Unimog MB Série U (VTNE-VTE-CT)


História e Desenvolvimento.
Há mais de um século, os engenheiros alemães Gottlieb Daimler e Carl Benz revolucionaram a história da mobilidade ao desenvolverem, de forma simultânea, os primeiros automóveis motorizados funcionais. Suas contribuições pioneiras não se limitaram aos automóveis, abrangendo também a criação do primeiro ônibus, do primeiro caminhão movido a gasolina e do primeiro caminhão a diesel, marcos que transformaram a indústria automotiva global. Em abril de 1900, foi introduzido o motor “Daimler-Mercedes”, um propulsor simples, eficiente e de baixo custo, que viabilizou a produção em série dos primeiros veículos comerciais, consolidando a reputação de inovação da empresa. Durante a Primeira Guerra Mundial, a Daimler-Motoren-Gesellschaft (DMG) desempenhou um papel crucial no esforço de guerra alemão, fabricando veículos, componentes e motores de aviação. Contudo, o fim do conflito mergulhou a Alemanha em uma grave crise econômica, impactando severamente as vendas de veículos novos. Nesse cenário desafiador, apenas empresas com solidez financeira conseguiram sobreviver. Para enfrentar a crise, a DMG e a Benz & Cie uniram forças em 1926, combinando administração e expertise tecnológica, padronizando projetos, processos produtivos e estratégias comerciais. Embora inicialmente mantivessem suas marcas distintas, a fusão culminou na criação da Daimler-Benz AG, que adotou a icônica estrela de três pontas como logotipo, desenhada por Gottlieb Daimler. Cada ponta simbolizava a adaptabilidade dos motores da empresa aos três modais de transporte: terra, ar e mar. Na década de 1930, a recuperação econômica da Alemanha, aliada às demandas do programa de rearmamento do governo, impulsionou significativamente as vendas da Daimler-Benz. A empresa expandiu seu portfólio, passando a produzir não apenas automóveis e caminhões, mas também motores aeronáuticos, embarcações e componentes mecânicos, tornando-se um dos principais fornecedores estratégicos do regime nazista. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, as instalações industriais da Daimler-Benz, severamente danificadas por bombardeios, foram reconstruídas com o apoio de forças britânicas e norte-americanas, em um esforço para revitalizar a economia alemã. A reconstrução do país, devastado pelo conflito, gerou uma demanda crescente por veículos utilitários de diversos portes. Nesse contexto, a Daimler-Benz identificou uma oportunidade singular de mercado, consolidando sua posição como líder na produção de veículos, como os caminhões Mercedes-Benz MB L-319, que seria  oferecido em diversas configurações, incluindo caminhões de carga, furgões, chassis para ônibus e veículos especializados, o que o tornava extremamente versátil. O sucesso do MB L-319 no mercado Europeu deu origem à família de caminhões LP (Lastkraftwagen-Pulmann), que incluía modelos derivados com capacidades e configurações variadas, que  atenderiam às necessidades de transporte e logística de uma nação em recuperação.

Após o sucesso comercial de seus caminhões desenvolvidos na década de 1930, a Daimler-Benz AG obteve os recursos necessários para explorar novos segmentos de mercado, destacando-se a oportunidade no nicho de caminhões leves projetados para operar em qualquer terreno. No outono de 1945, Albert Friedrich, ex-chefe de design de motores de aeronaves da Daimler-Benz, idealizou um veículo robusto para uso agrícola, combinando características de trator e caminhão. Ele formou uma parceria com a Erhard und Söhne, uma empresa de siderurgia, para desenvolver o projeto. O objetivo era criar um veículo com tração nas quatro rodas, capaz de operar em terrenos difíceis, alcançar até 50 km/h (o dobro dos tratores da época) e suportar implementos agrícolas na dianteira e traseira, além de carregar cargas. Neste contexto o desenvolvimento do veículo incorporou tração traseira e tração dianteira comutável, com rodas de tamanho uniforme, permitindo maior velocidade em estradas em comparação aos tratores agrícolas convencionais. O design foi marcado por um chassi de escada flexível com saliências curtas, complementado por eixos de portal com tubo de torque central e links transversais. Essa configuração posicionava os pneus abaixo do centro do eixo, garantindo elevada distância do solo sem a necessidade de pneus de grandes dimensões, embora isso limitasse a capacidade de carga do veículo. A inovação no projeto permitiu um torque robusto, possibilitando um deslocamento angular do eixo de até 30°. Essa característica conferia aos pneus uma ampla gama de movimento vertical, permitindo ao veículo transpor terrenos extremamente irregulares, como pedregulhos de até um metro de altura, com conforto e estabilidade.  A largura de 1,27 m foi projetada para corresponder à distância entre fileiras de batatas, refletindo sua vocação agrícola. Nesse momento, nasceu o conceito do “Veículo de Aplicação Universal”, com o  primeiro protótipo, contudo ainda fazia uso de um  motor a gasolina, com 25 vc de potencia, uma vez que o motor a diesel estava em fase final de desenvolvimento. Em 1947, o motor diesel OM 636 da Daimler-Benz foi incorporado, e a produção em série começou em 1948 pela Boehringer, já que a Daimler-Benz estava inicialmente impedida pelos Aliados de produzir veículos off-road.  Em 20 de novembro do mesmo ano, seu nome comercial ‘Unimog” representando o acrônimo em alemão para "Universal-Motor-Gerät" que poderia ser interpretado em um contexto geral como dispositivo, máquina, instrumento, engrenagem e aparelho, criado por Hans Zabel foi oficialmente apresentado ao mercado durante a feira agrícola DLG em Frankfurt, onde o veículo recebeu 150 encomendas.
A produção em série do Veículo de Aplicação Universal, conhecido como Unimog, estava programada para iniciar em abril de 1947 na planta industrial da Boehringer Ingelheim na Alemanha . Essa decisão decorreu de dois fatores principais: a Erhard & Söhne GmbH, parceira no desenvolvimento, não possuía no momento a capacidade produtiva suficiente à época, e a Daimler-Benz AG enfrentava restrições impostas pelos Aliados no pós-guerra, que a impediam de fabricar veículos fora de estrada. Cumprindo o cronograma estabelecido, em maio de 1947, os primeiros Unimogs equipados com o confiável motor a diesel Daimler-Benz OM636 de 25 hp começaram a ser comercializados no mercado alemão. O Unimog rapidamente conquistou a confiança de agricultores, destacando-se por sua versatilidade e robustez em ambientes rurais. Suas qualidades excepcionais contribuíram significativamente para o aumento da produtividade agrícola na Alemanha, em um período crucial de reconstrução pós-guerra. Em 1951, com o fim das restrições aliadas, o Unimog passou a ostentar a estrela de três pontas da Mercedes-Benz, e a produção foi ampliada agora na planta de Gaggenau, e passaria ser incluso no portifólio de sua  rede de distribuição global. Essa transição permitiu a expansão da distribuição para mercados internacionais, impulsionando significativamente as vendas. Ao longo de sua primeira década, o Unimog passou por contínuas melhorias, evoluindo do modelo inicial Boehringer Unimog 70200, um caminhão agrícola com teto de lona, para versões mais sofisticadas. Em 1953, a série 401/402 introduziu opções de cabine fechada e aberta, produzidas pela Westfalia. Um marco nessa trajetória foi o lançamento da série S-404 em 1955, que introduziu uma maior distância entre eixos e um motor mais potente, ampliando sua versatilidade. Essa plataforma também serviu como base para a primeira variante militar moderna, projetada para reforçar sua capacidade de operação em terrenos desafiadores, característica essencial para aplicações militares.  Embora o Unimog não tenha sido concebido originalmente para fins militares, sua produção foi autorizada pelos Aliados sob a condição de que o veículo seria destinado exclusivamente a uso civil, especialmente agrícola. Essa restrição reflete o contexto do pós-guerra, mas não impediu que o Unimog se tornasse um ícone de inovação, combinando funcionalidade e adaptabilidade, e deixando um legado duradouro tanto no setor agrícola quanto, posteriormente, em aplicações militares. Em 1955, o Unimog S 404, projetado para uso militar, tornou-se um marco, com maior distância entre eixos e capacidade off-road excepcional. Esse modelo foi amplamente adotado por forças armadas, como as da Alemanha, França e Suíça, devido à sua robustez e versatilidade, permanecendo em produção até 1980. Durante esse período, o Unimog também ganhou melhorias, como motores mais potentes (de 25 cv para até 30 cv na série 411 em 1956) e transmissão sincronizada a partir de 1959. 

