M-2A1 R Morteiro Pesado (120 mm)

História e Desenvolvimento.
O morteiro constitui uma arma de emprego coletivo destinada a prover apoio de fogo imediato às tropas das armas-base, por meio do lançamento de granadas em trajetória balística de elevado ângulo, geralmente igual ou superior a 45 graus. Sua principal característica reside no tiro curvo  ou verticalizado  que lhe permite atingir alvos abrigados, mascarados pelo terreno ou protegidos por obstáculos naturais e artificiais, oferecendo às unidades de manobra uma capacidade orgânica de apoio indireto em curtas e médias distâncias. Em comparação aos obuseiros e demais peças tradicionais da artilharia de campanha, o morteiro apresenta concepção estrutural mais simples, menor custo de produção e manutenção, além de reduzido peso relativo. Tais atributos favorecem sua mobilidade e permitem seu emprego por frações avançadas, frequentemente posicionadas próximas às linhas inimigas, onde a rapidez na resposta de fogo pode ser decisiva para o êxito tático. O desenvolvimento do morteiro moderno remonta a 1915, no contexto da Primeira Guerra Mundial. A guerra de trincheiras impôs novos desafios às forças combatentes, sobretudo a necessidade de neutralizar tropas entrincheiradas e protegidas contra o tiro direto da artilharia convencional. Os projéteis disparados em ângulos rasos mostravam-se pouco eficazes contra alvos protegidos por parapeitos e abrigos subterrâneos. Nesse cenário, surgiu a demanda por uma arma capaz de lançar granadas em arcos elevados a partir das próprias trincheiras. Foi nesse contexto que Sir Wilfred Stokes concebeu um modelo portátil que se tornaria o precursor dos morteiros contemporâneos. Embora inicialmente tenha enfrentado resistência por não utilizar as granadas padronizadas então em serviço, o projeto evoluiu com o desenvolvimento de munição específica, o que viabilizou sua produção em escala. A estrutura original era composta por um tubo de alma lisa montado sobre uma placa-base e sustentado por um bipé  configuração que, em essência, permanece até os dias atuais. O funcionamento do morteiro baseia-se em um sistema de antecarga. A granada, introduzida manualmente pela boca do tubo, desliza por gravidade até alcançar o fundo da peça, onde entra em contato com um pino percutor fixo. O impacto aciona a espoleta, deflagrando a carga de projeção e impulsionando o projétil em trajetória parabólica. O modelo de Stokes demonstrou notável eficiência, alcançando cadências elevadas para a época e consolidando um padrão construtivo que se revelou duradouro. Em termos estruturais, o morteiro consiste essencialmente em um tubo apoiado sobre uma placa-base, responsável por transferir diretamente ao solo a força do recuo, dispensando sistemas complexos de absorção e recuperação como os empregados em canhões e obuseiros. Seus projéteis descrevem trajetórias em ângulos que variam, em regra, entre 45 e 85 graus. A maioria dos modelos é carregada pela boca, apresentando tubos relativamente curtos, geralmente não superiores a quinze calibres de comprimento.

O alcance do disparo pode ser ajustado pela variação do ângulo de elevação do tubo ou pela modificação da carga de projeção associada ao projétil. Em modelos mais modernos, o disparo pode ocorrer tanto pelo sistema tradicional de percussão automática quanto por mecanismos acionados por gatilho, oferecendo maior controle ao atirador. A estabilidade da arma é assegurada por um reparo em forma de bipé ou, nos modelos de maior calibre, por estruturas dotadas de trem de rodagem, que também sustentam o aparelho de pontaria. Entretanto, em terrenos de baixa resistência como solos muito macios ou cobertos por neve  o recuo pode comprometer a firmeza da peça. Para contornar essa limitação, emprega-se o chamado saco Raschen, dispositivo de lastro posicionado sob a placa-base com a finalidade de aumentar a estabilidade e preservar a precisão dos disparos em condições adversas. Ao longo do século XX, o morteiro consolidou-se como instrumento indispensável no apoio tático às tropas terrestres, combinando simplicidade construtiva, eficiência operacional e elevada adaptabilidade aos mais diversos teatros de operações. A cadência de tiro dos morteiros, de modo geral, é superior à dos obuseiros tradicionais. Tal desempenho decorre de sua concepção mecânica simplificada: inexistem mecanismos de culatra a serem abertos e fechados a cada disparo, tampouco há estojos metálicos a serem ejetados ou manipulados. Essa simplicidade estrutural reflete-se não apenas na rapidez do ciclo de tiro, mas também na redução da complexidade logística e operacional. Outro aspecto relevante é a composição reduzida da guarnição. Enquanto peças de artilharia de campanha exigem equipes numerosas para sua operação plena, os morteiros médios podem ser servidos, em regra, por apenas três militares, o que amplia sua mobilidade e facilita seu