Citroen 2 CV Charleston

Historia e Desenvolvimento
André Gustave Citroën, engenheiro e empresário francês de ascendência judaica holandesa e polonesa, figura entre os nomes mais influentes da história da indústria automotiva, tanto no contexto francês quanto no cenário internacional. Dotado de notável engenhosidade técnica, destacou-se ainda jovem pela invenção das engrenagens bi-helicoidais, conhecidas como espinha de peixe, solução mecânica que reduzia vibrações e ruídos e que se tornaria um símbolo duradouro de sua visão inovadora. Sua trajetória industrial teve início em 1912, quando fundou uma metalúrgica de porte modesto, inicialmente voltada à produção de componentes mecânicos e, posteriormente, de armamentos leves para a infantaria. O eclodir da Primeira Guerra Mundial, em 1914, representou um ponto de inflexão decisivo em sua carreira. A demanda crescente por material bélico impulsionou de forma extraordinária a expansão de sua empresa, que passou a ocupar posição estratégica como fornecedora do Estado francês. Ao longo do conflito, a metalúrgica de Citroën ampliou rapidamente sua capacidade produtiva, fabricando uma vasta gama de peças e componentes essenciais ao esforço de guerra e consolidando uma infraestrutura industrial de grande escala. Com o fim das hostilidades, em 1918, sobreveio um novo desafio. A brusca interrupção das encomendas militares deixou a empresa com elevada capacidade produtiva ociosa, exigindo uma redefinição urgente de seu modelo de negócios. Foi nesse contexto que André Citroën demonstrou, mais uma vez, sua extraordinária visão empreendedora. Aproveitando a experiência adquirida na produção em série durante o conflito, ele redirecionou seus esforços para o nascente mercado de automóveis de passeio, lançando, no segundo semestre de 1919, o Citroën Type A, o primeiro automóvel produzido em larga escala na França. Robusto, simples e relativamente acessível, o Type A obteve sucesso imediato junto ao público francês, simbolizando o início da motorização de amplas camadas da sociedade. Entretanto, o rápido avanço tecnológico do setor logo impôs novos desafios. Concorrentes passaram a abandonar as tradicionais carrocerias com estruturas de madeira, adotando soluções construtivas mais modernas, o que fez com que os primeiros modelos da Citroën se tornassem visualmente ultrapassados em pouco tempo. Longe de se acomodar, André Citroën voltou-se novamente à inovação como instrumento de sobrevivência e diferenciação. Em 1928, sua empresa tornou-se pioneira na Europa ao introduzir veículos com carroceria integralmente metálica, um avanço técnico que elevou significativamente os padrões de segurança, durabilidade e produção industrial. Esse movimento culminaria, poucos anos depois, no lançamento de um dos automóveis mais revolucionários do século XX: o Citroën Traction Avant. Apresentado no início da década de 1930, o Traction Avant incorporava três inovações fundamentais até então inéditas em conjunto: estrutura monobloco, suspensão independente nas rodas dianteiras e tração dianteira. Essas soluções técnicas, verdadeiramente disruptivas para a época, redefiniram os paradigmas da engenharia automotiva e estabeleceram um novo padrão construtivo que influenciaria gerações futuras de veículos, incluindo modelos emblemáticos como o Mini e o Volkswagen Golf, além de permanecerem presentes, sob diferentes formas, na grande maioria dos automóveis modernos.

Paradoxalmente, o extraordinário avanço tecnológico representado pelo Traction Avant teve um custo elevado. Os vultosos investimentos necessários para seu desenvolvimento comprometeram a saúde financeira da empresa. Em 1934, diante de uma situação econômica insustentável, a Citroën declarou falência e foi adquirida por seu principal credor, a fabricante de pneus Michelin. Apesar desse revés, o Traction Avant revelou-se um notável sucesso comercial. A excelente aceitação do modelo pelo mercado gerou volumes expressivos de vendas e rentabilidade, permitindo não apenas a recuperação financeira da empresa, mas também a consolidação definitiva da marca Citroën no mercado francês e a expansão de sua influência por toda a Europa. Assim, o legado de André Citroën ultrapassou os limites de sua própria trajetória empresarial, afirmando-se como um dos pilares da moderna indústria automotiva mundial. O Citroën 2CV foi oficialmente apresentado ao público no Salão do Automóvel de Paris de 1948, em um momento em que a Europa ainda enfrentava os desafios da reconstrução no pós-Segunda Guerra Mundial. Concebido para responder às necessidades de mobilidade de uma sociedade que buscava soluções simples, econômicas e confiáveis, o 2CV materializava um conceito inovador ao aliar funcionalidade, baixo custo e extrema simplicidade construtiva. Equipado inicialmente com um motor bicilíndrico de 375 cm³, refrigerado a ar, capaz de desenvolver 9 cavalos de potência, o modelo causou impacto imediato não apenas por sua proposta técnica, mas também por seu estilo singular e deliberadamente espartano. A reação inicial da imprensa refletiu esse estranhamento: um jornalista norte-americano, ao observar o veículo, teria ironizado ao perguntar “onde está o abridor de latas?”, comentário que ilustra a surpresa causada por um automóvel que rompia conscientemente com os padrões estéticos da época. Com o passar do tempo, porém, a combinação de economia, simpatia e praticidade conquistou o público europeu, transformando o 2CV em um verdadeiro ícone cultural. Com peso aproximado de 560 kg, o 2CV compensava sua potência modesta com uma notável leveza, oferecendo desempenho compatível com sua proposta essencialmente utilitária. A designação “deux chevaux” (dois cavalos) não fazia referência direta à potência real do motor, mas à potência fiscal, enquadrando o veículo em uma categoria tributária favorecida pelas políticas governamentais francesas de incentivo aos automóveis populares. Essa estratégia tornou o 2CV especialmente acessível, contribuindo para sua ampla disseminação em um continente que buscava reconstruir sua infraestrutura e sua vida cotidiana. Atenta às demandas do mercado por melhor desempenho, a Citroën introduziu, em 1954, uma versão aprimorada equipada com um motor de 425 cm³, capaz de entregar 12 cavalos de potência e alcançar uma velocidade máxima em torno de 80 km/h. Nesse mesmo período, foi lançada a versão furgão do 2CV, destinada ao transporte de pequenas cargas em áreas urbanas. Essa variante revelou-se particularmente versátil e ampliou significativamente o espectro de utilização do modelo, contribuindo para o aumento de sua popularidade. O êxito comercial levou a Citroën a expandir a produção do 2CV a partir de 1957, com a implantação de linhas de montagem em subsidiárias no Camboja e na Espanha, marcando o início de sua verdadeira internacionalização. 
Em 1958, a marca apresentou uma das versões mais singulares da família: o 2CV Sahara, um modelo tecnicamente ousado, dotado de dois motores de 425 cm³, tração nas quatro rodas e potência combinada de 24 cavalos, capaz de atingir cerca de 100 km/h. Embora sua produção só tenha se iniciado em 1960, estendendo-se até 1966 com aproximadamente 700 unidades fabricadas, o Sahara destacou-se por sua capacidade de operar em terrenos difíceis, consolidando a imagem de robustez e engenhosidade associada ao 2CV. A expansão global do modelo prosseguiu ao longo da década de 1960. A produção foi iniciada em Portugal em 1964 e, posteriormente, estendida à América do Sul, por meio de acordos de montagem no regime CKD (completely knocked down) em países como Paraguai, Uruguai e Equador, ampliando ainda mais a presença internacional do veículo. O preço competitivo foi um dos principais fatores responsáveis pelo sucesso do 2CV. Na Alemanha Ocidental, durante a década de 1950, o modelo era vendido por aproximadamente metade do valor de um Volkswagen Fusca, consolidando sua posição no segmento de automóveis econômicos. Contudo, nesse mesmo período, a concorrência tornou-se mais acirrada, com o surgimento de veículos compactos como o alemão Messerschmitt KR175 e o italiano Isetta, que disputavam o mesmo público. Ainda assim, a combinação singular de acessibilidade, durabilidade e carisma assegurou ao Citroën 2CV um lugar especial na memória coletiva e na história da indústria automotiva. Mais do que um simples meio de transporte, o 2CV tornou-se um símbolo de engenhosidade prática e de democratização da mobilidade, deixando um legado duradouro que transcende gerações. Ao longo da década de 1960, o Citroën 2CV passou a enfrentar um ambiente competitivo cada vez mais desafiador no mercado automotivo europeu. Modelos como o Simca 100, desenvolvido a partir de tecnologia licenciada da Fiat, e o Renault 4, primeiro hatchback de grande produção da marca francesa, conquistaram rapidamente a preferência de parcelas significativas do público, especialmente no mercado francês. A esses concorrentes somavam-se os chamados “microcarros”, entre eles o Messerschmitt KR175 e o Isetta, que atraíam consumidores por seus preços reduzidos, ainda que oferecessem desempenho, conforto e capacidade de transporte claramente inferiores aos do 2CV. Apesar desse cenário adverso, o Citroën 2CV conseguiu preservar sua relevância comercial. Sua robustez mecânica, baixo consumo, facilidade de manutenção e um carisma singular, construído ao longo de anos de presença nas estradas europeias, sustentaram sua posição como um veículo confiável e acessível. Mais do que um produto, o 2CV já havia se consolidado como um símbolo cultural, capaz de atravessar transformações de mercado sem perder sua identidade essencial. Paralelamente ao uso civil, o 2CV encontrou um nicho inesperado no meio militar, onde suas qualidades de simplicidade, leveza e resistência revelaram-se particularmente valiosas. Em 1961, a Marinha Real Britânica (Royal Navy) adquiriu 65 unidades do modelo, incluindo versões convencionais e picape, destinadas ao emprego pelos Regimentos de Comandos dos Fuzileiros Reais (Royal Marines). 

