Marder 1A2 SAM Roland II (VBC AAe)

História e Desenvolvimento. 
Durante a Segunda Guerra Mundial a indústria militar alemã se manteria na vanguarda da tecnologia, produzindo em larga escala  lendários modelos de carros de combate, denominados popularmente como "Panzer ou Panzerkampfwagen". O emprego destes em conjunto com outros modelos de veículos blindados especializados seriam o componente fundamental da doutrina Blitzkrieg (Guerra Relâmpago), que nas fases iniciais do conflito proporcionariam retumbantes vitórias. No período pós-guerra a Alemanha Ocidental permaneceria completamente desmilitarizada, sendo vetada neste momento a constituição de   instituições militares, mesmo para autodefesa, com sua outrora pujante indústria automotiva passando a focar seus esforços no mercado comercial. No entanto o antigo território alemão seria transformado em uma região de grande tensão, representando a principal linha de frente no conflito da Guerra Fria, entre as forças do Pacto de Varsóvia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Este cenário levaria junto ao comando a decisão de se revisionar o conceito da proibição de constituição de forças de defesa da Alemanha Ocidental, tendo em vista a necessidade de se reforçar as defesas da região, para assim fazer frente a constante ameaça representadas pelas forças dos países do bloco soviético. Desta maneira no dia 12 de novembro de 1955 seria promulgada dentro da constituição, as normativas que constituiriam a nova estrutura das forças armadas da República Federal da Alemanha, sendo composta pelo Deutsches Heer (Exército Alemão), Deutsche Marine (Marinha Alemã) e a Deutsche Luftwaffe (Força Aérea Alemã). De imediato seria iniciado um vasto programa de rearmamento, sendo fornecidos principalmente, equipamentos, armas, veículos, aeronaves, navios, blindados, e carros de combate de origem norte-americana. Em termos de carros de combate, o recém-criado Exército Alemão (Deutsches Heer) passaria a ser equipado imediatamente, com uma respeitável frota composta pelos modelos M-41 Walker Buldog, M-47 Paton e M-48 Paton.  Porém neste mesmo momento, estes carros de combate já se mostravam inadequados frente as ameaças representadas pelos modelos T-44, T-54 e T-55 que equipavam as forças blindadas do Pacto de Varsóvia. A solução para atendimento a esta demanda ainda neste momento não estava disponível para emprego junto aos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), apesar de existirem projetos em desenvolvimento como o norte-americano MBT T-95.  Esta realidade motivaria o governo alemão a retomar sua indústria de defesa, sendo iniciados estudos ao final desta década, visando assim o desenvolvimento de projetos nacionais englobando uma variada gama de veículos blindados, desde carros de combate, transporte e versões especializadas de serviço.   

O foco inicial desta iniciativa seria concedido ao desenvolvimento de um MBT (Main Battle Tank), com suas especificações de projeto sendo definidas em 1956, baseadas na necessidade de se superar os novos T-54 e T-55. Estas abrangiam um veículo na ordem de mais trinta toneladas, devendo ter alta mobilidade como prioridade em detrimento ao poder de fogo, e por isso sendo dotado com um canhão de 105 mm. Diversos seriam galgados neste processo, e finalmente a partir de meados do ano de 1965 começariam a ser entregues as unidades de cavalaria blindada do Exército Alemão (Deutsches Heer), os primeiros carros de combate do modelo Leopard 1. Rapidamente seu emprego operacional conquistaria grande notoriedade passando a despertar o interesse de outras nações pelo modelo (além da Itália), gerando assim grandes contratos de exportações para a Bélgica, Holanda, Noruega, Itália, Dinamarca, Austrália, Canada, Turquia e Grécia. O grande êxito deste programa motivaria o governo alemão em fins da década de 1960, a investir recursos em um novo projeto, agora visando o desenvolvimento de um novo veículo blindado dedicado a tarefas de transporte de tropas, que pudesse acompanhar no campo de batalha os novos carros de combate Leopard 1. Porém neste contexto buscava-se também criar uma plataforma comum que pudesse ser aplicada no desenvolvimento de mais versões especializadas de combate ou serviço. Após a definição dos objetivos deste programa, seu projeto seria direcionado ao recém-formado consorcio internacional, composto pela empresa alemã Rheinmetall Landsysteme (Rheinstahl-Hanomag, Ruhrstahl, Witten-Annen, Büro Warnecke) e a suíça Mowag Motor Car Factory. Neste momento um contrato seria celebrado com o governo alemão, para a produção de cinco protótipos, do novo "veículo de combate de infantaria". Estes carros seriam disponibilizados para o emprego em um programa de ensaios e testes de campo entre os anos de 1961 e 1963. Este processo apresentaria uma série de correções e melhorias de projeto, com uma versão aprimorada deste modelo recebendo em 1967 mais um contrato para a produção de dez blindados para avaliação. A partir desta data o programa passaria a ser capitaneado pela empresa Henschel Werke, mantendo ainda a parceria com a Mowag Motor Car Factory. Os novos veículos de testes passariam a ser entregues ao Exército Alemão (Deutsches Heer) em outubro de 1968, sendo imediatamente empregados em um novo ciclo de testes e avaliações, resultando em novas alterações e melhorias no projeto do modelo. Em maio do ano de 1969 o novo  "veículo de combate de infantaria" receberia o nome de batismo de Marder (ou Marten em alemão), sendo liberado assim para a produção em série. 
O modelo inicial de produção do Marder 1 apresentava um design relativamente convencional, com o assento do motorista se localizando no lado esquerdo da frente do veículo, com conjunto motriz ficando posicionado à sua direita.  Em termos do conjunto mecânico um motor diesel refrigerado a líquido de seis cilindros MTU MB 833 Ea-500 que fornecia aproximadamente 441 kW (600 PS; 591 hp) a 2.200 rpm. Os radiadores de resfriamento são montados na parte traseira do casco em ambos os lados da rampa de saída. O motor é acoplado a uma caixa de engrenagens planetárias HSWL 194 de quatro velocidades da Renk, com quatro marchas à frente e quatro à ré. A transmissão também fornecia direção e frenagem através de uma unidade hidrostática variável, que transmitia energia para duas unidades de acionamento montadas na frente do casco do blindado.  O veículo transportava ainda 652 litros de combustível, concedendo uma autonomia de cerca de 500 quilómetros em terreno regular. Suas versões posteriores, podiam atingir uma velocidade de estrada de 75 km/h na quarta marcha, porém este desempenho seria reduzido para 65 km/h com o emprego de blindagem extra. Seu casco era totalmente confeccionado em placas de aço soldado, proporcionando aos passageiros e tripulantes relativa proteção contra incêndios e fragmentos munição, suportando tiros de armas automáticas de médio de calibre.  Para autodefesa estaria equipado com um metralhadora de MG3 de 7,62 mm , podendo ainda empregar kits especiais com sistemas de proteção contra radiação, armas biológicas e químicas podendo operar nos mais diversos hipotéticos cenários de conflagração na Europa. Podia transportar até doze soldados totalmente equipados, com seu acesso e saída sendo rapidamente proporcionado por grande porta traseira com acionamento hidráulico e por três escotilhas superiores. Podia ainda transpor sem preparação cursos de 1,5 metros de água e podia ainda ser equipado com um kit especial que lhe permitiria a passagem em cursos de água de  até 2,5 metros de profundidade. Em 12 de outubro de 1968, o governo da Alemanha Ocidental celebraria um contrato com a Rheinmetall Landsysteme envolvendo a compra de um lote inicial de cem carros,  que deveriam ser produzidos por suas empresas subsidiarias a Thyssen-Henschel e Krupp MaK. Em 7 de maio de 1971, os primeiros cinco Marder 1 IFV seriam formalmente entregues ao comando do Exército Alemão (Deutsches Heer), sendo destinado a compor os regimentos de infantaria mecanizada (Panzergrenadier).   

Ao longo dos anos seguintes mais carros seriam incorporados, totalizando dois mil quatrocentos e treze veículos até o ano de 1975, neste momento devido a importância do modelo para a força terrestre alemã, seriam estudadas alternativas para a melhorias de sua capacidade de sobrevivência no campo de batalha. Neste contexto seria incorporado ao Marder 1, o sistema francês de míssil anticarro guiado por fio MILAN (Missile d'Infanterie, Léger, Antichar - Míssil de Infantaria, Ligeiro, Anticarro).  Em testes campo seriam coletados dados extremamente positivos, levando a partir de 1977 a implementação desta modificação em toda a frota em operação no   Exército Alemão (Deutsches Heer). Em 1979 seria desenvolvida a versão Marder 1A1, que passava a apresentar uma série de melhorias, entre estas, destacava-se a adoção do canhão automático Rheinmetall MK 20 Rh202 de 20 mm, disposto em uma pequena torre de operada por dois homens podendo disparar variados tipos de munição anti pessoal ou blindagem. Uma metralhadora MG3 de 7,62 mm estava montada coaxialmente à esquerda do canhão, normalmente o Mader 1A1 dispunha de 1.250 rodadas para o canhão de 20 mm e 5.000 rodadas para a metralhadora MG3 de 7,2 mm. Esta torre apresentava uma   rotação de 360 graus, podendo elevar-se  de -17 graus a + 65 graus,  a uma velocidade de 40 graus por segundo, ao mesmo tempo que atravessa a uma velocidade de 60 graus por segundo. As versões mais recentes apresentariam uma segunda metralhadora MG3 de 7,2 mm montado no deck traseiro em um sistema de pod remoto controlado. Vários programas de atualização foram realizados, resultando nas versoes  Marder 1A1(+) , 1A1(-), 1 A1A3, 1 A1A, que incluiriam a instalação de equipamentos de visão noturna e um termovisor, bem como uma alimentação de munição atualizada para o canhão de 20 mm. Entre os anos de 1984 e 1981, todos os veículos em serviço no Exército Alemão (Deutsches Heer) seriam atualizados para o modelo Marder 1A2, passando incluir modificações substanciais da suspensão, tanques de combustível, sistema de refrigeração e sistema de limpeza por jato de água. Um novo sistema de mira e termovisores seriam instalados, com o antigo equipamento de luz de busca infravermelha sendo removido. Em 1988 seria iniciado o programa de atualização do A3, com a Thyssen-Henschel recebendo um contrato para atualizar 2.100 veículos das séries Marder 1 A1 / A2, com os primeiros carros sendo entregues em 17 de novembro de 1989. Esta seria a versão final a entrar em serviço, com sua desativação gradual deflagrada após a introdução nos novos Schützen-AFV Puma”, a partir do ano de 2022. Este processo de desativação permitiria a exportação de um lote excedente para a Grécia, Chile, Indonésia, Jordânia e pôr fim a  doação de trinta blindados para a Ucrânia em março do ano de 2023.   
Anteriormente no início da década de 1980,  na Alemanha, o Marder 1A1 também seria considerado como plataforma para defesa antiaérea de médio alcance, sendo realizados pelos fabricantes estudos para a adoção de lançadores e sistemas de direcionamento de misseis terra ar (SAM). Entre vários sistemas considerados, decidiria-se pela escolha do modelo de curto alcance Roland II. Este projeto franco-alemão seria desenvolvido a partir de 1963 em um consórcio formado pelas empresas Nord Aviation (futura Aérospatiale) e Bölkow Entwicklungen KG (futura Messerschmitt-Bölkow-Blohm), recebendo as designações locais de SABA e P-250. No ano seguinte, seria fundada a Euromissile uma empresa destinada a produção deste e outros programas de mísseis. A divisão francesa tomaria a responsabilidade primária pelo sistema Roland 1 (dia e bom tempo) e alemã assumiria a responsabilidade principal pelo sistema Roland 2 (para todos os climas). A Aerospatiale também seria responsável pelo desenvolvimento do sistema traseiro e de propulsão do míssil, enquanto a Messerschmitt-Bölkow-Blohm desenvolveria a extremidade frontal do míssil com suas ogivas e sistemas de orientação.  O primeiro lançamento guiado de um protótipo do missil   Roland I ocorreria em junho de 1968, destruindo um drone alvo CT20 da Nord Aviation, com seu cronograma prevendo o início de sua produção a partir de janeiro de 1970.  No entanto atrasos decorrentes do processo final de testes postergaram produção do Roland I em escala industrial até início do ano de 1977 e o Roland II somente no ano seguinte. O primeiro usuário do modelo para "tempo bom" foi o   Exército Frances (Armée de Terre) sendo empregado principalmente a partir de uma versão especializada do carro de combate AMX-30R. O sistema Roland II entraria em serviço no Exército Alemão (Deutsches Heer) em dezembro de 1978, operando a partir de uma versão customizada do blindado de transporte de tropas Marder 1A2. Apesar de se mostrar extremamente promissor o sistema de misseis Rolanda I - II nao alcançaria um grande êxito comercial, pois seus constantes atrasos de produção e desenvolvimento e aumento decorrente dos custos limitaria em muita sua competividade no mercado internacional. Estes se manteriam em produção até fins da década de 1990, sendo adotado pelas forças armada dos Estados Unidos, Venezuela, Espanha, Brasil, Nigéria, França, Noruega, Eslovênia, Alemanha, Nigéria, Iraque e Catar. 

