M-4 e M4-A1 Sherman Late (CCM)

História e Desenvolvimento.
Durante a segunda metade da década de 1930, a Europa assistiu a uma profunda transformação de seu equilíbrio político e militar em decorrência do acelerado programa de rearmamento promovido pelo governo  da Alemanha. Mais do que simplesmente ampliar seus efetivos e modernizar seu arsenal, o regime alemão investiu no desenvolvimento de novos conceitos operacionais e doutrinários que buscavam integrar, de forma inédita, os diversos meios de combate disponíveis. Essa abordagem revolucionária combinava a velocidade e o poder de choque das forças blindadas com o apoio próximo da aviação tática, dando origem ao conceito que ficaria conhecido como Blitzkrieg, ou “Guerra Relâmpago”. Nesse modelo  os carros de combate deixaram de atuar apenas como elementos de apoio à infantaria, assumindo o papel de principal instrumento ofensivo das operações terrestres. Para cumprir essa função, os blindados passaram a ser concebidos com base em uma combinação equilibrada de mobilidade, proteção blindada, poder de fogo e sistemas de controle que lhes permitissem operar com eficiência em ações rápidas e coordenadas.  Os sucessos alcançados pelas forças alemãs em exercícios militares e, posteriormente, nas primeiras campanhas, demonstraram que uma nova era da guerra mecanizada havia se iniciado. Nos Estados Unidos, a evolução das forças blindadas europeias foi acompanhada com atenção pelo exército norte-americano. As análises conduzidas  concluíram que os carros de combate então em serviço, especialmente os modelos M-1 Combat Car e M2- Light Tank, encontravam-se ultrapassados. Em resposta a essa constatação, o Departamento de Artilharia do Exército dos Estados Unidos, iniciou em 1939 um programa destinado ao desenvolvimento de um novo carro de combate leve, projeto que culminaria na criação do M-3 Light Tank. Entre os principais requisitos estabelecidos para o novo blindado destacava-se a adoção do canhão M22 de 37 mm, considerado, à época, suficiente para enfrentar os carros de combate leves em serviço nas principais forças armadas do mundo.  O projeto também previa uma blindagem capaz de resistir ao impacto de projéteis anticarro do mesmo calibre. Contudo, desde os estágios iniciais de desenvolvimento, surgiram questionamentos quanto à capacidade real de proteção e à efetividade de seu armamento frente aos avanços observados nos blindados alemães e japoneses, cujas características de combate evoluíam em ritmo acelerado. As campanhas conduzidas pelo Exército Alemão (Wehrmacht) nos primeiros combates da Segunda Guerra Mundial, particularmente a invasão da França em 1940, forneceram evidências concretas das limitações dos canhões de 37 mm contra veículos mais pesadamente blindados. Tornou-se cada vez mais evidente que os futuros carros de combate necessitariam de armamentos significativamente mais potentes, capazes de empregar projéteis de maior calibre e poder destrutivo. Nesse contexto, o canhão de 75 mm passou a ser considerado a solução mais adequada para enfrentar as novas ameaças surgidas no campo de batalha. Entretanto, a incorporação dessa arma revelou um importante desafio de engenharia. Nem o M-2 e o M-3 possuíam estrutura capaz de acomodar um canhão de 75 mm em uma torre convencional. O maior peso e as dimensões do armamento exigiam uma torre giratória completamente nova, bem como alterações substanciais no projeto do veículo. 

Essa limitação acabaria conduzindo  à busca de soluções provisórias e, posteriormente, ao desenvolvimento de uma nova geração de carros de combate médios, mais bem adaptados às exigências da guerra moderna. Desta demanda nasceria o projeto do carro de combate M-3, que apresentava um design incomum, já que a arma principal, o canhão M-2 de 75 mm, não estava instalado em uma torre giratória, mas sim fixada ao chassi. Essa configuração resultou da falta de experiência da indústria norte-americana na concepção de uma torre que pudesse abrigar uma arma desse calibre. Ressalta-se que a solução de empregar dois canhões foi inspirada em modelos europeus, como o Char B1 e o Churchill Mark I. Embora  representasse um avanço significativo em relação aos modelos anteriores, suas limitações tornaram-se rapidamente evidentes. A elevada silhueta, a disposição pouco eficiente do armamento principal e as restrições nos setores de tiro demonstravam claramente tratar-se de uma solução transitória.  Apesar dessas preocupações quanto ao seu desempenho em combate, o M-3 poderia ser produzido em larga escala e com maior rapidez em comparação aos carros de combate convencionais, atendendo, assim, às demandas emergenciais não apenas dos Estados Unidos, mas também da Grã-Bretanha.  Ainda durante o desenvolvimento do M-3, seriam iniciados estudos para um novo carro de combate médio que incorporasse o mesmo canhão de 75 mm em uma torre de giro completo. Em agosto de 1940 foram elaborados os primeiros requisitos operacionais para esse novo veículo. Os trabalhos de projeto evoluíram rapidamente e, em abril de 1941, foi concluído um modelo experimental designado T-6. O protótipo foi construído nas instalações do Arsenal de Aberdeen, em Maryland, empregando diversos componentes mecânicos já utilizados no M-3 Lee/Grant, uma decisão destinada a acelerar a produção e simplificar a logística de manutenção. Seu sistema de propulsão era garantido por um motor radial aeronáutico Curtiss-Wright Continental R-975E, movido a gasolina, que desenvolvia 330 cavalos de potência, assegurando ao carro um bom equilíbrio entre desempenho e confiabilidade. Os testes realizados com o T-6 demonstraram resultados altamente satisfatórios. O novo veículo apresentava melhor distribuição interna dos compartimentos, menor silhueta, maior eficiência operacional e melhor aproveitamento do armamento principal. Em setembro de 1941 o projeto foi oficialmente aprovado para produção em série, recebendo a designação militar de Medium Tank M-4. Possuía uma  configuração clássica, com o motor instalado na parte traseira, compartimento de combate central e posto do motorista na seção frontal do casco. Sua tripulação era composta por cinco militares: comandante, atirador, municiador, motorista e auxiliar de motorista. O armamento principal consistia inicialmente em um canhão M-3 de 75 mm montado em torre totalmente giratória, complementado por metralhadoras Browning calibre .30 e uma metralhadora pesada Browning M-2HB calibre .50 para defesa antiaérea. A proteção blindada variava entre 12 mm e 76 mm de espessura, dependendo da área considerada. 
O projeto incorporava diversas soluções técnicas que refletiam as mais avançadas concepções de engenharia militar então disponíveis. Seu casco era caracterizado por superfícies inclinadas, recurso que aumentava significativamente a proteção balística efetiva sem exigir um acréscimo proporcional na espessura da blindagem e, consequentemente, no peso total do veículo. Embora sua proteção não figurasse entre as mais robustas dos carros de combate contemporâneos, ela atendia satisfatoriamente aos requisitos operacionais definidos pelos militares, quando a prioridade era conciliar mobilidade e capacidade de produção em larga escala. A meta inicial estabelecida pelo Departamento de Artilharia previa uma produção de cerca de 2.000 carros mensais, demonstrando a magnitude do planejamento industrial que começava a se consolidar. Um dos aspectos mais importantes foi sua padronização industrial. Desde o início, foi concebido para ser produzido em larga escala por diferentes fabricantes. Empresas como a Pressed Steel Car Company, Baldwin Locomotive Works, American Locomotive Company (ALCO), Pullman Standard, Fisher Body Division, Chrysler Corporation e Ford Motor Company participaram deste processo.  Essa estratégia permitiu que diversas versões fossem produzidas simultaneamente, empregando diferentes conjuntos motrizes. Dessa forma surgiram diversas versões. O modelo básico empregava o motor radial Continental; o M-4A1 distinguia-se pelo casco inteiramente fundido; o M-4A2 utilizava um conjunto diesel General Motors, desenvolvido  para o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC); o M-4A3 era equipado com o potente motor Ford GAA V-8; enquanto o M-4A4 recebia o complexo motor Chrysler A57 Multibank, formado pela combinação de cinco motores automotivos acoplados em um único conjunto propulsor. Apesar dessas diferenças mecânicas, todas as variantes preservavam elevado grau de padronização logística e operacional. O ataque japonês à  Pearl Harbor, em dezembro de 1941, alterou profundamente as prioridades estratégicas, com sua  produção tornando-se prioridade. As primeiras unidades começaram a ser entregues às tropas durante o ano de 1942 e, pouco tempo depois, seriam submetidas à sua primeira prova em combate. O batismo de fogo ocorreu em 23 de outubro de 1942, durante a Segunda Batalha de El Alamein, um dos confrontos mais decisivos da campanha do Norte da África. Travada entre as forças do 8º Exército Britânico, comandadas pelo general Montgomery, e o Afrika Korps, liderado pelo general Erwin Rommel, a batalha marcou uma importante mudança no equilíbrio da guerra no deserto. Operado por tripulações britânicas experientes, que já acumulavam anos de combate nas extensas regiões desérticas da África Setentrional, o novo carro de combate demonstrou rapidamente suas qualidades. Em comparação com seu predecessor, o M-3 Lee/Grant, o Sherman apresentava vantagens significativas. Seu canhão de 75 mm instalado em uma torre totalmente giratória proporcionava maior flexibilidade tática e melhor capacidade de engajamento de alvos em qualquer direção, enquanto sua confiabilidade mecânica, facilidade de manutenção e bom desempenho em terrenos arenosos contribuíam para aumentar a eficiência operacional.