A partir de meados da década de 1950, o Unimog, originalmente concebido como um veículo agrícola versátil, começou a trilhar um novo caminho, consolidando-se como uma ferramenta indispensável no âmbito militar. Essa transição marcou um capítulo significativo na história desse ícone da engenharia automotiva, cuja robustez e adaptabilidade conquistaram a confiança de exércitos em todo o mundo. Em 1956, o Exército Suíço (Schweizer Armee) reconheceu o potencial do Unimog ao adquirir 44 unidades do modelo 70200, destinadas ao uso como tratores de engenharia de combate. O desempenho excepcional dessas máquinas em terrenos desafiadores impressionou as autoridades suíças, que, entusiasmadas, encomendaram mais de 500 unidades do modelo Unimog 2010. Esses veículos permaneceram em serviço até 1989, evidenciando a durabilidade e a confiabilidade que se tornariam sinônimos da marca Unimog. Na mesma década, durante o período de ocupação aliada na Alemanha pós-guerra, oficiais do Exército Francês (Armée de Terre) observaram de perto o desempenho operacional dos primeiros modelos do Unimog. Fascinados por sua versatilidade, os franceses conduziram estudos detalhados que culminaram, em 1957, na aquisição de mais de cem unidades dos modelos U-2010 e U-401. Esse contrato de exportação não apenas ampliou a presença do Unimog no mercado internacional, mas também chamou a atenção dos comandantes do Exército Alemão (Deutsches Heer). Por meio do comando das Forças Armadas (Bundeswehr), a Alemanha solicitou à Daimler-Benz o desenvolvimento de uma versão especificamente militarizada. O desafio era claro: criar um caminhão compacto, com capacidade de carga de 1,5 toneladas, capaz de transportar de 10 a 12 soldados totalmente equipados e atingir velocidades de até 90 km/h em terrenos regulares. Em resposta, a Daimler-Benz apresentou, em 1958, o Unimog 404, também conhecido como Unimog S. Após rigorosos testes de campo, o modelo foi aprovado e rapidamente se tornou um padrão entre os países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Entre 1955 e 1980, mais de 60 mil caminhões Unimog foram entregues, consolidando o modelo como um marco em veículos militares. Em 1962, a introdução do Unimog 406 marcou o início de uma nova geração de veículos, composta pelos modelos 403, 406, 413, 416, 419, 421, 426 e 431. Disponíveis com três diferentes distâncias entre eixos (2.380 mm, 2.900 mm e 3.400 mm), esses modelos foram equipados com os confiáveis motores a diesel de injeção direta OM 314 e OM 352, com potências variando entre 54 DIN-PS (40 kW) e 110 DIN-PS (81 kW). As versões mais leves, 421 e 431, compartilharam a motorização e o design de chassi da série 411, enquanto adotavam a cabine da série 406, garantindo maior conforto e funcionalidade.
Em 1975, a Daimler-Benz apresentou o Unimog Série 425, marcando a estreia do primeiro modelo pesado da família. Com a introdução de uma cabine avançada – um elemento de design que permanece emblemático até os dias atuais –, o Unimog reforçou sua capacidade de atender às exigências de setores civis e militares com uma combinação única de inovação, robustez e versatilidade. Esse marco simbolizou o compromisso da Daimler-Benz em desenvolver um veículo que não apenas superasse desafios técnicos, mas também se adaptasse às demandas de um mundo em constante transformação, consolidando o Unimog como um ícone da engenharia automotiva. No entanto, a primeira metade da década de 1980 trouxe desafios significativos, com uma queda nas vendas que testou a resiliência da linha Unimog. Em resposta, a Daimler-Benz lançou o “Unimog-Program 1988”, uma iniciativa estratégica que introduziu as séries 407 (Leve) e 417 (Média), projetadas para substituir as variantes mais antigas derivadas do Unimog 406. Essas novas versões refletiram a determinação da montadora em manter a relevância do Unimog, adaptando-o às necessidades contemporâneas e assegurando sua competitividade no mercado global. Mesmo diante desses desafios comerciais, o Unimog continuou a desempenhar um papel vital em forças armadas ao redor do mundo, demonstrando sua extraordinária versatilidade. Utilizado em funções que incluíam transporte de tropas, tração de artilharia, ambulâncias, cisternas, combate a incêndios, abastecimento de combustível, unidades de socorro e centros de comando móveis equipados com sistemas avançados de comunicações militares ou guerra eletrônica, o Unimog provou ser uma ferramenta indispensável. Um exemplo notável é a versão 419, amplamente adotada pelo Exército dos Estados Unidos (US Army) e pelo Corpo de Fuzileiros Navais (US Marine Corps) para operações de guerra eletrônica, destacando a capacidade do veículo de se adaptar às demandas mais exigentes. A relevância global do Unimog é evidenciada por sua adoção por forças armadas de países como Argentina, África do Sul, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Hungria, Irlanda, Indonésia, Portugal, Finlândia, Lituânia, Letônia, Nova Zelândia, Grécia, Chile, Bolívia, México, Mongólia, Paquistão, Turquia, Rodésia, Cingapura, Alemanha, França, Suíça, Suécia, Luxemburgo e China. A Argentina, em particular, destacou-se como pioneira ao fabricar o Unimog fora da Alemanha, com a produção realizada na planta da Mercedes-Benz Argentina S.A., em González Catán, nos arredores de Buenos Aires, até o final de 1968. Nas décadas de 1990 e 2000, o Unimog continuou a evoluir, com o desenvolvimento de novas versões que elevaram a produção total a mais de 300 mil unidades até 2022. Em 2003, a linha de montagem foi transferida para a moderna fábrica de Wörth am Rhein, na Alemanha, pertencente à Mercedes-Benz-LKW-Montagewerk. Essa mudança possibilitou a introdução de modelos atualizados, equipados com cabines redesenhadas e motores que atendem aos rigorosos padrões de emissões do programa Euro VI. 

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
A história de colaboração entre a Mercedes-Benz do Brasil S/A e as Forças Armadas Brasileiras começou a ser escrita em maio de 1959, com a assinatura de um marco histórico: o primeiro contrato para o fornecimento de caminhões militarizados, modelos MB LP-321 e MB LP-331, equipados com tração 4x2 e 4x4. Esse acordo inicial abriu as portas para uma relação de confiança e sinergia que, ao longo das décadas, se estenderia ao Exército Brasileiro, à Marinha do Brasil e à Força Aérea Brasileira (FAB). Nos anos seguintes, mais de mil veículos foram entregues, atendendo às necessidades logísticas das três forças com notável eficiência e robustez, solidificando a reputação da Mercedes-Benz como parceira indispensável. Embora os modelos MB LP-321 e LP-331 com traçao 4X2 e 4X4 tenham desempenhado suas funções com competência, suas limitações operacionais, decorrentes de um projeto que já se tornava obsoleto, começaram a se manifestar no contexto militar. A ausência de opções nacionais que atendessem às demandas por veículos especializados, equipados com carrocerias específicas para tarefas como combate a incêndios ou operações táticas, levou o Ministério da Aeronáutica (MAer) a buscar soluções no mercado internacional de defesa. Esse movimento marcou o início de uma nova fase na modernização da frota da Força Aérea Brasileira (FAB), com o Unimog emergindo como protagonista. Em 1959, o comando de material do Ministério da Aeronáutica iniciou estudos para a aquisição de um lote de caminhões configurados como veículos bombeiros, destinados a substituir modelos obsoletos herdados da Segunda Guerra Mundial. Após uma análise detalhada das opções disponíveis no mercado nacional, ficou evidente que os veículos produzidos localmente não atendiam às especificações exigidas para operações em bases aéreas. Assim, a Força Aérea Brasileira (FAB) voltou sua atenção para fabricantes europeus, e a proposta da Mercedes-Benz AG destacou-se com o modelo Unimog Série S-404 na configuração bombeiro. As negociações culminaram na celebração de um contrato para o fornecimento de trinta caminhões Unimog S-404, com entregas iniciadas em meados de 1962. O desempenho excepcional desses veículos em operações reais logo conquistou elogios dos operadores, que reconheceram sua robustez, versatilidade e capacidade de atuar em condições adversas. Esse sucesso inicial abriu caminho para a aquisição de novos lotes nos anos seguintes, agora contemplando configurações adicionais, como Posto de Controle de Rádio, Posto de Radar e transporte de pessoal. Esta última versão foi especialmente destinada aos Batalhões de Infantaria da Aeronáutica (BInfA), reforçando a capacidade operacional da Força Aérea Brasileira (FAB)  em missões táticas e de apoio. Durante a década de 1980, a FAB intensificou o uso do Unimog, adquirindo novos lotes nas versões bombeiro e de transporte geral. Esses veículos tornaram-se peças-chave em bases aéreas, onde sua capacidade de operar em terrenos difíceis e sua adaptabilidade a diferentes funções foram fundamentais. Os Unimogs permaneceram em serviço ativo até 2008, desempenhando papéis cruciais em operações logísticas, combate a incêndios e apoio às atividades de vigilância e segurança aérea.

O desempenho excepcional dos modelos Unimog S-400 e S-404, especialmente em terrenos fora de estrada, quando empregados pelos Batalhões de Infantaria da Aeronáutica (BInfA), despertou o interesse do comando da Diretoria de Material do Exército Brasileiro. Essa confiança inicial pavimentou o caminho para a integração do Unimog às operações do Exército, marcando uma parceria duradoura com a Mercedes-Benz. Em 1967, após negociações conduzidas com agilidade e precisão, o Exército Brasileiro celebrou um contrato para a aquisição de vinte caminhões Unimog na configuração básica de transporte de carga e pessoal. Esses veículos foram entregues no início daquele ano e destinados ao 22º Batalhão Logístico Leve (2ª Cia L Mnt) – Batalhão Coronel Amadeu de Paula Castro, sediado em Barueri, São Paulo. A robustez e a capacidade off-road do Unimog rapidamente se provaram em operações, conquistando a confiança dos militares que dependiam de sua versatilidade para cumprir missões em terrenos desafiadores. O sucesso inicial levou à ampliação da frota. No ano seguinte, em 1968, mais quarenta caminhões Unimog foram incorporados, distribuídos entre batalhões de logística e infantaria do Exército. A performance excepcional desses veículos, capaz de operar em condições extremas, culminou na encomenda de novos lotes, agora destinados aos Grupos de Artilharia de Campanha de Selva (GAC Sl). Nessas unidades, os Unimogs assumiram a crucial tarefa de tracionar e transportar morteiros pesados de 120 mm, demonstrando sua capacidade de suportar cargas exigentes em ambientes como a Amazônia, onde a mobilidade é um desafio constante. Na década de 1980, o Unimog continuou a se destacar como peça-chave nas operações do Exército Brasileiro. Em 1980, mais oitenta unidades foram adquiridas para equipar os Grupamentos de Artilharia Leve de Campanha (GAC L). Nessas unidades, os Unimogs foram responsáveis por tracionar os modernos obuseiros leves Oto Melara M-56 de 105 mm, reforçando a capacidade de mobilidade e resposta rápida das forças de artilharia. A habilidade do Unimog de operar em terrenos acidentados e sua durabilidade sob condições intensas de uso solidificaram sua reputação como um veículo indispensável. Em 1992, o Exército Brasileiro deu um passo significativo rumo à modernização de suas comunicações com a implementação do Sistema Tático de Comunicações (SISTAC). Esse sistema, projetado para apoiar o comando e controle de tropas em operações, exigia veículos capazes de transportar shelters equipados com uma rede integrada de comunicação digital multisserviços. Esses shelters proporcionavam serviços de voz e dados, em claro e criptografados, além de interfaces com redes externas e sistemas de rádio convencionais. Para essa missão crítica, o Unimog 100L/38 foi selecionado, destacando-se por sua robustez e capacidade de operar em ambientes operacionais complexos. A partir de 1998, os Unimogs 100L/38 começaram a equipar o 1º Batalhão de Comunicações, localizado em Santo Ângelo, Rio Grande do Sul. Durante a década de 1990, o modelo Unimog 1300L/38 tornou-se o mais comum da família em serviço no Exército Brasileiro, consolidando sua presença em diversas unidades devido à sua versatilidade e confiabilidade. Em 2010, um lote final de seis unidades foi incorporado ao 1º Grupo de Artilharia de Campanha de Selva (GAC Sl), baseado em Marabá, Pará. 
No final da década de 1980, a Marinha do Brasil consolidou-se como o terceiro pilar das Forças Armadas Brasileiras a integrar a família Unimog em suas operações, marcando um capítulo significativo na história desse veículo icônico. Esse processo teve início com a abertura de uma concorrência destinada à aquisição de mais de cem caminhões leves com tração 4x4, projetados para atender às necessidades do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Entre as diversas propostas apresentadas, a da Mercedes-Benz AG destacou-se, refletindo a liderança global da montadora no segmento de veículos off-road. Em 1989, foi celebrado um contrato para o fornecimento de 148 caminhões Unimog, configurados em versões variadas para atender às demandas operacionais do CFN. Os modelos adquiridos incluíam Transporte Não Especializado (TNE), TNE com guincho, Transporte Especializado (TE) Frigorífica, Munk (guincho hidráulico), Cisterna Água, Cisterna Combustível e Especial Socorro. Todos compartilhavam a robusta plataforma do Unimog U2150, equipada com o confiável motor diesel MB OM 366 LA, de seis cilindros em linha, com injeção direta, turbocompressor e refrigeração a ar. Essa configuração garantia não apenas potência, mas também a durabilidade necessária para enfrentar os desafios impostos pelas operações dos Fuzileiros Navais. Em dezembro de 1999, o primeiro lote de 39 viaturas Unimog foi recebido, com as unidades restantes entregues em lotes subsequentes até 2003. Essas Viaturas Operativas 5 Toneladas 4x4 tornaram-se rapidamente indispensáveis, desempenhando papéis cruciais como meios de apoio ao combate e de serviços de suporte. Sua versatilidade conferiu mobilidade essencial aos Grupamentos Operativos de Fuzileiros Navais, permitindo o transporte eficiente de tropas, equipamentos e suprimentos em terrenos variados, desde áreas urbanas até regiões de difícil acesso. A presença do Unimog no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) reforçou a capacidade operacional da Marinha, garantindo que os Fuzileiros Navais estivessem preparados para responder com agilidade e eficiência às mais diversas missões. A robustez do veículo, aliada à sua capacidade de operar em condições adversas, tornou-o um parceiro confiável para os militares que dependiam de sua performance em situações críticas. Um dos momentos mais marcantes da história do Unimog no CFN foi sua participação na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), iniciada em 2004 sob a liderança da Organização das Nações Unidas (ONU). Após receberem no Brasil o esquema de pintura com marcações das forças de paz da ONU, cerca de 40 caminhões Unimog, nas configurações Transporte Não Especializado (TNE), Cisterna Água e Cisterna Combustível, foram enviados ao Haiti. Esses veículos destacaram-se pela sua capacidade de operar nas estreitas ruas da periferia de Porto Príncipe, onde seu porte compacto e tração 4x4 foram fundamentais para garantir mobilidade em um ambiente urbano desafiador. Os Unimogs alocados à MINUSTAH operaram em um sistema de rodízio, com veículos sendo enviados ao Brasil para manutenções de grande porte e substituições, garantindo a continuidade das operações. Sua performance em terreno haitiano recebeu elogios unânimes, destacando-se como um pilar logístico que apoiou as tropas brasileiras em suas missões de paz, desde o transporte de suprimentos até o fornecimento de água e combustível em áreas de conflito.

