M-1 Antitanque (57 mm)

História e Desenvolvimento.
No início da década de 1930, as unidades de infantaria do Exército dos Estados Unidos (U.S Army) contavam com metralhadoras de calibre .50 (12,7 mm) como suas armas de maior potência. Embora estudos já estivessem em andamento para desenvolver uma arma de maior calibre, capaz de neutralizar veículos automotores e carros blindados contudo, os estudos iniciais eram embrionários e enfrentavam resistência de oficiais de alta patente, que viam o desenvolvimento de novas armas como uma prioridade secundária. A necessidade de conter custos levou os militares a priorizar a análise de peças de artilharia de calibres semelhantes disponíveis no mercado, evitando o desenvolvimento de novos projetos do zero. Entre os modelos avaliados, destacou-se um canhão alemão, que serviu de inspiração para o desenvolvimento, a partir de 1938, do primeiro canhão antitanque americano, o M-3 37 mm. Esta classificada como "leve" apresentava um peso de  de aproximadamente 414 kg, o que facilitava seu transporte por equipes de infantaria ou veículos leves. Ele utilizava munições perfurantes (AP) e explosivas (HE), com uma cadência de tiro de cerca de 20 disparos por minuto. Sua mobilidade e facilidade de operação eram pontos fortes, mas o alcance efetivo, limitado a cerca de 500 metros contra alvos blindados.  Essa arma representou um avanço significativo para o Exército dos Estados Unidos (US Army), sendo projetada para enfrentar as ameaças emergentes de veículos blindados.   O M-3 37 mm recebeu seu batismo de fogo em dezembro de 1941, durante a defesa das Filipinas contra o Exército do Império do Japão. Nesse cenário, o canhão demonstrou sua eficácia contra alvos pouco blindados, como veículos automotores e posições de infantaria japonesas. Seu desempenho foi particularmente notável na Campanha de Guadalcanal (1942), onde foi amplamente utilizado contra a infantaria inimiga e os carros de combate japoneses, cuja blindagem leve era facilmente penetrada pelos projéteis de 37 mm. Essas operações iniciais renderam elogios ao M-3, destacando sua mobilidade e facilidade de operação em terrenos desafiadores.  O verdadeiro teste do M-3 37 mm veio durante a Campanha do Norte da África (1942-1943), onde enfrentou os modernos carros de combate alemães, como os Panzer III e IV. Nesse teatro de operações, o canhão revelou suas limitações críticas: seu calibre de 37 mm era insuficiente para penetrar a blindagem mais robusta dos tanques alemães. Relatórios de inteligência elaborados após a desastrosa Batalha de Kasserine, em fevereiro de 1943, indicaram que os projéteis do M-3 mal causavam danos significativos aos blindados da Wehrmacht, sendo descritos como incapazes de "arranhar" os tanques inimigos. As análises iniciais geraram debates entre os oficiais americanos, com explicações que variavam entre a obsolescência do equipamento, táticas inadequadas ou falta de experiência das equipes. Estudos mais detalhados, no entanto, concluíram que o M-3 era intrinsecamente inadequado para enfrentar as novas ameaças blindadas, destacando a necessidade urgente de substituí-lo por um canhão de maior calibre e potência.

A constatação das limitações do canhão antitanque M-3 37 mm durante a Campanha do Norte da África, especialmente após a Batalha de Kasserine em 1943, levou o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S Army) a priorizar a substituição dessa arma por sistemas de maior calibre e potência. A incapacidade do M-3 de enfrentar os modernos tanques alemães, como os Panzer III e IV, revelou a urgência de adaptar a artilharia antitanque às rápidas evoluções tecnológicas do campo de batalha na Segunda Guerra Mundial. A trajetória do M-3, marcada por sucessos iniciais contra blindagens leves no Pacífico, ilustra os desafios enfrentados pelos militares norte-americanos em acompanhar o ritmo das inovações militares, impulsionando o desenvolvimento de canhões como o M-1 57 mm e o M-5 76 mm. Paralelamente, do outro lado do Atlântico, o Exército Real Britânico (Royal Army) enfrentava desafios semelhantes. No início de 1940, o comando britânico reconheceu a obsolescência do canhão antitanque QF 2 Pounder 40 mm, cuja ineficácia foi evidente nos primeiros meses da Campanha da França, quando confrontado com os avançados carros de combate alemães. Diante dessa realidade, foi emitida uma demanda urgente aos arsenais britânicos para o desenvolvimento de uma nova arma antitanque capaz de superar essas limitações. O Woolwich Arsenal, renomado por sua expertise na produção de artilharia, foi selecionado para liderar o projeto. A escolha do calibre 57 mm foi estratégica, baseada na experiência da instituição na fabricação de peças semelhantes no final do século XIX. Esse know-how, combinado com o ferramental existente, permitiu eliminar etapas no processo de desenvolvimento, acelerando a concepção do novo canhão, que seria designado QF 6 Pounder 57 mm. A fase de projeto foi finalizada em meados de 1940, mas o desenvolvimento do reparo de transporte enfrentou atrasos, sendo concluído apenas em fevereiro de 1941, o que impactou o cronograma original. A situação foi agravada pelos eventos da queda da França e da evacuação das praias de Dunquerque, durante a Operação Dynamo (1940). Nesse processo, a Força Expedicionária Britânica (British Expeditionary Force – BEF) perdeu grande parte de seus equipamentos e armamentos, incluindo canhões antitanque. Com a ameaça iminente de uma invasão alemã e a escassez de armas disponíveis, o comando britânico tomou a decisão pragmática de priorizar a produção em massa do QF 2 Pounder 40 mm, uma arma já em uso, que não exigia treinamento adicional ou adaptação das tropas. Essa escolha, motivada por questões de produtividade e urgência, adiou a fabricação do QF 6 Pounder. A produção do QF 6 Pounder 57 mm foi iniciada em novembro de 1941, com sua entrada em serviço operacional a partir de maio de 1942. Apesar dos atrasos, o canhão provou ser um avanço significativo, oferecendo maior poder de penetração e eficácia contra os blindados alemães em comparação com seu antecessor. Sua introdução no campo de batalha marcou um momento crucial na modernização da artilharia antitanque britânica, contribuindo para o esforço aliado em teatros como o Norte da África.
O canhão antitanque QF 6 Pounder 57 mm, desenvolvido pelo Exército Real Britânico (Royal Army), enfrentou seu batismo de fogo durante a Batalha de Gazala, entre 26 de maio e 21 de junho de 1942, no deserto do Norte da África. Nesse confronto, as forças aliadas, equipadas com o QF 6 Pounder, enfrentaram as divisões blindadas alemãs e italianas sob o comando do General Erwin Rommel. Apesar do desempenho notável do canhão, que demonstrou eficácia contra os tanques do Eixo, a batalha culminou em uma vitória das forças adversárias. Contudo, os relatórios detalhados do uso do QF 6 Pounder confirmaram sua superioridade em relação aos canhões antitanque anteriores, como o QF 2 Pounder 40 mm, destacando sua capacidade de penetração e versatilidade no campo de batalha. A performance do QF 6 Pounder chamou a atenção do Exército dos Estados Unidos (U.S Army), que buscava urgentemente substituir o obsoleto M-3 37 mm, cuja ineficácia contra os tanques alemães Panzer III e IV foi evidenciada na Campanha do Norte da África. Reconhecendo o potencial do canhão britânico, os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido celebraram um acordo para a produção sob licença do QF 6 Pounder, designado como M-1 Gun 57 mm. A variante escolhida foi baseada no modelo QF 6 Mark II, e dois exemplares foram enviados ao Watervliet Arsenal para a confecção de gabaritos e ferramental, permitindo a adaptação do projeto às capacidades industriais americanas. A alta demanda pelo M-1 57 mm levou à decisão de expandir a produção para o Rock Island Arsenal, com as primeiras unidades entregues a partir de outubro de 1942. Para atender às especificidades operacionais americanas, foram desenvolvidas variantes: o M-1A1, equipado com pneus e rodas do tipo U.S Combat, e o M-1A2, que incorporava a prática britânica de travessia livre, permitindo que a tripulação ajustasse a direção do canhão manualmente, empurrando e puxando a culatra, em vez de depender exclusivamente de engrenagens. Contudo, visando otimizar a produtividade em meio às pressões da guerra, a partir da primavera de 1943, o foco industrial foi direcionado à produção da versão padrão M-1. Cerca de dois terços da produção do M-1 foram destinados às divisões do US Army baseadas na Inglaterra, garantindo alta disponibilidade para a planejada invasão da França em 1944, um marco crucial na campanha aliada na Europa Ocidental. O restante da produção foi alocado ao programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), que forneceu apoio militar aos aliados. A maior parte dessas peças foi entregue às forças britânicas, reforçando sua artilharia antitanque, enquanto um pequeno volume foi cedido à União Soviética, para uso pelo Exército Vermelho em sua luta contra as forças do Eixo.

A adoção do QF 6 Pounder e sua produção como M-1 57 mm ilustram a colaboração estreita entre os aliados durante a Segunda Guerra Mundial, unindo esforços para superar as limitações tecnológicas e táticas diante de um inimigo formidável. A transição do M-3 37 mm para o M-1 57 mm, inspirada no sucesso do QF 6 Pounder, reflete a determinação dos militares americanos e britânicos em adaptar suas capacidades ao ritmo acelerado da guerra. O M-1 57 mm, com sua maior potência e versatilidade, tornou-se um pilar da artilharia antitanque aliada, contribuindo significativamente para o esforço de guerra e deixando um legado de inovação e resiliência na história militar. Como registrado anteriormente, os canhões M-1 Gun e QF6 Pounder apresentaria resultados extremamente positivos, sendo capaz de penetrar qualquer blindagem dos veículos alemães e italianos. Em sua ação mais célebre, os canhões de QF 6 Pounder do 2º Batalhão, a Brigada de Fuzileiros (juntamente com parte da Artilharia Real de Bateria Antitanque 239), destruiriam mais de quinze tanques inimigos na ação em 'Snipe' durante a Segundo Batalha de El Alamein. Com estes resultados se repetindo posteriormente durante as fases iniciais da invasão da Itália. No entanto ao longo do ano seguinte, os alemães introduziram projetos muito mais pesados e fortemente blindados de carros de combate, especialmente os tanques Tiger I e o Panther, contra os quais a munição de 57 mm se mostraria ineficaz quando empregada contra sua blindagem frontal. Desta maneira as forças aliadas passariam a empregas táticas de engajamento lateral e traseiro, com os canhões QF6 Pounder sendo responsáveis pelos primeiros carros de combate Tiger destruídos no norte da África. A partir de maio de 1944 este cenário começaria a mudar, com os carros de combate alemães de nova geração passando a ser vítimas com a introdução de munições mais sofisticadas como o Armor-Piercing Composite Rigid - APCR (munição perfurante de blindagem), Armor-Piercing e Discarding Sabot - APDS. Próximo a implementação da operação Overlord os canhões M-1 Gun 57 mm se encontravam disponíveis em grande número na Europa, e de acordo Tabela de Organização e Equipamentos (TO&E) de 26 de maio de 1943, uma Companhia Regimental Antitanque, passava a incluir nove canhões de 57 mm e cada batalhão dispunha de um pelotão antitanque com três canhões, totalizando dezoito armas destas por regimento. Em meados de 1944, o M-1 57 mm já representava o equipamento padrão das forças norte-americanas na Frente Ocidental, superando largamente em números os canhões M- 3 Gun 37 mm. Durante a campanha de invasão na Normandia os canhões antitanque M1 57 mm, apresentaram destacada participação no esforço aliado, e neste cenário seriam tracionados pelos veículos Dodge WC-63 1 1⁄2 Toneladas 6x6 e  White M-3 Half-Track. 
Com a consolidação da cabeça de ponte na Normandia após a Operação Overlord em 1944, os canhões antitanque M-1 57 mm, produzidos sob licença nos Estados Unidos com base no britânico QF 6 Pounder, foram cedidos às Forças Francesas Livres (France Libre), desempenhando um papel crucial no avanço aliado contra as forças do Eixo na Frente Ocidental. Esses canhões, tracionados por veículos como o Dodge WC-63 e o White M-3 Half-Track, ofereceram mobilidade e potência de fogo, contribuindo significativamente para o sucesso das operações na França. A colaboração entre os aliados, exemplificada pela transferência dessas armas, reforçou a determinação coletiva de derrotar a ameaça nazi-fascista. Com o fim da Segunda Guerra Mundial em maio de 1945, o Exército dos Estados Unidos (US Army) iniciou a desmobilização de suas tropas, e os canhões M-1 57 mm começaram a ser gradualmente desativados. A introdução de novas tecnologias, como canhões sem recuo e bazucas, que ofereciam maior mobilidade e poder de penetração, marcou a transição para uma nova geração de armas antitanque. Apesar disso, o M-1 permaneceu relevante em conflitos subsequentes devido à sua confiabilidade e disponibilidade em grandes quantidades. O eclodir da Guerra da Coreia (1950-1953) trouxe o M-1 57 mm de volta ao cenário de combate. Muitas unidades foram mobilizadas e cedidas ao Exército da Coreia do Sul (Daehanminguk Yuk), onde se mostraram eficazes em operações contra blindados leves e posições fortificadas. A versatilidade do canhão, aliada à sua facilidade de operação, garantiu sua utilidade em um conflito marcado por combates intensos em terrenos variados. Antes mesmo da Guerra da Coreia, as Forças de Defesa de Israel (IDF) tornaram-se um dos maiores operadores pós-guerra do M-1 57 mm e do QF 6 Pounder. Empregados em batalhões antitanque em nível de brigada e pelotões antitanque de batalhão, esses canhões eram essenciais para as operações defensivas e ofensivas de Israel. Até o final de 1955, o IDF contava com 157 peças em serviço ativo, e, em 1956, mais 100 unidades foram adquiridas da Holanda. Infelizmente, essas últimas chegaram tarde demais para serem utilizadas na Crise do Canal de Suez (1956), mas reforçaram o arsenal israelense em conflitos posteriores. O M-1 57 mm também foi adotado pelas Forças Armadas do Paquistão, onde serviu por muitos anos. Atualmente, várias dessas peças são preservadas como gate guardians (guardas do portão) em bases militares paquistanesas, simbolizando sua importância histórica. Durante a Guerra do Biafra (1967-1970), tanto o Exército Federal da Nigéria quanto as Forças Armadas de Biafra fizeram uso do M-1/QF 6 Pounder, adaptando-os até mesmo como canhões embarcados em pequenos navios, demonstrando a versatilidade do sistema em contextos não convencionais. Entre 1942 e 1945, os arsenais norte-americanos, incluindo o Watervliet Arsenal e o Rock Island Arsenal, produziram mais de 15.000 canhões da família M-1 57 mm.

