EE-9 Cascavel 90mm (VBR)


História e Desenvolvimento.
Na década de 1950, o Brasil encontrava-se em pleno processo de reconstrução nacional, neste momento, o país mantinha uma economia essencialmente agrária e uma estrutura industrial incipiente, caracterizada pela forte dependência tecnológica do exterior.  Neste cenário emergiria a figura do marechal Casimiro Montenegro Filho, oficial da Aeronáutica, que conceberia um projeto que romperia paradigmas: a criação de um centro nacional de excelência em engenharia aeronáutica, capaz de formar profissionais altamente qualificados e de consolidar a autonomia tecnológica do país. Sua proposta pretendia dotar o Brasil da capacidade de projetar, desenvolver e fabricar seus próprios sistemas aeronáuticos, assegurando independência científica e industrial. Nasceria assim em maio de 1950 o  Centro Técnico de Aeronáutica (CTA), e em  2 de dezembro de 1954, seria oficialmente inaugurado o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), concebido como o braço acadêmico do CTA e responsável pela formação técnica e científica de uma nova geração de engenheiros. A primeira turma, composta por 30 alunos bolsistas integrais do governo federal, iniciou um curso de cinco anos em Engenharia Aeronáutica, entre os jovens engenheiros formados pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), destacou-se José Luiz Whitaker Ribeiro, cuja trajetória pessoal e profissional se entrelaça profundamente com a história da indústria de defesa brasileira.  Após sua graduação em 1958, inscreveria  de forma definitiva seu nome na história da indústria nacional ao liderar, em 1958, um seleto grupo de jovens engenheiros na fundação da ENGESA – Engenheiros Especializados S.A. A empresa nasceu em um momento de otimismo e expansão industrial, impulsionado pelas políticas de incentivo à nacionalização tecnológica e pela crescente demanda por soluções técnicas ligadas à exploração de petróleo. Nesse contexto, a Petrobras tornou-se o principal cliente da recém-fundada Engesa, e no transcorrer das operações os  caminhões utilizados pela empresa para o transporte de equipamentos enfrentavam graves dificuldades de locomoção em estradas de terra e trechos lamacentos, especialmente nas rotas que ligavam o interior às regiões litorâneas. Como solução seria desenvolvida  uma caixa de transferência com tração total, de concepção simples, resistente e adaptável a uma ampla variedade de caminhões e utilitários da época. O resultado foi surpreendente: ao ser instalada na frota da própria empresa, a inovação demonstrou notável ganho de desempenho em ambientes “fora de estrada”, reduzindo custos operacionais e aumentando a confiabilidade das operações.  Diante do sucesso interno, a direção da Engesa decidiu investir na comercialização do sistema para o mercado civil, lançando-o oficialmente no final de 1966 sob a denominação “Tração Total Engesa”. O impacto do novo produto foi imediato: uma simples Ford F-100 equipada com o sistema passava a exibir capacidade de carga dobrada e aptidão para galgar rampas de até 85% de inclinação — um feito inédito para veículos dessa categoria no Brasil. O êxito comercial da inovação chamou a atenção do comando do  Exército Brasileiro, que, naquele período, buscava alternativas nacionais para modernizar e nacionalizar sua frota de transporte tático. A instituição via na tração integral Engesa uma solução promissora para substituir gradualmente os caminhões de origem norte-americana, remanescentes da Segunda Guerra Mundial, que ainda compunham grande parte de seus meios logísticos.

A pedido dos militares, foram então produzidos quatro protótipos adaptados para testes de campo, os quais demonstraram excelente desempenho operacional. O resultado positivo levou à homologação militar do sistema, e, em 1967, o Ministério do Exército classificou oficialmente a “Tração Total Engesa” como um equipamento de Interesse para a Segurança Nacional  um reconhecimento que marcava o início de uma longa e frutífera parceria entre a Engesa S/A e as Forças Armadas brasileiras. Pouco tempo depois, foi aberta uma concorrência pública para o fornecimento de caminhões militares nacionalizados, equipados com o sistema de tração total Engesa. O contrato foi adjudicado aos modelos Chevrolet C-60 e D-60, nas configurações 4x4 e 6x6, considerados ideais para o transporte logístico em condições adversas, posteriormente caminhoes produzidos pela Ford do Brasil S/A seriam inclusos neste processo. Neste momento, a participação da Engesa como fornecedora do Exército Brasileiro cresceu de forma expressiva. Em 1968, foram entregues 960 caminhões, e, em 1970, outros 1.371 veículos, consolidando a posição da empresa como um dos principais polos da indústria de defesa nacional. Os recursos provenientes dessas vendas foram reinvestidos em pesquisa e desenvolvimento, lançando as bases para projetos mais ambiciosos. Em 1969, a Engesa introduziu um inovador sistema de tração dupla traseira, batizado de “Boomerang”, que se tornaria um dos marcos tecnológicos mais notáveis da indústria automobilística e de defesa nacional. Esse dispositivo seria decisivo não apenas para o desenvolvimento de uma nova geração de veículos militares brasileiros, mas também para consolidar a penetração internacional dos produtos Engesa durante a década seguinte, abrindo as portas para exportações de vulto e para a consolidação do país como referência emergente no setor de defesa.  O sistema Boomerang representava uma solução de engenharia simples, robusta e econômica, que conferia aos veículos desempenho excepcional em terrenos acidentados. Seu princípio inovador residia na manutenção constante das quatro rodas traseiras em contato com o solo, independentemente da irregularidade do terreno — uma característica que aumentava significativamente a tração e a estabilidade.  Enquanto os sistemas convencionais empregavam dois eixos traseiros apoiados em feixes de molas, o Boomerang substituía essa estrutura por um único eixo de tração, nas extremidades do qual eram montadas duas caixas de engrenagens — cujo formato lembrava os tradicionais bumerangues australianos, daí sua denominação. Cada uma dessas caixas funcionava de forma independente, transmitindo movimento às rodas traseiras com ampla variação angular, o que garantia a máxima aderência e eficiência em pisos irregulares, desagregados ou arenosos.  Diante dos resultados obtidos, o Exército Brasileiro rapidamente reconheceu o potencial do sistema Boomerang, adotando-o em diversas viaturas utilitárias militares, consolidando a relação de confiança e cooperação técnica entre a Engesa e as Forças Armadas.  Essa parceria seria decisiva para o próximo passo da evolução da indústria bélica nacional.
Nesse mesmo período, o Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2), sediado em São Paulo, iniciou esforços para o desenvolvimento de uma viatura blindada sobre rodas 4x4, projeto que ficaria conhecido como VBB-1 (Viatura Blindada Brasileira n.º 1). O VBB-1 apresentava um design claramente inspirado no carro blindado M-8 Greyhound. Concebido para operar com uma tripulação de quatro militares, o veículo contava com uma torre giratória inteiramente nova, produzida em aço fundido SAE 5160.  O VBB-1 era propulsionado por um motor a diesel Mercedes-Benz nacional, de 200 hp de potência, instalado na traseira do veículo e acoplado a uma transmissão, eixos e diferenciais também fornecidos pela montadora alemã.  A estrutura do casco blindado foi produzida pela Trielato Ltda., enquanto a caixa de transferência ficou a cargo da Engesa S.A., a sistema de refrigeração foi fornecido pela Colmeia Metalúrgica S.A., e os filtros pela Mann. A direção hidráulica era de fabricação ZF, e os periscópios — essenciais para a observação e condução do veículo foram produzidos pela DF Vasconcelos Ltda. O protótipo seria extremamente testado em campo, nas mais severas condições, incluindo testes de balística e blindagem realizados com uma das torres, que foi usada como alvo para avaliar a resistência face aos armamentos da época.  Apesar de resultados promissores, o interesse  do Exército Brasileiro repousava sobre um novo veículo com tração 6X6, não um 4X4. De início para se atender a demanda, considerou-se  estender a carroceria protótipo do VBB-1, transformando em veículo com tração 6X6, porém implicações de ordem técnica descartariam esta possibilidade, partindo então para o projeto de um novo veículo. No inicio do ano de 1970 seriam definidas as  especificações para o desenvolvimento de um veículo blindado  com tração 6X6, dando início ao programa VBB-2, e agora a Engesa S/A seria convidada a participar de seu desenvolvimento. Para apresentação e estudo, seu  mock-up receberia a mesma torre empregada no VBB-1, a partir deste momento, a designação do veículo passou a ser Carro de Reconhecimento sobre Rodas (CRR), O primeiro protótipo seria construído em 1970, sendo então empregado em um completo programa de testes de campo. Seus promissores resultados levariam a autorização para a construção de inicial de 5 veículos pré-série, sendo elevado para 8 carros, quando do ato assinatura do contrato. Estes  carros, seriam submetidos a um intensivo programa de testes e avaliação, englobando um total 32.000 km de rodagem . Ao final deste processo, o projeto receberia sua aprovação e homologação, recebendo a  designação militar de Carro de Reconhecimento Médio (CRM) e denominação comercial de EE-9 Cascavel (com o  "EE"  representando a abreviatura de Engenheiros Especializados S/A , o número "9" a representação de sua tonelagem e Cascavel, por ser o nome de uma cobra venenosa brasileira). Um primeiro contrato seria celebrado envolvendo a aquisição 110 carros EE-9 M1 Cascavel, com os  veículos passando a ser entregues em 1974 aos Regimentos de Cavalaria Mecanizada (RCC) e Esquadrões de Cavalaria Blindada (EsqdCMec). 