O desempenho excepcional dos caminhões Unimog U2150 e U1300L no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil consolidou a confiança na família Unimog como um pilar de mobilidade e suporte operacional. Em 2010, a Marinha efetivou a aquisição de 150 novos veículos, divididos entre os modelos Unimog 4000 e Unimog 2450L com tração 6x6, este último configurado como Veículo de Socorro sob Rodas. Essa aquisição reforçou a capacidade do CFN de responder com agilidade e eficiência às demandas de suas forças de deslocamento rápido, marcando mais um capítulo na história de parceria entre a Marinha e a Mercedes-Benz. As quatro viaturas Unimog 2450L destacaram-se por sua configuração avançada, equipadas com o moderno motor diesel MB OM 336 LA Turbo, de 240 hp, combinado a uma transmissão UG 3/65 completamente sincronizada, com oito marchas à frente e oito à ré. A suspensão independente nas seis rodas, eixos rígidos com versão pórtico (contramarcha de roda), bloqueadores diferenciais em todos os eixos, molas helicoidais e amortecedores garantiam desempenho excepcional em terrenos desafiadores. O sistema de acionamento dos eixos traseiros, com diferencial longitudinal, e do eixo dianteiro, com bloqueio longitudinal e transversal conectável em movimento, conferia versatilidade operacional única. Complementando essas características, as viaturas contavam com um sistema hidráulico de guincho e guindaste, integrados a uma carroceria metálica fabricada pela renomada Fahrzeugwerk Bernard Krone GmbH & Co., da Áustria, especializada na conversão de versões militares do Unimog. No Corpo de Fuzileiros Navais, os Unimogs, especialmente na configuração de Veículo de Socorro sob Rodas, tornaram-se fundamentais para o apoio às forças de deslocamento rápido. Sua missão principal era o resgate e a manutenção de viaturas em operações, garantindo a continuidade das missões em cenários exigentes. A robustez e a capacidade off-road desses veículos asseguraram um elevado índice de disponibilidade, permitindo que o CFN respondesse prontamente a qualquer eventualidade, desde operações em áreas urbanas até missões em terrenos acidentados, como os encontrados em regiões de fronteira ou na Amazônia. A aquisição dos Unimogs trouxe vantagens significativas para a logística do CFN, simplificando o transporte de equipamentos, o resgate de veículos avariados e o suporte às operações táticas. Para os Fuzileiros Navais, esses caminhões não eram apenas ferramentas, mas aliados confiáveis que fortaleciam a capacidade de projeção de força e a prontidão operacional, refletindo o compromisso da Marinha com a excelência em suas missões. Apesar do sucesso operacional, a natureza importada dos Unimogs trouxe desafios logísticos, particularmente relacionados à importação de peças de reposição de uso frequente. Atrasos nesses processos impactavam os índices de disponibilidade da frota, uma preocupação compartilhada pelas três Forças Armadas Brasileiras, que também operavam o Unimog naquele período.
Reconhecendo a necessidade de uma solução sustentável, em 2016, o Centro de Coordenação da Marinha (CCEMSP) lançou um programa inovador de nacionalização de componentes, em parceria com indústrias automotivas brasileiras. Um dos focos principais desse programa foi o sistema de freios, especificamente discos e pastilhas, que anteriormente dependiam do exclusivo padrão militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A produção nacional desses componentes trouxe benefícios significativos, reduzindo o tempo de aquisição, aumentando a flexibilidade logística e diminuindo os custos de manutenção. Essa iniciativa não apenas resolveu um gargalo crítico, mas também reforçou a autonomia do Brasil na manutenção de sua frota militar, garantindo maior prontidão operacional. O envelhecimento natural da frota de caminhões Unimog nas Forças Armadas Brasileiras, ao longo das décadas, trouxe desafios significativos para a manutenção da capacidade operacional no segmento de veículos especializados. A redução gradual da disponibilidade desses veículos, devido ao desgaste e à obsolescência, impactou a prontidão das forças, exigindo soluções inovadoras para atender às demandas logísticas e táticas. No início da década de 2010, o Exército Brasileiro e a Marinha do Brasil buscaram alternativas para mitigar esse problema, adotando medidas paliativas que incluíram a aquisição de caminhões militarizados produzidos nacionalmente pela Mercedes-Benz e pela Volkswagen. No Exército, essa transição resultou na desativação de grande parte da frota Unimog, com muitas unidades sendo leiloadas e adquiridas por colecionadores e entusiastas, que reconheceram o valor histórico e técnico desses veículos icônicos. Enquanto o Exército Brasileiro gradualmente substituiu seus Unimogs, a Marinha do Brasil optou por reforçar sua frota com uma nova aquisição, reafirmando a confiança na versatilidade e robustez da família Unimog. Em 24 de novembro de 2020, a Marinha formalizou um contrato com a Daimler Truck AG, da Alemanha, para a compra de 90 caminhões Unimog 5000, com entregas previstas em sete lotes, a serem concluídas até 2027. Cada lote foi acompanhado por peças sobressalentes, literatura técnica e programas de treinamento para os militares do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), garantindo a plena integração e manutenção das viaturas. Esses Unimogs, considerados o estado da arte em veículos militares, foram projetados para operar em qualquer terreno, com destaque para sua adequação às operações anfíbias, uma capacidade essencial para as missões do CFN. Os Unimogs 5000 adquiridos pela Marinha foram configurados em versões específicas para atender às diversas necessidades operacionais, incluindo transporte de tropas e material, cisternas de água e combustível, munk frigoríficas e basculantes. Sua robustez e capacidade off-road tornaram-nos aliados indispensáveis para as operações anfíbias, permitindo o transporte eficiente de suprimentos e pessoal em ambientes desafiadores, desde áreas urbanas até terrenos alagados ou acidentados. Em janeiro de 2022, as primeiras 12 viaturas foram recebidas, com cinco delas destinadas ao Sistema Integrado de Comando e Controle da Marinha do Brasil (SIC2MB). Essas unidades desempenham um papel crucial como plataformas para atividades de Guerra Eletrônica (GE) e de Comando e Controle (C2), integrando o programa estratégico ProAdsumus. Esse programa visa fortalecer a capacidade expedicionária da Marinha, ampliando as competências da Brigada Anfíbia, nucleada na Força de Fuzileiros da Esquadra, além de apoiar os Batalhões de Operações Ribeirinhas, os Grupamentos de Fuzileiros Navais e os Batalhões de Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica. A presença dos Unimogs no SIC2MB reforça a capacidade da Marinha de coordenar operações complexas, garantindo comunicação segura e mobilidade tática em cenários exigentes. Embora a frota de Unimogs no Exército Brasileiro tenha sido reduzida, algumas unidades permanecem em operação, especialmente em missões especializadas onde sua versatilidade ainda é valorizada. 

Em Escala.
Para representarmos o Unimog U-1300L "CFN 34324886” fizemos uso do kit Revell na escala 1/35, modelo este de boa qualidade, onde somente apresentamos ressalva aos pneus que são em borracha e devem ser substituídos por similares em resina. Empregamos decais presentes no set " Forças Armadas Brasileiras" impressos pela Decals e Books em conjunto com decais produzidos pela Eletric Products, para assim compor este padrão de identificação representado no modelo.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura dos veículos empregados nas missões das forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), como este padrão sendo removido após o retorno dos veículos ao Brasil. Cada uma das três forças armadas brasileiras aplicou em sua frota de caminhões Unimogs, esquemas de pintura táticos idênticos aos utilizados em seus veículos de transporte.

Bibliografia : 

 - Unimog  - Wikipedia http://pt.wikipedia.org/wiki/Unimog 

- Unimog - Alle Modelle Seit 1948 - Peter Schneider - Ed Motor Buch Verlag 

- Unimog no Corpo de Fuzileiros Navais - Expedito Carlos S. Bastos - http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/U2450L.pdf 

- PROADSUMUS - Marinha do Brasil adquire novas viaturas para o CFN - https://www.defesanet.com.br/ 

- Marinha recebe novos Unimog – Tecnologia & Defesa https://tecnodefesa.com.br/ 

Submarinos Classe Humaitá - Oberon

História e Desenvolvimento.
Durante a Segunda Guerra Mundial a Marinha Alemã (Kriegsmarine), faria uso com extremo êxito de diversas classes de submarinos, que muitas vezes superavam em desempenho e tecnologia seus similares aliados. Estes resultados influenciariam decisivamente os projetos de submarinos de todas as potências militares logo no período pós-guerra, com estes agregando muito de suas características básicas. A Marinha Real Britânica (Royal Navy) detentora de grande tradição naval logo se esforçaria no desenvolvimento de novas classes de submarinos que pudessem principalmente rivalizar com a nova geração de navios soviéticos. Entre os diversos submarinos construídos neste período, destacava-se a classe Porpoise, que teria seu projeto e principalmente  desing baseados no revolucionário Ubot Tipo XXI. Os submarinos da classe Porpoise eram maiores, mas mais curtos que seus antecessores da classe T e usavam uma liga aço muito melhorada conhecido como UXW. Seu desing aprimorado permitiria um mergulho muito mais profundo, proporcionando ainda autonomia prolongada em termos de dias de imersão, graças a sistemas de recirculação e limpeza de ar muito melhorados. Os primeiros barcos da classe Porpoise seriam lançados a partir de 1956 durante a ameaça crescente da frota de submarinos da União Soviética. Apesar de contar com apenas oito navios construídos e operacionais, seu excelente desempenho iria ajudar a equilibrar a balança do poder naval na Europa durante a primeira fase da Guerra Fria. Apesar destas características positivas, seu intensivo emprego durante missões reais de patrulha de longo curo, era notório que melhorias deveriam ser implementadas a médio prazo, com a finalidade de rivalizar as novas classes de submersíveis soviéticos. Para o atendimento desta demanda a partir de 1955, uma nova classe seria desenvolvida, sendo batizada como “Oberon”, tomando como base o projeto dos submarinos da classe Porpoise. Estes novos navios apresentavam as dimensões da classe anterior, com 89,9 metros de comprimento, 8,7 metros de boca e 5,48 metros de calado, incluindo pequenas alterações em seu desing visando favorecer a força e a furtividade do submarino. Em vez de aço UXW empregado na classe Porpoise, seu casco foi construído a partir de aço QT28, que era mais fácil de fabricar e mais forte. Em sua construção seriam empregados compostos de plástico reforçado com vidro para uso na construção do invólucro frontal, permitindo assim que o submarino mergulhasse mais fundo. 

