P-47D 27/28/30RA Thunderbolt

História e Desenvolvimento.
A Seversky Aircraft Company foi fundada em 1931, em Farmingdale, por Alexander de Seversky, um expatriado russo e veterano piloto da Primeira Guerra Mundial. Naquele momento, Seversky também atuava como assessor técnico do Departamento de Guerra (United States War Department), posição que lhe permitiu acompanhar de perto os rumos da modernização da aviação militar norte-americana e apresentar ideias inovadoras para o desenvolvimento de novas aeronaves. Nos primeiros anos de operação, a empresa reuniu uma equipe de engenheiros aeronáuticos altamente qualificados, em grande parte originários da Rússia e da Geórgia. Entre os principais nomes estavam Michael Gregor e Alexander Kartveli, profissionais que desempenhariam papéis decisivos no desenvolvimento de diversos projetos que marcariam a trajetória da companhia. O caminho até o sucesso, contudo, revelou-se complexo. Após vários projetos experimentais e tentativas iniciais sem grande repercussão comercial, a empresa alcançou um marco importante em 1936 ao vencer uma concorrência promovida pelo Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) para o desenvolvimento de um novo caça. O projeto vencedor, designado Seversky SEV-1XP, resultou no primeiro contrato militar relevante da empresa. A versão operacional desse projeto receberia a designação P-35, tornando-se um marco na evolução da aviação militar norte-americana. O P-35 foi o primeiro caça moderno adotado pelo Exército dos Estados Unidos (U.S Army), incorporando diversas características que definiriam a nova geração de aeronaves militares: fuselagem inteiramente metálica, configuração monoplano de asa baixa e trem de pouso retrátil  embora ainda parcialmente exposto. A aeronave era equipada com um motor radial Pratt & Whitney R-1830 Twin Wasp com aproximadamente 850 cavalos de potência. No final da década de 1930, o governo norte-americano iniciou um ambicioso programa de reequipamento de suas forças aéreas, estimulando o desenvolvimento de novas aeronaves de combate, neste momento seria deflagrada  uma nova concorrência destinada à criação de um caça-bombardeiro mais moderno e capaz. Em resposta a essa iniciativa, a empresa apresentou, em 1939, o projeto  XP-41. Essa aeronave incorporava melhorias significativas em relação ao P-35, incluindo uma fuselagem mais aerodinâmica, cuja seção traseira se elevava gradualmente até a deriva configuração que ficaria conhecida posteriormente como perfil “razorback”. O XP-41 também apresentava um trem de pouso totalmente retrátil, duas metralhadoras calibre .30 instaladas sobre o capô do motor e uma versão mais potente do motor Pratt & Whitney R-1830 Twin Wasp, equipada com turbocompressor e capaz de gerar cerca de 1.150 cavalos de potência, permitindo à aeronave atingir aproximadamente 515 km/h a 15.000 pés de altitude. Apesar dessas melhorias, o projeto não atendeu plenamente às expectativas do , sendo considerado insuficiente em termos de desempenho. Como recomendação, os avaliadores sugeriram a adoção de um sistema de turbocompressão semelhante ao utilizado no bombardeiro pesado  B-17 , cuja eficiência em grandes altitudes já havia sido comprovada. Atendendo a essa pleito, este sistema seria instalado na parte traseira da fuselagem, com complexas tubulações conduzindo os gases de escape sob a cabine do piloto. 

Além disso, o armamento foi reforçado com a adição de duas metralhadoras calibre .50 instaladas nas asas. Esta modificações resultariam no modelo YP-43,  sendo capaz de atingir aproximadamente 563 km/h a uma altitude de 38.000 pés, agradando os militares que aprovariam a contratação de um de um lote de 54 células do agora designado P-43A Lancer. Atenta a rápida  evolução da tecnologia aeronáutica naquele período, a empresa lançaria esforço no desenvolvimento do projeto XP-44, um caça projetado com características avançadas para a época. O modelo apresentava uma cabine mais aerodinâmica e um cubo de hélice que encobria o motor, reduzindo o arrasto aerodinâmico causado pela ampla área frontal dos motores radiais de alta potência. Inicialmente planejado para ser equipado com o motor Pratt & Whitney R-2180 de 1.400 hp. Infelizmente o projeto enfrentou um revés quando o desenvolvimento desse motor foi cancelado, obrigando o fabricante a adotar o mais potente Pratt & Whitney XR-2800 “Double Wasp” de 2.000 hp.  As qualidades promissoras do XP-44 impressionaram o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), que, em um gesto de confiança, encomendou 80 células antes mesmo da construção de um protótipo. Contudo, o cenário global mudou drasticamente com a queda da França em junho de 1940, onde clarificou-se a  superioridade dos caças Messerschmitt Bf-109, face aos parâmetros apresentados pelo XP-44. Essa constatação levou ao cancelamento da encomenda, um golpe significativo para a agora renomeada Republic Aircraft Corporation, que que viu seus planos de produção em larga escala frustrados. Determinado a apoiar a continuidade da empresa, o  Departamento de Guerra (United States War Department), optou por exercer a opção por uma segundo lote do P-43A Lancer, envolvendo 80 aeronaves.  Embora menos avançado que o XP-44, o P-43A oferecia uma solução prática para atender às necessidades imediatas. Em julho de 1941, a Força Aérea da República da China (ROCAF), assinaria um contrato para a compra de 125 aeronaves, das quais 108 seria efetivamente entregues. Com o cancelamento do XP-44, a empresa redirecionou seus esforços para um projeto ainda mais ambicioso: o “Advanced Pursuit Design No. 10” (AP-10), designado pelos militares como XP-47. Inicialmente concebido para ser propulsionado pelo motor em linha Allison V-1710 refrigerado a água, o XP-47 enfrentou exigências crescentes para a inclusão de armamento mais pesado, tanques de combustível auto-selantes, blindagem para o piloto e cabides subalares para cargas externas. Essas demandas impactariam no peso final da  aeronave, comprometendo seu desempenho. Diante desse desafio, a equipe de engenheiros demonstrou notável resiliência, resultando em uma proposta revisada designada como XP-47A, contudo, a nova versão ainda não alcançava os parâmetros necessários para rivalizar com os caças alemães, resultando em sua rejeição.  Correndo contra o tempo e sob pressão para oferecer uma solução competitiva, os engenheiros voltaram às pranchetas e desenvolveram um projeto completamente novo, o XP-47B. A aeronave apresentava uma construção toda em metal (exceto para as superfícies de controle da cauda que eram cobertas de tecido) asas elípticas, e um bordo de ataque direto ligeiramente deslocado para traz.  
A aeronave dispunha de uma cabine ampla, projetada para oferecer razoável conforto ao piloto e equipada com certo nível de proteção blindada. Tanques de combustível auto-vedantes completavam o conjunto de medidas destinadas a aumentar a sobrevivência em combate. O sistema propulsor era baseado no potente motor radial Pratt & Whitney R-2800 Double Wasp, um propulsor de dezoito cilindros capaz de desenvolver cerca de 2.000 hp (aproximadamente 1.500 kW). Esse motor era combinado com um sistema de turbocompressor, permitindo ao novo caça alcançar velocidades superiores a cerca de 643 km/h e operar a altitudes próximas de 40.000 pés. Na realidade, o protótipo do XP-47B foi concebido praticamente em torno do conjunto motor-turbocompressor. O turbocompressor foi instalado na parte traseira da fuselagem, atrás da cabine do piloto, com um complexo sistema de dutos conduzindo os gases de escape até o conjunto. Essa solução técnica determinou as grandes dimensões da aeronave. Ao observar o projeto final,  Alexander Kartveli teria comentado de forma bem-humorada: “será um dinossauro, mas um dinossauro bem proporcionado.” O primeiro voo ocorreu em 6 de maio de 1941. A aeronave possuía uma cobertura transparente fixa para a cabine, e o acesso do piloto era realizado por meio de uma porta lateral na fuselagem. Após a solução de alguns problemas iniciais de projeto identificados durante os testes de voo, o modelo recebeu autorização para produção em série, passando a adotar a designação oficial P-47B Thunderbolt. As primeiras aeronaves começaram a ser entregues às unidades operacionais em dezembro de 1941. A entrada dos Estados Unidos no conflito evidenciaria rapidamente o potencial do novo caça, que passou a ser considerado um recurso estratégico de grande importância para o esforço de guerra aliado. Nesse contexto surgiu a versão P-47C, que embora  visualmente muito semelhante ao modelo anterior, essa variante incorporava diversas melhorias estruturais e operacionais. Entre as modificações introduzidas estavam reforços nas superfícies metálicas de controle, a adoção de um mastro de rádio vertical mais curto e a instalação de um sistema regulador mais eficiente para o turbocompressor. Com base nessas melhorias, foi firmado um contrato para a produção de mais de 600 aeronaves, cujas primeiras unidades começaram a ser entregues em setembro de 1942. Após a produção das primeiras cinquenta e sete aeronaves, novas melhorias de engenharia foram implementadas, resultando na versão  P-47C-1 , da qual foram produzidas 125  unidades. Em seguida, surgiria a variante  P-47C-2 , cuja produção totalizou cerca de 120 aeronaves. Essa versão introduziu uma modificação importante,  a instalação de um ponto de fixação sob a linha central da fuselagem, permitindo o transporte de bombas ou tanques suplementares de combustível.  Em novembro  a variante, o P-47C-5 que introduziria o novo motor Pratt & Whitney R-2800-59 equipado com sistema de injeção de água-metanol com um aumento na potência final. No final de 1942, a Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF), concluiu que a maioria dos problemas presentes nas primeiras versões, haviam sido resolvidos, levando a decisão de se enviar para a Inglaterra o 56 º Grupo de Caça com seus novos P-47C-5, para assim se juntar aos efetivos da 8º Oitava Força Aérea. 