Emprego no Exército Brasileiro.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo norte-americano passou a considerar com extrema preocupação a possibilidade de uma invasão do continente americano pelas forças do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Essa ameaça tornou-se ainda mais evidente após a capitulação da França, em junho de 1940, pois, a partir desse momento, a Alemanha Nazista poderia estabelecer bases operacionais nas Ilhas Canárias, em Dacar e em outras colônias francesas, criando um ponto estratégico para uma eventual incursão militar no continente. Nesse contexto, o Brasil foi identificado como o local mais provável para o lançamento de uma ofensiva, devido à sua proximidade com o continente africano, que à época também figurava nos planos de expansão territorial alemã. Além disso, as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul transformaram o Brasil no principal fornecedor de látex para os Aliados, matéria-prima essencial para a produção de borracha, um insumo de extrema importância para a indústria bélica. Além dessas possíveis ameaças, a posição geográfica do litoral brasileiro mostrava-se estrategicamente vantajosa para o estabelecimento de bases aéreas e portos militares na região Nordeste, sobretudo na cidade de Recife, que se destacava como o ponto mais próximo entre os continentes americano e africano. Dessa forma, essa localidade poderia ser utilizada como uma ponte logística para o envio de tropas, suprimentos e aeronaves destinadas aos teatros de operações europeu e norte-africano. Diante desse cenário, observou-se, em um curto espaço de tempo, um movimento de aproximação política e econômica entre o Brasil e os Estados Unidos, resultando em investimentos estratégicos e acordos de cooperação militar. Entre essas iniciativas, destacou-se a adesão do Brasil ao programa de ajuda militar denominado Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), cujo principal objetivo era promover a modernização das Forças Armadas Brasileiras. Os termos desse acordo garantiram ao Brasil uma linha inicial de crédito de US$ 100 milhões, destinada à aquisição de material bélico, possibilitando ao país o acesso a armamentos modernos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate. Esses recursos revelaram-se essenciais para que o país pudesse enfrentar as ameaças impostas pelos ataques de submarinos alemães, que intensificavam os riscos à navegação civil, impactando o comércio exterior brasileiro com os Estados Unidos, responsável pelo transporte diário de matérias-primas destinadas à indústria de guerra norte-americana. A participação brasileira no esforço de guerra aliado logo se ampliaria. A participação brasileira no esforço de guerra aliado logo se ampliaria. O então presidente Getúlio Vargas declarou que o Brasil não se limitaria ao fornecimento de materiais estratégicos e sinalizou a possibilidade de uma participação mais ativa de suas forças,  envolvendo o possível envio de tropas brasileiras para algum teatro de operações de relevância

Na década de 1940, a artilharia de campanha do Exército Brasileiro enfrentava desafios significativos, equipada majoritariamente com armamentos ultrapassados, como os canhões alemães Krupp 75 mm Modelo 1908 e franceses Schneider-Canet 75 mm, projetados para tração hipomóvel e fabricados no início do século XX. Esses equipamentos, embora robustos para sua época, não atendiam às exigências do combate moderno. A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos Aliados, marcou o início de uma transformação profunda, impulsionada pelo programa norte-americano Lend-Lease Act. A partir de meados de 1942, navios de transporte começaram a desembarcar no porto do Rio de Janeiro, trazendo uma gama de equipamentos modernos, incluindo armas de infantaria, canhões antitanque de 37 mm e obuseiros de 105 mm e 155 mm. Essa incorporação representou um salto qualitativo para a artilharia brasileira, dotando-a de maior potência de fogo e precisão. O compromisso do Brasil com o esforço de guerra aliado foi formalizado em  Em 9 de agosto de 1943, por meio da Portaria Ministerial nº 4.744, publicada em boletim reservado no dia 13 do mesmo mês, foi criada a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Estruturada como a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE), sob o comando do General de Divisão João Batista Mascarenhas de Morais, a FEB incluía, além da divisão principal, diversos órgãos não-divisionários essenciais para sua operação. devendo ao todo ser composta por 25.000 soldados.  A composição da Força Expedicionária Brasileira (FEB) contemplava quatro grupos de artilharia (três equipados com obuses de 105 mm e um com 155 mm), uma esquadrilha de aviação da Força Aérea Brasileira para ligação e observação, um batalhão de engenharia, um batalhão de saúde, um esquadrão de reconhecimento e uma companhia de comunicações. A força contava ainda com um comando próprio, um comando de quartel-general, um destacamento de saúde, uma companhia de manutenção, uma companhia de intendência, um pelotão de sepultamento, um pelotão de polícia e, simbolicamente, uma banda de música. Além disso, a infantaria recebeu uma variedade de armas anticarro e antitanque, incluindo 57 canhões M-1 57 mm, uma arma até então inédita no Exército Brasileiro.  Para operar esses canhões, foi criada, em 12 de abril de 1943, pelo Decreto-lei nº 5.388-A, a Companhia de Canhões Antitanque, destinada a reforçar a capacidade da FEB de enfrentar blindados inimigos. Esses canhões M-1 57 mm, baseados no britânico QF 6 Pounder, ofereciam maior poder de penetração em comparação com os obsoletos M-3 37 mm, representando um avanço significativo para as operações brasileiras.
Embora as tropas da Força Expedicionária Brasileira (FEB)  destinadas ao teatro de operações na Itália tenham passado por um intensivo programa de treinamento nos centros de instrução do Campo dos Afonsos e Gericinó, no Rio de Janeiro, a familiarização com equipamentos mais complexos, como os canhões antitanque M-1 57 mm e os obuseiros modernos, ainda apresentava deficiências. Essa lacuna foi suprida em solo italiano, com a implementação de um programa de instrução entre 5 e 18 de agosto de 1944, na localidade de Tarquinia, situada 60 quilômetros a noroeste de Roma. Nesse período, os soldados brasileiros responsáveis pela operação dos canhões antitanque foram treinados por militares do V Exército dos Estados Unidos, que possuíam vasta experiência no manejo do M-1 57 mm. Esse treinamento focou na doutrina operacional e nas técnicas de emprego do canhão, capacitando os pracinhas brasileiros para enfrentar os desafios do combate contra blindados no front italiano. No dia 15 de setembro de 1944,  clima gelado  já prenunciava os rigores do inverno próximo, e seria nestas condições que a  Força Expedicionária Brasileira (FEB) receberia seu batismo de fogo, quando as tropas lideradas pelos General Zenóbio da Costa, atuariam em coordenação com três companhias norte-americanas, com esta operação enfrentando pouca resistência do inimigo. Dois dias depois seriam conquistadas as localidades de Massarosa, Bozzano e Quiesia, não sendo registrado, no entanto, nenhum encontro com unidades blindadas alemães ou italianas.  A exemplo da formatação de emprego doutrinário original do Exército dos Estados Unidos (US Army), os canhões antitanque M-1  Gun de 57 mm podem ter sido empregados em conjunto com os canhões M-3 Gun de 37 mm. Junto ao contingente brasileiro, estas armas equipariam o  1º Regimento de Infantaria – Sampaio, 6º Regimento de Infantaria – Ipiranga e 11º Regimento de Infantaria – Tiradentes e pela Companhia Anti Carros. Existem poucos registros oficiais do emprego destes canhões contra veículos blindados inimigos, com estas peças sendo geralmente utilizadas em ataques contra pontos de defesa ou fortificações inimigas. Após o término do conflito em maio de 1945, todos os canhoes M-1 Gun de 57 mm bem como os demais veículos, armas e equipamentos cedidos pelos norte-americanos seriam entregues ao Comando de Material do Exército dos Estados Unidos (US Army) na cidade de Roma. Nesta unidade todos estes materiais considerados em melhor estado de conservação seriam armazenados e despachados posteriormente ao Brasil por via naval. Após serem recebidos no porto do Rio de Janeiro em julho deste mesmo ano, estas peças de artilharia "italianas", passariam a ser concentradas nas unidades de Infantaria e de Companhias Anti Carro, que já operam o mesmo tipo de armamento recebido anteriormente.   