emprego em frações destacadas ou em ambientes de difícil acesso. Do ponto de vista logístico, a eficiência do morteiro também se evidencia no aproveitamento do peso da munição. Em razão da ausência de estojo metálico, a granada de morteiro concentra a maior parte de sua massa na carga útil. Para fins comparativos, uma granada de 120 mm apresenta peso aproximado ao de um projétil de obuseiro de 105 mm  cerca de 14 quilogramas. Entretanto, nos obuseiros, parcela significativa do peso total da munição corresponde ao estojo e à carga de projeção, elementos que não atingem o alvo. Estima-se que aproximadamente 60% do peso total de um disparo de obuseiro seja efetivamente projetado contra o objetivo, ao passo que, nos morteiros, cerca de 90% da massa da munição alcança a área-alvo. Essa diferença traduz-se em notável vantagem sob a ótica do transporte, do armazenamento e da sustentação de fogos prolongados. Quanto à configuração do tubo, os morteiros podem ser classificados em modelos de alma lisa ou raiada. Nos sistemas de tubo liso, a estabilização do projétil é realizada por meio de aletas dispostas em sua parte posterior. Essas aletas geram arrasto aerodinâmico que mantém a granada alinhada ao eixo de sua trajetória, conferindo-lhe estabilidade durante o voo. Já nos modelos raiados, a estabilização ocorre por rotação, impressa ao projétil pelo engajamento nas raias internas do tubo, de forma análoga ao funcionamento dos obuses e canhões.
A adoção de tubos raiados, contudo, representa certa ruptura com o princípio tradicional de simplicidade que caracteriza o morteiro. Projetis estabilizados por aletas tendem a alcançar maiores distâncias com a mesma carga de projeção, pois não necessitam vencer o atrito das raias internas; em contrapartida, apresentam, em geral, menor precisão quando comparados aos modelos rotacionados. Além disso, para que a granada possa deslizar livremente até a base do tubo nos modelos de alma lisa, deve existir uma pequena folga entre o projétil e as paredes internas. Essa folga pode permitir a fuga parcial de gases de projeção, reduzindo o rendimento balístico. Com o objetivo de mitigar essa limitação, alguns modelos ocidentais de 81 mm incorporaram soluções técnicas específicas, como a utilização de anéis de material plástico inseridos em ranhuras na porção média da granada. Durante o disparo, os gases de projeção expandem esse anel, promovendo vedação lateral mais eficiente, aumentando a pressão interna útil e, consequentemente, melhorando a precisão e o alcance. Nos modelos raiados, soluções igualmente engenhosas foram desenvolvidas. Em determinado projeto francês, por exemplo, a base da granada é equipada com uma placa de cobre abaulada, de diâmetro ligeiramente inferior ao calibre do tubo, posicionada sobre uma placa de aço plana. No momento da deflagração, a pressão exercida pela placa de aço expande a de cobre, que se ajusta às raias do tubo, vedando os gases e transmitindo rotação ao projétil. O resultado é um incremento significativo na estabilidade em voo, no alcance e na precisão do disparo. A direção de tiro dos morteiros obedece aos mesmos princípios balísticos fundamentais da artilharia de campanha, embora aplicada de maneira mais simplificada, em razão das menores distâncias envolvidas. Nos modelos rotacionados, a técnica de tiro deve considerar a tendência de desvio lateral associada ao sentido da rotação do projétil, fenômeno já conhecido e compensado nos cálculos de pontaria. Por serem armas de alcance relativamente curto, os morteiros integram organicamente as unidades de infantaria e cavalaria, nos calibres leves e médios, e as formações de artilharia leve  como tropas paraquedistas, de montanha, de selva e aeromóveis  nos calibres pesados, geralmente a partir de 120 mm. Sua principal virtude reside na capacidade de prover apoio direto e imediato às tropas em contato, permitindo ao comandante de subunidade dispor de fogos indiretos de maneira autônoma, sem depender exclusivamente da coordenação com unidades especializadas de artilharia. Os morteiros leves e médios são armas portáteis empregadas para fornecer apoio de fogo direto aos pelotões de infantaria. Sua principal vantagem em relação às armas de artilharia reside na flexibilidade, elevada mobilidade e capacidade de engajar alvos de forma rápida e eficaz no combate aproximado, uma vez que estão diretamente integrados às unidades de infantaria. Esses sistemas podem ser operados a partir de trincheiras e rapidamente reposicionados para acompanhar o avanço das tropas, sem a necessidade da complexa estrutura logística exigida pela artilharia convencional. O alcance do morteiro varia de acordo com o ângulo de disparo: à medida que o ângulo aumenta, o alcance diminui, mas a trajetória do projétil torna-se mais elevada, permitindo superar obstáculos verticais e atingir alvos protegidos por elevações íngremes ou edifícios. 