Desde o início de seu desenvolvimento, seria concebido como um caça fortemente armado. Seu armamento padrão consistia em oito metralhadoras Browning M2 calibre .50, distribuídas nas asas e alimentadas por aproximadamente 2.500 cartuchos de munição. Essa poderosa combinação conferia à aeronave um elevado poder de fogo, tornando-a extremamente eficaz tanto em missões de combate aéreo quanto em operações de ataque ao solo. A primeira missão de combate do P-47C ocorreu em 10 de março de 1943, quando um grupo dessas aeronaves realizou uma missão de varredura de caça sobre a França ocupada. Pouco mais de um mês depois, em 15 de abril de 1943, seria registrada a primeira vitória aérea do modelo: o major Don Blakeslee conseguiu abater um caça alemão Focke-Wulf Fw 190.  As experiências acumuladas durante esse período inicial de operações revelaram diversos aspectos passíveis de aprimoramento no projeto da aeronave. Essas observações operacionais levariam a uma série de refinamentos técnicos que culminaram na introdução da versão  P-47D , rapidamente liberada para produção em grande escala. As primeiras células  eram em essência, muito semelhantes ao  P-47C , sendo inicialmente produzidas 10células designadas P-47D-1-RA. O sufixo final utilizado na designação indicava a unidade fabril responsável por sua produção: o código “RE” identificava as aeronaves produzidas na planta de Farmingdale, enquanto o sufixo “RA” era aplicado às aeronaves fabricadas na instalação industrial de Evansville. Na prática, o  P-47D consistiu em uma longa série de blocos de produção progressivamente aperfeiçoados. As primeiras subvariantes  D-1, PD-6, D-10 e P-D-11  incorporaram diversas melhorias estruturais, incluindo a adição de novos flaps de refrigeração do motor ao redor da seção superior do capô. Essas modificações foram introduzidas para reduzir problemas de superaquecimento observados em operações de campo. Posteriormente, a versão P-47D-15  foi desenvolvida em resposta a solicitações de unidades de caça norte-americanas e britânicas, que buscavam ampliar o alcance operacional da aeronave. Para isso, foram introduzidos sistemas de combustível sob pressão, capazes de transferir combustível a partir de tanques subalares externos. As variantes subsequentes  D-16, D-20, D-22 e D-23  mantiveram características semelhantes às do P-47D-15, incorporando principalmente melhorias nos sistemas de combustível e em diversos subsistemas do motor. A partir da versão P-47D-20, passou a ser adotada com novo motor Pratt & Whitney R-2800-59  Double Wasp. As primeiras versões da aeronave  incluindo os modelos  e  as variantes iniciais do P-47D e ainda o  P-47G ( P-47C produzido sob licença pela Curtiss-Wright)  apresentavam a fuselagem traseira elevada conhecida como configuração “razorback”. Esse desenho era acompanhado por uma cobertura deslizante da cabine com molduras estruturais espessas, o que limitava significativamente a visibilidade traseira do piloto e dificultava a detecção antecipada de aeronaves inimigas aproximando-se por esse setor. Para solucionar esse problema a partir do P-47D-25 seria foi adotada uma nova cobertura de cabine em formato de bolha  conhecida como “bubbletop” que proporcionava visibilidade praticamente irrestrita em todas as direções.
Para permitir essa alteração, a seção traseira da fuselagem foi rebaixada e redesenhada, com as primeiras aeronaves passando a ser entregues a partir de maio de 1944 as unidades da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF). Entretanto, essa modificação trouxe consequências aerodinâmicas inesperadas. A redução da área lateral da fuselagem traseira comprometeu a estabilidade direcional da aeronave, gerando tendência à instabilidade em guinada. Para solucionar o problema, foi introduzida  uma pequena quilha dorsal à frente da deriva, recurso que restaurava parte da área lateral perdida e melhorava o controle em voo. Essa solução passou a ser adotada em produção a partir da variante P-47D-40, sendo posteriormente aplicada retroativamente às versões D-25, D-27, D-28 e D-30 por meio de kits de modificação instalados em campo. Paralelamente à evolução das variantes padrão, novas versões especializadas foram desenvolvidas para responder às exigências operacionais do conflito.  Uma delas foi o P-47M  concebido especificamente para enfrentar aeronaves alemãs de alto desempenho que surgiram nos estágios finais da guerra, como o Messerschmitt Me 262 e o Focke-Wulf Fw 190D.  Essa variante empregava um motor mais potente, tendo seu armamento reduzido para seis metralhadoras, buscando melhorar o desempenho e a velocidade máxima. Apesar de suas qualidades, entrou em serviço relativamente tarde e foi utilizado apenas por um grupo de. Outra evolução importante foi o P-47N Thunderbolt, projetado especificamente para operações no vasto teatro de operações do Oceano Pacífico. Essa versão foi otimizada para missões de longo alcance, particularmente aquelas destinadas a escoltar os bombardeiros estratégicos Boeing B-29  em ataques contra o território do Japão. O P-47N possuía asas redesenhadas com maior envergadura e pontas semi-elípticas, maior capacidade de combustível e uma quilha dorsal ampliada, que contribuía para melhorar a estabilidade durante longos voos. Durante o conflito, o P-47 destacou-se particularmente como caça-bombardeiro da , desempenhando papel decisivo em missões de apoio aproximado e interdição. A robusta estrutura da aeronave permitia transportar uma grande variedade de armamentos, incluindo bombas de 230 kg e 450 kg, foguetes M8 rocket de 4,5 polegadas e foguetes de alta velocidade High Velocity Aircraft Rocket (HVAR) de 5 polegadas . Essa combinação transformou o avião em uma plataforma extremamente eficaz para ataques contra colunas blindadas, linhas ferroviárias e infraestruturas logísticas. Entre junho de 1944 e maio de 1945, pilotos reivindicaram a destruição de cerca de 86.000 vagões ferroviários, 9.000 locomotivas, 6.000 veículos blindados e aproximadamente 68.000 caminhões, contribuindo significativamente para o colapso da infraestrutura militar do Eixo. Foi empregado por diversas forças aéreas aliadas, incluindo a Grã-Bretanha, a França, a União Soviética, o México e o Brasil.  Após o término da guerra,  continuou a servir  até a segunda metade da década de 1950, na Bolívia, Chile, China, Colômbia, Equador, Honduras, Irã, Itália, Iugoslávia, Nicarágua, Peru, Portugal, República Dominicana, Turquia e Venezuela. 

Emprego na Força Aérea Brasileira.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos passou a avaliar com crescente preocupação a possibilidade de uma eventual expansão das potências do Potências do Eixo  em direção ao continente americano. Esses receios foram intensificados após a capitulação francesa em junho de 1940, levantando preocupações quanto à possibilidade da Alemanha utilizar territórios coloniais franceses como bases operacionais, incluindo regiões como as Ilhas Canárias e Dakar. Paralelamente, os avanços militares japoneses no Sudeste Asiático e no Pacífico incluindo a ocupação da Indochina em 1940 e das Filipinas em 1942  alteraram profundamente as cadeias globais de suprimento de matérias-primas estratégicas. Nesse cenário, o Brasil assumiu papel fundamental como fornecedor de látex natural, matéria-prima essencial para a produção de borracha sintética e natural, amplamente empregada na fabricação de pneus, mangueiras, vedantes e inúmeros componentes utilizados na indústria militar. Diante desse contexto estratégico, o governo brasileiro intensificou a aproximação diplomática, econômica e militar com os Estados Unidos. Essa cooperação resultou na assinatura de diversos acordos bilaterais voltados ao fortalecimento da defesa, ente estes o programa de assistência militar  Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). Por meio deste instrumento o Brasil recebeu uma linha de crédito inicial estimada em aproximadamente US$ 100 milhões de dólares.  Esses recursos foram destinados à modernização das capacidades militares brasileiras que até então enfrentavam sérias limitações decorrentes da obsolescência de seus equipamentos, aeronaves, blindados e navios e da defasagem de sua doutrina operacional. Nesse período, a recém-criada Força Aérea Brasileira (FAB), instituída oficialmente em 20 de janeiro de 1941, enfrentava desafios significativos relacionados à modernização de sua frota. A aviação militar brasileira era composta majoritariamente por aeronaves consideradas ultrapassadas para os padrões do conflito, o que limitava sua capacidade operacional. Seria decidido também  que o país enviaria um contingente expedicionário para ajudar no esforço aliado no teatro europeu de operações, operando em conjunto com duas unidades áreas, uma de observação e ligação e outra de caça bombardeio. Em cumprimento aos termos estabelecidos nos acordos de cooperação militar firmados entre o Brasil e os Estados Unidos, foi criado, em 18 de dezembro de 1943, o 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa). Essa unidade seria integrada operacionalmente ao 350º Grupo de Caça (Fighter Group) da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF), passando a operar como unidade de caça-bombardeio equipada com o Republic P-47D Thunderbolt, aeronave que se tornaria o principal vetor de ataque do grupo durante a campanha na Europa. A fase inicial de preparação ocorreu em Aguadulce, onde os pilotos brasileiros realizaram treinamento de adaptação utilizando aeronaves  P-40 Warhawk. Após essa etapa, os integrantes do grupo  incluindo pilotos e equipes de manutenção foram transferidos para a base aérea de Suffolk Army Air Field, onde tiveram o primeiro contato com o P-47D Thunderbolt, aeronave que seria empregada nas operações de combate no teatro europeu. O processo de conversão operacional seguiu os mesmos padrões aplicados aos pilotos de caça norte-americanos naquele período. Em média, cada piloto realizou cerca de setenta horas de treinamento no novo caça, período ao final do qual eram considerados plenamente qualificados para operações de combate. 

Concluída a fase de instrução, o 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa) foi deslocado por via marítima para a Itália, onde chegou em 6 de outubro de 1944, passando a integrar as forças aéreas aliadas engajadas nas operações da Campanha da Itália.  As primeiras aeronaves destinadas à unidade foram recolhidos pelos próprios pilotos brasileiros e transportados até a base aérea de Tarquínia, que se tornaria o principal ponto de operações do grupo. Essas aeronaves faziam parte do lote fornecido à Força Aérea Brasileira (FAB), composto por 68 exemplares do modelo. No início da campanha, 31 aeronaves foram efetivamente entregues à unidade, com as demais permanecendo armazenadas como reserva estratégica, junto ao  “Army Air Force Storage Center - Mediterranean Theater of Operations”, em Nápoles, um depósito que atendia às unidades da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF), baseadas no Teatro de Operações do Mediterrâneo. Entre essas primeiras aeronaves, 15  pertenciam à versão P-47D-25-RE, as demais 16 células representavam os modelos P-47D 27-RE e 28-RE/Ra. O início efetivo das operações de combate destinadas a missões Apoio aéreo aproximado, Interdição tática e Ataque a Infraestruturas de transporte, se deu em 31 de outubro de 1944.  Durante as primeiras missões, os pilotos brasileiros voavam individualmente, integrados como quarto elemento às esquadrilhas dos três esquadrões norte-americanos que compunham o  350º Grupo de Caça (Fighter Group),  o 345th, 346th e 347th  Esquadrões de Caça (Fighter Squadron). Essa fase inicial de integração operacional permitiu que os pilotos do 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa) adquirissem experiência prática nas condições reais de combate da frente italiana, familiarizando-se com os procedimentos táticos empregados pela pelos norte-americanos antes de iniciar operações plenamente autônomas. As missões a serem realizadas pelo 1º Grupo de Aviação de Caça (Gp Av Ca), eram basicamente de dois tipos: ataque ao solo e escolta de bombardeiros (com esta última ocorrendo com baixa incidência em virtude do estágio final do conflito). No primeiro tipo de emprego, eram equipados com bombas de emprego geral AN/M43 de 500lb (227 Kg), de fragmentação de 260lb (118 Kg) ou de 90lb (40 Kg), ou ainda as FTI (“Fuel Tank Incendiary”), as quais eram tanques de combustível de 90 galões (340 litros), 110 galões (416 litros) ou 165 galões (624 litros), equipados com espoletas e preenchidos com gasolina de aviação e compostos químicos para tornar gelatinosa a consistência da gasolina. As FTI (“Fuel Tank Incendiary”), eram altamente eficientes contra concentrações veículos e de tropas. Um outro armamento utilizado foram os foguetes anti-tanque M-8A2 de 4,5 polegadas, disparados de tubos M10, instalados em triplas sob as asas; não tiveram sucesso, no entanto, pois os M-8A2 eram altamente imprecisos, além do prejuízo causado às características aerodinâmicas dos P-47D Thunderbolt pela instalação daqueles tubos. Nas missões de escolta, estes caças bombardeiros valiam-se de seu pesado armamento de oito metralhadoras de 12,7mm nas asas, além de levarem tanques alijáveis de combustível sob as asas, a fim de aumentar o seu raio de ação e permitir que acompanhassem os bombardeiros aliados até a fronteira com a Áustria, o Passo de Brenner sendo um dos alvos prediletos. Pelo menos três P-47D brasileiros receberam a instalação de uma câmera fotográfica K-25A, oblíqua, colocada no bordo de ataque do cabide subalar esquerdo. 
Essa modificação foi realizada pelos próprios mecânicos brasileiros da unidade, demonstrando elevado grau de iniciativa técnica e capacidade de adaptação em condições de guerra. A presença desse equipamento permitia a obtenção de fotografias logo após a execução dos ataques, registrando os efeitos do bombardeio sobre os alvos inimigos. Normalmente, essa tarefa era desempenhada pela aeronave que voava na posição número quatro da esquadrilha  a última a mergulhar sobre o alvo  possibilitando a captura de imagens das explosões provocadas pelas bombas lançadas pelas demais aeronaves da formação. Contudo, essa função tornava o avião de reconhecimento particularmente vulnerável, pois permanecia mais tempo sobre a área do alvo e, por essa razão, recebia frequentemente a maior atenção da artilharia antiaérea alemã. Entre os pilotos brasileiros que se destacaram nas operações aéreas na Itália, merece especial menção o Pedro de Lima Mendes, 2º Tenente Aviador integrante da esquadrilha Azul do 1º Grupo de Aviação de Caça, considerado o piloto mais eficiente tanto da unidade brasileira quanto do 350th Grupo de Caça durante a campanha. Igualmente notável foi o desempenho do pessoal de manutenção e apoio em terra. A dedicação e a competência técnica desses profissionais refletiram-se na elevada taxa média de aeronaves disponíveis para operações: cerca de 81%, índice que jamais caiu abaixo de 77% ao longo da campanha. Esse desempenho figurava entre os mais elevados registrados entre as unidades aéreas sob comando norte-americano no Teatro de Operações do Mediterrâneo. Durante as missões de combate, muitos aviões retornavam às bases com danos estruturais provocados principalmente pela artilharia antiaérea alemã. Ainda assim, graças à eficiência das equipes de manutenção, essas aeronaves eram rapidamente reparadas e preparadas para novas missões, garantindo a continuidade das operações do grupo. Com o encerramento das hostilidades na Itália, em 3 de maio de 1945, foi possível apresentar o balanço de suas atividades operacionais, pois ao  longo de 184 dias de operações, a unidade realizou 445 missões, totalizando 2.546 surtidas ofensivas e quatro surtidas defensivas. Mesmo tendo sido responsável por apenas 5% do total de missões montadas pelo XXII Comando Aéreo Tático, seria responsável pela destruição de 85% dos depósitos de munições, 36% dos depósitos de combustível, 28% das pontes (19% danificadas), 15% dos veículos motorizados (13% danificados) e 10% dos veículos hipomóveis (10% danificados). Devido à escassez de pilotos substitutos, muitos aviadores brasileiros acumularam um número excepcionalmente elevado de missões de combate, com vários deles ultrapassando a marca de 80 surtidas.  Mas o preço pago foi alto e do total , 05 foram mortos em combate, 04 em acidentes aéreos (um deles ainda no Panamá, durante o treinamento), 08 foram abatidos com 05  feitos prisioneiros, 03 abatidos e por fim 07 foram afastados por motivos de saúde.  Em junho de 1945, todos os 26 P-47Ds brasileiros, foram levados em vôo até Capodichino, ao Army Air Force Storage Center - Mediterranean Theater of Operations, onde foram desmontados e enviados por via terrestre para Nápoles, para serem embarcados para o Brasil. No traslado, o P-47D-27-RE n° 42-26788 acidentou-se durante o pouso em Capodichino, sendo considerado perda total.  As 25 aeronaves restantes foram desmontadas, acondicionadas em caixas e enviadas por via terrestre até o porto de Nápoles, onde foram embarcadas no navio de transporte de tropas USS W. S. Jennings, responsável por levá-las de volta ao Brasil. O pessoal de terra e parte dos oficiais aviadores regressaram ao país a bordo do navio de transporte de tropas USS General M. C. Meigs, que também conduzia o primeiro escalão da Força Expedicionária Brasileira. 