Contudo, quando foi empregado pela primeira vez em larga escala pelo Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), durante a Batalha do Passo de Kasserine, na Tunísia, em fevereiro de 1943, os resultados iniciais ficaram aquém das expectativas. Naquele momento, as forças norte-americanas encontravam-se em sua primeira grande experiência de combate contra  tropas alemãs veteranas, altamente treinadas e dotadas de ampla experiência adquirida nas campanhas da Polônia, França e União Soviética, as unidades da 1ª Divisão Blindada  sofreram perdas significativas. Embora parte dessas perdas tenha sido atribuída às limitações inerentes dos equipamentos empregados, os principais fatores responsáveis pelo revés foram a inexperiência das tripulações norte-americanas e a deficiência na coordenação entre blindados, infantaria, artilharia e apoio aéreo. A batalha evidenciou importantes falhas doutrinárias e organizacionais, demonstrando que a eficácia de um carro de combate dependia não apenas de suas características técnicas, mas também da integração adequada com os demais elementos do campo de batalha. Apesar da derrota, constituiu uma valiosa experiência de aprendizado, resultando em profundas reformas nos métodos de treinamento, na estrutura de comando e nas doutrinas de emprego das forças blindadas, cujos efeitos seriam percebidos nas campanhas subsequentes.. Paralelamente ao aperfeiçoamento operacional das tropas, a produção do Sherman continuava evoluindo. Entre as diversas variantes desenvolvidas, o M-4A4 destacou-se por representar uma das versões mais importantes produzidas em série. Embora externamente mantivesse grande semelhança com outras versões, possuía características construtivas próprias. Seu casco era formado por chapas laminadas soldadas, em contraste com o casco fundido empregado no M-4A1. As primeiras unidades preservavam ainda uma seção frontal composta por três placas aparafusadas, solução herdada diretamente do projeto do M-3 Lee e posteriormente substituída por configurações mais simples e resistentes. No teatro de operações europeu, teve sua estreia durante a Operação Husky, a invasão aliada da Sicília, iniciada em julho de 1943. Essa operação marcou o início da campanha terrestre que contra as forças do Eixo na Europa Ocidental. Durante os desembarques e os combates subsequentes, os Sherman, frequentemente operando ao lado dos tanques leves M-3 Stuart, desempenharam papel fundamental no apoio às tropas de infantaria. Entretanto, o avanço encontrou forte resistência das forças alemãs e italianas. Os defensores faziam uso intensivo de canhões anticarro, peças de artilharia de tiro direto e armamento automático de calibres entre 37 e 50 mm, capazes de infligir perdas consideráveis aos blindados aliados. Em  julho de 1943, durante os combates na região de Piano Lupo, forneceram apoio às forças de infantaria, contribuindo para a consolidação das cabeças de praia. À medida que a campanha  avançava, os combates tornaram-se cada vez mais difíceis. O terreno montanhoso e a habilidade defensiva das tropas impuseram elevados custos às forças aliadas. Centenas de veículos foram perdidos ao longo das ofensivas realizadas. apesar dessas dificuldades, desempenharam papel fundamental na ruptura das linhas defensivas.
Durante a Operação Overlord  desempenhou um papel crucial, apesar de enfrentar desafios significativos contra os tanques  Tiger e Panther, que possuíam armamento e blindagem superiores. Contudo a quantidade e a confiabilidade  permitiram que as forças aliadas mantivessem a superioridade numérica e logística. No teatro de operações do Pacífico,  foi a principal arma blindada do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC), seu primeiro grande teste ocorreria durante a Campanha das Ilhas Gilbert e Marshall.  Na Batalha de Tarawa, em novembro de 1943, M-4A2s do 2º Batalhão de Tanques  desembarcaram sob intenso fogo inimigo. Nos combates subsequentes, como nas Campanhas das Ilhas Marianas e Palau especialmente em Saipan, Tinian e Peleliu , os M-4  consolidaram seu papel como instrumento fundamental no apoio às forças de infantaria. Durante a Campanha das Filipinas e a Batalha de Okinawa ,  atuaram em conjunto com engenheiros de combate e unidades lança-chamas, desempenhando papel na destruição de posições entrincheiradas e túneis. A experiência levou ao desenvolvimento de variantes adaptadas, como o M-4A3R3 "Zippo", equipado com lança-chamas.  Entre 1942 e julho de 1945, foram fabricadas 49.234 unidades, com a grande maioria foi destinada às forças armadas norte-americanas, com uma parcela significativa fornecida a aliados . Após o termino do conflito milhares de M-4 foram abandonados na Europa pois seu processo de retorno aos Estados Unidos se mostraria economicamente inviável.  Muitos foram aproveitados por governos locais em suas forças armadas ou vendidos como sucata.  Quando, em junho de 1950, as tropas da Coreia do Norte invadiram o território sul-coreano, equipadas majoritariamente com tanques soviéticos T-34/85, os norte-americanos se viram diante de um conflito repentino. Nos primeiros meses da guerra, o contingente  destacado para a região dispunha apenas do carros leves M-24 Chaffee, claramente inferiores aos T-34/85 . Evidenciou-se a urgência de reforçar as unidades com blindados mais robustos, elencando-se os M-4A3E8 “Easy Eight”.  Seu batismo de foco ocorreria em julho de 1950, em combates contra as forças norte-coreanas nos arredores de Osan e Taejon. Com a consolidação das linhas de defesa e a chegada de reforços, o Sherman passou a desempenhar funções cruciais no apoio direto à infantaria, defesa de posições avançadas e operações ofensivas de ruptura, em conjunto com os novos M-26 Pershing e M-46. Posteriormente grande parte da frota residual seria cedida nos termos do  Programa de Assistência Militar (MAP) a  pelo menos 47 nações amigas dos Estados Unidos. Entre os conflitos em que o M-4 teve participação destacada, merecem menção especial as Guerras Árabe-Israelenses, modelos como o M-50 “Super Sherman” e o M-51 “Isherman”, equipados com canhões de 75 mm e 105 mm, participaram ativamente nas campanhas de 1956 (Crise de Suez), 1967 (Guerra dos Seis Dias) e 1973 (Guerra do Yom Kippur). Também figurou nos campos de batalha do subcontinente indiano, durante a Guerra Indo-Paquistanesa de 1965.  O último registro oficial dos M-4 Shermans em uso regular remonta ao início do século XXI, com unidades  ainda ativas  em países no Oriente Médio e no Caribe, encerrando, assim, sua trajetória operacional.

Emprego no Exército Brasileiro.
Nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, a rápida expansão territorial das potências do Eixo alterou profundamente o equilíbrio estratégico internacional e despertou crescente preocupação nos Estados Unidos quanto à segurança do continente americano. As sucessivas vitórias militares da Alemanha na Europa, culminando com a derrota da França em junho de 1940, levaram os planejadores  a considerar a possibilidade de que o conflito alcançasse o Hemisfério Ocidental. Entre as principais preocupações de Washington figurava a eventual utilização de possessões coloniais francesas na África Ocidental, especialmente o porto de Dacar, no Senegal, bem como de arquipélagos estratégicos no Atlântico, como bases avançadas para operações militares do Eixo. Embora tais hipóteses jamais tenham se concretizado, elas exerceram forte influência sobre o planejamento defensivo norte-americano. Nesse contexto, o Brasil assumiu posição de extraordinária relevância para a estratégia  aliada. Sua localização  privilegiada, especialmente na região Nordeste, representava o ponto de menor distância entre o continente americano e a África. Essa característica transformava o território  em uma peça-chave tanto para a defesa quanto para a manutenção das linhas de comunicação e abastecimento entre as Américas, a África e, posteriormente, a Europa. A vulnerabilidade da extensa costa brasileira despertava especial atenção dos estrategistas. Sua posição geográfica oferecia vantagens incomparáveis para a instalação de bases aéreas e navais capazes de apoiar operações intercontinentais. A expansão japonesa no Sudeste Asiático resultou na ocupação de importantes áreas produtoras de borracha natural, incluindo a Malásia, então uma das principais fornecedoras mundiais dessa matéria-prima. Diante desse cenário, o Brasil voltou a ocupar posição de destaque como fornecedor de látex natural, insumo indispensável para a fabricação de pneus, mangueiras, vedações e inúmeros componentes utilizados pela indústria bélica. A chamada “Batalha da Borracha”, refletiu diretamente essa nova importância econômica. Sob o aspecto logístico, o Nordeste tornou-se um dos pilares da estratégia aliada no Atlântico Sul. Cidades como Natal, Recife e Fortaleza passaram a desempenhar papel fundamental como centros de apoio às operações aéreas e marítimas. A construção e ampliação de aeródromos, portos e instalações permitiram o estabelecimento de uma eficiente ponte aérea entre as Américas e os teatros de operações da África, Mediterrâneo e da Europa. Em especial, a Base Aérea de Natal transformou-se em um dos mais movimentados pontos de trânsito de aeronaves militares do mundo durante a guerra. Interesses econômicos, estratégicos e militares convergiram para uma estreita cooperação bilateral, materializada por meio de acordos de defesa entre ele a adesão ao programa  Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). Por meio deste o pais recebeu  uma linha de crédito estimada em aproximadamente 100 milhões de dólares, destinada à aquisição de equipamentos militares modernos. 

À época, as Forças Armadas Brasileiras enfrentavam severas limitações materiais, resultado de décadas de investimentos modestos em modernização.  Embora o país dispusesse de um efetivo numericamente considerável, seus meios de combate encontravam-se defasados em relação aos padrões observados. O Exército Brasileiro, em particular, carecia de veículos modernos, sistemas de comunicações eficientes, armamentos atualizados e, sobretudo, de uma força blindada compatível com as exigências da guerra mecanizada que se consolidava nos campos de batalha da Europa e do Norte da África. Até aquele momento, o reduzido parque blindado  era composto basicamente por alguns exemplares dos tanquetes  Fiat-Ansaldo CV 3/35, adquiridos durante a década de 1930. As primeiras remessas de veículos blindados  foram constituídas por carros de combate leves M-3 Stuart e médios M-3 Lee. Embora já estivessem sendo gradualmente substituídos por modelos mais modernos nas unidades de primeira linha, esses blindados encontravam-se em excelente estado de conservação, tendo sido empregados predominantemente em atividades de instrução e treinamento ou em unidades de cavalaria estacionadas em território norte-americano. Inspirado pela doutrina operacional do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), iniciou-se a organização de suas primeiras unidades motomecanizadas modernas. Essas formações combinavam carros de combate, veículos de reconhecimento, transporte motorizado e elementos de apoio, proporcionando níveis de mobilidade, proteção e poder de fogo até então inéditos na estrutura militar nacional. Ao final desse processo de reequipamento, o Brasil passou a dispor de aproximadamente 300 carros de combate leves e médios, constituindo a mais expressiva força blindada da América Latina naquele período.  Com o encerramento das operações militares na Europa, passou-se a atender diversas demandas remanescentes, disponibilizando equipamentos excedentes que haviam sido produzidos em grande quantidade. Nesse contexto,  negociou-se a aquisição de um lote de carros de combate  M-4 Sherman. O primeiro lote desembarcou no Porto do Rio de Janeiro em 27 de julho de 1945. A remessa era composta por 16 carros  pertencentes às versões M-4 Mid Production e M-4 Composite Hull, que receberam as matrículas EB-11-347, EB-11-348, EB-11-350, EB-11-351, EB-11-352, EB-11-353, EB-11-393, EB-11-394, EB-11-396, EB-11-400, EB-11-403, EB-11-404, EB-11-405, EB-11-408, EB-11-409 e EB-11-412. Após sua chegada, esses veículos foram incorporados ao 1º Batalhão de Carros de Combate (1º BCC), núcleo pioneiro da força blindada. Em 10 de agosto, um segundo lote chegou ao país contendo 17 carros de diferentes variantes, que receberiam as  matrículas EB-11-360 e EB-11-414 a EB-11-429, ampliando significativamente a capacidade operacional. Em 23 de agosto, seria desembarcado o terceiro lote composto por 20 matriculados como EB-11-341, EB-11-342, EB-11-344 a EB-11-349, EB-11-354 a EB-11-356, EB-11-395, EB-11-397 a EB-11-399, EB-11-401, EB-11-402, EB-11-406, EB-11-407, EB-11-411 e EB-11-413. 
Os M-4 ficaram concentrados sob a administração do 1º Batalhão de Carros de Combate (1º BCC), então a principal unidade blindada do país.  A estrutura organizacional do batalhão refletia a influência direta da doutrina norte-americana de emprego de forças blindadas. Sua composição compreendia uma Companhia de Comando equipada com 02 M-4; 03 Companhias de Carros de Combate Médios, cada uma dotada de 17 Sherman; uma Companhia de Carros de Combate Leves, equipada com 17 M-3A1 Stuart; além de uma Companhia de Serviços, responsável pelo apoio logístico e manutenção, dispondo de 47 viaturas utilitárias, entre as quais destacavam-se 03  semilagartas M-3 empregados no transporte de pessoal, suprimentos e equipes de manutenção. Sua chegada representou um verdadeiro divisor de águas no processo de modernização, pois comparados aos  M-3A1 Stuart e os M-3 Lee apresentavam avanços substanciais em praticamente todos os aspectos operacionais.  Seu moderno sistema de partida elétrica simplificava os procedimentos de acionamento do motor, reduzindo significativamente o tempo necessário para colocar a viatura em operação. Embora utilizasse o mesmo canhão M-3 de 75 mm presente no M-3 Lee,  incorporava uma série de aperfeiçoamentos, se destacando o sistema de giro-estabilizador vertical, que permitia compensar parcialmente os movimentos do veículo durante o deslocamento, aumentando a probabilidade de acerto do primeiro disparo e proporcionando maior precisão em combate móvel. Outro aspecto foi a ampla variedade de munições fornecidas, com destaque para os projéteis perfurantes M-61 Armour Piercing Capped (APC), os M-72 Armour Piercing (AP) e os explosivos M-84 High Explosive (HE), permitindo o engajamento eficaz de diferentes tipos de alvos, desde veículos blindados até fortificações de campanha e concentrações de tropas.  Graças ao eficiente arranjo interno do compartimento de combate e ao treinamento das guarnições,   podia alcançar uma cadência de tiro próxima de 20 disparos por minuto em condições ideais, conferindo-lhe elevada capacidade de resposta no campo de batalha.  O armamento secundário era igualmente robusto, composto por 02 metralhadoras Browning M-1919 calibre .30, utilizadas para autodefesa e apoio à infantaria, além de uma metralhadora pesada  M-2 calibre .50 instalada sobre a torre, destinada tanto à defesa antiaérea quanto ao engajamento de alvos terrestres. Alguns dispunham ainda de um morteiro de duas polegadas montado na torre, destinado ao lançamento de granadas fumígenas. A torre  acionada por sistemas hidráulicos ou elétricos, dependendo da variante, oferecia movimentação rápida e suave, facilitando a aquisição e o acompanhamento de alvos. Seu desenho relativamente elevado aumentava a silhueta do veículo, tornando-o mais visível em combate, mas proporcionava melhores condições de trabalho para a tripulação, reduzindo a fadiga durante longos períodos de operação. A guarnição era composta pelo comandante, artilheiro, municiador, motorista e auxiliar de motorista/radiooperador, cada qual desempenhando funções específicas que contribuíam para a eficiência operacional do conjunto.