Essa capacidade é fundamental em cenários onde a artilharia tradicional não conseguiria atuar de forma eficiente, a menos que estivesse operando em tiro vertical de curto alcance. Por exemplo, uma bateria de artilharia de longo alcance teria dificuldades para atingir um alvo localizado a 1 km de distância e 30 metros acima de sua posição, enquanto um morteiro poderia executar essa missão com facilidade. Devido à sua trajetória altamente parabólica, os projéteis de morteiro atingem o solo em ângulos mais próximos da perpendicular, tornando-se menos direcionais que os disparos efetuados pela artilharia convencional. Estes, por sua vez, saem do tubo em velocidades superiores, alcançam distâncias maiores e descrevem arcos mais amplos. Enquanto as peças de artilharia são carregadas pela culatra e podem operar tanto em tiro indireto quanto em tiro direto, o morteiro é exclusivamente empregado no tiro indireto e não permite a execução de disparos tensos. Sendo armas de curto alcance, os morteiros demonstram-se muitas vezes mais eficazes que a artilharia para determinados propósitos, especialmente dentro de seu raio de alcance mais restrito. São particularmente adequados para operações a partir de posições ocultas, como escarpas naturais em encostas ou bosques densos. O uso de observadores avançados (OAs) posicionados estrategicamente permite direcionar os disparos com maior precisão, garantindo que o fogo seja entregue rapidamente e com efeito letal. A maioria dos morteiros pode ser transportada por helicópteros, rebocada por viaturas leves (3/4 ton) ou embarcada em veículos blindados. Nos modelos leves e médios, a guarnição também pode transportá-los a pé. Embora não se comparem às peças de artilharia de 155 mm em poder de fogo e alcance, os morteiros modernos podem, em determinados contextos, substituir os obuseiros de 105 mm. A principal limitação dos morteiros é seu alcance reduzido, decorrente dos altos ângulos de tiro, característicos do tiro vertical. No entanto, essa desvantagem é amplamente compensada pelo custo significativamente inferior, pela leveza e pela simplicidade operacional. Além disso, os morteiros podem utilizar uma grande variedade de munições, incluindo granadas de alto explosivo (HE) para fragmentação e impacto, munições iluminativas visíveis e infravermelhas, projéteis de fósforo vermelho ou branco para efeito fumígeno, incendiário e sinalizador, além de munições mais avançadas. Modelos modernos também podem empregar munições de submunição e projéteis inteligentes guiados a laser ou GPS, aumentando a precisão e permitindo atingir alvos específicos, como veículos blindados em movimento. Essas capacidades tornam os morteiros uma ferramenta valiosa para apoio às tropas em operações antitanque, atingindo a blindagem superior dos veículos inimigos, que normalmente é menos resistente. Além disso, granadas propulsadas por foguetes podem ser empregadas para aumentar o alcance dos morteiros de maior calibre (120 mm), permitindo atingir alvos situados a distâncias de até 15 km.