A decisão foi motivada, sobretudo, pelo reduzido peso do veículo  cerca de 560 kg , que permitia seu transporte por helicópteros embarcados em porta-aviões, característica especialmente relevante para operações em ambientes hostis, como regiões de selva e áreas litorâneas remotas. O desempenho do Citrone 2CV em condições adversas superou as expectativas, rendendo avaliações positivas e demonstrando sua capacidade de operar de forma confiável em cenários para os quais, à primeira vista, não havia sido concebido. Esse êxito no serviço britânico serviu de referência e impulsionou sua adoção pelas Forças Armadas Francesas, que passaram a empregar o modelo em múltiplas funções. O Exército Francês (Armée de Terre), a Força Aérea (Armée de l’Air) e a Marinha Nacional (Marine Nationale) incorporaram o 2CV em configurações variadas, incluindo transporte de pessoal, furgão utilitário e ambulância. Em diversos casos, as viaturas foram adaptadas para missões específicas, refletindo a flexibilidade da plataforma. Algumas unidades receberam equipamentos de reconhecimento armado, sendo dotadas de metralhadoras Browning M2 calibre .50 ou AANF1 calibre .30 ; outras foram configuradas como veículos de comando, equipados com sistemas de rádio; e houve ainda versões adaptadas para o emprego de canhões sem recuo de 106 mm. Essas aplicações pouco convencionais reforçaram a reputação do 2CV como um veículo extraordinariamente adaptável, capaz de atender a exigências operacionais diversas com soluções simples e eficazes. No final da década de 1970, a experiência acumulada levou o Exército Francês (Armée de Terre) a solicitar à Citroën o desenvolvimento de uma versão militar dotada de tração nas quatro rodas, capaz de ampliar ainda mais o desempenho fora de estrada. O resultado desse esforço foi o Citroën Méhari 4x4, um utilitário leve concebido especificamente para operações cross-country. O modelo apresentava carroceria metálica e era equipado com um motor bicilíndrico de 652 cm³, refrigerado a ar, dotado de ignição eletrônica integral, capaz de desenvolver 34 cv a 5.750 rpm e 36 lb.ft de torque a 3.500 rpm, valores modestos, porém suficientes para assegurar confiabilidade e mobilidade em terrenos variados. Cerca de 400 unidades do Méhari 4x4 foram adquiridas pelas Forças Armadas Francesas, permanecendo em serviço ativo até meados da década de 1990. Este modelo teve emprego operacional real, porém limitado e de baixa intensidade, compatível com a natureza do veículo e com a doutrina militar francesa do período, sendo operado pelas forças coloniais francesas na África Francófona (Chade, Djibouti,  República Centro-Africana e Gabão). Seriam empregados por tropas de infantaria leve,  unidades de reconhecimento e forças de guarnição colonial, em  tarefas de patrulhamento armado, ligação entre unidades, reconhecimento, escolta leve e  transporte rápido de pequenas equipes.  Em diversas ocasiões, essas missões envolveram contato hostil esporádico, emboscadas de baixa intensidade e presença armada dissuasiva, caracterizando emprego em ambiente de combate, ainda que não em batalhas convencionais. Este modelo veria ainda ação real em territórios Ultramarinos Franceses como Nova Caledônia, Polinésia Francesa e  Guiana Francesa, com destaque para este último, onde o veiculo  foi empregado em patrulhas de fronteira, ações contra garimpo ilegal, vigilância territorial e apoio a forças de segurança, ambientes nos quais o risco armado era real, embora intermitente.
Nas décadas de 1960 e 1970, o Citroën 2CV reafirmou de forma definitiva sua vocação para a versatilidade ao ser incorporado por diversas forças armadas, sobretudo em países africanos, muitos deles então recém-independentes e ligados à França por laços históricos, políticos e logísticos. Nesses contextos, o modelo destacou-se como um meio de transporte confiável e econômico, sendo empregado em funções variadas que iam do deslocamento de pessoal e material leve até tarefas de patrulhamento e apoio tático. Sua simplicidade construtiva, aliada à robustez mecânica e à facilidade de manutenção em ambientes com infraestrutura limitada, tornava-o particularmente adequado às exigências desses teatros operacionais. A trajetória industrial do 2CV teve início em 1948 e estendeu-se por mais de quatro décadas, encerrando-se oficialmente em julho de 1990, quando a última unidade deixou a linha de montagem da fábrica portuguesa da Citroën, em Mangualde. A cerimônia que marcou esse momento simbolizou o fim de uma era na história da marca. Ao longo desse período, a família 2CV ultrapassou a expressiva marca de cinco milhões de unidades produzidas, consagrando-se não apenas como o modelo mais popular da Citroën, mas também como um dos automóveis mais emblemáticos da história da indústria automobilística mundial. Entre as diversas derivações do projeto original, merece destaque o Citroën Méhari, produzido sob licença pela empresa Nordex, no Uruguai. Essa versão apresentava características próprias, moldadas pelas condições industriais e pelas necessidades regionais. Equipado exclusivamente com tração dianteira, o Méhari uruguaio utilizava componentes mecânicos fornecidos pela Citroën Argentina e uma carroceria confeccionada em plástico reforçado com fibra de vidro. Essa solução técnica, mais simples e economicamente viável, dispensava os sofisticados processos de moldagem por injeção empregados na França, evidenciando a capacidade da Citroën de adaptar seus projetos a diferentes realidades produtivas sem abdicar dos princípios de funcionalidade e acessibilidade que caracterizavam o 2CV. Para além de seu papel como veículo utilitário, o Citroën 2CV transcendeu o universo automobilístico e consolidou-se como um símbolo cultural, especialmente na Europa das décadas de 1950 e 1960. Sua imagem foi imortalizada na cultura popular por meio de obras consagradas, como As Aventuras de Tintim, do cartunista belga Hergé. No álbum O Caso Girassol, o 2CV surge conduzido pelos célebres detetives Dupond e Dupont, reforçando sua associação com o cotidiano europeu da época. Esse carisma foi ainda celebrado em iniciativas como uma edição especial dos chocolates Côte d’Or, que reuniu personagens de Tintim e modelos clássicos da Citroën, testemunhando o profundo enraizamento do automóvel no imaginário coletivo. Concebido originalmente como um veículo popular destinado a atender às necessidades de mobilidade do pós-guerra, o 2CV revelou-se, ao longo do tempo, muito mais do que um simples meio de transporte. Tornou-se um ícone de resiliência, engenhosidade e empatia social, capaz de se adaptar a contextos tão distintos quanto o uso civil cotidiano e o emprego militar. Sua longevidade, aliada à simplicidade e à durabilidade, assegurou-lhe um legado singular. Assim, o Citroën 2CV permanece não apenas como um automóvel marcante, mas como uma expressão duradoura do espírito inovador da Citroën e de sua capacidade de transformar limitações em virtudes, deixando uma marca indelével na memória de gerações.

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
O Citroën 2CV, consagrado internacionalmente como um símbolo de simplicidade, economia e versatilidade, teve uma participação pouco conhecida, porém significativa, no contexto militar brasileiro. Durante a década de 1950, o modelo foi empregado de forma temporária tanto pelo Exército Brasileiro quanto pela Força Aérea Brasileira, em circunstâncias diretamente influenciadas por acontecimentos geopolíticos de grande repercussão internacional, em especial a Crise do Canal de Suez, deflagrada em 1956. A origem desse episódio remonta à decisão do presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, que, em julho daquele ano, anunciou a nacionalização do Canal de Suez. A medida foi adotada como resposta à recusa dos Estados Unidos e do Reino Unido em financiar a construção da Barragem de Aswan, após avaliarem com desconfiança a crescente aproximação do Egito com países do bloco socialista, como a União Soviética e a Tchecoslováquia. A nacionalização do canal representou um gesto de afirmação da soberania egípcia e marcou um ponto de inflexão na história do Oriente Médio e da política internacional do pós-guerra, produzindo reflexos que se estenderam muito além da região, inclusive na reorganização logística e militar de diversos países. O Canal de Suez, com aproximadamente 163 quilômetros de extensão, ligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, foi construído entre 1859 e 1869 e constituiu-se em uma das mais importantes obras de infraestrutura do século XIX. Seu custo humano foi elevado: estima-se que mais de 120 mil trabalhadores egípcios tenham perdido a vida durante sua construção, muitos em decorrência de epidemias como a cólera. Originalmente sob controle conjunto do Egito e da França, o canal tornou-se rapidamente uma artéria vital para o comércio mundial, ao permitir uma ligação direta entre a Europa e a Ásia, dispensando a longa navegação ao redor do Cabo da Boa Esperança. Em 1879, assolado por graves dificuldades financeiras, o Egito foi compelido a vender sua participação no canal ao Reino Unido, que, poucos anos depois, em 1882, enviou tropas à região com o objetivo de proteger seus interesses estratégicos. Essa presença militar consolidou a influência britânica no Egito e aprofundou o caráter colonial da administração do canal, situação que perduraria até meados do século XX. Nesse contexto histórico, ganhou força o movimento conhecido como nacionalismo árabe ou arabismo, que defendia a unificação política e cultural dos povos árabes, do norte da África ao Oriente Médio. Embora de caráter idealista e difícil execução prática, essa corrente encontrou amplo respaldo popular nas décadas de 1950 e 1960, sobretudo sob a liderança carismática de Nasser. Valendo-se de meios de comunicação modernos para a época, como o rádio portátil, o líder egípcio conseguiu difundir sua mensagem mesmo nas regiões mais remotas do mundo árabe, articulando discursos centrados na soberania nacional, na justiça social e na oposição à influência colonial ocidental.A nacionalização do Canal de Suez acentuou as tensões internacionais, alinhando Grã-Bretanha, França e Israel em oposição direta ao Egito. 