A embarcação deixou o porto de Nápoles em 6 de julho de 1945, marcando o retorno ao Brasil dos integrantes do 1º Grupo de Aviação de Caça após sua participação na campanha aérea da Segunda Guerra Mundial.Uma equipe de 20 pilotos seria escolhida para se deslocar por via aérea aos Estados Unidos, para receberem 19 P-47D-30-RA novos, equipados com o que de mais avançado existia, como miras K-14B, cabides subalares S-1, radar de alerta traseiro AN/APS-13 (para detecção de aeronaves aproximando-se no quadrante traseiro da aeronave, em um cone de 60° e um alcance de 8Km); equipamento para roupas anti-G e provisão para instalação de cinco foguetes HVAR de 127mm em cabides subalares “zero-length”  (sem trilhos para os foguetes).  Esses P-47D-30 chegaram ao Brasil em julho de 1945, antes mesmo dos  embarcados da Itália, e vieram a equipar o 1º 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa) com os P-47D "veteranos da Campanha na Itália" ao  chegaram ao Brasil sendo montados no Galeão, para serem transladados em voo até a Base Aérea de Santa Cruz, para serem alocados junto ao  2º Grupo de Caça (GpCa), unidade criada em 17 de agosto de 1944 na Base Aérea de Natal e transferida em outubro para o Rio de Janeiro, estando inicialmente equipados com aeronaves Curtiss P-40 Warhawk.   Com o reequipamento desta nova unidade com os P-47D, e novas turmas de pilotos necessitando serem treinadas,  decidiu-se que, após passarem por rigoroso treinamento em aeronaves AT-6D no Estágio de Seleção de Pilotos de Caça (ESPC), os pilotos selecionados seriam transferidos ao 2º Grupo de Caça (GpCa) para a conversão operacional para o modelo. Neste momento restavam poucas células ativas ainda do modelo inicial P-47D-RE-25, que conviviam com as versões posteriores.  Em 1947, a fim de recompor a frota, seriam  adquiridas 25 células usadas do  P-47D Thunderbolt, provenientes da reserva estratégica da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), no âmbito do programa de assistência militar conhecido como American Republics Project (Projeto Repúblicas Americanas).  Durante o translado dessas aeronaves para o Brasil, uma delas foi perdida em acidente, sendo as vinte e quatro restantes incorporadas às unidades de caça da Aeronáutica brasileira. Essas aeronaves passaram a equipar o 1º/9º Grupo de Aviação e o 2º/9º Grupo de Aviação, designações recentemente adotadas pelos antigos grupos de aviação de caça da força aérea. Ainda em 1947, três dessas células foram destacadas para o Esquadrão Misto de Instrução do Curso de Tática Aérea (EMI-CTA), unidade responsável pela formação e aperfeiçoamento tático de pilotos militares. Esse esquadrão estava sediado na Base Aérea de São Paulo, localizada em Cumbica, importante centro de instrução e treinamento da aviação militar brasileira no período. Uma dessas aeronaves seria posteriormente perdida em um acidente ocorrido em 1950. As duas restantes permaneceriam em operação até serem devolvidas às unidades de caça operacionais da Força Aérea Brasileira, retornando ao 1º/9º Grupo de Aviação e ao 2º/9º Grupo de Aviação, onde continuaram a integrar a linha de frente da aviação de caça brasileira durante os anos iniciais da década de 1950. Em 1949, os esquadrões de caça sediados na Base Aérea de Santa Cruz (BASC) recuperaram suas designações históricas, passando a ser conhecidos como 1º/1º Grupo de Aviação de Caça e 2º/1º Grupo de Aviação de Caça.  Essas unidades constituíam o núcleo da aviação de caça da Força Aérea Brasileira no período imediato do pós-guerra. 
Em 1951 foi criado o 3º/1º Grupo de Aviação de Caça, unidade que sucedeu o Estágio de Seleção de Pilotos de Caça (ESPC). Inicialmente, essa unidade foi equipada com aeronaves  AT-6D Texan, utilizadas para o treinamento avançado e para a preparação tática de pilotos destinados à aviação de caça. Em 13 de outubro de 1952, os P-47D  em serviço receberam uma nova designação, passando a ser identificados como F-47 Thunderbolt, de acordo com o sistema de nomenclatura adotado pela Aeronáutica brasileira naquele período. Entretanto, no início da década de 1950, o número de aeronaves disponíveis encontrava-se significativamente reduzido. Em 1952 restavam poucos F-47 em condições operacionais, em grande parte devido à escassez de peças de reposição  incluindo itens básicos como pneus  além do desgaste natural decorrente de anos de uso intensivo. Desde o início de sua operação no Brasil, 24 aeronaves haviam sido perdidas em acidentes. Com o objetivo de recompor parcialmente a frota, em 1953 foram adquiridos outros 25 exemplares do Republic P-47D-30-RA, obtidos por meio do Mutual Defense Assistance Program (MDAP), programa de assistência militar. Nesse mesmo período, a Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou a transição para a era da aviação a jato com a incorporação dos caças Gloster Meteor F.8 e   T.7, recebidos em 1953. Com a chegada dessas aeronaves, os 1º/1º Grupo de Aviação de Caça e 2º/1º Grupo de Aviação de Caça foram reequipados com o novo caça a reação britânico, marcando o início da substituição dos F-47  nas unidades de primeira linha. Como consequência desse processo, os aviões remanescentes foram transferidos para o 3º/1º Grupo de Aviação de Caça. Contudo, com a extinção dessa unidade ainda em 1953, decidiu-se redistribuir as aeronaves restantes para outras organizações da Aeronáutica. Assim, em novembro daquele mesmo ano, doze F-47  foram deslocados para Natal, no Rio Grande do Norte, com o objetivo de equipar o 2º/5º Grupo de Aviação  conhecido pelo indicativo operacional “Joker”. Essa unidade passou então a assumir a responsabilidade pelo treinamento e pela formação de novos pilotos de caça. Posteriormente, no final de 1956, os F-47 ainda em operação foram transferidos para o 1º/4º Grupo de Aviação, conhecido como “Pacau”, sediado na Base Aérea de Fortaleza. Nessa fase final de sua carreira operacional, as aeronaves já apresentavam elevado índice de panes mecânicas, comprometendo gradualmente a segurança das operações. Diante desse cenário, em 30 de julho de 1957, foram encerradas as operações regulares com o F-47  Força Aérea Brasileira (FAB). Gradualmente, as aeronaves remanescentes foram transferidas em voo para o Parque de Aeronáutica de São Paulo, onde seriam desativadas. Durante um desses voos de traslado, ocorrido em 25 de novembro de 1957, um piloto que conduzia um  desde Fortaleza sofreu um desmaio provocado pela intoxicação causada por vapores de gasolina que infiltravam a cabine da aeronave. Em consequência desse incidente, no dia 26 de novembro de 1957 foi oficialmente determinada a proibição de voos operacionais com os F-47 Thunderbolt no Brasil. Registra-se, contudo, que um último voo teria sido realizado em São Paulo, na primeira semana de dezembro daquele ano, por um jovem piloto do 1º/4º Grupo de Aviação.


Em Escala.
Para representarmos o Republic P-47D-27RA Thunderbolt "B-5 229265” quando em uso pelo 1º/1º Grupo de Aviação de Caça durante a campanha da Itália, empregamos o excelente kit da Academy na escala 1/48 embalado pela HTC Modelismo. Fizemos uso ainda do set de conversão da Commando 5 em resina que apresenta a barbatana dorsal, sendo a mesma facilmente adaptada no modelo original. Fizemos uso de decais confeccionados pela FCM Decals que estão presentes no kit da HTC - Academy.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura padrão presente em algumas das células entregues a Força Aérea Brasileira no teatro de operações da Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Após o regresso ao Brasil, as aeronaves mantiveram este padrão principalmente com as insígnias nacionais “americanizadas”, até passarem pelo processo de revisão em âmbito e parque quando passar a adotar a pintura em metal natural com aplicação de verde oliva para parte superior frontal para evitar reflexos. Este último padrão com algumas alterações como a inclusão de marcações de alta visibilidade seria mantido até a desativação do modelo no ano de 1958.

Bibliografia :
- O Trator Voador por Jackson Flores Junior- Revista Força Aérea Nº 2
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 por Jackson Flores
- P-47D Thunderbolt - Wikipédia http://en.wikipedia.org/wiki/Republic_P-47_Thunderbolt
- Republic P-47 Thunderbolt na FAB por Aparecido Camazano Alamino - Revista Asas Nº 62

Dodge WC-51 & WC-52 Beep (NE-TNE)

Historia e Desenvolvimento.
No início do século XX, em 1900, os irmãos John Francis Dodge e Horace Elgin Dodge embarcaram em um ambicioso empreendimento: criar um automóvel que se destacasse dos modelos disponíveis no mercado norte-americano. Inicialmente, a produção era quase artesanal, com a fabricação de poucas dezenas de veículos. Contudo, a partir de 1914, esse processo evoluiu para uma produção em série, marcando o nascimento da Dodge Brothers Motor Company. Rapidamente, a empresa conquistou prestígio no competitivo mercado de automóveis de passeio dos Estados Unidos, alcançando uma significativa participação nesse setor. O êxito comercial proporcionou à Dodge recursos financeiros que viabilizaram, na década seguinte, o desenvolvimento de veículos utilitários voltados para o mercado comercial civil. A entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial levaria a montadora a fornecer milhares de veículos militarizados a Força Expedicionária Americana (AEF), se destacando o Dodge Light Repair Truck e a Dodge Ambulance. Infelizmente, a trajetória dos irmãos fundadores foi interrompida por seu falecimento precoce (ambos no ano de 1920), e neste momento as viúvas dos irmãos, Matilda Dodge e Anna Dodge, assumiram o controle acionário da empresa. No entanto, sem a liderança direta dos fundadores, a Dodge Brothers Motor Company foi vendida em 1928 para a Chrysler Corporation, marcando o início de uma nova fase sob o conglomerado. Os primeiros modelos utilitários lançados no mercado norte-americano foram desenvolvidos com base nas plataformas dos veículos de passageiros da Chrysler, o que reduziu os custos de projeto e produção. A utilização compartilhada de ferramental e processos de manufatura resultou em preços competitivos, conferindo à Dodge uma forte vantagem comercial. Assim como os automóveis de passeio, os novos veículos utilitários da Dodge alcançaram expressivo sucesso de vendas no mercado interno, consolidando a reputação da marca como sinônimo de robustez e versatilidade, especialmente em atividades pesadas e em ambientes fora de estrada. O crescimento contínuo das vendas gerou recursos adicionais, permitindo que a empresa planejasse projetos ainda mais ambiciosos a curto e médio prazo. Na primeira metade da década de 1930, o cenário geopolítico global começou a se tornar preocupante, especialmente na Europa, com a ascensão do Partido Nazista na Alemanha, liderado pelo chanceler Adolf Hitler. Esse contexto gerou inquietação em diversas nações, incluindo os Estados Unidos, que, embora adotassem uma postura de neutralidade, permaneciam atentos a possíveis ameaças futuras. Diante da possibilidade de uma corrida armamentista global, a diretoria da Dodge Motor Company vislumbrou uma oportunidade estratégica no mercado militar. Assim, em 1934, a empresa passou a investir recursos próprios no desenvolvimento de projetos e protótipos conceituais de caminhões militares de médio e grande porte, aproveitando a expertise adquirida em projetos anteriores para as forças armadas norte-americanas durante a Primeira Guerra Mundial.