Todo este projeto seria desenvolvido inaugurando o conceito de “one man control”, no qual apenas um homem manobrava a embarcação em rumo e profundidade, com controles semelhantes aos de um avião, sendo considerado neste contexto um dos projetos mais modernos de submarinos do tipo convencional do mundo. Esta nova classe de submarinos faria uso do sistema de propulsão diesel-elétrica, com baterias de chumbo-ácido, responsáveis por fornecer energia quando os motores não podiam ser empregados. Contava ainda com dois motores diesel V-16 Admiralty Standard Range (ASR1 16VMS), cada um operando um gerador elétrico de 1280 kW 880-V, fornecendo energia diretamente para os dois motores elétricos de 3.000 cavalos de potência de freio (2.200 kW), diretamente conectados a cada hélice, ou para carregar baterias. Os motores diesel só podiam ser operados com ventilação externa, mas isso poderia ser obtido na superfície ou quando rasamente submerso pelo uso de dois snorkels, que podiam ser levantados da barbatana, repetindo o ciclo de retirada para o ambiente externo dos gases de escape dos motores e renovação do ar fresco pela embarcação através do sistema de ventilação. Com seu principal emprego visava o combate antissubmarino, os navios desta nova classe seriam originalmente armados com oito tubos de torpedo de 533,4 mm, sendo seis tubos na proa e dois tubos curtos para defesa antissubmarino na popa. A carga padrão deveria compreender uma carga de vinte torpedos para os tubos dianteiros; uma mistura de armas do tipo Mark 24 Tigerfish e Mark 8, enquanto apenas os dois torpedos Mark 20S pré-carregados seriam transportados para os tubos de popa. Alternativamente minas poderiam ser transportadas em vez de torpedos, podendo prever até cinquenta minas dos tipos Mark 5 Stonefish ou Mark 6 Sea Urchin. Essa classe também dispunha de maior velocidade sob a água, maior autonomia e um sofisticado sistema digital com computadores Ferranti TIOS 24B para direção de tiro, além de um sonar mais avançado, num grande domo no alto da proa. Este era do modelo THORN EMI Type 197CA de média frequência, passivo/ativo para busca e ataque, e a suíte de sonar incluía o hidrofone lateral BAC Type 2007AA de baixa frequência, para busca, tornando-os especialmente adequados à luta antissubmarino. 
O projeto seria aprovado pelo almirantado inglês, levando em setembro de 1957 a celebração de um contrato para a construção de treze navios para a Marinha Real Britanica (Roya Navy), sua fabricação seria destinada aos estaleiros Chatham, Cammell Laird, Vickers-Armstrongs e Scotts Shipbuilding. O primeiro navio da classe Oberon, o HMS Orfeu seria comissionado em 1960, sendo seguido em 1961 pelo HMS Oberon. Os demais navios receberiam os nomes de HMS Ocelot, HMS Odin, HMS Olympus, HMS Onslaught, HMS Opossum, HMS Orófio, HMS Osiris, HMS Lontra, HMS Otus com o último navio, o HMS Onyx sendo comissionado em 1967. Em serviço ativo a Classe Oberon, se mostraria muito mais silenciosa que suas contrapartes norte-americanos, com esta característica levando estes navios a serem constantemente empregados em operações clandestinas, realizando vigilância e inserção de forças especiais na Europa, missões estas de ordem vital durante o auge na Guerra Fria. Mais tarde navios desta mesma classe, pertencentes as marinhas do Canadá e Australia, seriam empregados neste mesmo perfil de missão nas regiões do Oceano Pacífico Ártico, sudoeste da Asia e Mar do Japão. Em 1968, a Marinha Canadense se tornaria o primeiro cliente de exportação da Classe Oberon, com um contrato para o fornecimento de três navios, com estes diferindo do projeto original por contar com melhores sistemas de ar-condicionado, sendo customizados ao fazer o emprego no maior número possível de de componentes básicos produzidos localmente. Os submarinos Oberon canadenses seriam armados com torpedos norte-americanos, inicialmente o modelo Mark 37 e posteriormente Mark 48. Estes navios foram batizados como HMCS Ojibwa, HMCS Onondaga e HMCS Okanagan, e seriam incorporados respectivamente em 23 de setembro de 1965, 22 de junho de 1967 e 22 de junho de 1968. Em meados da década seguinte mais dois submarinos usados pertencentes a Marinha Real (Royal Navy) seriam adquiridos, mas nunca comissionados, com um destes sendo destinado a tarefas de treinamento estático na base naval de Halifax e outro sendo empregado em um processo de canibalização para obtenção de peças de reposição.  

A Marinha Real Australiana (RAN) se tornaria segundo cliente de exportação, com um contrato sendo firmado no ano 1965 envolvendo a construção de quatro submarinos. O primeiro batizado como HMSA Otway seria comissionado em 1968, e os demais como HMSA Fornos, HMSA Onslow, HMSA Orion, HMSA Otama e HMSA Oxley, que seriam incorporados até o final do ano de 1978. Estes submarinos australianos seriam equipados com sistemas e sonares de origem norte-americana (Sperry Micropuffs) e conjunto e ataque Krupp CSU3-41. Em termos de armamento faziam uso de torpedos norte-americanos Mark 48, podendo carregar até vinte e duas destas armas para os tubos da frente e seis dos quais foram pré-carregadas. Os submarinos australianos seriam posteriormente atualizados em termos de sistemas eletrônicos sendo capacitados para operar com os mísseis norte-americanos Harpoon antinavio. Assim em março de 1985, ao largo da ilha de Kauai, no Havaí, HMAS Fornos tornaria-se o segundo submarino convencional no mundo e o primeiro classe Oberon a lançar misseis subsuperfície, disparando mísseis Harpoon, com sucesso, acertando o alvo por cima do horizonte. Por conseguinte, a designação para o Oberons australianos mudariam de SS para SSG, classificando seu novo perfil operacional. Seria relatado que os submarinos australianos conduziram operações regulares com forças especiais, embora devido à sua capacidade limitada, estas fossem restritas a circunstâncias em que o barco pudesse emergir e geralmente fossem conduzidas à noite. Isso incluiu colocar mergulhadores sob o revestimento para maior movimento secreto ou desembarcar equipes de forças especiais usando caiaques ou barcos infláveis. O Chile se tornaria o terceiro operador da classe Oberon , incorporando entre os anos de 1976 e 1977, dois navios batizados como CNS Obrein e CNS Hyatt. Estes navios diferiam muito pouco dos modelos em uso pela Marinha Real (Roya Navy), e permaneceriam em serviço até 31 de dezembro de 2001 na Marinha do Chile, quando foram substituídos por submarinos franceses da classe Scòrpene (CNS O'Higgins e CNS Carrera).
No final da década de 1970, os submarinos da classe Oberon em serviço na Marinha Real Canadense seriam declarados obsoletos, e como ainda se encontravam em bom estado de conservação de cascos e grupo propulsor, seriam conduzidos estudos visando a implementação de um programa de modernização. Esta proposta seria aprovada em fevereiro de 1979, objetivando elevar estes navios a um patamar tecnológico satisfatório que os capacitasse a operar a serviço da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no monitoramento de submarinos soviéticos no Oceano Atlântico. Este processo denominado como Programa de Atualização Operacional de Submarinos (SOUP) seria desenvolvido para lidar com a capacidade operacional dos submarinos juntamente com um Acordo de Apoio Logístico (LSA) para aquisição de mais peças de reposição. Em termos de atualização seriam incorporados os sistemas de controle de fogo norte-americanos Singer Librascope Mark I digital, sonar de alcance passivo Sperry, periscópios, comunicações e sistemas de controle de incêndio, além da customização para operação com torpedos MK-48. Este seria o único programa realizado em todos os vinte e sete navios desta classe, estendendo a vida útil destes navios até o final da década de 1990, quando foram substituídos pelos submarinos britânicos da classe Upholder. Cabe o registro de que no ano de 1982 durante a Guerra das Falklands – Malvinas, o HMS Onyx operaria no arquipélago em conflagração, desembarcando membros o Special Boat Service (SBS - Serviço Especial de Barco). Todos os submarinos da classe Oberon da Marinha Real (Royak Navy), seriam retirados da ativa até o final da década de 1980, sendo substituídos pelos navios convencionais de propulsão diesel elétrico das classes  Upholder e  Collins.    

Emprego na Marinha do Brasil.
Logo após o término da Segunda Guerra Mundial, a Flotilha de Submersíveis se mantinha operacional a duras penas, contando apenas com quatro obsoletos submarinos italianos das classes Balila e Humaytá, que já apresentavam nenhuma efetividade operacional naquele momento. Este preocupante cenário perduraria até meados da década de 1950, quando seria decidido iniciar um processo de modernização da frota da frota da Marinha  do Brasil através da aquisição de submarinos usados oriundos da reserva da Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Em fins da década de 1950, seriam recebidos dois submarinos usados da Classe Gato, o S15 Riachuelo (ex-USS Paddle - SS 263) e S14 Humaitá (ex-USS Muskallunge - SS 262). Estas incorporações trariam novo alento a Flotilha de Submersíveis, pois estes novos navios estavam equipados com o sistema eletrônico TDC - Target Data Computer (Computador de Dados do Alvo - Eletromecânico) Mk 3 Mod.5 e o relativamente moderno sonar passivo JP 1. E sua introdução representava um importante salto tecnológico, devolvendo uma mínima capacidade operacional a Esquadra.  Em 1963, a Flotilha de Submarinos passou a se chamar Força de Submarinos; sendo criada a “Escola de Submarinos” como organização militar autônoma na estrutura do Ministério da Marinha. Esforços para a ampliação da frota culminariam no ano de 1963 na transferência de duas unidades de submersíveis da classe “Balao” o Grande do Sul - S 11 e o  Bahia - S 12. A partir de 1972 a Força de Submarinos receberia um considerável reforço ao incorporar sete submarinos usados da Classe Guanabara (Guppy II/III) o  Guanabara – S10, ex-USS Dogfish – SS-350; Rio Grande do Sul – S11, ex-USS Grampus – SS-523; Bahia – S12, ex-USS Sea Leopard – SS-483; Rio de Janeiro – S13, ex-USS Odax – SS-484 e Ceará – S14, ex-USS Amberjack – SS-522. Os Guppy III recebidos foram o Goiás – S15, ex-USS Trumpetfish – SS-425 e Amazonas – S16, ex-USS Greenfish – SS-351. Os submarinos Classe Guanabara (Guppy II/III) representariam um grande avanço para a Força de Submarinos, já no campo tático e doutrinário. O Rio Grande do Sul (S11) seria o primeiro submarino a inaugurar no Brasil o emprego do esnorquel , por isso acabaria recebendo o título de “O Pioneiro”. 