Para grande parte do mundo árabe, a criação do Estado de Israel era percebida como uma herança do colonialismo europeu, o que transformou o confronto com o novo país em um dos pilares ideológicos do nacionalismo árabe. Embora inicialmente tenha projetado Nasser como um líder regional de grande prestígio, a Crise do Suez e os conflitos que se seguiram acabaram por expor os limites de sua estratégia política e militar. A nacionalização do Canal de Suez, anunciada pelo presidente egípcio Gamal Abdel Nasser em julho de 1956, desencadeou uma das crises internacionais mais significativas do século XX, cujos desdobramentos ultrapassaram o Oriente Médio e repercutiram profundamente na ordem geopolítica global do pós-guerra. A decisão de Nasser foi motivada pela recusa dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha em financiar a construção da Barragem de Aswan, considerada estratégica para o desenvolvimento econômico do Egito. Diante desse impasse, o líder egípcio decretou lei marcial na região do canal e assumiu o controle da Companhia do Canal de Suez, apostando que as receitas provenientes dos pedágios cobrados das embarcações permitiriam financiar integralmente a obra em um período estimado de cinco anos. A medida causou profunda inquietação em Londres e Paris, que viam no Canal de Suez não apenas um ativo econômico, mas uma artéria vital para o abastecimento de petróleo do Golfo Pérsico destinado à Europa. O temor de um eventual fechamento do canal ou de sua utilização como instrumento de pressão política levou Grã-Bretanha e França a interpretarem a nacionalização como uma ameaça direta a seus interesses estratégicos e à sua influência histórica na região. Diante do fracasso das iniciativas diplomáticas para solucionar a crise, Grã-Bretanha, França e Israel articularam uma ação militar conjunta, lançada em outubro de 1956. As forças israelenses invadiram a Península do Sinai, servindo de pretexto para a intervenção anglo-francesa, que, sob o argumento de garantir a segurança da navegação internacional, promoveram desembarques militares em portos egípcios no mês seguinte. No entanto, a operação encontrou forte resistência política e diplomática, tanto no plano interno  com manifestações contrárias à guerra nos próprios países europeus envolvidos  quanto no cenário internacional, sob a pressão direta da Organização das Nações Unidas (ONU) e da União Soviética. A chamada Crise do Canal de Suez tornou-se, assim, um marco decisivo na história das relações internacionais, evidenciando o declínio da influência colonial europeia e a ascensão de novas potências no sistema internacional. Como resposta à escalada do conflito, a ONU criou, ainda em 1956, sua primeira missão de manutenção da paz: a Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF-Suez), conhecida no Brasil como FENU-Suez, com a finalidade de separar as forças em confronto, supervisionar os cessar-fogos e restaurar a estabilidade na região. O Brasil, na condição de membro ativo da ONU, foi convidado a integrar a comissão internacional de estudos sobre o conflito, desempenhando papel relevante nos esforços diplomáticos que culminaram na desescalada da crise. 
Em dezembro de 1956, sob supervisão das forças da ONU, iniciou-se a retirada das tropas britânicas e francesas, enquanto as forças israelenses completaram sua evacuação em março de 1957. Esse desfecho representou uma derrota política e diplomática para as potências invasoras, consolidando a autoridade da ONU como mediadora de conflitos internacionais. Além de sua atuação diplomática, o Brasil contribuiu de forma concreta com o envio de um contingente militar ao Oriente Médio, reafirmando seu compromisso com a paz e a segurança coletivas. O efetivo brasileiro, composto por militares oriundos de diversas regiões do país, contou com expressiva participação do Rio Grande do Sul, estado tradicionalmente reconhecido por sua forte cultura e formação militar. Dos vinte contingentes que integraram o Batalhão de Infantaria brasileiro, posteriormente conhecido como Batalhão Suez, três foram provenientes daquele estado, evidenciando sua relevância no esforço nacional. Integrado à UNEF, o Batalhão Suez tornou-se um símbolo da presença brasileira em missões de paz internacionais, representando não apenas a contribuição militar do país, mas também sua vocação diplomática e seu alinhamento aos princípios do multilateralismo. A participação brasileira na Crise de Suez consolidou-se, assim, como um capítulo significativo da história militar e diplomática nacional, inserindo o Brasil de forma mais assertiva no cenário internacional do pós-Segunda Guerra Mundial. Entre janeiro de 1957 e julho de 1967, o Brasil exerceu um papel relevante e contínuo no âmbito da Força de Emergência das Nações Unidas no Egito (UNEF-Suez), contribuindo com o envio de vinte contingentes militares ao teatro de operações como parte de uma missão multinacional de manutenção da paz. A presença brasileira teve início em fevereiro de 1957, quando as primeiras tropas do Exército Brasileiro desembarcaram no Oriente Médio, integrando uma força internacional composta por militares de dez nações: Brasil, Canadá, Colômbia, Dinamarca, Finlândia, Índia, Indonésia, Iugoslávia, Noruega e Suécia. Os contingentes participantes da UNEF foram formados integralmente por unidades militares nacionais, mantendo suas estruturas orgânicas, tradições e doutrinas próprias. O material empregado refletia a diversidade de origens dos países integrantes, sendo o equipamento padronizado de acordo com a disponibilidade logística fornecida pelas nações colaboradoras e pelas próprias Nações Unidas. Nesse contexto, destacaram-se veículos de procedência norte-americana amplamente difundidos no pós-Segunda Guerra Mundial, como os blindados Ford M-8 Greyhound e Ford M-20 Command Car, além de Jeeps Willys MB e Ford GPW, viaturas Dodge das séries WC-52, WC-53 e WC-56, o utilitário Ford M-151 MUTT, caminhões britânicos Bedford e carros blindados de reconhecimento Coventry Armoured Car Mk. I. A contribuição brasileira no campo logístico incluiu a utilização de caminhões FNM D-11000 e viaturas leves Volkswagen Kombi, enquanto a França forneceu à missão veículos da família Citroën 2CV, abrangendo versões sedan, picape e ambulância.  Após avaliação técnica realizada pela Comissão de Material das Nações Unidas, o Citroën 2CV Charleston foi selecionado como o principal veículo destinado às tarefas administrativas da Força de Emergência das Nações Unidas no Egito (UNEF-Suez), em razão de sua simplicidade mecânica, confiabilidade e baixo consumo. Ao todo, noventa unidades foram cedidas pelo governo francês, provenientes dos estoques do Exército Francês (Armée de Terre), sendo posteriormente distribuídas entre os dez países participantes da missão.  O contingente brasileiro recebeu nove viaturas Citroën 2CV, distribuídas da seguinte forma: seis veículos na versão sedan, uma ambulância e duas picapes. Destas, duas viaturas foram destinadas à Polícia do Exército (PE), cinco ao Exército Brasileiro e uma à Força Aérea Brasileira (FAB), que mantinha um destacamento administrativo permanente na região. 
Esse destacamento desempenhou papel fundamental no apoio logístico da missão, destacando-se pela manutenção de uma ponte aérea regular de correio entre o Brasil e o Egito, essencial para assegurar a comunicação, o fluxo administrativo e o apoio moral às tropas desdobradas. Embora não existam registros oficiais conclusivos que confirmem o emprego sistemático das ambulâncias Citroën 2CV em missões médicas pela força brasileira, a presença do modelo no inventário da Força de Emergência das Nações Unidas no Egito (UNEF-Suez)evidencia sua adequação às exigências operacionais do teatro de operações. Leve, robusto e de manutenção simplificada, o 2CV demonstrou capacidade de adaptação a um ambiente desértico e operacionalmente complexo, superando sua concepção original como automóvel popular de uso civil. A participação brasileira na Força de Emergência das Nações Unidas no Egito (UNEF-Suez), apoiada por um conjunto heterogêneo de meios materiais e humanos, constituiu um marco na história militar e diplomática do país. O Citroën 2CV Charleston, com seu design singular e desprovido de paralelos com os veículos disponíveis no Brasil na década de 1950, despertou imediata curiosidade entre os militares brasileiros que participaram da Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF-Suez). Sua estética incomum, aliada à simplicidade de condução, conquistou os oficiais, que, apesar da modesta potência de seu motor, elogiaram sua funcionalidade. Um dos destaques do modelo era seu teto removível de lona, que oferecia praticidade e ventilação em um ambiente tão hostil quanto o deserto egípcio. A robustez do 2CV, equipado com um confiável motor boxer refrigerado a ar, revelou-se ideal para as condições desafiadoras da região, com poucos registros de falhas mecânicas, comprovando sua adequação às exigências do teatro de operações. Durante quase uma década, de 1957 a 1967, os Citroën 2CV Charleston e suas variantes — incluindo sedans, picapes e ambulâncias — serviram às forças brasileiras na UNEF-Suez, desempenhando tarefas administrativas essenciais para o funcionamento da missão multinacional de paz. Embora seu papel fosse modesto, esses veículos contribuíram significativamente para a logística da operação, apoiando os esforços de uma força composta por dez nações em um período de grande instabilidade no Oriente Médio. Os militares brasileiros, conhecidos como “boinas azuis”, enfrentaram condições extremas na Faixa de Gaza, incluindo calor escaldante, tempestades de areia e a constante ameaça de minas terrestres, enquanto patrulhavam incansavelmente as fronteiras entre Israel e Egito. Em meio a tamanha tensão, o 2CV se destacou como um aliado confiável, facilitando a mobilidade e a comunicação em um cenário de incertezas. Ao término da participação brasileira na missão, em julho de 1967, os Citroën 2CV, assim como os demais equipamentos utilizados pelas nações envolvidas, foram deixados no Egito. Não há registros oficiais que esclareçam seu destino final — se foram incorporados às forças armadas egípcias ou simplesmente abandonados. Contudo, o legado desses veículos transcende sua presença física. O 2CV, inicialmente projetado como um carro popular para o público civil, revelou-se um símbolo de resiliência e adaptabilidade, desempenhando um papel humilde, mas valioso, em uma missão dedicada a promover lampejos de paz em uma região marcada por conflitos. A história do Citroën 2CV na UNEF-Suez reflete não apenas a versatilidade de um ícone automotivo, mas também o compromisso brasileiro com a cooperação internacional e a busca por estabilidade em um mundo dividido.

Em Escala.
Para representarmos o Citroen 2CV Charleston em serviço ao Exército Brasileiro durante sua participação na FENU- SUEZ (Força de Emergência das Nações Unidas), empregamos o excelente kit da Revell presente na escala 1/24. Não há necessidade de se proceder nenhuma alteração para se  compor a versão utilizada pelo Brasil. Empregamos decais na escala 1/35 confeccionados sob encomenda pela Eletric Products , presentes no Set “Suez - 1957 / 1967".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura padrão empregado em todos os veículos participantes das Forças de Paz da ONU (Organização das Nações Unidas), durante a crise do Canal de Suez. Somente os carros pertencentes a Policia Militar do Exército Brasileiro (PE) apresentavam diferenças sutis neste esquema de pintura.
Bibliografia: 
- Citroën 2 CV vai completar 70 anos - https://jornaldocarro.estadao.com.br
- Citroen 2 CV Wikipédia - https://en.wikipedia.org/wiki/Citro%C3%ABn_2CV
- Citroen 2 Cv  – http://www.citroenet.org.uk/
- Batalhão Suez -   http://www.batalhaosuez.com.br 

PT-A75 e BT-A76 Stearman

História e Desenvolvimento.
A história da Stearman Aircraft Company representa um capítulo emblemático do empreendedorismo e da engenhosidade norte-americana, marcada por inovação, resiliência e os desafios impostos pelo contexto histórico do início do século XX. Fundada em 10 de dezembro de 1926, na cidade de Venice, Califórnia, por Lloyd Carton Stearman, um visionário engenheiro aeronáutico, a empresa surgiu em um momento de efervescência tecnológica, quando a aviação ainda engatinhava, mas já prometia transformar o mundo. Ao lado de Stearman, a companhia contava com Fred Hoyt como vice-presidente e George Lyle como secretário, formando uma equipe determinada a deixar sua marca na nascente indústria aeronáutica. O primeiro marco da empresa foi o lançamento do biplano Stearman C1, em 1927. Embora representasse um avanço técnico para a época, o modelo não alcançou sucesso comercial, com apenas uma unidade construída. Contudo, a Stearman Aircraft Company demonstrou tenacidade ao rapidamente iterar seu projeto, introduzindo o Model C2 no mesmo ano. Este modelo, mais refinado, conseguiu atrair o mercado, resultando na venda de 33 unidades. O sucesso inicial incentivou a empresa a continuar aperfeiçoando suas aeronaves, culminando no desenvolvimento do Stearman C3, lançado em 1928. Este biplano robusto, com asas retas e um trem de pouso resistente equipado com amortecedores a óleo, foi projetado para combinar funcionalidade e acessibilidade. Com dois cockpits abertos  um traseiro para o piloto e outro dianteiro com dois assentos para passageiros dispostos lado a lado, o C3 incorporava melhorias significativas em relação ao C2, como um tanque de óleo de maior capacidade e um compartimento de bagagem ampliado. Equipado com motores que variavam de 128 a 225 cavalos de potência, o Model C3 foi concebido para transporte de passageiros e voos executivos, destacando-se por seu desempenho confiável e custo competitivo. Esses atributos se refletiram em seu sucesso comercial, com a venda de 179 unidades, um feito notável para uma empresa jovem em um mercado altamente competitivo. Apesar dos avanços técnicos e do sucesso inicial, a Stearman Aircraft Company enfrentou desafios significativos, especialmente no que diz respeito à gestão financeira. Lloyd Stearman, embora brilhante como engenheiro, não possuía a mesma habilidade para administrar os aspectos econômicos da empresa. Esse obstáculo tornou-se ainda mais crítico com a eclosão da Grande Depressão em 1929, um evento que abalou profundamente a economia global e atingiu em cheio a indústria aeronáutica. A crise reduziu drasticamente a demanda por aeronaves, forçando muitas empresas do setor a encerrar suas atividades ou buscar alternativas para sobreviver. Nesse contexto, a Stearman Aircraft Company foi adquirida pela United Aircraft and Transport Corporation em 1929, uma decisão que garantiu sua sobrevivência, mas marcou o fim do controle direto de Lloyd Stearman sobre a empresa que fundara. Mesmo assim, Stearman permaneceu como presidente, continuando a influenciar o desenvolvimento de novos projetos e deixando um legado duradouro no setor.