Em 1937, a Dodge Brothers Motor Company, já integrada à Chrysler Corporation, alcançou um marco significativo ao apresentar ao Exército dos Estados Unidos (US Army) seu primeiro modelo experimental de caminhão militar: o K-39-X-4, um veículo de 1 ½ toneladas equipado com tração integral nas quatro rodas. Submetido a rigorosos testes de campo, o protótipo impressionou os militares por sua robustez e desempenho, culminando na assinatura de um contrato para a produção de aproximadamente 800 unidades. Nos meses subsequentes, as primeiras entregas foram realizadas, e a confiança depositada no modelo levou à celebração de novos contratos, desta vez envolvendo os caminhões Dodge VC-1 e VC-6, de ½ tonelada, que se tornariam peças-chave no portfólio da empresa. Paralelamente, a Dodge lançou versões civis desses veículos no mercado norte-americano, que alcançaram notável sucesso comercial. Esse êxito incentivou a empresa a expandir sua linha de produtos em 1938, introduzindo novos modelos que passaram a ser fabricados na recém-inaugurada planta industrial Warren Truck Assembly, em Michigan. Projetada especificamente para a produção de caminhões leves e médios, essa fábrica marcou um avanço estratégico na capacidade produtiva da companhia. No ano seguinte, em 1939, a Dodge apresentou uma linha completamente renovada de picapes e caminhões, caracterizada por um design moderno e pela designação “Job-Rated”, que prometia atender às mais diversas demandas de trabalho, consolidando a reputação da marca por versatilidade e inovação. Enquanto isso, o cenário geopolítico global tornava-se cada vez mais tenso, com ameaças emergindo na Europa e no Pacífico. Diante da necessidade urgente de modernizar e reequipar as forças armadas norte-americanas, o Exército dos Estados Unidos definiu um padrão para veículos de transporte, categorizando-os em cinco classes com base na capacidade de carga: ½ tonelada, 1 ½ tonelada, 2 ½ toneladas, 4 toneladas e 7 ½ toneladas. Em junho de 1940, o Quartel-General do Comando de Intendência do Exército (US Army Quartermaster Corps) aprovou três modelos de caminhões comerciais com tração nas quatro rodas: o Dodge de 1 ½ tonelada 4x4, o GMC de 2 ½ toneladas 6x6 e o Mack de ½ tonelada 6x6. Nesse contexto, a Dodge-Fargo Division da Chrysler assegurou um contrato significativo no verão de 1940 para a produção de 14.000 unidades do modelo de ½ tonelada com tração integral 4x4, designado como série VC. A produção em larga escala teve início em novembro do mesmo ano, e, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, o modelo foi redesignado como série WC (Weapons Carriers). A letra “W” indicava o ano de início da produção (1941), enquanto “C” representava a classificação de ½ tonelada. Posteriormente, o código “C” foi estendido para modelos de ¾ tonelada e 1 ½ tonelada 6x6, com o primeiro veículo dessa família sendo o G-505 WC de ½ tonelada.
Ao longo de 1940, a Dodge Motor Company consolidou sua relevância no cenário militar ao produzir mais de seis mil caminhões leves com tração integral 4x4, pertencentes à série Dodge WC de ½ tonelada. Esses veículos, encomendados por meio de dois contratos firmados com o governo norte-americano, incluíam os modelos VF-401 a VF-407, equipados com a tecnologia de motor T-203 (Dodge G-621). Tratavam-se de evoluções dos modelos experimentais pré-guerra, como o RF-40 (-X) e o TF-40 (-X) (ou T-200/T-201), construídos sobre um chassi com a mesma distância entre eixos de 143 polegadas (3,63 metros). Esses novos caminhões WC substituíram os modelos Dodge VC-1 e VC-6 de ½ tonelada, também pertencentes à série original G-505, no arsenal do Exército dos Estados Unidos (US Army). Entre o final de 1940 e o início de 1942, a Dodge, em colaboração com a Fargo Motor Car Company, produziu um total de 82.000 veículos de ½ tonelada com tração 4x4, atendendo a diversos contratos celebrados com o Departamento de Guerra dos Estados Unidos. Os modelos WC-1 e WC-50, pertencentes à classe de ½ tonelada, destacavam-se pela intercambialidade de 80% de seus componentes com os novos modelos de ¾ tonelada lançados posteriormente, uma característica que otimizava a logística e a manutenção em campo. Em 1942, a Dodge atualizou sua linha de caminhões, dividindo-a em duas categorias principais: o modelo G-502, de ¾ tonelada, com tração integral 4x4 e chassi mais curto, e o G-507, de ½ tonelada, com tração 6x6, projetado para transporte de carga e tropas. Apesar das melhorias no design, a empresa manteve, de forma estratégica, a nomenclatura da família WC, o que gerava certa confusão. O WC-51 era equipado com um motor de seis cilindros flathead (T-214), com 3.800 cm³ e aproximadamente 92 cavalos de potência. Sua baixa taxa de compressão proporcionava torque robusto, ideal para operações fora de estrada, embora resultasse em um consumo de combustível relativamente elevado . O chassi, com uma distância entre eixos de 98 polegadas (2,49 metros), era mais curto que o de outros modelos da família, como o G-507 de ½ tonelada 6x6, conferindo maior agilidade em manobras. Um dos principais diferenciais desses veículos era a alta intercambialidade de peças, exigida pelo comando do Exército dos Estados Unidos, que alcançava 80% entre os modelos de ½ e ¾ tonelada. Essa característica simplificava significativamente os processos de manutenção e o suprimento logístico nos diversos fronts da Segunda Guerra Mundial. A família Dodge WC destacou-se pela impressionante versatilidade, abrangendo 38 variantes que incluíam transporte de tropas, carga, ambulâncias, veículos de comando, estações móveis de comunicações, unidades equipadas com canhões de 57 mm, oficinas móveis e veículos de reconhecimento, entre outros. Muitas dessas versões apresentavam cabines abertas com cobertura de lona, adaptadas às necessidades específicas do campo de batalha.

A intercambialidade de 80% das peças de reposição entre todas as variantes foi um fator crucial, garantindo eficiência na manutenção e no suprimento logístico, mesmo nas condições mais adversas da guerra. Essa capacidade de adaptação e a robustez dos veículos Dodge WC consolidaram a reputação da marca como uma das principais fornecedoras de equipamentos militares durante o conflito, contribuindo de forma decisiva para a mobilidade e a eficácia das forças aliadas. A versatilidade desta família, motivaria o desenvolvimento de inúmeras versões especiais complementares com a cabine aberta com cobertura de lona. Em 1941, a Dodge Motor Company introduziu a variante WC-54 Ambulância, um marco em sua linha de veículos militares. Este modelo foi o primeiro a contar com uma cabine frontal confeccionada em chapa fechada, projetada para maior resistência e funcionalidade. Além disso, apresentava uma distância entre eixos ampliada e um sistema de suspensão redesenhado, que suavizava o deslocamento em terrenos acidentados, proporcionando maior conforto no transporte de feridos, uma característica essencial para sua função humanitária no campo de batalha. Aproveitando essas inovações, a Dodge desenvolveu uma versão destinada ao transporte de comandantes em campo, o WC-53, atendendo à necessidade de veículos capazes de operar nas estradas deterioradas pela guerra, onde os carros oficiais convencionais se mostravam inadequados. Mecanicamente, o Dodge WC-53 era praticamente idêntico à ambulância WC-54, mas sua carroceria foi adaptada a partir de um utilitário civil Dodge de 1939, modificado para atender às especificações militares. Equipado com um motor de seis cilindros, tipo flathead, com 3.800 cm³ e 105 cavalos de potência, o veículo possuía uma baixa taxa de compressão que garantia torque elevado, ideal para operações fora de estrada. Contudo, seu consumo de combustível era consideravelmente alto, um ponto negativo em longas missões. A carroceria do WC-53 contava com quatro grandes janelas laterais pivotantes e assentos dobráveis, que facilitavam o acesso ao banco traseiro e otimizavam o espaço interno. O estepe foi fixado externamente, ao lado da porta do motorista, que, embora operacional, não podia ser aberta devido à sua posição. Na traseira, duas portas permitiam fácil acesso para carga ou manutenção do sistema de rádio, um recurso crucial para operações táticas. A produção do WC-53 teve início no final de 1941, com as primeiras unidades entregues às forças em território norte-americano, onde foram utilizadas no transporte de oficiais. Nos fronts de batalha, o modelo destacou-se em missões de reconhecimento e como estação de rádio móvel para comandantes, sendo amplamente empregado em todos os teatros de operações da Segunda Guerra Mundial. A Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF) também fez uso extensivo do WC-53 em bases aéreas, para transporte de oficiais e pilotos. 
Em fins de 1942, o comando do Exército dos Estados Unidos (US Army) implementou uma significativa revisão na configuração de seus pelotões armados, ampliando o efetivo de oito para doze homens por unidade. Essa mudança, concebida para aumentar a capacidade de combate e a resiliência das tropas, expôs limitações nos veículos Dodge WC-51 e WC-52, conhecidos como "Beep", que não podiam transportar o novo contingente de soldados. Para enfrentar esse desafio, o Major General Courtney Hodges propôs à Dodge Motor Company o desenvolvimento de uma versão alongada, capaz de acomodar os doze militares necessários. Assim, no início de 1943, a equipe de engenharia da montadora deu início aos estudos para a criação de um novo modelo, utilizando a plataforma do WC-51 como base. Esse projeto priorizou a padronização de componentes, uma característica essencial para simplificar a logística e a manutenção em cenários de guerra, garantindo a compatibilidade com outros veículos da família WC. A família de veículos Dodge WC, predominantemente equipada com tração 4x4, alcançou uma produção impressionante até o término da Segunda Guerra Mundial, com cerca de 530.000 unidades fabricadas, um recorde para veículos dessa categoria. Esse sucesso foi impulsionado pela excepcional resistência em campo, facilidade de manutenção e um custo-benefício que otimizava a produção em larga escala. Durante o conflito, os modelos WC, em especial o WC-51 e o WC-52, destacaram-se no âmbito do programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), por meio do qual os Estados Unidos forneceram milhares de unidades a nações aliadas, como Reino Unido, Canadá, Austrália, Brasil, Forças Francesas Livres e União Soviética. Registros oficiais indicam que o Exército Vermelho recebeu aproximadamente 25.000 veículos dos modelos WC-51 e WC-52, reforçando a mobilidade das forças aliadas em diversos fronts. Após o término da Segunda Guerra Mundial, os veículos WC-51 e WC-52 continuaram a desempenhar papéis cruciais em conflitos subsequentes, como a Guerra da Coreia (1950-1953). Graças à grande quantidade produzida, muitos permaneceram em serviço nas forças armadas norte-americanas até meados da década de 1950, quando começaram a ser gradualmente substituídos pelo Dodge M-37, um modelo mais moderno disponível em diversas configurações. Esse processo gerou um excedente considerável de veículos WC em bom estado de conservação, que foram fornecidos a países aliados, incluindo França, Espanha, Áustria, Brasil, Bélgica, Grécia, Irã, Cuba, Portugal, África do Sul, Israel e Suíça, por meio de programas de assistência militar coordenados pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. Em várias dessas nações, os veteranos WC-51 e WC-52 foram revitalizados, com destaque para a substituição de seus grupos motrizes, permitindo que esses veículos robustos prolongassem sua vida útil em forças armadas de países em desenvolvimento. Em alguns casos, esses modelos permaneceram em serviço até o início da década de 1980, atestando a durabilidade e a versatilidade que marcaram a família Dodge WC como um ícone da engenharia militar.