O canhão antitanque M-1 57 mm, baseado no britânico QF 6 Pounder, desempenhou um papel significativo na modernização da artilharia do Exército Brasileiro durante e após a Segunda Guerra Mundial. Ao longo de sua trajetória, essas armas foram tracionadas por uma variedade de veículos, refletindo a evolução das capacidades logísticas da Força Terrestre. Inicialmente, os M-1 foram tracionados por carros blindados como o M-3A1 Scout Car, blindados meia-lagarta White M-2, M-3 e M-5, e utilitários Dodge WC-63 e WC-62 Beep 6x6 Big Foot. Próximo ao fim de sua carreira operacional, já na década de 1960, veículos utilitários nacionais militarizados, como os Ford Willys-Overland Rural F-85, assumiram essa função, demonstrando a adaptabilidade do Exército Brasileiro às condições locais. Embora o M-1 57 mm fosse consideravelmente superior ao seu antecessor, o M-3 37 mm, em termos de potência e eficácia contra blindagens, sua operação no Exército Brasileiro enfrentou restrições significativas devido à escassez de munição de 57 mm. Ao contrário do calibre 37 mm, amplamente disponível por equipar os carros de combate leve CCL M-3 Stuart e os blindados VBR  M-8 Greyhound, e produzido localmente, a munição de 57 mm nunca foi fabricada no Brasil. Essa limitação restringiu o treinamento prático de tiro, impactando a plena exploração das capacidades do M-1 57 mm. No início da década de 1960, o Exército Brasileiro recebeu um novo lote de canhões M-1 57 mm, provenientes de unidades de infantaria do Exército dos Estados Unidos (US Army), cuidadosamente armazenados desde sua desativação no final dos anos 1950. Essa cessão, parte do Acordo Militar Brasil-Estados Unidos, incluiu também um significativo estoque de munição de 57 mm de diversos tipos, proporcionando um alívio para a escassez anterior. Com isso, foi possível retomar a operacionalidade do M-1 57 mm, permitindo sua redistribuição para além dos Regimentos de Infantaria (RI) e das Companhias de Canhões Anticarros (CCAC), alcançando também alguns Esquadrões de Reconhecimento Motorizado (Esqd Rec Mec). Essa ampliação reforçou a capacidade antitanque da Força Terrestre, atendendo às demandas táticas da época. Um momento notável na história do M-1 57 mm no Brasil foi seu emprego durante a Revolução de 1964 (ou Contra-Revolução, conforme a perspectiva), deflagrada em 31 de março daquele ano. Nesse contexto, o Exército Brasileiro mobilizou suas forças nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro para demonstrações de força, e os canhões M-1 foram utilizados em operações de prontidão. Embora não tenham sido empregados em combates diretos, sua presença reforçou a capacidade de dissuasão da Força Terrestre, destacando a relevância estratégica desses equipamentos em momentos de crise política.
A partir do final de 1965, no âmbito do Acordo Militar Brasil-Estados Unidos, as Forças Armadas Brasileiras começaram a receber novos lotes de equipamentos bélicos modernos de origem norte-americana, marcando um novo capítulo na modernização de seu arsenal. Nesse contexto, o Exército Brasileiro foi contemplado com um número considerável de canhões sem recuo (CSR) M-40, M-40A1 e M-40A2  Recoilless Rifle  de 106 mm, projetados especificamente para missões anticarro e antitanque. Essas armas, caracterizadas por seu menor peso, facilidade de manejo e alta eficiência operacional, representaram um avanço significativo em relação aos canhões antitanque M-1 57 mm, que, apesar de sua relevância durante a Segunda Guerra Mundial e na Revolução de 1964, enfrentavam limitações devido à escassez de munição. Os canhões sem recuo CSR , com sua maior potência e versatilidade, começaram a substituir imediatamente os M-1 57 mm nos Batalhões de Infantaria. Além disso, eles passaram a equipar unidades que ainda utilizavam os obsoletos canhões M-3 37 mm, ampliando a capacidade antitanque da Força Terrestre. A introdução dos canhões se recuo permitiu ao Exército Brasileiro atender às demandas do combate moderno, oferecendo maior mobilidade e poder de fogo em comparação com seus predecessores. Essa transição refletiu o compromisso com a atualização das capacidades operacionais, alinhando o Brasil às tendências globais em armamentos antitanque. Apesar de sua superioridade operacional, o M-1 57 mm enfrentava um desafio persistente: a escassez de munição de 57 mm, agravada pelo seu intenso uso em anos anteriores. Diferentemente do calibre 37 mm, amplamente disponível e produzido localmente para os carros de combate M-3 Stuart e blindados M-8 Greyhound, a munição de 57 mm dependia exclusivamente de importações, limitando o treinamento e o emprego prático do canhão. Esse cenário levou, em 1967, à decisão de iniciar o processo de desativação do M-1 57 mm. A retirada gradual dessas armas culminou em meados de 1972, encerrando sua carreira operacional no Exército Brasileiro. Após sua desativação, muitos canhões M-1 57 mm foram preservados como monumentos nas sedes de unidades operacionais, simbolizando a história de bravura e modernização da artilharia brasileira. Outras peças foram destinadas a museus militares espalhados pelo país, onde passaram a integrar acervos que celebram o legado da Força Terrestre. Algumas unidades foram desmilitarizadas e adquiridas por entusiastas e colecionadores civis, permitindo que a memória do M-1 continuasse viva em coleções particulares.

Em Escala:
Para recriar o canhão antitanque M-1 57 mm, foi utilizado o kit na escala 1/35 produzido pela Riich Models. Este modelo, embora apresente desafios devido à qualidade mediana da injeção plástica, com rebarbas que exigem cuidado adicional durante a montagem, destaca-se positivamente pelo conjunto detalhado de peças em photo-etched. Essas peças conferem maior realismo e precisão aos componentes do canhão, como o reparo e os sistemas de travessia, capturando a essência do M-1 em sua configuração operacional. A representação da versão empregada pelo Exército Brasileiro não requer alterações adicionais, permitindo que o kit seja montado diretamente da caixa.
O canhão antitanque M-1 57 mm, peça fundamental na modernização da artilharia do Exército Brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial, foi recebido a partir de 1942 com um esquema de pintura tático único, baseado no sistema Federal Standard (FS). Esse padrão, aplicado às primeiras 57 unidades cedidas à Força Expedicionária Brasileira (FEB) e mantido nos lotes subsequentes recebidos na década de 1960. O esquema de pintura permaneceu inalterado ao longo de toda a carreira operacional do M-1 57 mm no Brasil, refletindo sua adequação às necessidades táticas da Força Terrestre.
Bibliografia: 
- M-3 57 mm Gun Wilipedia - https://en.wikipedia.org/wiki/Ordnance_QF_6-pounder
- US M-1 57 mm Anti-tank gun at Militaria: Weapons - http://efour4ever.com/57mm.htm
- Artilharia de Campanha no Exército Brasileiro – Cezar Carriel Benetti - http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/ACEB.pdf

Sistema SARC REMAX (12,7 MM)

História e Desenvolvimento.
Durante a década de 1940, no contexto da Segunda Guerra Mundial, o Brasil firmou importantes acordos de cooperação militar com os Estados Unidos, que resultaram no envio de missões militares destinadas a modernizar e fortalecer as Forças Armadas Brasileiras. Esse processo de cooperação foi fundamental para a reorganização da estrutura militar do país, mas também evidenciou uma vulnerabilidade estratégica significativa: a forte dependência brasileira de tecnologias e equipamentos militares importados. Naquele momento, tornou-se evidente o limitado grau de autonomia tecnológica nacional para enfrentar ameaças externas e eventuais conflitos. A carência de infraestrutura científica e industrial voltada ao desenvolvimento de material bélico revelava o quanto o país dependia de soluções estrangeiras para equipar e manter suas forças armadas. Tal constatação contribuiu para consolidar, entre líderes militares e autoridades governamentais, a percepção de que a ciência e a tecnologia deveriam constituir vetores essenciais para a garantia da soberania nacional. Nesse cenário, a necessidade de manutenção, adaptação e suporte técnico aos equipamentos importados impulsionou o surgimento dos primeiros núcleos técnicos dentro das organizações militares. Esses grupos iniciais, voltados à engenharia, manutenção especializada e experimentação tecnológica, representaram os embriões das futuras estruturas dedicadas à pesquisa e ao desenvolvimento no âmbito do Exército Brasileiro. Ao longo das décadas seguintes, esse processo evoluiu gradualmente. Contudo, foi na década de 1970 que o Exército intensificou seus esforços para consolidar uma estrutura institucional voltada à inovação tecnológica militar. Em 1975, foi constituído um grupo de trabalho com a missão de estruturar um centro capaz de atender às crescentes demandas de pesquisa, desenvolvimento e experimentação de materiais e sistemas de defesa. Esse esforço culminou, em 16 de outubro de 1979, com a publicação do Decreto nº 84.095, que instituiu oficialmente o Centro Tecnológico do Exército (CTEx). A nova organização passou a centralizar atividades de pesquisa, desenvolvimento e avaliação tecnológica voltadas às necessidades operacionais da força terrestre. Subordinadas ao CTEx, foram criadas unidades especializadas que compuseram a base da infraestrutura tecnológica militar brasileira, entre elas o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento, o Instituto de Projetos Especiais e o Campo de Provas da Marambaia. Essas instituições passaram a desempenhar papel central na condução de estudos técnicos, na experimentação de equipamentos e no desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas à defesa nacional. A criação do CTEx coincidiu com um período de ampla renovação da frota de veículos militares do Exército Brasileiro, circunstância que estimulou o desenvolvimento de projetos nacionais e impulsionou a cooperação entre as Forças Armadas e a indústria brasileira. Nesse contexto, destacaram-se empresas como a Engesa e a Bernardini S.A. Indústria e Comércio, que estabeleceram parcerias estratégicas com o Exército no desenvolvimento e produção de veículos militares. Esse período ficou conhecido como a chamada “era de ouro” da Base Industrial de Defesa brasileira. 