Todos os carros de combate M-4 entregues ao Brasil eram viaturas novas de fábrica, provenientes diretamente dos estoques estratégicos, e foram recebidos acompanhados de completos conjuntos de ferramentas, equipamentos auxiliares, peças sobressalentes, armamentos complementares, publicações técnicas e manuais de operação e manutenção, todos cuidadosamente acondicionados e lacrados para transporte. Entretanto, o processo de assimilação dessa moderna tecnologia não ocorreu sem dificuldades. Um dos principais desafios enfrentados pelas unidades brasileiras foi a barreira linguística. Toda a documentação técnica fornecida pelos Estados Unidos encontrava-se redigida exclusivamente em inglês, idioma pouco dominado pela maioria dos oficiais, sargentos, mecânicos e especialistas responsáveis pela operação e manutenção do novo material. Como consequência, os primeiros meses de utilização dos Sherman foram marcados por dificuldades na interpretação dos procedimentos técnicos, exigindo um intenso trabalho de tradução, adaptação e padronização conduzido por equipes especializadas do Parque Central de Motomecanização e das organizações militares operacionais. Apesar dessas limitações iniciais, os resultados alcançados foram expressivos, com o M-4 se tornando símbolo da modernização das forças blindadas brasileiras no período pós-guerra.  Ao longo da década de 1950, o 1º BCC consolidou-se como a principal referência nacional no emprego de blindados, tornando-se responsável pela difusão de conhecimentos técnicos e operacionais. Nesse período, a experiência acumulada pelos militares brasileiros contribuiu decisivamente para a formação de uma doutrina blindada própria, adaptada às características geográficas e operacionais do país. Com o objetivo de ampliar a capacitação de pessoal especializado, a Escola de Motomecanização (EsMM), sediada no bairro de Marechal Deodoro, no Rio de Janeiro, recebeu no início da década de 1950 seis M-4, matriculados EB11-343, EB11-583, EB11-584, EB11-585, EB11-586 e EB11-587. Permaneceriam em serviço naquela instituição até 1957, quando a maior parte dos veículos foi transferida para o Regimento Escola de Infantaria (REsI), organização que passou a concentrar atividades relacionadas à instrução, manutenção e experimentação de material blindado. Apenas um dos exemplares permaneceu temporariamente vinculado à Escola para treinamento. Ainda durante os primeiros anos da década de 1950, seriam incorporados mais 06 M-4 usados, ampliando sua disponibilidade de material para treinamento e instrução. Essa expansão foi complementada em 1954, quando foram recebidos mais 24 carros usados nos termos do  Programa de Assistência Militar (MAP), se dividindo entre as versões M-4 Composite Hull e M-4A1. O pacote logístico incluía ainda 50 motores de reposição, além de componentes mecânicos e peças sobressalentes. Embora jamais tenham participado de operações de combate contra forças estrangeiras sob a bandeira brasileira, estiveram presentes em diversos momentos de instabilidade política interna, com destaque quando em 1964 participaram de operações relacionadas à deposição do presidente João Goulart e à subsequente instauração do regime militar. Na ocasião, um pelotão  M-4 pertencente ao Regimento Escola de Infantaria foi colocado em estado de prontidão e mobilizado para eventual emprego em operações relacionadas à crise. 
Apesar da excelente folha de serviços não estavam isentos de limitações técnicas. Entre os problemas mais frequentemente  destacavam-se falhas associadas ao ressecamento dos diafragmas das bombas de combustível, situação agravada pelo longo período de permanência dos veículos em estado de inatividade. Esse problema ocasionava interrupções no fornecimento de combustível aos motores, comprometendo a partida e, em alguns casos, a operação regular das viaturas. Outra deficiência apontada estava relacionada ao conjunto de rodagem. As lagartas relativamente estreitas, originalmente concebidas para atender às exigências dos campos de batalha europeus e norte-africanos, revelavam-se menos adequadas como regiões arenosas, pantanosas ou excessivamente úmidas, a elevada pressão exercida sobre o solo reduzia a mobilidade do veículo, favorecendo atolamentos durante exercícios de campanha e manobras de adestramento. Essas dificuldades tornaram-se tema recorrente entre as tripulações e deram origem a diversas observações bem-humoradas no ambiente castrense. Entre elas, destacava-se a conhecida afirmação de que os Sherman “atolavam até no asfalto”. Na prática, as limitações observadas não comprometeram significativamente seu desempenho operacional. Durante grande parte de sua permanência no 1º Batalhão de Carros de Combate (1º BCC), mantiveram índices de disponibilidade operacional próximos de 80%, percentual considerado elevado para veículos daquela categoria e idade. Esse resultado era particularmente expressivo quando comparado ao de outras unidades, equipadas com os carros de combate  M-3 Stuart e M-3 Lee, cujos índices de operacionalidade situavam-se em torno de 55%. Com o passar dos anos, entretanto, o envelhecimento natural da frota passou a impor desafios cada vez maiores à manutenção.  A partir da década de 1960, a obtenção de peças de reposição tornou-se uma preocupação constante, pois a desativação progressiva dos Sherman em diversos países reduziu a disponibilidade de componentes originais, afetando especialmente itens de maior complexidade mecânica, como geradores auxiliares, caixas reguladoras e, sobretudo, os motores Wright Continental R-975 Whirlwind. Diante desse cenário, adotaram-se soluções criativas para manter a frota em condições de uso. Entre as medidas empregadas destacaram-se o aproveitamento de componentes provenientes de aeronaves de treinamento Stearman A-76 desativadas pela Força Aérea Brasileira (FAB), cujos motores compartilhavam diversas características técnicas com os  utilizados pelos M-4, bem como a canibalização de peças retiradas dos M-3 Lee já fora de serviço.  Ao longo do final da década de 1960 e início da década de 1970, os M-4 remanescentes passaram gradualmente a desempenhar funções secundárias. Muitos foram transferidos para unidades de instrução, centros de formação e reservas de mobilização, deixando de ocupar posição de destaque nas organizações de primeira linha. A Escola de Blindados manteve exemplares em atividade, empregando-os na formação de mecânicos, motoristas, comandantes e especialistas em manutenção. Em 1973, o processo de retirada de serviço  foi concluído, encerrando um dos mais longos e importantes capítulos da história das forças blindadas brasileiras. 

Em Escala.
Para representarmos o M-4 Sherman Early Fused Front com a matricula  "EB-11 413" empregamos o novo kit da Asuka Modeks na escala 1/35. Para melhor detalhamento complementamos o modelo com acessórios em resina da Eletric Products. Para se representar a versão empregada no Exército Brasileiro não é necessário proceder nenhuma modificação. Fizemos uso de decais confeccionados pela Decals &  Books presentes no "Set Forças Armadas Brasileiras 1942/1982"
O padrão de pintura dos M-4 Sherman, conforme especificação Federal Standard (FS), seguia o esquema adotado pelo Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) no momento de sua entrega inicial ao Brasil em julho de 1945. A única modificação implementada foi a incorporação das marcações nacionais, mantendo a integridade do esquema original de cores. As marcações dos veículos incluíam o escudo nacional semelhante ao adotado pela Força Aérea Brasileira (FAB), inicialmente o padrão utilizado pelos veículos em território brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial. Posteriormente, esse escudo foi substituído pelo modelo com o Cruzeiro do Sul, empregado pelas forças brasileiras no teatro de operações da Itália durante o mesmo conflito.
Bibliografia :
- M-4 Sherman - Wikipédia  http://pt.wikipedia.org/wiki/M4_Sherman
- M-4 Sherman no Brasil , por Helio Higuchi e Paulo Roberto Bastos Junior 
- Blindados no Brasil Volume I – Expedito Carlos Stephani Bastos

F-5EM Northrop Tiger II

História e Desenvolvimento. 
Na década de 1950, a aviação militar experimentava um período de avanços tecnológicos sem precedentes, impulsionado pela Guerra Fria e pela corrida armamentista entre as superpotências. Novas aeronaves de combate alcançavam velocidades, autonomias e capacidades de carga útil muito superiores às das gerações anteriores. Contudo, esses avanços vinham acompanhados de um aumento significativo nos custos de aquisição e operação, o que gerava preocupações tanto para os comandantes militares dos Estados Unidos quanto para os fabricantes de aeronaves. Estes temiam que cortes orçamentários, motivados pelas elevadas despesas, pudessem comprometer suas receitas e limitar a produção de novos modelos. Diante desse cenário, a Northrop Aircraft Corporation, uma das principais empresas aeroespaciais da época, tomou a iniciativa de buscar soluções inovadoras. Em 1956, a companhia formou uma equipe de desenvolvimento liderada por Edgar Schmued, vice-presidente de engenharia e renomado projetista responsável pelo icônico  North American P-51 Mustang, utilizado na Segunda Guerra Mundial, e pelo F-86 Sabre, amplamente empregado na Guerra da Coreia (1950 - 1953). A missão dessa equipe era clara: desenvolver uma aeronave de combate leve que combinasse alto desempenho, manobrabilidade aprimorada e confiabilidade, mas com custos de aquisição e operação significativamente inferiores aos dos caças da geração vigente. Além disso, a Northrop Aircraft Corporation reconheceu que as aeronaves de combate modernas, devido à sua complexidade e alto custo, não poderiam ser substituídas em curtos intervalos, como ocorria com os aviões movidos a pistão nas décadas anteriores. Assim, o projeto incorporou o conceito inovador de "potencial de crescimento projetado", visando garantir uma vida útil superior a vinte anos. Outro princípio fundamental foi o do "custo do ciclo de vida", que buscava otimizar os gastos ao longo de toda a operação da aeronave. Sob a liderança técnica de Welko Gasich, engenheiro-chefe do projeto, decidiu-se que os motores seriam integrados à fuselagem, uma configuração que maximizava o desempenho e a durabilidade. O projeto, oficialmente designado N-156, foi concebido para atender a uma concorrência recém-lançada pela Marinha dos Estados Unidos (US Navy). O objetivo era desenvolver um caça leve para operar em porta-aviões de escolta, já que as aeronaves então em uso nos porta-aviões convencionais excediam as capacidades de lançamento e armazenamento desses navios menores. A flexibilidade do N-156 também era um diferencial, pois o projeto foi planejado para atender não apenas às necessidades da aviação naval norte-americana, mas também a possíveis demandas futuras da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Entretanto, os planos da Northrop enfrentaram um revés quando a Marinha dos Estados Unidos (US Navy) reavaliou sua estrutura naval, optando pela desativação dos porta-aviões de escolta. Essa decisão impactou diretamente a continuidade do projeto N-156 em sua configuração inicial, exigindo que a Northrop Aircraft Corporation reorientasse seus esforços para adaptar a aeronave a outros contextos operacionais.