Estes “novos” submarinos apesar de se mostrarem ainda relativamente eficientes no cumprimento de suas missões, eram navios construídos na década de 1940 e já presentavam claros sinais de desgaste de casco e defasagem tecnológica quando comparados aos submarinos de nova geração.  Esta demanda seria incluída no Programa de Reaparelhamento da Marinha do Brasil, que seria deflagrado e revisionado no final da década de 1960. Este ambicioso planejamento visava incorporar (e boa parte por construção local) dezenas de navios de diversos tipos, com destaque especial para os de escolta e , no caso mais específico, fragatas.  Neste escopo estava prevista também a aquisição de novos submarinos que seriam destinados, principalmente, à luta antissubmarino (ASW), um dos principais focos da Marinha Brasileira, que ambicionava se preparar minimamente para o enfretamento da hipotética ameaça representada pelos submarinos soviéticos. Diferente dos navios de superfície de construção mais simplificada que poderia ser realizada nos estaleiros brasileiros, esta opção seria descartada devido alta complexidade e falta de know how nacional neste segmento. Assim em 1968 dentro do Programa de Construção Naval, seria considerada a aquisição de submarinos novos, com estudos sendo conduzidos entre diversos construtores internacionais, com a escolha recaindo sobre uma proposta apresentada pelo estaleiro inglês Vickers Limited, que não impunha restrições para a venda de sistemas com tecnologias mais avançadas. Um acordo seria celebrado em 27 de agosto de 1969, envolvendo a aquisição submarinos da Classe Oberon, que nesta época eram considerados os mais modernos do tipo convencional do Mundo. Essa classe também dispunha de maior velocidade sob a água, maior autonomia e um sofisticado sistema digital com computadores Ferranti TIOS 24B para direção de tiro (marcando o advento da eletrônica embarcada nos nossos submarinos), além de um sonar mais avançado, num grande domo no alto da proa. Este era do modelo THORN EMI Type 197CA de média frequência, passivo/ativo para busca e ataque, e a suíte de sonar incluía o hidrofone lateral BAC Type 2007AA de baixa frequência, para busca, tornando-os especialmente adequados à luta antissubmarino. Dois navios desta classe seriam incialmente encomendados, com sua construção aprovada na revisão do Programa de Construção Naval de 1968, Aviso 1502 (confidencial) de 16/05/1968 MM. 
O primeiro deles, o S20 Humaitá, teve sua quilha batida no Vickers Limited, em Barrow-in-Furness, Lancashire em 3 de novembro de 1970 em cerimônia que contou com as presenças do Ministro da Marinha, Almirante-de-Esquadra Adalberto de Barros Nunes, do Chefe de Gabinete do MM, Contra-Almirante Elmar de Mattos Dias, do Adido Naval do Brasil em Londres e do Presidente da Comissão de Fiscalização e Recebimento de Submarinos na Inglaterra. Seria lançado ao mar em 5 de outubro de 1971, tendo como madrinha a Sra. Scylla Nogueira Medici, esposa do Presidente da República Emílio Garrastazu Medici, representada pela Sra. Maria Carolina de Barros Nunes. Foi submetido a Mostra de Armamento e incorporado à Armada em 18 de junho de 1973, pelo Aviso 0466 de 25/05/1973 do MM/EMA e OD 0034/73 de 18/06/73 do CEMA. Em 16 de outubro do mesmo ano, suspendeu de Barrow-in-Furness, iniciando a viagem inaugural com destino ao Brasil, fazendo escala em Portsmouth (Inglaterra), Lisboa (Portugal), Las Palmas (Ilhas Canárias), Dakar (Senegal), chegando em Recife-PE em 30 de novembro. A travessia Dakar-Recife, foi a primeira realizada, em imersão, por um submarino brasileiro, com a duração de doze dias e meio. Entre as décadas de 1970 e 1980 teve intensa participação em exercícios nacionais e internacionais como UNITAS XV, UNITAS XVI, READEX-I/77, READEX 78, UNITAS XIX, ASPIRANTEX 88/TROPICALEX I/88 e TEMPEREX-I/88. Em 1987 tornou-se recordista de dias em imersão, com 23 dias imersos, feitos durante a travessia Africa-Brasil. Esta participação se repetiria na mesma intensidade na década seguinte, com o navio em 1993 completando 20 anos de serviço, navegou mais de 14.000 horas em imersão e conquistou pela primeira vez Troféu Eficiência. Em 26 de abril de 1995, realizou encontro oceânico com uma aeronave C-115 Búfalo do 1º GTT, ao sul da Ilha Grande. Nesse exercício foi lançada de paraquedas uma equipe de Mergulhadores Especiais de Combate (MEC) composta de sete homens, que embarcou no submarino e, que posteriormente, foi realizar, com sucesso, um ataque simulado ao NSS Felinto Perry - K 11, que se achava fundeado em uma enseada na parte norte da Ilha Grande. Em 8 de abril de 1996, deu baixa do serviço ativo, tendo atingido as marcas 151.258.7 milhas navegadas, 1.193.5 dias de mar e 14.000 horas de imersão e lançou 173 torpedos. 

O Submarino Tonelero S21, teve sua construção aprovada na revisão do Programa de Construção Naval de 1968, Aviso 1502 (confidencial) de 16/05/1968 MM. Contrato assinado em 27 de agosto de 1969. Foi construído pelo estaleiro Vickers Limited, em Barrow-in-Furness, Lancashire. Teve sua quilha batida em 15 de novembro de 1971, oi lançado ao mar em 22 de novembro de 1972 em cerimônia que contou com a presença de dirigentes da Marinha do Brasil. Infelizmente em 2 de outubro de 1973 um incêndio assolou a embarcação, causando graves danos o que levaria a um atraso de pelo menos 4 anos no processo de construção do navio. Em 10 de dezembro de 1977, foi submetido a Mostra de Armamento e incorporado ao serviço ativo da Armada Brasileira, de acordo com o Aviso n.º 0900 de 04/11/1977 MM/EMA e OD 0019/77 de 10/12/77 do CEMA. Em 1º de novembro, o navio foi aceito pelo Encarregado do GFRSI, CMG Geraldo Baptista de Morais, e depois de incorporado, foi submetido à inspeção de eficiência nos moldes da Royal Navy (work-up), realizou corrida em raia acústica, desmagnetização e verificação do sistema de Direção de Tiro (weapons sea trials). Em 25 de julho de 1978, suspendeu de Barrow-in-Furness, iniciando a viagem inaugural com destino ao Brasil, estabelecendo a o recorde, na Marinha do Brasil, de permanência em imersão: 20 dias e meio de mar, 481 horas e 54 minutos, em 2.675.8 milhas navegadas. Durante as próximas duas décadas e meia participou ativamente de todos os exercícios navais de relevância da Marinha do Brasil. Em 1997 completou um período de reparos, onde teve substituído o sistema de sonar THORN EMI Type 187, pelo ATLAS CSU 90-61 que também foi integrado ao Sistema de Direção de Tiro (TIOS). O sonar Type 2004 permaneceu. Em 21 de junho de 2001 deu baixa do serviço ativo, pelo Aviso de 13/06/2001. Em seus 24 anos de serviço, atingindo as marcas de 168.368 milhas navegadas, sendo 80.636 em imersão, 1.286 dias de mar e 18.468 horas de imersão e foram lançados 154 torpedos. Até sua baixa era o submarino da Marinha do Brasil com maiores números de horas de imersão e dias de mar.
Em maio de 1972, seriam iniciadas conversações segundo o memorando 0048 de 24/05/72 do MM/DGMM, para a construção de uma terceira unidade da classe, o que seria provado mediante Emenda Contratual n.º 59 de 18 de agosto de 1972. O Submarino Riachuelo - S22 teve sua quilha batida em 26 de maio de 1973. Foi lançado em foi lançado em 6 de setembro de 1975, após de ter realizado as provas de mar foi incorporado a Armada Brasileira em 12 de março de 1977.Depois de Incorporado, foi submetido à inspeção de eficiência nos moldes da Royal Navy (work-up), realizou corrida em raia acústica, desmagnetização e verificação do sistema de Direção de Tiro (weapons sea trials). Em 28 de julho do ano seguinte, suspendeu de Barrow-in-Furness em 28 de julho, iniciando a viagem inaugural com destino ao Brasil. A exemplo dos demais navios da classe Humaitá (Oberon), o Riachuelo também se fez presente ao longo dos anos nos mais importantes exercícios navais realizados pela Marinha do Brasil como UNITAS XVIII, DRAGÃO XIII, Operação Anfíbia PISCES, ATLANTIS, UNITAS XIX, ASPIRANTEX/79, UNITAS XXI, FASEX II, ARRASTÃO X, UNITAS XXII, INOPINEX 81, DRAGÃO XVII, ASPIRANTEX/82, UNITAS XXVI, COSTEIREX-SE I, UNITAS XXVII, FRATERNO IX, CARIBE/88, FRATERNO XII, INTERPORTEX e ASPIRANTEX NORTE/94. Durante seu PMG, o Riachuelo recebeu as novas baterias de grande capacidade de fabricação nacional, produzidas pela empresa Saturnia Ltda, com tecnologia da alemã Varta, sendo o segundo submarino (primeiro da classe Humaitá) a recebê-las. Em 12 de novembro de 1997, deu baixa do Serviço Ativo da Armada, submetido a Mostra de Desarmamento e reclassificado, em cerimônia realizada na Base Almirante Castro e Silva (BACS), presidida pelo Chefe do Estado-Maior da Armada. Em seus 20 anos e 8 meses de serviço, atingiu as marcas de 181.924 milhas navegadas, 1.283,5 dias de mar e 17.699 horas, 41 minutos de imersão e lançou 172 torpedos. Depois de sua baixa foi entregue ao Serviço de Documentação da Marinha (SDM), e foi reclassificado como Submarino Museu. Encontra-se atracado, em exposição no caís do Espaço Cultural da Marinha, próximo à Praça XV na cidade do Rio de Janeiro – Estado do Rio de Janeiro. 