Emprego no Exército Brasileiro.
O processo de implementação de um sistema de artilharia antiaérea no Exército Brasileiro, teve sua origem no dia  4 de outubro de 1940, data de criação do 1º Grupo do 1º Regimento de Artilharia Antiaérea (1/1º RAAAé) na cidade do Rio de Janeiro. Este grupamento seria equipado com os famosos canhões alemães Flak 88 mm C/56 Modelo 18 que passariam em operar em conjunto preditores Carl Zeiss WIKOG 9SH e aparelhos de localização pelo som Electroacoustic GmbH ELASCOPORTHOGNOM. A partir de 1942 a artilharia antiaérea brasileira seria fortalecida pelo recebimento de uma grande quantidade de canhões norte-americanos dos modelos M-2A2 AA de 37 mm, M-3 AA de 76 mm e por fim M-1A3 AA de 90 mm. No entanto curiosamente não seriam cedidos ao país sistemas de artilharia antiaérea autopropulsados, que já eram empregados em grande escala no conflito. Esta lacuna operacional infelizmente perduraria durante as décadas seguintes, com a necessidade de criação de um sistema de defesa antiaérea a média e baixa altitude, sempre se fazendo presente, principalmente pelas dimensões continentais da nação. No início da década de 1970 seria implementado na Força Terrestre o “Plano Impere”, um programa que visava recuperar a operacionalidade diversos veículos de combate do III Exército Brasileiro que se encontravam parados há alguns anos, analisando inclusive a possibilidade de conversão de carros de combate dos modelos M-4 Sherman e M-3 Stuart como veículos de serviço e suporte. Entre diversas alternativas seria desenvolvido um protótipo de uma viatura blindada antiaérea, com um carro M-3 Stuart recebendo a instalação de um reparo de metralhadoras antiaéreas quadruplo calibre .50 do modelo M-45 Quadmount . Testes de campo se mostrariam extremamente promissores, porém infelizmente não se sabe por quais motivos, o comando do Exército Brasileiro, não demonstraria neste momento o devido interesse, levando assim ao cancelamento do projeto. O conceito para o desenvolvimento de uma viatura antiaérea autopropulsada, ressurgiria em fins da década de 1970, tendo como alicerce o programa do Carro Combate Leve Nacional MB-1 (X-1A Pioneiro e X1-A2 Carcará), com este gerando uma família de veículos especializados sobre esta nova plataforma, incluindo um modelo dedicado defesa antiaérea. Nascia assim o projeto M.01.15, que seria gerido Centro de Tecnologia do Exército (CETEX) em parceria com a empresa Bernardini S/A. Dois protótipos seriam construídos recebendo a designação de Viatura de Combate Antiaérea XM3D1 (VBC AAe) que contariam como armamento orgânico com quatro metralhadoras Browning M-2 calibre .50 montadas em uma torre M-55M Quadmout modernizada.  Estes protótipos seriam exaustivamente testados e avaliados pelo Exército Brasileiro, porém a baixa cadência de fogo e o alcance das armas de calibre .50, se mostrarIam inadequados face a nova ameaça proporcionada pelas aeronaves de ataque a reação existentes naquela época, levando assim ao cancelamento definitivo do projeto. 

A partir de meados da década de 1970, o sistema de defesa antiaéreo do Exército Brasileiro se mostrava complemente obsoleto contendo em suas filiares de antigos canhoes Boffors de 40 mm, se fazendo necessário a implementação de sua imediata substituição. Para o atendimento a esta demanda, entre os anos de 1977 e 1978 novos investimentos seriam feitos, envolvendo a aquisição do sistema suíço de artilharia antiaérea Oerlikon de 35 mm, que posteriormente seriam integrados com o conjunto diretor de tiro de fabricação nacional EDT FILA, controlando os canhões de 40 mm C/70 Bofors e canhões Oerlikon 35 mm C/90. Apesar destes esforços o país não dispunha de um sistema de defesa área baseada em misseis terra-ar oque comprometia em muitos seus níveis de segurança. Ainda neste período os Estados Unidos figuravam como o principal fornecedor de artigos militares para o Brasil, através do Programa de Assistência Militar MAP (Military Assistance Program). oque lhe garantia acesso a artigos militares em condições favoráveis. Porém no início do ano de 1977 esta realidade começaria a ser alterada pela administração do presidente Jimmy Carter, que passaria a condicionar a continuidade dos programas de ajuda militar a averiguação da situação do Brasil no tocante aos direitos humanos. Esta decisão provocaria o desagravo do presidente Ernesto Geisel, que em carta oficial se manifestaria “O governo brasileiro recusa de antemão qualquer assistência no campo militar que dependa, direta ou indiretamente, de exame prévio, por órgãos de governo estrangeiro, de matérias, que, por sua natureza, são da exclusiva competência do governo brasileiro.” A seguir a ocorrência de mais pressões políticas decorridas desta iniciativa, levariam o governo brasileiro a decidir pelo rompimento do Acordo Militar Brasil - Estados Unidos, cessando assim vantagens e subsídios na aquisição de equipamentos de defesa de alta tecnologia produzidos naquele país. Porém esta decisão geraria um movimento de aproximação entre os militares brasileiros e a indústria de defesa europeia, resultando em diversos contratos de fornecimento, como no caso dos caças interceptadores franceses Dassault Mirage IIIE, fragatas inglesas da classe Vosper Amazon - Niterói e mais uma variada gama de estudos e projetos de defesa de alta tecnologia para o emprego pelas forças armadas. Entre estes se destacavam a incorporação de misseis antiaéreos britânicos Short Brothers GWS-20 SeaCat destinados a proteger a novas fragatas da Marinha Brasileira, motivando assim o comando do Exército Brasileiro a buscar opções para adoção de um sistema semelhante para emprego como defesa de ponto, trazendo assim a Força Terrestre brasileira a um novo patamar de defesa antiaérea. 
Neste momento uma das maiores prioridades neste segmento era o de prover um eficiente sistema de defasa antiaérea capital federal Brasília - DF, com um sistema de misseis terra ar complementando o braço armado do Sistema de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (SISDACTA) operando em complemento aos interceptadores supersônicos F-103EBR Mirage III. Desta maneira consultas sobre a aquisição de uma solução neste segmento seriam feitas as indústrias de defesa europeias, e entre as propostas recebidas se destacava a do consórcio franco-alemão Rheinmetall Landsysteme. Esta solução fazia uso da plataforma de blindados sob esteiras equipado com dois lançadores de misseis terrar ar (SAM) para "qualquer tempo" Euromissile Roland II. O míssil Roland II era composto por dois estágios, sendo unidade propelente sólido 2,4 metros de comprimento com um peso de 66,5 kg, e outro estágio com 6,5 kg portando uma múltipla ogiva de fragmentação carga oca que contém 3,5 kg de explosivo detonado por impacto ou proximidade fusíveis. Estas armas eram disponibilizadas em um recipiente vedado que era empregado também o tubo de lançamento, cada lançador carrega dois tubos de lançamento com mais oito no interior do veículo ou abrigo com recarga automática em dez segundos. Este sistema fora projetado para atingir alvos aéreos inimigos que voam em velocidades de até Mach 1,3 em altitudes entre 20 metros e 5.500 metros, com uma gama eficaz mínima de 500 metros e um máximo de 6.300 metros. Em termos modos de detecção e orientação, seu sistema podia operar em modo óptico ou radar e pode alternar entre esses modos durante o rastreio e lançamento, neste conjunto, um radar de busca de pulso-doppler com uma gama de 15 a 18 km proveria a detecção do alvo, que poderia então ser rastreado ou pelo radar ou um rastreador óptico. Este último normalmente, seria utilizado apenas durante o dia contra alvos muito de baixo nível ou em um ambiente de bloqueio pesado. Diversas análises seriam feitas pelo comando do Exército Brasileiro, comparando pelo menos três propostas apresentadas, com a escolha recaindo sobre o sistema de misseis superfície ar (SAM) Euromissile.  Roland II, dos quais seriam adquiridas inicialmente um total de quatro baterias de lançadores e inicialmente cinquenta misseis. Esta decisão seria baseada principalmente em critérios técnicos, levando em conta que este sistema além de já estar em uso em grande escala na Alemanha (43 carros e 825 misseis) e França (39 carros e 1.315 misseis), estava sendo escolhido para equipar também o Exército dos Estados Unidos (US Army). 