O cancelamento da demanda da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) para um caça leve destinado aos porta-aviões de escolta representou um significativo revés para a Northrop Aircraft Corporation. Essa decisão comprometeu diretamente os planos de produção em larga escala do projeto N-156, colocando em risco os investimentos realizados. Contudo, a diretoria da empresa demonstrou notável resiliência, optando por reorientar o projeto em duas vertentes distintas: o N-156F, um caça tático leve conhecido como “Tally-Ho”, e o N-156T, uma aeronave de treinamento avançado. O conceito do N-156T rapidamente conquistou o interesse da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), que buscava um substituto para os jatos subsônicos Lockheed T-33, utilizados como treinadores. Após avaliações, o N-156T foi selecionado como o treinador padrão da USAF, sendo redesignado como T-38 Talon. O primeiro protótipo do YT-38 Talon realizou seu voo inaugural em 12 de junho de 1959, a partir da Base Aérea de Edwards, na Califórnia. Após um extenso programa de ensaios em voo, a aeronave foi aprovada para produção, resultando na fabricação de 1.158 unidades. As entregas começaram em 1960 e se estenderam até janeiro de 1972. A excelência do projeto foi comprovada ao longo das décadas por meio de sucessivos programas de modernização e retrofit, que mantiveram o T-38 Talon em serviço ativo na missão de treinamento avançado até os dias atuais. Prevê-se que essas aeronaves, que já ultrapassaram cinquenta anos de operação, sejam gradualmente substituídas a partir da segunda metade da década de 2020. Apesar do desinteresse inicial pela versão monoplace do N-156F, a Northrop decidiu, com recursos próprios, continuar seu desenvolvimento. Essa perseverança foi recompensada em um momento de mudanças nas diretivas geopolíticas dos Estados Unidos. No final da década de 1950, o Departamento de Estado (DoS) identificou a necessidade de uma aeronave de combate supersônica multifuncional, de baixo custo de aquisição e operação, destinada principalmente ao mercado de exportação. Essa iniciativa visava fortalecer o Programa de Assistência Militar (MAP – Military Assistance Program), por meio do qual os Estados Unidos forneciam equipamentos de defesa a nações aliadas, consolidando sua esfera de influência durante a Guerra Fria. Essa demanda culminou na criação do “Programa FX”, uma concorrência para a aquisição de aproximadamente 200 aeronaves, com previsão de financiamento para a construção de três protótipos para avaliação. Diversas empresas apresentaram propostas, mas foi o N-156F da Northrop que se destacou. O primeiro protótipo do N-156F realizou seu voo inaugural em 30 de julho de 1959, também na Base Aérea de Edwards. Após um rigoroso programa de avaliação comparativa contra os concorrentes, a aeronave foi declarada vencedora, marcando um marco significativo na história da Northrop Aircraft Corporation e consolidando o N-156F como um sucesso no cenário aeroespacial internacional.
No contexto da Guerra Fria, a Northrop Aircraft Corporation alcançou um marco significativo com o desenvolvimento do caça tático leve designado oficialmente como F-5A, batizado de Freedom Fighter (Combatente da Liberdade). Este foi concebido como uma solução robusta e econômica, alinhada aos objetivos do Programa de Assistência Militar (MAP – Military Assistance Program) dos Estados Unidos, que visava fortalecer a influência geopolítica americana por meio do fornecimento de equipamentos militares.  Ao longo dos anos, o Freedom Fighter tornou-se a principal aeronave de combate oferecida pelo MAP, sendo adotado pelas forças aéreas de nações como Filipinas, Irã, Etiópia, Noruega, Taiwan, Marrocos, Venezuela, Grécia, Turquia, Países Baixos, Coreia do Sul, Formosa e Espanha. No final da década de 1960, com o objetivo de manter sua influência militar e polítics, o governo norte-americano começou a planejar um sucessor para a família F-5A/B. Em 1969, foi lançado o Processo IIFA (Improved International Fighter Aircraft), uma concorrência que convidou oito empresas a apresentarem propostas para uma nova aeronave de combate. Após uma rigorosa avaliação, a Northrop foi declarada vencedora com o modelo F-5A-2, uma evolução significativa do F-5A/B, redesignada como F-5E Tiger II.  O primeiro protótipo do F-5E Tiger II realizou seu voo inaugural em 23 de agosto de 1972, na Base Aérea de Edwards, na Califórnia. Equipado com dois motores General Electric J85-21, que geravam até 5.000 libras de empuxo, o Tiger II apresentava uma fuselagem alongada e ampliada, permitindo maior capacidade de combustível e, consequentemente, maior autonomia. Suas asas foram redesenhadas com extensões de borda de ataque, aumentando a área alar e aprimorando a manobrabilidade. Para enfrentar ambientes hostis, o F-5E incorporava aviônicos avançados, destacando-se a inclusão do radar Emerson Electric AN/APQ-153 – uma inovação significativa, já que os modelos anteriores não possuíam radar. Além disso, o Tiger II podia ser customizado com sistemas de navegação inercial, equipamentos TACAN (Tactical Air Navigation) e contramedidas eletrônicas (ECM), atendendo às necessidades específicas de cada cliente. Em 6 de abril de 1973, o 425º TFS Esquadrão de Treinamento Tático (Tactical Fighter Training) sediado na Base Aérea de Williams, no Arizona, receberia o primeiro Northrop F-5E Tiger II de produção. Neste momento seria iniciado o programa de formação de equipes de voo e solo, e também a construção da doutrina operacional e de combate da nova aeronave. Seguindo as diretrizes iniciais de seu desenvolvimento, o Northrop F-5E Tiger II, passou a ser oferecido em termos vantajosos através dos programas de ajuda militar,  uma série de países alinhados a política externa do governo norte-americano, recebendo contratos de exportação para Coreia do Sul, Irã, Chile, Brasil, México, Suíça, Malásia, Cingapura, Taiwan, Marrocos, Jordânia, Grécia, Tunísia, Arábia Saudita, Etiópia. Honduras, Indonésia, Quênia, Noruega, Sudão e Iêmen.

A produção do Northrop F-5E e F-5F Tiger II alcançou, até 1987, um total de 1.399 unidades, divididas entre a versão monoplace  e a biplace . Contudo, a partir do final da década de 1980, a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) iniciou a substituição gradual do Tiger II pelo General Dynamics F-16 Fighting Falcon, um caça multifuncional de quarta geração que oferecia avanços tecnológicos significativos. Porém em seu pais de origem uma pequena parcela da frota ainda se manteria em operação, continuando a  desempenhar um papel importante na Marinha dos Estados Unidos (US Navy), especialmente na função de “Agressor”. Nesse papel, as aeronaves simulavam caças adversários em exercícios de treinamento, ajudando a preparar pilotos para enfrentar ameaças reais.  Apesar da defasagem em relação às aeronaves mais modernas, o F-5E/F Tiger II manteve sua relevância devido a características que continuavam a destacá-lo no cenário aeroespacial. A aeronave  apresentava uma combinação única de baixo custo operacional, alta manobrabilidade e uma assinatura radar reduzida, atributos que o tornavam competitivo mesmo em ambientes de combate dominados por caças de quarta geração. Essas qualidades incentivaram diversos operadores a investir em programas de modernização, com o objetivo de prolongar a vida útil das células e atualizar suas capacidades de combate. A Força Aérea da República de Singapura (RSAF) foi pioneira na implementação de um ambicioso programa de modernização em 1991 para sua frota de F-5E/F, envolvendo a  adoção do moderno radar FIAR Grifo-F da Galileo Avionica (similar em desempenho aos modelos AN/APG-69), aviônicos de última geração, atualização dos sistemas de navegação e autodefesa, além da integração sistemas de armas mais modernos como os mísseis israelenses  ar ar de curto alcance Rafael Python e norte-americanos de longo alcance (BVR além do alcance visual) AIM-120 AMRAAM. Os resultados foram extremamente positivos, revitalizando a frota de Singapura e demonstrando o potencial do F-5E/F como uma plataforma versátil e adaptável. Em seguida a Força Aérea Chilena (FACH) lançaria um programa similar de modernização para suas aeronaves, com a concorrência sendo vencida em uma parceria entre a Empresa Nacional de Aeronáutica - ENAER e a israelense Israel Aircraft Industries - IAI, com seu protótipo sendo apresentado na edição de 1993 na Feira Aeronáutica Le Bourget na França. O resultado deste processo despertaria atenção no evento pois tecnicamente representava a versão mais ousada em termos de atualização efetivada até o momento, empregava em sua concepção sistemas e equipamentos oriundos do projeto do caça de quarta geração israelense  IAI LAVI, destacando-se o radar multimodo Elta EL/M-2032B (com capacidade look down shot down), Head Up Display El-Op , dois displays multi função Astronautics, barramento digital MIL-STD 1553B, conceito dispositivo de manche e manete de potência combinados (HOTAS), e sensores sistemas de  defesa passiva do tipo RWR/ECM integrados com lançadores de chaff/flare. 
O projeto de modernização da FACH envolveu a atualização de 14 células, distribuídas entre as versões monoplace (F-5E) e biplace (F-5F), que receberam a nova designação Tiger III. A modernização incluiu a integração de um computador central avançado, responsável por coordenar os sistemas aviônicos e de armas. Entre os destaques estava o sistema de armamento ar-ar, equipado com mísseis israelenses de curto alcance Shafrir e Python III, amplamente reconhecidos por sua precisão e confiabilidade. Além disso, as aeronaves foram adaptadas para operar o míssil Rafael Derby, de alcance além do visual (Beyond Visual Range – BVR), conferindo capacidade de engajamento a longa distância, uma característica essencial em cenários de combate modernos. Essa atualização foi complementada pela introdução de aviônicos de ponta, incluindo o sistema de mira montado no capacete DASH (Display and Sight Helmet System), fabricado por Israel. O DASH permitia aos pilotos direcionar os mísseis Python IV, uma evolução do Python III, com maior agilidade e precisão, simplesmente movendo a cabeça para alinhar o alvo. Essa tecnologia, combinada com os novos sistemas de armas, transformou o Tiger III em uma plataforma altamente competitiva, capaz de enfrentar adversários mais avançados. O valor das aeronaves modernizadas foi comprovado durante o exercício multinacional SALITRE, realizado em 2004 no Chile. Durante os combates simulados, os F-5E/F Tiger III da FACH, equipados com o sistema DASH e mísseis Python IV, enfrentaram caças General Dynamics F-16C Fighting Falcon operados por experientes pilotos do 198º Esquadrão de Caça (Fighter Squadron) da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Os Tiger III alcançaram índices de sucesso notáveis, demonstrando que, mesmo sendo um projeto da década de 1970, a modernização permitiu que essas aeronaves competissem de igual para igual com caças de quarta geração. Esse desempenho reforçou a reputação do F-5 como uma plataforma versátil e adaptável, capaz de se manter relevante em cenários de combate modernos. O sucesso do programa chileno inspirou outras nações a investirem em iniciativas semelhantes de modernização e retrofit das suas frotas de F-5 Tiger II. Até o início da década de 2020, cerca de doze países, incluindo Brasil, Tailândia, Singapura e Taiwan, implementaram programas para atualizar suas células operacionais. A longevidade do Northrop F-5 Tiger II, que completou quase 45 anos de serviço desde sua entrada em operação na década de 1970, é um testemunho de seu design robusto e flexível. Originalmente concebido como um caça leve de baixo custo, o F-5 evoluiu para atender às demandas de um cenário aeroespacial em constante transformação, mantendo-se relevante em missões de defesa aérea, ataque leve e treinamento avançado. O sucesso do Tiger III chileno e de outros programas de modernização reflete o compromisso de nações ao redor do mundo em preservar a eficácia desse caça, que continua a voar com orgulho, carregando o legado de gerações de pilotos e técnicos dedicados à defesa de seus países.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
No final da década de 1990, a Força Aérea Brasileira (FAB) enfrentava um cenário desafiador em sua aviação de caça e ataque. Sua frota era composta por apenas 65 aeronaves, divididas entre os caças franceses Marcel Dassault Mirage IIIEBR (designados F-103E) e os norte-americanos Northrop F-5E Tiger II. Essas aeronaves, alocadas em quatro unidades de caça de primeira linha – incluindo o 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvC) e o 1º/14º Grupo de Aviação (Esquadrão Pampa) – pertenciam às gerações de segunda e terceira de aviões de combate. Apesar de sua confiabilidade operacional, esses vetores eram considerados tecnologicamente obsoletos, especialmente quando comparados aos caças de quarta geração que dominavam os cenários de combate aéreo da época. Durante a Guerra Fria, os Mirage IIIEBR e F-5E Tiger II foram pilares da defesa aérea brasileira, desempenhando papéis cruciais em missões como a interceptação de um bombardeiro Avro Vulcan em 1982, durante a Guerra das Malvinas. No entanto, na década de 1990, exercícios multinacionais conjuntos expuseram as limitações dessas aeronaves frente a caças modernos, como o Dassault Mirage 2000 e o Lockheed Martin F-16C/D Fighting Falcon. A principal deficiência era a incapacidade de operar em combates além do alcance visual (Beyond Visual Range – BVR), uma característica essencial na guerra aérea moderna, que exigia sistemas de radar avançados, mísseis de longo alcance e aviônicos integrados. Além disso, muitos dos Mirage IIIEBR/D, adquiridos na década de 1970, aproximavam-se do fim de sua vida útil estrutural. As células apresentavam sinais de fadiga, e os custos de manutenção estavam se tornando insustentáveis, sinalizando a necessidade urgente de substituição. Os F-5E, embora mais recentes e com potencial de modernização como demonstrado por programa realizados em outros países, também careciam de sistemas compatíveis com os padrões de quarta geração, como mísseis BVR do tipo AIM-120 AMRAAM ou radares multimodo. Reconhecendo essas limitações, a Força Aérea Brasileira (FAB) identificou a necessidade de adquirir pelo menos 50 aeronaves multimissão de quarta geração para substituir os Mirage IIIEBR e complementar os F-5E. Esse objetivo ganhou forma em julho de 2000, com a aprovação do Programa de Fortalecimento do Controle do Espaço Aéreo Brasileiro, que incluía o projeto FX BR como seu braço armado. Com um orçamento inicial de US$ 700 milhões, o programa previa a aquisição de 12 a 24 caças de superioridade aérea, capazes de operar em cenários de combate moderno e fortalecer o Sistema de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (SISDACTA). O Ministério da Defesa conduziu um meticuloso processo de análise técnica, avaliando propostas de fabricantes globais. Entre os concorrentes estavam caças de renome, como o Dassault Mirage 2000-5, o Lockheed Martin F-16C/D, o Sukhoi Su-30 e o Saab JAS 39 Gripen. Após rigorosa avaliação, uma lista final (short list) foi definida, destacando os modelos mais alinhados com os requisitos operacionais e orçamentários. Infelizmente, o ímpeto do programa FX BR foi interrompido em 2002, quando um novo governo assumiu o poder no Brasil. Apesar do financiamento externo garantido, que minimizava a necessidade de investimento imediato, a nova administração optou por cancelar o programa, priorizando a alocação de recursos para iniciativas sociais. Essa decisão, adiou a modernização da aviação de caça brasileira, deixando a Força Aérea Brasileira (FAB) dependente de vetores envelhecidos por mais uma década.