No Brasil, o emprego efetivo e real de morteiros ocorreu durante a participação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Campanha da Itália (1944-1945), quando armas leves do modelo M-2 de 60 mm e médias M-1 de 81 mm foram amplamente utilizadas nos combates contra as posições defensivas alemãs. Durante esse período, centenas de equipamentos desse tipo foram cedidos ao governo brasileiro nos termos do programa de ajuda militar Lend & Lease Bill Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), sendo distribuídos entre as unidades operacionais do Exército Brasileiro em diversas regiões do país. Nos anos seguintes, o Brasil recebeu os primeiros morteiros norte-americanos M-2 de 120 mm, bem como equipamentos semelhantes de diversos calibres, também fornecidos ao Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil. Esses sistemas de armas possuem um alto grau de desgaste operacional, o que levou as Forças Armadas Brasileiras a instituir ciclos constantes de renovação, buscando aquisição de novos equipamentos no mercado internacional ou aproveitando oportunidades de aquisição de peças usadas. No segmento de morteiros pesados de 120 mm, ao final da década de 1990, o Exército Brasileiro optou pela aquisição do modelo francês MO-120-RT-61 (morteiro rebocado de alma raiada de 120 mm). Essa arma, desenvolvida pela Thomson-Brandt e fabricada pela TDA Armements, foi incorporada ao Exército Francês no início da década de 1970. Seu batismo de fogo ocorreu durante a Guerra Civil Libanesa, em 1975, obtendo resultados expressivos, o que levou sua adoção por mais de vinte e cinco países, incluindo os Estados Unidos, onde foi integrado ao Corpo de Fuzileiros Navais (US Marine Corps) mediante contratos de produção sob licença. Ao todo, entre as décadas de 1980 e 1990, foram incorporados ao Exército Brasileiro duzentos morteiros franceses MO-120-RT-61 de 120 mm. Esses equipamentos passaram a equipar unidades de paraquedistas, batalhões de infantaria blindada e regimentos de carros de combate, com previsão de ampliação para regimentos de cavalaria mecanizada, blindada e escolas militares. Com um alcance padrão de 8.000 metros e capacidade de até 13.000 metros utilizando projéteis assistidos por foguete, esse sistema potencializou significativamente a capacidade da artilharia do Exército Brasileiro, representando um avanço qualitativo em relação aos modelos antecessores. Nos anos subsequentes, o intenso uso dessas peças levou ao desgaste natural dos equipamentos, comprometendo sua operacionalidade. Para solucionar esse problema, foi necessária a revitalização dos morteiros, tarefa atribuída ao Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR), com apoio do Centro Tecnológico do Exército (CTEx). Estudos técnicos foram realizados, resultando em um processo de modernização bem-sucedido, que restabeleceu a plena capacidade operacional dos morteiros MO-120-RT-61 de 120 mm, bem como dos modelos de 60 mm e 81 mm. O sucesso desse projeto motivou o comando do Exército Brasileiro, no final da década de 1990, a destinar recursos para o desenvolvimento e produção de morteiros nacionais, buscando assegurar maior independência estratégica nesse segmento de armamento de artilharia.

Emprego no Exército Brasileiro.
No início da década de 2000, em consonância com o processo de modernização e fortalecimento da Base Industrial de Defesa, o Comando da Força Terrestre incumbiu o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR) da missão de desenvolver e produzir um novo sistema de morteiro pesado destinado ao Exército Brasileiro. A decisão refletia não apenas a necessidade de atualização dos meios de apoio de fogo, mas também a diretriz estratégica de ampliar a autonomia tecnológica nacional no campo dos materiais de emprego militar. Instituição de tradição bicentenária, o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, situado no bairro do Caju, na região portuária da capital fluminense, tem suas origens remontadas a 1762, com a criação da Casa do Trem. Ao longo de mais de dois séculos de existência, o estabelecimento consolidou-se como um dos principais polos de fabricação e manutenção de armamentos do país, participando ativamente de momentos decisivos da história militar brasileira. Entre suas contribuições destacam-se o fornecimento de materiais durante a Guerra do Paraguai e a Guerra de Canudos, bem como o apoio à Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial, quando produziu e manteve armamentos e munições empregados no Teatro de Operações da Itália. A partir da década de 1970, o AGR passou a atuar de forma integrada com o Arsenal de Guerra General Câmara e o Arsenal de Guerra de São Paulo, desempenhando atividades de fabricação e manutenção, em nível industrial, de materiais de emprego militar, sob a coordenação da Diretoria de Fabricação. Essa estrutura permitiu a consolidação de capacidades técnicas e industriais indispensáveis à execução de projetos de maior complexidade tecnológica. Nesse contexto, em 2002, o corpo técnico do Arsenal, em estreita cooperação com o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), iniciou o desenvolvimento de um morteiro de 120 mm, abrangendo todas as fases do ciclo de engenharia  desde a concepção e os estudos balísticos iniciais até a construção e avaliação dos protótipos. O projeto foi concebido com a premissa de máxima nacionalização possível, recorrendo a fornecedores externos apenas quando estritamente necessário, de modo a assegurar elevado grau de independência tecnológica e domínio dos processos produtivos. Paralelamente ao desenvolvimento da arma propriamente dita, foram estruturadas equipes especializadas e implementados processos industriais voltados à produção seriada nas instalações do próprio Arsenal. Esse esforço representou não apenas a criação de um novo sistema de armas, mas também a consolidação de conhecimento técnico e capacidade produtiva estratégica para o país. Em julho de 2005, foram apresentadas as primeiras unidades do novo sistema, oficialmente designado Morteiro Pesado 120 M-2 Raiado (Mrt P 120 P R). Tratava-se do primeiro morteiro raiado desenvolvido e produzido no Brasil, marco significativo para a engenharia militar nacional. Destinado ao Exército Brasileiro, o sistema foi concebido como arma moderna, dotada de elevada mobilidade e compatível, em termos de desempenho, com equipamentos empregados por forças armadas de referência internacional. Sua finalidade principal é prover elevado poder de fogo às tropas, particularmente às forças de pronto emprego, aptas a atuar em diferentes teatros de operações. Além do apoio direto às unidades de manobra, o M-2 Raiado pode desempenhar funções de artilharia leve, inclusive na saturação de áreas, ampliando a capacidade de resposta do comandante tático.