Dentre as opções de plataforma intercambiáveis apresentadas pelo consórcio franco-alemão Rheinmetall Landsysteme, o sistema Roland II podia ser configurado prioritariamente sobre os veículos sobre lagartas franceses AMX-30 e alemães  Rheinstahl Marder VCI 1A2 ou ainda montado em  shelters tracionados. O contrato brasileiro previa ainda aquisição e pacote de treinamento dos sistemas eletrônicos para instrução de emprego teórico e prático, com o sistema Roland II configurado sobre a plataforma do veículo blindado médio alemão Rheinstahl  Marder 1A2. Este modelo de veículo já era testado e provado em operação, sendo escolhido anteriormente seu chassi para compor o carro de combate médio argentino TAM (Tanque Argentino Mediano). O emprego da plataforma Marder 1A2 previa a alocação de dois mísseis dispostos em lançadores na parte externa da torre prontos para entrar em operação, com mais oito misseis estavam alojados em dois carregadores rotativos automáticos na parte interior do veículo. Neste momento o Exército Brasileiro se tornaria o terceiro operador deste sistema de mísseis superfície-ar (SAM - Surface Air Missile), que na época representava a tecnologia no estado da arte. Desta maneira sua introdução em serviço representaria um salto tecnológico sem precedentes no Exército Brasileiro no que tange a defesa antiaérea, pois até então seu arsenal consistia a exceção de um pequeno lote de um moderno sistema suíço de artilharia antiaérea Oerlikon de 35 mm, de obsoletos canhões antiaéreos de origem norte-americana e sueca complementados por reparos de metralhadoras de  calibre .50 montados em caminhões, sistemas estes pouco ou totalmente ineficazes contra as ameaças proporcionadas pela aviação de ataque daquela década. Para fins de instrução teórica e prática, os equipamentos eletrônicos e seus simuladores seriam alocados na Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea (EsACosAAe) sediada na cidade do Rio de Janeiro, vale salientar que este aparato ocupava uma grande área física nesta instituição, pois ainda não existiam microcomputadores. Assim previa-se inicialmente que todo o programa de treinamento e operação deste sofisticado sistema seria ministrada na Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea (EsACosAAe) sendo acompanhada do uso das plataformas e armamentos, com estas baterias sendo posteriormente transferidas para a capital federal Brasília no DF. Os quatro veículos seriam declarados operacionais no ano de 1979, recebendo a denominação de Viatura Blindada de Combate Leve Msl Marder 1A2 – Sistema SAM Roland II (VBC L Msl Marder), realizando inclusive os primeiros treinamentos com disparos reais dos misseis Roland II contra alvos aéreos remotamente pilotados ao longo dos anos seguintes. 
No entanto os  VBC L Msl Marder apresentariam uma carreira efêmera, permeada por períodos de baixa disponibilidade operacional, devido a problemas no fluxo de obtenção de peças de reposição para o veículo lançadores e principalmente dos componentes eletrônicos de seus sistemas detecção e orientação. Desta maneira gradativamente estes veículos seriam transferidos novamente para a Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea (EsACosAAe) sediada na cidade do Rio de Janeiro. Neste mesmo período, um destes blindados seriam perdidos em um grave acidente durante treinamentos no Campo de Provas de Marambaia. Em meados da década de 1990 somente um Marder 1A2 Roland II permaneceria em serviço com os demais servindo como fonte de peças de reposição, este último remanescente juntamente com os simuladores e sistemas eletrônicos de tiro e direção seriam operados em tarefas de instrução pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Exército (IPD) até o final do ano de 2012. Quanto aos demais carros,  um seria preservado junto ao acervo do Museu Militar Conde de Linhares na cidade do Rio de Janeiro - RJ e o outro seria empregado em 1998 como alvo estático em exercício no Campo de Marambaia, sendo alvejado por tiros dos novos carros de combate Leopard 1A1, servindo assim como estudo para a análise da resistência de blindagem, tendo em vista que esta era muito semelhante a emprega da no combate médio argentino TAM  (pais que na época era considerado o maior antagonista militar regional). Historicamente este sistema de defesa antiaérea foi adquirido prioritariamente para a defesa da Capital Federal, porém extraoficialmente especula-se que a principal intenção era o desenvolvimento de uma versão nacional (empregando técnicas de engenharia reversa). Não existem registro oficiais que confirmem esta teoria, porém em meados da década de 1980 o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) desenvolveu um protótipo de um "shelter"  auto rebocado de fabricação nacional empregando um sistema Roland II retirado temporariamente de um dos Marder 1A2, porém este não passaria da fase de protótipo tendo em vista sua instabilidade durante a operação de lançamento.  No ano de 2024, o Batalhão Central de Manutenção e Abastecimento do Exército Brasileiro (BCMS) realizou a recuperação e restauração de um veículo lançador de mísseis Marder 1A2 Roland II, o mesmo que anteriormente se encontrava em operação junto ao Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Exército (IPD). A restauração, realizada por mecânicos e responsáveis pela manutenção, incluiu a recuperação do conjunto motriz e dos sistemas mecânicos de tração, devolvendo o veículo ao perfeito estado de funcionamento. 

Em Escala:
Para representarmos a Viatura Blindada de Combate Leve Msl Marder 1A2 – Sistema SAM Roland II "EB 24065” , empregamos como base o  modelo da Tamiya na escala 1/35 configurado com o míssil anticarro MILAN. Para representarmos a versão empregada no Exército Brasileiro, tivemos de  construir totalmente em scratch build a torre lançadora dos misseis terra ar Roland II , fazendo uso de plasticard e materiais diversos. Alterações significativas também tiveram de ser implementadas na parte traseira do veículo. Empregamos decais confeccionados pela Eletric Products presentes no set Exército Brasileiro 1983 – 2002.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura com os qual estes carros foram recebido em meados da década de 1970, com este perdurando até o ano de 1983, quando seria adotado o novo esquema tático de camuflagem em  dois tons, semelhante aos carros de combate médio Bernardini M-41C Caxias. Já o carro preservado junto ao Museu Militar Conde de Linhares receberia durante seu processo de restauração o esquema de pintura original. 


Bibliografia :
- Blndados no Brasil - Volume 01, Expedito Carlos Stephani Bastos
- Marder IFV Wikipedia -  https://en.wikipedia.org/wiki/Marder
- Mísseis no Exército Brasileiro - ww.ecsbdefesa.com.br/defesa/fts/MEB.pdf
- Artilharia Antiaérea sob lagartas no EB, por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Exército Brasileiro recupera viatura histórica Marder com sistema Roland - www.defesaaereanaval.com.br/

F-103D Dassault Mirage IIIDBR

História e Desenvolvimento.
Durante a segunda metade da década de 1950, o acirramento das tensões entre os países integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e do Pacto de Varsóvia intensificou de maneira significativa o clima de confronto característico da chamada Guerra Fria. Esse cenário levou as principais potências militares a ampliarem de forma substancial seus investimentos em defesa, tendo como prioridade absoluta o fortalecimento da defesa aérea frente à ameaça de ataques por bombardeiros estratégicos, armados tanto com armamento convencional quanto nuclear. Nesse contexto, o rápido avanço das aeronaves estratégicas  muitas delas já capazes de voar em regime supersônico  impôs a necessidade urgente do desenvolvimento de uma nova geração de caças interceptadores de alto desempenho. O objetivo central desses vetores era claro: negar o espaço aéreo nacional a incursões inimigas, interceptando bombardeiros de alta velocidade antes que pudessem atingir alvos estratégicos. Embora existissem iniciativas de cooperação no âmbito da OTAN, a política de defesa adotada pela França naquele período pautava-se fundamentalmente pela busca da autonomia estratégica. O governo francês defendia a independência no desenvolvimento e na produção de seus principais sistemas de defesa, de modo a evitar dependência tecnológica e política de outras nações, ainda que aliadas. Desde o término da Segunda Guerra Mundial, a Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) encontrava-se equipada majoritariamente com aeronaves de origem norte-americana ou britânica, situação que, além de limitar a autonomia operacional, resultava em crescente defasagem tecnológica. A experiência adquirida durante a Guerra da Indochina (1946–1954) evidenciou de forma contundente a necessidade de retomar o desenvolvimento nacional de aeronaves militares, sobretudo de combate. Tornava-se imperativo dotar as forças armadas francesas de meios aéreos modernos, adequados às exigências do novo cenário geopolítico, sem a dependência de fornecedores estrangeiros. A ameaça representada pela numerosa frota soviética de aeronaves de ataque supersônicas, capazes de lançar ofensivas rápidas e devastadoras contra instalações estratégicas em toda a Europa, reforçava ainda mais essa urgência. Diante desse quadro, em 1953 o comando da Armée de l’Air decidiu encomendar um estudo visando ao desenvolvimento de um interceptador supersônico leve e de elevado desempenho. As especificações iniciais eram ambiciosas: a nova aeronave deveria ser capaz de operar em quaisquer condições meteorológicas (all-weather), alcançar a altitude de 18.000 metros em apenas seis minutos e atingir a velocidade de Mach 1,3 (aproximadamente 1.593 km/h) em voo horizontal. Atendendo prontamente a essas exigências, a empresa Marcel Dassault Aviation apresentou ao Ministério da Defesa francês um projeto denominado MD.550 Mystère-Delta. Tratava-se de um interceptador puro, compacto e extremamente ágil, concebido para missões de defesa aérea de alta performance. A aeronave seria propulsionada por dois motores turbojato britânicos Armstrong Siddeley MD30R Viper, equipados com pós-combustão, cada um desenvolvendo empuxo de 9,61 kN (2.160 lbf). Como complemento, previa-se ainda a instalação de um motor-foguete de combustível líquido, capaz de fornecer um empuxo adicional de 14,7 kN (3.300 lbf), conferindo ao projeto um notável potencial de ascensão e desempenho em interceptações de alta altitude.. 