Durante as décadas de 1970 e 1980, o país consolidou-se como um relevante produtor e exportador de equipamentos militares. Empresas nacionais obtiveram contratos internacionais para a venda de milhares de viaturas militares, incluindo blindados desenvolvidos no Brasil, como o EE-9 Cascavel e o EE-11 Urutu, adquiridos por diversos países da América Latina, da África e do Oriente Médio. Entretanto, o término da Guerra Fria, no final da década de 1980, provocou uma significativa retração na demanda internacional por armamentos e veículos militares. Essa mudança no cenário geopolítico impactou profundamente a indústria de defesa brasileira, levando à redução de encomendas e à consequente crise de várias empresas do setor. Como resultado, importantes fabricantes nacionais, entre elas a Engesa e a Bernardini, acabaram encerrando suas atividades nas décadas seguintes, marcando o fim de um período particularmente dinâmico da indústria militar brasileira. Apesar de o Brasil já não dispor, nas décadas posteriores, de um parque industrial de defesa tão vigoroso quanto aquele observado no auge da indústria militar nacional, o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) manteve-se como um dos principais polos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica voltados às necessidades da Exército Brasileiro. Mesmo diante das limitações impostas pela retração da indústria de defesa, essa instituição prosseguiu em sua missão de estudar, desenvolver e adaptar tecnologias que pudessem ser incorporadas aos meios operacionais da Força Terrestre. Entre os diversos projetos de relevância concebidos no âmbito do CTEx, destaca-se o desenvolvimento de um Sistema de Armas Remotamente Controlado (SARC), destinado a equipar viaturas blindadas do Exército Brasileiro. Esse conceito tecnológico possui raízes mais antigas, remontando à década de 1960, quando os United States Army iniciaram estudos para o desenvolvimento de sistemas conhecidos como Remote Controlled Weapon Station (RWCS), ou estações de armas remotamente controladas. O principal objetivo desses sistemas era aumentar significativamente a proteção das guarnições no interior dos veículos de combate. Em cenários de conflito, operadores de metralhadoras montadas externamente em blindados frequentemente precisavam expor-se ao fogo inimigo, o que representava elevado risco. As estações de armas remotamente controladas buscavam solucionar esse problema, permitindo que o operador realizasse a aquisição e o engajamento de alvos a partir do interior da viatura, reduzindo a exposição ao combate direto. Além da segurança do operador, tais sistemas passaram a proporcionar ganhos operacionais importantes, como maior precisão de tiro e maior consciência situacional no campo de batalha. Isso foi possível graças à integração de sensores e câmeras externas que transmitiam imagens para o interior do veículo, incluindo câmeras diurnas e sistemas de visão térmica, permitindo o emprego eficaz do armamento mesmo em operações noturnas ou em condições de baixa visibilidade. Nos estágios iniciais, o programa previa o desenvolvimento de plataformas capazes de operar armas leves e de médio calibre, instaladas não apenas em veículos blindados terrestres, mas também em embarcações e plataformas aéreas. Os primeiros conjuntos funcionais começaram a ser entregues às unidades operacionais militares no final da década de 1990, sob a designação de CROWS (Common Remotely Operated Weapon Station).
Com o amadurecimento tecnológico ao longo dos anos seguintes, diversas limitações presentes nos sistemas iniciais foram gradualmente superadas, resultando em versões mais avançadas, como o M101 CROWS. Essa evolução tecnológica ampliou significativamente as capacidades operacionais do sistema, permitindo que o operador identificasse, acompanhasse e engajasse alvos mantendo-se completamente protegido no interior do veículo. O sistema foi projetado para ser empregado em uma ampla variedade de plataformas militares e podia ser configurado com diferentes armamentos, entre eles o lançador automático de granadas Mk 19 grenade launcher, a metralhadora pesada Browning M2 calibre 12,7 mm, a metralhadora M240B calibre 7,62 mm e a metralhadora leve M249 calibre 5,56 mm. Do ponto de vista estrutural, o sistema é composto por dois conjuntos principais. O primeiro corresponde à plataforma armada instalada na parte externa da viatura, responsável pela movimentação e pelo emprego do armamento. O segundo consiste no módulo de controle interno, operado pelo militar a partir do interior do veículo. A estação de armas apresenta capacidade de rotação de 360° e movimento vertical de elevação entre −20° e +60°, sendo estabilizada por meio de sistemas giroscópicos que permitem maior precisão mesmo com o veículo em movimento. O conjunto também integra sensores eletro-ópticos, incluindo uma câmera de vídeo para operação diurna, uma câmera térmica para operações noturnas e um telêmetro laser seguro para os olhos (laser rangefinder), que auxilia na determinação precisa da distância até o alvo. A partir das décadas seguintes, diversos países passaram a desenvolver seus próprios sistemas de armas remotamente controladas, acompanhando a evolução da tecnologia e as novas exigências do combate moderno. Entre os principais exemplos destacam-se o FN Herstal Defender, desenvolvido pela empresa belga FN Herstal; o sistema finlandês Patria PML 127 OWS, produzido pela Patria; os sistemas russos Bumerang‑BM, AU‑220M, Arbalet‑DM e Serval remote weapon station; além do sistema israelense Samson RCWS, desenvolvido pela Rafael Advanced Defense Systems, que figura entre os mais difundidos desse tipo de tecnologia no cenário internacional. A eficiência demonstrada pelos sistemas de armas remotamente controlados em operações militares contemporâneas rapidamente evidenciou seu valor tático, sobretudo pela capacidade de aumentar a proteção das guarnições e ampliar a consciência situacional no campo de batalha. Esses resultados despertaram o interesse do comando do Exército Brasileiro, que passou a avaliar a possibilidade de incorporar tal tecnologia aos seus meios blindados, seja por meio da aquisição de sistemas estrangeiros, seja pelo desenvolvimento de uma solução nacional. Nesse contexto de modernização tecnológica, ocorreriam importantes transformações institucionais no sistema de ciência e tecnologia da Força Terrestre. Em 2005, a então Secretaria de Ciência e Tecnologia do Exército passou a ser comandada pelo Alberto Mendes Cardoso, que promoveu uma ampla reestruturação administrativa. Entre as principais medidas implementadas destacou-se o processo de fusão dessa secretaria com a Secretaria de Tecnologia da Informação do Exército, iniciativa que resultou na criação do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército (DCT).

A criação do DCT representou um passo significativo na centralização e coordenação das atividades científicas e tecnológicas da instituição, passando a reunir sob uma mesma estrutura todas as áreas relacionadas à pesquisa, desenvolvimento, experimentação e fabricação de material de emprego militar. À época, esses equipamentos eram classificados como Material de Emprego Militar (MEM), denominação posteriormente atualizada para Sistemas e Materiais de Emprego Militar (SMEM). Sob a liderança do General Cardoso e com o apoio de seu vice-chefe, o Ubiratã Athayde Marcondes  que anos mais tarde viria a atuar como gerente de sistemas terrestres na empresa ARES Aeroespacial e Defesa  foi concebido o Plano Básico de Ciência e Tecnologia do Exército (PBCT). Esse documento estabeleceu diretrizes estratégicas destinadas a orientar o desenvolvimento científico e tecnológico da Força Terrestre, alinhando suas prioridades ao planejamento estratégico institucional vigente à época, cujo objetivo central era elevar o patamar tecnológico do Exército Brasileiro, conferindo-lhe maior capacidade dissuasória. Entre os projetos contemplados pelo PBCT figuravam diversos programas de desenvolvimento de sistemas de armas e equipamentos militares. Um dos mais avançados naquele momento era o programa do Morteiro 120 mm do Exército Brasileiro, que já se encontrava em fase final de homologação operacional, circunstância que permitiu redirecionar recursos financeiros e humanos para novas iniciativas tecnológicas. Dentro desse contexto, um dos projetos em estudo envolvia o desenvolvimento de uma torre armada com canhão de 105 mm destinada a equipar futuros veículos blindados do Exército Brasileiro. Esse projeto estava sob responsabilidade do Grupo de Armamento e Munição do Exército (GAM), sendo conduzido pelo então Marcello Menezes Eifler. Inicialmente, previa-se que essa torre pudesse integrar a chamada Nova Família de Blindados do Exército, iniciativa que, a partir de 2007, evoluiria para o Programa Estratégico do Exército Guarani, responsável pelo desenvolvimento da nova geração de veículos blindados sobre rodas da Força Terrestre. Entretanto, durante as fases iniciais de estudo e concepção, tornou-se evidente que o Centro Tecnológico do Exército ainda não possuía experiência suficiente no desenvolvimento de sistemas eletrônicos embarcados de elevada complexidade, como aqueles necessários para o funcionamento de uma torre de combate moderna equipada com canhão de médio calibre. Sistemas desse tipo exigiam integração avançada de sensores, sistemas de estabilização, controles de tiro e arquitetura eletrônica embarcada  áreas nas quais a instituição ainda acumulava conhecimento limitado naquele momento. Diante dessa realidade, concluiu-se que, a curto prazo, não seria viável projetar integralmente um sistema dessa magnitude. Assim, optou-se por uma abordagem mais gradual e pragmática: iniciar o desenvolvimento de uma torre com arquitetura mais simples, tanto em termos de design quanto de funcionalidades. Essa estratégia permitiria ao CTEx adquirir experiência prática no domínio de tecnologias críticas, formando uma base de conhecimento essencial para o desenvolvimento futuro de sistemas mais complexos e sofisticados. A oportunidade para um projeto mais simples surgiria a seguir, com a participação das Forças Armadas Brasileiras, da Missão de Paz das Nações Unidas no Haiti MINUSTAH (Mission des Nations Unies pour la Stabilisation en Haïti). 
Nesta operação, ocorreriam enfrentamento contra ex-militares das forças armadas haitianas, ex-policiais e bandidos comuns, que organizados em milicias se dedicavam a controlar algumas áreas na capital. Estes estavam equipadas com os mais variados tipos de armas leves, desde carabinas M-1 a fuzis M-1 Garand e AK-47 Kalashnikov, forçando as tropas a adaptar-se um novo  tipo de confronto assimétrico. Este cenário levaria a implementação de novas táticas, e a adaptação das viaturas com o intuito de fornecer um mínimo de proteção adequada a seus ocupantes.  Neste contexto um dos principais pontos críticos era a exposição do operador da metralhadora de apoio das viaturas EE-11 Urutu a tiros deflagrados por estes milicianos. Como solução seriam desenvolvidos estudos entre o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP), visando inicialmente a construção de uma torre mecânica blindada. Este processo evoluiria para o estudo de emprego de um Sistema de Armas Remotamente Controlado (SARC), havendo inclusive, no final de 2007, a instalação de um SARC CWS 30 israelense, com uma metralhadora de calibre 7,62 mm MAG, em um EE-11 Urutu, a fim de ser submetidos a testes de campo. Os resultados seriam promissores, porém os custos envolvidos em um processo de importação seriam demasiados altos para o momento, gerando a oportunidade para a possibilidade em se desenvolver um SARC, nacional. É importante frisar que, nos últimos conflitos armados, principalmente em áreas urbanas, houve uma intensa utilização deste tipo de sistema, sendo denominado pela sigla RWCS (Remote Controlled Weapon Station), na qual o atirador fica posicionado no interior da viatura, onde realiza as operações remotas de pontaria e disparo do armamento. No exterior da viatura permanece somente o armamento, o reparo e os sistemas de observação de alvos, constituídos principalmente por câmeras diurna e noturna. A versão mais moderna desses sistemas incorpora também um sistema de estabilização, permitindo a realização do tiro com a viatura em movimento.  Devido a uma demanda de aparelho de pontaria para os novos morteiros de 120 mm, o comando do Grupo de Armamento e Munição (GAM), estabeleceu conversações com a empresa Periscópio Equipamentos Optrônicos Ltda, no intuito de se aprofundar no conhecimento de seu Sistema de Pontaria para Tiro Indireto de Morteiros (SPOTIM). Durante uma reunião, seria apresentado o sistema IVERA (Indicador Visual Estabilizado de Rampa de Aproximação), desenvolvido para fornecer aos pilotos de helicópteros a indicação visual estabilizada da rampa de aproximação para pouso em embarcações. Curiosamente este conjunto preencheria adequadamente lacuna de capacidade tecnológica que faltava ao CTEx, para a criação de um sistema nacional. Negociações de parceria  seriam estabelecidas, resultando no segundo semestre do ano e 2006 na criação do  “Projeto básico de pesquisa, desenvolvimento e produção de um protótipo de Reparo de Metralhadora Automatizado X (REMAX)”. Já nos requisitos iniciais do projeto, ficaria  claro o pragmatismo, buscando-se concentrar os poucos recursos em sistemas para seu Teatro de Operação (TO), pois este sistema seria desenvolvido inicialmente para utilizar apenas como armamento as metralhadoras Browning M-2HB de calibre .50 (12,7×99 mm) e FN MAG de calibre 7,62×51 mm. Como premissa básica, esta torre deveria ser projetada com uma arquitetura modular, que permitisse a implementação de componentes que agregassem diferentes funcionalidades, e multiplataforma, para poder ser integrado em quaisquer viaturas blindadas com teto rígido, com um mínimo de modificações. 

Emprego no Exército Brasileiro.
Em dezembro de 2006, o Ministério da Defesa do Brasil estabeleceu um marco relevante no processo de modernização tecnológica das Forças Armadas ao firmar o contrato nº 004/2006-CTEx com a empresa brasileira ARES Aeroespacial e Defesa, então denominada Periscópio Equipamentos Optrônicos Ltda.. O acordo, no valor de R$ 1.245.000,00, tinha como objetivo a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de um protótipo experimental inovador, designado REMAX 1. O prazo estabelecido para a conclusão do projeto estendia-se até dezembro de 2008. A contratação foi formalizada por meio de inexigibilidade de licitação, fundamentada na singularidade tecnológica do projeto. O REMAX 1 representava o primeiro Sistema de Armas Remotamente Controlado desenvolvido no hemisfério sul, incorporando tecnologias avançadas que ainda não eram plenamente dominadas no país naquele momento. A iniciativa refletia o esforço do Brasil em ampliar sua autonomia tecnológica no setor de defesa, em um período caracterizado por iniciativas internacionais voltadas à modernização de equipamentos militares diante das transformações do ambiente estratégico global. A ARES Aeroespacial e Defesa, reconhecida por sua experiência no desenvolvimento de sistemas de estabilização e sensores optrônicos aplicados a plataformas militares, aportou ao projeto sua expertise técnica especializada. Um aspecto fundamental do contrato, contudo, estabelecia que toda a propriedade intelectual resultante do desenvolvimento do sistema pertenceria integralmente ao Exército Brasileiro. Essa cláusula tinha importância estratégica, pois garantia a soberania nacional sobre a tecnologia desenvolvida, assegurando que os conhecimentos obtidos permanecessem sob controle estatal e pudessem ser empregados em futuros programas de defesa. No primeiro semestre de 2009, o projeto alcançou um marco importante com a apresentação pública de um modelo de exposição (mock-up) do sistema REMAX 1, integrado à VBTP-MSR Guarani, viatura blindada sobre rodas em desenvolvimento no âmbito do Programa Estratégico do Exército Guarani. A exibição ocorreu durante a Latin America Aero & Defence, realizada na cidade do Rio de Janeiro, um dos principais eventos do setor de defesa da América Latina. Embora se tratasse ainda de um protótipo não funcional, a apresentação demonstrou o potencial da nova estação de armas e representou o primeiro passo concreto no processo de integração do sistema a uma plataforma blindada nacional. A iniciativa permitiu visualizar, ainda que de forma preliminar, a aplicação prática da tecnologia em um veículo destinado a se tornar o principal blindado sobre rodas do Exército Brasileiro nas décadas seguintes. Apesar dos avanços alcançados, o desenvolvimento do protótipo experimental  concluído no segundo semestre de 2009  enfrentou um obstáculo relevante. A VBTP-MSR Guarani ainda não havia sido entregue pelo fabricante, a Iveco Defence Vehicles, o que impossibilitava a integração imediata do sistema à plataforma originalmente planejada. Diante desse impasse, e com o objetivo de evitar atrasos adicionais no cronograma do projeto, o Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército (DCT) solicitou a cessão de uma viatura EE-11 Urutu, blindado sobre rodas amplamente empregado pelo Exército Brasileiro e desenvolvido pela tradicional empresa nacional Engesa. 