O sistema é composto por três elementos fundamentais: tubo-canhão, reparo e placa-base. Opera exclusivamente sobre rodas, característica que lhe confere rapidez de deslocamento e facilidade de posicionamento. Destaca-se ainda por possuir campo horizontal de tiro de 360 graus, sem necessidade de reposicionamento da placa-base, atributo que aumenta sua flexibilidade em combate. Compatível tanto com munições de 120 mm para morteiros de alma lisa já em uso no Exército Brasileiro quanto com munições raiadas de padrão internacional, o M-2 Raiado apresenta campo vertical de tiro variando entre 40 e 85 graus. Pode empregar diferentes tipos de granadas: a convencional, com massa aproximada de 13 quilogramas-força, alcançando distâncias entre 500 e 6.650 metros; a pré-raiada, de 15,7 quilogramas-força, com alcance entre 1.200 e 8.300 metros; e a pré-raiada com propulsão adicional, também de 15,7 quilogramas-força, capaz de atingir distâncias entre 1.200 e 12.600 metros. Embora apresente configuração estrutural aparentemente simples, o desenvolvimento e a construção do Morteiro Pesado 120 M-2 Raiado (Mrt P 120 P R) constituíram o resultado de anos de estudos, ensaios e aperfeiçoamentos conduzidos pelo corpo técnico do Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR). Desde as etapas preliminares de concepção até a consolidação da produção seriada, o projeto demandou elevado domínio tecnológico, rigorosos procedimentos de engenharia e a atuação de mão de obra altamente qualificada, evidenciando a maturidade alcançada pela indústria militar nacional. O programa foi estruturado de forma abrangente, contemplando não apenas o desenvolvimento da arma, mas também a produção integral de suas munições no âmbito do complexo industrial da IMBEL S/A empresa estatal de capital misto responsável por relevante parcela da Base Industrial de Defesa brasileira. À época, os diferentes tipos de munição encontravam-se em fase final de desenvolvimento, reforçando o propósito estratégico de assegurar autonomia logística e independência tecnológica ao Exército Brasileiro. O M-2 Raiado possui peso total aproximado de 717 quilogramas, podendo ser tracionado por viaturas de três quartos de tonelada, o que lhe confere notável mobilidade tática. Sua concepção permite, ainda, o transporte por aeronaves de asa fixa e helicópteros, bem como o lançamento por paraquedas, ampliando significativamente a capacidade de apoio de fogo das unidades aerotransportadas e de pronto emprego. Tal flexibilidade de desdobramento reforça sua adequação aos mais diversos cenários operacionais. O planejamento inicial previa a produção de até 170 unidades, número considerado suficiente para dotar o Exército Brasileiro de maior agilidade na entrada e retirada de posição, aliando mobilidade, precisão e elevado poder de fogo. Quando empregada com munição dotada de propulsão adicional, a arma alcança distâncias próximas a 13 quilômetros, ampliando substancialmente o raio de ação das frações apoiadas. Além do alcance expressivo, o sistema apresenta alta cadência de tiro, podendo efetuar até dezoito disparos por minuto, dispondo de mecanismo de disparo tanto comandado quanto automático. Sua compatibilidade com ampla gama de munições nacionais e estrangeiras assegura versatilidade tática e interoperabilidade, características indispensáveis em um ambiente operacional cada vez mais dinâmico. O conceito fundamental que norteou o projeto esteve ancorado na premissa de independência tecnológica. Todos os principais componentes do sistema foram concebidos e fabricados no país, reforçando a soberania nacional no setor de defesa. 