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo norte-americano passou a considerar com extrema preocupação a possibilidade de uma invasão do continente americano pelas forças do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Essa ameaça tornou-se ainda mais evidente após a capitulação da França, em junho de 1940, pois, a partir desse momento, a Alemanha Nazista poderia estabelecer bases operacionais nas Ilhas Canárias, em Dacar e em outras colônias francesas, criando um ponto estratégico para uma eventual incursão militar no continente. Nesse contexto, o Brasil foi identificado como o local mais provável para o lançamento de uma ofensiva, devido à sua proximidade com o continente africano, que à época também figurava nos planos de expansão territorial alemã. Além disso, as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul transformaram o Brasil no principal fornecedor de látex para os Aliados, matéria-prima essencial para a produção de borracha, um insumo de extrema importância para a indústria bélica. Além dessas possíveis ameaças, a posição geográfica do litoral brasileiro mostrava-se estrategicamente vantajosa para o estabelecimento de bases aéreas e portos militares na região Nordeste, sobretudo na cidade de Recife, que se destacava como o ponto mais próximo entre os continentes americano e africano. Dessa forma, essa localidade poderia ser utilizada como uma ponte logística para o envio de tropas, suprimentos e aeronaves destinadas aos teatros de operações europeu e norte-africano. Diante desse cenário, observou-se, em um curto espaço de tempo, um movimento de aproximação política e econômica entre o Brasil e os Estados Unidos, resultando em investimentos estratégicos e acordos de cooperação militar. Entre essas iniciativas, destacou-se a adesão do Brasil ao programa de ajuda militar denominado Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), cujo principal objetivo era promover a modernização das Forças Armadas Brasileiras. Os termos desse acordo garantiram ao Brasil uma linha inicial de crédito de US$ 100 milhões, destinada à aquisição de material bélico, possibilitando ao país o acesso a armamentos modernos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate. Esses recursos revelaram-se essenciais para que o país pudesse enfrentar as ameaças impostas pelos ataques de submarinos alemães, que intensificavam os riscos à navegação civil, impactando o comércio exterior brasileiro com os Estados Unidos, responsável pelo transporte diário de matérias-primas destinadas à indústria de guerra norte-americana. A participação brasileira no esforço de guerra aliado logo se ampliaria. O então presidente Getúlio Vargas declarou que o Brasil não se limitaria ao fornecimento de materiais estratégicos aos Aliados e sinalizou a possibilidade de uma participação mais ativa no conflito, envolvendo o possível envio de tropas brasileiras para algum teatro de operações de relevância.

No âmbito do programa de assistência militar Lend-Lease Act, o Brasil, a partir do final de 1941, começou a receber um expressivo volume de equipamentos bélicos provenientes dos Estados Unidos, abrangendo caminhões, veículos utilitários leves, aeronaves, embarcações e armamentos. O Exército Brasileiro foi o principal beneficiário desse aporte, que representou um marco significativo na modernização de suas capacidades operacionais. Dentre os equipamentos fornecidos, os utilitários Dodge WC-51 e WC-52, com tração integral 4x4, começaram a ser entregues ao Brasil no final de 1942. Esse atraso inicial decorreu da prioridade dada às forças armadas norte-americanas, que demandavam grandes quantidades desses veículos para os esforços de guerra. Quase todos os lotes destinados ao Brasil eram compostos por veículos novos, recém-saídos das linhas de produção da Dodge Motor Company e da Fargo Motor Car Company. A incorporação dos Dodge WC-51 e WC-52 ao Exército Brasileiro marcou um avanço significativo na doutrina operacional da força terrestre. Esses modernos utilitários substituíram uma frota obsoleta de veículos leves de origem civil, inadequadamente adaptados para uso militar, além de um pequeno número de modelos importados, como os alemães Vidal & Sohn Tempo-Werk G1200, recebidos em 1938, mas insuficientes para equipar sequer uma unidade mecanizada. Com a chegada de aproximadamente 300 unidades dos utilitários Dodge, o Exército Brasileiro deu início a um processo de transição estratégica, abandonando gradativamente o modelo hipomóvel  dependente de tração animal em favor de uma força terrestre mecanizada, mais ágil e preparada para os desafios modernos. Além do Exército, algumas unidades desses veículos foram destinadas à Força Aérea Brasileira e à Marinha do Brasil, onde foram empregadas em funções administrativas, reforçando a versatilidade dos modelos WC-51 e WC-52. Essa modernização coincidiu com o crescente envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados. Em 9 de agosto de 1943, por meio da Portaria Ministerial nº 4.744, publicada em boletim reservado no dia 13 do mesmo mês, foi criada a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Estruturada como a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE), sob o comando do General de Divisão João Batista Mascarenhas de Morais, a FEB incluía, além da divisão principal, diversos órgãos não-divisionários essenciais para sua operação. A composição da Força Expedicionária Brasileira (FEB) contemplava quatro grupos de artilharia (três equipados com obuses de 105 mm e um com 155 mm), uma esquadrilha de aviação da Força Aérea Brasileira para ligação e observação, um batalhão de engenharia, um batalhão de saúde, um esquadrão de reconhecimento e uma companhia de comunicações. A força contava ainda com um comando próprio, um comando de quartel-general, um destacamento de saúde, uma companhia de manutenção, uma companhia de intendência, um pelotão de sepultamento, um pelotão de polícia e, simbolicamente, uma banda de música.
A Força Expedicionária Brasileira (FEB), composta por cerca de 25.000 soldados, foi estruturada para atender aos padrões operacionais do Exército dos Estados Unidos (US Army), que priorizavam alta mobilidade em suas unidades. Para cumprir essa exigência, a FEB foi equipada com uma frota significativa de veículos de transporte de pessoal, incluindo os modelos amplamente utilizados pelas forças aliadas, com destaque para os utilitários Dodge WC-51 e WC-52. As tropas brasileiras desembarcaram na Itália em agosto de 1944 e, após um breve período de treinamento, integraram o V Corpo do Exército norte-americano, sob o comando do General Mark Clark. Durante essa etapa, a FEB recebeu todo o seu armamento e veículos diretamente do estoque estratégico norte-americano localizado em Tarquinia, Itália. Entre os veículos fornecidos, destacaram-se 148 unidades do Dodge WC-51 e 30 do Dodge WC-52. Registros indicam que pelo menos três WC-51 foram destinados à Força Aérea Brasileira, sendo empregados no transporte de pilotos e cargas em apoio às missões do 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa) e da 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO). O batismo de fogo da FEB ocorreu em 15 de setembro de 1944, quando os pracinhas brasileiros enfrentaram o Exército Alemão (Wehrmacht) na campanha italiana. Nesse contexto, os Dodge WC-51 e WC-52 desempenharam um papel central, sendo utilizados em uma ampla gama de funções táticas e logísticas. Além do transporte de tropas e cargas, esses veículos foram adaptados para missões como reconhecimento armado  equipados com metralhadoras Browning M1 calibre .50 , comando, reboque de artilharia leve antitanque, socorro médico e remoção de corpos. Sua robustez e versatilidade foram fundamentais para o sucesso das operações em terrenos acidentados e sob condições adversas. No âmbito do socorro médico, os Dodge WC-51 e WC-52 tiveram uma participação notável, complementando os jipes Willys MB especializados nessa função. Operando em conjunto com os batalhões de saúde do Destacamento de Saúde, esses veículos integravam o sistema de evacuação, triagem e hospitalização. Nos campos de batalha, a mobilidade era crucial: padioleiros realizavam o resgate inicial, enquanto os Dodges transportavam os feridos até os postos de saúde (PS) para triagem, estabilização de casos graves, tratamento de ferimentos leves que permitissem o retorno ao combate e implementação de medidas preventivas. Igualmente significativa foi a atuação desses veículos nas operações do Pelotão de Sepultamento, unidade responsável por recolher, identificar e sepultar os mortos, além de encaminhar pertences aos familiares. Equipados com reboques especializados, diversos WC-51 percorreram mais de 45.000 quilômetros em missões de caráter humanitário, desempenhando com dignidade uma tarefa tão delicada quanto essencial. A contribuição dos Dodge WC-51 e WC-52 à campanha da FEB na Itália transcendeu sua função operacional, simbolizando a resiliência e o compromisso dos pracinhas brasileiros na luta ao lado dos Aliados. 

Durante a campanha italiana da Segunda Guerra Mundial, os veículos utilitários Dodge WC-51 e WC-52, empregados pela Força Expedicionária Brasileira (FEB), enfrentaram condições excepcionalmente adversas no teatro de operações europeu. Em terrenos acidentados e sob o rigoroso clima italiano, marcado por invernos rigorosos e chuvas intensas, esses robustos utilitários demonstraram uma impressionante capacidade de adaptação. Operando em cenários onde a infraestrutura era precária, os militares brasileiros realizaram reparos e manutenções emergenciais com recursos limitados, muitas vezes sem oficinas adequadas ou ferramentas especializadas. A confiabilidade e a durabilidade desses veículos foram fundamentais para assegurar a mobilidade das tropas e o suporte logístico, desempenhando um papel crucial no êxito das operações da FEB em batalhas como Monte Castelo e Fornovo di Taro. Com o fim do conflito, em maio de 1945, os Dodge WC-51, WC-52 e outros equipamentos utilizados pela FEB foram transferidos ao Comando de Material do Exército dos Estados Unidos, sediado em Roma. Nesse processo, os veículos em melhores condições foram cuidadosamente selecionados, acondicionados e enviados ao Brasil por via marítima. Ao chegarem ao país, integraram a frota de utilitários da mesma classe, em serviço desde 1942, distribuída entre o Exército Brasileiro, a Marinha do Brasil e a Força Aérea Brasileira (FAB). Registros históricos apontam que, até meados de 1945, as Forças Armadas Brasileiras receberam um total de 954 unidades dos modelos WC-51 e WC-52, reforçando significativamente sua capacidade operacional. No período pós-guerra, esses utilitários tornaram-se peças centrais nas unidades operativas brasileiras, conquistando a estima dos militares, que os apelidaram carinhosamente de “jipão” ou “pata choca”, em referência à sua robustez e aparência característica. Sua preferência em relação aos jipes Willys MB e Ford GPW decorria de sua maior capacidade de carga, tração nas quatro rodas e versatilidade em diferentes tipos de terreno. Nas unidades de infantaria mecanizada, grupos de artilharia de campanha e batalhões de carros de combate, os Dodges desempenharam múltiplas funções, incluindo transporte de pessoal, comando, comunicações e tração de obuseiros leves, como o M101 de 105 mm. Essa versatilidade contribuiu de forma significativa para a modernização da Força Terrestre Brasileira, que, nas duas décadas seguintes, consolidou sua capacidade operacional em um contexto de expansão e profissionalização. Apesar de sua importância, a partir do final da década de 1950, o Exército Brasileiro começou a enfrentar desafios relacionados à manutenção dessa frota. A principal dificuldade residia na escassez de peças de reposição para o motor Dodge T-214, um seis cilindros a gasolina com válvulas laterais e refrigeração a água, cuja produção foi descontinuada nos Estados Unidos em 1947. Essa limitação comprometeu a disponibilidade operacional dos veículos, exigindo esforços criativos e soluções improvisadas para prolongar sua vida útil. 
Diante dos crescentes desafios para manter a operacionalidade dos veículos Dodge WC-51 e WC-52, cuja frota enfrentava dificuldades devido à escassez de peças de reposição para o motor Dodge T-214, tornou-se imperativa a busca por soluções emergenciais. Nesse contexto, o Exército Brasileiro, por meio de negociações conduzidas junto ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, recorreu ao Programa de Assistência Militar (Military Assistance Program – MAP) para adquirir um lote significativo de utilitários mais modernos, pertencentes à família Dodge M-37 e M-43. Esses entendimentos culminaram na incorporação de mais de 300 veículos usados desses modelos, cuja entrega ao Brasil teve início em 1966, reforçando a capacidade logística e operacional das Forças Armadas. Paralelamente, uma iniciativa técnica de grande relevância foi conduzida pelo Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2), em São Paulo. Engenheiros e técnicos do Exército empreenderam estudos para substituir os motores originais a gasolina Dodge T-214 por modernos motores a diesel de fabricação nacional, inspirando-se em programas bem-sucedidos de remotorização, como os aplicados aos caminhões GMC CCKW, Studebaker US6 e aos veículos meia-lagarta White Motors M-3, M-3A1 e M-5 Half Track. Apesar do potencial transformador dessa iniciativa, o projeto de remotorização não avançou além da fase inicial de protótipo, limitada por desafios técnicos e logísticos. Como medida paliativa, optou-se pela retífica dos motores a gasolina originais, permitindo que uma parcela significativa da frota de Dodge WC-51 e WC-52 continuasse em serviço por mais alguns anos. Na mesma década, o Exército Brasileiro deu um passo importante rumo à autossuficiência com a introdução dos primeiros utilitários militarizados de fabricação nacional, pertencentes à família Ford Willys-Overland Rural F-75 e F-85, além do Toyota Bandeirante. Esses veículos, robustos e adaptados às necessidades do terreno brasileiro, foram gradualmente incorporados não apenas pelo Exército, mas também pela Marinha do Brasil e pela Força Aérea Brasileira (FAB). A adoção em larga escala desses utilitários nacionais atendeu de forma eficaz às demandas operacionais, marcando o início de uma nova era na logística militar brasileira. Com a chegada dos novos veículos, iniciou-se, de maneira gradual, a desativação dos Dodge WC-51 e WC-52. No início da década de 1970, apenas um número reduzido dessas viaturas permanecia em serviço ativo, sendo substituídas pelas opções nacionais mais modernas. Registros oficiais indicam que as últimas unidades do Exército foram desativadas em meados de 1976, encerrando uma trajetória de mais de três décadas de contribuições às operações militares brasileiras. Na FAB, os Dodge WC-52 foram retirados de serviço em 1967, enquanto não há registros precisos sobre os últimos anos de operação desses veículos pela Marinha do Brasil. Apesar de sua desativação, o legado dos Dodge WC-51 e WC-52 perdura. Algumas unidades, preservadas em estado operacional, são mantidas como viaturas cerimoniais em diversas organizações militares, evocando a memória dos “pracinhas” da Força Expedicionária Brasileira e sua bravura na Segunda Guerra Mundial.