Essa decisão revelou-se estratégica, pois permitiu dar continuidade aos trabalhos de integração e testes do sistema. A utilização do EE-11 Urutu como plataforma provisória possibilitou a realização das primeiras avaliações práticas do REMAX 1, garantindo que o programa avançasse na validação de conceitos e na consolidação das tecnologias necessárias para o desenvolvimento de estações de armas remotamente controladas no Brasil. Com a integração do sistema, tiveram início as atividades de avaliação técnica conduzidas pelo Centro de Avaliações do Exército (CAEx), sediado na cidade do Rio de Janeiro. Durante essa fase inicial, o conjunto foi submetido a uma série de testes de campo destinados a verificar suas funcionalidades básicas, incluindo a precisão do armamento, a eficiência dos sistemas de estabilização e a confiabilidade da operação remota. Os resultados obtidos mostraram-se promissores, evidenciando a viabilidade técnica do sistema e confirmando a pertinência da continuidade do projeto. Esses ensaios representaram um passo decisivo na consolidação da confiança institucional no programa, abrindo caminho para o avanço das etapas subsequentes de desenvolvimento técnico e validação operacional. Em outubro de 2009, o Ministério da Defesa do Brasil formalizou mais um avanço no processo de desenvolvimento do sistema ao celebrar o contrato nº 004/2009-CTEx com a empresa ARES Aeroespacial e Defesa. O acordo, no valor de R$ 893.582,00, tinha como finalidade o desenvolvimento de um segundo protótipo operacional, denominado REMAX 2. O objetivo central desse novo contrato consistia em iniciar a integração do sistema REMAX à VBTP-MSR Guarani, veículo desenvolvido no âmbito do Programa Estratégico do Exército Guarani, paralelamente à continuidade das avaliações técnicas do protótipo experimental REMAX 1 conduzidas pelo CAEx. Essa etapa representava um marco relevante no esforço de modernização tecnológica da Forças Armadas do Brasil, em um período caracterizado por intensas iniciativas voltadas ao fortalecimento da base industrial de defesa nacional diante das rápidas transformações tecnológicas no campo militar. O protótipo REMAX 2 foi concebido com o propósito de incorporar melhorias substanciais em relação à versão experimental anterior. Essas aperfeiçoamentos foram fundamentados nas lições aprendidas ao longo dos testes laboratoriais e de campo realizados com o REMAX 1. Entre as melhorias previstas destacavam-se novas funcionalidades destinadas a ampliar a segurança operacional, otimizar o desempenho do sistema e aprimorar sua capacidade de operação remota em ambientes operacionais adversos. Assim como no contrato anterior, foi estabelecido que toda a propriedade intelectual resultante do desenvolvimento do REMAX 2 permaneceria integralmente sob domínio do Exército Brasileiro. Essa diretriz reforçava o princípio de soberania tecnológica nacional, assegurando que os conhecimentos gerados pudessem ser empregados em futuros programas de desenvolvimento de sistemas de defesa. Enquanto o desenvolvimento do REMAX 2 avançava, o protótipo experimental REMAX 1 prosseguia em uma intensa fase de ensaios técnicos. Em junho de 2010, após um período de capacitação conduzido pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx), voltado ao treinamento de operadores e à manutenção da viatura Engesa EE-11 Urutu  cedida pelo Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP)  tiveram início as avaliações sistemáticas do sistema no Centro de Avaliações do Exército (CAEx).
O programa de testes foi estruturado em quatro categorias principais de ensaios: Testes funcionais: destinados à verificação das capacidades operacionais básicas do sistema, incluindo controle remoto, acionamento do armamento e funcionamento dos sensores. Testes em estativa: avaliações conduzidas com o sistema instalado em bancada ou suporte fixo, permitindo a análise detalhada de seus subsistemas em condições estáticas. Testes de integração com a viatura: ensaios realizados com o sistema instalado no EE-11 Urutu, tanto com o veículo parado quanto em movimento, utilizando alvos fixos para aferição da precisão e estabilidade do armamento. Testes ambientais: destinados a avaliar a resistência e a confiabilidade do sistema diante de diferentes condições climáticas e operacionais, simulando cenários próximos aos encontrados em ambientes reais de emprego militar. Os resultados obtidos durante essa fase de avaliações foram fundamentais para confirmar a robustez do sistema e fornecer importantes subsídios técnicos para o aprimoramento do projeto. As informações coletadas durante os testes permitiram orientar o desenvolvimento do REMAX 2, consolidando as bases para a evolução do sistema e confirmando sua viabilidade como uma solução inovadora para o emprego de armamentos remotamente controlados no âmbito do Exército Brasileiro. A produção do protótipo operacional REMAX 2 foi concluída em setembro de 2011, representando um avanço significativo no processo de maturação tecnológica do sistema de armas remotamente controlado desenvolvido para o Exército Brasileiro. Em fevereiro de 2012, o conjunto foi instalado em uma Viatura Blindada de Patrulhamento e Emprego Dual (VBPED), com o objetivo de realizar os primeiros testes de apreciação operacional. Os resultados obtidos durante essa fase inicial foram considerados satisfatórios, permitindo a validação das principais funcionalidades do sistema. Como consequência, o Centro de Avaliações do Exército (CAEx) homologou oficialmente o Relatório de Apreciação em 25 de julho de 2012, por meio da Portaria nº 024/DCT, emitida pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército. Esse marco representou a validação formal do REMAX 2 como um sistema plenamente funcional, apto a avançar para as etapas seguintes de integração com plataformas mais modernas de combate. No ano de 2013, após intensas negociações entre a gerência do Programa Estratégico do Exército Guarani e a empresa Iveco Veículos de Defesa  parceira do Exército no desenvolvimento da VBTP-MSR Guarani  o REMAX 2 foi finalmente integrado ao protótipo desse blindado. Essa integração representou a concretização de um dos objetivos centrais do programa: garantir a compatibilidade da estação de armas remotamente controlada com a nova geração de veículos blindados brasileiros, concebidos para atender às exigências operacionais do século XXI. O conjunto formado pelo REMAX 2 instalado na VBTP-MSR Guarani foi oficialmente apresentado ao público durante a Latin America Aero & Defence. Considerada um dos mais importantes eventos do setor de defesa na América Latina, a LAAD proporcionou uma vitrine internacional para demonstrar os avanços tecnológicos alcançados pela indústria de defesa brasileira. 

Paralelamente a esses avanços, em outubro de 2012 o Ministério da Defesa formalizou um novo e decisivo passo no programa REMAX ao celebrar o contrato nº 001/2012-DF entre a Diretoria de Fabricação do Exército e a empresa ARES Aeroespacial e Defesa. O contrato, no valor inicial de R$ 49.418.088,00, previa a produção de um lote piloto composto por 76 do sistema REMAX 3. Dentro desse lote inicial, as duas primeiras unidades  denominadas cabeças de série (CS1 e CS2)  seriam destinadas exclusivamente à realização de testes estáticos e avaliações técnicas destinadas a validar o processo industrial e o desempenho do sistema antes da produção em maior escala. Posteriormente, o valor contratual foi ajustado por meio do Termo Aditivo nº 2, que levou em consideração a isenção de tributos como PIS e COFINS, resultando na devolução de aproximadamente R$ 1.800.000,00 à União. Entretanto, embora a ARES Aeroespacial e Defesa detivesse a expertise técnica necessária para o desenvolvimento do sistema, a empresa ainda não dispunha de uma infraestrutura industrial plenamente preparada para atender à escala de produção prevista no contrato. Diante dessa realidade, a companhia solicitou ao Exército Brasileiro a antecipação de parte dos recursos financeiros acordados, com o objetivo de viabilizar a implantação de uma linha de montagem adequada à produção seriada do sistema. O pedido foi aceito pela instituição militar, evidenciando o caráter estratégico do programa. Como contrapartida  dentro de um modelo de compensação industrial (offset) a empresa comprometeu-se a fornecer cinco unidades adicionais do sistema REMAX 3. Dessa forma, o lote piloto originalmente previsto de setenta e seis unidades foi ampliado para oitenta e uma estações de armas.O desenvolvimento do lote piloto do sistema REMAX 3 teve duração aproximada de um ano. A produção das primeiras unidades foi iniciada em 2012, enquanto os ensaios técnicos e operacionais começaram a ser conduzidos em 2013. Coube ao Centro de Avaliações do Exército (CAEx), sediado na cidade do Rio de Janeiro, a responsabilidade pela avaliação das duas primeiras unidades do lote piloto denominadas cabeças de série (CS1 e CS2). Esses exemplares foram submetidos a rigorosos testes de desempenho, destinados a verificar a confiabilidade e a eficiência do sistema em diferentes condições operacionais. Além das avaliações técnicas propriamente ditas, o CAEx também analisou os manuais de operação e manutenção elaborados pela empresa ARES Aeroespacial e Defesa. Essa etapa foi considerada fundamental, pois assegurava que o sistema estivesse acompanhado de documentação técnica clara, precisa e adequada às necessidades de emprego em campo, garantindo assim sua correta operação e manutenção pelas unidades militares. No ano de 2014, a empresa ARES conduziu o processo de qualificação da integração do lote piloto do REMAX 3 à VBTP-MSR Guarani, especificamente na viatura identificada como chassi 83, LED 67. Essa integração constituiu um esforço conjunto entre diferentes atores da base industrial e tecnológica de defesa brasileira. A ARES foi responsável pelo fornecimento dos componentes do kit de instalação do sistema, enquanto a Iveco Veículos de Defesa — parceira do Exército Brasileiro no desenvolvimento do blindado  realizou a fabricação do anel de interface, da caixa de distribuição de potência e a integração final do conjunto à viatura. A etapa de Experimentação Doutrinária do sistema foi conduzida pela 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada, uma vez que a brigada já havia participado anteriormente do processo de experimentação da própria VBTP-MSR Guarani
Em 2015, o REMAX 3 integrado à VBTP-MSR Guarani foi  apresentado ao público durante a Latin America Aero & Defence,   Durante o processo de avaliação operacional, conduziu-se testes complementares do sistema. Durante essas avaliações foram identificadas algumas não conformidades, especialmente relacionadas ao módulo optrônico do sistema. Com o objetivo de solucionar essas questões, foi formada uma equipe técnica, que se deslocou até as instalações da OIP Sensor Systems, na Bélgica, onde acompanhou testes específicos realizados com o módulo optrônico.  Após a conclusão das avaliações realizadas no âmbito da Experimentação Doutrinária, o sistema atingiu o grau de maturidade necessário, e logo por meio da Portaria nº 065-EME, de 8 de março de 2016 oficializou-se  adoção do SARC (REMAX 3). Em dezembro foi celebrado o contrato nº 186/2016-COLOG, para a produção do lote primeiro lote de produção, de 215 unidades, no valor de R$ R$ 328.057.657,39.  Já em operação regular há mais de 6 anos, o sistema , vem consolidando plenamente seu conceito, possibilitando dar mais suporte de fogo às unidades mecanizadas  ao mesmo tempo que garantiria a proteção de seu atirador. Até o presente momento já foram entregues mais de 150 unidades. O grande êxito operacional levaria o Comando do Exército Brasileiro a estudar o emprego deste sistema junto ao programa da Viatura Blindada Multitarefa, Leve de Rodas (VBMT-LR) Iveco LMV. Com os testes sendo conduzidos a partir do mês de abril do ano de 2020 contando com o apoio da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada (9ª Bda Inf Mtz), do Centro de Avaliações do Exército (CAEx) e das empresas Iveco Veículos de Defesa e ARES Aeroespacial e Defesa. Com o sistema sendo homologado em maio do mesmo ano, gerando um contrato para o fornecimento de oito torres deste sistema para equipar um número similar destes veículos blindados com tração 4X4. Em novembro de 2021 o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), foi formalizado o desenvolvimento do novo sistema de armas remotamente controlado (SARC) REMAX 4 e um pacote de atualização dos REMAX 3 atualmente em uso, através do acordo de cooperação nº 21-DCT-005-00, entre o Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) do Exército e a empresa Ares Aeroespacial e Defesa. O REMAX 4 é uma evolução do atual REMAX 3, desenvolvido entre o Exército e a empresa Ares, cujas principais mudanças são, além da atualização dos eletrônicos, hardware e arquitetura de software, terá seu módulo de optrônicos desacoplado do berço, permitindo graus de liberdade independentes (azimute e elevação) à linha de visada; capacidade do cofre de munição aumentada em três vezes, indo de 100 para 300 para cartuchos 12,7x99mm, e de 200 para 600 para 7,62x51mm; e possibilidade de adicionar uma estação de trabalho para o comandante de viatura, permitindo o controle total da estação de armas, podendo ser integrada ao sistema de gerenciamento de missão (SGM), aumentando sua consciência situacional. Com essas modificações, além de manter o sistema no chamado “estado-da-arte”, permitirá a uma integração mais fácil com outros armamentos, como lançadores automáticos de granadas (LAG) e mísseis anticarro (“anti-tank guided missile” – ATGM). Também poderá ser integrado um sistema de alerta laser (“laser warning systems” – LWS), sendo que no protótipo foi instalado o ELAWS 2, da Elbit Systems. O pacote de atualização dos SARC em operação, cuja denominação é REMAX 3A1, deverá ter as mesmas características à exceção do sistema optrônico desacoplado e das menores dimensões.