Apesar desta negativa, a premente necessidade de substituição e modernização, se fazia presente, e o comando do Ministério da Defesa imbuído da missão de fazer o máximo possível com o seu reduzido orçamento para  Aeronáutica, decidiu derivar por dois caminhos. O primeiro visaria a aquisição de dez a doze caças usados para a substituição dos Marcel Dassault Mirage IIIEBR - F-103E, com este programa somente atendindo e mesmo assim paliativamente em 2006 com a incorporação de interceptadores franceses usados Mirage 2000C RDI. O segundo caminho pautava um estudo voltado a aplicação de um processo de modernização de sua frota de caças Northrop  F-5E/F Tiger II, com este sendo profundamente influenciado no exitoso programa aplicado junto aos caças F-5E Tigres III chileno.  Nesse contexto, seria criado o Programa F-5BR, liderado pela Embraer S/A  em parceria com a israelense Elbit Systems, emergiu como uma iniciativa estratégica para modernizar a frota de F-5E/F, garantindo sua relevância operacional até o final da década de 2020. Em 30 de dezembro de 2001, o Comando da Aeronáutica (CoMaer)  aprovou um orçamento de US$ 285 milhões para o retrofit estrutural e modernização de 46 células – 43 F-5E e três F-5F –, redesignadas como F-5EM e F-5FM, respectivamente. A Embraer, em colaboração com a Elbit Systems, liderou o projeto, realizado no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMASP) e nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto (SP). O projeto trouxe inovações de quarta geração, alinhando os caças brasileiros aos padrões modernos de combate aéreo. Entre os principais avanços destacam-se: Radar Pulso Doppler Grifo F/BR (Grifo-X P2803): Fabricado pela Leonardo S.p.A., esse radar oferecia capacidade look-down/shoot-down, permitindo detectar e engajar alvos em baixa altitude contra o fundo do terreno, essencial para operações BVR. Cabine Modernizada: A instalação de três mostradores multifuncionais (MFD) coloridos, um Head-Up Display (HUD) e iluminação compatível com missões noturnas aprimorou a interface piloto-aeronave, aumentando a consciência situacional. Sistema de Comunicação: A adoção de rádios V/UHF digitais da Rohde & Schwarz, com enlace de dados, garantiu interoperabilidade com outras plataformas, em serviço na Força Aérea Brasileira (FAB) como os Embraer R-99 A/B (de alerta aéreo antecipado) e A-29 Super Tucano. Tecnologias de Quarta Geração: Incluíram o sistema de mira montado no capacete israelense DASH 4, que permitia aos pilotos direcionar mísseis com o olhar, um enlace de dados para compartilhamento de informações táticas, e o AACMI (Autonomous Air Combat Maneuvering Instrumentation), para simulação e avaliação de combates. O sistema de planejamento de missão e treinamento virtual de voo reforçou a preparação dos pilotos. Controle e Navegação: A introdução do sistema HOTAS (Hands On Throttle and Stick), dois computadores de alto desempenho e um sistema integrado de navegação INS/GPS aprimorou a precisão e a eficiência operacional. Sistemas de Autodefesa: As aeronaves receberam contramedidas eletrônicas (ECM), receptores de alerta radar (RWR) e lançadores de chaff e flare, aumentando a sobrevivência em ambientes hostis.
Além das atualizações tecnológicas, o programa incluiu uma revisão completa das células, reforçando a estrutura para estender a vida útil em cerca de 15 a 20 anos. Componentes críticos, como asas e fuselagem, foram inspecionados e reparados, garantindo a integridade das aeronaves para operações intensivas. Essa fase abrangeria também a padronização das aeronaves, que apresentavam diferenças entre si, pois foram fornecidas em dois lotes, incluindo também a instalação da sonda de reabastecimento em voo nas aeronaves recebidas em 1988.  Em 21 de fevereiro de 2001, as instalações da Embraer em São José dos Campos, São Paulo, receberam as duas primeiras aeronaves destinadas a servir como protótipos do Programa F-5BR: uma na versão monoplace (F-5E) e outra na biplace (F-5F). Essas células foram submetidas a extensos testes para validar as atualizações estruturais e tecnológicas previstas, que incluíam a integração de um radar Pulso Doppler Leonardo Grifo F/BR, aviônicos de quarta geração, mísseis BVR Rafael Derby e sistemas de autodefesa avançados. O primeiro voo do protótipo biplace, redesignado F-5FM, ocorreu em 4 de dezembro de 2003, seguido pelo voo do protótipo monoplace F-5EM em 16 de junho de 2004. Esses marcos demonstraram o progresso técnico do programa, que combinava a expertise da Embraer em modernização de aeronaves com a tecnologia de ponta fornecida pela Elbit Systems. Os testes de voo, realizados em colaboração com pilotos e engenheiros da Força Aérea Brasileira (FAB), confirmaram a eficácia dos novos sistemas, como o capacete DASH 4, o HOTAS (Hands On Throttle and Stick) e os mostradores multifuncionais (MFD), projetados para operações diurnas e noturnas. Em 21 de setembro de 2005, a FAB celebrou a entrega oficial da primeira aeronave modernizada, o Northrop F-5EM Tiger II de matrícula FAB 4586, em uma cerimônia realizada na Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul. Essa aeronave, alocada ao 1º/14º Grupo de Aviação (Esquadrão Pampa), tinha uma história singular: tratava-se da primeira célula F-5E produzida pela Northrop Aircraft Corporation, que realizou seu voo inaugural em 11 de agosto de 1972, na Base Aérea de Edwards, Califórnia. Para reforçar sua frota e compensar a baixa quantidade de aeronaves biplace, essenciais para treinamento, a Força Aérea Brasileira (FAB) negociou, em 2007, a aquisição de 11 caças usados da Real Força Aérea Jordaniana. O acordo incluiu oito unidades monoplace F-5E e três biplace F-5F, sendo a entrega das células biplace uma condição obrigatória para a concretização da compra. Enquanto os F-5F foram modernizados para o padrão F-5FM, integrando-se às operações do 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvC) e outras unidades, as células monoplace foram destinadas principalmente como fonte de peças sobressalentes, garantindo a sustentabilidade da frota modernizada.

A despeito do comprometimento exemplar da Embraer, da Elbit Systems e da Aeronáutica, o Programa F-5BR enfrentou desafios significativos, sobretudo em razão de limitações orçamentárias impostas ao Ministério da Defesa. Originalmente planejada para concluir a modernização de 46 aeronaves — 43 F-5EM e três F-5FM — até meados da década de 2000, a iniciativa sofreu adiamentos, culminando na entrega da última aeronave apenas em 2013. Esse marco representou a concretização de mais de uma década de esforços dedicados à revitalização da frota de caças. O processo de modernização dotou as aeronaves de um conjunto avançado de sistemas de armamento, ampliando significativamente suas capacidades operacionais. Entre os novos recursos, destacam-se os mísseis de curto alcance Python-4 e Piranha, bem como mísseis de longo alcance com capacidade de engajamento além do alcance visual (BVR). Além disso, foram incorporados kits para bombas inteligentes, como os modelos LGB e Lizard, compatíveis com as bombas MK-82 e MK-84. Complementando esses avanços, as aeronaves receberam pods israelenses de guerra eletrônica, incluindo o Rafael Skyshield e o Rafael Litening III, que possibilitam reconhecimento, designação de alvos por laser, infravermelho (IR) ou GPS. A introdução do Northrop F-5EM Tiger II modernizado elevou a Força Aérea Brasileira a um novo patamar de excelência operacional, equiparando-a às capacidades de aeronaves de quarta geração em cenários de combate moderno. A interoperabilidade das aeronaves F-5EM com outros vetores da Força Aérea Brasileira (FAB), como as aeronaves de alerta aéreo antecipado Embraer E-99, de sensoriamento remoto Embraer R-99, e de ataque Embraer A-29 ALX e A-1M AM, viabilizou a adoção do conceito de “ataque por pacotes”. Essa estratégia permite a integração de diferentes tipos de aeronaves em operações coordenadas, otimizando o desempenho em missões complexas. A modernização também propiciou o desenvolvimento de novas doutrinas operacionais, com ênfase no combate ar-ar em ambientes além do alcance visual. Essas capacidades foram frequentemente testadas em exercícios simulados contra os caças Dassault Mirage F-2000C do 1º Grupo de Defesa Aérea, demonstrando a robustez e a versatilidade do F-5EM. Este processo evolutivo seria coroado quando da participação do 1º/14º Grupo de Aviação - Esquadrão Pampa no prestigioso exercício multinacional RED FLAG no deserto de Nevada, realizado em junho de 2008 nos Estados Unidos. O Red Flag é um exercício avançado de emprego do poder aéreo, projetado para simular combates aéreos realistas em cenários de alta complexidade, com ameaças aéreas, antiaéreas e eletrônicas. A participação da FAB em 2008 marcou sua segunda presença no exercício. Neste momento seriam envolvidos seis caças F-5EM, realizaram cerca de 200 voos, totalizando 500 horas de treinamento, com uma média de 10 voos diários. Os caças F-5EM demonstraram robustez em combates BVR, coordenação com AWACS (aeronaves de alerta e controle), participando em  combates simulados contra aeronaves Boeing F-15E Eagle, Lockheed F-16C Falcon e Saab JAS 39 Gripen, obtendo excelentes resultados operacionais.
Em 12 de dezembro de 2010, o F-5EM passou a equipar também o 1º/4º Grupo de Aviação (1º/4º GAV), o Esquadrão Pacau, sediado inicialmente em Fortaleza (CE) e posteriormente transferido para a Base Aérea de Manaus (AM). Essa transição marcou um momento histórico para o esquadrão, que substituiu os veteranos jatos de treinamento avançado Embraer AT-26 Xavante, em serviço desde a década de 1970. O Xavante, embora robusto, era limitado em capacidades de combate moderno, e sua substituição pelo F-5EM elevou o Esquadrão Pacau à categoria de unidade de caça de primeira linha. A transferência para Manaus reforçou a presença brasileira na Amazônia, uma região estratégica para a defesa nacional, permitindo maior capacidade de resposta a ameaças aéreas e vigilância do espaço aéreo na fronteira norte. A modernização do Esquadrão Pacau com o F-5EM foi acompanhada por intensos esforços de treinamento, com pilotos e equipes de manutenção adaptando-se às novas tecnologias da aeronave. A interoperabilidade com outras plataformas, como o Embraer E-99 (AWACS) e o A-29 Super Tucano, fortaleceu a doutrina de operações combinadas, consolidando a Força Aérea Brasileira (FAB) como uma força preparada para cenários complexos. Em 2013, a enfrentou-se um novo desafio com a desativação precoce dos interceptadores Dassault Mirage 2000 B/C (F-2000), operados pelo 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), sediado na Base Aérea de Anápolis (GO). Adquiridos em 2005 como solução interina para substituir os Mirage IIIE/D, os F-2000 foram retirados de serviço antes do previsto devido aos altos custos de manutenção e à obsolescência de seus sistemas. Para preencher essa lacuna, o 1º GDA passou a ser equipado com os F-5EM Tiger II, que, apesar de menos especializados em interceptação de alta altitude, ofereciam versatilidade e confiabilidade para a defesa do espaço aéreo brasileiro, especialmente na proteção da capital federal. A transição para o F-5EM no 1º GDA exigiu ajustes operacionais, uma vez que o Mirage 2000 era otimizado para combates de alta velocidade e altitude, enquanto o F-5EM destacava-se em manobrabilidade e combates BVR. Contudo, os avanços do Programa F-5BR, como a integração de mísseis Derby e Python-4, garantiram que o F-5EM pudesse desempenhar missões de interceptação com eficácia. O 1º GDA manteve-se equipado com essas aeronaves até a entrada em serviço dos novos caças Saab JAS-39E Gripen F-39, cuja entrega inicial ocorreu em 2019, com plena capacidade operacional alcançada a partir de 2022.  A partir de 2021, as primeiras células do F-5EM começaram a ser desativadas do serviço ativo, refletindo o avanço da frota de Gripens e as prioridades de modernização. Esse processo marcou o início do ocaso de uma aeronave que, por mais de quatro décadas, foi a espinha dorsal da aviação de caça brasileira. Especula-se que a desativação completa do F-5EM ocorra até o final da década de 2020, encerrando uma trajetória marcada por conquistas operacionais e adaptações às limitações orçamentárias do Brasil.

