pelo Governo do Estado de São Paulo ao Ministério da Aeronáutica (MAer), em 1941. Este padrão foi mantido ao longo de toda a sua vida útil operacional, até sua desativação em novembro de 1960. Atualmente, a aeronave encontra-se preservada no acervo do Museu Aeroespacial (MUSAL), no Rio de Janeiro, ostentando este mesmo esquema de pintura, fielmente reproduzido durante o processo de restauração.

Bibliografia :
Stinson Reliant Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Stinson_Reliant
Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
Aviação Militar Brasileira 1916 – 1984 Francisco C.  Pereira Neto