Em Escala.
Para representarmos o submarino da classe Humaitá- Oberon S22 Riachuelo pertencente a Força de Submarinos da Marinha do Brasil, fizemos uso do kit em resina na escala 1/350 produzido pela OZ Mods. Não há a necessidade de se implementar qualquer alteração no modelo para se compor a embarcação construída sobre encomenda para o Brasil.  Fizemos uso de decais constantes no próprio kit, que permitem representar os três submersíveis brasileiros desta classe.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o único padrão de pintura empregado em todos nos submarinos da classe Humaitá - Oberon. Este esquema com pequena com variações na identificação dos navios seria utilizado em todos os submarinos desta classe até sua retirada do serviço ativo, entre os anos de 1996, 1997 e 2001. Empregamos tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors. 




Bibliografia : 

- Submarinos Classe Oberon - https://en.wikipedia.org/wiki/Oberon-class_submarine

- Cem anos da Força de Submarinos – Marinha do Brasil

- Navios de Guerra Brasileiros – Poder Naval https://www.naval.com.br

- Os submarinos brasileiros, de 1914 até hoje – Alexandre Galante   https://www.naval.com.br

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História e Desenvolvimento.
A Ford Motor Company, uma das mais icônicas e prestigiadas montadoras norte-americanas, foi fundada em 16 de junho de 1903, em modestas instalações situadas no subúrbio de Detroit, no estado de Michigan. Liderada pelo engenheiro e visionário Henry Ford, a empresa teve início com um investimento inicial de US$ 28.000, aportados por doze investidores, entre os quais se destacavam os irmãos John e Horace Dodge, que posteriormente deixariam a companhia para fundar a Dodge Motors Company. Este documento apresenta uma análise formal e estruturada da trajetória inicial da Ford, seu impacto na indústria automotiva e o legado de suas inovações. Nos primeiros anos de operação, a Ford Motor Company produzia veículos de forma quase artesanal em sua fábrica localizada na Avenida Mack, em Detroit. Pequenos grupos de dois ou três trabalhadores montavam cada automóvel, utilizando componentes majoritariamente fornecidos por terceiros. Apesar da escala limitada, os produtos da Ford rapidamente conquistaram a confiança dos consumidores norte-americanos, posicionando a empresa como líder no segmento de carros de passeio. Esse sucesso inicial gerou recursos que viabilizaram a expansão da companhia e o aprimoramento de seus processos industriais. Com o crescimento da demanda, a Ford optou por internalizar a fabricação de componentes críticos, adotando o conceito de integração vertical. Essa estratégia, inovadora para a época, permitiu maior controle sobre a qualidade e os custos de produção, consolidando a eficiência operacional da empresa. A integração vertical tornou-se um modelo funcional e amplamente adotado, contribuindo para a escalabilidade da Ford e sua capacidade de atender a um mercado em rápida expansão. Em 1908, Henry Ford lançou o Ford Modelo T, equipado com o primeiro motor de cabeça de cilindro removível, um marco técnico que elevou os padrões da indústria. Contudo, foi em 1914 que a Ford revolucionou a manufatura com a introdução da linha de montagem contínua, um sistema que implementou a produção em série de forma prática e eficiente. Esse método, conhecido como “Fordismo”, baseava-se na padronização de processos, na verticalização da produção e no aperfeiçoamento contínuo, encapsulado no célebre lema de Henry Ford: “Você pode comprar um Ford de qualquer cor, contanto que seja preto.” Desde seus primeiros anos, a Ford Motor Company demonstrou uma visão estratégica voltada para o mercado internacional. Em 1904, a empresa estabeleceu sua primeira linha de montagem no exterior, no Canadá, para a produção do Modelo C. Essa iniciativa marcou o início de uma política de parcerias globais, que facilitavam a fabricação local e a adaptação dos veículos às necessidades de diferentes mercados. O impacto do Fordismo transcendeu a indústria automotiva, influenciando métodos de produção em diversos setores. A combinação de eficiência, padronização e acessibilidade introduzida por Henry Ford redefiniu os paradigmas da manufatura moderna, estabelecendo um modelo que seria adotado mundialmente. Além disso, a Ford Motor Company consolidou-se como uma das pioneiras na democratização do automóvel, transformando-o de um artigo de luxo em um bem acessível a milhões de pessoas.

A expansão da Ford na América Latina teve início na Argentina, onde, em 1913, foi estabelecida uma filial. Contudo, a montagem de veículos nesse país só foi iniciada em 1921. No Brasil, a produção de automóveis Ford começou de forma pioneira em 1918, por meio de uma iniciativa do industrial baiano Antônio Navarro Lucas. Licenciado pela Ford, Lucas passou a montar, em Salvador, Bahia, dez unidades mensais do Modelo T, marcando o Brasil como o primeiro país latino-americano a fabricar veículos da montadora. Reconhecendo o potencial do mercado brasileiro, a diretoria da Ford Motor Company decidiu, em 24 de abril de 1919, criar uma filial no país. Já no início de maio do mesmo ano, foi instalada, na Rua Florêncio de Abreu, no centro de São Paulo, uma unidade que combinava um escritório administrativo e uma linha de montagem para a produção do Modelo T. Essa instalação tornou-se a primeira indústria automobilística do Brasil, um marco histórico para o setor. O Ford Modelo T destacou-se no Brasil por sua robustez, facilidade de condução e manutenção, características que o tornaram o automóvel mais popular do país na época. Com apenas 20 cavalos de potência, seu projeto simples e funcional permitia sua desmontagem para transporte em caixotes, sendo remontado em galpões próximos a portos ou estações ferroviárias, especialmente em regiões com infraestrutura rodoviária limitada. Essa versatilidade contribuiu para sua ampla aceitação no mercado brasileiro. A crescente demanda por veículos Ford no Brasil impulsionou a expansão das operações em São Paulo. Até 1921, a Ford mudou suas instalações duas vezes, ainda no centro da cidade, até se estabelecer na Rua Sólon, no bairro do Bom Retiro. Nesse endereço, a produção alcançou a capacidade de 40 unidades diárias. Em 1923, a mesma unidade montou o primeiro caminhão fabricado no Brasil, ampliando o portfólio da empresa. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Ford priorizou a produção de veículos e componentes para uso militar. Com o fim do conflito, a montadora acelerou sua produção, atingindo, em 1948, uma cadência de 50 a 60 veículos leves por dia. Nesse período, a fábrica passou a montar uma gama diversificada de produtos, incluindo automóveis Ford, Mercury e Lincoln (de origem norte-americana), Anglia e Prefect (de origem britânica), além de veículos comerciais leves, ônibus e caminhões médios e pesados das marcas Ford e Thames. Aproximadamente 1.200 componentes já eram produzidos localmente, por meio da Ford e de cerca de cem fornecedores nacionais, enquanto cabines e carrocerias continuavam a ser importadas e montadas no Brasil. Ao completar 30 anos de operações no Brasil, em abril de 1949, a Ford já havia montado mais de 200 mil veículos. Em 1953, a empresa inaugurou uma moderna fábrica no bairro do Ipiranga, em São Paulo, com capacidade para produzir 125 veículos por dia. Essa unidade representou um salto em termos de infraestrutura e eficiência produtiva. Nesse contexto, o governo federal começou a considerar políticas de incentivo à nacionalização da indústria automotiva, embora planos concretos só fossem formalizados em 1956, com a criação do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA).
Com a criação do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA) em maio de 1956, o Brasil estabeleceu diretrizes para a nacionalização da indústria automotiva, exigindo que as montadoras desenvolvessem planos para a fabricação de veículos com crescente conteúdo local. A Ford do Brasil S/A, alinhada a essas metas, submeteu seu plano ao GEIA próximo ao prazo limite, consolidando um marco na história da indústria automotiva nacional. Eram três tipos: um caminhão médio, um leve e uma picape, prevendo capacidade máxima de trinta mil unidades, em 1960, com a produção de mails de oito mil caminhões já em 1957. Em coerência com as regras vigentes, o índice de nacionalização deveria aumentar progressivamente, saltando de cerca de 40%, em 1957, para 90% (em peso) em 1960. Quando o projeto da Ford foi aprovado, no final de 1956, a quase totalidade dos componentes das cabines já era estampada no Brasil; a produção de algumas partes era terceirizada, caso das caçambas de picapes, fornecidas pelas Máquinas Piratininga, e algumas centenas de itens diversos eram adquiridos junto a outros fabricantes nacionais. Em 26 de agosto de 1957 deixou a linha de montagem do Ipiranga o primeiro caminhão Ford nacional – o F-600, ainda apenas com cerca 40% de conteúdo nacional, em peso. Tratava-se de um modelo convencional, de porte médio (para 6,5 t, entre eixos de 4,37 m) e arquitetura tipicamente norte-americana, com motor V8 a gasolina (4,5 l e 161 cv) e cabine recuada; tinha caixa de quatro marchas e diferencial de duas velocidades, com reduzida de comando elétrico. Dois meses depois foi lançada a picape F-100, para 930 kg, dotada da mesma motorização e igual cabine, porém com três marchas (primeira não sincronizada). Ambos eram modelos descontinuados nos Estados Unidos – um mix de capô, para-lamas e cabine de 1953 com grade de 1956. Exatos 3.454 veículos foram concluídos no primeiro ano, 576 dos quais do modelo picape. Para atender às metas do plano, foram criados os Departamentos de Engenharia do Produto e de Ensaios e Pesquisa (alocados nas antigas instalações do Bom Retiro), construída uma fundição de motores em Osasco (SP), instaladas linhas de usinagem e montagem de motores e ampliada a estamparia do Ipiranga, as três últimas inauguradas em novembro de 1958. Em 1959, a cabine do caminhão e picape foi reestilizada, recebendo novo painel, volante “em cálice” e os para-brisas panorâmicos introduzidos em 1956, nos Estados Unidos. A picape, por sua vez, ganhou caçamba muito mais moderna, com para-lamas integrados, seguindo projeto apenas recentemente adotado na matriz. Para registrar o salto no índice de nacionalização, obtido após a inauguração da fábrica de motores, os emblemas de todos os modelos passaram a vir nas cores verde e amarela.   Em junho daquele mesmo ano seria lançado o caminhão leve F-350 (para 2,7 ton entre eixos de 3,30 m), com a mesma mecânica dos demais (este seria, por muitos anos, o único modelo brasileiro na categoria). No ano seguinte o caminhão médio ganhou a versão F-600-148″, com menor entre eixos (3,77 m), próprio para receber carroceria basculante ou quinta roda, com capacidade de tração de 12 toneladas.