A ampliação da capacidade produtiva do Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, mediante a incorporação de novos maquinários e processos industriais, vislumbrou a possibilidade de produção em maior escala, abrindo perspectivas concretas para inserção do sistema no mercado internacional. A apresentação oficial do M-2 Raiado despertou interesse de diversas nações, sinalizando seu potencial como produto competitivo no segmento de sistemas de apoio de fogo. Ademais, seu desenvolvimento abriu caminho para aplicações embarcadas, notadamente em viaturas blindadas sobre rodas, como a Viatura Blindada de Combate Morteiro Médio (VBC Mrt Me) Iveco Guarani 6x6, ampliando as possibilidades de emprego em operações mecanizadas. Em agosto de 2005, após a entrega das primeiras vinte unidades operacionais, quatro exemplares do M-2 Raiado foram submetidos a extensivos testes de tiro no Campo de Provas da Marambaia, no estado do Rio de Janeiro. Os ensaios permitiram aferir, em condições reais, sua precisão, robustez, facilidade de operação e elevados padrões de segurança. Os resultados demonstraram desempenho e efetividade comparáveis aos de modelos estrangeiros consagrados, evidenciando o nível de excelência alcançado pelo projeto nacional. O primeiro contrato firmado previa a produção de 170 unidades, com entregas programadas até 2010. O cronograma foi cumprido integralmente, e os sistemas foram distribuídos a unidades de paraquedistas, batalhões de infantaria blindada e regimentos de carros de combate, promovendo significativo incremento na capacidade operativa do Exército Brasileiro. Os excelentes resultados operacionais obtidos em campo levaram à autorização para a produção de novos lotes do morteiro M-2 Raiado (Mrt P 120 P R), impulsionando o início do processo de substituição das peças francesas MO-120-RT-61 de 120 mm. Apesar de terem passado por sucessivos processos de revitalização, esses equipamentos começaram a demandar sua retirada do serviço ativo. Esse objetivo foi alcançado até o final de 2022, com a conclusão das entregas dos últimos lotes, totalizando quatrocentos morteiros M-2 Raiado (Mrt P 120 P R). Nesse contexto, essas armas foram distribuídas a um grande número de unidades militares, incluindo Batalhões de Infantaria Blindados, Regimentos de Carros de Combate, Regimentos de Cavalaria Blindada, Regimentos de Cavalaria Mecanizada e, para experimentação doutrinária, nos Grupos de Artilharia de Campanha Paraquedista (GAC Pqdt), Grupo de Artilharia de Campanha Leve (GAC L) e Grupo de Artilharia de Selva (GAC Sl). Previamente, o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR) desenvolveu um programa dedicado à revitalização dessas armas, considerando o desgaste decorrente de seu intenso emprego operacional. Devido às explosões da munição e ao uso contínuo, os morteiros do Exército passam por meticulosas análises antes, durante e após a utilização, garantindo a integridade do material e a segurança da tropa. Quando necessário, os morteiros são enviados aos arsenais de guerra para inspeções rigorosas, onde se avalia se as peças podem ser reparadas localmente ou se devem ser encaminhadas ao Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR) para revitalização. O processo de recuperação e modernização envolveu a desmontagem integral do equipamento para inspeção metrológica, manutenções corretivas e preventivas, substituição de componentes que passaram por modificações de projeto, limpeza, fosfatização, pintura e lubrificação. 