Sua introdução representaria um grande salto quantitativo e qualitativo, levando a formação de uma nova doutrina operacional na Cavalaria Blindada. Sua excelente aceitação, motivaria a diretoria da Engesa a estudar a possibilidade de exportação do Cascavel, com a empresa passando a prospectar potenciais clientes internacionais. Neste contexto uma proposta seria apresentada ao Governo Português, que em virtude de ser envolvimento na  "Guerra do Ultramar", no continente africano, buscava reforçar suas forças armadas. O conceito do modelo seria bem recebido pelos militares portugueses, porém apontariam como importante ressalva a necessidade em se contar com um maior poder de fogo, tendo em vista a baixa eficiência do canhão de 37 mm, frente aos blindados em serviço naquele período. Para sua adequação seria sugerido equipar o blindado com uma arma de 90 mm, tendo como opção o conjunto do canhão francês Sofma 62F1 e sua respectiva torre, porém mais tarde verificaria-se que as dimensões do EE-9 Cascavel não eram adequadas para a instalação desta solução. Desta maneira seria desenvolvida uma nova carcaça mais larga e comprida, dando origem a versão de exportação denominada como EE-9 MKII.  Assim no início de 1974 os primeiros carros deste modelo seriam enviados para Portugal a fim de serem submetidos a avaliação, no alterações no cenário daquele conflito regional determinariam a suspensão deste o processo de aquisição. Diante deste contratempo a empresa passaria a prospectar novos clientes em potencial principalmente no Oriente Médio, com o EE-9 Cascavel MKII passando a ser equipado transmissão automática e um novo  canhão de 90 mm baixa pressão (o mesmo empregado no blindado francês sobre rodas Panhard AML). Esta estratégia logo alcançaria êxito, com a venda de 20 blindados para as Forças Terrestres do Catar (Qatari Emiri). Após a entrega destes, seu excelente desempenho operacional despertaria a atenção outras nações, resultando em 1977 na celebração de um contrato com o governo dos Emirados Árabes Unidos para a aquisição de 200 carros. Neste mesmo momento a Engesa de duas concorrências internacionais, destinadas a equipar os exércitos do Iraque e Líbia, derrotando neste programa, os franceses Panhard AML-90 e ERC-90 Sagaie. O Cascavel seria declarado vencedor nestes dois processos, representando algo na ordem de mais de US$ 800 milhões de dólares em contratos. Os primeiros EE-9  MKII líbios de uma encomenda de 200 carros seriam entregues em meados do ano de 1977, sendo destinados inicialmente para emprego em operações de reconhecimento e segurança. No ano seguinte passariam a ser entregues as primeiras unidades destinadas ao Iraque, comprovando a plena capacidade da linha de montagem da empresa brasileira. O EE-9 Cascavel receberia seu batismo de fogo em mãos líbias, operando durante a Guerra Líbia–Egito em 1977, sendo empregados com grande êxito contra tanques egípcios (provavelmente T-54, T-55 ou T-62) . Neste embate a agilidade e velocidade do blindado brasileiro seria fundamental ao atingir a frente de batalha e cercar as tropas aerotransportadas egípcias, fazendo uso de seu canhão de 90 mm  em rápidas investidas repelir os carros de combate inimigos e atacar as tropas em solo.  
Estes blindados líbios seriam novamente submetidos a combate, durante a intervenção no Chade, onde enfrentariam os Panhard AML-90 pertencentes a Legião Estrangeira Francesa (Légion étrangère) e ao Corpo de Fuzileiros Franceses (Fusiliers Marins). Apesar destes resultados positivos em combate, seriam gravemente afetados pelas intemperes do deserto apresentando a deficiente proteção do motor contra a areia do deserto. Neste contexto com base em outros relatos de emprego a empresa passaria a implementar uma série de melhorias em seu projeto , nascendo assim uma nova versão equipada com o canhão belga Cockerill de 90 mm.  No Brasil o comando do Exército Brasileiro e seus oficiais apesar de estarem satisfeitos com o emprego operacional do EE-9 Cascavel M1, acompanhavam atentamente a evolução do modelo de exportação, verificando as vantagens operacionais proporcionadas pela introdução de um canhão de maior calibre. Análises preliminares indicavam uma grande oportunidade de atualização de sua frota, com este programa apresentando como premissa básica a adoção de um canhão de 90 mm, em substituição a  arma de 37 mm, que comprovadamente já não apresentava eficácia frente as possíveis ameaças regionais que o país poderia enfrentar naquele período. Uma clarificação operacional deste conceito, era que estes carros blindados eram pejorativamente chamados de "Cascavel Magro", em alusão ao seu obsoleto armamento principal de 37 mm. A exemplo do versões de exportação, a adoção do novo canhão Engesa - Cockerill EC 90 mm, implicaria também na substituição da torre original, e inicialmente pensou-se em empregar a mesma torre importada usada nos carros configurados para o contrato líbio, opção esta que seria rapidamente descartada em detrimento do desenvolvimento de uma torre de fabricação nacional (que passaria a ser adota depois no modelo de exportação). Definidos os parâmetros técnicos e comerciais deste programa, em fins do ano de 1977 seria assinado um contrato entre o Ministério do Exército e a Engesa, visando a modernização de apenas cinquenta e cinco carros do total da frota existente.   Em janeiro do ano seguinte, 8 destes veículos pertencentes a dois Regimentos de Cavalaria Mecanizada (RC Mec), seriam encaminhadas as instalações da empresa, a fim de servirem de protótipos funcionais para o programa de modernização. Devido ao novo modelo de torre nacional já se encontrar em produção para o mercado de exportação, a implementação deste programa de atualização transcorreria rapidamente, com os primeiros carros agora designados como EE-9 Cascavel M2 Série 3, sendo entregues as unidades operacionais em meados do mesmo ano.  O recebimento dos primeiros carros  EE-9 M2 Série 3 no início de 1977, clarificaram  a superioridade operacional arma de 90 mm (produzida sob licença no país), que permitia uma cadência de seis tiros por minuto, com um alcance de 1600 a 3500 metros. Com esta configuração poderia-se  fazer uso de uma série de munições especiais, entre elas o do tipo HE-T contra pessoal ou alvos leves, HEAT-T para exercício, Smoke WP-T Fumígena - incendiária e HESH-T contra blindagens leves e edificações.  Este fator passaria também a ser visto com uma oportunidade pelo Exército Brasileiro, que não mediu esforços para nacionalizar a produção destas opções, através da Engequimica Ltda (uma subsidiária da Engesa).

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
Os excelentes resultados obtidos com a operação do  EE-9 Cascavel M2 Série 3, levariam o  comando do Exército Brasileiro a decidir pelo aumento de sua frota, resultando na celebração de novos contratos de aquisição entre os anos de 1978 e 1980. Assim seriam recebidos mais 60 carros da versão EE-9 Cascavel M-2 Série 5, com estes novos blindados apresentando muitas características presentes nos modelos de exportação, se destacando visualmente o grupo ótico frontal embutido na carroceria. Este modelo empregava o mesmo conjunto mecânico dos veículos adquiridos anteriormente, infelizmente o motor configurado para os veículos de exportação, o Detroit Diesel 6V53N de 212 hp muito mais potente não seria adotado pelo Exército Brasileiro em função de custos. Em 1982 seria apresentada a versão M6, que passava a contar com sistema de freio a disco e um novo câmbio automático Alisson AT455, substituindo o conjunto mecânico original, estas modificações melhorariam em muito a condução do veículo, primeiro liberando uma atividade do motorista na troca de marchas e segundo aumentando a segurança quando em deslocamentos de alta velocidade. Um novo contrato seria firmado com o Exército Brasileiro, prevendo agora a aquisição de 30 carros divididos em dois lotes de produção, com o primeiro apresentando de 12 carros do Modelo M6 Série 3, porém neste ínterim novas modificações foram implementadas no projeto original, gerando as novas versões Modelos M6 Série 4 e 5, que seriam contempladas no segundo lote de encomenda, com nove e dezesseis carros sendo recebidos. Paralelamente seriam realizados   estudos para implementação de modificação no freio da boca do canhão EC-90 de 90 mm, permitindo o emprego de munição perfurante do modelo APFSDS 90 (Flecha) e do tipo Canister, o que aumentaria ainda mais a letalidade do Engesa EE-9 Cascavel no campo de batalha. Esta iniciativa se baseava em uma demanda do governo Iraquiano, porém infelizmente não passou do estágio de protótipo, não sendo adquirido também pelo Exército Brasileiro.  A partir de 1983 a empresa lançaria os últimos modelos de série a serem produzido, o Engesa EE-9 M7 e M9, que passavam a contar com muitas melhorias entre eles a adoção do com câmbio automático Allison MT-643. Uma nova encomenda seria firmada com o Exército Brasileiro envolvendo 222 carros, ao todo entre os anos de 1978 e 1985 seriam incorporados 311 EE-9 Cascavel de todas as versões. Este incremento de frota permitiria iniciar o processo de desativação dos EE-9 M1 Cascavel, passariam a ser relegados a tarefas de treinamento, com os últimos destes carros sendo retirados do serviço ativo dos Regimentos de Cavalaria Mecanizada (RCC) e Esquadrões de Cavalaria Blindada (EsqdCMec) em meados da década de 1990. 

O Engesa EE-11 Cascavel também seria adotado pelo Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN), esta decisão seria tomada a fim de se atender a demanda de dotar a Companhia de Viaturas Anfíbias do Batalhão de Transporte Motorizado. Inicialmente buscava-se adquirir um carro de combate sobre lagartas para suplementar as forças de desembarque, porém limitações orçamentarias vigentes naquele período acabariam por afetar drasticamente este programa. Neste momento o blindado nacional seria encarado com uma solução de oportunidade, levando em abril de 1977 o Ministério da Marinha a contratar junto a Engesa S/A a aquisição de seis destes veículos blindados, com este acordo abrangendo ainda peças de reposição e variada gama de munições, entre elas HE-T contra pessoal ou alvos leves, HEAT-T exercício, Smoke WP-T Fumígena e incendiária e HESH-T. A versão escolhida seria o EE-9 M4, apresentando como principal diferencial a adoção do conjunto de telêmetro a laser e sistema eletrônico de controle de tiro, com estes veículos sendo entregues a partir do início do ano seguinte, recebendo a designação de "Carro de Combate Leve Sobre Rodas" (CCL-SR). Estes veículos seriam alocados junto a Companhia de Carros de Combate (CiaCC), subordinada sucessivamente ao Batalhão de Comando da Divisão Anfíbia, sendo colocados imediatamente em operação.  Seriam empregados em constantes manobras e treinamentos, atuando em conjunto com os EE-11 Urutu pertencentes a Companhia de Viaturas Anfíbias do Batalhão de Transporte Motorizado  (BtlTrnpMtz). Nesta oportunidade seriam avaliados como poucos eficazes nas operações de desembarque anfíbio, principalmente devido sua tração por rodas que acarretava problemas de trafegabilidade em certos tipos de terreno como as faixas de praia. Apesar desta limitação  tanto o EE-9 Cascavel, quanto o EE-11 Urutu acabariam sendo fundamentais na tarefa de servir como embrião da mentalidade de utilização de carros de combate para o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN). Ao final dos anos 1990, o EE-9 M4 Cascavel já acumulava quase 20 anos de uso, e sua manutenção se mostrava cada vez mais onerosa (muito em função do estado falimentar do fabricante), levando a necessidade de sua substituição a médio prazo. Este processo se daria pela seleção e aquisição do carro de combate leve sob lagartas austríaco  Saurer-Werk SK-105 Kürassier, sendo recebidos 17 unidades no ano de 2001, possibilitando assim a desativação dos EE-9 M4 Cascavel do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN). Estes veículos seriam repassados ao Exército Brasileiro para serem empregados como fonte de peças de reposição. Posteriormente alguns destes carros seriam devolvidos a Marinha do Brasil a fim de serem preservados como monumentos.
Dispostos em grande número no Exército Brasileiro, o Engesa EE-9 Cascavel seria aplicado como equipamento padrão de todos os Regimentos de Cavalaria Mecanizada (RCC) e Esquadrões de Cavalaria Blindada (EsqdCMec), criando excelentes bases operacionais para a Força Terrestre. Desta maneira também seriam destinados a realizar missões além-mar, quando foram destacados a participar de contingentes brasileiros juntos a força de paz da ONU (Organização das Nações Unidas), como a ONUMOZ em Moçambique (1993 a fevereiro de 1994) e UNAVEM III em Angola (1995 a julho de 1997. Nestas operações os blindados brasileiros seriam empregados com grande sucesso, sendo imersos em cenários reais de conflagração. Tanto no país como no exterior, este intenso emprego resultaria em um grande atrito e desgaste operacional, resultando no final da década de 1990 em preocupantes índices de disponibilidade da frota.  Este cenário seria ainda agravado pela falta de suporte técnico do fabricante, que havia encerrado suas atividades no ano de 1993. Neste momento se fazia necessário tomar ações que pudessem restabelecer a capacidade operativa dos Regimentos de Cavalaria Mecanizada (RCC) e Esquadrões de Cavalaria Blindada (EsqdCMec), sendo descartado inicialmente a substituição destes blindados por modelos mais modernos importados. A solução logica derivaria para a implementação de um grande processo de repotenciamento e modernização, com esta missão sendo capitaneada pelo Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP), localizado na cidade de Osasco - SP, que buscaria parceria com empresas privadas. Este programa receberia a denominação oficial de  "Manutenção de 5º Escalão de Viaturas Blindadas sobre Rodas" ou Projeto Fenix, e abrangeria a implementaçao em 204 EE-9 Cascavel e um número similar de veículos do modelo de transporte de tropas Engesa EE-12 Urutu. Suas fases envolviam a completa desmontagem dos veículos, revisão estrutural, retificação e substituição de componentes, melhorias nos motores Mercedes Benz Diesel OM352 6 cilindros, e a troca de cambagens e adoção de sistemas de comunicação mais modernos e confiáveis. O principal intuito deste processo era gerar uma sobrevida aos modelos envolvidos, visando assim cobrir uma lacuna temporal, até a possível introdução de uma versão armada do nova Viatura Blindada de Transporte de Pessoal - Médio sobre Rodas Iveco Guarani (VBTP-MSR). No entanto atrasos neste projeto, levariam o comando do Exército Brasileiro a aventar a possibilidade de implementar um novo programa de modernização em sua frota de Engesa EE-9 Cascavel. A primeira iniciativa se materializaria em 2015 através de uma parceria entre o Centro Tecnológico do Exército (CTEX), do Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP) e a empresa paulista Equitron Ltda, com esta proposta avançando para o estágio de um protótipo funcional designado como EE-9U MX8, apresentando em 2016. Apesar de promissor este programa de modernização não seguiria em frente, sendo cancelado logo em seguida. 