A proposta apresentada pelao fabricante foi bem recebida pelo comando da Força Aérea Francesa (Armée de l’Air), resultando na liberação de recursos para a construção de um protótipo plenamente funcional. Essa primeira aeronave, registrada como MD.550-01, foi oficialmente apresentada em 21 de junho de 1955, simbolizando um passo decisivo no esforço francês de recuperar sua autonomia tecnológica no campo da aviação de combate. De maneira curiosa, o protótipo inicial ainda não estava equipado com pós-combustores, o que limitava significativamente seu desempenho. Mesmo assim, realizou seu voo inaugural apenas quatro dias depois, cumprindo uma missão de aproximadamente vinte minutos, durante a qual atingiu um teto operacional de cerca de 3.000 pés e uma velocidade máxima próxima de Mach 0,95 (aproximadamente 1.170 km/h). Esses resultados, contudo, foram considerados insatisfatórios, sobretudo por refletirem a ausência dos sistemas de pós-combustão e do motor-foguete suplementar SEPR, elementos essenciais para atender às exigências originais do programa. Diante desse desempenho aquém do esperado, o projeto foi submetido a uma revisão abrangente. Diversas melhorias estruturais, aerodinâmicas e de propulsão foram incorporadas, permitindo que a aeronave atingisse velocidades de até Mach 1,3 (1.592 km/h) sem o auxílio do motor-foguete e Mach 1,6 (aproximadamente 1.960 km/h) quando este era empregado. Apesar de alcançar, em termos de velocidade e ascensão, os parâmetros estabelecidos, o modelo acabou sendo rejeitado. Suas dimensões reduzidas limitavam severamente a capacidade de transporte de mísseis ar-ar de médio e longo alcance, que, naquele período, eram volumosos e relativamente pesados, comprometendo a efetividade operacional do interceptador. Com o objetivo de permanecer no processo de seleção e atender às demandas futuras da defesa aérea francesa, a diretoria técnica dao fabricante decidiu repensar completamente o conceito original. Desse esforço emergiu um novo projeto, significativamente mais robusto, apresentando um peso bruto cerca de 30% superior ao de seu antecessor, além de refinamentos substanciais em termos aerodinâmicos. A nova aeronave seria equipada com o motor turbojato francês SNECMA Atar 101G1, dotado de pós-combustão e capaz de gerar 43,2 kN (9.700 lbf) de empuxo. Curiosamente, esse motor representava a evolução de diversos conceitos oriundos de projetos alemães desenvolvidos durante a Segunda Guerra Mundial, evidenciando a continuidade técnica herdada daquele período. Esse novo interceptador recebeu oficialmente a designação Mirage III. Seu nome foi inspirado em uma célebre frase atribuída ao projetista-chefe da empresa, que sintetizava a filosofia do projeto: “O avião será como uma visão no deserto: o inimigo o verá… mas jamais o tocará.” O primeiro protótipo do Mirage III foi apresentado em 15 de novembro de 1956 e realizou seu voo inaugural apenas dois dias depois. A aeronave foi então submetida a um intenso e rigoroso programa de ensaios em voo, cujos resultados exigiram a introdução de diversas correções e aperfeiçoamentos antes da obtenção de sua homologação pré-operacional. Nesse estágio, foi firmado o primeiro acordo formal entre o governo francês e a Dassault para a produção de dez aeronaves de pré-série, designadas Mirage IIIA, destinadas a avaliações finais e validação operacional. Em relação ao protótipo inicial, essas aeronaves apresentavam uma fuselagem alongada e uma maior área alar, além de serem equipadas com o mais potente motor SNECMA Atar 09B com pós-combustão, capaz de desenvolver um empuxo de 58,9 kN (13.230 lbf), consolidando o Mirage III como um interceptador supersônico de alto desempenho.
As dez aeronaves Mirage IIIA pertencentes ao lote de pré-produção começaram a ser entregues à Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) a partir de maio de 1957. Assim que incorporadas, essas células foram submetidas a um extenso e meticuloso programa de ensaios em voo, que se estendeu por aproximadamente nove meses. Esse período de avaliações revelou-se fundamental para a consolidação do projeto, pois os dados técnicos e operacionais obtidos permitiram a identificação de limitações e a introdução de uma ampla série de melhorias e refinamentos estruturais, aerodinâmicos e de sistemas. Como resultado direto desse processo evolutivo, foi definida a primeira versão de produção em série do caça supersônico francês, designada Mirage IIIC. Visualmente, o novo modelo mantinha grande semelhança com as aeronaves de pré-produção, distinguindo-se principalmente pela adoção de um exaustor de motor mais longo. O acabamento externo permanecia no padrão de metal natural, característica típica dos caças da época. Para acelerar a transição entre as fases de desenvolvimento e produção, uma célula do Mirage IIIA foi convertida para o padrão Mirage IIIC, servindo como referência para a versão definitiva. Com o modelo de produção plenamente definido, foi celebrado, no início de 1958, o primeiro contrato de grande escala entre o governo francês e a Dassault, contemplando a fabricação de 95 aeronaves Mirage IIIC. As entregas teriam início em fevereiro de 1961, reforçando significativamente a capacidade de defesa aérea da França em pleno contexto da Guerra Fria. Mesmo antes do início dessas entregas, o Mirage III já despertava forte interesse internacional, assegurando contratos de exportação e consolidando a reputação da indústria aeronáutica francesa no cenário global. Paralelamente, a Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) solicitou o desenvolvimento de uma versão específica para treinamento avançado e conversão operacional, essencial para a formação de pilotos em um caça de desempenho tão elevado. Tomando como base o Mirage IIIA, essa nova variante teve sua fuselagem alongada em aproximadamente um metro, de modo a acomodar um segundo assento destinado ao instrutor. Como consequência desse rearranjo interno, os canhões orgânicos de 20 mm foram removidos, representando uma limitação em termos de armamento interno. Ainda assim, a aeronave manteve a capacidade de empregar uma variada gama de armamentos ar-superfície e mísseis ar-ar de guiagem infravermelha, como o norte-americano AIM-9B Sidewinder, especialmente nas versões destinadas à exportação. O projeto foi aprovado e o primeiro protótipo dessa versão de dois lugares, designado Mirage IIIB-1, realizou seu voo inaugural no final de 1959. Na sequência, foram produzidas mais cinco células de pré-produção para fins de avaliação operacional. Concluída essa fase, seria firmado um contrato para a aquisição de 43 aeronaves Mirage IIIB, destinadas a cumprir um papel central na formação de pilotos de caça supersônicos. Adicionalmente, doze exemplares dessa versão foram exportados para Argentina, Israel e Suíça entre os anos de 1960 e 1969. A experiência operacional acumulada com o Mirage III e suas variantes iniciais evidenciou as excelentes qualidades da aeronave, tanto em desempenho quanto em confiabilidade. Esses resultados levaram ao desenvolvimento de uma versão de caráter multifuncional, capaz de desempenhar não apenas missões de interceptação, mas também tarefas de ataque ao solo e apoio tático. 

Para atender a essa nova exigência, o projeto original passou por profundas modificações estruturais, destacando-se o alongamento adicional da fuselagem e alterações no enflechamento das asas em delta, que passou a ser de 56°35′. Nesse processo evolutivo, as entradas de ar do motor foram reposicionadas, sendo recuadas em relação à cabine de pilotagem, o que contribuiu para melhorias aerodinâmicas e operacionais. As modificações permitiram ainda a instalação de quatro pontos de fixação sob as asas, aptos a receber tanques externos de combustível ou armamentos, elevando a carga útil máxima para até 1.360 kg. Para assegurar o desempenho exigido por esse novo perfil de missão, a aeronave passou a ser equipada com o motor SNECMA Atar 09C, dotado de pós-combustão e capaz de gerar 13.320 libras de empuxo, consolidando definitivamente o Mirage III como um dos mais versáteis e bem-sucedidos caças supersônicos de sua geração. No que se refere à suíte aviônica, a nova variante apresentava um conjunto de sistemas significativamente mais avançado para os padrões da época. Estava equipada com um radar de navegação Doppler da Marconi, sistemas de alerta radar passivo (Radar Warning Receiver – RWR) e, como principal sensor, o radar Thomson-CSF Cyrano II. Este último conferia à aeronave plena capacidade de operação nos modos de busca e seguimento, interceptação ar-ar, emprego ar-superfície e mapeamento do solo, ampliando substancialmente seu espectro de missões e consolidando seu caráter multifuncional. Em termos de armamento orgânico, a aeronave era dotada de dois canhões DEFA 552 de 30 mm, de cano simples, capazes de uma cadência de tiro entre 1.200 e 1.400 disparos por minuto, proporcionando elevado poder de fogo em combates aproximados. Para missões de interceptação, podia empregar o míssil Matra R.530, dotado de guiagem infravermelha e instalado na estação central sob a fuselagem. Complementando sua capacidade defensiva, a aeronave dispunha ainda de sistemas passivos de autoproteção, como lançadores de chaff e flares, fundamentais para a sobrevivência em ambientes hostis. Já nas missões de ataque ao solo, o caça podia ser configurado com uma ampla variedade de bombas de queda livre e lançadores de foguetes não guiados, reforçando sua versatilidade operacional. Essa versão aperfeiçoada recebeu a designação Mirage IIIE, e seu primeiro protótipo realizou o voo inaugural em 5 de abril de 1961. Pouco tempo depois, foi firmado um contrato inicial de produção para 180 aeronaves, refletindo a confiança do governo francês no novo modelo. Além do perfil multifuncional, uma parcela limitada dessa frota foi configurada para missões de ataque nuclear tático, alinhando-se à doutrina de dissuasão estratégica adotada pela França durante a Guerra Fria. As primeiras aeronaves destinadas à Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) foram entregues em 14 de janeiro de 1964. Ao longo dos anos subsequentes, novos contratos ampliaram significativamente a produção, que atingiu um total de 410 unidades, incluindo 70 aeronaves da versão de reconhecimento Mirage IIIR/RD. Paralelamente, o sucesso do modelo impulsionou uma expressiva carteira de exportações, culminando inclusive na celebração de acordos de produção sob licença com países como África do Sul, Austrália, Israel e Suíça, um feito notável para a indústria aeronáutica francesa. A elevada demanda internacional criou, naturalmente, o ambiente propício para o desenvolvimento de uma versão específica destinada ao treinamento avançado e à conversão operacional de pilotos estrangeiros. 
Em 1968, seria iniciado o  desenvolvimento dessa nova variante, agora baseada na célula do Mirage IIIE. Mais uma vez, a supressão do radar Thomson-CSF Cyrano II resultou em uma fuselagem com nariz mais esguio e aerodinamicamente refinado. O novo modelo recebeu a designação Mirage IIIBE, mantendo, ainda que de forma limitada, a capacidade de emprego de armamentos ar-superfície da versão monoplace. Curiosamente, nessa configuração, a capacidade interna de combustível foi reduzida. Um contrato inicial previu a produção de 20 aeronaves IIIBE, além de 10 exemplares da versão IIIB-RV, especificamente destinados ao treinamento de reabastecimento em voo das tripulações do bombardeiro estratégico Mirage IV. Para além das unidades entregues à Armée de l’Air, novos contratos de exportação foram rapidamente firmados, contemplando cinco aeronaves IIIEBJ para Israel, três IIIEL para o Líbano, quatro IIIBS para a Suíça e três IIIBZ para a África do Sul. A partir desse momento, a versão de treinamento destinada ao mercado externo passou a ser designada Mirage IIID. Ao todo, 58 aeronaves dessa variante foram exportadas para países como Argentina, Brasil, Venezuela, Austrália, Egito, Paquistão, Suíça e África do Sul.  A excelente performance em combate apresentada pelos Mirage III israelenses durante a Guerra dos Seis Dias, levaria o comando das Forças de Defesa de Israel (IDF) a solicitar ao fabricante o desenvolvimento de uma versão destinada  a missões de ataque a solo.  Como no oriente médio as condições meteorológicas são normalmente boas, esta versão como primícia básica para redução de não deveria dispor dos radares de navegação Doppler Marconi e Thomson-CSF Cyrano II e qualquer tipos de suíte aviônica avançada. Ao implementar esta diretriz seria proporcionado um aumento na ordem de 32% na capacidade de transporte de combustível, ampliando assim seu raio de ação. Seriam adicionados mais pontos duros subalares para cargas externas, possibilitando numerosas combinações quanto a configuração de cargas, ou ainda carregar até quatorze bombas de queda livre.  Em resumo seria concebido uma versão mais simples, porém mais capaz para missões de ataque a solo e interdição, apresentando um custo inferior de aquisição, se tornando a versão ideal de exportação para países em desenvolvimento. Este modelo receberia a designação de Mirage 5 e realizaria seu primeiro voo no dia 19 de maio de 1967. Apesar de Israel não adotar o modelo em função do embargo internacional de armas seria celebrados contratos de exportação com a Argentina, Emirados Árabes, Bélgica, Chile, Colômbia, Egito, França, Colômbia, Gabão, Líbia, Paquistão, Zaire, Peru e Venezuela. Esta aeronave, projetada inicialmente como um caça de ataque para "tempo bom", acabaria evoluindo para a defesa aérea e reconhecimento com o surgimento de aviônicos mais compactos que seriam customizados para emprego nesta plataforma. A exemplo da família Mirage III, este novo modelo também ganharia uma versão biplace para treinamento e conversão operacional, que receberia do fabricante a designação de Mirage 5D, com o primeiro contrato sendo celebrado para o governo Líbio. A seguir mais contratos desta versão seriam celebrados agora com a Argentina, Bélgica, Colômbia, Abu Dhabi, Gabão, Zaire, Peru, Paquistão, Chile, Egito e Venezuela. Ao longo dos anos seriam desenvolvidos e implementados muitos programas de modernização por seus operadores, com diversas células do modelo paquistanês Mirage 5 ROSE se mantendo em operação até os dias de hoje. 