Adicionalmente, foram fornecidas novas caixas de acessórios, ferramental e sobressalentes, além da substituição dos aparelhos de pontaria óptica pelo modelo SPOTIM M-2A1, fabricado nacionalmente pela Ares Aeroespacial e Defesa. Destaca-se que a modernização do morteiro M-2A1 Raiado (Mrt P 120 P R) foi realizada com o apoio da indústria nacional, envolvendo pelo menos dez fornecedores contratados pelo comando do  Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR)para a prestação de serviços técnicos, fornecimento de ferramentas comerciais e especiais, bem como a fabricação de peças e subconjuntos de alta complexidade mecânica. Essa iniciativa contribuiu significativamente para a indústria de defesa brasileira, gerando empregos e fortalecendo a independência tecnológica na operação dessa importante peça de apoio de fogo. Os morteiros submetidos a esse processo emergiram com sistemas mais robustos e confiáveis, resultando na criação do submodelo M-2A1 Raiado (Mrt P 120 P R). As primeiras unidades foram devolvidas às organizações operacionais no primeiro semestre de 2021. Até o final de 2022, os trabalhos foram concluídos em um total de oitenta e sete morteiros desse modelo. Paralelamente, foi desenvolvido um kit de ferramental e suprimentos para permitir que pequenas manutenções fossem realizadas diretamente pelas Organizações Militares (OM) responsáveis pela sua operação. Essa medida teve como objetivo minimizar a indisponibilidade do armamento, garantindo um elevado nível de operacionalidade e capacidade combativa para as unidades detentoras do material. O aumento da presença dessas armas no Exército Brasileiro exigiu a ampliação dos programas de treinamento de seus operadores. Com o objetivo de reduzir custos nesse processo, em 2020, o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR), em parceria com o Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do Exército (SCTIEx), iniciou o desenvolvimento de um sistema redutor de calibre de 81 mm. Esse dispositivo foi projetado para possibilitar o uso de munições mais acessíveis e de fácil manuseio nos morteiros M-2A1 Raiado (Mrt P 120 P R), proporcionando maior economia nos programas de treinamento e exercícios operacionais das tropas de Infantaria, Cavalaria, Artilharia e demais Forças Armadas que empregam esse armamento. Em abril de 2022, foram realizados os primeiros testes de tiro real com os protótipos desse sistema no Centro de Avaliações do Exército (CAEx) – "Campo de Provas da Marambaia - 1948". O dispositivo foi validado pela Diretoria de Fabricação para futura produção em série. Na sequência, no início de 2023, foi iniciado um programa para equipar esses morteiros com um sistema inercial de pontaria, destacando-se a participação da empresa Safran Electronics & Defense Brasil. O sistema de pontaria do morteiro opera por meio de sensores giroscópicos de última geração, calibrados para os três eixos do Morteiro Pesado 120 mm M2A1 R. Esse sistema coleta e processa automaticamente uma série de dados, que são posteriormente transmitidos ao Sistema Gênesis de Direção e Controle de Tiro. Isso permite o nivelamento adequado dos mecanismos de direção do armamento, bem como a correção dos disparos, assegurando maior precisão na neutralização dos alvos. Ademais, o processamento eletrônico dos dados de artilharia facilita o treinamento das tropas, permitindo a utilização de informações simplificadas e de fácil interpretação, o que acelera a tomada de decisão e o posicionamento correto do morteiro.
Durante os testes realizados em maio de 2023, o Sistema de Pontaria Inercial demonstrou um desempenho satisfatório ao longo de toda a bateria de avaliações, e a sua implementação tem o potencial de ampliar  a capacidade tática do morteiro de 120 mm, proporcionando maior agilidade na aquisição de alvos, eficiência na execução dos disparos e aprimoramento da precisão. Inicialmente seriam empregados projéteis origem norte-americana e francesa estocados, contudo devido à crescente demanda pelo uso extensivo, os estoques começaram a se esgotar, gerando a necessidade de reabastecimento.  