Um dos últimos projetos notáveis da empresa sob a liderança de Stearman foi o Stearman Model 6 Cloud Boy, que realizou seu primeiro voo em 1931. Projetado como um treinador básico para o mercado civil, o Cloud Boy também foi oferecido ao Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) sob a designação YPT-9, com a esperança de conquistar contratos militares. Contudo, a aeronave não despertou o interesse das forças armadas, e sua comercialização no mercado civil foi igualmente prejudicada pela persistente crise econômica, resultando na venda de apenas três unidades. Apesar desse revés, o Cloud Boy simbolizava o espírito inovador da Stearman Aircraft Company, que continuou a buscar soluções criativas em um período de adversidades. Em 1932, a Stearman Aircraft Company enfrentava mais um período de incertezas e dificuldades econômicas, reduzindo seu quadro de pessoal para apenas vinte e cinco funcionários. No entanto, a empresa conseguiu uma importante oportunidade ao ser subcontratada pela Boeing Aircraft Company para a produção de componentes críticos para o Boeing 247, iniciando assim uma parceria significativa com este gigante da indústria aeronáutica. Como resultado da Lei do Correio Aéreo de 1934, a empresa  United Aircraft and Transport Corporation foi reorganizada, tornando-se a United Airlines Transport Corporation. Este processo culminou na absorção da empresa pela promissora Boeing Aircraft Company, que renomeou sua divisão aeronáutica para Stearman. Todos os projetos originais foram mantidos, incluindo um novo treinador primário derivado diretamente do Stearman Model 6 Cloud Boy, designado como YPT-9, que começou a ser desenvolvido em 1933. A nova aeronave recebeu a denominação comercial de Stearman Model 70, apresentando uma configuração biplano e com dois lugares, sendo especificamente projetada para tarefas de instrução e treinamento. Embora tivesse um desempenho modesto em comparação com aeronaves da mesma categoria, seus projetistas apostaram na excelente relação custo-benefício tanto em termos de operação quanto de manutenção,  como um dos principais diferenciais competitivos do novo produto. Essa decisão mostrou-se acertada, pois as características do Stearman Model 70 atendiam perfeitamente aos requisitos técnicos estabelecidos pelo Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) e pela aviação naval da Marinha dos Estados Unidos (US Navy), que anteriormente definiram em conjunto os parâmetros para o desenvolvimento de uma aeronave de treinamento primário. Uma proposta  técnica e comercial foi apresentada aos militares norte-americanos no final de 1934, e após uma sinalização positiva destes, em  seguida seria realizada  sua apresentação oficial  em voo, com o primeiro protótipo recebendo muito elogios nesta oportunidade.  As impressões positivas causadas pelo Stearman Model 70 resultaram na celebração do primeiro contrato com o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) no final de 1934, envolvendo a aquisição de 61 aeronaves de uma versão aprimorada designada Stearman Model 73. 
Logo em seguida, a aviação naval da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) firmou um contrato semelhante, recebendo suas primeiras aeronaves no mesmo período, no início do ano 1935. O excelente desempenho operacional da aeronave motivou a Stearman Aircraft Company a buscar um ciclo evolutivo em seu projeto, resultando na criação do Model X-75. A nova versão passou a ser equipada com motores Curtiss Wright R-760 ou Lycoming R-680, ambos com potência de 225 cv. Para o desenvolvimento desse modelo, foram construídos dois protótipos, os quais foram submetidos a um rigoroso programa de ensaios em voo realizado pelo Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC). Esse processo culminou em uma encomenda inicial de 26 unidades equipadas com os motores Lycoming R-680, designadas militarmente como PT-13. Em seguida, a aviação da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) adquiriu mais 20 células, recebendo a designação N2S-1. Em agosto de 1936, o Exército dos Estados Unidos (US Army) solicitou mais 50 aeronaves, agora na versão PT-13A, que foi equipada com o motor Lycoming R-680-7, com potência de 245 cv. Entre outubro e dezembro do mesmo ano, mais 58 unidades foram contratadas para produção. Paralelamente, foi celebrado o primeiro contrato de exportação envolvendo 30 aeronaves destinadas à Aviação Naval da Marinha Argentina, com novos acordos firmados com os governos das Filipinas e do Brasil. Em janeiro de 1937, o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) encomendou mais 26 aeronaves do modelo Stearman PT-13A. O aumento da potência das aeronaves de primeira linha gerou uma demanda por melhorias de desempenho, levando os militares norte-americanos a solicitar à empresa melhorias nas aeronaves de treinamento. Em resposta a essa demanda, foi desenvolvido o Stearman PT-13B, equipado com o novo motor Lycoming R-680-11, de nove cilindros e 280 cv. Este modelo resultou na encomenda de 225 células, que foram entregues entre 1939 e 1941. Dentre essas aeronaves, seis foram convertidas para treinamento em voo por instrumentos, recebendo a designação PT-13C. O próximo modelo a entrar na linha de produção foi o Stearman PT-13D, que passou a contar com o motor Lycoming R-680-17, de nove cilindros e 300 cv, equiparando-se a várias aeronaves de primeira linha. Nesse momento, as ameaças relacionadas ao potencial envolvimento dos Estados Unidos no conflito europeu levaram o governo a intensificar seus investimentos em defesa, resultando na encomenda de mais 700 aeronaves de treinamento primário do modelo Stearman PT-13D. No final de 1939, tornou-se cada vez mais evidente para o governo dos Estados Unidos que a entrada do país no conflito europeu seria inevitável, sendo apenas uma questão de tempo para o fato. Diante dessa perspectiva, tornou-se imperativo que as forças armadas norte-americanas iniciassem um processo de preparação intensiva, com ênfase especial na capacitação de pessoal especializado, incluindo pilotos, navegadores e tripulantes de bombardeiros. 

Para atender a essa crescente demanda, tanto o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) quanto a aviação naval da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) identificaram a necessidade urgente de constituir uma extensa frota de aeronaves destinadas ao treinamento primário para milhares de pilotos militares. Nesse contexto, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos passou a consultar os principais fabricantes aeronáuticos do país com o objetivo de viabilizar a produção em larga escala dessas aeronaves de treinamento. Entre as empresas consultadas, destacou-se a Stearman Aircraft Division, que apresentou uma versão aprimorada de seu modelo PT-13D. Assim nasceu o PT-17, que logo foi submetido à avaliação das autoridades militares norte-americanas. Após a aprovação de sua proposta sob os aspectos técnico e comercial, foram iniciadas negociações que culminaram em uma significativa encomenda de 3.500 unidades, cuja produção em série teve início em janeiro de 1940. O Stearman PT-17A, assim como seu antecessor, foi projetado para o treinamento básico de pilotos. Tratava-se de uma aeronave de configuração biplana, com uma estrutura composta por tubos de aço soldados e asas de madeira, revestidas inteiramente por tela. Possuía duas cabines abertas dispostas em tandem, destinadas ao aluno e ao instrutor, e era equipada com o motor radial a pistão Continental R-670-5, capaz de gerar 210 cavalos de potência. Nos primeiros lotes produzidos, destacaram-se 18 unidades configuradas especificamente para treinamento por instrumentos, as quais receberam a designação PT-17B. Em meados de 1941, a produção do PT-17 enfrentou um desafio significativo devido à escassez de motores, o que ameaçava comprometer os prazos de entrega estabelecidos. Diante dessa situação, foram avaliadas alternativas que resultaram na adoção dos motores radiais Jacobs R-755, com 225 cavalos de potência os mesmos utilizados nos modelos Beechcraft Model 17 Staggerwing e Cessna AT-17 Bobcat. Essa adaptação deu origem a 150 unidades do Stearman PT-18A. No âmbito do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), o Stearman PT-17 consolidou-se como o treinador primário padrão. O mesmo conceito foi adotado pela Aviação Naval da Marinha dos Estados Unidos (US Navy), que incorporou o modelo sob a designação Stearman N2S. As versões destinadas à Marinha foram equipadas com uma variedade de motores Continental, incluindo os modelos R-670-14, R-680-8, R-670-4 e R-680-17. Além da versão inicial, foram desenvolvidas variantes aprimoradas, como N2S-1, N2S-2, N2S-3, N2S-4 e N2S-5, totalizando a produção de aproximadamente 4.300 aeronaves. Assim, o Stearman PT-17 e suas variantes desempenharam um papel fundamental no esforço de preparação das forças armadas norte-americanas para o conflito global, atendendo às exigências de formação de pilotos em larga escala com eficiência e confiabilidade.
Em 15 de março de 1941, a Stearman Aircraft Division realizou a entrega da milésima célula ao Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) e da milésima primeira aeronave à Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), marcando um marco significativo na produção do modelo. Posteriormente, em 6 de junho de 1941, o governo norte-americano emitiu o Certificado de Tipo Aprovado nº 743, homologando a versão civil do Modelo 75. Esse certificado abrangia os modelos A75L3 (PT-13) e A75N1 (PT-17), dos quais aproximadamente sessenta unidades foram comercializadas para escolas civis de aviação, como o Parks College of Engineering, Aviation and Technology. Essas instituições, em pouco tempo, também se envolveram na formação de pilotos militares, atendendo às necessidades impostas pelo contexto bélico. O primeiro cliente militar internacional do modelo foi a Força Aérea Real Canadense (RCAF), que, buscando substituir suas obsoletas aeronaves de treinamento, adquiriu trezentas unidades a partir do final de 1941. Essas aeronaves receberam a designação local PT-27. Paralelamente, foi desenvolvida uma versão de exportação, conhecida como Model 76, que, além de cumprir a função de treinamento primário, apresentava capacidade para atuar como aeronave de ataque leve. Essa variante podia ser equipada com dois suportes ventrais, cada um com capacidade para 65 kg, uma metralhadora móvel Colt-Browning MG-28 calibre .30, uma metralhadora fixa do mesmo calibre, além de oferecer maior autonomia e potência em relação aos modelos anteriores. Nos Estados Unidos, o modelo ficou popularmente conhecido por nomes como Kaydet, Boeing Stearman, NS, N2S ou simplesmente PT-17. Sua produção foi distribuída em dezesseis variantes, alcançando um total superior a dez mil unidades entregues entre maio de 1936 e agosto de 1945. Durante a Segunda Guerra Mundial, as aeronaves dessa família desempenharam um papel crucial, sendo responsáveis pela formação de mais de sessenta mil pilotos militares norte-americanos. Com o término do conflito, milhares de aeronaves foram retiradas do serviço ativo tanto pela Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF) quanto pela Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Muitas delas foram armazenadas ou transferidas para o setor civil, onde continuaram a ser utilizadas em missões de treinamento e voos turísticos. Além disso, um número considerável foi convertido para atuar na pulverização de lavouras, desempenhando essa função por mais de quatro décadas. Centenas de unidades também foram cedidas a forças armadas de diversos países, incluindo a República da China, Bolívia, Brasil, Colômbia, Cuba, República Dominicana, Grécia, Guatemala, Honduras, Irã, Israel, Nicarágua, Paraguai, Peru e Filipinas. Nessas nações, as últimas aeronaves do modelo só foram desativadas na década de 1960, evidenciando a durabilidade e versatilidade do projeto. Dessa forma, o Stearman Modelo 75 e suas variantes deixaram um legado significativo, tanto no treinamento de pilotos quanto em aplicações civis e militares ao redor do mundo, consolidando-se como um ícone da aviação do século XX.

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
Em 10 de fevereiro de 1914, o Brasil testemunhou um marco seminal na história de sua aviação com a fundação da Escola Brasileira de Aviação, localizada no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro. Estabelecida por meio de uma parceria entre o Ministério da Guerra e a empresa italiana Gino, Buccelli & Cia., a instituição surgiu em um período de efervescência tecnológica global, quando a aviação começava a se consolidar como uma ferramenta estratégica. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) destacou o potencial militar dos aviões, e o Brasil, embora geograficamente distante do conflito, reconheceu a importância de investir na formação de pilotos capacitados. Em 1916, a Escola Brasileira de Aviação foi sucedida pela Escola de Aviação Naval (EAvN), a primeira instituição exclusivamente militar dedicada à formação de pilotos no país. Três anos depois, em 1919, a criação da Escola de Aviação Militar (EAM), sob a orientação da Missão Militar Francesa de Aviação (MMFA), marcou a integração da aviação como uma arma do Exército Brasileiro. Apesar do entusiasmo inicial, a EAM enfrentou desafios significativos, incluindo limitações financeiras, logísticas e tecnológicas, que dificultaram a consolidação de uma estrutura de treinamento robusta. Nos primeiros anos, a frota da scola de Aviação Militar (EAM) contava com aeronaves como os modelos franceses Morane-Saulnier MS.147Ep2 e MS.130ET2, que, embora adequados para a época, refletiam as limitações de uma aviação ainda incipiente. A primeira renovação significativa ocorreu no início da década de 1930, com a incorporação de biplanos ingleses, como o De Havilland DH-60T Moth Trainer, e de modelos norte-americanos, incluindo o Fleet Model 11, o Waco RNF, o Waco CTO e o Curtiss-Wright CW-16. Essas aeronaves representaram um avanço em termos de desempenho, mas a rápida evolução da tecnologia aeronáutica na década de 1930 revelou sua obsolescência precoce. A disparidade entre os treinadores e as aeronaves operacionais de linha de frente tornou-se um obstáculo para a formação de pilotos preparados para cenários de combate modernos. Reconhecendo a necessidade de modernizar a frota de treinamento, os comandantes da Aviação Militar do Exército Brasileiro lançaram, no segundo semestre de 1936, uma concorrência internacional para a aquisição de até trinta aeronaves de treinamento avançado. O edital foi direcionado a fabricantes de renome da França, do Reino Unido e dos Estados Unidos, refletindo a ambição de alinhar a aviação militar brasileira aos padrões globais. As propostas foram avaliadas sob critérios técnicos e comerciais, com o objetivo de selecionar aeronaves que atendessem às necessidades estratégicas do país. O esforço para modernizar a formação de pilotos ocorreu em um momento de profundas transformações. A Revolução de 1930 e o governo de Getúlio Vargas impulsionaram a modernização das forças armadas brasileiras, enquanto a corrida armamentista global da década de 1930 destacava a importância da aviação militar. 