Em Escala.
Para representarmos o  Dodge WC-51 "FEB 310", pertencente ao Exército Brasileiro e empregado durante a campanha da Itália na Segunda Guerra Mundial, empregamos o excelente kit produzido pela AFV Club, na escala 1/35, modelo este que prima pelo nível de detalhamento e possibilita também a montagem da versão WC-52 (dispondo do guincho mecânico frontal). Incluímos em resina artefatos que simulam a carga em formato de caixas ou lonas de campanha. Fizemos uso de decais produzidos pela Decals e Books, presentes como complemento do livro "FEB na Segunda Guerra Mundial" de Luciano Barbosa Monteiro.
O esquema de cores descrito abaixo representa o padrão de pintura tático militar do Exército dos Estados Unidos (US Army), presente em todos os veículos recebidos pelo Exército Brasileiro na Itália em 1944, com estes recebendo apenas as marcações nacionais brasileiras. Em seu retorno ao Brasil os Dodge WC-51 e WC-52 manteriam este padrão, sendo aplicados apenas pequenos detalhes de marcações de tipo e número de série do veículo, mantendo este esquema até sua desativação. 

Bibliografia :
- FEB na Segunda Guerra Mundial, por Luciano Barbosa Monteiro
- Dodges WC Series - http://en.wikipedia.org/wiki/Dodge_WC_series#WC51
- Dodge WC-51 - http://cvmarj.info/Dodge_WC-51.html
- Dodge 3/4  Ton WC-51 Uma Experiência real na FEB, por Expedito Stephani Bastos

TF-7 Gloster Meteor TMK.7

Historia e Desenvolvimento.
Em meados da década de 1930, o Ministério da Aviação Alemão (Reichsluftfahrtministerium), avançava a largos passos em seu programa experimental de aeronaves a jato, com o primeiro protótipo desta inciativa alçando voo em 27 agosto de 1939, quando o Heinkel He 178 um pequeno monomotor monoplace, propulsado por um motor turbojato Heinkel Strahltriebwerk HeS 3, projetado por Hans Joachim Pabst von Ohain alçou voo. Este programa não passaria desapercebido pelo Ministério do Ar da Grã-Bretanha, que desde o ano de 1938, com base em relatórios de inteligência, acompanhava o desenrolar destes importantes experimentos alemães. Neste contexto o projeto de uma turbina a jato de compressor centrífugo modelo Whittle W.1, projetada pelo engenheiro aeronáutico Frank Whittle, ex-oficial da Força Aérea Real (RAF), passaria a receber prioridade em seu desenvolvimento. Está programa atravessaria uma série de dificuldades técnicas e políticas, com o projeto sendo considerado finalmente de propriedade governamental, sendo escolhida neste contexto a empresa Gloster Aircraft Company - G.A.C, a missão de se projetar e construir uma aeronave propulsada por aquela turbina. (hoje, essa aeronave seria chamada de “demonstrador de tecnologia”). Construído de acordo com a especificação E.28/39, o Gloster G.40  denominado “Pioneer”  era pequeno e leve o suficiente para que a turbina, de pequena potência (390Kg de empuxo), pudesse impulsioná-lo. Projetado por George Carter (projetista-chefe), dois protótipos foram construídos e, em pouco mais de um ano, o primeiro – nº de matrícula W4041/G, a letra “G” indicando que a aeronave deveria ser mantida sob guarda armada permanente, ao aterrissar em local diferente de onde estava baseado  estava pronto para os testes de taxiamento no campo da Gloster em Hucclecote, no dia 7 de abril de 1941, sob o comando do piloto-chefe de provas, P.E.G. Sayer. No dia 15 de maio, o “Pioneer” voou pela primeira vez, a partir da base RAF Cranwell, tendo o voo durado 17 minutos e sendo bem-sucedido. Após mais de dez horas de voo, o W4041/G foi tirado do programa de testes à espera da instalação da nova turbina W.1A, de 526Kg de empuxo. Os voos de teste foram retomados a partir de 4 de fevereiro de 1942; após o sexto voo, a nova turbina teve de ser retirada, devido a sobreaquecimento no cone de exaustão. Pouco mais de dez dias após, no segundo voo após a reinstalação da turbina, com um novo cone de exaustão, modificado para suportar as temperaturas mais altas geradas pela W.1A, uma das lâminas da turbina quebrou, causando excessiva vibração na aeronave; Sayer conseguiu, não obstante, aterrissar com o W4041/G. Em 2 de junho, uma pane no controle de admissão do combustível, ao voar a 30.000 pés, fez com que o voo fosse abortado; quatro dias depois, a turbina desligou-se após excessiva vibração, com o que Sayer foi obrigado a trazer o W4041/G em voo planado até a pista em Edge Hill. Essas sucessivas panes na turbina fizeram com que se instalasse um novo sistema de lubrificação, e somente após três meses e meio os voos foram reiniciados. Em 27 de setembro, nova pane no sistema de lubrificação, em um voo perante uma delegação norte-americana; ao aterrissar, a ponta da asa esquerda tocou no chão, danificando a parte inferior dela. 

Com a morte de Sayer em um acidente aéreo no dia seguinte, enquanto pilotava um caça monomotor Hawker Typhoon, os voos foram retomados por Michael Daunt, no dia 6 de novembro, desta vez com sucesso, após a substituição das tubulações de óleo por outras de maior diâmetro. Em 1º de março de 1943, o W4046/G realizou seu primeiro voo, equipado com uma turbina W.2B de 544Kg de empuxo, sob o comando do piloto da Gloster Aircraft, John Grierson. Ambas as aeronaves foram transferidas para o Royal Aircraft Establishment, em Farnborough, para a realização de mais testes. Em 30 de julho, o W4046/G, ao voar a uma altitude de 35.000 pés, pilotado pelo Squadron Leader Douglas Davie, teve seus ailerões imobilizados, colocando-o em um “spin” invertido; o piloto foi projetado para fora da cabine, e o W4046/G caiu no solo. O W4041/G permaneceu em uso para a realização dos voos de teste e, no início da primavera de 1943, recebeu uma turbina Power Jets W2/500, de 771Kg de empuxo; subsequentes modificações aumentaram a sua potência para 798Kg. Ao final do ano, a turbina W2/500 foi retirada e várias semanas passaram-se até que o W4041/G recebesse uma outra turbina. Os voos de teste só reiniciaram em abril de 1944; porém, com o seu sucessor, o Gloster G.41, prestes a entrar em serviço ativo, poucos voos foram realizados. Em 28 de abril de 1946, foi colocado em exposição no Museu Nacional de Ciência e Tecnologia, em Londres, onde permanece até hoje. Voltando um pouco no tempo, já em agosto de 1940, G. Carter havia submetido um projeto inicial de caça a jato, o Gloster G.41: era um birreator, dada a pequena potência das turbinas então existentes, monoplace, de asas retas, equipado com quatro canhões de 20mm e trem de pouso triciclo. Em novembro do mesmo ano, o Ministério do Ar expediu a especificação F.9/40, baseada no projeto da Gloster, e encomendou 12 protótipos à empresa, com números de série DG202/G a DG213/G (posteriormente, esse número foi reduzido para seis e, por fim, aumentado para oito). O nome escolhido para o F.9/40 foi resultado de um longo processo; entre as inúmeras sugestões, citamos “Thunderbolt”, “Cyclone”, “Wildfire”, “Scourge”, “Terrific”, “Terrifier”, “Tempest”, “Avenger”, “Ace”, “Annihilator” e “Reaper”. Por fim, o Ministério de Produção de Aeronaves escolheu e insistiu no nome “Meteor”, após desistirem do nome “Thunderbolt”, escolhido para batizar o caça a pistão Republic P-47 Thunderbolt. Imediatamente após a encomenda ter sido firmada, a produção dos protótipos foi iniciada. As primeiras turbinas W.2B, produzidas pela Rover, não podiam, no entanto, ser utilizadas em voo, pelas constantes quebras das pás dos compressores. Isso acarretou demoras no desenvolvimento da aeronave, o que quase levou ao cancelamento do contrato! Felizmente, as primeiras turbinas Halford H.1, suficientemente confiáveis para serem utilizadas em voo, foram entregues em novembro de 1942 e o projeto pôde continuar. As turbinas existentes na época Rover W.2B ou W.2/500, Rolls-Royce W.2B/23 e Halford H.1  eram todas do tipo centrífugo, no qual o ar é acelerado e comprimido por um único compressor, passando por um conjunto de câmaras de combustão dispostas radialmente em torno do corpo da turbina.
 Apesar de simples, esse tipo de turbina requer uma tomada de ar com uma grande área frontal, o que aumenta o arrasto; além disso, o tubo de escape dos gases da turbina deve ser o menor possível, para minimizar a perda de potência. A alternativa é uma turbina de fluxo axial, na qual o ar é comprimido por uma série de rotores com pás, exigindo uma entrada de ar de menor área; uma turbina desse tipo, a Metropolitan-Vickers F.2, chegou a ser testada no protótipo DG204/G. O baixo rendimento dessa turbina, bem como a queda do protótipo após apenas 3h de voo, levaram ao cancelamento do desenvolvimento da turbina F.2 para uso no Meteor. O primeiro voo foi realizado pelo quinto protótipo, equipado com turbinas H.1 de 1.500lb de empuxo, no dia 5 de março de 1943, a partir da estação em Cranwell. Nos dias 12 de junho e 24 de julho, o primeiro e o quarto protótipos realizaram seus primeiros voos, respectivamente, equipados com turbinas W.2B/23. No dia 13 de novembro, o terceiro protótipo fez seu voo inicial, equipado com turbinas F.2, instaladas sob as asas, em um arranjo diferente dos demais protótipos. Ainda em novembro, o segundo protótipo realizou seu primeiro voo, equipado com uma turbina Power Jets W.2/500. O sexto protótipo voou a 24 de julho de 1945, equipado com duas turbinas de Havilland Goblin, as quais viriam a equipar o caça a jato de Havilland Vampire. O sétimo protótipo havia realizado seu primeiro voo a 20 de janeiro de 1944, equipado com uma cauda de desenho modificado e freios aerodinâmicos. Por fim, o oitavo e último exemplar de pré-série voou a 18 de abril de 1944, equipado com as turbinas Rolls-Royce W.2B/37 Derwent I. Os primeiros exemplares de série foram os vinte Gloster G.41A Meteor Mk.I, equipado com as turbinas W.2B/23C Welland, e incorporavam pequenas modificações em relação aos exemplares de pré-série, incluindo um canopi com melhor visibilidade para trás. Muitos desses foram utilizados como aeronaves de teste, para desenvolvimento de turbinas e da aeronave em si, incluindo o 18º exemplar, chamado de “Trent-Meteor” e que foi a primeira aeronave do mundo propulsionada por um motor turboélice (uma turbina Derwent movia uma hélice pentapá Rotol, através de um eixo ligado a uma caixa de redução), tendo voado nessa configuração a 20 de setembro de 1945. O Gloster Meteor, em sua versão F.I, seria o primeiro caça a jato do mundo a ser usado operacionalmente por um esquadrão, o No. 616 "South Yorkshire" da Força Aérea Auxiliar (Auxiliary Air Force), o qual receberia seus dois primeiros exemplares no dia 12 de julho de 1944. O esquadrão realizaria as primeiras surtidas operacionais no dia 27 de julho e obteve as suas primeiras vitórias no dia 4 de agosto, quando duas bombas-voadoras alemãs V-1 foram abatidas pelos Flying-Officer (F/O) Dean e F/O Roger (o primeiro perturbando o fluxo de ar abaixo da asa da V-1 com a ponta da asa de seu Gloster Meteor F.I, colocando-a em um "spin" irrecuperável e o segundo a tiros de canhão). No dia 18 de dezembro de 1944, os primeiros Gloster Meteor F.III foram entregues ao esquadrão e no dia 4 de fevereiro uma esquadrilha seria deslocada para a Bélgica, sob controle do Grupo nº 84, 2ª Força Aérea Tática, da Força Aérea Real (Royal Air Force). Em abril de 1945, o esquadrão no. 504 "County of Nottingham" passou a ser a segunda unidade a operar o Gloster Meteor. O Meteor F.III carregava uma maior quantidade de combustível, bem como uma cobertura deslizante da cabine. 