Em Escala
Para recriar o SARC REMAX 3 em escala 1/35, foi utilizado o kit de detalhamento impresso em 3D produzido pela Oficina do Aquino, reconhecido por sua alta qualidade e precisão.  A qualidade do material impresso permite capturar os contornos e funcionalidades do sistema, proporcionando uma representação realista e fiel ao equipamento em uso pelo Exército Brasileiro. Para aprimorar a autenticidade da miniatura, foram utilizados decais provenientes de outros modelos, adaptados para representar as marcações específicas da torre do REMAX 3. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático no verde oliva empregado pelo Exército Brasileiro, existem vários registros fotográficos indicando também o emprego da camuflagem tático padrão em  dois tons (verde e marrom terra). Empregamos tintas, vernizes e washes produzidos pela Tom Colors.
Bibliografia :
- Remote Controlled Weapon Station - https://en.wikipedia.org/wiki/Remote_controlled_weapon_station
- Especial SARC REMAX Tecnologia e Defesa por Paulo R. Bastos Jr - https://tecnodefesa.com.br
- EB homologa o SARC REMAX nas VBMT-LR 4×4 Iveco LMV-BR - https://tecnodefesa.com.br
- REMAX 4 entra em produção e é integrado ao LMV-BR - https://tecnodefesa.com.br

B-18 e B-18A Douglas Bolo

História e Desenvolvimento.
A Douglas Aircraft Company, uma das mais influentes fabricantes de aeronaves dos Estados Unidos ao longo do século XX, foi fundada em 22 de julho de 1921, na cidade de Santa Mônica, Califórnia, pelo engenheiro aeronáutico Donald Wills Douglas, após a dissolução da Davis-Douglas Company. Desde seus primeiros anos, a empresa destacou-se pela capacidade de aliar rigor técnico, inovação e visão estratégica, fatores que a conduziriam à produção de algumas das aeronaves mais emblemáticas da aviação civil e militar. O início de sua trajetória no campo militar ocorreu já em 1922, com o desenvolvimento do Douglas DT, seu primeiro projeto destinado às forças armadas. Concebido como um bombardeiro-torpedeiro biplano para a Aviação Naval da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), o DT foi projetado para operar inicialmente a partir de navios de guerra e, posteriormente, de porta-aviões, lançando as bases conceituais da aviação embarcada de ataque naval, que se consolidaria nas décadas seguintes. Em 1923, a Douglas alcançou projeção internacional ao participar do ambicioso programa “World Flight”, promovido pelo Serviço Aéreo do Exército dos Estados Unidos (United States Army Air Service – USAAS), cujo objetivo era realizar a primeira circum-navegação aérea do globo. Para atender a essa missão inédita, a empresa desenvolveu o Douglas World Cruiser (DWC), uma versão profundamente modificada do Douglas DT, sob a liderança do talentoso engenheiro Jack Northrop. Quatro aeronaves foram encomendadas, sendo a última entregue em 11 de março de 1924. Apesar das severas dificuldades operacionais, incluindo acidentes e perdas de aeronaves ao longo da jornada, a missão foi concluída com êxito, consagrando a Douglas e originando o célebre lema corporativo “First Around the World”. Durante a década de 1930, a Douglas ampliou e diversificou significativamente seu portfólio, passando a atender às crescentes demandas por aeronaves de treinamento militar. Nesse contexto, desenvolveu a série BT (Basic Trainer) para o United States Army Air Corps (USAAC). O BT-2B, versão aprimorada do BT-2, incorporava melhorias no grupo motopropulsor e nos sistemas de controle, aumentando a confiabilidade, a segurança operacional e facilitando a manutenção. Embora de concepção simples, o BT-2B desempenhou um papel fundamental na formação de milhares de pilotos militares, funcionando como elo de transição entre o treinamento primário e as aeronaves táticas mais avançadas que começavam a entrar em serviço naquele período. Paralelamente, a empresa expandiu suas atividades para o desenvolvimento de aeronaves anfíbias e aviões de transporte de médio porte, transferindo suas principais instalações industriais para Clover Field, em Santa Mônica. Esse processo culminou, em 1933, no lançamento do Douglas DC-1, seguido pelo DC-2, em 1934. O verdadeiro marco, entretanto, ocorreu em 1935, com a introdução do Douglas DC-3, aeronave que revolucionou o transporte aéreo comercial ao estabelecer padrões inéditos de eficiência, confiabilidade e viabilidade econômica. Sua versão militar, o C-47 Skytrain, tornou-se um dos principais vetores logísticos da Segunda Guerra Mundial, notabilizando-se pela versatilidade e robustez em todos os teatros de operações.

Com a eclosão do conflito global, a Douglas Aircraft Company consolidou-se definitivamente como um dos pilares da indústria aeronáutica aliada. Operando múltiplas fábricas espalhadas pelos Estados Unidos, a empresa chegou a empregar mais de 160 mil trabalhadores no auge do esforço de guerra. Entre os modelos mais representativos produzidos nesse período destacam-se o A-20 Havoc, o SBD Dauntless, o DC-3 e, sobretudo, o C-47 Skytrain, cuja contribuição foi decisiva para o sucesso das operações aéreas e logísticas dos Aliados. Ao conjugar excelência técnica, inovação contínua e capacidade industrial em larga escala, a Douglas Aircraft Company afirmou-se como uma referência histórica na aviação mundial, deixando um legado duradouro tanto na esfera militar quanto na aviação civil. Em meados da década de 1930, o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (United States Army Air Corps – USAAC) passou a reconhecer, de forma cada vez mais clara, a urgência de modernizar sua frota de bombardeiros médios, então baseada no Martin B-10, aeronave que, apesar de inovadora no início da década, já se encontrava rapidamente superada pelos avanços tecnológicos da aviação mundial. Esse contexto levou o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S Army) a lançar, em julho de 1934, uma concorrência formal destinada ao desenvolvimento de um novo bombardeiro médio, dotado de desempenho e alcance compatíveis com as exigências estratégicas emergentes. O edital estabelecia requisitos técnicos ambiciosos para a época. A aeronave deveria ser monoplana e bimotora, capaz de transportar até uma tonelada de carga útil, atingir velocidade máxima de 354 km/h a 3.000 metros de altitude, apresentar raio de ação superior a 3.218 km e possuir autonomia de missão superior a dez horas de voo. Tais parâmetros refletiam a crescente importância atribuída à projeção de poder aéreo, à flexibilidade operacional e à capacidade de atuação em longas distâncias. Diversas empresas aeronáuticas norte-americanas responderam ao chamado, apresentando propostas conceituais que refletiam diferentes filosofias de projeto. Entre as mais relevantes destacaram-se: Martin Model 146: Tratava-se de uma versão aperfeiçoada do Martin B-10. Embora representasse uma evolução incremental, foi rapidamente descartada por se apoiar em uma plataforma considerada tecnologicamente superada para os padrões pretendidos pelo Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC). Boeing Model 299: Projeto altamente inovador, que daria origem ao futuro Boeing B-17 Flying Fortress. Apesar de seu notável potencial técnico, a proposta foi rejeitada em razão do custo elevado, considerado incompatível com as restrições orçamentárias então vigentes, e também em decorrência de um acidente fatal envolvendo o protótipo durante os voos de avaliação, fato que pesou negativamente na decisão final. Douglas DB-1 (Douglas Bomber 1): Desenvolvido pela Douglas Aircraft Company, este projeto destacou-se por oferecer uma solução equilibrada, combinando desempenho adequado, viabilidade técnica e custos compatíveis com as expectativas do USAAC. Por essas razões, foi selecionado para avançar no processo de avaliação.
O Douglas DB-1 foi concebido a partir da consagrada plataforma do Douglas DC-2, uma aeronave comercial amplamente reconhecida por sua confiabilidade e eficiência. A adaptação para uso militar envolveu modificações significativas, sem comprometer a robustez do projeto original. Entre suas principais características destacavam-se: Estrutura e concepção geral: O DB-1 manteve a configuração monoplana de asa baixa do DC-2, com asas e superfícies de cauda ligeiramente ampliadas. A fuselagem foi redesenhada para uma configuração de meia-altura, permitindo a instalação de um compartimento interno de bombas sob a seção central da aeronave. A estrutura apresentava seção circular, com um nariz arredondado e sem degraus, otimizado para a integração de um sistema de mira de bombardeio instalado na parte inferior. Armamento defensivo: A proteção defensiva era assegurada por três metralhadoras Colt M-2 calibre 7,62 mm, posicionadas no nariz, em uma torreta elétrica superior retrátil e em uma posição ventral, proporcionando cobertura básica contra ataques de aeronaves inimigas. A proposta da Douglas foi amplamente favorecida pela comissão avaliadora por reunir tecnologia comprovada, herdada do DC-2, com adaptações militares bem fundamentadas, atendendo de forma pragmática às necessidades operacionais do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC). Em contraste, a alternativa da Martin revelou-se limitada por sua base ultrapassada, enquanto a da Boeing, embora promissora, mostrou-se financeiramente e circunstancialmente inviável naquele momento. Dessa forma, em setembro de 1934, a Douglas Aircraft Company foi oficialmente declarada vencedora da concorrência promovida pelo Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), sendo selecionada para o desenvolvimento do novo bombardeiro médio que marcaria uma etapa decisiva na evolução da aviação militar norte-americana. Em setembro de 1934, a Douglas Aircraft Company formalizou um contrato de grande envergadura com o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (United States Army Air Corps – USAAC), prevendo a construção de duas aeronaves de pré-produção do novo bombardeiro médio, então designado Douglas B-18, além de 133 unidades iniciais de série, com um compromisso total que poderia alcançar 370 aeronaves. Esse acordo refletia a confiança depositada pelo USAAC na proposta da Douglas, considerada tecnicamente sólida e economicamente viável para atender às necessidades estratégicas do período. O voo inaugural da primeira aeronave de pré-produção ocorreu em 1º de abril de 1935, dando início a um rigoroso programa de ensaios e avaliações em voo. Durante essa fase, verificou-se que os motores originalmente especificados, os Wright R-1820-G45 Cyclone, com potência de 850 hp, não ofereciam desempenho compatível com os requisitos operacionais estabelecidos. Como resposta a essa limitação, a Douglas optou por substituir esses propulsores, na linha de produção, pelos mais potentes Curtiss-Wright R-1820-45, capazes de desenvolver 930 hp cada.