No ano de 2021, sobre os auspícios do Programa Estratégico do Exército Forças Blindadas, a implementação de um programa de modernização dos EE-9 Cascavel voltaria a pauta, através do lançamento de uma concorrência nacional envolvendo a contratação para até 201 viaturas. Seu principal objetivo era o de  transformar a viatura em uma peça fundamental e altamente tecnológica no arsenal do Exército Brasileiro. Em 04 de maio de 2022 a empresa Akaer Engenharia S.A seria declarada vencedora, com este programa recebendo o nome de batismo de Cascavel NG (Nova Geração). A proposta aprovada envolveria um amplo pacote de revitalização e modernização, adotando novas tecnologias fundamentais para incrementar as capacidades de locomoção do veículo nos mais variados tipos de terreno, visando assim aumentar a eficácia operacional em um moderno cenário de conflagração. O processo abrange a revitalização completa do chassi, torre, transmissão, suspensão e canhão de 90 mm; apresentando ainda adoção do motor a diesel MWM 6.12TCE de 220 cv de potência para operação em conjunto com uma caixa automática de mudanças Alisson 3000 Série 6+1. Seria ainda contemplada a instalação de um sistema de ajuste de pressão de pneus adaptável a todos os tipos de terreno e de um conjunto de de ar-condicionado para melhorar o ambiente da tripulação. Em termos de eletrônica,  a viatura passará a ser equipada com optrônicos de última geração em substituição às miras óptica (permitindo a operação diurna e noturna e em condições atmosféricas degradadas) integrados a um novo computador de tiro, responsável pela execução de todos os cálculos balísticos, proporcionando um aumento significativo na precisão dos disparos; implantação de um computador de comando e controle (C2) para análises dos sensores de leitura dos parâmetros ambientais que interferem na execução das missões, em tempo real, dando maior consciência operacional ao comandante. Uma das grandes evoluções se baseia na instalação do novo pacote de visão com quatro câmeras e consciência situacional completa, permitindo um alcance de 360° do ambiente ao redor da viatura. Com operação 100% digital, ele sistema possibilita um escotilhamento permanente da viatura. Em termos de efetividade ofensiva destaca-se a modernização do sistema de controle da torre, permitindo o acionamento do canhão de 90 mm por meio de um joystick, uso de plataforma PAN/TILT (plataforma estabilizadora) e a possibilidade de empregar um lançador de mísseis antitanque (possivelmente o israelense Rafael Spike LR) em sua torre principal introduzindo essa capacidade em veículos blindados de reconhecimento do Exército Brasileiro. Um primeiro contrato seria celebrado com o consórcio Força Terrestre, liderado pela Akaer S/A, em colaboração estreita com o Exército Brasileiro, por meio da Diretoria de Fabricação  prevendo a produção de dois protótipos funcionais para fins de desenvolvimento e avaliação.
O primeiro protótipo da Viatura Blindada de Reconhecimento EE-9 Cascavel NG (Nova Geração) foi apresentado oficialmente ao Alto Comando do Exército Brasileiro em 29 de novembro de 2023, durante solenidade realizada no Quartel-General do Exército, em Brasília (DF). Esta proposta  representa uma profunda reformulação do consagrado blindado da Engesa S.A., incorporando avançados sistemas de controle, sensores e comunicações digitais, características inexistentes nas versões originais. Embora derive de um projeto concebido há mais de cinco décadas, o novo modelo foi reconfigurado estrutural e tecnologicamente, adquirindo capacidade operacional compatível com as exigências contemporâneas do campo de batalha. O segundo protótipo do Cascavel NG seria apresentado ao público em abril de 2024, durante a LAAD Security & Defence 2024, realizada na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Nesta ocasião, a Akaer Engenharia S.A., empresa responsável pela condução técnica do programa, evidenciou as melhorias significativas em mobilidade, letalidade e consciência situacional, destacando o esforço de revitalizar uma plataforma histórica dentro de parâmetros modernos de guerra em rede. Entretanto, o desenvolvimento do programa precedeu a formalização do projeto de aquisição da Viatura Blindada de Combate de Cavalaria (VBC Cav), processo que resultou, posteriormente, na escolha do Iveco Defence Vehicles (IDV) Centauro II, blindado 8×8 de origem italiana, armado com canhão de alma lisa de 120 mm  atualmente considerado um dos veículos de cavalaria mais avançados do mundo em termos de poder de fogo, sensores e proteção balística. Essa nova diretriz estratégica acabou por lançar incertezas quanto à continuidade do programa Cascavel NG, especialmente em virtude de suas limitações de blindagem, consideradas modestas diante das ameaças contemporâneas no campo de batalha. Soma-se a isso a integração prevista do míssil anticarro Rafael Spike, cujo alto custo unitário supera o valor estimado da própria viatura, fator que alimenta questionamentos dentro de segmentos do corpo técnico e operacional do Exército sobre a real viabilidade dessa modernização. Por outro lado, o EE-9 Cascavel NG ainda apresenta vantagens significativas sob a ótica econômica e logística. Seu custo de modernização, estimado entre 20% e 30% do valor de um novo Centauro II, torna o programa financeiramente atraente e potencialmente viável para manter um número maior de viaturas em serviço ativo, dotadas de sistemas eletrônicos e sensores compatíveis com os padrões contemporâneos da OTAN. Além disso, o contrato referente à Viatura Blindada de Combate de Cavalaria (VBC Cav) prevê a aquisição de apenas 98 unidades do Centauro II, número insuficiente para suprir plenamente as necessidades de todas as unidades de cavalaria mecanizada do Exército Brasileiro. Nesse contexto, o EE-9 Cascavel NG surge como solução complementar, capaz de manter elevada disponibilidade de meios mecanizados a custos controlados, contribuindo para a transição gradual entre a frota legada da Engesa e os novos blindados de última geração. De acordo com informações recentes, o programa de modernização deverá contemplar 98 unidades do EE-9 Cascavel, com entregas previstas até o ano de 2038

Em Escala:
Para representarmos o EE-9 Cascavel M4 Série 5 "EB 25291 ¨", fizemos uso de um modelo em resina de fabricação artesanal na escala 1/35. Como se trata de um modelo rústico, tivemos de aplicar diversas correções em scratch e também proceder a inclusão de detalhamentos oriundos de outros modelos. Empregamos neste modelo decais fabricados pela Decals e Books presentes no Set " Forças Armadas do Brasil ".
O esquema  de cores  ( FS ) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura  tático em dois tons empregado em todos os Carro de Combate Leve Sobre Rodas (CCL-SR) Engesa Cascavel EE-9 a partir do ano de 1983. Os protótipos do EE-9 Cascavel NG  apresentados  pela empresa Akaer Engenharia S.A entre os anos de 2023 e 2024  mantiveram  este mesmo esquema de pintura.

Bibliografia: 

- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume I , por Expedito Carlos Stephani Bastos 

- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume II, por Expedito Carlos Stephani Bastos 

- Modernização do EE-9 Cascavel - https://www.defesanet.com.br/

- EE-9 Cascavel Wikipedia - https://pt.wikipedia.org/wiki/EE-9_Cascavel 

- EE-9 Cascavel – modernização deve ser reavaliada – www.defesanet.com.br 

 

Marder 1A2 SAM Roland II (VBC AAe)

História e Desenvolvimento. 
Durante a Segunda Guerra Mundial a indústria militar alemã se manteria na vanguarda da tecnologia, produzindo em larga escala  lendários modelos de carros de combate, denominados popularmente como "Panzer ou Panzerkampfwagen". O emprego destes em conjunto com outros modelos de veículos blindados especializados seriam o componente fundamental da doutrina Blitzkrieg (Guerra Relâmpago), que nas fases iniciais do conflito proporcionariam retumbantes vitórias. No período pós-guerra a Alemanha Ocidental permaneceria completamente desmilitarizada, sendo vetada neste momento a constituição de   instituições militares, mesmo para autodefesa, com sua outrora pujante indústria automotiva passando a focar seus esforços no mercado comercial. No entanto o antigo território alemão seria transformado em uma região de grande tensão, representando a principal linha de frente no conflito da Guerra Fria, entre as forças do Pacto de Varsóvia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Este cenário levaria junto ao comando a decisão de se revisionar o conceito da proibição de constituição de forças de defesa da Alemanha Ocidental, tendo em vista a necessidade de se reforçar as defesas da região, para assim fazer frente a constante ameaça representadas pelas forças dos países do bloco soviético. Desta maneira no dia 12 de novembro de 1955 seria promulgada dentro da constituição, as normativas que constituiriam a nova estrutura das forças armadas da República Federal da Alemanha, sendo composta pelo Deutsches Heer (Exército Alemão), Deutsche Marine (Marinha Alemã) e a Deutsche Luftwaffe (Força Aérea Alemã). De imediato seria iniciado um vasto programa de rearmamento, sendo fornecidos principalmente, equipamentos, armas, veículos, aeronaves, navios, blindados, e carros de combate de origem norte-americana. Em termos de carros de combate, o recém-criado Exército Alemão (Deutsches Heer) passaria a ser equipado imediatamente, com uma respeitável frota composta pelos modelos M-41 Walker Buldog, M-47 Paton e M-48 Paton.  Porém neste mesmo momento, estes carros de combate já se mostravam inadequados frente as ameaças representadas pelos modelos T-44, T-54 e T-55 que equipavam as forças blindadas do Pacto de Varsóvia. A solução para atendimento a esta demanda ainda neste momento não estava disponível para emprego junto aos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), apesar de existirem projetos em desenvolvimento como o norte-americano MBT T-95.  Esta realidade motivaria o governo alemão a retomar sua indústria de defesa, sendo iniciados estudos ao final desta década, visando assim o desenvolvimento de projetos nacionais englobando uma variada gama de veículos blindados, desde carros de combate, transporte e versões especializadas de serviço.   