Em Escala.
Para representarmos o Northrop F-5EM Tiger II “FAB "4834 “, empregamos o antigo kit da Monogram, na escala 1/48, que infelizmente apresenta suas linhas em alto-relevo, sendo na época a única opção disponível (hoje sem dúvida o novo modelo do fabricante AFV representa a melhor opção em termos de detalhamento e linhas em baixo relevo). Para adequarmos este modelo a versão brasileira, adicionamos itens como a barbatana dorsal confeccionada em plasticard , sonda de reabastecimento em voo ( peça em resina ), receptores de aviso de radar (RWR, e dispensers dos lançadores de chaff e flares. Para configurar o pacote de armamentos confeccionamos os misseis Rafael Derby em scratch e usamos os mísseis  Python III em resina confeccionados pela  Paragon Models. Utilizamos  decais pertencentes ao  conjunto Set 48/08 impresso pela  FCM Decals. 

O esquema de camuflagem aplicado aos Northrop F-5EM Tiger II modernizados pela Força Aérea Brasileira (FAB) reflete uma abordagem funcional e estratégica, projetada para otimizar a sobrevivência da aeronave em cenários de combate e adaptá-la às condições operacionais do Brasil. A pintura dos F-5EM utiliza tintas foscas para reduzir reflexos e melhorar a camuflagem. Após a modernização, as aeronaves receberam um revestimento anticorrosivo, essencial para operações em ambientes úmidos como a Amazônia. Existiram pequenas variações referentes a aplicação das marcações exclusivas das cinco unidades que empregam o modelo.

Bibliografia :
- Os Tiger Afiam suas Garras - Carlos Lorch - Revista Força Aérea Nº3
- Northrop F-5 Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Northrop_F-5
- História da Força Aérea Brasileira, Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Mike , um Novo Vetor de Armas – Jose Leandro P- Casella – Revista Força Aérea Nº 45
- Os F-5M da FAB – Defesa BR  http://www.defesabr.com/Fab/fab_f5br.htm

A-1B Embraer AMX Falcão

História e Desenvolvimento.
A Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A (Embraer), estruturada como uma estatal de capital misto em 19 de agosto de 1969, nasceu em um contexto de renovação e fortalecimento da indústria nacional, sendo incumbida de uma missão estratégica: produzir em série as primeiras aeronaves de transporte concebidas no Brasil. Esse desafio materializou-se no Embraer EMB-110 Bandeirante, em sua versão civil comercial, e no modelo militar C-95, ambos fundamentais para a consolidação da aviação regional e da capacidade de transporte da Força Aérea Brasileira (FAB). A primeira aeronave produzida em série, matriculada FAB 2133, foi oficialmente entregue  em 9 de fevereiro de 1973, marco que simbolizou o início de uma nova fase da aviação brasileira. Paralelamente ao atendimento de demandas militares, as versões civis do EMB-110 obtiveram ampla repercussão internacional. Destinadas ao transporte regional, essas aeronaves alcançaram expressiva aceitação no mercado externo, firmando contratos de exportação com operadores de diversas partes do mundo e tornando-se um dos pilares da reputação emergente da Embraer. O sucesso comercial do Bandeirante, aliado à confiança adquirida no setor aeronáutico, estimulou a diretoria da Embraer a buscar novos horizontes. A empresa passou a avaliar possibilidades de cooperação internacional que envolvessem pesquisa conjunta e, futuramente, transferência de tecnologia  elementos essenciais para a expansão de sua competência industrial. Nesse cenário, o primeiro acordo concreto foi firmado no início da década de 1970 com a empresa italiana Aeronautica Macchi SpA. O contrato previa a fabricação, sob licença, de mais de uma centena de unidades do avançado treinador a jato Aermacchi MB-326GB.Ainda que o acordo não contemplasse transferência tecnológica formal, a produção local do modelo — designado no Brasil como Embraer AT-26 Xavante  proporcionou à Embraer uma oportunidade crucial para dominar processos industriais relacionados à fabricação de aeronaves a jato de alto desempenho. Esse aprendizado se tornou um marco na evolução da companhia, estabelecendo fundamentos técnicos que suportariam projetos futuros de maior complexidade. À medida que o AT-26 Xavante demonstrava resultados positivos no âmbito da FAB, a Embraer direcionou esforços para explorar novos nichos operacionais. Entre as propostas avaliadas, destacou-se o desenvolvimento de uma versão monoplace do treinador, otimizada para missões de ataque ao solo. O conceito, conhecido internamente como Programa “AX”, foi submetido ao projetista-chefe Ermanno Bazzocchi, da Aeronautica Macchi, que reconheceu sua viabilidade operacional. Dessa colaboração emergiu o projeto da primeira aeronave concebida de forma conjunta entre Brasil e Itália, inicialmente denominada Embraer EMB-330. Embora promissor em termos técnicos e estratégicos, o projeto não obteve o apoio necessário do Ministério da Aeronáutica (MAer), que apresentou críticas às capacidades previstas para a aeronave. Diante dessa resistência institucional, a equipe de engenharia da Embraer iniciou estudos para aprimorar o EMB-330, concebendo diferentes variantes que buscavam superar as limitações identificadas. Contudo, tais iniciativas não ultrapassaram a fase preliminar de desenvolvimento, culminando na suspensão definitiva do programa.

O espírito de cooperação tecnológica e industrial entre Brasil e Itália, cultivado desde as primeiras iniciativas conjuntas na década de 1970, ganhou novo impulso em 1978. Naquele ano, uma comitiva de oficiais e comandantes da Força Aérea Brasileira (FAB) realizou uma visita oficial à Itália, ocasião que se revelaria decisiva para o futuro da aviação militar dos dois países. Durante as tratativas, a diretoria da Aeronáutica Macchi SpA apresentou ao grupo brasileiro um estudo preliminar da Aeronautica Militare Italiana (AMI), que buscava desenvolver uma aeronave subsônica de ataque a jato destinada a substituir tanto o Fiat G.91Y/R quanto o Lockheed F-104G/S Starfighter, empregado em missões de ataque ao solo, apoio aéreo aproximado e ataque naval. Ao analisar os requisitos operacionais delineados pelos italianos, os representantes brasileiros notaram uma semelhança marcante com os critérios previamente estabelecidos pelo Ministério da Aeronáutica (MAer) para o antigo projeto “AX”. Essa convergência de necessidades abriu espaço para uma oportunidade inédita: o desenvolvimento conjunto de uma nova aeronave de ataque, que pudesse atender simultaneamente às demandas estratégicas de ambos os países. A proposta italiana recebeu o aval do Ministério da Defesa e resultou na formação de uma parceria entre as empresas Aeritalia Aeronautica e Aeronautica Macchi SpA. Dessa colaboração emergiu o conceito de uma aeronave de ataque subsônica, designada “AMX” — sigla em que “A” representa Aeritalia, “M” remete a Macchi, e “X” simboliza seu caráter experimental e inovador. A distribuição equilibrada de competências industriais permitiria que cada empresa contribuísse com sua experiência técnica, consolidando um projeto de significativa complexidade. As negociações entre os governos do Brasil e da Itália evoluíram rapidamente, culminando na formalização da participação da Embraer S/A no consórcio. Coube à empresa brasileira a responsabilidade por um quarto do programa, incluindo parte dos investimentos e tarefas essenciais: o projeto e a fabricação das asas e da empenagem, além da condução dos testes de fadiga desses componentes estruturais. As empresas italianas assumiram os dois terços restantes, compreendendo o desenvolvimento da fuselagem, dos sistemas de bordo e a execução dos testes estáticos e de armamento. Apesar do entusiasmo inicial, o avanço do programa exigiu uma pausa temporária. Ajustes contratuais, questões processuais e alinhamentos técnicos demandaram cerca de seis meses adicionais, postergando o cronograma originalmente planejado. Esse período, embora desafiador, contribuiu para consolidar um entendimento mais preciso das responsabilidades e da integração industrial entre os três participantes. Em maio de 1980, durante a tradicional Feira Aeronáutica Internacional de Farnborough, na Inglaterra, o Ministério da Aeronáutica (MAer) reiterou publicamente seu compromisso com o desenvolvimento do AMX, reforçando a importância estratégica do programa para o Brasil. Finalmente, em 27 de março de 1981, o contrato oficial foi assinado entre os dois países, marcando o início formal da participação da Embraer S/A no projeto e estabelecendo as bases para uma das mais significativas iniciativas de cooperação aeronáutica internacional da história brasileira.
Após a conclusão dos ajustes contratuais entre Brasil e Itália, a participação da Embraer S/A no Programa AMX foi ampliada de 25% para 30%, enquanto as empresas italianas passaram a responder pelos 70% restantes. Esse novo arranjo redefiniu a distribuição de responsabilidades industriais, consolidando o papel estratégico da empresa brasileira no desenvolvimento da aeronave. À Embraer coube o projeto e a fabricação das asas, das tomadas de ar do motor, dos estabilizadores horizontais, dos pilones subalares  destinados ao transporte de armamentos  e dos tanques de combustível. Além dos componentes estruturais, o Brasil passou a integrar-se de forma mais profunda ao desenvolvimento dos sistemas do AMX, contribuindo para o projeto do trem de pouso, dos sistemas de navegação e ataque, dos comandos de voo e do controle de armamentos. A Embraer também assumiu a construção de dois protótipos destinados aos ensaios em voo e de um protótipo adicional voltado para testes de fadiga estrutural, todos avaliados em um extenso programa de provas conduzido em território nacional. Esse envolvimento direto representou um avanço significativo no amadurecimento tecnológico do país e reafirmou o valor da parceria internacional. O AMX  concebido como um caça-bombardeiro tático monomotor e monoposto foi projetado para executar missões de ataque com alta precisão, operando sob condições exigentes em cenários hostis. Para isso, a aeronave recebeu especial atenção em termos de robustez, confiabilidade e manutenção simplificada. O projeto incorporava soluções tecnológicas avançadas para sua época, como sistemas modernos de navegação e ataque, contramedidas eletrônicas, comandos de voo com “Augmentation System” e a configuração HOTAS (Hands On Throttle And Stick), que conferia ao piloto maior eficiência operacional ao concentrar controles essenciais na manete e no manche. Sua autonomia ampliada, com possibilidade de reabastecimento em voo, atendia plenamente às necessidades estratégicas de um país de dimensões continentais como o Brasil. A primeira maquete do projeto foi concluída em 1982, marcando a transição para a fase de detalhamento e fabricação. Quatro anos depois, teve início a construção dos quatro protótipos  dois na Itália e dois no Brasil. O primeiro protótipo italiano voou em 15 de maio de 1984, sob o comando do experiente piloto de testes Mario Quarantelli, da Aeritalia. A carreira inaugural do avião, contudo, foi marcada por um episódio trágico: durante o quinto voo, um acidente levou à perda da aeronave e à morte de Quarantelli, que, embora tenha conseguido ejetar-se, não resistiu aos ferimentos. Após uma breve interrupção, o programa foi retomado em novembro do mesmo ano com o segundo protótipo italiano. No Brasil, o primeiro protótipo  designado YA-1 e matriculado FAB 4200  realizou seu voo inaugural em 16 de outubro de 1985, nas instalações da Embraer em São José dos Campos, pilotado pelo engenheiro e piloto de ensaios Luiz Fernando Cabral. Um segundo protótipo brasileiro voaria pouco mais de um ano depois, em 16 de dezembro de 1986, ampliando o conjunto de aeronaves de testes necessárias à certificação e ao aperfeiçoamento do projeto. Em 1986, a primeira aeronave de produção em série do AMX foi oficialmente entregue à Aeronautica Militare Italiana (AMI), marcando o início da incorporação operacional do caça-bombardeiro. 