Essa alteração permitiu melhorias sensíveis no desempenho geral da aeronave. Com os novos motores, o B-18 passou a atingir velocidade máxima de aproximadamente 350 km/h, um alcance da ordem de 3.000 km, teto de serviço de cerca de 3.700 metros e uma capacidade de carga ofensiva de até 2.200 kg de bombas, parâmetros considerados adequados para um bombardeiro médio da segunda metade da década de 1930. As primeiras unidades de produção do Douglas B-18 começaram a ser entregues às unidades operacionais do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) em janeiro de 1937. A partir desse momento, a aeronave consolidou-se como o principal bombardeiro de longo alcance do arsenal norte-americano, desempenhando papel central na aviação de bombardeio dos Estados Unidos até a introdução de modelos mais modernos no final da década. Em maio de 1938, teve início a produção de uma versão aperfeiçoada, designada Douglas B-18A. Essa variante incorporava motores Wright R-1820-53, com potência de 1.000 hp, além de modificações estruturais no nariz da aeronave, que passaram a oferecer melhor integração do visor de bombardeio e uma área envidraçada ampliada, favorecendo a precisão nas missões de ataque. Até o final de 1938, 217 unidades do B-18A haviam sido entregues, em estrita conformidade com o cronograma contratual estabelecido com o USAAC. Durante sua vida operacional, o B-18 também serviu como plataforma experimental para diferentes conceitos táticos e tecnológicos. Uma de suas células foi equipada, em caráter de teste, com um canhão de 75 mm, destinado a avaliar a viabilidade de ataques diretos contra alvos terrestres e navais fortificados. Embora essa configuração tenha sido considerada operacionalmente inviável naquele momento, os ensaios forneceram dados valiosos que influenciariam projetos posteriores, em especial variantes especializadas do North American B-25 Mitchell. Outro marco relevante ocorreu em janeiro de 1940, quando o B-18 foi empregado no primeiro teste de operação aerotransportada do Exército dos Estados Unidos (U.S Army). Na ocasião, 38 aeronaves do 7º Grupo de Bombardeio transportaram um batalhão de tropas, estabelecendo um precedente importante para o desenvolvimento da doutrina de emprego de forças aerotransportadas, que ganharia grande relevância durante a Segunda Guerra Mundial. Paralelamente aos contratos firmados com o governo norte-americano, a Douglas Aircraft Company passou a enxergar o mercado de exportação como uma oportunidade estratégica. A empresa lançou uma campanha de promoção do B-18 junto a potenciais clientes europeus, iniciando negociações com a Royal Air Force (RAF). Contudo, essas tratativas não prosperaram, em razão do compromisso britânico com a aquisição do Lockheed A-28 Hudson. Apesar desse revés, a Douglas obteve êxito ao exportar 20 aeronaves adaptadas para a Real Força Aérea Canadense (Royal Canadian Air Force – RCAF), onde passaram a operar sob a designação Douglas Digby Mk.I, ampliando a presença internacional do modelo e reforçando sua relevância histórica.
Em 7 de dezembro de 1941, o ataque surpresa do Império do Japão às bases norte-americanas em Pearl Harbor, Havaí, resultou na destruição da maioria das 33 aeronaves Douglas B-18A estacionadas no Campo Hickam, atingidas no solo. Esse evento acelerou a substituição dos B-18A pelos bombardeiros Boeing B-17A e B-17B, que superaram a aeronave da Douglas Aircraft Company, vencedora da concorrência contra o protótipo do B-17 em 1935. Ainda em dezembro de 1941, outras 12 células do B-18 foram destruídas em solo durante ataques japoneses ao Campo Clark, nas Filipinas. As aeronaves Douglas B-18 remanescentes no continente norte-americano foram redistribuídas para os 7º, 5º, 19º e 2º Grupos de Bombardeio, além dos 38º e 21º Esquadrões de Reconhecimento. Contudo, ficou evidente que o B-18 estava obsoleto e inadequado para enfrentar caças de alta performance alemães, italianos e japoneses. Dadas essas limitações, o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) restringiu seu uso a missões locais, proibindo sua transferência para teatros de operações ativos. Devido à sua limitada capacidade de autodefesa, o Douglas B-18 Bolo foi inicialmente empregado em missões de treinamento, formando tripulações para os novos bombardeiros Boeing B-17 e Consolidated B-24 Liberator. Essa transição refletiu a inadequação do B-18 para operações de combate em cenários de alta intensidade. Com o intensificar da Batalha do Atlântico e a ameaça de submarinos alemães ao litoral norte-americano, o USAAC e a Marinha dos Estados Unidos (US Navy) enfrentaram escassez de aeronaves de patrulha marítima. O Douglas B-18 Bolo, com sua grande autonomia e capacidade de carga, incluindo cargas de profundidade, revelou-se ideal para essa função. A partir de janeiro de 1942, 122 células foram convertidas para missões de patrulhamento marítimo, recebendo a designação Douglas B-18B. Essas aeronaves foram equipadas com um radar de busca Western Electric SCR-517-T4 no nariz e um sistema de detecção de anomalias magnéticas. O Douglas B-18B teve seu batismo de fogo em 2 de outubro de 1942, quando uma aeronave do 99º Grupo de Bombardeio, em patrulha ao largo da costa de Caiena, Guiana Francesa, avistou o submarino alemão U-512 (Tipo IXC). O B-18B atacou, lançando cargas de profundidade que resultaram no afundamento do submarino, demonstrando a eficácia da aeronave nessa nova função. A partir de meados de 1943, os Douglas B-18B começaram a ser gradualmente substituídos pelos quadrimotores Consolidated PBJ-24 Liberator em missões de patrulha marítima. Relegados a tarefas de treinamento multimotor e transporte, os B-18B foram completamente retirados do serviço ativo ao final da Segunda Guerra Mundial, com todas as células remanescentes sendo sucateadas. Embora obsoleto para missões de bombardeio, o Douglas B-18 encontrou uma nova utilidade na patrulha marítima, contribuindo significativamente para a defesa do litoral norte-americano durante a Batalha do Atlântico. Sua trajetória reflete a capacidade da Douglas Aircraft Company de adaptar suas aeronaves a contextos emergentes, mesmo diante de limitações tecnológicas e operacionais.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos passou a encarar com crescente apreensão a possibilidade de uma ofensiva do Eixo contra o continente americano. Essa preocupação intensificou-se de forma decisiva após a capitulação da França, em junho de 1940, evento que abriu a perspectiva de a Alemanha nazista estabelecer bases aéreas e navais em territórios coloniais franceses, como Dacar, no Senegal, e, potencialmente, nas Ilhas Canárias, ampliando de maneira significativa o raio de ação das forças do Eixo no Atlântico. Nesse contexto estratégico, o Brasil foi rapidamente identificado como um dos pontos mais sensíveis da defesa hemisférica, sobretudo em razão de sua proximidade geográfica com o continente africano, região que figurava nos planos de expansão e influência alemães. A situação tornava-se ainda mais crítica diante das conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul, que comprometeram o acesso dos Aliados às tradicionais fontes de borracha natural. Como consequência, o Brasil assumiu um papel central como principal fornecedor de látex, matéria-prima essencial para a indústria bélica, indispensável à produção de pneus, vedações e inúmeros componentes militares. A posição geográfica brasileira, em especial o litoral do Nordeste, com destaque para a região de Recife, revelou-se de valor estratégico inestimável. Tratava-se do ponto mais estreito entre os continentes americano e africano, condição que favorecia o estabelecimento de bases aéreas, portos militares e centros logísticos. Essas infraestruturas tornaram-se fundamentais para o translado de tropas, suprimentos e aeronaves destinados aos teatros de operações da Europa e do Norte da África, funcionando como uma verdadeira ponte aérea e marítima no esforço de guerra aliado. Diante desse cenário, verificou-se uma rápida e progressiva aproximação política, econômica e militar entre o Brasil e os Estados Unidos, culminando na assinatura de acordos de cooperação estratégica e em vultosos investimentos em infraestrutura e defesa. Um dos marcos mais relevantes desse processo foi a adesão do Brasil ao Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), programa de assistência militar criado pelo governo norte-americano com o objetivo de fortalecer as nações aliadas. Por meio desse acordo, o Brasil passou a dispor de uma linha de crédito inicial da ordem de US$ 100 milhões, destinada à modernização de suas Forças Armadas, então marcadas por severa obsolescência em termos de equipamentos, armamentos e doutrina operacional. Esses recursos possibilitaram a aquisição de aeronaves modernas, veículos blindados, carros de combate e sistemas de apoio, elementos essenciais para enfrentar a crescente ameaça representada pelos submarinos alemães e italianos, responsáveis por intensificar os ataques à navegação civil e militar no Atlântico Sul. Tais ações impactavam diretamente o comércio exterior brasileiro e o fluxo de matérias-primas estratégicas destinadas à indústria bélica norte-americana.