O foco inicial desta iniciativa seria concedido ao desenvolvimento de um MBT (Main Battle Tank), com suas especificações de projeto sendo definidas em 1956, baseadas na necessidade de se superar os novos T-54 e T-55. Estas abrangiam um veículo na ordem de mais trinta toneladas, devendo ter alta mobilidade como prioridade em detrimento ao poder de fogo, e por isso sendo dotado com um canhão de 105 mm. Diversos seriam galgados neste processo, e finalmente a partir de meados do ano de 1965 começariam a ser entregues as unidades de cavalaria blindada do Exército Alemão (Deutsches Heer), os primeiros carros de combate do modelo Leopard 1. Rapidamente seu emprego operacional conquistaria grande notoriedade passando a despertar o interesse de outras nações pelo modelo (além da Itália), gerando assim grandes contratos de exportações para a Bélgica, Holanda, Noruega, Itália, Dinamarca, Austrália, Canada, Turquia e Grécia. O grande êxito deste programa motivaria o governo alemão em fins da década de 1960, a investir recursos em um novo projeto, agora visando o desenvolvimento de um novo veículo blindado dedicado a tarefas de transporte de tropas, que pudesse acompanhar no campo de batalha os novos carros de combate Leopard 1. Porém neste contexto buscava-se também criar uma plataforma comum que pudesse ser aplicada no desenvolvimento de mais versões especializadas de combate ou serviço. Após a definição dos objetivos deste programa, seu projeto seria direcionado ao recém-formado consorcio internacional, composto pela empresa alemã Rheinmetall Landsysteme (Rheinstahl-Hanomag, Ruhrstahl, Witten-Annen, Büro Warnecke) e a suíça Mowag Motor Car Factory. Neste momento um contrato seria celebrado com o governo alemão, para a produção de cinco protótipos, do novo "veículo de combate de infantaria". Estes carros seriam disponibilizados para o emprego em um programa de ensaios e testes de campo entre os anos de 1961 e 1963. Este processo apresentaria uma série de correções e melhorias de projeto, com uma versão aprimorada deste modelo recebendo em 1967 mais um contrato para a produção de dez blindados para avaliação. A partir desta data o programa passaria a ser capitaneado pela empresa Henschel Werke, mantendo ainda a parceria com a Mowag Motor Car Factory. Os novos veículos de testes passariam a ser entregues ao Exército Alemão (Deutsches Heer) em outubro de 1968, sendo imediatamente empregados em um novo ciclo de testes e avaliações, resultando em novas alterações e melhorias no projeto do modelo. Em maio do ano de 1969 o novo  "veículo de combate de infantaria" receberia o nome de batismo de Marder (ou Marten em alemão), sendo liberado assim para a produção em série. 
O modelo inicial de produção do Marder 1 apresentava um design relativamente convencional, com o assento do motorista se localizando no lado esquerdo da frente do veículo, com conjunto motriz ficando posicionado à sua direita.  Em termos do conjunto mecânico um motor diesel refrigerado a líquido de seis cilindros MTU MB 833 Ea-500 que fornecia aproximadamente 441 kW (600 PS; 591 hp) a 2.200 rpm. Os radiadores de resfriamento são montados na parte traseira do casco em ambos os lados da rampa de saída. O motor é acoplado a uma caixa de engrenagens planetárias HSWL 194 de quatro velocidades da Renk, com quatro marchas à frente e quatro à ré. A transmissão também fornecia direção e frenagem através de uma unidade hidrostática variável, que transmitia energia para duas unidades de acionamento montadas na frente do casco do blindado.  O veículo transportava ainda 652 litros de combustível, concedendo uma autonomia de cerca de 500 quilómetros em terreno regular. Suas versões posteriores, podiam atingir uma velocidade de estrada de 75 km/h na quarta marcha, porém este desempenho seria reduzido para 65 km/h com o emprego de blindagem extra. Seu casco era totalmente confeccionado em placas de aço soldado, proporcionando aos passageiros e tripulantes relativa proteção contra incêndios e fragmentos munição, suportando tiros de armas automáticas de médio de calibre.  Para autodefesa estaria equipado com um metralhadora de MG3 de 7,62 mm , podendo ainda empregar kits especiais com sistemas de proteção contra radiação, armas biológicas e químicas podendo operar nos mais diversos hipotéticos cenários de conflagração na Europa. Podia transportar até doze soldados totalmente equipados, com seu acesso e saída sendo rapidamente proporcionado por grande porta traseira com acionamento hidráulico e por três escotilhas superiores. Podia ainda transpor sem preparação cursos de 1,5 metros de água e podia ainda ser equipado com um kit especial que lhe permitiria a passagem em cursos de água de  até 2,5 metros de profundidade. Em 12 de outubro de 1968, o governo da Alemanha Ocidental celebraria um contrato com a Rheinmetall Landsysteme envolvendo a compra de um lote inicial de cem carros,  que deveriam ser produzidos por suas empresas subsidiarias a Thyssen-Henschel e Krupp MaK. Em 7 de maio de 1971, os primeiros cinco Marder 1 IFV seriam formalmente entregues ao comando do Exército Alemão (Deutsches Heer), sendo destinado a compor os regimentos de infantaria mecanizada (Panzergrenadier).   

Ao longo dos anos seguintes mais carros seriam incorporados, totalizando dois mil quatrocentos e treze veículos até o ano de 1975, neste momento devido a importância do modelo para a força terrestre alemã, seriam estudadas alternativas para a melhorias de sua capacidade de sobrevivência no campo de batalha. Neste contexto seria incorporado ao Marder 1, o sistema francês de míssil anticarro guiado por fio MILAN (Missile d'Infanterie, Léger, Antichar - Míssil de Infantaria, Ligeiro, Anticarro).  Em testes campo seriam coletados dados extremamente positivos, levando a partir de 1977 a implementação desta modificação em toda a frota em operação no   Exército Alemão (Deutsches Heer). Em 1979 seria desenvolvida a versão Marder 1A1, que passava a apresentar uma série de melhorias, entre estas, destacava-se a adoção do canhão automático Rheinmetall MK 20 Rh202 de 20 mm, disposto em uma pequena torre de operada por dois homens podendo disparar variados tipos de munição anti pessoal ou blindagem. Uma metralhadora MG3 de 7,62 mm estava montada coaxialmente à esquerda do canhão, normalmente o Mader 1A1 dispunha de 1.250 rodadas para o canhão de 20 mm e 5.000 rodadas para a metralhadora MG3 de 7,2 mm. Esta torre apresentava uma   rotação de 360 graus, podendo elevar-se  de -17 graus a + 65 graus,  a uma velocidade de 40 graus por segundo, ao mesmo tempo que atravessa a uma velocidade de 60 graus por segundo. As versões mais recentes apresentariam uma segunda metralhadora MG3 de 7,2 mm montado no deck traseiro em um sistema de pod remoto controlado. Vários programas de atualização foram realizados, resultando nas versoes  Marder 1A1(+) , 1A1(-), 1 A1A3, 1 A1A, que incluiriam a instalação de equipamentos de visão noturna e um termovisor, bem como uma alimentação de munição atualizada para o canhão de 20 mm. Entre os anos de 1984 e 1981, todos os veículos em serviço no Exército Alemão (Deutsches Heer) seriam atualizados para o modelo Marder 1A2, passando incluir modificações substanciais da suspensão, tanques de combustível, sistema de refrigeração e sistema de limpeza por jato de água. Um novo sistema de mira e termovisores seriam instalados, com o antigo equipamento de luz de busca infravermelha sendo removido. Em 1988 seria iniciado o programa de atualização do A3, com a Thyssen-Henschel recebendo um contrato para atualizar 2.100 veículos das séries Marder 1 A1 / A2, com os primeiros carros sendo entregues em 17 de novembro de 1989. Esta seria a versão final a entrar em serviço, com sua desativação gradual deflagrada após a introdução nos novos Schützen-AFV Puma”, a partir do ano de 2022. Este processo de desativação permitiria a exportação de um lote excedente para a Grécia, Chile, Indonésia, Jordânia e pôr fim a  doação de trinta blindados para a Ucrânia em março do ano de 2023.   
Anteriormente no início da década de 1980,  na Alemanha, o Marder 1A1 também seria considerado como plataforma para defesa antiaérea de médio alcance, sendo realizados pelos fabricantes estudos para a adoção de lançadores e sistemas de direcionamento de misseis terra ar (SAM). Entre vários sistemas considerados, decidiria-se pela escolha do modelo de curto alcance Roland II. Este projeto franco-alemão seria desenvolvido a partir de 1963 em um consórcio formado pelas empresas Nord Aviation (futura Aérospatiale) e Bölkow Entwicklungen KG (futura Messerschmitt-Bölkow-Blohm), recebendo as designações locais de SABA e P-250. No ano seguinte, seria fundada a Euromissile uma empresa destinada a produção deste e outros programas de mísseis. A divisão francesa tomaria a responsabilidade primária pelo sistema Roland 1 (dia e bom tempo) e alemã assumiria a responsabilidade principal pelo sistema Roland 2 (para todos os climas). A Aerospatiale também seria responsável pelo desenvolvimento do sistema traseiro e de propulsão do míssil, enquanto a Messerschmitt-Bölkow-Blohm desenvolveria a extremidade frontal do míssil com suas ogivas e sistemas de orientação.  O primeiro lançamento guiado de um protótipo do missil   Roland I ocorreria em junho de 1968, destruindo um drone alvo CT20 da Nord Aviation, com seu cronograma prevendo o início de sua produção a partir de janeiro de 1970.  No entanto atrasos decorrentes do processo final de testes postergaram produção do Roland I em escala industrial até início do ano de 1977 e o Roland II somente no ano seguinte. O primeiro usuário do modelo para "tempo bom" foi o   Exército Frances (Armée de Terre) sendo empregado principalmente a partir de uma versão especializada do carro de combate AMX-30R. O sistema Roland II entraria em serviço no Exército Alemão (Deutsches Heer) em dezembro de 1978, operando a partir de uma versão customizada do blindado de transporte de tropas Marder 1A2. Apesar de se mostrar extremamente promissor o sistema de misseis Rolanda I - II nao alcançaria um grande êxito comercial, pois seus constantes atrasos de produção e desenvolvimento e aumento decorrente dos custos limitaria em muita sua competividade no mercado internacional. Estes se manteriam em produção até fins da década de 1990, sendo adotado pelas forças armada dos Estados Unidos, Venezuela, Espanha, Brasil, Nigéria, França, Noruega, Eslovênia, Alemanha, Nigéria, Iraque e Catar. 

Emprego no Exército Brasileiro.
O processo de implementação de um sistema de artilharia antiaérea no Exército Brasileiro, teve sua origem no dia  4 de outubro de 1940, data de criação do 1º Grupo do 1º Regimento de Artilharia Antiaérea (1/1º RAAAé) na cidade do Rio de Janeiro. Este grupamento seria equipado com os famosos canhões alemães Flak 88 mm C/56 Modelo 18 que passariam em operar em conjunto preditores Carl Zeiss WIKOG 9SH e aparelhos de localização pelo som Electroacoustic GmbH ELASCOPORTHOGNOM. A partir de 1942 a artilharia antiaérea brasileira seria fortalecida pelo recebimento de uma grande quantidade de canhões norte-americanos dos modelos M-2A2 AA de 37 mm, M-3 AA de 76 mm e por fim M-1A3 AA de 90 mm. No entanto curiosamente não seriam cedidos ao país sistemas de artilharia antiaérea autopropulsados, que já eram empregados em grande escala no conflito. Esta lacuna operacional infelizmente perduraria durante as décadas seguintes, com a necessidade de criação de um sistema de defesa antiaérea a média e baixa altitude, sempre se fazendo presente, principalmente pelas dimensões continentais da nação. No início da década de 1970 seria implementado na Força Terrestre o “Plano Impere”, um programa que visava recuperar a operacionalidade diversos veículos de combate do III Exército Brasileiro que se encontravam parados há alguns anos, analisando inclusive a possibilidade de conversão de carros de combate dos modelos M-4 Sherman e M-3 Stuart como veículos de serviço e suporte. Entre diversas alternativas seria desenvolvido um protótipo de uma viatura blindada antiaérea, com um carro M-3 Stuart recebendo a instalação de um reparo de metralhadoras antiaéreas quadruplo calibre .50 do modelo M-45 Quadmount . Testes de campo se mostrariam extremamente promissores, porém infelizmente não se sabe por quais motivos, o comando do Exército Brasileiro, não demonstraria neste momento o devido interesse, levando assim ao cancelamento do projeto. O conceito para o desenvolvimento de uma viatura antiaérea autopropulsada, ressurgiria em fins da década de 1970, tendo como alicerce o programa do Carro Combate Leve Nacional MB-1 (X-1A Pioneiro e X1-A2 Carcará), com este gerando uma família de veículos especializados sobre esta nova plataforma, incluindo um modelo dedicado defesa antiaérea. Nascia assim o projeto M.01.15, que seria gerido Centro de Tecnologia do Exército (CETEX) em parceria com a empresa Bernardini S/A. Dois protótipos seriam construídos recebendo a designação de Viatura de Combate Antiaérea XM3D1 (VBC AAe) que contariam como armamento orgânico com quatro metralhadoras Browning M-2 calibre .50 montadas em uma torre M-55M Quadmout modernizada.  Estes protótipos seriam exaustivamente testados e avaliados pelo Exército Brasileiro, porém a baixa cadência de fogo e o alcance das armas de calibre .50, se mostrarIam inadequados face a nova ameaça proporcionada pelas aeronaves de ataque a reação existentes naquela época, levando assim ao cancelamento definitivo do projeto. 