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Ao término da Segunda Guerra Mundial, a Força Aérea Brasileira (FAB) dispunha de um dos mais expressivos inventários aeronáuticos do continente americano, contabilizando mais de 1.500 aeronaves militares consideradas modernas para os padrões da época. A quase totalidade desse acervo fora incorporada a partir de 1942, no contexto do programa norte-americano Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), que teve papel decisivo no fortalecimento das forças armadas brasileiras durante o conflito. No que se refere à capacidade ofensiva, a força encontrava-se particularmente bem aparelhada, operando um significativo número de aeronaves de primeira linha. Entre estas destacavam-se os consagrados caças-bombardeiros Republic P-47D Thunderbolt e Curtiss P-40 Warhawk, além das aeronaves de ataque Douglas A-20 Havoc e North American B-25 Mitchell. Esse conjunto de vetores de combate era complementado por uma ampla frota dedicada ao transporte, à patrulha marítima e à guerra antissubmarino (ASW), conferindo à Aeronáutica brasileira uma posição de destaque. Não por acaso, ao final da guerra, o Brasil dispunha da segunda maior força aérea das Américas e da principal potência aérea do hemisfério sul. Entretanto, a rápida evolução tecnológica do pós-guerra, marcada pela consolidação dos motores turbojato e pelo surgimento de uma nova geração de aeronaves militares, impôs um processo acelerado de obsolescência aos caças e bombardeiros equipados com motores a pistão. A substituição desses modelos nas linhas de produção internacionais resultou, adicionalmente, em uma crescente escassez de peças de reposição, comprometendo a sustentabilidade operacional das frotas existentes. Apesar das aspirações do Ministério da Aeronáutica (MAer) em incorporar aeronaves a jato de desempenho elevado, como os Republic F-84E Thunderjet ou os North American F-86F Sabre, tais intenções não se concretizaram, em grande medida, devido a restrições orçamentárias e a condicionantes de natureza geopolítica. Como alternativa viável, a partir de 1953 o Brasil passou a operar aeronaves de menor desempenho relativo, como os Gloster F-8 Meteor de origem britânica e os Lockheed F-80C Shooting Star norte-americanos. Esses jatos assumiram, então, o papel de principal vetor de caça das unidades de primeira linha.  Todavia, já no início da década de 1960, problemas relacionados à fadiga estrutural levariam à desativação prematura de toda a frota de jatos britânicos Gloster Meteor, provocando um impacto significativo na capacidade ofensiva e defensiva do país. Em consequência, a outrora pujante aviação de caça brasileira passou a representar apenas uma fração do potencial que detivera no início da década, com sua eficiência operacional seriamente comprometida. A situação agravou-se quando os  F-80C Shooting Star, então responsáveis pela defesa aérea das regiões Norte e Nordeste, passaram a apresentar crescentes dificuldades de manutenção, sinalizando a proximidade de sua retirada de serviço. Diante desse cenário crítico, no final de 1965, o comando do Ministério da Aeronáutica deu início a uma série de estudos destinados à análise e à seleção de novas aeronaves de caça.

Nesse contexto, a aquisição de aeronaves de combate multifuncionais passou a figurar como prioridade estratégica, não apenas para recompor a aviação de caça, mas também para integrar de forma eficaz o componente armado do Sistema de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (SISDACTA), que se encontrava, ao final da década de 1960, em avançado estágio de implantação.  Nesse contexto, a criação, em 1969, da Comissão de Estudos do Projeto da Aeronave de Interceptação (CEPAI) marcou um momento pivotal na história da Força Aérea Brasileira (FAB). A CEPAI foi incumbida de selecionar uma aeronave de interceptação que atendesse às exigências de defesa aérea do país, em um cenário de crescentes demandas tecnológicas e estratégicas. Consciente das dificuldades enfrentadas anteriormente, especialmente as negativas do governo norte-americano para a aquisição de aeronaves de combate modernas, a FAB direcionou seus esforços para a Europa, onde a indústria aeronáutica de defesa florescia com inovações tecnológicas e capacidade produtiva. Assim, foi lançada uma concorrência internacional, com critérios rigorosos que priorizavam a escolha de um interceptador supersônico de alto desempenho, capaz de cumprir, de maneira secundária, missões de ataque ao solo e interdição. Diversas propostas foram submetidas por fabricantes europeus, e, após a fase inicial de avaliações, três aeronaves foram pré-selecionadas: o caça multifuncional sueco Saab Draken, o interceptador britânico English Electric Lightning F-6 e o também multifuncional francês Dassault Mirage IIIE. Cada modelo apresentava características distintas, mas todos eram representantes do estado da arte da engenharia aeronáutica da época. Inicialmente, fatores políticos influenciaram a decisão, com uma inclinação inicial para o English Electric Lightning, motivada por contrapartidas econômicas vinculadas a um significativo financiamento britânico para a construção da Ponte Rio-Niterói, um marco da engenharia brasileira. Contudo, a análise técnica prevaleceu, revelando que o jato britânico, embora avançado, apresentava alta complexidade operacional e custos elevados de manutenção, tornando-o menos adequado às necessidades. Essa decisão foi ulteriormente reforçada pela celebração de um contrato entre a Marinha do Brasil e o estaleiro britânico Vosper, para a construção das fragatas da classe Niterói. Esse acordo atendeu plenamente às demandas econômicas e políticas, permitindo que a escolha da aeronave fosse fundamentada em critérios técnicos. No decorrer do processo, o Saab Draken, apesar de suas qualidades, foi descartado devido aos custos operacionais que excediam os limites orçamentários da Força Aérea Brasileira (FAB) à época. Assim, a proposta francesa, representada pelo Dassault Mirage IIIE, emergiu como a mais vantajosa, tanto sob o ponto de vista técnico quanto comercial. As negociações com a Dassault Aviation intensificaram-se, culminando no envio, em 1967, de dois oficiais brasileiros à França: o Tenente-Coronel Aviador Lauro Ney Menezes e o Major Aviador Ozires Silva. Esses oficiais tiveram a missão de avaliar minuciosamente o Mirage III, assim como a infraestrutura industrial e o suporte pós-venda oferecidos pelo fabricante francês, garantindo que a escolha atendesse às necessidades estratégicas e operacionais. 
A aquisição do Dassault Mirage IIIE/D constituiu um marco decisivo no processo de modernização da defesa aérea nacional, ao mesmo tempo em que fortaleceu de forma significativa os laços tecnológicos, industriais e estratégicos entre o Brasil e a França. Mais do que a simples incorporação de um novo vetor de combate, essa decisão consolidou um capítulo fundamental na história da aviação militar brasileira, inserindo o País no seleto grupo de nações capazes de operar aeronaves de caça supersônicas de alto desempenho. Fundamentada em criteriosa análise técnica e em considerações de ordem estratégica, a escolha da aeronaveI abriu caminho para a introdução de uma aeronave plenamente compatível com as exigências de interceptação de alta velocidade, defesa do espaço aéreo e, de forma complementar, missões de ataque ao solo. Durante a fase inicial de avaliações, destacou-se a atuação do Tenente-Coronel Aviador Lauro Ney Menezes, figura emblemática desse processo. Ao pilotar o Mirage IIIB em um voo que atingiu a velocidade de Mach 2, tornou-se o primeiro piloto de caça brasileiro a romper a barreira do som em uma aeronave francesa, feito de elevado simbolismo para a Força Aérea Brasileira (FAB). Suas impressões amplamente favoráveis quanto ao desempenho e às características operacionais do caça francês contribuíram decisivamente para a consolidação da escolha. O processo culminou na assinatura, em 12 de maio de 1970, de um contrato com a Marcel Dassault Aviation, que previa o fornecimento de doze aeronaves Mirage IIIEBR (monoposto) e quatro Mirage IIIDBR (biposto), além de um completo pacote logístico. Este incluía ferramental específico, estoques iniciais de peças de reposição e um abrangente programa de treinamento destinado a pilotos e técnicos brasileiros.  A primeira aeronave do lote, já ostentando as cores e insígnias nacionais, realizou seu voo inaugural em 6 de março de 1972, na cidade de Bordeaux, na França. O evento simbolizou, de maneira inequívoca, o início de uma nova era para a aviação de caça brasileira, marcada pela incorporação definitiva da tecnologia supersônica ao seu inventário operacional. Em consonância com o cronograma estabelecido, em 23 de maio de 1972, um seleto grupo de oito pilotos de caça brasileiros, liderado pelo Coronel-Aviador Antônio Henrique Alves dos Santos, foi destacado para a Base Aérea de Dijon, pertencente à Força Aérea Francesa (Armée de l’Air), com a missão de iniciar o treinamento no Mirage III. O grupo era composto por oficiais de elevada experiência e reconhecida competência, entre eles os Tenentes-Coronéis-Aviadores Jorge Frederico Bins e Ivan Moacir da Frota, os Majores-Aviadores Ronald Eduardo Jaeckel, Ivan von Trompowsky Douat Taulois, Lúcio Starling de Carvalho e Thomas Anthony Blower, além do Capitão-Aviador José Isaías Vilaça. Detentores de mais de 1.000 horas de voo em aeronaves a jato, esses pilotos tinham a responsabilidade não apenas de assimilar a doutrina operacional do Mirage III, mas também de se tornarem multiplicadores do conhecimento, preparando o terreno para a ativação da Primeira Ala de Defesa Aérea (1ª ALADA). Conhecidos de forma afetuosa como os “Dijon’s Boys”, esses oficiais destacaram-se pela dedicação, profissionalismo e elevado padrão técnico demonstrados durante todo o processo de implantação do Mirage III no Brasil. 