Nesse período, a Força Aérea Brasileira (FAB), oficialmente criada em 20 de janeiro de 1941, herdou um parque aéreo heterogêneo e tecnicamente ultrapassado, oriundo da antiga Aviação Militar do Exército Brasileiro e da Aviação Naval da Marinha do Brasil. Grande parte dessas aeronaves mostrava-se inadequada para enfrentar ameaças contemporâneas, especialmente no que se referia às missões de patrulha marítima e guerra antissubmarino. Mesmo os modelos mais modernos então disponíveis na FAB, como os Vultee V-11, North American AT-6B, Vought V-65B Corsair e os bimotores Focke-Wulf Fw 58 Weihe, revelaram-se insuficientes para operações prolongadas sobre o mar, carecendo de autonomia, sensores e armamentos adequados para o combate eficaz contra submarinos do Eixo. Nesse contexto, o Lend-Lease Act assumiu papel decisivo não apenas no fornecimento de aeronaves mais apropriadas, mas também na atualização da doutrina operacional, permitindo que a Força Aérea Brasileira (FAB), se estruturasse para a defesa do litoral brasileiro e para uma contribuição efetiva ao esforço de guerra dos Aliados no Atlântico Sul. Essas atribuições assumiam caráter vital para o esforço de guerra nacional, sobretudo no enfrentamento à crescente ameaça representada pelos submarinos alemães e italianos, responsáveis por sucessivos ataques à navegação civil e militar ao longo do litoral brasileiro. A limitação dos meios disponíveis evidenciou, de forma inequívoca, a necessidade de um programa emergencial de modernização dos recursos aéreos da Força Aérea Brasileira (FAB), com ênfase nas missões de patrulha marítima e guerra antissubmarino. Na fase inicial de sua atuação durante o conflito, a FAB restringiu-se essencialmente a voos de presença e vigilância costeira, cuja finalidade principal era demonstrar soberania e acompanhar o tráfego marítimo nas águas jurisdicionais brasileiras. Essa realidade começou a se transformar de maneira gradual no início de 1942, quando, sob o efeito combinado de incentivos econômicos e pressões diplomáticas internacionais, o governo brasileiro autorizou o emprego de bases aéreas nacionais por unidades de patrulha da Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Tal decisão representou um marco decisivo, pois possibilitou os primeiros confrontos efetivos contra submarinos do Eixo, operações acompanhadas de perto por oficiais brasileiros, que passaram a observar e assimilar as táticas, técnicas e procedimentos empregados pelas forças norte-americanas. A busca por uma solução estrutural para as deficiências operacionais brasileiras começou a se concretizar por intermédio da Comissão de Compras de Material Aeronáutico, instalada em Washington, D.C.. Essa comissão tinha como missão identificar, selecionar e viabilizar a aquisição de aeronaves modernas no âmbito do Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), priorizando modelos capazes de atender às necessidades imediatas de patrulha marítima e combate antissubmarino impostas pelo cenário estratégico do Atlântico Sul. 
A partir de abril de 1942, a Força Aérea Brasileira (FAB) passou a receber os primeiros resultados desse esforço, com a incorporação de diversas aeronaves militares, entre as quais se destacavam dois bombardeiros Douglas B-18 Bolo, transladados ao Brasil por tripulações norte-americanas.  Após sua chegada, essas aeronaves foram destinadas ao Agrupamento de Aviões de Adaptação (AAA), unidade criada em 4 de fevereiro de 1942, na cidade de Fortaleza, Ceará. O AAA, operando sob a supervisão direta de militares do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), tinha como objetivo central a transferência de doutrina operacional e a capacitação acelerada de tripulações brasileiras, preparando-as para o emprego real em missões de combate. No âmbito do Agrupamento de Aviões de Adaptação (AAA), os Douglas B-18 Bolo foram inicialmente empregados tanto na instrução prática das tripulações nacionais quanto em missões efetivas de patrulhamento marítimo, cobrindo áreas litorâneas dos estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Durante os primeiros meses do envolvimento brasileiro no conflito, essas aeronaves operaram com tripulações mistas, formadas por militares norte-americanos experientes e aviadores brasileiros em fase final de formação operacional. Esse arranjo visava assegurar a rápida e segura assimilação das táticas de patrulha e guerra antissubmarino, com a perspectiva de que o AAA fosse desativado tão logo as tripulações brasileiras alcançassem plena autonomia operacional. Concluído o período de adaptação e treinamento, os dois Douglas B-18 Bolo foram redistribuídos às unidades regulares da FAB. A aeronave Douglas B-18 Bolo “FAB 6300” foi incorporada ao Grupo de Aviões Bimotores (GAB), sediado na Base Aérea de Natal, no Rio Grande do Norte, enquanto o Douglas B-18 Bolo “FAB 7032” foi destinado ao Grupo de Aviões Bimotores (GAB) baseado em Recife, Pernambuco. Essa redistribuição representou um passo importante na consolidação da capacidade brasileira de patrulha aérea e defesa do litoral, marcando a transição da Força Aérea Brasileira (FAB) de uma força essencialmente observadora para uma estrutura progressivamente apta ao combate no Atlântico Sul.,Equipadas com visores de bombardeio Stopey D-8 e derivômetros B-3, essas células careciam de meios eletrônicos avançados, como os radares Western Electric SCR-517-T4 ou detectores de anomalias magnéticas (MAD). Diferentemente das versões especialmente configuradas para a guerra antissubmarino em serviço no Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), os Douglas B-18 Bolo da Força Aérea Brasileira (FAB) operavam com capacidade de detecção restrita exclusivamente à observação visual, o que limitava significativamente sua eficácia na vasta área marítima sob sua responsabilidade. No tocante ao armamento ofensivo, os B-18 Bolo empregavam cargas de profundidade MK-17 Mod 1, fornecidas diretamente pelos estoques da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) já existentes em território brasileiro. 

Essa dependência logística perdurou até que a Base Aérea de Fortaleza fosse devidamente equipada para o armazenamento e a manutenção desse tipo de munição, bem como de outros artefatos utilizados pela Aeronáutica. Progressivamente, as operações de patrulha marítima passaram a ser reforçadas com a incorporação dos primeiros North American B-25B Mitchell e, pouco depois, de aeronaves especificamente concebidas para esse tipo de missão, como os Lockheed A-28A Hudson, o que ampliou de forma sensível a capacidade operacional no Atlântico Sul. O primeiro registro de um ataque realizado por um Douglas B-18 contra um submarino inimigo ocorreu em 8 de maio de 1943, às 12h10, no litoral de Maceió, Alagoas. A aeronave “FAB 6300”, pertencente ao Grupo de Aviões Bimotores (GAB), sediado na Base Aérea de Natal, era tripulada pelo 1º Tenente-Aviador Zamir de Barros Pinto, pelo Aspirante-Aviador Geraldo Labarthe Lebre e pelos Sargentos Castro e Jayme. Durante a missão, a tripulação avistou o submarino alemão U-154 (Tipo IX), que havia atacado, às 05h45 do mesmo dia, o navio-tanque mercante norte-americano Motorcarline. Ao perceber a aproximação da aeronave brasileira, o submarino efetuou uma manobra de mergulho de emergência. O B-18 lançou duas cargas de profundidade e uma carga de instrução, que explodiram à frente da esteira de espuma deixada pela embarcação submersa, provocando o surgimento de uma extensa mancha de óleo na superfície do mar. A aeronave permaneceu em órbita sobre o local por cerca de uma hora, porém não foi possível confirmar o afundamento do submarino. Nesse mesmo período, ficou estabelecido que a Força Aérea Brasileira (AB) deveria assumir uma parcela cada vez mais significativa das atividades de patrulhamento marítimo e guerra antissubmarino em seu mar territorial. Essa transição foi viabilizada pela chegada de um número crescente de aeronaves especializadas, como os Lockheed PV-1 Ventura, Consolidated PBY-5A Catalina e, posteriormente, os Lockheed PV-2 Harpoon. Ainda assim, duas células do Douglas B-18 Bolo permaneceram em operação, executando missões de patrulha marítima e guerra antissubmarino até o encerramento do conflito, demonstrando a importância residual do modelo mesmo diante de suas limitações tecnológicas. Com o término do conflito, em maio de 1945, os dois Douglas B-18 Bolo, então concentrados na Base Aérea de Recife, em Pernambuco, passaram a ser empregados predominantemente em missões de treinamento e transporte. Registra-se que, em algum momento daquele ano, uma das células foi temporariamente transferida para o Parque de Aeronáutica dos Afonsos (PAMAAF), no Rio de Janeiro, onde operou como aeronave orgânica da unidade. Em julho de 1945, o Ministério da Aeronáutica (MAer) instituiu um novo sistema de matrículas de quatro dígitos para suas aeronaves. Nesse contexto, os Douglas B-18 Bolo receberam as novas designações FAB 5026 (anteriormente 6300) e FAB 5027 (anteriormente 7032), encerrando simbolicamente o ciclo operacional de um dos primeiros bombardeiros empregados em missões reais de combate no Atlântico Sul.
Em 18 de outubro de 1946, a Diretoria de Material da Aeronáutica (DIRMA) determinou a transferência das aeronaves Douglas B-18 Bolo, matrículas FAB 5026 e FAB 5027, para o Parque de Aeronáutica de São Paulo (PASP), com o objetivo de utilizá-las em missões de transporte. Contudo, ambas as células apresentavam significativo desgaste estrutural decorrente de seu uso intensivo durante a Segunda Guerra Mundial, comprometendo sua operacionalidade. FAB 5026: Considerada inapta para o voo até São Paulo, a aeronave foi desativada em 10 de fevereiro de 1947 pelo Núcleo do Parque de Aeronáutica de Recife (NuPARF). A célula foi desmontada para aproveitamento de peças, e sua estrutura foi sucateada. FAB 5027: Translada com êxito ao PASP, a aeronave passou por uma revisão estrutural que confirmou seu avançado estado de deterioração, levando à decisão de sua desativação. Em vez de ser alienada, foi destinada à Escola Técnica de Aviação (ETAv), no bairro da Mooca, São Paulo. Desmontada e transportada por caminhões, a célula passou a ser utilizada como ferramenta de instrução prática para os alunos da instituição. A Força Aérea Brasileira (FAB) recebeu uma terceira célula, pertencente à versão Douglas B-18A, que se diferenciava das anteriores por contar com motores Wright R-1820-53 mais potentes e uma estação de bombardeio realocada. Essa aeronave foi transladada em voo de San Antonio, Texas, Estados Unidos, partindo em 8 de agosto de 1944 e chegando ao Rio de Janeiro em 16 de agosto. Apesar de estar em condições de voo, a célula foi classificada pela Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF) como “War Weary” (cansada de guerra), sendo inadequada para operações intensivas de combate. Assim, foi destinada ao 1º Grupo Misto de Instrução (1º GMI) da Escola Técnica de Aviação (ETAv), em São Paulo, onde foi empregada em atividades de instrução no solo para os alunos do Curso de Formação de Sargentos Especialistas. Em fevereiro de 1945, uma quarta aeronave Douglas B-18 foi cedida à FAB, também destinada a atividades de instrução no solo. Contudo, durante o voo de translado para o Brasil, a aeronave sofreu uma pane que obrigou a tripulação a realizar um pouso de emergência em uma praia a poucos quilômetros ao sul de San José, Guatemala. Embora o pouso tenha causado danos mínimos, a chegada da maré cheia ao entardecer danificou irreparavelmente a célula, inviabilizando sua recuperação. Com a chegada da terceira célula, a ETA, localizada no Hipódromo da Mooca, São Paulo, passou a contar com duas aeronaves Douglas B-18 (FAB 5027 e a B-18A) para fins educacionais. Em 1949, uma dessas aeronaves foi desmontada e sucateada, reduzindo o número de células ativas na instituição. Com a fusão de recursos materiais e humanos da ETA com a Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAr), em Guaratinguetá, São Paulo, a última célula remanescente do Douglas B-18 foi transferida para as novas instalações. Alguns anos depois, provavelmente com a chegada de múltiplas células do recém-desativado Douglas A-20K, o último Douglas B-18 foi sucateado, marcando o fim de sua utilização no Brasil.

Em Escala.
Para representar o Douglas B-18 Bolo, matrícula “FAB 7032”, foi utilizado o kit da Special Hobby na escala 1/72. Este modelo, caracterizado por detalhes em baixo relevo, oferece um elevado nível de detalhamento, incluindo peças em resina e componentes photo-etched. Sua concepção permite uma montagem fácil e rápida, atendendo às expectativas de modelistas que buscam precisão e qualidade. Foram empregados os decais originais fornecidos com o kit. No entanto, foi necessária a correção dos cocares da FAB aplicados na fuselagem, uma vez que os decais do modelo apresentavam incorreções. Na aeronave real, o cocar nacional era sobreposto à estrela do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), detalhe que exigiu ajustes para garantir a fidelidade histórica da representação.
O esquema de cores (FS) descrito a seguir corresponde ao padrão de pintura original adotado pelo Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) para o Douglas B-18 Bolo. Este mesmo padrão foi mantido pela Força Aérea Brasileira (FAB) durante toda a operação da aeronave, até sua retirada de serviço. Destaca-se que, no final de sua carreira operacional, a célula em questão passou a portar a matrícula “FAB 5027”. Essa mudança decorreu da implementação de um novo sistema de marcações adotado pelo Ministério da Aeronáutica (MAer) em julho de 1945, que introduziu matrículas de quatro dígitos para as aeronaves brasileiras.

Bibliografia:
- Bombardeiros Bimotores da FAB, Aparecido Camazano Alamino - C&R Editorial
- História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- B-18 o Primeiro Grande da FAB – Revista Asas Nº 3
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 - 2015  - Jackson Flores Junior