A partir de meados da década de 1970, o sistema de defesa antiaéreo do Exército Brasileiro se mostrava complemente obsoleto contendo em suas filiares de antigos canhoes Boffors de 40 mm, se fazendo necessário a implementação de sua imediata substituição. Para o atendimento a esta demanda, entre os anos de 1977 e 1978 novos investimentos seriam feitos, envolvendo a aquisição do sistema suíço de artilharia antiaérea Oerlikon de 35 mm, que posteriormente seriam integrados com o conjunto diretor de tiro de fabricação nacional EDT FILA, controlando os canhões de 40 mm C/70 Bofors e canhões Oerlikon 35 mm C/90. Apesar destes esforços o país não dispunha de um sistema de defesa área baseada em misseis terra-ar oque comprometia em muitos seus níveis de segurança. Ainda neste período os Estados Unidos figuravam como o principal fornecedor de artigos militares para o Brasil, através do Programa de Assistência Militar MAP (Military Assistance Program). oque lhe garantia acesso a artigos militares em condições favoráveis. Porém no início do ano de 1977 esta realidade começaria a ser alterada pela administração do presidente Jimmy Carter, que passaria a condicionar a continuidade dos programas de ajuda militar a averiguação da situação do Brasil no tocante aos direitos humanos. Esta decisão provocaria o desagravo do presidente Ernesto Geisel, que em carta oficial se manifestaria “O governo brasileiro recusa de antemão qualquer assistência no campo militar que dependa, direta ou indiretamente, de exame prévio, por órgãos de governo estrangeiro, de matérias, que, por sua natureza, são da exclusiva competência do governo brasileiro.” A seguir a ocorrência de mais pressões políticas decorridas desta iniciativa, levariam o governo brasileiro a decidir pelo rompimento do Acordo Militar Brasil - Estados Unidos, cessando assim vantagens e subsídios na aquisição de equipamentos de defesa de alta tecnologia produzidos naquele país. Porém esta decisão geraria um movimento de aproximação entre os militares brasileiros e a indústria de defesa europeia, resultando em diversos contratos de fornecimento, como no caso dos caças interceptadores franceses Dassault Mirage IIIE, fragatas inglesas da classe Vosper Amazon - Niterói e mais uma variada gama de estudos e projetos de defesa de alta tecnologia para o emprego pelas forças armadas. Entre estes se destacavam a incorporação de misseis antiaéreos britânicos Short Brothers GWS-20 SeaCat destinados a proteger a novas fragatas da Marinha Brasileira, motivando assim o comando do Exército Brasileiro a buscar opções para adoção de um sistema semelhante para emprego como defesa de ponto, trazendo assim a Força Terrestre brasileira a um novo patamar de defesa antiaérea. 
Neste momento uma das maiores prioridades neste segmento era o de prover um eficiente sistema de defasa antiaérea capital federal Brasília - DF, com um sistema de misseis terra ar complementando o braço armado do Sistema de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (SISDACTA) operando em complemento aos interceptadores supersônicos F-103EBR Mirage III. Desta maneira consultas sobre a aquisição de uma solução neste segmento seriam feitas as indústrias de defesa europeias, e entre as propostas recebidas se destacava a do consórcio franco-alemão Rheinmetall Landsysteme. Esta solução fazia uso da plataforma de blindados sob esteiras equipado com dois lançadores de misseis terrar ar (SAM) para "qualquer tempo" Euromissile Roland II. O míssil Roland II era composto por dois estágios, sendo unidade propelente sólido 2,4 metros de comprimento com um peso de 66,5 kg, e outro estágio com 6,5 kg portando uma múltipla ogiva de fragmentação carga oca que contém 3,5 kg de explosivo detonado por impacto ou proximidade fusíveis. Estas armas eram disponibilizadas em um recipiente vedado que era empregado também o tubo de lançamento, cada lançador carrega dois tubos de lançamento com mais oito no interior do veículo ou abrigo com recarga automática em dez segundos. Este sistema fora projetado para atingir alvos aéreos inimigos que voam em velocidades de até Mach 1,3 em altitudes entre 20 metros e 5.500 metros, com uma gama eficaz mínima de 500 metros e um máximo de 6.300 metros. Em termos modos de detecção e orientação, seu sistema podia operar em modo óptico ou radar e pode alternar entre esses modos durante o rastreio e lançamento, neste conjunto, um radar de busca de pulso-doppler com uma gama de 15 a 18 km proveria a detecção do alvo, que poderia então ser rastreado ou pelo radar ou um rastreador óptico. Este último normalmente, seria utilizado apenas durante o dia contra alvos muito de baixo nível ou em um ambiente de bloqueio pesado. Diversas análises seriam feitas pelo comando do Exército Brasileiro, comparando pelo menos três propostas apresentadas, com a escolha recaindo sobre o sistema de misseis superfície ar (SAM) Euromissile.  Roland II, dos quais seriam adquiridas inicialmente um total de quatro baterias de lançadores e inicialmente cinquenta misseis. Esta decisão seria baseada principalmente em critérios técnicos, levando em conta que este sistema além de já estar em uso em grande escala na Alemanha (43 carros e 825 misseis) e França (39 carros e 1.315 misseis), estava sendo escolhido para equipar também o Exército dos Estados Unidos (US Army). 

Dentre as opções de plataforma intercambiáveis apresentadas pelo consórcio franco-alemão Rheinmetall Landsysteme, o sistema Roland II podia ser configurado prioritariamente sobre os veículos sobre lagartas franceses AMX-30 e alemães  Rheinstahl Marder VCI 1A2 ou ainda montado em  shelters tracionados. O contrato brasileiro previa ainda aquisição e pacote de treinamento dos sistemas eletrônicos para instrução de emprego teórico e prático, com o sistema Roland II configurado sobre a plataforma do veículo blindado médio alemão Rheinstahl  Marder 1A2. Este modelo de veículo já era testado e provado em operação, sendo escolhido anteriormente seu chassi para compor o carro de combate médio argentino TAM (Tanque Argentino Mediano). O emprego da plataforma Marder 1A2 previa a alocação de dois mísseis dispostos em lançadores na parte externa da torre prontos para entrar em operação, com mais oito misseis estavam alojados em dois carregadores rotativos automáticos na parte interior do veículo. Neste momento o Exército Brasileiro se tornaria o terceiro operador deste sistema de mísseis superfície-ar (SAM - Surface Air Missile), que na época representava a tecnologia no estado da arte. Desta maneira sua introdução em serviço representaria um salto tecnológico sem precedentes no Exército Brasileiro no que tange a defesa antiaérea, pois até então seu arsenal consistia a exceção de um pequeno lote de um moderno sistema suíço de artilharia antiaérea Oerlikon de 35 mm, de obsoletos canhões antiaéreos de origem norte-americana e sueca complementados por reparos de metralhadoras de  calibre .50 montados em caminhões, sistemas estes pouco ou totalmente ineficazes contra as ameaças proporcionadas pela aviação de ataque daquela década. Para fins de instrução teórica e prática, os equipamentos eletrônicos e seus simuladores seriam alocados na Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea (EsACosAAe) sediada na cidade do Rio de Janeiro, vale salientar que este aparato ocupava uma grande área física nesta instituição, pois ainda não existiam microcomputadores. Assim previa-se inicialmente que todo o programa de treinamento e operação deste sofisticado sistema seria ministrada na Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea (EsACosAAe) sendo acompanhada do uso das plataformas e armamentos, com estas baterias sendo posteriormente transferidas para a capital federal Brasília no DF. Os quatro veículos seriam declarados operacionais no ano de 1979, recebendo a denominação de Viatura Blindada de Combate Leve Msl Marder 1A2 – Sistema SAM Roland II (VBC L Msl Marder), realizando inclusive os primeiros treinamentos com disparos reais dos misseis Roland II contra alvos aéreos remotamente pilotados ao longo dos anos seguintes. 
No entanto os  VBC L Msl Marder apresentariam uma carreira efêmera, permeada por períodos de baixa disponibilidade operacional, devido a problemas no fluxo de obtenção de peças de reposição para o veículo lançadores e principalmente dos componentes eletrônicos de seus sistemas detecção e orientação. Desta maneira gradativamente estes veículos seriam transferidos novamente para a Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea (EsACosAAe) sediada na cidade do Rio de Janeiro. Neste mesmo período, um destes blindados seriam perdidos em um grave acidente durante treinamentos no Campo de Provas de Marambaia. Em meados da década de 1990 somente um Marder 1A2 Roland II permaneceria em serviço com os demais servindo como fonte de peças de reposição, este último remanescente juntamente com os simuladores e sistemas eletrônicos de tiro e direção seriam operados em tarefas de instrução pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Exército (IPD) até o final do ano de 2012. Quanto aos demais carros,  um seria preservado junto ao acervo do Museu Militar Conde de Linhares na cidade do Rio de Janeiro - RJ e o outro seria empregado em 1998 como alvo estático em exercício no Campo de Marambaia, sendo alvejado por tiros dos novos carros de combate Leopard 1A1, servindo assim como estudo para a análise da resistência de blindagem, tendo em vista que esta era muito semelhante a emprega da no combate médio argentino TAM  (pais que na época era considerado o maior antagonista militar regional). Historicamente este sistema de defesa antiaérea foi adquirido prioritariamente para a defesa da Capital Federal, porém extraoficialmente especula-se que a principal intenção era o desenvolvimento de uma versão nacional (empregando técnicas de engenharia reversa). Não existem registro oficiais que confirmem esta teoria, porém em meados da década de 1980 o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) desenvolveu um protótipo de um "shelter"  auto rebocado de fabricação nacional empregando um sistema Roland II retirado temporariamente de um dos Marder 1A2, porém este não passaria da fase de protótipo tendo em vista sua instabilidade durante a operação de lançamento.  No ano de 2024, o Batalhão Central de Manutenção e Abastecimento do Exército Brasileiro (BCMS) realizou a recuperação e restauração de um veículo lançador de mísseis Marder 1A2 Roland II, o mesmo que anteriormente se encontrava em operação junto ao Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Exército (IPD). A restauração, realizada por mecânicos e responsáveis pela manutenção, incluiu a recuperação do conjunto motriz e dos sistemas mecânicos de tração, devolvendo o veículo ao perfeito estado de funcionamento. 

Em Escala:
Para representarmos a Viatura Blindada de Combate Leve Msl Marder 1A2 – Sistema SAM Roland II "EB 24065” , empregamos como base o  modelo da Tamiya na escala 1/35 configurado com o míssil anticarro MILAN. Para representarmos a versão empregada no Exército Brasileiro, tivemos de  construir totalmente em scratch build a torre lançadora dos misseis terra ar Roland II , fazendo uso de plasticard e materiais diversos. Alterações significativas também tiveram de ser implementadas na parte traseira do veículo. Empregamos decais confeccionados pela Eletric Products presentes no set Exército Brasileiro 1983 – 2002.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura com os qual estes carros foram recebido em meados da década de 1970, com este perdurando até o ano de 1983, quando seria adotado o novo esquema tático de camuflagem em  dois tons, semelhante aos carros de combate médio Bernardini M-41C Caxias. Já o carro preservado junto ao Museu Militar Conde de Linhares receberia durante seu processo de restauração o esquema de pintura original. 