A cidade de Anápolis, localizada no interior do estado de Goiás, a aproximadamente 150 quilômetros de Brasília, foi estrategicamente selecionada para sediar a Primeira Ala de Defesa Aérea (1ª ALADA). Sua escolha refletia de forma clara a doutrina de proteção do centro geopolítico do País, posicionando os novos vetores de interceptação supersônica em um ponto privilegiado para a defesa do Planalto Central e das principais estruturas político-administrativas nacionais. A nova unidade passou a ser subordinada ao Comando de Defesa Aérea (COMDA), recentemente criado, consolidando uma estrutura organizacional voltada especificamente à vigilância e à defesa do espaço aéreo brasileiro. Em 1º de outubro de 1972, um marco histórico foi alcançado com a chegada, a Anápolis, da primeira aeronave Dassault Mirage IIIEBR, redesignada como F-103E. O transporte da célula foi realizado por uma aeronave C-130E Hércules, matrícula FAB 2456, pertencente ao 1º Grupo de Transporte (1º GT). Esse evento simbolizou a materialização de um longo e cuidadoso processo de modernização, idealizado pelo Ministério da Aeronáutica e executado com elevado grau de profissionalismo por seus oficiais e técnicos. A Uma segunda célula do Mirage IIIEBR chegou à Base Aérea de Anápolis no dia 8 de outubro, e, na semana subsequente, tiveram início os trabalhos de montagem das aeronaves. Esses procedimentos foram conduzidos de forma conjunta por militares brasileiros e técnicos franceses, no hangar do Esquadrão de Suprimento e Manutenção da 1ª ALADA, evidenciando o caráter cooperativo do programa e a transferência gradual de conhecimento técnico. Pouco depois, foram recebidas as duas primeiras aeronaves da versão de treinamento e conversão operacional, o Mirage IIIDBR, redesignado como F-103D, que também passaram imediatamente pelo processo de montagem. A primeira aparição pública dos novos caças brasileiros ocorreu em 6 de abril de 1973, quando quatro F-103E e dois F-103D sobrevoaram os céus de Brasília, em uma demonstração que marcou oficialmente a entrada do Brasil na era das aeronaves supersônicas. O impacto visual e simbólico daquele momento foi profundo, projetando uma imagem de modernidade e capacidade dissuasória até então inédita na história da aviação de caça nacional. Poucos dias depois, em 20 de abril de 1973, oito aeronaves F-103E e F-103D Mirage III deslocaram-se para a Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, onde participaram, pela primeira vez, das solenidades alusivas ao Dia da Aviação de Caça.  Nos primeiros anos de emprego do F-103E/D , os desafios inerentes à operação de uma aeronave de alta performance foram progressivamente superados. As particularidades de voo, os procedimentos de interceptação supersônica e as exigências de manutenção foram gradualmente assimilados, permitindo que a aeronave atingisse seu pleno rendimento operacional na missão de defender o espaço aéreo brasileiro. A introdução desse vetor de alto desempenho impôs, entretanto, consideráveis desafios no campo da conversão operacional, em um cenário no qual a aviação de caça brasileira ainda era majoritariamente composta por jatos subsônicos já obsoletos, como os  AT-33A, F-80C e remanescentes de gerações anteriores.
Nesse contexto, as quatro aeronaves F-103D (matrículas FAB 4900 a 4903) desempenharam papel absolutamente fundamental no processo de formação e adaptação dos pilotos à nova realidade operacional. A intensa demanda por treinamento, aliada à complexidade da transição para um caça supersônico de elevada performance, impôs uma carga significativa sobre essas poucas células de instrução, resultando em desgastes estruturais prematuros e na ocorrência de incidentes operacionais de menor monta.  Infelizmente durante os anos seguintes duas células seriam perdidas em graves acidentes, levando a necessidade de recomplementação da frota, assim em 1980 duas aeronaves Mirage IIID seriam adquiridas dos estoques da Força Aérea Francesa (Armée de l'Air), com estas aeronaves recebendo as matrículas FAB “4904 e 4905" .  Neste momento era notório que o Mirage IIIE desenvolvido durante a década de 1960 representava uma aeronave de caça de segunda geração, se encontrando plenamente desatualizado perante as potenciais ameaças regionais existentes naquele período. Apresentavam ainda sensíveis limitações em termos de manobrabilidade, pois foram originalmente concebidos como interceptadores de alta altitude, apresentando desempenho sofrível em combates do tipo “dog fight” (1X1) em baixas velocidades e altitudes. Ficava assim nítida a necessidade de se prover algum nível de modernização desta frota, sendo conduzidos visando assim avaliar programa semelhantes realizados por outros países, com este programa visando atender três diretivas básicas, como a modernização de sistemas e aviônica. Este processo ainda deveria abranger um completo processo de retrofit estrutural, aplicação de soluções aerodinâmicas para melhoria de manobrabilidade e por fim prover a extensão do alcance operacional da aeronave, mediante a instalação de um sistema de reabastecimento em voo. Em face a eminência da aplicação deste programa se fazia necessário recompor a dotação da frota das aeronaves F-103E e F-103D, com o Ministério da Aeronáutica (MAer) passando a buscar compras de oportunidade no mercado internacional, resultando na aquisição de mais duas células biplaces que receberiam as mátriculas de FAB 4906 e 4907. Apesar dos objetivos originais não serem totalmente atendidos em termos de atualização de aviônica, devido a restrições orçamentárias, este processo possibilitaria a extensão de sua vida útil.  Em 1995 face ao desgaste das células do F-103D, novamente seriam feitas buscas por compra de oportunidades e curiosamente seriam adquiridas duas células do Mirage 5DM (matrículas M201 a M203) , aeronaves produzidas em 1975 para o atendimento a um contrato com a República do Zaire. Tanto os Mirage 5M quando os 5DM teriam uma carreira efêmera neste país africano, sendo posteriormente comprados ou repassados de volta para o fabricante, onde se permaneceriam armazenados. Apesar de representar uma linha diferente da família deste caçador francês, o Mirage IIID e o Mirage 5D são em sua essência a mesma aeronave, e ao serem incorporadas receberiam as matriculas de FAB 4908 e FAB 4909. Ao longo de trinta e três anos de operação os Dassault F-103D Mirage, tiveram a nobre missão de formar aproximadamente duzentos pilotos de diversas gerações, no ano de 2005 seriam retirados do serviço ativo. 

Em Escala.
Para representarmos o  Dassault Mirage IIIDBR  F-103D "FAB 4903" já modernizado, empregamos o kit da Heller na escala  1/48, este modelo em sua configuração original, possibilita a montagem das versões Mirage IIIC e Mirage IIIB. Para a compormos a versão empregada pela Força Aérea Brasileira, utilizamos um set de conversão em resina desenvolvido pelo amigo e modelista "Toninho Catanduva (antoniosoaresjuris@hotmail.com). Este complemento  contém entre outros detalhamentos, o nariz da aeronave , bocal de exaustão e assentos ejetores. Para se confeccionar os canards fizemos uso de plasticard, com as dimensões destas peças sendo detalhadas na folha de instrução do set de decais da FCM 48/09. Os decais com as marcações em branco, foram utilizados a partir de  itens presentes no set da FCM  48/29.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura tático, que passou a ser aplicado a partir de 1982 em todas as células dos F-103E e F-103D Mirages brasileiros.  As aeronaves modernizadas mantiveram o mesmo esquema, e ao longo dos anos seriam aplicadas  pequenas variações em termos de marcações, mantendo este padrão até a desativação das células em 2005.
Bibliografia :
Revista ASAS nº 03 Mirage III a Saga do Delta no Brasil , por Claudio Lucchesi
História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
Aeronaves Militares Brasileiras 1916 / 2015  - Jackson Flores Jr
Dassault Mirage III - Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Dassault_Mirage_III
 

F-5B Northrop Freedom Fighter

História e Desenvolvimento.
Na década de 1950, a aviação militar experimentava um período de avanços tecnológicos sem precedentes, impulsionado pela Guerra Fria e pela corrida armamentista entre as superpotências. Novas aeronaves de combate alcançavam velocidades, autonomias e capacidades de carga útil muito superiores às das gerações anteriores. Contudo, esses avanços vinham acompanhados de um aumento significativo nos custos de aquisição e operação, o que gerava preocupações tanto para os comandantes militares dos Estados Unidos quanto para os fabricantes de aeronaves. Estes temiam que cortes orçamentários, motivados pelas elevadas despesas, pudessem comprometer suas receitas e limitar a produção de novos modelos. Diante desse cenário, a Northrop Aircraft Corporation, uma das principais empresas aeroespaciais da época, tomou a iniciativa de buscar soluções inovadoras. Em 1956, a companhia formou uma equipe de desenvolvimento liderada por Edgar Schmued, vice-presidente de engenharia e renomado projetista responsável pelo icônico  North American P-51 Mustang, utilizado na Segunda Guerra Mundial, e pelo F-86 Sabre, amplamente empregado na Guerra da Coreia (1950 - 1953). A missão dessa equipe era clara: desenvolver uma aeronave de combate leve que combinasse alto desempenho, manobrabilidade aprimorada e confiabilidade, mas com custos de aquisição e operação significativamente inferiores aos dos caças da geração vigente. Além disso, a Northrop Aircraft Corporation reconheceu que as aeronaves de combate modernas, devido à sua complexidade e alto custo, não poderiam ser substituídas em curtos intervalos, como ocorria com os aviões movidos a pistão nas décadas anteriores. Assim, o projeto incorporou o conceito inovador de "potencial de crescimento projetado", visando garantir uma vida útil superior a vinte anos. Outro princípio fundamental foi o do "custo do ciclo de vida", que buscava otimizar os gastos ao longo de toda a operação da aeronave. Sob a liderança técnica de Welko Gasich, engenheiro-chefe do projeto, decidiu-se que os motores seriam integrados à fuselagem, uma configuração que maximizava o desempenho e a durabilidade. O projeto, oficialmente designado N-156, foi concebido para atender a uma concorrência recém-lançada pela Marinha dos Estados Unidos (US Navy). O objetivo era desenvolver um caça leve para operar em porta-aviões de escolta, já que as aeronaves então em uso nos porta-aviões convencionais excediam as capacidades de lançamento e armazenamento desses navios menores. A flexibilidade do N-156 também era um diferencial, pois o projeto foi planejado para atender não apenas às necessidades da aviação naval norte-americana, mas também a possíveis demandas futuras da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). 

Entretanto, os planos da Northrop enfrentaram um revés quando a Marinha dos Estados Unidos (US Navy) reavaliou sua estrutura naval, optando pela desativação dos porta-aviões de escolta. Essa decisão impactou diretamente a continuidade do projeto N-156 em sua configuração inicial, exigindo que a Northrop Aircraft Corporation reorientasse seus esforços para adaptar a aeronave a outros contextos operacionais. O cancelamento da demanda da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) para um caça leve destinado aos porta-aviões de escolta representou um significativo revés para a Northrop Aircraft Corporation. Essa decisão comprometeu diretamente os planos de produção em larga escala do projeto N-156, colocando em risco os investimentos realizados. Contudo, a diretoria da empresa demonstrou notável resiliência, optando por reorientar o projeto em duas vertentes distintas: o N-156F, um caça tático leve conhecido como “Tally-Ho”, e o N-156T, uma aeronave de treinamento avançado. O conceito do N-156T rapidamente conquistou o interesse da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), que buscava um substituto para os jatos subsônicos Lockheed T-33, utilizados como treinadores. Após avaliações, o N-156T foi selecionado como o treinador padrão da USAF, sendo redesignado como T-38 Talon. O primeiro protótipo do YT-38 Talon realizou seu voo inaugural em 12 de junho de 1959, a partir da Base Aérea de Edwards, na Califórnia. Após um extenso programa de ensaios em voo, a aeronave foi aprovada para produção, resultando na fabricação de 1.158 unidades. As entregas começaram em 1960 e se estenderam até janeiro de 1972. A excelência do projeto foi comprovada ao longo das décadas por meio de sucessivos programas de modernização e retrofit, que mantiveram o T-38 Talon em serviço ativo na missão de treinamento avançado até os dias atuais. Prevê-se que essas aeronaves, que já ultrapassaram cinquenta anos de operação, sejam gradualmente substituídas a partir da segunda metade da década de 2020. Apesar do desinteresse inicial pela versão monoplace do N-156F, a Northrop decidiu, com recursos próprios, continuar seu desenvolvimento. Essa perseverança foi recompensada em um momento de mudanças nas diretivas geopolíticas dos Estados Unidos. No final da década de 1950, o Departamento de Estado (DoS) identificou a necessidade de uma aeronave de combate supersônica multifuncional, de baixo custo de aquisição e operação, destinada principalmente ao mercado de exportação. Essa iniciativa visava fortalecer o Programa de Assistência Militar (MAP – Military Assistance Program), por meio do qual os Estados Unidos forneciam equipamentos de defesa a nações aliadas, consolidando sua esfera de influência durante a Guerra Fria. 
Essa demanda culminou na criação do “Programa FX”, uma concorrência para a aquisição de aproximadamente 200 aeronaves, com previsão de financiamento para a construção de três protótipos para avaliação. Diversas empresas apresentaram propostas, mas foi o N-156F da Northrop que se destacou. O primeiro protótipo do N-156F realizou seu voo inaugural em 30 de julho de 1959, também na Base Aérea de Edwards. Atendendo ao cronograma oficial, o primeiro protótipo do Northrop N-156F alçaria voo em 30 de julho de 1962, com a aeronave decolando da pista de testes da Base Aérea Edwards (AFB) na California, sendo logo submetido a um programa ensaios em voo de avaliação comparativa com seus concorrentes. O modelo apresentado pela Northrop Aircraft Corporation seria declarado vencedor, recebendo em 26 de outubro de 1962 o primeiro contrato de produção, envolvendo duzentas aeronaves.  A aeronave agora designada como F-5A recebendo o nome de batismo de  “Freedon Fighter” (Combatente da Liberdade), tendo este nome em alusão ao propósito original de se prover as nações amigas, de um vetor capaz de garantir a defesa aérea de países menos desenvolvidos, principalmente contra a ameaça do expansionismo soviético no mundo. Estava equipado com dois motores turbo jatos General Electric J-85GE-13 com 3.500 libras de empuxo, que lhe proporcionavam uma velocidade máxima de 1.444 km/h a 10.680 metros de altitude, ou 16.450 metros em velocidade de cruzeiro. Originalmente desenvolvido para o emprego nos bombardeiros estratégicos Boeing  B-52, estes motores apresentavam uma relação empuxo-peso de 6,25 a 7,5, dependendo da versão, dando-lhe uma vantagem notável sobre os contemporâneos, como a proporção de 4,7 do motor J-79 usados no McDonnell Douglas F-4 Phantom II. A aeronave apresentava ainda um peso máximo de decolagem de 24 toneladas em até 850 metros de pistas pavimentadas. Em termos de gama de armamentos, estava equipado com dois canhões Pontiac M-39A2 de 20 mm com 560 cartuchos cada no nariz e dois mísseis guiados por calor AIM-9B Sidewinder instalados nas pontas das asas; e bombas de queda livre, foguetes não guiados e misseis ar solo AGM-12B Bullpup,  dispostos em quatro pontos subalares e sobre o centro da fuselagem.  As primeiras aeronaves de série, entrariam em serviço em abril de 1964 junto ao esquadrão 4441st Combat Crew Training School, unidade esta que seria destinada a treinar os pilotos e equipes de solo das nações que viessem a adquirir a aeronave.  Após a conclusão desta fase seria iniciada a avaliação preliminar de combate, dando origem no verão de 1965 ao programa Sparrow Hawk, sendo este implementado junto ao Air Proving Ground Center (Centro de Campo de Provas Aéreas) na  Base Aérea de Eglin (AFB) Flórida. 