A concorrência internacional, promovida no segundo semestre de 1936, atraiu propostas de fabricantes de renome da França, do Reino Unido e dos Estados Unidos. Dentre elas, destacou-se a oferta da Stearman Aircraft Division, uma empresa norte-americana já reconhecida por sua expertise na produção de aeronaves de treinamento. A proposta apresentada pela Stearman centrava-se na versão de exportação do PT-13A, designada como Stearman Model 76, uma aeronave projetada não apenas para atender às demandas de formação de pilotos, mas também para desempenhar funções táticas, como ataque leve. Suas características técnicas incluíam adaptações notáveis, como a possibilidade de instalação de cabides ventrais para bombas e metralhadoras Colt-Browning MG-28 calibre .30, destinadas à autodefesa, além de tanques suplementares que ampliavam a capacidade de combustível em 110 litros. Equipada com o motor Wright R-975-E3 de 420 cavalos de potência, a Model 76 se destacava como a variante de maior desempenho dentro de sua família, oferecendo uma combinação de robustez, versatilidade e custo competitivo que a tornou particularmente atraente para o Exército Brasileiro. A Diretoria de Aeronáutica do Exército Brasileiro, após uma análise detalhada das propostas, optou pela oferta da Stearman, formalizando um contrato para o fornecimento de trinta unidades do Model 76, adaptadas às especificações nacionais. Para atender às exigências brasileiras, as aeronaves foram configuradas com instrumentos em sistema métrico e incluíam a provisão para uma metralhadora móvel na nacele traseira, ampliando sua capacidade operacional. A encomenda foi dividida em dois lotes distintos: o primeiro, designado Model A76-C3, contava com uma metralhadora fixa instalada na asa direita inferior, reforçando sua capacidade de combate; o segundo, identificado como Model B76-C3, substituía a metralhadora por uma câmera fotográfica Fairchild K-3B, conferindo versatilidade para missões de reconhecimento aéreo. Essa dualidade de configurações refletia a visão estratégica do Exército Brasileiro, que buscava aeronaves capazes de atender tanto às necessidades de treinamento quanto às demandas operacionais em um contexto de modernização militar. O processo de produção e entrega das aeronaves foi meticulosamente planejado. Em maio de 1937, as primeiras unidades foram concluídas nas instalações da Stearman Aircraft Division, em Wichita, Kansas. Uma comitiva de oficiais brasileiros deslocou-se aos Estados Unidos para inspecionar as aeronaves, garantindo que atendessem às especificações acordadas. Após a aprovação, os aviões foram desmontados, acondicionados em caixas de madeira e transportados por via naval até o porto do Rio de Janeiro, em um trajeto que durou aproximadamente vinte dias. No Brasil, as aeronaves foram trasladadas por via terrestre até o Parque Central de Aviação do Exército, localizado no Campo dos Afonsos, onde equipes técnicas enviadas pela Stearman supervisionaram a remontagem e realizaram ensaios de voo para certificar sua plena operacionalidade. Esse cuidado no processo de integração reflete o profissionalismo e o compromisso com a qualidade que marcaram a modernização da Aviação Militar brasileira.
Em 9 de julho de 1937, o primeiro Stearman A76-C3 realizou seu voo inaugural nos céus brasileiros, marcando o início da integração dessas aeronaves à Aviação Militar do Exército. Por sua vez, o primeiro exemplar do modelo B76-C3 foi declarado operacional no final daquele mesmo mês, efetuando seu voo inicial em 11 de setembro. A incorporação da última célula à frota ocorreu no final de dezembro, concluindo o processo de entrega conforme o cronograma estabelecido. À medida que as aeronaves eram finalizadas no Parque Central de Aviação do Exército, no Campo dos Afonsos, elas eram transferidas para a Escola de Aeronáutica do Exército (EAerEx), onde passavam a integrar a frota operacional. Os alunos que haviam concluído a fase de instrução primária em 1937 começaram a utilizar os Stearman A76-C3 e B76-C3, entrando em contato direto com essas novas aeronaves. Nesse período, os cadetes iniciaram o aprendizado dos fundamentos do voo militar, que incluíam técnicas de voo em formação, manobras básicas de acrobacia e o cumprimento de outros elementos previstos no currículo de instrução. As características avançadas dessas aeronaves permitiram a introdução de um treinamento mais robusto e sistemático, abrangendo disciplinas como bombardeio, tiro terrestre e fotografia aérea, superando significativamente as limitações dos métodos anteriormente empregados. Devido a essas capacidades, os Stearman, popularmente chamados de "Estirmão" após a chegada da versão de treinamento primário A75, passaram a frequentar regularmente o campo auxiliar de Jacarepaguá, onde os alunos praticavam as técnicas de tiro e bombardeio. Contudo, a atuação dos modelos A76-C3 e B76-C3 não se restringiu ao espaço aéreo do Rio de Janeiro. Por determinação da Diretoria de Aeronáutica do Exército (DAEx), duas células foram destinadas à cidade de Belém, no estado do Pará, para apoiar as missões do Esquadrão de Adestramento do Núcleo do 7º Regimento de Aviação. De maneira semelhante, outras duas foram enviadas a Belo Horizonte, para operar em conjunto com o 4º Regimento de Aviação. Esta última transferência, entretanto, revelou-se temporária, pois as aeronaves foram posteriormente realocadas de volta ao Campo dos Afonsos. Nos anos subsequentes, enquanto a Aviação do Exército permaneceu ativa, a rotina de operações dessas aeronaves manteve-se estável. Inicialmente, esperava-se que os Stearman cedessem lugar como plataforma de instrução avançada com a chegada dos North American NA-72, recém-encomendados pelo Brasil. Contudo, as primeiras unidades desses novos aviões só foram recebidas em outubro de 1940, às vésperas da criação do Ministério da Aeronáutica (MAer). 

Diante desse contexto, a transição planejada não se concretizou de imediato, cabendo aos responsáveis pela futura Escola de Aeronáutica implementar as adaptações necessárias para atender às demandas emergentes da nova estrutura organizacional. Assim, os Stearman A76-C3 e B76-C3 desempenharam um papel essencial na modernização do treinamento de pilotos militares brasileiros, oferecendo uma plataforma versátil que contribuiu para o aprimoramento técnico e tático da Aviação Militar até o início da década de 1940. Neste mesmo período a Aviação Militar do Exército começaria a enfrentar uma situação delicada, pois sua frota de aeronaves de treinamento primário, que na época era composta por aeronaves de concepção antiga,  como os De Havilland DH-60T Moth Trainer e Muniz M7 e M-9,  passavam a apresentar cada vez menores índices de disponibilidade operacional. Este fator se dava principalmente pela falta de peças de reposição mais notadamente pertinente aos motores Havilland Gipsy Major,  que eram de origem inglesa e se tornariam extremamente escassos para a aquisição  devido ao início da Segunda Guerra Mundial. Desta maneira a fim de evitar um apagão em seu processo de instrução básica, a Diretoria de Aeronáutica do Exército (DAEx) sairia em buscas de alternativas. Porém diante do conflito em curso,  as fontes europeias seriam descartadas, buscando-se assim uma opção norte-americana. A escolha natural recairia sobre o modelo de instrução básica o Stearman A75-L3, pois afinal, excluindo itens como motor, tanques extras de combustível e material associado ao armamento, esta versão era praticamente idêntica as aeronaves  Stearman A76-C3 e B76-C3 em operação no pais. Esta aquisição viria a criar uma certa padronização dos processos de manutenção e fluxo de peças de reposição.  No início do segundo semestre de 1939 seria celebrado um contrato prevendo a aquisição de vinte células deste modelo, com o Brasil se tornando o primeiro operador dessa versão do Stearman Model 75. As primeiras células seriam recebidas desmontadas na sede da Escola de Aeronáutica do Exército (EAerEx) em março de 1940, sendo prontamente montados no local sobre a supervisão de técnicos da Stearman Aircraft Division. Estas aeronaves seriam montadas e colocadas em condições de voo em maio do mesmo ano, passando logo a ser empregadas no processo de instrução primária, repartindo suas surtidas de treinamento com os poucos Munis M-9 ainda em operação. Em função das diferenças presentes entre os dois modelos os A75-L3 foram apelidados de "Stirminhas" e os A76-C3 e B76-C3 de “Stirmões “em uma clara alusão ao desempenho de ambos. Mas o uso dos Stearman A75-L3 na Aviação Militar  do Exército seria breve, pois em janeiro de 1941, seria criado o Ministério da Aeronáutica (MAer), e aquelas aeronaves logo passariam para o controle da Força Aérea Brasileira. 
Em 20 de janeiro de 1941, a Aviação Militar do Exército contava ainda com vinte e sete aeronaves dos modelos Stearman A76-C3 e B76-C3, além de dezenove unidades da versão de treinamento primário A75-L3 em operação. Essas aeronaves, juntamente com o pessoal operativo associado, foram transferidas para a recém-criada Força Aérea Brasileira (FAB), que as incorporou à sua estrutura de treinamento na Escola de Aeronáutica (EAer). Nesse contexto, a Aeronáutica passou a dispor de um significativo número de aeronaves destinadas à formação de pilotos, embora estas fossem de diferentes tipos e origens, o que refletia a diversidade herdada da antiga Aviação Militar. A partir de 1942, o processo de formação de cadetes foi estruturado com a seguinte utilização de aeronaves: os alunos do terceiro ano iniciavam sua adaptação ao voo em grupo utilizando o A75-L3, conhecido como "Stirminha", prosseguiam para o BT-15 e concluíam o curso no North American NA-72, redesignado como T-6. Na etapa de instrução avançada, o Stearman A76-C3 era empregado no treinamento com armamento, abrangendo tiro frontal com a metralhadora fixa instalada na asa e bombardeio em mergulho, simulando operações como aeronave de ataque. Já o modelo B76-C3, equipado com uma câmera fotográfica Fairchild K-38, além de sua capacidade armamentista, também era utilizado para o ensino de técnicas de aerofotogrametria, ampliando as possibilidades de treinamento. A partir de 1943, com a chegada crescente de novos modelos, como o Fairchild PT-19 para treinamento primário e grandes quantidades do North American T-6 para instrução avançada, a FAB decidiu realocar as aeronaves remanescentes da família Stearman para a Base Aérea de São Paulo (BASP). Nesse local, elas foram integradas ao 3º Grupamento do Curso de Preparação de Oficiais de Reserva da Aeronáutica (GTCPOR), assumindo a missão de formar pilotos da reserva da Força Aérea Brasileira. Em 1944, doze células ainda operacionais foram transferidas para o 2º Grupamento do Curso de Preparação de Oficiais de Reserva da Aeronáutica (GTCPOR), sediado no Galeão, que passou a centralizar as atividades de formação de aviadores da reserva. Nesse mesmo período, as aeronaves começaram a ser retiradas do processo de instrução e redistribuídas a diversas bases aéreas, onde passaram a desempenhar funções administrativas. As últimas unidades do Stearman A75-L3 foram desativadas em 1946, enquanto os modelos A76-C3 e B76-C3 remanescentes tiveram sua baixa em 1947. Após revisão, essas aeronaves foram transferidas ao Departamento de Aviação Civil (DAC), que as destinou a diversos aeroclubes brasileiros, encerrando assim sua trajetória no âmbito militar e iniciando uma nova fase de utilização no cenário da aviação civil. Esse processo reflete a transição da FAB para uma frota mais moderna e homogênea, ao mesmo tempo em que destaca o papel significativo desempenhado pelos Stearman na formação de pilotos durante os primeiros anos da força aérea nacional.