Em 1961 foi também o ano em que a Ford brasileira se dobrou à realidade local, que aceleradamente se afastava dos motores a gasolina no transporte de cargas, e lançou seu primeiro veículo diesel. Equipado com motor Perkins de seis cilindros e 125 cv, o F-600 Diesel recebeu poucas modificações com relação ao modelo a gasolina: apenas reforço da suspensão dianteira e substituição do logotipo “V8”, na grade, por outro, nomeando o novo combustível.  Em abril de 1962 o estilo da linha Ford foi mais uma vez alterado, desta vez assumindo o desenho do modelo norte-americano de 1960. A nova série, chamada Super Ford, não mereceu alterações mecânicas significativas. A linha de comerciais foi renovada em maio de 1968: além das novas carrocerias com faróis retangulares para todos os modelos e do novo motor Perkins de 142 cv para o F-600 Diesel (seis cilindros, sete mancais, camisas removíveis e bomba injetora rotativa). Em julho de 1970 já apareciam os primeiros lançamentos para 1971 na linha de caminhões, trazendo faróis redondos para todos os modelos; na picape, freios, suspensão Twin-I-Bean e relação de transmissão foram modificados; a F-350 recebeu freios assistidos e o F-600 opcionalmente, tanque de combustível de maior capacidade e caixa de cinco marchas sincronizadas. Em 1976, a Ford lançou mais um caminhão diesel, o F-7000. Dispondo da mesma capacidade e iguais elementos mecânicos do F-600 Diesel, o F-7000 vinha, porém, equipado com um motor diesel diferente, o novo dois tempos Detroit (quatro cilindros em linha, injeção direta e 145 cv), cuja produção havia sido iniciada pouco antes no Brasil. Novos modelos foram lançados em 1977: em fevereiro, FT-7000, com 3º eixo de fábrica (fabricado pela Hendrickson, porém montado pela Ford); e em julho, mais dois semipesados (F-8000 e FT-8000) e o primeiro pesado da marca, o cavalo mecânico F-8500, para 30,5 t, os três últimos com motor Detroit de seis cilindros em V e 202 cv, filtro de ar montado externamente sobre o para-lama direito, freios pneumáticos, freio de estacionamento com trava de mola, embreagem dupla  e direção hidráulica opcional. Todos eles dividiam a mesma cabine, oriunda dos caminhões médios.  Na década de 1980, a Ford do Brasil S/A implementou mudanças significativas em sua linha de caminhões, promovendo a substituição dos modelos tradicionais da Série F por novos veículos mais modernos e adaptados às demandas do mercado. Este documento apresenta, de forma estruturada, a evolução da linha de caminhões Ford Série F, destacando as inovações tecnológicas, as atualizações de design e as estratégias comerciais adotadas pela empresa até o início do século XXI. No início dos anos 1980, a Ford do Brasil reformulou a nomenclatura e a oferta de sua linha de caminhões, introduzindo modelos que atendiam aos segmentos médio e semipesado. As principais novidades incluíram: Modelos Médios: F-11000, F-12000 e F-13000: Caminhões com capacidade de carga líquida entre 6,5 e 9 toneladas. Projetados para transporte de cargas intermediárias, ofereciam robustez e eficiência operacional. Modelos Semipesados: F-19000 e F-21000: Equipados com terceiro eixo (tandem ou balancim), com capacidades de carga de 13 e 15 toneladas, respectivamente.
Os novos modelos da Série F incorporaram avanços tecnológicos significativos, alinhados às necessidades do mercado brasileiro. Motores Introdução do motor MWM de seis cilindros, com maior eficiência e durabilidade Opção de motores Perkins para os modelos médios, oferecendo maior flexibilidade aos clientes Transmissão Nova caixa de cinco marchas, com a primeira marcha não sincronizada. Sistema de redução no diferencial, acionado eletricamente ou pneumaticamente, para melhor desempenho em terrenos variados..Sistemas de Freios : Freios pneumáticos nos modelos F-12000, F-13000, F-19000 e F-21000, garantindo maior segurança Modelo F-11000 equipado com freios hidráulicos a vácuo, adequados à sua capacidade. Outras Melhorias Suspensão revisada para maior conforto e estabilidade. Sistema elétrico atualizado para 12 volts, alinhado aos padrões da época Tanque de combustível cilíndrico de maior capacidade, aumentando a autonomia. Opcionais como direção hidráulica e rodas raiadas, disponíveis em alguns modelos, para atender a diferentes necessidades operacionais. Diante do aumento da concorrência no mercado brasileiro, a Ford do Brasil planejou a nacionalização da linha europeia Ford Cargo, conhecida por seu design moderno e tecnologia avançada. Em abril de 1985, os primeiros caminhões da família Cargo chegaram ao mercado, marcando uma nova fase para a empresa. A linha Cargo foi posicionada como uma alternativa mais sofisticada, voltada para os segmentos médio e pesado, e rapidamente ganhou aceitação no mercado. Para manter a competitividade da Série F, a Ford do Brasil realizou atualizações significativas ao longo dos anos: 1992 – Modernização da Cabine (Sapão) A Série F passou por uma reformulação radical nas cabines, com design renovado e melhorias ergonômicas A nova estética, popularmente apelidada de "Sapão", reforçou a identidade visual da linha e prolongou sua relevância no mercado. 1998 – Última Atualização e Introdução do F-16000: A Ford implementou a última modernização das cabines da Série F, aprimorando conforto e funcionalidade. Lançamento do modelo F-16000, ampliando as opções disponíveis no segmento médio. No início dos anos 2000, a Ford do Brasil reavaliou sua estratégia no segmento de caminhões. A Série F, embora histórica, enfrentava dificuldades para competir com modelos mais modernos, como a linha Cargo e os produtos de concorrentes. Como resultado - A produção da Série F foi parcialmente descontinuada, com foco mantido apenas nos modelos leves.- A linha Ford Cargo assumiu a liderança no segmento de caminhões  médios e pesados, sustentando as vendas da empresa nesse mercado. A evolução da linha de caminhões Ford Série F no Brasil reflete o compromisso da Ford do Brasil em atender às demandas do mercado por meio de inovações tecnológicas e estratégias comerciais. Desde a introdução dos modelos F-11000, F-12000, F-13000, F-19000 e F-21000 na década de 1980 até a modernização das cabines nos anos 1990, a Série F desempenhou um papel central no transporte de cargas no país. Apesar de sua substituição gradual pela linha Cargo e do abandono parcial da produção, a Série F deixou um legado significativo na história da indústria automotiva brasileira, marcada por sua robustez, versatilidade e adaptação às necessidades do mercado.

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Exército Brasileiro experimentou um avanço significativo em sua capacidade de mobilização, impulsionado pelo recebimento de caminhões militares fornecidos pelos Estados Unidos sob a Lei de Empréstimos e Arrendamentos (Lend-Lease Act). No entanto, na década de 1950, a frota enfrentou desafios operacionais devido ao desgaste e à dificuldade de obtenção de peças de reposição. Este relatório analisa o impacto dessas questões, as soluções propostas pelo comando do Exército Brasileiro e os desafios associados à sua implementação. Com a adesão do Brasil ao esforço de guerra aliado em 1942, as Forças Armadas Brasileiras receberam, até o final de 1945, mais de 5.000 caminhões militares das séries GMC CCKW, Corbitt, Diamond e Studebaker US6G, fornecidos por meio do programa Lend-Lease Act. Esses veículos foram fundamentais para a mobilização de tropas e cargas durante o conflito. Contudo, no final da década de 1950, a operacionalidade da frota foi gravemente comprometida por dois fatores principais: Desgaste Natural: Resultante do uso intensivo durante e após a guerra; Dificuldade na Obtenção de Peças: A descontinuação da produção desses modelos nos Estados Unidos, há mais de uma década, dificultava a importação de componentes essenciais. Esse cenário gerou preocupação no comando do Exército Brasileiro, pois comprometia a capacidade operacional da Força Terrestre, exigindo soluções urgentes para restaurar sua prontidão logística. A solução ideal para manter a capacidade operacional envolvia a substituição da frota por um número equivalente de caminhões modernos com tração 4x4 e 6x6, sendo os modelos REO M-34 e M-35 os mais indicados devido à sua robustez e tecnologia avançada. No entanto, o elevado custo de aquisição de uma frota desse porte excedia as limitações orçamentárias do Exército Brasileiro na época, tornando essa opção inviável. Diante das restrições financeiras, o comando do Exército elaborou três soluções complementares para enfrentar o problema: Aquisição Limitada de Caminhões Modernos: Compra de um pequeno número de caminhões REO M-34 e M-35 para atender às necessidades mais críticas, priorizando missões estratégicas. Repotencialização da Frota Existente: Estudos para a modernização dos caminhões GMC CCKW e Studebaker US6G, visando prolongar sua vida útil por meio de atualizações técnicas. Adoção de Caminhões Comerciais Militarizados: Incorporação de caminhões produzidos nacionalmente, adaptados para missões secundárias, como transporte de cargas leves e outras funções de apoio. A combinação dessas estratégias tinha o potencial de restaurar a operacionalidade da Força Terrestre de maneira sustentável e economicamente viável. Os estudos para a repotencialização dos caminhões GMC CCKW e Studebaker US6G foram minuciosamente analisados, mas não receberam recomendação para implementação. As principais razões incluíam: Alto Custo: O investimento necessário para modernizar a frota era elevado, especialmente considerando a necessidade de importar componentes ou desenvolver substitutos localmente. Falta de Capacidade Técnica: Naquela época, o Brasil carecia de um corpo técnico com a expertise necessária para executar um programa de repotencialização em escala, envolvendo reengenharia e adaptação de sistemas complexos. Esses fatores inviabilizaram a modernização da frota existente, direcionando o foco para as demais soluções propostas.