Bibliografia :
- Blndados no Brasil - Volume 01, Expedito Carlos Stephani Bastos
- Marder IFV Wikipedia -  https://en.wikipedia.org/wiki/Marder
- Mísseis no Exército Brasileiro - ww.ecsbdefesa.com.br/defesa/fts/MEB.pdf
- Artilharia Antiaérea sob lagartas no EB, por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Exército Brasileiro recupera viatura histórica Marder com sistema Roland - www.defesaaereanaval.com.br/

F-103D Dassault Mirage IIIDBR

História e Desenvolvimento.
Durante a segunda metade da década de 1950, o acirramento das tensões entre os países integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e do Pacto de Varsóvia intensificou de maneira significativa o clima de confronto característico da chamada Guerra Fria. Esse cenário levou as principais potências militares a ampliarem de forma substancial seus investimentos em defesa, tendo como prioridade absoluta o fortalecimento da defesa aérea frente à ameaça de ataques por bombardeiros estratégicos, armados tanto com armamento convencional quanto nuclear. Nesse contexto, o rápido avanço das aeronaves estratégicas  muitas delas já capazes de voar em regime supersônico  impôs a necessidade urgente do desenvolvimento de uma nova geração de caças interceptadores de alto desempenho. O objetivo central desses vetores era claro: negar o espaço aéreo nacional a incursões inimigas, interceptando bombardeiros de alta velocidade antes que pudessem atingir alvos estratégicos. Embora existissem iniciativas de cooperação no âmbito da OTAN, a política de defesa adotada pela França naquele período pautava-se fundamentalmente pela busca da autonomia estratégica. O governo francês defendia a independência no desenvolvimento e na produção de seus principais sistemas de defesa, de modo a evitar dependência tecnológica e política de outras nações, ainda que aliadas. Desde o término da Segunda Guerra Mundial, a Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) encontrava-se equipada majoritariamente com aeronaves de origem norte-americana ou britânica, situação que, além de limitar a autonomia operacional, resultava em crescente defasagem tecnológica. A experiência adquirida durante a Guerra da Indochina (1946–1954) evidenciou de forma contundente a necessidade de retomar o desenvolvimento nacional de aeronaves militares, sobretudo de combate. Tornava-se imperativo dotar as forças armadas francesas de meios aéreos modernos, adequados às exigências do novo cenário geopolítico, sem a dependência de fornecedores estrangeiros. A ameaça representada pela numerosa frota soviética de aeronaves de ataque supersônicas, capazes de lançar ofensivas rápidas e devastadoras contra instalações estratégicas em toda a Europa, reforçava ainda mais essa urgência. Diante desse quadro, em 1953 o comando da Armée de l’Air decidiu encomendar um estudo visando ao desenvolvimento de um interceptador supersônico leve e de elevado desempenho. As especificações iniciais eram ambiciosas: a nova aeronave deveria ser capaz de operar em quaisquer condições meteorológicas (all-weather), alcançar a altitude de 18.000 metros em apenas seis minutos e atingir a velocidade de Mach 1,3 (aproximadamente 1.593 km/h) em voo horizontal. Atendendo prontamente a essas exigências, a empresa Marcel Dassault Aviation apresentou ao Ministério da Defesa francês um projeto denominado MD.550 Mystère-Delta. Tratava-se de um interceptador puro, compacto e extremamente ágil, concebido para missões de defesa aérea de alta performance. A aeronave seria propulsionada por dois motores turbojato britânicos Armstrong Siddeley MD30R Viper, equipados com pós-combustão, cada um desenvolvendo empuxo de 9,61 kN (2.160 lbf). Como complemento, previa-se ainda a instalação de um motor-foguete de combustível líquido, capaz de fornecer um empuxo adicional de 14,7 kN (3.300 lbf), conferindo ao projeto um notável potencial de ascensão e desempenho em interceptações de alta altitude.. 

A proposta apresentada pelao fabricante foi bem recebida pelo comando da Força Aérea Francesa (Armée de l’Air), resultando na liberação de recursos para a construção de um protótipo plenamente funcional. Essa primeira aeronave, registrada como MD.550-01, foi oficialmente apresentada em 21 de junho de 1955, simbolizando um passo decisivo no esforço francês de recuperar sua autonomia tecnológica no campo da aviação de combate. De maneira curiosa, o protótipo inicial ainda não estava equipado com pós-combustores, o que limitava significativamente seu desempenho. Mesmo assim, realizou seu voo inaugural apenas quatro dias depois, cumprindo uma missão de aproximadamente vinte minutos, durante a qual atingiu um teto operacional de cerca de 3.000 pés e uma velocidade máxima próxima de Mach 0,95 (aproximadamente 1.170 km/h). Esses resultados, contudo, foram considerados insatisfatórios, sobretudo por refletirem a ausência dos sistemas de pós-combustão e do motor-foguete suplementar SEPR, elementos essenciais para atender às exigências originais do programa. Diante desse desempenho aquém do esperado, o projeto foi submetido a uma revisão abrangente. Diversas melhorias estruturais, aerodinâmicas e de propulsão foram incorporadas, permitindo que a aeronave atingisse velocidades de até Mach 1,3 (1.592 km/h) sem o auxílio do motor-foguete e Mach 1,6 (aproximadamente 1.960 km/h) quando este era empregado. Apesar de alcançar, em termos de velocidade e ascensão, os parâmetros estabelecidos, o modelo acabou sendo rejeitado. Suas dimensões reduzidas limitavam severamente a capacidade de transporte de mísseis ar-ar de médio e longo alcance, que, naquele período, eram volumosos e relativamente pesados, comprometendo a efetividade operacional do interceptador. Com o objetivo de permanecer no processo de seleção e atender às demandas futuras da defesa aérea francesa, a diretoria técnica dao fabricante decidiu repensar completamente o conceito original. Desse esforço emergiu um novo projeto, significativamente mais robusto, apresentando um peso bruto cerca de 30% superior ao de seu antecessor, além de refinamentos substanciais em termos aerodinâmicos. A nova aeronave seria equipada com o motor turbojato francês SNECMA Atar 101G1, dotado de pós-combustão e capaz de gerar 43,2 kN (9.700 lbf) de empuxo. Curiosamente, esse motor representava a evolução de diversos conceitos oriundos de projetos alemães desenvolvidos durante a Segunda Guerra Mundial, evidenciando a continuidade técnica herdada daquele período. Esse novo interceptador recebeu oficialmente a designação Mirage III. Seu nome foi inspirado em uma célebre frase atribuída ao projetista-chefe da empresa, que sintetizava a filosofia do projeto: “O avião será como uma visão no deserto: o inimigo o verá… mas jamais o tocará.” O primeiro protótipo do Mirage III foi apresentado em 15 de novembro de 1956 e realizou seu voo inaugural apenas dois dias depois. A aeronave foi então submetida a um intenso e rigoroso programa de ensaios em voo, cujos resultados exigiram a introdução de diversas correções e aperfeiçoamentos antes da obtenção de sua homologação pré-operacional. Nesse estágio, foi firmado o primeiro acordo formal entre o governo francês e a Dassault para a produção de dez aeronaves de pré-série, designadas Mirage IIIA, destinadas a avaliações finais e validação operacional. Em relação ao protótipo inicial, essas aeronaves apresentavam uma fuselagem alongada e uma maior área alar, além de serem equipadas com o mais potente motor SNECMA Atar 09B com pós-combustão, capaz de desenvolver um empuxo de 58,9 kN (13.230 lbf), consolidando o Mirage III como um interceptador supersônico de alto desempenho.
As dez aeronaves Mirage IIIA pertencentes ao lote de pré-produção começaram a ser entregues à Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) a partir de maio de 1957. Assim que incorporadas, essas células foram submetidas a um extenso e meticuloso programa de ensaios em voo, que se estendeu por aproximadamente nove meses. Esse período de avaliações revelou-se fundamental para a consolidação do projeto, pois os dados técnicos e operacionais obtidos permitiram a identificação de limitações e a introdução de uma ampla série de melhorias e refinamentos estruturais, aerodinâmicos e de sistemas. Como resultado direto desse processo evolutivo, foi definida a primeira versão de produção em série do caça supersônico francês, designada Mirage IIIC. Visualmente, o novo modelo mantinha grande semelhança com as aeronaves de pré-produção, distinguindo-se principalmente pela adoção de um exaustor de motor mais longo. O acabamento externo permanecia no padrão de metal natural, característica típica dos caças da época. Para acelerar a transição entre as fases de desenvolvimento e produção, uma célula do Mirage IIIA foi convertida para o padrão Mirage IIIC, servindo como referência para a versão definitiva. Com o modelo de produção plenamente definido, foi celebrado, no início de 1958, o primeiro contrato de grande escala entre o governo francês e a Dassault, contemplando a fabricação de 95 aeronaves Mirage IIIC. As entregas teriam início em fevereiro de 1961, reforçando significativamente a capacidade de defesa aérea da França em pleno contexto da Guerra Fria. Mesmo antes do início dessas entregas, o Mirage III já despertava forte interesse internacional, assegurando contratos de exportação e consolidando a reputação da indústria aeronáutica francesa no cenário global. Paralelamente, a Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) solicitou o desenvolvimento de uma versão específica para treinamento avançado e conversão operacional, essencial para a formação de pilotos em um caça de desempenho tão elevado. Tomando como base o Mirage IIIA, essa nova variante teve sua fuselagem alongada em aproximadamente um metro, de modo a acomodar um segundo assento destinado ao instrutor. Como consequência desse rearranjo interno, os canhões orgânicos de 20 mm foram removidos, representando uma limitação em termos de armamento interno. Ainda assim, a aeronave manteve a capacidade de empregar uma variada gama de armamentos ar-superfície e mísseis ar-ar de guiagem infravermelha, como o norte-americano AIM-9B Sidewinder, especialmente nas versões destinadas à exportação. O projeto foi aprovado e o primeiro protótipo dessa versão de dois lugares, designado Mirage IIIB-1, realizou seu voo inaugural no final de 1959. Na sequência, foram produzidas mais cinco células de pré-produção para fins de avaliação operacional. Concluída essa fase, seria firmado um contrato para a aquisição de 43 aeronaves Mirage IIIB, destinadas a cumprir um papel central na formação de pilotos de caça supersônicos. Adicionalmente, doze exemplares dessa versão foram exportados para Argentina, Israel e Suíça entre os anos de 1960 e 1969. A experiência operacional acumulada com o Mirage III e suas variantes iniciais evidenciou as excelentes qualidades da aeronave, tanto em desempenho quanto em confiabilidade. Esses resultados levaram ao desenvolvimento de uma versão de caráter multifuncional, capaz de desempenhar não apenas missões de interceptação, mas também tarefas de ataque ao solo e apoio tático. 