Em Escala.
Para representarmos o Stearman PT-A75L3 "K-132” nas cores da Aviação Militar do Exército Brasileiro, quando sua operação junto a Escola de Aeronáutica do Exército (EAerEx)  fizemos uso da única opção disponível na época da montagem na escala 1/48, um kit produzido pela Lindberg. Para se compor a versão nacional, não é necessário prover nenhuma alteração com o modelo podendo ser montado diretamente da caixa . Empregamos decais produzidos pela FCM Decals presentes no antigo set 48/04.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregado por todos os Stearman A75-L3 e A76-C3 e B76-C3 quando de seu recebimento a partir do ano de 1937. Ao longo dos anos seriam aplicadas pequenas diferenças de marcações para identificar os esquadrões, após sua incorporação na Força Aérea Brasileira (FAB) este esquema de pintura seria mantido se alterando apenas os números de série das aeronaves.

Bibliografia :
- Boeing Stearman Model A75/A76  - Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Boeing-Stearman_Model_75
- História da Força Aérea Brasileira , Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Boeing Stearman no Brasil - Incaer , Aparecido Camazano Alamino - www.incaer.aer.mil.br/ideias_42.pdf
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015  - Jackson Flores Jr

LG1519/1819 MB-Engesa (VTNE-VTE-VE)


História e Desenvolvimento.
Ao longo de mais de um século, o engenho criativo de Gottlieb Daimler e Carl Benz moldou de maneira decisiva o surgimento da indústria automobilística moderna. Trabalhando de forma paralela, ainda que independente, ambos desenvolveram os primeiros automóveis motorizados plenamente funcionais, inaugurando uma era de transformações tecnológicas profundas. O pioneirismo desses inventores não se limitou aos veículos de passeio: deles também derivaram marcos fundamentais como o primeiro ônibus, o primeiro caminhão equipado com motor a gasolina e o primeiro caminhão movido a diesel, inovações que estabeleceram as bases para o transporte automotivo no século XX. Em abril de 1900, a introdução do motor “Daimler-Mercedes” representou um salto tecnológico expressivo. O novo grupo propulsor, projetado para ser eficiente, simples e de custo competitivo, revolucionou a produção seriada de veículos comerciais e consolidou a reputação da engenharia alemã no campo da motorização. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914–1918), a empresa desempenhou um papel central no esforço de guerra alemão. Suas fábricas produziram uma ampla variedade de equipamentos, incluindo caminhões, automóveis militares, componentes mecânicos e motores aeronáuticos, contribuindo diretamente para a sustentação logística e operacional das forças armadas do Império Alemão. Com o fim do conflito, entretanto, a Alemanha mergulhou em uma grave crise econômica. A hiperinflação, o desemprego em massa e a queda abrupta no poder de compra da população afetaram profundamente a indústria automotiva, especialmente o mercado de veículos de luxo. A sobrevivência tornou-se um desafio para grande parte das montadoras; muitas foram forçadas à fusão ou à cooperação industrial como forma de enfrentar o ambiente adverso. Nesse contexto, ao longo da década de 1920, a produção automotiva começou a apresentar sinais de recuperação. Para enfrentar os desafios econômicos e fortalecer sua posição no mercado, as empresas Daimler-Motoren-Gesellschaft (DMG) e Benz & Cie firmaram um acordo amplo de administração conjunta e cooperação tecnológica. O pacto — projetado para vigorar até o ano 2000 — previa a unificação de processos de engenharia, compras, produção, vendas e publicidade. Apesar disso, cada empresa continuou, por um breve período, comercializando seus automóveis sob suas marcas tradicionais. A aproximação evoluiu de modo natural para uma integração plena, resultando na formação da Daimler-Benz AG. O símbolo da nova companhia, a célebre estrela de três pontas, concebida originalmente por Gottlieb Daimler, passou a expressar a versatilidade universal dos motores da empresa, pensados para operar em terra, no ar e no mar. Já em meados da década de 1930, a Daimler-Benz foi profundamente impactada pelo contexto político da Alemanha Nazista. O agressivo programa de rearmamento implementado pelo governo de Adolf Hitler impulsionou de forma decisiva as vendas e garantiu contratos volumosos para a companhia. O portfólio, até então concentrado em automóveis e caminhões, foi expandido para incluir: motores aeronáuticos e navais; componentes mecânicos para veículos militares; embarcações de pequeno porte; equipamentos especializados destinados às Forças Armadas. Com isso, a Daimler-Benz consolidou-se como um dos principais pilares industriais do regime, desempenhando papel estratégico no fortalecimento da máquina de guerra nazista às vésperas da Segunda Guerra Mundial.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, as instalações industriais da Daimler-Benz encontravam-se praticamente paralisadas em razão dos intensos bombardeios conduzidos pelos Aliados. Em meio ao cenário devastado, a empresa iniciaria um lento processo de reconstrução, conduzido em cooperação direta com autoridades e empresas britânicas e norte-americanas. Esse movimento não se limitou à Daimler-Benz: estendeu-se a toda a infraestrutura alemã, impulsionado, a partir de 1947, pelo Plano Marshall. A reconstrução nacional criou uma demanda imediata por veículos utilitários de diversos portes, essenciais para a recuperação econômica e para a reorganização logística do país. Diante desse contexto, a Daimler-Benz identificou uma oportunidade singular no mercado interno e passou a direcionar grande parte de seus esforços ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de caminhões leves e médios. Para acelerar a retomada industrial, a empresa inicialmente recorreu a projetos concebidos na década de 1930, então já testados e aprovados, o que permitiu reduzir custos e encurtar o tempo de produção. Esses modelos alcançaram expressivo sucesso comercial não apenas na Alemanha, mas em toda a Europa, reforçando a presença da marca no período pós-guerra. Entretanto, seria apenas em meados da década de 1950 que a Daimler-Benz apresentaria um produto totalmente novo e especialmente concebido para atender às necessidades logísticas do processo de reconstrução alemã: o Mercedes-Benz MB L-319. O veículo incorporava o conceito de cabine avançada (cab-over-engine – COE), solução que ampliava o espaço disponível para carga sem alterar significativamente o comprimento do chassi ou a distância entre eixos. Tal configuração proporcionava maior manobrabilidade em ambientes urbanos e maior eficiência no transporte de mercadorias. O MB L-319 foi disponibilizado em múltiplas configurações, caminhão de carga, furgão, chassi para ônibus e versões especializadas o que o tornava notavelmente versátil. Seu sucesso no mercado europeu impulsionou o desenvolvimento da família de caminhões LP (Lastkraftwagen-Pullmann), que incluiria modelos como LP-315, LP-321, LP-326, LP-329 e LP-331. Todos mantinham o conceito de cabine avançada e encontraram aplicação em diversos setores: transporte de mercadorias, serviços municipais, veículos de emergência, como caminhões de bombeiros, e ambulâncias. Essa família consolidou a reputação da Mercedes-Benz como fabricante de veículos robustos, eficientes e tecnicamente avançados. Nesse ambiente de rápida recuperação econômica, a diretoria da Daimler-Benz AG começou a estruturar o primeiro grande plano de expansão internacional da empresa. Entre os mercados avaliados, a América do Sul assumiu papel estratégico, e o Brasil foi escolhido como ponto de partida para essa iniciativa. O objetivo consistia em estabelecer uma linha de produção local de caminhões e, futuramente, chassis de ônibus aproveitando o acelerado crescimento industrial brasileiro. Nessa fase inicial, as vendas no Brasil eram conduzidas por Alfred Jurzykowski, empresário polonês e distribuidor oficial da marca, cuja atuação alcançava notável êxito na comercialização de veículos importados no formato CKD (Completely Knock-Down). Esse modelo, baseado na importação de veículos desmontados para montagem em território nacional, seria o embrião da futura consolidação da Mercedes-Benz do Brasil.
Em 1951, Alfred Jurzykowski assumiu papel decisivo ao aproximar a Daimler-Benz do governo brasileiro, então sob a liderança do presidente Getúlio Vargas. Seu esforço diplomático e empresarial resultou em um acordo estratégico que previa a produção nacional de caminhões e ônibus equipados com motores diesel tecnologia que, à época, representava um avanço significativo em relação ao padrão predominante no país. Dois anos mais tarde, em outubro de 1953, esse movimento concretizou-se com a fundação da Mercedes-Benz do Brasil S.A., marco inaugural da presença industrial da montadora no país. Em seguida, iniciaram-se as obras de sua primeira planta fabril, instalada em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, área que então despontava como polo de modernização industrial do Brasil. Enquanto a fábrica tomava forma, a empresa concentrou-se na elaboração de um ambicioso programa de nacionalização de seus motores diesel. O esforço culminou, em dezembro de 1955, na fundição dos primeiros blocos de motor diesel produzidos na América Latina, evento realizado nas instalações da Sofunge – Sociedade Técnica de Fundições Gerais S/A. A cerimônia contou com a presença de Juscelino Kubitschek, presidente eleito, simbolizando o alinhamento entre a política de industrialização nacional e o avanço tecnológico da montadora. Pouco depois, em janeiro de 1956, teve início a usinagem desses blocos, um marco que contribuiria de maneira decisiva para a consolidação do motor diesel como padrão no mercado brasileiro  até então fortemente dominado pelo modelo norte-americano de motores movidos a gasolina. A fábrica de São Bernardo do Campo foi oficialmente inaugurada em 28 de setembro de 1956, sob direção técnica de Ludwig Winkler, que anteriormente comandara a linha de montagem da marca no Rio de Janeiro e, futuramente, estaria também ligado à produção de chassis da concorrente Magirus. A cerimônia  prestigiada pelo Presidente da República — refletia o clima de confiança e entusiasmo que caracterizava o Brasil dos anos 1950. Em discurso célebre, Juscelino Kubitschek proclamou: “O Brasil acordou!”, frase que sintetizava seu projeto desenvolvimentista e a crença no potencial industrial do país. Durante o evento, Kubitschek percorreu as instalações a bordo do Mercedes-Benz L-312, o primeiro caminhão diesel de médio porte fabricado no Brasil. O modelo, com capacidade de 6 toneladas de carga útil, era equipado com o motor nacional Mercedes-Benz de seis cilindros, 4.580 cm³, 110 cv, transmissão de cinco marchas e freios hidráulicos com assistência pneumática. Conhecido popularmente como “Torpedo”, o L-312 possuía cabine metálica recuada, permanecendo, até os dias atuais, como o único veículo desse tipo produzido pela marca no país. Esse novo modelo de porte médio rapidamente conquistou apreciável aceitação no mercado europeu, consolidando ainda mais a reputação internacional da Daimler-Benz AG no segmento de caminhões. Sua robustez, confiabilidade e baixo custo operacional tornaram a marca sinônimo de excelência e resistência mecânica.