Ao longo dos anos seguintes, o novo modelo passou gradualmente a equipar seis grupos de ataque (Gruppo/Stormo), consolidando-se como um vetor relevante na aviação tática italiana durante a última fase da Guerra Fria e nos cenários que se seguiram. As versões italiana e brasileira do AMX foram concebidas a partir de um projeto básico comum, de configuração convencional, destacando-se pela asa alta com enflechamento de 27,5° no bordo de ataque  solução que oferecia boa estabilidade, robustez estrutural e desempenho adequado para missões de ataque em baixa altitude. O sistema de comando de voo adotava uma arquitetura híbrida: leme, spoilers, flaps e estabilizadores eram controlados por um sistema digital Fly-By-Wire (FBW) de dois canais, enquanto os ailerons e profundores permaneciam ligados a um conjunto hidráulico-mecânico tradicional. Essa combinação resultava de um equilíbrio cuidadoso entre modernidade e confiabilidade, garantindo à aeronave maior capacidade de sobrevivência em combate, uma vez que o piloto poderia manter o controle da aeronave mesmo em caso de falha ou dano no sistema FBW. A estrutura das células era predominantemente construída em ligas de alumínio, com peças críticas reforçadas em aço. Materiais compostos reforçados com fibra plástica foram empregados em áreas específicas  como painéis de acesso, seções da cauda, ailerons e no duto de ar da turbina refletindo o avanço gradual do uso de compósitos na indústria aeronáutica durante a década de 1980. O cockpit era equipado com um moderno Head-Up Display (HUD), integrado ao sistema HOTAS (Hands On Throttle And Stick), que aprimorava a interface homem-máquina e aumentava a consciência situacional do piloto durante missões de ataque. No total, foram produzidas 150 unidades da versão monoposto, sendo 110 entregues à Força Aérea Italiana (AMI) e 45 à Força Aérea Brasileira (FAB), com entregas realizadas entre 1989 e 1999. Embora compartilhassem a mesma base estrutural, as versões de cada país incorporaram características distintas, moldadas por suas respectivas necessidades operacionais e pelos diferentes cenários estratégicos em que seriam empregadas. A variante italiana foi projetada para operar no exigente perfil “Lo-Lo-Lo”, caracterizado por voos contínuos a baixa altitude sobre áreas hostis  estratégia indispensável diante das sofisticadas defesas antiaéreas soviéticas. Esse conceito limitava o raio de ação da aeronave a cerca de 335 km, mas privilegiava sua capacidade de penetração e sobrevivência. No Brasil, o contexto estratégico era distinto. Em um ambiente de defesa aérea menos complexo, a Força Aérea Brasileira (FAB) optou pelo perfil “Hi-Lo-Hi”, no qual o voo em baixa altitude ocorre apenas na fase terminal do ataque, preservando eficiência e autonomia. Para atender à exigência de alcance mínimo de 965 km, a versão brasileira foi configurada com dois tanques subalares adicionais de 1.100 litros solução que ampliava sua autonomia, mas reduzia a carga bélica útil disponível. Neste mesmo ano seria definida a produção de uma variante biplace, que passaria a ser designada como AMX-T, este modelo teria como função básica o treinamento e conversão de pilotos, mantendo ainda a capacidade de combate, tendo como limitante somente a redução no seu raio operacional, pois seu tanque de combustível central seria eliminado para ceder espaço ao segundo tripulante. 
Foram produzidos três protótipos que alçaram voo entre os anos de 1989 e 1990, sendo dois italianos e um brasileiro. O AMX contava ainda com um conjunto avançado de HUD integrado ao sistema HOTAS (Hands On Throttle And Stick), otimizando a interface entre piloto e aeronave. Ao todo, a produção do monoposto alcançou 150 unidades, sendo 110 destinadas à Força Aérea Italiana e 45 à Força Aérea Brasileira (FAB), entregues entre 1989 e 1999. As diferenças fundamentais foram incorporadas às versões de cada país, refletindo suas respectivas demandas operacionais. A variante italiana foi projetada para missões de ataque no perfil “Lo-Lo-Lo”, enfrentando as sofisticadas defesas antiaéreas soviéticas, com um raio de ação limitado a 335 km.  Já a versão brasileira foi configurada para operar em um cenário de defesa aérea menos avançado, adotando o perfil “Hi-Lo-Hi”. Para atender a uma autonomia mínima de 965 km, a variante brasileira exigiria dois tanques de combustível subalares adicionais de 1.100 litros, o que, por sua vez, reduziria sua capacidade de carga bélica útil. No final de ano de 2002, a Embraer S/A anunciou publicamente, que havia celebrado um contrato com a Força Aérea Venezuelana (FAV), para a venda de doze unidades de uma versão melhorada do AMX-T, com estas aeronaves sendo incorporadas com o objetivo de se substituir os antigos treinadores que deveriam substituir os treinadores T-2D Buckeye na Aviação Militar daquele pais caribenho. No entanto neste momento uma grave crise diplomática se desenvolvia junto ao governo dos Estados Unidos da América, culminando em uma série de embargos, entres estes figuraria um veto a esta negociação de fornecimento de aeronaves brasileiras, muito em função dos Embraer AMX-T fazerem uso de uma variada gama de componentes norte-americanos. O emprego dos AMX italianos durante a campanha dos Balcãs, clarificaria a necessidade de se  dotar o modelo de uma plena capacidade para operação em qualquer tempo. Este programa implementado pela  Força Aérea Italiana (Aeronáutica Militare Italiana - AMI) envolveria a modernização do sistema de navegação, instalação de nova tela multifuncional colorida compatível com sistema de visão noturna (NVG) e sistemas de comunicação com enlace de dados (data link).  A partir de fins da década de 1990, a participação do governo italiano, no projeto norte americano JSF (Joint Strike Fighter), definia o caça multifuncional  F-35 Lightning II, como futuro substituto do AMX entre os anos de 2015 e 2018. Assim, visando atender a este cronograma, a Força Aérea Italiana (AMI), definiu implementar um segundo programa de atualização, permitindo assim estender a operação da aeronave até o final da década de 2020. Este programa lograria o status de plena efetividade de sua aviação de ataque, evitando ainda aos pilotos italianos, uma exposição a lacunas tecnológicas abissais entre o modelo a ser retirado de serviço e seu novo vetor. Este programa seria conhecido pela sigla ACOL (Aggiornamento delle Capacità Operative e Logistiche – Melhoria da Capacidade Operativa e Logística), com o contrato sendo celebrado no ano de 2004 com a empresa nacional Leonardo S.p.A, no valor de US$ 390 milhões, envolvendo a modernização de cinquenta e duas aeronaves (quarenta e dois monopostos e dez bipostos). O primeiro protótipo alçaria voo em setembro de 2005, com as primeiras aeronaves operacionais sendo disponibilizadas em meados do ano seguinte, com este programa sendo concluído em 2012.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
A doutrina operacional da aviação de caça e ataque ao solo da Força Aérea Brasileira (FAB) teve sua gênese e consolidação durante a Campanha da Itália, no contexto da Segunda Guerra Mundial. Foi naquele teatro de operações que os pilotos brasileiros, voando os robustos caças-bombardeiros Republic P-47D Thunderbolt, realizaram mais de 2.500 surtidas de combate, sobretudo em missões de ataque tático e apoio aéreo aproximado, lançando as bases conceituais e práticas de uma força aérea de ataque moderna, eficaz e orientada para resultados em ambiente de guerra real. Nas décadas subsequentes, essa tradição forjada em combate foi preservada e gradualmente aperfeiçoada. A Força Aérea Brasileira (FAB) buscou manter sua capacidade de ataque por meio da adaptação de aeronaves originalmente concebidas para outras funções, como os Gloster F-8 Meteor e, posteriormente, os Lockheed AT-33. Embora essas plataformas tenham desempenhado papel relevante na manutenção da prontidão operacional e na formação de gerações de pilotos, sua utilização como vetores de ataque ao solo revelou limitações inerentes, tanto em termos de desempenho quanto de capacidade de emprego de armamentos e sensores, o que acabava por restringir a plena eficácia operacional da aviação de ataque. Consciente dessas restrições, o Ministério da Aeronáutica (MAer) empreendeu esforços consistentes para dotar a Força Aérea Brasileira (FAB) de uma aeronave especificamente projetada para missões de ataque tático, capaz de atender às exigências operacionais contemporâneas e futuras. Esses esforços culminaram no programa AMX, que representou um marco decisivo na modernização da Força Aérea Brasileira (FAB). A perspectiva de incorporar uma aeronave moderna, concebida desde sua origem para o ataque ao solo, despertou grandes expectativas entre os planejadores e comandantes da Força Aérea ao final da década de 1980. Com o objetivo de maximizar o potencial dessa nova capacidade, o Comando da Aeronáutica (COMAER) determinou a criação de uma unidade aérea de combate de primeira linha, dedicada exclusivamente à operação do AMX. Como resultado desse processo, em 22 de abril de 1988, foi ativado o 1º/16º Grupo de Aviação (1º/16º GAv) – Esquadrão Adelphi, sediado na Base Aérea de Santa Cruz (BASC), no Rio de Janeiro. A designação “Adelphi” foi escolhida em caráter simbólico e histórico, em homenagem aos pilotos do 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvC) – Esquadrão Jambock que tombaram em combate na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, reforçando o vínculo entre a nova unidade e a herança operacional da Força Aérea Brasileira (FAB). O Embraer AMX, desenvolvido em cooperação internacional, recebeu na Força Aérea Brasileira (FAB) a designação oficial A-1A. A primeira célula operacional destinada ao Brasil, registrada sob a matrícula FAB 5500, foi formalmente incorporada em 13 de outubro de 1989, durante cerimônia realizada no Rio de Janeiro. Na semana seguinte, teve início o programa de certificação operacional básica da nova aeronave, processo que se estendeu até julho de 1990, quando as operações aéreas regulares foram efetivamente iniciadas. A fase subsequente concentrou-se no desenvolvimento da doutrina operacional específica e no treinamento intensivo do pessoal envolvido, abrangendo pilotos, mecânicos e equipes de apoio. Esse esforço estruturante prolongou-se até agosto de 1990, quando o 1º/16º GAv – Esquadrão Adelphi alcançou o status de plena capacidade operacional, contando com pelo menos cinco aeronaves A-1A AMX em serviço ativo.