Apenas 15 exemplares foram construídos com as turbinas Welland; todos os restantes duzentos e sessenta e cinco exemplares utilizaram as turbinas Derwent, algumas delas em naceles alongadas. A versão seguinte, F.IV, utilizou estas mesmas turbinas e alguns deles tiveram a envergadura reduzida em 1,78m (5ft 10in); também, a partir do 89º exemplar, a fuselagem foi acrescida de uma seção de 0,30 metros à frente das asas, o que contribuiu para diminuir o problema de instabilidade longitudinal presente nas versões anteriores. Após o término da Segunda Guerra Mundial, o advento dos aviões de combate movidos a reação provocaria a obsolescência quase que imediata dos modelos de aeronaves com motores a pistão, provocando assim uma corrida para o reequipamento de diversos países. Na Grã-Bretanha as novas versões posteriores do Gloster Meteor F.III e F.IV passariam a dominar incialmente os aeródromos ingleses e logo em seguidas os franceses, após o modelo ser adquirido pela Força Aérea Francesa (Armée de l'Air). A partir de 1947, mais nações passariam a se interessar pela aeronave de caça inglesas, entre elas a Argentina, que faria uso de créditos de guerra, com a Inglaterra disponíveis em sua balança comercial, para proceder a aquisição de cem células da versão Gloster Meteor F.IV (sendo cinquenta usadas da Força Aérea Real (RAF) e 50 novas aeronaves de fábrica). Neste mesmo período iniciar-se-ia o processo de treinamento e conversão dos pilotos da Força Aérea Argentina (FAA) na Inglaterra, no transcorrer deste programa seriam identificadas inúmeras dificuldades, pois apesar das aeronaves serem fáceis de planejar, os jatos apresentavam certas peculiaridades em termos de conceitos de projeto (sistemática inglesa), o que poderiam gerar riscos de acidentes graves durante o processo de adaptação dos novos pilotos. Neste contexto, a única maneira de treinar os pilotos argentinos, era retirar a cobertura da cabine e fazer várias corridas pela pista, com um instrutor do britânico deitado sobre a fuselagem, atrás da cabine, gritando instruções ao aluno. Interessante é notar que a própria Força Aérea Real (RAF) treinava seus futuros pilotos de Gloster Meteor em caças a pistão, após o qual passavam por checagem da cabine, no solo, até que eram autorizados a realizarem seu primeiro voo a jato. Ciente destas necessidades, os engenheiros da Gloster Aircraft Company. iniciariam com recursos próprios os estudos para o desenvolvimento de uma versão específica para treinamento e conversão. Este projeto seria desenvolvido com base em uma célula do modelo Gloster Meteor F.IV, estendendo a fuselagem, na área do nariz em 76 cm, removendo o armamento de quatro canhões de 20 mm, colocando uma cobertura com molduras sobre a cabine de pilotagem (aluno e instrutor sentados em tandem). No objetivo de se obter uma boa relação de custo e benefício, esta versão adotou o conceito de simplicidade tanto em termos de avionica quanto no despojamento, não recebendo provisão para sistemas de armas e assentos ejetores. O protótipo designado como Gloster Meteor T.7, ostentando a matrícula civil G-AKPK, voou pela primeira vez em 19 de março de 1948, sendo logo destinado a um completo programa de ensaios em voo, supervisionado pelos instrutores de conversão da  Força Aérea Real (RAF).
Após transcorridos seis meses, o programa de ensaios em voo foi concluído com sucesso, levando a diretoria industrial da Gloster Aircraft Company (G.A.C.) a autorizar a produção em série da aeronave. O modelo passou a ser oferecido não apenas à Royal Air Force (RAF), mas também a operadores estrangeiros já familiarizados com as versões monoplace do Gloster Meteor. O primeiro contrato foi celebrado ainda naquele ano com o governo argentino, que adquiriu dez aeronaves destinadas à Fuerza Aérea Argentina (FAA). Paralelamente, a nova versão foi avaliada pelo Ministério do Ar da Grã-Bretanha, cujo desempenho e a efetividade no treinamento e conversão operacional foram bem recebidos pelos oficiais envolvidos. Como resultado, foi firmado o primeiro contrato com o governo britânico, envolvendo cinquenta aeronaves, seguido por encomendas adicionais nos anos subsequentes, totalizando 640 unidades entregues. No mercado externo, acordos de exportação também foram consolidados, com o modelo Gloster Meteor T.7 sendo incorporado pelas forças aéreas da França, Dinamarca, Bélgica, Egito, Israel, Brasil e Nova Zelândia, somando mais 62 aeronaves produzidas. A carreira operacional do Gloster Meteor T.7 acompanhou de perto a das versões monoplace, inclusive com participação indireta nas fases iniciais da Guerra da Coreia (1950-1953). Nesse contexto, aeronaves do Esquadrão Nº 77 da Royal Australian Air Force foram destacadas para operar a partir de Pohang, na Coreia do Sul. O batismo de fogo do Gloster Meteor F.8 no conflito ocorreu em 29 de agosto de 1951, quando oito aeronaves foram engajadas por um grande número de Mikoyan-Gurevich MiG-15 sobre Chongju, a aproximadamente 35.000 pés de altitude. Superiores em desempenho e manobrabilidade, os caças soviéticos abateram um Gloster Meteor F.8 e danificaram outros dois, sem registrar perdas. Os combates subsequentes evidenciaram que o caça britânico não era capaz de enfrentar, em igualdade de condições, a nova geração de jatos soviéticos.  Apesar de sua vocação como treinador, o T.7 foi ocasionalmente utilizado em funções secundárias em unidades operacionais: Aeronave de ligação (liaison), treinamento de tripulações em bases avançada e apoio à conversão operacional em teatros de guerra Durante a Guerra da Coreia, por exemplo, unidades equipadas com o modelo monoplace , como o Esquadrão Nº 77 da  Força Aérea Real Australiana (Royal Australian Air Force), utilizaram aeronaves biplace para treinamento local, adaptação de pilotos e padronização de procedimentos  ainda que o T.7 não tenha sido empregado diretamente em missões de combate. Por fim durante este conflito, os Gloster Meteor F.8 foram gradualmente substituídos na linha de frente pelos mais modernos North American F-86 Sabre. Na sequência, essas aeronaves começaram a ser retiradas do serviço ativo no Reino Unido e na França, sendo substituídas por modelos mais avançados. Já as células exportadas apresentaram maior longevidade operacional em países como Brasil e Argentina, permanecendo em uso até meados da década seguinte, quando limitações estruturais e fadiga das células levaram à sua retirada definitiva de serviço.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Ao término da Segunda Guerra Mundial, a Aeronáutica brasileira encontrava-se em uma posição singular no contexto regional, dispondo de um acervo superior a mil e quinhentas aeronaves militares modernas. A quase totalidade desse material fora incorporada a partir de 1942, no âmbito do programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos) , que viabilizou a transferência de equipamentos estratégicos dos Estados Unidos para países aliados. No que tange à capacidade ofensiva, a instituição operava um expressivo conjunto de aeronaves de primeira linha, destacando-se os caças-bombardeiros Republic P-47D Thunderbolt e Curtiss P-40 Warhawk, além das aeronaves de ataque Douglas A-20 Havoc e North American B-25 Mitchell. Essa combinação, complementada por meios de transporte, patrulha marítima e guerra antissubmarino, conferia ao Brasil a segunda maior força aérea das Américas, bem como a mais expressiva do Hemisfério Sul. Entretanto, o rápido avanço tecnológico verificado no pós-guerra, particularmente com a consolidação dos motores a reação, alteraria de maneira decisiva esse cenário. A emergência de uma nova geração de aeronaves equipadas com turbojatos tornaria, em poucos anos, os caças e bombardeiros de motor a pistão progressivamente obsoletos. Paralelamente, a reorientação da indústria aeronáutica internacional, que passou a priorizar a produção de aeronaves a jato, dificultava sobremaneira a manutenção dos modelos então em serviço, sobretudo em razão da crescente escassez de peças de reposição decorrente da descontinuidade de suas linhas de fabricação. Nesse contexto de transição tecnológica, os pilotos de caça brasileiros ressentiam-se da ausência de uma aeronave moderna que lhes permitisse não apenas cumprir suas missões com maior eficácia, mas também manter um nível de paridade operacional frente a forças aéreas de países vizinhos que já iniciavam a incorporação de aviões a jato. Apesar da evidente necessidade de modernização, o governo brasileiro enfrentava severas limitações orçamentárias, que inviabilizavam a aquisição, em curto prazo, do número mínimo de aeronaves necessárias para equipar ao menos três esquadrões de caça de primeira linha. O elevado custo unitário de aeronaves como o  F-84E Thunderjet e o F-86F Sabre  estimados, respectivamente, em US$ 300.000 e US$ 450.000 à época  implicaria um dispêndio total da ordem de US$ 15 milhões, valor significativamente superior às disponibilidades financeiras do país. Ademais, ainda que tais recursos estivessem disponíveis, a pronta entrega dessas aeronaves mostrava-se improvável. À época, a prioridade da indústria e do governo dos Estados Unidos concentrava-se no reequipamento das unidades da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) engajadas na Guerra da Coreia (1950–1953), onde se fazia necessária a superioridade frente a caças como o Mikoyan-Gurevich MiG-15. Soma-se a esse quadro a postura cautelosa do governo norte-americano, que, naquele momento, mostrava-se reticente em autorizar a venda de aeronaves de combate avançadas às nações latino-americanas, sob a justificativa de evitar desequilíbrios estratégicos no continente.