Em julho de 1965, formou-se o 4503º Esquadrão Tático de Caça (Provisório) na Base Aérea de Williams, inicialmente com 12 F-5A modificados (redesignados F-5C com sonda de reabastecimento, blindagem externa, aviônicos atualizados e sistemas de ordenança). O esquadrão completou treinamento em 88 dias e chegou à Base Aérea de Bien Hoa, no Vietnã do Sul, em 26 de outubro de 1965. No mesmo dia, foram realizadas as primeiras sortidas de combate: um ataque contra uma concentração de forças do Viet Cong, supostamente eliminando grande parte de um batalhão inimigo. Essas missões iniciais eram de curto alcance (40-50 milhas de Bien Hoa), focadas em apoio terrestre, com o F-5 carregando cargas semelhantes às do F-100. Nos primeiros 60 dias, o esquadrão completou mais de 1.400 sortidas. Uma perda ocorreu em 16 de dezembro de 1965, quando um F-5C foi abatido por fogo terrestre, matando o Major Joe Baggett devido a uma falha no assento ejetor. Em 1966, o esquadrão mudou para a Base Aérea de Da Nang, expandindo missões para o Laos e Norte do Vietnã (após uma pausa em bombardeios), incluindo escolta de aeronaves de vigilância eletrônica e apoio a F-105 Thunderchief. O projeto Skoshi Tiger encerrou em 9 de março de 1966, após mais de 2.600 sortidas e uma perda em combate, considerado um sucesso. As operações continuaram como 10º Esquadrão de Caça Comando até abril de 1967, com 7.300 sortidas adicionais e nove perdas totais (sete por fogo inimigo, duas operacionais). Em junho de 1967, as aeronaves sobreviventes (incluindo F-5A/B, F-5C e RF-5A) foram transferidas para a Força Aérea da República do Vietnã (VNAF), formando o 522º Esquadrão de Caça em Bien Hoa. Durante a Queda de Saigon em 1975, muitos F-5B foram capturados pelo Norte do Vietnã (cerca de 87 F-5A e 27 F-5E no total, incluindo alguns B), e alguns foram usados pela Força Aérea Popular do Vietnã em ataques contra o Khmer Vermelho no Camboja, até a falta de peças os imobilizar. Paralelamente ao seu batismo de fogo, a Força Aérea das Filipinas ser tornaria o segundo operador da aeronave ao incorporar em 1965, vinte e três células do Northrop F-5A . Aos poucos o modelo ser tornaria a principal aeronave de combate oferecida nos termos Programa de Assistência Militar - MAP (Military Assistance Program), passando a equipar as forças áreas do Irã, Etiópia, Noruega, Taiwan, Marrocos, Venezuela, Grécia, Turquia, Holanda, Turquia Coreia do Sul, Formosa e Espanha. Também seriam firmados contratos para produção sob licença, primeiramente com Canadair LTd para a Real Força Aérea do Canada (RCAF) e depois com empresa Construcciones Aeronáuticas S.A - CASA , para a Força Aérea Espanhola (Ejército del Aire) e por fim junto a Fokker Aviatik GmbH para a Força Aérea da Noruega e (RNoAF) para a Real Força Aérea Holandesa (RNLAF). 
Ainda antes da implementação do programa Sparrow Hawk junto ao esquadrão 4441 Combat Crew Training School, seria verificada a necessidade do desenvolvimento de uma versão biplace para treinamento e conversão, salientado que os pilotos norte-americanos já detinham certa familiaridade com a aeronave, pois seu processo de treinamento avançado foi realizado junto aos Northrop T-38A Talon pertencentes a Academia da Força Aérea dos Estados Unidos (United States Air Force Academy - USAFA). Este mesmo processo não ocorreria com os clientes externos que viessem a adquirir o F-5A Freedon Fighter nos termos do Programa de Assistência Militar - MAP (Military Assistance Program). Assim a fim de atender a esta demanda a  Northrop Aircraft Corporation passaria a desenvolver uma versão biplace para treinamento e conversão operacional. O modelo receberia a designação de F-5B, se tratando basicamente de uma célula alongada do F-5A, apresentando uma estrutura muito semelhante ao treinador T-38 Talon (N-156T). Apesar de apresentar os mesmos parâmetros de desempenho da versão monoplace, o novo Northrop F-5B não estaria equipado com os dois canhões Pontiac M-39A2 de 20 mm, não fazendo previsão também para o emprego de bombas, foguetes e misseis, com seus pontos subalares sendo destinados apenas para o uso de tanques de combustíveis complementares, os trilhos dos misseis ar ar das pontas das asas seriam substituídos pelos mesmos tanques empregados no T-38A. O primeiro protótipo equipado com os mesmos motores turbo jatos General Electric J-85GE-13, alçaria voo a partir da  Base Aérea Edwards (AFB) na California no dia 24 de fevereiro de 1964, apresentando excelente qualidades de voo e manobrabilidade.  Após ser submetido a um programa de avaliação e ensaios em voo o modelo seria liberado para a produção, recebendo um primeiro contrato envolvendo vinte aeronaves, seis das quais seriam destinadas a atender o contrato firmado com o governo das Filipinas em 1965 e as demais a Força Aérea do Vietnã do Sul (VNAF).  Ao todo seriam fabricadas 350 células do Northrop F-5B, com 191 em seu pais de origem e as demais montadas sob licença pela  Canadair Ltd, Construcciones Aeronáuticas S.A - CASA e Fokker Aviatik GmbH. Durante sua carreira os F-5B equipariam as forças áreas das Filipinas, Irã, Etiópia, Noruega, Taiwan, Brasil. Marrocos, Venezuela, Grécia, Turquia, Holanda, Turquia Coreia do Sul, Formosa e Espanha. A exemplo da versão monoplace estes treinadores seriam substituídos a partir de 1977 pelos novos Northrop F-5F Tiger II. 

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Ao término da Segunda Guerra Mundial, a Força Aérea Brasileira (FAB) dispunha de um inventário superior a 1.500 aeronaves militares modernas, das quais a quase totalidade foi recebida a partir de 1942, no âmbito do programa Leand & Lease Act Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). Em termos de capacidade ofensiva, a Força Aérea Brasileira (FAB) contava com um significativo número de aeronaves de primeira linha, incluindo os renomados caças-bombardeiros Republic P-47D Thunderbolt e Curtiss P-40 Warhawk, bem como as aeronaves de ataque Douglas A-20 Havoc e North American B-25 Mitchell. Essa combinação de vetores de combate, aliada a modelos destinados a transporte, patrulha marítima e guerra antissubmarino (ASW), posicionava FAB como a segunda maior força aérea das Américas e a principal potência aérea do hemisfério sul. Contudo, o surgimento e a consolidação dos motores turbojato em uma nova geração de aeronaves militares rapidamente tornaram obsoletos os caças e bombardeiros de ataque equipados com motores a pistão. Adicionalmente, a substituição acelerada desses modelos por aeronaves a jato nas linhas de produção resultou em uma crescente escassez de peças de reposição no mercado internacional. Apesar das ambições do Ministério da Aeronáutica (MAer) em incorporar modernas aeronaves como os Republic F-84E Thunderjet ou North-American F-86F Sabre, este desejo não se concretizaria em virtude de restrições orçamentárias e de ordem geopolítica. Esta demanda seria atendida a partir de 1953  com a adoção de aeronaves menos capazes como os  Gloster F-8 Meteor e Lockheed F-80C Shooting Star. Esses vetores passaram a constituir o principal componente das unidades de primeira linha da Força Aérea Brasileira (FAB). Contudo no inicio da década de 1960, fadigas estruturais levariam a desativação precoce de todos os jatos ingleses, representando   um severo impacto na capacidade ofensiva e defensiva do país.  Desta maneira a  outrora pujante aviação de caça brasileira se convertera uma simples sombra do que era no começo da década, comprometendo completamente sua eficiência operacional. A situação foi agravada pelo fato de que os caças Lockheed F-80C Shooting Star, responsáveis pela defesa aérea das regiões Norte e Nordeste, começaram a exibir sérios problemas de manutenção, sinalizando a necessidade iminente de sua desativação. Assim no final do ano de 1965,  em resposta a este cenário problemático, o comando do Ministério da Aeronáutica (MAer) iniciaria uma série de estudos visando a análise e incorporação de novas aeronaves de caça.  Durante esse período, a aquisição de aeronaves de combate multifuncionais tornou-se uma prioridade estratégica para fortalecer a defesa aérea e integrar o recém-criado Sistema de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (SISDACTA). 