O novo Mercedes Benz L-1111 ou “Onze Onze” como era popularmente chamado, seria no Brasil o grande precursor do modelo na configuração de cabine semiavançada. Sendo que futuramente seria representada na  “ MB - AGL”, que anos mais tarde faria muito sucesso no mercado brasileiro com a linha L-1113 “Onze Treze”.  Em suma, tratava-se do modelo antigo com teto baixo, que evoluiria entre os anos de 1970 e 1971, para a versão de teto alto, passando a equipar também as versões posteriores como os modelos Mercedes Benz MB L-1313, MB L-1513, MB 2013 (6X2), MB 2213 (6X4) e outros modelos específicos produzidos até o final da década de 1980.  Os dois modelos iniciais desta linha se tornariam os veículos mais representativos na trajetória da montadora alemã no Brasil, introduzindo entre outras inovações, o sistema de suspensão por feixe semielíptico transversal secundado por amortecedores telescópicos. Já em termos do trem de força, o Mercedes Benz MB L-1111, vinha equipado com o novo motor Mercedes-Benz OM-321 de seis cilindros com 110 cv de potência, o mesmo que equipara anteriormente os caminhões "Cara-Chata" MB LP-321, bem como, os ônibus de motor dianteiro do modelo MB LPO-321, e os modelos monoblocos MB O-321 H e MB HL. Esse novo motor a diesel, trabalhava ainda com o sistema de injeção  do tipo indireta produzida nacionalmente pela Bosch Roberts do Brasil S/A, com aspiração natural, sendo conhecido o popularmente como “maçarico”, dispondo de seis cilindros em linha esse propulsor Mercedes-Benz gerava seus 110 cv de potência (DIN). No início o Mercedes-Benz MB L-1111 seria oferecido no mercado nacional nas versões MB L, MB LK e MB LS, sendo que a versão MB L era a única disponibilizada em três opções de distância entre eixos (3.600 mm / 4.200 mm / 4.823 mm).  Seria ainda disponibilizada no mercado brasileiro neste mesmo período, a  versão Mercedes-Benz MB L-1111 Modelo 48, que representava aos operadores de transporte rodoviário, o modelo ideal para a implementação do terceiro eixo. Este sistema opcional se encontrava disponível para a venda nas concessionárias, e podia ser instalado em um grande gama de oficinas credenciadas pela montadora. Com a exceção dos modelos Mercedes-Benz MB L-1111/48 e MB LS-1111/36 com semirreboque e MB CMT, que apresentavam um preso bruto total (PBT) de 18.300 kg, algumas outras versões do MB L-1111 garantiam um PBT de 10.500 kg. Um ano mais tarde, no final do ano de 1965, a Mercedes Benz do Brasil S/A lançaria no mercado nacional sua nova versão com tração total do Mercedes-Benz MB L-1111, passando a ser denominada comercialmente como modelo MB LA-1111(4X4). Este novo caminhão seria o sucessor da versão "Cara-Chata" e passaria a fazer uso do sistema de tração total Mercedes-Benz, recebendo a designação comercial de MB LAP-321(4X4), e seria oferecido nas concessionárias nas versões LA, LAK e LAS.  Já a versão MB LA-1111 era a única que apresentava ao mercado duas opções de distância entre eixos, constituída pelos modelos  MB LA-1111/42 (4X4) com 4200 mm de distância entre eixos e a MB LA-1111/48 (4X4) com distância entre eixos de 4830 mm.
Todos os modelos MB L-1111 com tração integral nas quatro rodas, vinham equipados com o motor Mercedes Benz OM-321 com 110 cv de potência, caixa de mudanças tipo DB modelo G-32 de cinco velocidades à frente e um à ré; embreagem do tipo monodisco a seco; eixo dianteiro e traseiro tipo DB – 322 com engrenagens hipóides; e como item opcional de fábrica a direção do tipo hidráulica.  No interior da cabine esta família de caminhões contava com banco do motorista com acabamento em tecido ou corvin, ajustável em três posições diferentes; banco para dois ou mais acompanhantes; para-brisa de uma só peça; amplas janelas laterais e visores traseiros que proporcionavam excelente visibilidade. Um eficiente sistema de isolamento, estava instalado entre o habitáculo e o compartimento do motor, fazendo uso de revestimentos à prova de calor e som. Exteriormente dois grandes espelhos retrovisores externos asseguravam manobras fáceis e seguras e amplos estribos laterais permitiam entradas e saídas rápidas.  No ano de 1970 a montadora lançaria no mercado brasileiro, uma nova versão, o Mercedes Benz MB L-1113, que vinha equipado com o novo motor diesel MB OM-352LA com injeção direta de 5,6 litros de cubagem, 6 cilindros em linha com potência de 130 cv.  Seu motor apresentava um novo sistema no qual o combustível era injetado diretamente na câmara de combustível, proporcionando um consumo bastante moderado, que neste momento em função da crise do petróleo, resultaria em um grande diferencial competitivo no mercado comercial.  Além de apresentar uma excelente relação de custo-benefício operacional, o novo caminhão apresentava mais vantagens perante os concorrentes, como boa acessibilidade aos componentes mecânicos sob o capo, facilitando os processos de manutenção corretiva e preventiva. Além disso seu peso máximo de transporte bruto (PBT) de onze toneladas, apresentando em um caminhão de porte médios, representava ao mercado uma adequada resposta as necessidades de transporte em curtas distancias e usos leves. Neste contexto a versão MB L-1113/48, resultante da instalação do terceiro eixo, garantiria ao veículo o peso bruto total (PBT) de 18,5 toneladas, proporcionando disputar com facilidade um novo nicho de mercado, garantindo a Mercedes-Benz S/A no Brasil mais conquistas em termos de participação no mercado nacional. Neste momento a subsidiária brasileira começaria a aumentar seu volume de exportações para mercados emergentes. Nos anos seguintes o lançamento de novos modelos básico ou com tração integral (4X4 ou 6X6) ampliariam o leque de versões a serem disponibilizadas no mercado, levando a montadora a conquistar a liderança absoluta no Brasil no mercado de caminhões.   Apesar de grande sucesso dos novos modelos nos anos seguintes, cabe ao emblemático Mercedes-Benz MB L-1113 o título de caminhão mais vendido no Brasil, com este patamar se mantendo até os dias atuais. Entre seus anos de produção, seriam comercializados e emplacados mais de duzentos mil caminhões desta família. 

Emprego no Exército Brasileiro.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Exército Brasileiro experimentou um avanço significativo em sua capacidade de mobilização, impulsionado pelo recebimento de caminhões militares fornecidos pelos Estados Unidos sob a Lei de Empréstimos e Arrendamentos (Lend-Lease Act). No entanto, na década de 1950, a frota enfrentou desafios operacionais devido ao desgaste e à dificuldade de obtenção de peças de reposição. Este relatório analisa o impacto dessas questões, as soluções propostas pelo comando do Exército Brasileiro e os desafios associados à sua implementação. Com a adesão do Brasil ao esforço de guerra aliado em 1942, as Forças Armadas Brasileiras receberam, até o final de 1945, mais de 5.000 caminhões militares das séries GMC CCKW, Corbitt, Diamond e Studebaker US6G, fornecidos por meio do programa Lend-Lease Act. Esses veículos foram fundamentais para a mobilização de tropas e cargas durante o conflito. Contudo, no final da década de 1950, a operacionalidade da frota foi gravemente comprometida por dois fatores principais: Desgaste Natural: Resultante do uso intensivo durante e após a guerra; Dificuldade na Obtenção de Peças: A descontinuação da produção desses modelos nos Estados Unidos, há mais de uma década, dificultava a importação de componentes essenciais. Esse cenário gerou preocupação no comando do Exército Brasileiro, pois comprometia a capacidade operacional da Força Terrestre, exigindo soluções urgentes para restaurar sua prontidão logística. A solução ideal para manter a capacidade operacional envolvia a substituição da frota por um número equivalente de caminhões modernos com tração 4x4 e 6x6, sendo os modelos REO M-34 e M-35 os mais indicados devido à sua robustez e tecnologia avançada. No entanto, o elevado custo de aquisição de uma frota desse porte excedia as limitações orçamentárias do Exército Brasileiro na época, tornando essa opção inviável. Diante das restrições financeiras, o comando do Exército elaborou três soluções complementares para enfrentar o problema: Aquisição Limitada de Caminhões Modernos: Compra de um pequeno número de caminhões REO M-34 e M-35 para atender às necessidades mais críticas, priorizando missões estratégicas. Repotencialização da Frota Existente: Estudos para a modernização dos caminhões GMC CCKW e Studebaker US6G, visando prolongar sua vida útil por meio de atualizações técnicas. Adoção de Caminhões Comerciais Militarizados: Incorporação de caminhões produzidos nacionalmente, adaptados para missões secundárias, como transporte de cargas leves e outras funções de apoio. A combinação dessas estratégias tinha o potencial de restaurar a operacionalidade da Força Terrestre de maneira sustentável e economicamente viável. Os estudos para a repotencialização dos caminhões GMC CCKW e Studebaker US6G foram minuciosamente analisados, mas não receberam recomendação para implementação. As principais razões incluíam: Alto Custo: O investimento necessário para modernizar a frota era elevado, especialmente considerando a necessidade de importar componentes ou desenvolver substitutos localmente. O cancelamento da repotencialização dos caminhões norte-americanos evidenciou a necessidade de soluções alternativas para restaurar a operacionalidade da frota do Exército Brasileiro. 

A adoção de caminhões comerciais militarizados foi identificada como uma abordagem viável, permitindo: Substituição em Missões Básicas: Utilização de veículos comerciais em tarefas de transporte básico, liberando os caminhões militares com tração 6x6 para operações táticas e estratégicas em ambientes fora de estrada. Otimização da Frota Existente: Concentração dos veículos militares remanescentes em melhor estado para missões críticas. Essa estratégia, já implementada desde a década de 1930 com caminhões comerciais de pequeno porte, beneficiava-se do baixo custo de aquisição e operação dos veículos produzidos localmente, alinhando-se às prioridades orçamentárias da Força Terrestre. Para atender à demanda por caminhões médios, o Ministério do Exército optou por veículos fabricados pela Fábrica Nacional de Motores (FNM), uma empresa estratégica no fortalecimento da indústria automotiva brasileira. Dois modelos foram selecionados: FNM D-9500 e FNM D-1100, destacados por sua robustez estrutural, capaz de atender, em teoria, aos parâmetros exigidos para o processo de militarização. A seguir seria iniciado o processo de substituição da  frota de caminhões leves, e esta demanda representava uma oportunidade significativa para as montadoras nacionais, incentivadas pelo Governo Federal por meio do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA), instituído em 1956. Consciente da oportunidade apresentada pelo mercado militar brasileiro, a diretoria da montadora brasileira intensificou as negociações para a comercialização de seus caminhões, destacando como principal diferencial a excelência tecnológica de seus motores diesel. Essa tecnologia proporcionava significativa economia no consumo de combustível e nos custos de manutenção, posicionando os caminhões Mercedes-Benz como superiores em relação aos concorrentes da época (Ford F-600 e Chevrolet C-60) que estavam operando principalmente no Exército Brasileiro. Os esforços de negociação, fundamentados nas qualidades técnicas dos produtos, culminaram em êxito com a assinatura, em maio de 1959, do primeiro contrato de aquisição com o Ministério do Exército. O contrato inicial estipulava a aquisição de centenas de viaturas dos modelos MB LP-321 e MB LP-331, ambos com tração 4x2. Logo seria incorporado também  o LAPK-321, a primeira viatura de grande porte no Exército Brasileiro a possuir tração 4X4. Em 1964, a Mercedes-Benz do Brasil lançou no mercado nacional a linha de caminhões MB L-1111 e L-1112, que rapidamente conquistou reconhecimento por sua robustez, confiabilidade e facilidade de manutenção. Esses atributos atraíram a atenção do comando do Exército Brasileiro, que identificou nesses modelos o potencial para atender às demandas de transporte militar. 