Diante das limitações impostas pelo mercado norte-americano e pela conjuntura político-estratégica do período, uma alternativa viável passou a ser buscada no cenário europeu. O objetivo central consistia em identificar uma aeronave que se adequasse à restrita dotação orçamentária do Ministério da Aeronáutica e que, simultaneamente, pudesse ser entregue em prazos compatíveis com a urgência do reequipamento operacional. Essa solução materializou-se na proposta apresentada pela Gloster Aircraft Company, que ofereceu ao governo brasileiro o caça a jato F.8 Meteor, à época uma plataforma já consolidada e amplamente empregada por forças aéreas aliadas. A partir dessa oferta, foram iniciadas negociações formais entre o Brasil e o Reino Unido, culminando, em novembro de 1952, na assinatura de um contrato para a aquisição de sessenta aeronaves da versão de combate F.8 e dez exemplares da variante de treinamento e conversão T.7 Meteor. Os termos do acordo refletiam as particularidades econômicas brasileiras do período, sendo estabelecida uma compensação comercial baseada na exportação de aproximadamente 15.000 toneladas de algodão, avaliadas, à época, em cerca de quatro milhões de libras esterlinas. O custo unitário por célula foi fixado em 42.810 libras esterlinas para a versão de combate e 40.310 libras para a variante de treinamento, valores que incluíam não apenas as aeronaves em si, mas também materiais sobressalentes, treinamento de pessoal, transporte, seguro e provisões para eventuais contingências logísticas. No âmbito da Força Aérea Brasileira (FAB), as aeronaves passaram a ser designadas como F-8 (monoplace) e TF-7 (biplace), seguindo a padronização interna. Os exemplares adquiridos foram configurados para cumprir tanto missões de interceptação quanto de ataque ao solo, em linha com as versões operadas por forças aéreas como as da Austrália e de Israel. No que se refere ao armamento, os caças estavam equipados com quatro canhões de 20 mm Hispano-Suiza HS.804, instalados no nariz, com cadência de tiro entre 750 e 800 disparos por minuto e dotação individual de 195 cartuchos por arma, sendo a munição fornecida pela FN Herstal. As asas, por sua vez, foram estruturalmente reforçadas para permitir o emprego de até dez foguetes não guiados HVAR de 5 polegadas ou, alternativamente, duas bombas de 500 libras. Para ampliar o raio de ação, as aeronaves podiam ainda transportar dois tanques subalares de 454 litros, além de um tanque ventral com capacidade de 794 litros. Paralelamente à aquisição, foi estruturado um abrangente programa de capacitação de pessoal. Um grupo inicial de dez pilotos foi enviado ao Reino Unido para realizar a conversão operacional na nova aeronave, incluindo oficiais de destaque do 1º Grupo de Aviação de Caça   Esquadrão Jambock  e do 1º/14º Grupo de Aviação, Esquadrão Pampa, abrangendo comandantes, oficiais de operações e futuros líderes de unidade. Adicionalmente, uma equipe composta por cinco oficiais e sargentos especialistas recebeu treinamento técnico aprofundado junto à Rolls-Royce e à própria Gloster, com ênfase na operação e manutenção das turbinas e das estruturas das aeronaves.
Após a fase inicial de instrução teórica, os pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB) passavam a cumprir, em média, dez horas de voo de adaptação nos treinadores biplaces Gloster Meteor T.7, operando a partir da pista de ensaios da fabricante em Moreton Valence, no Reino Unido. Concluída essa etapa, realizavam o primeiro voo solo na versão de combate Gloster Meteor F.8, utilizando exclusivamente aeronaves pertencentes ao lote adquirido pelo Brasil. O primeiro oficial brasileiro a atingir essa marca foi o então Major-Aviador João Eduardo Magalhães Motta, em 12 de fevereiro de 1953. Conforme relatos dos próprios pilotos, a pilotagem do Meteor F.8 revelou-se, em certos aspectos, mais simples do que a do Republic P-47D Thunderbolt, sobretudo no que dizia respeito às características gerais de voo. Havia, contudo, particularidades que exigiam adaptação, como o sistema de freios, acionado por um gatilho no manche, sendo o controle direcional em solo realizado por meio de frenagem diferencial, aplicada de acordo com a pressão nos pedais. Não obstante os avanços técnicos representados pela aeronave, os pilotos brasileiros enfrentaram desafios consideráveis durante o período de treinamento. As severas condições climáticas do inverno britânico impunham longos intervalos de inatividade, sendo frequente a espera de vários dias por condições meteorológicas minimamente favoráveis, que permitissem voos de curta duração muitas vezes não superiores a vinte minutos. Soma-se a isso a necessidade de adaptação ao avançado sistema britânico de controle de tráfego aéreo, fortemente baseado em vetoração por radar. Nesse contexto, os pilotos dependiam integralmente das instruções transmitidas pelo controle de aproximação, que orientava rumo e altitude até o momento em que, rompendo camadas densas de nuvens, neblina ou neve, a pista finalmente se tornava visível. Concluída a aceitação das aeronaves pela Comissão de Fiscalização e Recebimento de Material (COMFIREM), os exemplares foram desmontados e transportados ao Brasil por via marítima. As duas primeiras unidades do Gloster Meteor T.7 chegaram ao país em 13 de abril de 1953, sendo seguidas por outras duas aeronaves no dia 20 do mesmo mês. Posteriormente, foram encaminhadas por via terrestre à Fábrica do Galeão, no Rio de Janeiro, onde se procedeu à montagem sob a supervisão técnica de engenheiros da Gloster Aircraft Company. A consolidação desse processo ocorreu em 22 de maio de 1953, quando o piloto de testes do fabricante, Andrew McDowall realizou o primeiro voo, em território brasileiro, de uma aeronave a jato ostentando as cores nacionais, a bordo do Gloster Meteor TF-7 “FAB 4301”. Este marco simbólico representou não apenas a introdução da aviação a reação no país, mas também o início de uma nova etapa na doutrina operacional da aviação de caça brasileira. Na sequência, estruturou-se o programa de conversão operacional destinado aos pilotos do 1º Grupo de Aviação de Caça - Esquadrão Jambock, incluindo seus 1º e 2º esquadrões. Paralelamente, decidiu-se pela incorporação dos jatos também ao 1º/14º Grupo de Aviação  o tradicional Esquadrão Pampa  ampliando a capacidade operacional da força. 

Dessa forma, as aeronaves de treinamento Gloster Meteor T.7 foram distribuídas entre as três principais unidades de caça de primeira linha, garantindo a cada grupo os meios necessários para a formação e a conversão de seus próprios pilotos no novo vetor a jato. Em agosto de 1953, teve início o processo de conversão operacional para a nova aeronave a jato da Força Aérea Brasileira (FAB), estruturado a partir de um abrangente curso teórico, justificado pelas particularidades técnicas e operacionais inerentes ao emprego do Gloster Meteor F.8. Àquela altura, as aeronaves ainda não dispunham dos rádio-goniômetros AN/ARN-6, o que impunha limitações à navegação e aumentava a complexidade das missões de deslocamento. Mesmo diante dessas restrições, foram empreendidas viagens de grande envergadura, destacando-se o trajeto Rio de Janeiro–Salvador–Recife–Natal–Fortaleza–Belém. Tal operação exigiu considerável esforço logístico, sobretudo no que se refere ao transporte e à disponibilização de combustível do tipo JP-1 ao longo das escalas previstas. Durante essa missão, registrou-se a primeira ocorrência de fragmentação do canopy  incidente que viria a se repetir com relativa frequência nos anos iniciais de operação do Meteor no Brasil  e que, por pouco, não resultou na perda da aeronave e de seu piloto. Apesar de sua relevância no processo de formação, o treinador biplace Gloster Meteor T.7 não era bem aceito por seus operadores. Tal percepção decorria, sobretudo, de sua origem estrutural: o modelo fora desenvolvido a partir da célula da versão anterior Gloster Meteor F.4, herdando limitações típicas dessa geração. Entre elas, destacavam-se a ausência de cabine pressurizada, a inexistência de assentos ejetáveis e o desenho mais antigo da seção de cauda, que comprometia a manobrabilidade. A essas limitações somava-se a adoção dos motores Rolls-Royce Derwent Mk.5, menos potentes que os Rolls-Royce Derwent Mk.8 empregados na versão monoplace, resultando em desempenho inferior. Em função desse conjunto de fatores, os TF-7 passaram a ser utilizados prioritariamente em missões de conversão operacional e treinamento em voo por instrumentos, consolidando-se como plataformas de transição dentro do processo de modernização da força. No contexto da expansão operacional, os primeiros exemplares destinados ao 1º/14º Grupo de Aviação  dois TF-7 (entre eles o FAB 4308) e seis F-8  decolaram do Campo de Marte, em São Paulo, com destino inicial a Cumbica, em 3 de setembro de 1954. Em virtude de condições meteorológicas adversas, a transferência somente foi concluída no dia 23 do mesmo mês, com a chegada à Base Aérea de Canoas (BACO). Durante essa operação, um dos F-8, já equipado com rádio-goniômetro e pertencente ao 1º Grupo de Aviação de Caça, foi pilotado pelo Tenente-Coronel-Aviador João Eduardo Magalhães Motta, enquanto sua própria aeronave era conduzida por outro piloto da mesma unidade, evidenciando o caráter colaborativo da fase de transição. A partir desse momento, intensificaram-se as operações com os Gloster Meteor T.7, que passaram a desempenhar papel central na formação de um número crescente de pilotos destinados aos três principais grupos de caça de primeira linha da Força Aérea Brasileira (FAB). 
Apesar dos resultados operacionais considerados satisfatórios, essas aeronaves logo enfrentariam um processo de desgaste acelerado. Tal condição esteve diretamente associada à mudança de sua doutrina de emprego  de interceptadores de defesa aérea para plataformas de atuação aero tática o que implicava voos frequentes a baixas altitudes, impondo maiores esforços estruturais às células e contribuindo, assim, para o encurtamento de sua vida útil no serviço ativo brasileiro. Em junho de 1961, a Gloster Aircraft Company, enviou correspondência estabelecendo cuidados a serem tomados ao se empregar os Gloster Meteor F-8 e TF-7 em vôos a baixa altitude. Em fevereiro de 1962, a empresa enviaria outra correspondência, na qual proibia-se o uso dos Gloster Meteor T.7 com mais de 2.280 horas de vôo e dos Gloster Meteor F-8 com mais de 1.750 horas de vôo. Porém como nenhuma das células da Força Aérea Brasileira, sequer haviam se aproximado desses números, a correspondência foi desconsiderada (o próprio comando do 1º/14º Grupo de Aviação nem chegou a ser notificado). Finalmente, a 24 de abril de 1965, a Hawker Aviation Ltd., companhia que havia absorvido a Gloster Aircraft Company comunicou uma série de restrições ao uso dos Gloster Meteor F-8 e TF-7 : proibição de manobras em configuração limpa que excedessem a carga de -3g a +5g, e proibição de passar mais de 10% do tempo de vôo abaixo de 1.000 pés. Se tais condições não fossem respeitadas, o surgimento de fissuras nas longarinas das asas seria quase uma certeza. No princípio do ano 1962, restavam oito células operacionais da versão de treinamento e conversão, divididas entre as três unidades de caça de primeira linha da Força Aérea Brasileira e já se vislumbrava um planejamento de intenções para a possível substituição deste vetor por modelos mais novos em uso no cenário mundial. Porém em 24 de abril de 1965 o departamento técnico da Hawker Aviation Ltd. emitiria um boletim informativo que restringia as operações dos modelos Gloster Meteor F-8 e TF-7 devido a existência de desgaste estrutural, com uma sugestão paliativa de correção estrutural a ser aplicada nas aeronaves. Apesar de implementada em sua essência, esta alternativa geraria apenas uma mínima sobrevida as células , sendo que finalmente todas as aeronaves monoplaces e biplaces, seriam retiradas da linha de frente , sendo destinadas a missões de reboque de alvos. Desta maneira as últimas turmas de pilotos seriam  formadas no 1º/1º Grupo de Aviação de Caça - Esquadrão Jambock em  meados do ano 1971. E o último voo deste modelo ocorreu em 7 de outubro do mesmo ano, encerrando assim sua carreira. Apenas uma célula seria preservada, passando a fazer parte do acervo do Museu Aerospacial – Musal, sediado na cidade do Rio de Janeiro.

Em Escala.
Para representarmos o Gloster Meteror TF-7 "FAB 4306", pertencente ao 1º/1º Grupo de Aviação de Caça - Esquadrão Jambock, empregamos o modelo da Classic Airframes na escala 1/48, kit este que apresenta varias peças em resina que ajudam a melhorar o nível de detalhamento final do modelo. Vale citar ainda que,  para se configurar a versão empregada pela Força Aérea Brasileira,  deve-se apenas alterar as antenas do sistema de radio ADF.  Fizemos uso de decais confeccionados pela  FCM Decais  oriundos de diversos set, em conjunto com decais produzidos pela GIIC Models presentes modelo Gloster F-8  Meteor produzida em resina por este mesmo fabricante.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura empregado quando do recebimento das aeronaves em 1953, adicionado apenas a faixa verde e amarela na fuselagem apelidada de “tamborzinho de criança”. Posteriormente a exemplo dos modelos monoplaces  Gloster Meteor F-8, os TF-7 receberiam também as marcações de alta visibilidade em azul e vermelho com esquema de pintura conhecido como “ovo estalado”, mantendo este padrão até sua desativação.
Bibliografia :
Revista ASAS nº20  AMX na FAB – Claudio Luchesi e Carlos Felipe Operti
Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
História da Força Aérea Brasileira , Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html