O processo de consolidação da unidade foi complementado com a introdução da versão de treinamento e conversão A-1B AMX, cuja primeira célula foi recebida em 7 de maio de 1992. A partir desse momento, a aeronave passou a desempenhar papel central na formação e conversão operacional dos pilotos, assegurando a continuidade e o amadurecimento da doutrina de ataque ao solo da Força Aérea Brasileira, agora apoiada em um vetor concebido especificamente para essa missão. O 1º/16º Grupo de Aviação (1º/16º GAv) – Esquadrão Adelphi, recém-ativado como unidade aerotática de primeira linha, recebeu como missões prioritárias o ataque a alvos de superfície, a interdição do campo de batalha e o apoio aéreo aproximado, atuando de forma integrada em suporte direto às unidades de manobra do Exército Brasileiro. Em caráter secundário, a unidade também foi capacitada para a execução de missões de bombardeio de maior alcance, ampliando o espectro de emprego da aviação de ataque.  Com a entrada em operação do Esquadrão Adelphi e do A-1 AMX, a Força Aérea Brasileira (FAB) recuperou plenamente sua capacidade de ataque ao solo, a qual havia sido gradualmente perdida em meados da década de 1970, após a desativação dos últimos bimotores de ataque Douglas A-26B e A-26C Invader. Até então, tais missões vinham sendo desempenhadas de forma limitada e adaptada por aeronaves originalmente concebidas para treinamento avançado, como os AT-33A, TF-33A e T-33A, seguidos, em uma fase posterior, pelos  AT-26 Xavante. Embora valiosas para a manutenção da doutrina e da capacitação de pessoal, essas plataformas não ofereciam as características ideais para o emprego pleno em cenários de combate moderno. Nesse contexto, o A-1A AMX representou um salto qualitativo sem precedentes. Tratou-se da primeira aeronave  a incorporar uma suíte completa de sistemas de autodefesa, englobando recursos passivos e ativos considerados de estado da arte à época de sua introdução. Entre esses sistemas destacava-se o RWR (Radar Warning Receiver), responsável por alertar o piloto quanto à detecção e rastreamento por radares inimigos. Esse equipamento operava de forma integrada com lançadores de contramedidas chaff e flare, eficazes contra mísseis guiados por radar ou infravermelho, além de um conjunto de contramedidas eletrônicas ativas (ECM – Electronic Counter Measures), aumentando significativamente a capacidade de sobrevivência da aeronave em ambientes hostis. Outra inovação decisiva introduzida pelo A-1A foi a adoção de computadores de missão dedicados ao ataque ao solo, capazes de empregar armamentos convencionais por meio dos modos CCIP (Continuously Computed Impact Point) e CCRP (Continuously Computed Release Point). Esses sistemas proporcionavam elevada precisão no lançamento de bombas não guiadas, conferindo ao AMX um desempenho significativamente superior ao dos então principais vetores de ataque, como os F-5E Tiger II e os  AT-26 Xavante. Adicionalmente, o A-1A/B apresentava baixa assinatura infravermelha e reduzida seção transversal ao radar, características que, associadas à robusta suíte de guerra eletrônica, resultavam em um elevado grau de sobrevivência no campo de batalha. Esses atributos consolidaram o AMX como um verdadeiro marco no processo de modernização da capacidade de ataque ao solo da Força Aérea Brasileira. À primeira vista, entretanto, esse complexo e variado pacote eletrônico representava um desafio significativo de adaptação para os jovens pilotos recém-formados nos jatos de treinamento analógicos AT-26 Xavante, operados pelo 1º/4º Grupo de Aviação – Esquadrão Pacau. 
A introdução da versão biplace A-1B AMX revelou-se, portanto, fundamental para o sucesso do programa. Ao permitir a conversão operacional em ambiente controlado, com a presença de um instrutor a bordo, o A-1B facilitou sobremaneira a transição tecnológica, contribuindo para a assimilação gradual e segura dos novos sistemas e para a superação do expressivo hiato tecnológico existente entre as aeronaves de treinamento avançado e o moderno vetor de ataque então incorporado.  Além de sua função primordial como plataforma de treinamento avançado e conversão operacional, o Embraer A-1B AMX manteve plena capacidade de emprego em missões de ataque ao solo e de reconhecimento estratégico, uma vez que suas células preservavam, em essência, as mesmas características operacionais e sistemas embarcados da versão monoplace A-1A. Essa versatilidade assegurou que o modelo biplace não fosse restrito ao ambiente instrucional, mas integrado de forma efetiva ao conjunto de meios de combate. A segunda unidade da Força Aérea Brasileira (FAB) a incorporar o Embraer A-1A/B  AMX foi o 3º/10º Grupo de Aviação (3º/10º GAv) – Esquadrão Centauro, que recebeu suas duas primeiras aeronaves monoplace em 15 de janeiro de 1998. À semelhança do que ocorrera anteriormente com o 1º/16º Grupo de Aviação (1º/16º GAv) – Esquadrão Adelphi, foi conduzido um programa intensivo de introdução da aeronave, abrangendo treinamento de tripulações, capacitação técnica e formação das equipes de apoio. Esse processo culminou com a declaração de operacionalidade da unidade no primeiro bimestre de 2000, consolidando a expansão do AMX como vetor estratégico. Coube aos A-1A e A-1B AMX do Esquadrão Centauro a realização da missão de maior duração já executada por aeronaves de ataque. Em maio de 2003, duas aeronaves decolaram da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e, com o apoio de três reabastecimentos em voo realizados por um Boeing KC-137, percorreram mais de 6.500 quilômetros, sobrevoando a região oeste do território nacional e a fronteira norte, até pousarem na Base Aérea de Natal. Essa operação demonstrou, de forma inequívoca, a capacidade de projeção de poder e de ataque estratégico, evidenciando sua aptidão para alcançar alvos em qualquer ponto da América Latina. A terceira unidade a receber o A-1A AMX foi o 1º/10º Grupo de Aviação (1º/10º GAv) – Esquadrão Poker, sediado em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. A primeira aeronave foi entregue em março de 1999, e a dotação completa da unidade foi alcançada no início de 2004, quando o esquadrão foi formalmente declarado operacional. Diferentemente das unidades anteriormente equipadas, o Esquadrão Poker teve como missão prioritária o reconhecimento tático do campo de batalha. Inicialmente, suas aeronaves foram equipadas com pods fotográficos nacionais Gespi e Vicon, capazes de realizar reconhecimento diurno, noturno e infravermelho. Em uma fase posterior, foram incorporados os pods israelenses RecceLite, tecnologicamente mais avançados, projetados para reconhecimento dedicado com múltiplos sensores, ampliando de maneira significativa a capacidade de coleta e análise de inteligência. Adicionalmente, o Esquadrão Poker recebeu a atribuição de atuar em missões de supressão das defesas aéreas inimigas (SEAD – Suppression of Enemy Air Defenses), com a perspectiva de empregar, no futuro, o míssil antirradição nacional MAR-1, então em desenvolvimento. Todavia, o programa não avançou além da fase de protótipo, o que acabou por privar a Força Aérea Brasileira (FAB). de um importante instrumento de dissuasão e negação do espaço aéreo adversário.

De forma singular dentro da estrutura, as aeronaves do 1º/10º GAv – Esquadrão Poker, quando empregadas em missões de reconhecimento, adotavam a designação operacional e a chamada de rádio RA-1, distinção que refletia o caráter específico e especializado dessas operações no âmbito da aviação de combate brasileira. O Embraer A-1A  AMX tornou-se a primeira aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) a participar do exercício multinacional Red Flag, um dos mais complexos e prestigiados treinamentos anuais conduzidos pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). A responsabilidade por essa histórica participação coube ao 1º/16º Grupo de Aviação (1º/16º GAv) – Esquadrão Adelphi, que deslocou 06 aeronaves, 22 pilotos e 68 militares para o exercício, realizado entre 24 de setembro e 4 de outubro de 1998, nas instalações da Base Aérea de Nellis, nos Estados Unidos. Para atender às exigências operacionais do Red Flag, a Força Aérea Brasileira (FAB) precisou promover uma significativa adaptação doutrinária e técnica, elevando o nível de proficiência de seus pilotos no emprego de novas ferramentas de planejamento, coordenação e execução de missões aéreas complexas. Até então, grande parte dos procedimentos operacionais,  ainda refletia conceitos herdados da experiência da Segunda Guerra Mundial, contrastando com a doutrina norte-americana do “ataque por pacotes” (strike packages). Esse conceito, desenvolvido durante a Guerra do Vietnã, na década de 1960, e amplamente consolidado nas décadas subsequentes, baseia-se na integração de múltiplos vetores — caça, ataque, supressão de defesas aéreas, reconhecimento e reabastecimento em voo  atuando de forma coordenada em um mesmo cenário operacional, modelo que se tornou padrão nas operações reais da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e de forças aéreas aliadas. O exercício Red Flag caracteriza-se por seu elevado grau de realismo e complexidade, exigindo interoperabilidade plena entre pilotos, aeronaves e sistemas pertencentes a diferentes esquadrões e forças aéreas. Nesse ambiente altamente desafiador, os Embraer A-1A AMX enfrentaram uma oposição simulada robusta, composta por caças norte-americanos de última geração, como o McDonnell Douglas F-15 Eagle, o General Dynamics F-16 Fighting Falcon e o Boeing F/A-18 Hornet, além de aeronaves de ataque modernizadas de forças aliadas, como os Northrop F-5E Tiger III da Força Aérea Chilena (FACH). A defesa adversária foi reforçada por sofisticados sistemas de guerra eletrônica que simulavam baterias de mísseis antiaéreos de origem russa, como os SA-6 e SA-3, bem como o sistema  francês de misseis terra ar Roland, criando um ambiente de ameaça comparável aos teatros de operações contemporâneos. Mesmo diante desse cenário extremamente hostil, as aeronaves e pilotos brasileiros demonstraram elevado grau de eficiência, precisão e capacidade de sobrevivência, realizando com êxito missões de infiltração em território inimigo simulado e alcançando padrões operacionais compatíveis com os das principais forças aéreas do mundo. A participação no exército multinacional  Red Flag representou um marco histórico na evolução doutrinária da Força Aérea Brasileira (FAB), consolidando sua capacidade de empregar o A-1A AMX em operações de ataque tático integrado, em cenários multinacionais complexos e de alta intensidade.
Em outra oportunidade, durante o exercício multinacional Operação Tiger I, pilotos de caças F-16 da Guarda Nacional Aérea dos Estados Unidos (ANG/USAF) manifestaram expressivos elogios ao desempenho da aeronave, destacando sua robustez, precisão e eficiência em missões de ataque. O reconhecimento foi tal que alguns desses pilotos chegaram a solicitar autorização para voar nos A-1B , evidenciando o respeito conquistado pela aeronave e pela aviação de ataque  no cenário internacional. Apesar de representar, à época de sua incorporação, um salto qualitativo expressivo na capacidade de ataque ao solo, os diferenciais tecnológicos do  A-1A/B   foram, de forma gradual e inevitável, sendo reduzidos pelo avanço acelerado das tecnologias aeronáuticas e dos sistemas de defesa aérea. A partir da segunda metade da década de 1990, a introdução de novos sensores, armamentos de precisão e aeronaves de combate mais modernas no cenário regional passou a superar as capacidades originais , diminuindo sua vantagem estratégica no contexto sul-americano. Ciente dessa nova realidade, o Comando da Aeronáutica (COMAER) iniciou, ainda no final daquela década, estudos aprofundados com o objetivo de avaliar alternativas viáveis para a modernização da frota de A-1A/B, de modo a preservar a relevância operacional do vetor no médio e longo prazos.  A intenção era implementar um programa de atualização abrangente, capaz de manter as aeronaves em serviço ativo até, pelo menos, meados da década de 2030, assegurando a continuidade de sua capacidade de ataque tático e reconhecimento. Um dos pilares desse programa consistia na adoção de uma suíte aviônica padronizada, compatível com aquela já selecionada para outros projetos estratégicos , como o A-29 e o F-5EM. Essa decisão visava não apenas à modernização tecnológica, mas também à padronização de hardware, software e sistemas de enlace de dados, promovendo ganhos significativos em termos de interoperabilidade, treinamento de pessoal e racionalização logística. A iniciativa foi consolidada em 2003, com a contratação da Embraer S.A. como principal responsável pela execução e gerenciamento do programa de modernização. Entretanto, entraves de natureza burocrática acabaram por retardar o avanço do projeto, tornando necessária uma renegociação contratual no final de 2006. Somente em 30 de maio de 2007 foi entregue a primeira aeronave A-1A, destinada a servir como plataforma de ensaios e referência técnica para o desenvolvimento das soluções de modernização. Em fevereiro de 2009, foi finalmente firmado um contrato no valor de US$ 157,6 milhões, prevendo a modernização de 43 aeronaves. O escopo do programa incluía uma ampla revitalização estrutural das células, com a substituição de componentes críticos e a incorporação de melhorias destinadas a prolongar a vida útil das aeronaves por aproximadamente 20 anos, além da atualização dos sistemas aviônicos e de missão. Todavia, em 2014, a Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC) anunciou a redução do número de aeronaves a serem modernizadas, decisão justificada pela necessidade de priorizar, a partir de 2015, projetos considerados estratégicos, como o Embraer KC-390 Millennium e o programa de aquisição dos caças Saab JAS 39 Gripen NG. Na sequência, um novo contingenciamento orçamentário resultou na suspensão temporária do programa de modernização por um período de 12 meses. Ao final desse processo, o escopo do projeto foi significativamente reduzido, ficando limitado à atualização de apenas 14 células, das quais três pertencentes à versão biplace A-1B, o que marcou profundamente os rumos finais do programa AMX no Brasil.

Em Escala.
Para representarmos o AMX A-1B “FAB 5653” empregamos o excelente kit em resina da escala 1/48 da Duarte Models, modelo este que apresenta um excelente nível de detalhamento e injeção para kits em resina. Utilizamos tanques subalares originais e bombas burras MK-83 do set Aircraft Weapons A da Hasegawa. Fizemos uso de decais confeccionados pela FCM Decals presentes no Set 48/08.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregado pelos Embraer A-1A e A-1B AMX, que passou a ser aplicado a partir do ano de 2003, apresentando ao longo dos anos pequenas variações em termos de detalhes ao que tange na identificação das unidades. As três células modernizadas mantiveram este mesmo padrão.

Bibliografia :
Revista ASAS nº20  AMX na FAB – Claudio Luchesi e Carlos Felipe Operti
Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
História da Força Aérea Brasileira , Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html