Para atender a essa nova exigência, o projeto original passou por profundas modificações estruturais, destacando-se o alongamento adicional da fuselagem e alterações no enflechamento das asas em delta, que passou a ser de 56°35′. Nesse processo evolutivo, as entradas de ar do motor foram reposicionadas, sendo recuadas em relação à cabine de pilotagem, o que contribuiu para melhorias aerodinâmicas e operacionais. As modificações permitiram ainda a instalação de quatro pontos de fixação sob as asas, aptos a receber tanques externos de combustível ou armamentos, elevando a carga útil máxima para até 1.360 kg. Para assegurar o desempenho exigido por esse novo perfil de missão, a aeronave passou a ser equipada com o motor SNECMA Atar 09C, dotado de pós-combustão e capaz de gerar 13.320 libras de empuxo, consolidando definitivamente o Mirage III como um dos mais versáteis e bem-sucedidos caças supersônicos de sua geração. No que se refere à suíte aviônica, a nova variante apresentava um conjunto de sistemas significativamente mais avançado para os padrões da época. Estava equipada com um radar de navegação Doppler da Marconi, sistemas de alerta radar passivo (Radar Warning Receiver – RWR) e, como principal sensor, o radar Thomson-CSF Cyrano II. Este último conferia à aeronave plena capacidade de operação nos modos de busca e seguimento, interceptação ar-ar, emprego ar-superfície e mapeamento do solo, ampliando substancialmente seu espectro de missões e consolidando seu caráter multifuncional. Em termos de armamento orgânico, a aeronave era dotada de dois canhões DEFA 552 de 30 mm, de cano simples, capazes de uma cadência de tiro entre 1.200 e 1.400 disparos por minuto, proporcionando elevado poder de fogo em combates aproximados. Para missões de interceptação, podia empregar o míssil Matra R.530, dotado de guiagem infravermelha e instalado na estação central sob a fuselagem. Complementando sua capacidade defensiva, a aeronave dispunha ainda de sistemas passivos de autoproteção, como lançadores de chaff e flares, fundamentais para a sobrevivência em ambientes hostis. Já nas missões de ataque ao solo, o caça podia ser configurado com uma ampla variedade de bombas de queda livre e lançadores de foguetes não guiados, reforçando sua versatilidade operacional. Essa versão aperfeiçoada recebeu a designação Mirage IIIE, e seu primeiro protótipo realizou o voo inaugural em 5 de abril de 1961. Pouco tempo depois, foi firmado um contrato inicial de produção para 180 aeronaves, refletindo a confiança do governo francês no novo modelo. Além do perfil multifuncional, uma parcela limitada dessa frota foi configurada para missões de ataque nuclear tático, alinhando-se à doutrina de dissuasão estratégica adotada pela França durante a Guerra Fria. As primeiras aeronaves destinadas à Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) foram entregues em 14 de janeiro de 1964. Ao longo dos anos subsequentes, novos contratos ampliaram significativamente a produção, que atingiu um total de 410 unidades, incluindo 70 aeronaves da versão de reconhecimento Mirage IIIR/RD. Paralelamente, o sucesso do modelo impulsionou uma expressiva carteira de exportações, culminando inclusive na celebração de acordos de produção sob licença com países como África do Sul, Austrália, Israel e Suíça, um feito notável para a indústria aeronáutica francesa. A elevada demanda internacional criou, naturalmente, o ambiente propício para o desenvolvimento de uma versão específica destinada ao treinamento avançado e à conversão operacional de pilotos estrangeiros. 
Em 1968, seria iniciado o  desenvolvimento dessa nova variante, agora baseada na célula do Mirage IIIE. Mais uma vez, a supressão do radar Thomson-CSF Cyrano II resultou em uma fuselagem com nariz mais esguio e aerodinamicamente refinado. O novo modelo recebeu a designação Mirage IIIBE, mantendo, ainda que de forma limitada, a capacidade de emprego de armamentos ar-superfície da versão monoplace. Curiosamente, nessa configuração, a capacidade interna de combustível foi reduzida. Um contrato inicial previu a produção de 20 aeronaves IIIBE, além de 10 exemplares da versão IIIB-RV, especificamente destinados ao treinamento de reabastecimento em voo das tripulações do bombardeiro estratégico Mirage IV. Para além das unidades entregues à Armée de l’Air, novos contratos de exportação foram rapidamente firmados, contemplando cinco aeronaves IIIEBJ para Israel, três IIIEL para o Líbano, quatro IIIBS para a Suíça e três IIIBZ para a África do Sul. A partir desse momento, a versão de treinamento destinada ao mercado externo passou a ser designada Mirage IIID. Ao todo, 58 aeronaves dessa variante foram exportadas para países como Argentina, Brasil, Venezuela, Austrália, Egito, Paquistão, Suíça e África do Sul.  A excelente performance em combate apresentada pelos Mirage III israelenses durante a Guerra dos Seis Dias, levaria o comando das Forças de Defesa de Israel (IDF) a solicitar ao fabricante o desenvolvimento de uma versão destinada  a missões de ataque a solo.  Como no oriente médio as condições meteorológicas são normalmente boas, esta versão como primícia básica para redução de não deveria dispor dos radares de navegação Doppler Marconi e Thomson-CSF Cyrano II e qualquer tipos de suíte aviônica avançada. Ao implementar esta diretriz seria proporcionado um aumento na ordem de 32% na capacidade de transporte de combustível, ampliando assim seu raio de ação. Seriam adicionados mais pontos duros subalares para cargas externas, possibilitando numerosas combinações quanto a configuração de cargas, ou ainda carregar até quatorze bombas de queda livre.  Em resumo seria concebido uma versão mais simples, porém mais capaz para missões de ataque a solo e interdição, apresentando um custo inferior de aquisição, se tornando a versão ideal de exportação para países em desenvolvimento. Este modelo receberia a designação de Mirage 5 e realizaria seu primeiro voo no dia 19 de maio de 1967. Apesar de Israel não adotar o modelo em função do embargo internacional de armas seria celebrados contratos de exportação com a Argentina, Emirados Árabes, Bélgica, Chile, Colômbia, Egito, França, Colômbia, Gabão, Líbia, Paquistão, Zaire, Peru e Venezuela. Esta aeronave, projetada inicialmente como um caça de ataque para "tempo bom", acabaria evoluindo para a defesa aérea e reconhecimento com o surgimento de aviônicos mais compactos que seriam customizados para emprego nesta plataforma. A exemplo da família Mirage III, este novo modelo também ganharia uma versão biplace para treinamento e conversão operacional, que receberia do fabricante a designação de Mirage 5D, com o primeiro contrato sendo celebrado para o governo Líbio. A seguir mais contratos desta versão seriam celebrados agora com a Argentina, Bélgica, Colômbia, Abu Dhabi, Gabão, Zaire, Peru, Paquistão, Chile, Egito e Venezuela. Ao longo dos anos seriam desenvolvidos e implementados muitos programas de modernização por seus operadores, com diversas células do modelo paquistanês Mirage 5 ROSE se mantendo em operação até os dias de hoje. 

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Ao término da Segunda Guerra Mundial, a Força Aérea Brasileira (FAB) dispunha de um dos mais expressivos inventários aeronáuticos do continente americano, contabilizando mais de 1.500 aeronaves militares consideradas modernas para os padrões da época. A quase totalidade desse acervo fora incorporada a partir de 1942, no contexto do programa norte-americano Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), que teve papel decisivo no fortalecimento das forças armadas brasileiras durante o conflito. No que se refere à capacidade ofensiva, a força encontrava-se particularmente bem aparelhada, operando um significativo número de aeronaves de primeira linha. Entre estas destacavam-se os consagrados caças-bombardeiros Republic P-47D Thunderbolt e Curtiss P-40 Warhawk, além das aeronaves de ataque Douglas A-20 Havoc e North American B-25 Mitchell. Esse conjunto de vetores de combate era complementado por uma ampla frota dedicada ao transporte, à patrulha marítima e à guerra antissubmarino (ASW), conferindo à Aeronáutica brasileira uma posição de destaque. Não por acaso, ao final da guerra, o Brasil dispunha da segunda maior força aérea das Américas e da principal potência aérea do hemisfério sul. Entretanto, a rápida evolução tecnológica do pós-guerra, marcada pela consolidação dos motores turbojato e pelo surgimento de uma nova geração de aeronaves militares, impôs um processo acelerado de obsolescência aos caças e bombardeiros equipados com motores a pistão. A substituição desses modelos nas linhas de produção internacionais resultou, adicionalmente, em uma crescente escassez de peças de reposição, comprometendo a sustentabilidade operacional das frotas existentes. Apesar das aspirações do Ministério da Aeronáutica (MAer) em incorporar aeronaves a jato de desempenho elevado, como os Republic F-84E Thunderjet ou os North American F-86F Sabre, tais intenções não se concretizaram, em grande medida, devido a restrições orçamentárias e a condicionantes de natureza geopolítica. Como alternativa viável, a partir de 1953 o Brasil passou a operar aeronaves de menor desempenho relativo, como os Gloster F-8 Meteor de origem britânica e os Lockheed F-80C Shooting Star norte-americanos. Esses jatos assumiram, então, o papel de principal vetor de caça das unidades de primeira linha.  Todavia, já no início da década de 1960, problemas relacionados à fadiga estrutural levariam à desativação prematura de toda a frota de jatos britânicos Gloster Meteor, provocando um impacto significativo na capacidade ofensiva e defensiva do país. Em consequência, a outrora pujante aviação de caça brasileira passou a representar apenas uma fração do potencial que detivera no início da década, com sua eficiência operacional seriamente comprometida. A situação agravou-se quando os  F-80C Shooting Star, então responsáveis pela defesa aérea das regiões Norte e Nordeste, passaram a apresentar crescentes dificuldades de manutenção, sinalizando a proximidade de sua retirada de serviço. Diante desse cenário crítico, no final de 1965, o comando do Ministério da Aeronáutica deu início a uma série de estudos destinados à análise e à seleção de novas aeronaves de caça.