Inicialmente, o governo brasileiro considerou a aquisição dos McDonnell Douglas F-4 Phantom II, amplamente utilizados pelas forças armadas dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã. Contudo, o Departamento de Estado dos Estados Unidos (DoS) vetou essa escolha, argumentando que a introdução de um caça tão avançado poderia desequilibrar o poder aéreo na América do Sul. Diante dessa restrição, o Brasil voltou sua atenção para opções mais acessíveis, como os caças Northrop F-5A e F-5B Freedom Fighter. Esses aviões, concebidos no âmbito do Programa de Assistência Militar (MAP) dos Estados Unidos, eram vistos como uma solução viável para substituir os obsoletos jatos ingleses Hawker Hunter, que equipavam a Força Aérea Brasileira (FAB). A intenção era adquirir pelo menos 12 unidades do F-5A/B para reforçar as capacidades do SISDACTA, que estava em fase de implementação. No entanto, limitações orçamentárias e a necessidade urgente de modernizar a aviação de transporte levaram ao cancelamento desse programa de aquisição, adiando a renovação da frota de caças. Como medida paliativa, no final de 1964, o Brasil firmou um acordo com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD) para a cessão de células usadas do jato de treinamento Lockheed T-33A Thunderbird. Essas aeronaves foram convertidas e modernizadas para a versão de ataque ao solo AT-33A-20-LO, permitindo a retomada da operacionalidade da primeira linha de defesa aérea nas regiões Sudeste e Sul do país. Apesar de não serem caças supersônicos, os AT-33A ofereceram uma solução temporária para suprir as necessidades, enquanto a aquisição de aeronaves mais avançadas permanecia em estudo. A lacuna por um interceptador de alta performance só seria plenamente preenchida em 1972, com a chegada dos primeiros caças Dassault Mirage IIIEBR. No entanto, logo a substituição dos Lockheed AT-33A-20-LO, que ainda equipavam unidades como o 1º Grupo de Aviação de Caça e o 1º/14º Grupo de Aviação, tornou-se uma prioridade no início da década de 1970. Com uma provisão orçamentária mais robusta, o governo brasileiro lançou, em meados da década, uma concorrência internacional para a aquisição de pelo menos 30 aeronaves de combate multifuncionais. Essa iniciativa atraiu propostas de diversos fabricantes globais. Entre os modelos apresentados estavam Spect BAE Jaguar: Um caça-bombardeiro anglo-francês, conhecido por sua versatilidade em missões de ataque ao solo e reconhecimento. BAE Jump Jet Harrier MK-50: Um jato britânico de decolagem e pouso vertical (V/STOL), ideal para operações em bases improvisadas. Aermacchi MB-326K: Uma aeronave italiana de ataque leve, derivada de um treinador avançado, com baixo custo operacional. McDonnell Douglas A-4F Skyhawk: Um jato de ataque leve, amplamente utilizado, conhecido por sua robustez e confiabilidade. Northrop F-5E Tiger II: Uma evolução do F-5A, com motores mais potentes, aviônicos avançados e maior manobrabilidade, projetado para competir com caças soviéticos como o Mig-21.

Neste momento o Ministério da Aeronáutica (MAer) conduziu um rigoroso estudo comparativo entre as propostas apresentadas por fabricantes de diversos países. A escolha recaiu sobre o Northrop F-5E Tiger II, da Northrop Aircraft Corporation, uma aeronave que se destacava por sua versatilidade, manobrabilidade e compatibilidade com os requisitos operacionais e orçamentários do Brasil. Em abril de 1974, o governo brasileiro assinou um contrato de US$ 115 milhões com a Northrop Aircraft Corporation, formalizando a aquisição de 36 células monoplaces F-5E Tiger II e seis biplaces destinadas à conversão e treinamento de pilotos. As aeronaves F-5E foram configuradas com customizações específicas em aviônicos e sistemas de comunicação, atendendo às necessidades e as padronizações  da Força Aérea Brasileira (FAB). Para o treinamento, inicialmente, a versão biplace escolhida seria o F-5F, uma variante do Tiger II projetada para instrução avançada. No entanto, a versão F-5F ainda estava nos estágios finais de desenvolvimento, com previsão de entrada em serviço apenas no final de 1976, o que representava um atraso inaceitável para o cronograma de implementação, o que não poderia ser aceito por seus comandantes. Como solução, optou-se pela aquisição de seis unidades da versão biplace F-5B Freedom Fighter, desenvolvida anteriormente como aeronave de conversão operacional para os caças F-5A. Estas celulas contratadas receberiam  mesmo pacote de customização em termos de sistemas de aviônica e comunicações aplicados nos F-5E Tiger II. Essa decisão permitiu que o programa de introdução dos novos caças prosseguisse sem comprometer os prazos estabelecidos . Com os detalhes finais do contrato acertados em maio de 1974, foi criada a Comissão de Fiscalização e Recebimento (COMFIREM), responsável por supervisionar a entrega e integração dos caças F-5E Tiger II e F-5B Freedom Fighter. A comissão foi estabelecida na Base Aérea de Palmdale, na Califórnia, pertencente à Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Durante seis meses, uma equipe de pilotos e técnicos brasileiros recebeu treinamento intensivo sob a orientação dos militares do 425º Esquadrão de Treinamento de Caça Tático (425º TFS), originalmente sediado na Base Aérea de Williams, no Arizona. Inicialmente os pilotos brasileiros fariam seus primeiros voos de transição fazendo uso de aeronaves T-38 Talon e F-5B. Esse período foi essencial para capacitar os militares brasileiros na operação e manutenção das novas aeronaves, garantindo a transição suave para o ambiente operacional no Brasil.

Próximo do encerramento deste processo de treinamento , no dia de 28 de fevereiro de 1974, seriam entregues ao representantes da Comissão de Fiscalização e Recebimento (Comfirem), nas instalações da Northrop Aircraft Corporation, os três primeiros Northrop F-5B.  Seria definido em seguida o processo de translado de todas as aeronaves ao Brasil, decolando de Palmdale na California, com escalas San Antonio no Texas e Homestad Florida, passando assim por países da américa central e do sul como Porto Rico, Trinidad & Tobago e Suriname pousando na Base Aérea de Belém, fazendo nova escala em Anápolis (GO); assim seis dias após, as aeronaves deveriam chegar ao seu destino final, a Base Aérea do Galeão (BAGL). Neste contexto, as três primeiras células, compuseram a primeira de onze esquadrilhas a serem transladadas para o Brasil, na chamada “Operação Tigre”. Este percurso transcorreria sem maiores problemas com os Northrop F-5B e F-5E Tiger II tocando a pista da Base Aérea do Galeão (BAGL) no dia dia 6 de março de 1975.  A segunda esquadrilha com os últimos três F-5B chegaria ao Brasil juntamente com os demais F-5E Tiger II no dia 13 de maio do mesmo ano. Como a pista da Base Aérea de Santa Cruz, estava passando por obras de adequação prolongamento para assim poder  receber estas novas aeronaves, inicialmente passariam a operar a partir da  Base Aérea do Galeão (BAGL). Neste momento além de operar nesta localidade seriam destacados em missões de treinamento se deslocando aos aeródromos militares de São Jose dos Campos e Guaratinguetá, ambos no interior do Estado de São Paulo. Os Northrop F-5B receberiam as receberiam as matrículas "FAB 4800 á 4805", sendo alocadas na ordem de três células junto aos  1º e 2º esquadrões (Senta a Pua e Rompe Mato), pertencentes ao 1º Grupo de Aviação de Caça (GAvCa). Estas unidades  também seriam responsáveis pelo treinamento e conversão dos pilotos do 1º/14º Grupo de Aviação - Esquadrão Pampa. Apesar de sempre pertencerem a dotação do 1º Grupo de Aviação de Caça (GAvCa), rotineiramente duas células seriam destacadas  para operação na Base Aérea de Canoas  (BACO) no Rio Grande do Sul, evitando assim que os pilotos que fossem destinados a esta unidade tivessem que fazer o treinamento inicial na Base Aérea de Santa Cruz (BASC) no Rio de Janeiro. Esta sistemática seria mantida até pelo menos 1989, quando a Força Aérea Brasileira passaria a operar quatro células do Northrop  F-5F Tiger, com duas destas aeronaves sendo incorporadas a dotação oficial do 1º/14º Grupo de Aviação - Esquadrão Pampa. 
A partir deste momento os Northrop F-5B remanescentes seriam novamente concentrados na Base Aérea de Santa Cruz (BASC), com estas aeronaves passando a dividir como os novos F-5F-Tiger o  processo de  treinamento e conversão para os pilotos do 1º Grupo de Aviação de Caça (GAvCa). Durante seu período de operação somente uma célula seria perdida em acidente, com este fato sendo registrado quando o Northrop  F-5B "FAB 4801" veio a colidir com um urubu em um voo de treinamento na cidade de Guaratinguetá no interior de São Paulo, felizmente os pilotos conseguiram ejetar se salvando. A performance dos novos treinadores se apresentava muito superior aos F-5B, levando junho de 1995 a decisão de desativação de três células, com estas sendo armazenadas no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA SP), servindo principalmente como fonte de peças de reposição.  As duas células remanescentes seriam empregados pelo 1º Grupo de Aviação de Caça (GAvCa) até o dia 22 de maio de 1996, ocasião em que foram desativados,  sendo transladados ao Campo de Marte na cidade de São Paulo, a fim de serem alienados para posterior venda em leilão. Neste momento o então que ex-coronel da Força Aérea Brasileira, Gustavo Adolfo Franco Pereira, efetivaria um lance de US$ 3,1 milhões para a compra das cinco aeronaves. Este processo seria financiado pelo empresário norte-americano Richard Boulais, sendo depositado inicialmente um valor de entrada, estas aeronaves seriam transportadas para um hangar alugado no aeroporto do Campo de Marte. No entanto posteriormente este leilão seria cancelado, com um novo processo de venda direta sendo realizado, que também seria cancelada, com estes dois processos sendo afetados pela exigência norte-americana de atendimento aos dispositivos previstos na lei de End User (Usuário Final), que demandava um grande processo burocrático para aprovação e certificação do comprador.  Seria iniciado um embate jurídico pois a defasa dos compradores alegavam que esta lei norte-americana seria aprovada aprovada em 1976, enquanto as aeronaves foram compradas pelo Brasil em  1973, ao fim desta contenda a venda nunca seria concretizada e as aeronaves jamais seriam entregues. Neste meio tempo as células seriam repintadas passando a operar um padrão semelhante ao empregado nos F-5F que operavam no 1º/14º Grupo de Aviação - Esquadrão Pampa, recebendo a numeração visual de 01 a 05. Posteriormente a Força Aérea Brasileira, decidiria por preservar estas aeronaves, sendo dispostas no Museu Aeroespacial (MUSAL), Comando Geral de Apoio (COMGAP) , Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA SP), Base  Aérea de Santa Cruz (BASC) e na Base Aérea do Galeão (BAGL).

Em Escala. 
Para representarmos o Northrop F-5B "FAB 4803" recorremos ao kit da Fujimi na escala 1/48, sendo este kit totalmente despojado de detalhamentos e interior, sendo necessário a confecção em scratch de assentos ejetáveis e painéis de controle. Como sugestão indicamos o kit da Classic Airframes que apesar de ser extremamente raro no mercado proporcionará ao modelista um resultado melhor. Utilizamos decais confeccionados FCM Decals presentes no antigo Set 48/03 para completar o conjunto.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático adotado pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) em suas aeronaves em operação no sudeste asiático durante a década de 1970. As células empregadas  mantiveram este padrão até sua desativação no ano 1996. Atualmente duas das células preservadas ostentam padrões diferentes, sendo o F-5B "FAB 4803" configurado nas cores dos F-5EM modernizados, já o F-5B "FAB 4804" foi configurado nas cores dos F-5F operados pelo 1º/14º Grupo de Aviação - Esquadrão Pampa, estando este último exposto em um pedestal na entrada principal da Base Aérea do Galeão (BAGL) no Rio de Janeiro.

Bibliografia :
- Northrop F-5  Wikipédia -http://en.wikipedia.org/wiki/Northrop_F-5
- História da Força Aérea Brasileira por :  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- F-5B Freedom Figheter - Aparecido Camazano Alamino / Revista Asas nº 65
Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
- Northrop F-5B, o Freedom Fighter da FAB - https://www.cavok.com.br/f-5b-o-freedom-fighter-da-fab#google_vignette