O interesse foi intensificado em 1965, com o lançamento da versão com tração integral, o MB LA-1111 (4x4).  No final do mesmo ano, o Ministério do Exército formalizou um contrato com a Mercedes-Benz do Brasil para o desenvolvimento de um protótipo militar baseado no MB LA-1111 (4x4). O projeto foi concluído com celeridade, e, antes do término do mesmo ano, o protótipo foi apresentado. O veículo incorporava melhorias significativas, incluindo: Motorização Avançada: Equipado com o motor a diesel Mercedes-Benz OM-352, de 6 cilindros e 147 cavalos de potência, oferecendo maior desempenho em comparação aos modelos anteriores. Transmissão Reprojetada: A caixa de transmissão MG-G-3-36 foi otimizada para operações em condições adversas. O protótipo incluiu reforços estruturais no chassi e na cabine, carroceria militar, para-choques reforçados, faróis especiais protegidos por grades, faróis de comboio e um gancho hidráulico traseiro para reboque, com capacidade de carga de até 21.650 kg na carroceria. Este protótipo seria submetido a um extensivo programa de testes de campo, com seus resultados levando a celebração dos primeiros contratos, com estes passando a entrar em serviço nas unidades operativas do Exército Brasileiro em fevereiro de 1966. Em 1971 a montadora lançaria o modelo Mercedes-Benz 1213. Equipado com o confiável motor diesel Mercedes-Benz OM 352, de 6 cilindros em linha, 5.675 cm³, com injeção direta, entregava cerca de 130 cv a 2.800 rpm, garantindo desempenho adequado para cargas moderadas em variados tipos de terreno. O modelo LG-1213/36, com tração 4x2, destacava-se pela sua construção durável e pela possibilidade de configuração com cabine aberta (com teto de lona) ou fechada, atendendo a diferentes necessidades operacionais. Estes seria logo adquiridos pelo Exército Brasileiro, passando a operar em variadas configurações. Sua robustez e a reputação da Mercedes-Benz no Brasil fizeram dele uma escolha popular no período, antes do desenvolvimento de caminhões genuinamente militares, como o MB 1519 6x6, que incorporava tecnologias avançadas, como a suspensão “boomerang” e tração integral. Estes seriam adquiridos nos modelos VTE Cisterna Agua 7000L 4X4, VTE Guincho, VTNE Carga Emprego Geral Comercial 11 ton 4X2,  VTNE Carga Emprego Geral 6x2, VTE Basculante Emprego Geral 5 m³ 4x4, VTNE Carga Emprego Geral 8 ton 4x2, VTNE Carga Emprego Geral 15 Ton 6X, VTTNE Trator s/ rodas Cavalo Mecânico Emprego Geral Ton 4x2, VTE Betoneira 4x2 CX Bat. de Eng. e Construção, VTNE Carga Emprego Geral Comercial CC Bat. de Eng. e Construção, VE Guindaste Quick-Way 5 ton 6x4, VTE Cisterna de Combustível 9000L 6X6, VTE Transporte de Ponte 6x6 tração Engesa, VTE Transporte de Animais 15 Ton 6x2, VTE Engenharia Transporte de Ponte M4 T6 5 Ton 6x6,  VTTNE Trator s/ rodas Cavalo Mecânico Emprego Geral 5 Ton 4x2 , VTE Betoneira 4x2 CX Bat. de Eng. e Construção, VTE Frigorifico 2000 CF Bat. de Eng. e Construção e VTE Basculante Emprego Geral Appolo 10 m³ 6X2 .

Neste mesmo periodo, o Exército Brasileiro buscava modernizar sua frota de veículos táticos, com foco em caminhões robustos capazes de operar em condições adversas, especialmente em terrenos fora de estrada (off-road). Nesse contexto, foi iniciado um programa para desenvolver um caminhão militar com tração integral 6x6, projetado especificamente para atender às demandas operacionais das Forças Armadas. Diferentemente de modelos civis adaptados, o objetivo era criar um veículo de concepção estritamente militar, com alta durabilidade e desempenho em ambientes desafiadores. Para atender a essa demanda, o Exército Brasileiro estabeleceu contatos com as principais montadoras do país. A Mercedes-Benz do Brasil S/A, já consolidada como fornecedora de veículos comerciais e militares, foi selecionada para liderar o projeto. Em 1971, a pedido do Exército, a empresa firmou uma parceria com a Engesa S/A, uma companhia paulista reconhecida por sua expertise em suspensões e sistemas de tração para aplicações militares. Essa colaboração foi fundamental para integrar tecnologias inovadoras ao projeto do MB LG1819 6x6, que se tornaria um marco na indústria militar brasileira. Este projeto mesclava componentes do  LA1113, do qual emprestava o trem dianteiro motriz, com L-2213, que cedia o “bogie”. Dispunha de caixa de transferência com saídas para três cardans representando um misto das caixas dos citados “doadores”. O conjunto motriz trazia o bom e velho motor a diesel MB OM-352 aspirado com 130 Cv, operando acoplado a transmissão MB G-32 (depois G-36) de cinco velocidades sincronizadas. Considerando as especificidades do veículo, optou-se por incorporar ao projeto o inovador conjunto de suspensão “boomerang” e tração total, previamente desenvolvido para o blindado caça-tanques EE-17 Sucuri 6x6. Esse sistema utilizava um único eixo traseiro com quatro pneus especiais Pirelli MT 85 Candango 14. 5 cilindros em linha, injeção direta, que proporcionava 192 cv a 2.200 rpm, operando em conjunto com uma caixa de mudanças manual ZF S 6-80, com seis marchas sincronizadas à frente e ré. Complementando o conjunto, esses caminhões seriam equipados com uma carroceria militar fabricada pela Bernardini S/A, dotada de sistemas de roletes para facilitar o manuseio de cargas pesadas, gancho de reboque traseiro, cabina com teto de lona e para-choque dianteiro reforçado. Esse projeto marcou um marco histórico, sendo o primeiro caminhão genuinamente militar desenvolvido no Brasil, sem adaptações de modelos civis. O veículo foi equipado com o motor diesel OM 355/5, de 9.650 cm³, com cinco cilindros em linha e injeção direta, entregando 192 cv a 2.200 rpm, acoplado a uma transmissão manual ZF S 6-80 de seis marchas. A concepção do caminhão permitia uma capacidade de carga de até 32 toneladas em estradas pavimentadas e 5 toneladas em terrenos off-road, com peso bruto de 10,9 toneladas. Conforme o cronograma estabelecido, o primeiro protótipo foi entregue para testes comparativos com uma versão militarizada do Scania-Vabis L 110, que também incorporava componentes da Engesa S/A. Após uma rigorosa fase de avaliações, o modelo Mercedes-Benz/Engesa MB LG1819 foi declarado vencedor. 
Como resultado, em meados de 1972, foi assinado o primeiro contrato de produção, com os primeiros lotes de veículos entregues ainda no final daquele ano.   Devido ao seu peso bruto total e dimensões avantajadas, este modelo receberia o nome de batismo de "Mamute", tendo como sua principal aplicação ser empregado como trator de artilharia para obuseiros de grande porte como os canhões norte-americanos M-114 de 155 mm, sendo assim inicialmente distribuídos aos Grupos de Artilharia de Campanha (GAC). O recebimento de lotes adicionais partir do início do ano de 1974 possibilitaria equipar agora os Batalhões de Engenharia de Construção (BEC), sendo responsáveis por transportar e tracionar equipamentos pesados. Neste contexto seria ainda desenvolvida uma versão cisterna de combustível ou água, que poderia além de sua carga normal de diesel, tracionar um reboque de capacidade igual. Durante os anos que se seguiriam tanto os MB LG1519 quanto os MB LG1819 Mamute prestariam excelentes serviços a Força Terrestre, operando com extrema galhardia.  Em destaque o LG-1819 tornou-se um dos principais caminhões 6x6 das Forças Armadas brasileiras nas décadas de 1970 e 1980, sendo reconhecido por sua durabilidade e versatilidade. Apesar de serem caminhões extremamente robustos de fácil manutenção, seu intenso emprego operacional ao longo do tempo cobraria seu preço, passando a apresentar o peso da idade. Assim a partir do início da década de 1990 começariam a ser registrados preocupantes índices de indisponibilidade de prontidão de frota, como não havia em projeto nenhum substituto principalmente a altura do Mamute, seria decidido estender sua vida útil. Então a partir do ano de 1994, seriam escolhidos os 200 veículos em melhor estado de conservação ainda carga no Exército Brasileiro, para assim serem submetidos a um programa de manutenção mais abrangente. Curiosamente os VTE Cisterna de Combustível 9000L 6X6 1975 e VTE Cisterna de agua 6x6  não seriam inclusos neste processo. O principal objetivo deste programa era permitir seu emprego operacional até pelo menos a primeira metade da década de 2010, ganhando tempo para o desenvolvimento de um substituto a altura em termos de desempenho e capacidades operacionais em terrenos fora de estrada.  Apesar de sua robustez, o LG-1819 começou a ser substituído a partir dos anos 2000 por modelos mais modernos, como os Mercedes-Benz Atego, Axor e Atron (versões 6x6 militarizadas) e, posteriormente, pelo Volkswagen Constellation 31.320 6x6, que assumiu o papel de principal caminhão militar de 10 toneladas a partir de 2014. A desativação completa do LG-1819 ocorreu no final de 2014, marcando o fim de uma era para o “Mamute”. O desenvolvimento do LG-1819 6x6 representou um marco na história da indústria de defesa brasileira, combinando a expertise da Mercedes-Benz com inovações nacionais da Engesa e Bernardini. O veículo não apenas atendeu às necessidades do Exército Brasileiro por décadas, mas também simbolizou o esforço do país em desenvolver tecnologia militar própria, reforçando a soberania industrial e a capacidade de inovação.

Em escala.
Para representar o caminhão Mercedes-Benz-Engesa LG-1519 VTNE 6x6, utilizado pelo Exército Brasileiro, tomamos como base um modelo em die-cast da coleção Caminhões de Outros Tempos, publicada pela Editora Altaya, na escala 1/43. Este modelo, cuidadosamente projetado, já apresenta características muito próximas à versão original operada, dispensando a necessidade de modificações extensas para alcançar uma representação fiel. Ainda assim, com o objetivo de conferir maior realismo e personalidade à miniatura, optamos por realizar algumas personalizações sutis. A cobertura de lona da carroceria foi removida, permitindo a exposição do interior e a inclusão de uma carga detalhada, moldada em resina, que reproduz com fidelidade os itens transportados pelo veículo em suas operações. Para completar a customização, foram aplicados decais de alta qualidade, produzidos pela renomada Eletric Products, pertencentes ao conjunto “Exército Brasileiro 1983-2016”.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura tática camuflada em dois tons, empregado em todos os veículos de transporte do Exército Brasileiro, a partir de meados da década de 1980. Anteriormente  durante a década de 1970, estes caminhões foram recebidos em um esquema total em verde oliva (olive drab) semelhante ao padrão norte-americano adotado durante a Segunda Guerra Mundial   Empregamos tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors.

Bibliografia : 
- Caminhões Brasileiros de Outros Tempos – MB 1213 Militar , editora Altaya
- Veículos Militares Brasileiros – Roberto Pereira de Andrade e José S Fernandes
- Veículos Militares do Mundo - veiculosmilitaresdomundo.blogspot.com.br/2015/04/mercedes-benzengesa-lg-1519-6x6.html
- Manual Técnico – Exército Brasileiro 1976