Nesse contexto, a aquisição de aeronaves de combate multifuncionais passou a figurar como prioridade estratégica, não apenas para recompor a aviação de caça, mas também para integrar de forma eficaz o componente armado do Sistema de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (SISDACTA), que se encontrava, ao final da década de 1960, em avançado estágio de implantação.  Nesse contexto, a criação, em 1969, da Comissão de Estudos do Projeto da Aeronave de Interceptação (CEPAI) marcou um momento pivotal na história da Força Aérea Brasileira (FAB). A CEPAI foi incumbida de selecionar uma aeronave de interceptação que atendesse às exigências de defesa aérea do país, em um cenário de crescentes demandas tecnológicas e estratégicas. Consciente das dificuldades enfrentadas anteriormente, especialmente as negativas do governo norte-americano para a aquisição de aeronaves de combate modernas, a FAB direcionou seus esforços para a Europa, onde a indústria aeronáutica de defesa florescia com inovações tecnológicas e capacidade produtiva. Assim, foi lançada uma concorrência internacional, com critérios rigorosos que priorizavam a escolha de um interceptador supersônico de alto desempenho, capaz de cumprir, de maneira secundária, missões de ataque ao solo e interdição. Diversas propostas foram submetidas por fabricantes europeus, e, após a fase inicial de avaliações, três aeronaves foram pré-selecionadas: o caça multifuncional sueco Saab Draken, o interceptador britânico English Electric Lightning F-6 e o também multifuncional francês Dassault Mirage IIIE. Cada modelo apresentava características distintas, mas todos eram representantes do estado da arte da engenharia aeronáutica da época. Inicialmente, fatores políticos influenciaram a decisão, com uma inclinação inicial para o English Electric Lightning, motivada por contrapartidas econômicas vinculadas a um significativo financiamento britânico para a construção da Ponte Rio-Niterói, um marco da engenharia brasileira. Contudo, a análise técnica prevaleceu, revelando que o jato britânico, embora avançado, apresentava alta complexidade operacional e custos elevados de manutenção, tornando-o menos adequado às necessidades. Essa decisão foi ulteriormente reforçada pela celebração de um contrato entre a Marinha do Brasil e o estaleiro britânico Vosper, para a construção das fragatas da classe Niterói. Esse acordo atendeu plenamente às demandas econômicas e políticas, permitindo que a escolha da aeronave fosse fundamentada em critérios técnicos. No decorrer do processo, o Saab Draken, apesar de suas qualidades, foi descartado devido aos custos operacionais que excediam os limites orçamentários da Força Aérea Brasileira (FAB) à época. Assim, a proposta francesa, representada pelo Dassault Mirage IIIE, emergiu como a mais vantajosa, tanto sob o ponto de vista técnico quanto comercial. As negociações com a Dassault Aviation intensificaram-se, culminando no envio, em 1967, de dois oficiais brasileiros à França: o Tenente-Coronel Aviador Lauro Ney Menezes e o Major Aviador Ozires Silva. Esses oficiais tiveram a missão de avaliar minuciosamente o Mirage III, assim como a infraestrutura industrial e o suporte pós-venda oferecidos pelo fabricante francês, garantindo que a escolha atendesse às necessidades estratégicas e operacionais. 
A aquisição do Dassault Mirage IIIE/D constituiu um marco decisivo no processo de modernização da defesa aérea nacional, ao mesmo tempo em que fortaleceu de forma significativa os laços tecnológicos, industriais e estratégicos entre o Brasil e a França. Mais do que a simples incorporação de um novo vetor de combate, essa decisão consolidou um capítulo fundamental na história da aviação militar brasileira, inserindo o País no seleto grupo de nações capazes de operar aeronaves de caça supersônicas de alto desempenho. Fundamentada em criteriosa análise técnica e em considerações de ordem estratégica, a escolha da aeronaveI abriu caminho para a introdução de uma aeronave plenamente compatível com as exigências de interceptação de alta velocidade, defesa do espaço aéreo e, de forma complementar, missões de ataque ao solo. Durante a fase inicial de avaliações, destacou-se a atuação do Tenente-Coronel Aviador Lauro Ney Menezes, figura emblemática desse processo. Ao pilotar o Mirage IIIB em um voo que atingiu a velocidade de Mach 2, tornou-se o primeiro piloto de caça brasileiro a romper a barreira do som em uma aeronave francesa, feito de elevado simbolismo para a Força Aérea Brasileira (FAB). Suas impressões amplamente favoráveis quanto ao desempenho e às características operacionais do caça francês contribuíram decisivamente para a consolidação da escolha. O processo culminou na assinatura, em 12 de maio de 1970, de um contrato com a Marcel Dassault Aviation, que previa o fornecimento de doze aeronaves Mirage IIIEBR (monoposto) e quatro Mirage IIIDBR (biposto), além de um completo pacote logístico. Este incluía ferramental específico, estoques iniciais de peças de reposição e um abrangente programa de treinamento destinado a pilotos e técnicos brasileiros.  A primeira aeronave do lote, já ostentando as cores e insígnias nacionais, realizou seu voo inaugural em 6 de março de 1972, na cidade de Bordeaux, na França. O evento simbolizou, de maneira inequívoca, o início de uma nova era para a aviação de caça brasileira, marcada pela incorporação definitiva da tecnologia supersônica ao seu inventário operacional. Em consonância com o cronograma estabelecido, em 23 de maio de 1972, um seleto grupo de oito pilotos de caça brasileiros, liderado pelo Coronel-Aviador Antônio Henrique Alves dos Santos, foi destacado para a Base Aérea de Dijon, pertencente à Força Aérea Francesa (Armée de l’Air), com a missão de iniciar o treinamento no Mirage III. O grupo era composto por oficiais de elevada experiência e reconhecida competência, entre eles os Tenentes-Coronéis-Aviadores Jorge Frederico Bins e Ivan Moacir da Frota, os Majores-Aviadores Ronald Eduardo Jaeckel, Ivan von Trompowsky Douat Taulois, Lúcio Starling de Carvalho e Thomas Anthony Blower, além do Capitão-Aviador José Isaías Vilaça. Detentores de mais de 1.000 horas de voo em aeronaves a jato, esses pilotos tinham a responsabilidade não apenas de assimilar a doutrina operacional do Mirage III, mas também de se tornarem multiplicadores do conhecimento, preparando o terreno para a ativação da Primeira Ala de Defesa Aérea (1ª ALADA). Conhecidos de forma afetuosa como os “Dijon’s Boys”, esses oficiais destacaram-se pela dedicação, profissionalismo e elevado padrão técnico demonstrados durante todo o processo de implantação do Mirage III no Brasil. 

A cidade de Anápolis, localizada no interior do estado de Goiás, a aproximadamente 150 quilômetros de Brasília, foi estrategicamente selecionada para sediar a Primeira Ala de Defesa Aérea (1ª ALADA). Sua escolha refletia de forma clara a doutrina de proteção do centro geopolítico do País, posicionando os novos vetores de interceptação supersônica em um ponto privilegiado para a defesa do Planalto Central e das principais estruturas político-administrativas nacionais. A nova unidade passou a ser subordinada ao Comando de Defesa Aérea (COMDA), recentemente criado, consolidando uma estrutura organizacional voltada especificamente à vigilância e à defesa do espaço aéreo brasileiro. Em 1º de outubro de 1972, um marco histórico foi alcançado com a chegada, a Anápolis, da primeira aeronave Dassault Mirage IIIEBR, redesignada como F-103E. O transporte da célula foi realizado por uma aeronave C-130E Hércules, matrícula FAB 2456, pertencente ao 1º Grupo de Transporte (1º GT). Esse evento simbolizou a materialização de um longo e cuidadoso processo de modernização, idealizado pelo Ministério da Aeronáutica e executado com elevado grau de profissionalismo por seus oficiais e técnicos. A Uma segunda célula do Mirage IIIEBR chegou à Base Aérea de Anápolis no dia 8 de outubro, e, na semana subsequente, tiveram início os trabalhos de montagem das aeronaves. Esses procedimentos foram conduzidos de forma conjunta por militares brasileiros e técnicos franceses, no hangar do Esquadrão de Suprimento e Manutenção da 1ª ALADA, evidenciando o caráter cooperativo do programa e a transferência gradual de conhecimento técnico. Pouco depois, foram recebidas as duas primeiras aeronaves da versão de treinamento e conversão operacional, o Mirage IIIDBR, redesignado como F-103D, que também passaram imediatamente pelo processo de montagem. A primeira aparição pública dos novos caças brasileiros ocorreu em 6 de abril de 1973, quando quatro F-103E e dois F-103D sobrevoaram os céus de Brasília, em uma demonstração que marcou oficialmente a entrada do Brasil na era das aeronaves supersônicas. O impacto visual e simbólico daquele momento foi profundo, projetando uma imagem de modernidade e capacidade dissuasória até então inédita na história da aviação de caça nacional. Poucos dias depois, em 20 de abril de 1973, oito aeronaves F-103E e F-103D Mirage III deslocaram-se para a Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, onde participaram, pela primeira vez, das solenidades alusivas ao Dia da Aviação de Caça.  Nos primeiros anos de emprego do F-103E/D , os desafios inerentes à operação de uma aeronave de alta performance foram progressivamente superados. As particularidades de voo, os procedimentos de interceptação supersônica e as exigências de manutenção foram gradualmente assimilados, permitindo que a aeronave atingisse seu pleno rendimento operacional na missão de defender o espaço aéreo brasileiro. A introdução desse vetor de alto desempenho impôs, entretanto, consideráveis desafios no campo da conversão operacional, em um cenário no qual a aviação de caça brasileira ainda era majoritariamente composta por jatos subsônicos já obsoletos, como os  AT-33A, F-80C e remanescentes de gerações anteriores.
Nesse contexto, as quatro aeronaves F-103D (matrículas FAB 4900 a 4903) desempenharam papel absolutamente fundamental no processo de formação e adaptação dos pilotos à nova realidade operacional. A intensa demanda por treinamento, aliada à complexidade da transição para um caça supersônico de elevada performance, impôs uma carga significativa sobre essas poucas células de instrução, resultando em desgastes estruturais prematuros e na ocorrência de incidentes operacionais de menor monta.  Infelizmente durante os anos seguintes duas células seriam perdidas em graves acidentes, levando a necessidade de recomplementação da frota, assim em 1980 duas aeronaves Mirage IIID seriam adquiridas dos estoques da Força Aérea Francesa (Armée de l'Air), com estas aeronaves recebendo as matrículas FAB “4904 e 4905" .  Neste momento era notório que o Mirage IIIE desenvolvido durante a década de 1960 representava uma aeronave de caça de segunda geração, se encontrando plenamente desatualizado perante as potenciais ameaças regionais existentes naquele período. Apresentavam ainda sensíveis limitações em termos de manobrabilidade, pois foram originalmente concebidos como interceptadores de alta altitude, apresentando desempenho sofrível em combates do tipo “dog fight” (1X1) em baixas velocidades e altitudes. Ficava assim nítida a necessidade de se prover algum nível de modernização desta frota, sendo conduzidos visando assim avaliar programa semelhantes realizados por outros países, com este programa visando atender três diretivas básicas, como a modernização de sistemas e aviônica. Este processo ainda deveria abranger um completo processo de retrofit estrutural, aplicação de soluções aerodinâmicas para melhoria de manobrabilidade e por fim prover a extensão do alcance operacional da aeronave, mediante a instalação de um sistema de reabastecimento em voo. Em face a eminência da aplicação deste programa se fazia necessário recompor a dotação da frota das aeronaves F-103E e F-103D, com o Ministério da Aeronáutica (MAer) passando a buscar compras de oportunidade no mercado internacional, resultando na aquisição de mais duas células biplaces que receberiam as mátriculas de FAB 4906 e 4907. Apesar dos objetivos originais não serem totalmente atendidos em termos de atualização de aviônica, devido a restrições orçamentárias, este processo possibilitaria a extensão de sua vida útil.  Em 1995 face ao desgaste das células do F-103D, novamente seriam feitas buscas por compra de oportunidades e curiosamente seriam adquiridas duas células do Mirage 5DM (matrículas M201 a M203) , aeronaves produzidas em 1975 para o atendimento a um contrato com a República do Zaire. Tanto os Mirage 5M quando os 5DM teriam uma carreira efêmera neste país africano, sendo posteriormente comprados ou repassados de volta para o fabricante, onde se permaneceriam armazenados. Apesar de representar uma linha diferente da família deste caçador francês, o Mirage IIID e o Mirage 5D são em sua essência a mesma aeronave, e ao serem incorporadas receberiam as matriculas de FAB 4908 e FAB 4909. Ao longo de trinta e três anos de operação os Dassault F-103D Mirage, tiveram a nobre missão de formar aproximadamente duzentos pilotos de diversas gerações, no ano de 2005 seriam retirados do serviço ativo. 

Em Escala.
Para representarmos o  Dassault Mirage IIIDBR  F-103D "FAB 4903" já modernizado, empregamos o kit da Heller na escala  1/48, este modelo em sua configuração original, possibilita a montagem das versões Mirage IIIC e Mirage IIIB. Para a compormos a versão empregada pela Força Aérea Brasileira, utilizamos um set de conversão em resina desenvolvido pelo amigo e modelista "Toninho Catanduva (antoniosoaresjuris@hotmail.com). Este complemento  contém entre outros detalhamentos, o nariz da aeronave , bocal de exaustão e assentos ejetores. Para se confeccionar os canards fizemos uso de plasticard, com as dimensões destas peças sendo detalhadas na folha de instrução do set de decais da FCM 48/09. Os decais com as marcações em branco, foram utilizados a partir de  itens presentes no set da FCM  48/29.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura tático, que passou a ser aplicado a partir de 1982 em todas as células dos F-103E e F-103D Mirages brasileiros.  As aeronaves modernizadas mantiveram o mesmo esquema, e ao longo dos anos seriam aplicadas  pequenas variações em termos de marcações, mantendo este padrão até a desativação das células em 2005.
Bibliografia :
Revista ASAS nº 03 Mirage III a Saga do Delta no Brasil , por Claudio Lucchesi
História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
Aeronaves Militares Brasileiras 1916 / 2015  - Jackson Flores Jr
Dassault Mirage III - Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Dassault_Mirage_III