O cancelamento da repotencialização dos caminhões GMC CCKW e Studebaker US6G evidenciou a necessidade de soluções alternativas para restaurar a operacionalidade da frota do Exército Brasileiro. A adoção de caminhões comerciais militarizados foi identificada como uma abordagem viável, permitindo: Substituição em Missões Básicas: Utilização de veículos comerciais em tarefas de transporte básico, liberando os caminhões militares com tração 6x6 para operações táticas e estratégicas em ambientes fora de estrada. Otimização da Frota Existente: Concentração dos veículos militares remanescentes em melhor estado para missões críticas. Essa estratégia, já implementada desde a década de 1930 com caminhões comerciais de pequeno porte, beneficiava-se do baixo custo de aquisição e operação dos veículos produzidos localmente, alinhando-se às prioridades orçamentárias da Força Terrestre. Para atender à demanda por caminhões médios, o Ministério do Exército optou por veículos fabricados pela Fábrica Nacional de Motores (FNM), uma empresa estratégica no fortalecimento da indústria automotiva brasileira. Dois modelos foram selecionados: FNM D-9500: Caminhão médio com características adequadas para adaptação militar. FNM D-11000: Modelo destacado por sua robustez estrutural, capaz de atender, em teoria, aos parâmetros exigidos para o processo de militarização. A escolha dos caminhões FNM refletiu o compromisso do governo em fomentar a indústria nacional, aproveitando a capacidade produtiva local para suprir as necessidades do Exército. Apesar do avanço na substituição dos caminhões médios, a frota de caminhões leves permanecia obsoleta, composta majoritariamente por modelos como: Opel Blitz II Comercial; Chevrolet 157 Gigante 1937; General Motors G7106, G7107 e G-617M, recebidos entre 1935 e 1942. Esses veículos desempenhavam um papel central na estrutura de transporte do Exército Brasileiro, mas seu desgaste e a dificuldade de manutenção exigiam um programa urgente de renovação. A substituição dessa frota representava uma oportunidade significativa para as montadoras nacionais, incentivadas pelo Governo Federal por meio do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA), instituído em 1956. O GEIA foi criado para promover o desenvolvimento da indústria automotiva brasileira, oferecendo incentivos fiscais e financeiros às montadoras que investissem na produção local. Esse programa alinhava-se aos objetivos do Exército Brasileiro, pois: Estimulava a fabricação de veículos robustos e acessíveis, adequados à militarização; Reduzia a dependência de importações, mitigando os problemas de fornecimento de peças observados com a frota legada da Segunda Guerra Mundial; Fortalecia a economia nacional, gerando empregos e capacidade industrial. A aquisição de caminhões FNM e a perspectiva de renovação da frota de caminhões leves foram, portanto, estratégias alinhadas aos objetivos do GEIA, promovendo a integração entre as necessidades militares e o desenvolvimento industrial.
A Ford Motor do Brasil S/A mantinha, havia décadas, um relacionamento sólido e bem estabelecido com o Exército Brasileiro, fruto de sua posição pioneira como primeira fornecedora de veículos destinados ao emprego militar no país. A incorporação dos primeiros caminhões Ford T, ainda na década de 1920, marcou o início dessa parceria e contribuiu significativamente para o processo de ocupação e integração das fronteiras nacionais, especialmente em regiões remotas que passaram a receber apoio logístico mecanizado. Essa longa trajetória naturalmente colocava a montadora em posição privilegiada para atender a parcela substancial da demanda não apenas do Exército Brasileiro, mas também da Força Aérea Brasileira e da Marinha do Brasil, que buscavam veículos cada vez mais robustos e adaptados às exigências militares do pós-guerra. Nesse contexto, a Ford lançava no mercado o F-600, o primeiro caminhão fabricado nacionalmente pela empresa, que apresentava características compatíveis com uma futura militarização destinada a suprir as necessidades das Forças Armadas. Reconhecendo essa oportunidade, a Ford não demorou a apresentar ao Exército Brasileiro os primeiros protótipos militarizados do F-600, configurados nas versões 4×2 e 6×2, ambos dotados de carrocerias de padrão militar. Apesar do potencial técnico desses modelos, a escolha inicial das autoridades militares acabou recaindo sobre a versão militarizada do Chevrolet Brasil 6500, que foi selecionada para equipar parte da frota. Esse cenário começaria a se modificar em outubro de 1959, quando o Exército Brasileiro efetuou a aquisição de um grande lote de caminhões Ford F-600, tração 4×2, destinados às tarefas de transporte de tropas e cargas. Esses veículos passaram a integrar a categoria de Viaturas de Transporte Não Especializado (VTNE). Para adequá-los plenamente ao uso militar, receberam diversas modificações, incluindo para-choques reforçados, guinchos mecânicos frontais e traseiros, grades metálicas de proteção dos faróis e lanternas, ganchos de reboque e carrocerias metálicas de padrão militar, equipadas com arcos e cobertura de lona em estilo semelhante ao dos tradicionais GMC CCKW 352/353 utilizados durante a Segunda Guerra Mundial. As primeiras unidades passaram a ser distribuídas às organizações militares no início do ano seguinte, e ao longo das décadas subsequentes os F-600 prestariam serviços inestimáveis, tornando-se presença constante nas operações logísticas da Força Terrestre. No final de 1966, marcando um período de importante evolução tecnológica na indústria militar brasileira, a empresa paulista Engesa – Engenheiros Especializados S.A. lançou no mercado um sistema inovador de tração 4×4 voltado à conversão de veículos comerciais leves e médios para operação off-road. A solução, oferecida como um kit, incluía uma caixa de transferência com duas tomadas de força, eixo dianteiro direcional, além da opção de instalação de guincho mecânico.

Comercialmente conhecido como “Tração Total”, o sistema permitia transformar caminhões convencionais em veículos aptos a operar fora de estrada, ampliando sensivelmente sua capacidade de emprego militar e civil. Rapidamente, a Engesa expandiu o portfólio da tecnologia, desenvolvendo também kits para tração 6×4 e 6×6. Essas novas configurações aproveitavam os eixos traseiros e feixes de molas originais dos caminhões Chevrolet, Ford e Dodge então produzidos no Brasil, oferecendo uma solução prática, eficiente e economicamente vantajosa para atender às necessidades de mobilidade em terrenos difíceis. Em 1969, a Engesa apresentou um novo e revolucionário sistema de tração traseira dupla, batizado de Boomerang, que se tornaria um dos pilares tecnológicos de seus futuros veículos militares e o principal diferencial competitivo responsável pela ampla aceitação internacional de seus produtos ao longo da década de 1970. O Boomerang destacava-se por sua concepção simultaneamente simples, robusta e econômica, oferecendo aos veículos desempenho extraordinário em terrenos acidentados, graças à capacidade de manter as quatro rodas traseiras em contato constante com o solo, independentemente das irregularidades do terreno. Diferentemente dos sistemas convencionais, que utilizavam dois eixos traseiros apoiados sobre feixes de molas, o Boomerang empregava apenas um eixo motriz, em cujas extremidades eram instaladas duas caixas de engrenagens — cujo formato peculiar lembrava os tradicionais bumerangues australianos. Cada caixa recebia e distribuía o torque para duas rodas, permitindo que atuassem de maneira independente e com ampla variação angular em relação ao solo. Esse arranjo mecânico garantia notável tração em pisos irregulares ou desagregados, uma característica crucial para operações militares. Embora o sistema não fosse adequado à tração de cargas muito pesadas — situações em que os sistemas tradicionais permaneciam necessários — ele atendia plenamente às demandas operacionais de veículos militares de transporte e apoio tático. Por sua originalidade e eficácia, o Boomerang rapidamente alcançou grande notoriedade no mercado internacional e chamou a atenção do Exército Brasileiro, que identificou nesse sistema uma solução promissora para a urgente necessidade de renovação de sua frota de caminhões com tração integral. Em reconhecimento à crescente importância estratégica do projeto, o governo brasileiro conferiu-lhe, ainda em 1967, a classificação oficial de “Programa de Interesse para a Segurança Nacional”, inserindo-o no conjunto de iniciativas voltadas ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa. No início de 1971, dois protótipos do Ford F-600, equipados com o sistema Tração Total e com o novo conjunto de suspensão Boomerang desenvolvido pela Engesa, foram submetidos a rigorosos testes no campo de provas da Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro. O processo comparativo avaliou esses veículos frente a modelos similares produzidos pela Chrysler do Brasil S.A. e pela General Motors do Brasil
A motorização a diesel — que oferecia maior torque, menor consumo e maior confiabilidade para uso militar — acabou sendo determinante na escolha. Como resultado, a Ford conquistou o primeiro grande contrato de produção, que previa a entrega de 200 caminhões F-600 configurados com tração 6×6, adaptados pela Engesa. Paralelamente, a Engesa foi contratada para realizar a conversão de um número expressivo de caminhões F-600 da primeira série, originalmente fabricados nas versões 4×2 e 6×2, que já se encontravam em serviço no Exército desde os anos 1960. Essas viaturas receberam novos sistemas de tração integral, ampliando significativamente a mobilidade da força terrestre. A incorporação, em quantidade crescente, dos novos Ford–Engesa F-600, tanto nas versões 6×6 quanto 4×4, especialmente junto às unidades de infantaria motorizada, marcou um ponto de inflexão na modernização logística do Exército Brasileiro. A chegada dessas viaturas nacionais, dotadas de tecnologia moderna e maior capacidade off-road, permitiu iniciar a tão aguardada desativação dos veteranos caminhões norte-americanos da Segunda Guerra Mundial Na sequência dos modelos Ford Engesa F-600, seriam incorporados a frota do Exército Brasileiro ainda uma grande quantidade de caminhões com nível de militarização reduzido com tração 4X2, 4X4 e 6X2 dispostos em carrocerias nas versões de carga seca (comercial e militar), cisterna de combustível, cisterna de água, bombeiro, basculante, oficina, baú de carga, frigorifico, posto de comando e também socorro mecânico guincho, com esta última carroceria produzida pela empresa paulista Bisseli Viaturas e Equipamentos Ltda. Devido a grande quantidade incorporada ao longo das décadas de 1970 e 1980, os caminhões Ford F-600 formariam o esteio da frota de transporte militar para todo terreno do Exército Brasileiro. Neste contexto os Ford-Engesa F-600 com tração 4X4 passariam a ser empregados também para tracionar peças de artilharia de médio porte dos modelos M-101 AR 105 mm e M-102 105 mm pertencentes aos Grupos de Artilharia de Campanha (GAG). Em seguida os modelos com tração 6X6 também passariam a exercer esta tarefa agora tracionando canhoes mais pesados como os M-114 155 mm. Também seriam empregados durante um curto espaço de tempo pelos Grupos de Artilharia Antiaérea (GAAAe), com o veículo servindo com transporte e plataforma móvel para defesa antiaérea de ponto, empregando os reparos quádruplos M-55M Quadmount, equipados com quatro metralhadoras Browning M-2 calibre .50. Apesar de toda sua importância no Exército Brasileiro, a frota desta família de caminhões a partir de meados da década e 1980 já mostrava sinais de desgaste operacional, o que denotava a necessidade premente de renovação da frota a curto e médio prazo. Porém neste momento a Ford do Brasil S/A não dispunha em seu portifólio comercial de uma modelo que pudesse substituir a altura a família F-600. Este cenário abriria espaço para a Mercedes Benz do Brasil S/A que habilidosamente lograria êxito em se tornar nos anos seguintes no principal fornecedor de caminhões militares para as Forças Armadas Brasileiras. Desta maneira seria dado início a um gradual processo de desativação dos caminhões Ford-Engesa F-600 , com este se estendendo até o ano de 2004, quando foram retirados de serviços as últimas viaturas desta família. 

Em Escala.
Para representarmos a viatura de transporte não especializado Ford Engesa F-600 VTNE “EB21- 4131” empregado pelo Exército Brasileiro, fizemos uso de um excelente modelo artesanal confeccionado em resina, metal e madeira, produzido pela Fusaro Trucks na escala 1/43. Complementamos o conjunto com itens de carga como paletes, confeccionados em resina. Fizemos a aplicação de decais confeccionados pela decais Eletric Products pertencentes ao set "Exército Brasileiro 1942 - 1982".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático do Exército Brasileiro aplicado em todos seus veículos militares desde a Segunda Guerra Mundial, até o final do ano de 1982. Ao longo dos anos, seriam aplicadas pequenas alterações, sempre relacionadas apenas as marcações de identificação e números de frota. Após o ano de 1983, estes caminhões  adotariam o esquema de camuflagem tático de dois tons, mantendo este padrão até a desativação no ano de 2004.  Empregamos tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors.
Bibliografia :
- Ford do Brasil Lexicar - www.lexicar.com.br/ford
- História da Ford no Brasil - www.ford.com.br
Primórdios da Motorização no Exército Brasileiro 1919-1940 - Expedito Carlos Stephani Bastos
- Motorização no Exército Brasileiro 1906 a 1941 - Expedito Carlos Stephani Bastos