Para suprir essa demanda, foi adotada a estratégia de utilização de munições de produção nacional, sendo designada a IMBEL para o desenvolvimento e produção das munições destinadas ao morteiro M-2A1. Neste contexto  seriam firmados contratos para o desenvolvimento de três modelos de munição, com o primeiro modelo, denominado Tir 120 Exc CONV B1 (Tiro 120 mm Exercício Convencional), sendo composto por espoleta de ogiva e de percussão, adaptador, corpo da granada, carga inerte, culote, cartucho carga “0” MD 120 CONV, cargas suplementares de pólvora BD e subconjunto corpo empena. Suas principais características técnicas incluem:Peso total do projétil em voo: 13 kg, Comprimento do tiro completo: 643,4 mm,Velocidade inicial: carga 0 - 119 m/s, carga 7 - 331 m/s, Alcance máximo: 6.600 m.  O segundo modelo, Tir 120 AE PR (Tiro 120 mm Alto-Explosivo Pré-Raiado), é constituído por espoleta de ogiva e de percussão, corpo da granada, carga de arrebentamento em TNT, grão ejetor do tubo porta-carga, cartucho carga “0” MD 120 PR/PRPA, cargas suplementares de 50/75 g e 100 g de pólvora BD e conjunto do tubo porta-carga. Suas especificações técnicas incluem Peso total do projétil em voo: 15,7 kg,Peso do explosivo: 4,4 kg, Comprimento do tiro completo: 906,3 mm, Velocidade inicial: carga 1 - 130 m/s, carga 10 - 365 m/s, Alcance máximo: 8.150 m. Por fim, o modelo mais avançado, Tir 120 AE PRPA (Tiro 120 mm Alto-Explosivo Pré-Raiado com Propulsão Adicional), foi desenvolvido para emprego contra pessoal e material leve, produzindo efeito de sopro e fragmentação. Seus componentes incluem espoleta de ogiva e de percussão, corpo da granada (TNT), propulsão adicional, mecanismo de retardo, grão ejetor do tubo porta-carga, cartucho carga “0” MD 120 PR/PRPA, conjunto do tubo porta-carga e cargas de projeção suplementares de 50/75 g e 100 g de pólvora BD. Suas características técnicas incluem: Peso total do projétil em voo: 15,7 kg,  Peso do explosivo: 2,7 kg, Comprimento do tiro completo: 926 mm, Velocidade inicial: carga 1 - 130 m/s, carga 10 - 365 m/s, Alcance máximo: 12.000 m. A primeira entrega dessas munições ocorreu em dezembro de 2020, e lotes posteriores garantiram a reposição dos estoques estratégicos, assegurando a continuidade dos programas de adestramento da tropa.  Em 2023, um avanço significativo foi alcançado com a celebração do Acordo de Projeto PA-A-23-0001, uma parceria com o Exército dos Estados Unidos (U.S Army), visando o  desenvolvimento de tecnologias para a produção de munições de morteiro 120 mm de alcance estendido. As pesquisas envolvem o desenvolvimento de munições com inovações tecnológicas, incluindo formulações energéticas de baixa sensibilidade para propelentes e explosivos, novos conceitos de geometria do corpo da granada para melhor desempenho balístico, aprimoramento dos motores de propulsão adicional e modernização das tubeiras de exaustão. 

Em Escala.
Para representarmos o morteiro pesado M-2A1 Raiado (Mrt P 120 P R) de 120 mm empregado pelo Exército Brasileiro, fizemos uso de um modelo artesanal na escala 1/32 habilmente confeccionado em resina pela Souza Junior Réplicas. Modelo este que prima pelo nível detalhamento e facildade de montagem. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa um dos padrões de pintura tático aplicado as armas de artilharia no Exército Brasileiro, com um esquema derivativo empregado nos morteiros M-2A1 Raiado (Mrt P 120 P R) empregado pelas tropas de Caatinga, ostentando uma pintura em areia (Sand FS 33617).

Bibliografia : 
- Morteiros #12 Operações Militares - www.operacoesmilitaresguia.blogspot.com 
- Morteiro Pesado Raiado 120 mm Made in Brasil  – Expedito Carlos Stephani Bastos-  https://www.ecsbdefesa.com.br
- História das Armas - https://histroiaarmas.webnode.com.br/products/mortier%20de%20120mm%20raye%20tracte%20mod%C3%A8le%20f1/
Arsenal de Guerra do Rio   - https://www.df.eb.mil.br/agr 
- AGR Testa Sistema de Pontaria Inercial para morteiro pesado - www.defesanet.com.br 
- Brasil e Estados Unidos iniciam projeto de munição de morteiro 120 mm - www.tecnodefesa.com.br

SH-2 Westland Wasp 3 - HAS MK1

História e Desenvolvimento.
Em maio de 1929, um marco significativo na história da aviação britânica foi estabelecido com a união de esforços entre Alliott Verdon Roe, fundador da Avro Aircraft Ltd, e o investidor John Lord. Juntos, eles adquiriram o controle acionário da S. E. Saunders Ltd, uma prestigiada empresa de engenharia naval e aeronáutica sediada em East Cowes, na Ilha de Wight. Dessa colaboração nasceu a Saunders-Roe Ltd, uma companhia que rapidamente se destacou pelo desenvolvimento e produção de hidroaviões para uso civil. Apesar do sucesso comercial de seus modelos, que alcançaram reconhecimento, embora em escala limitada, a Saunders-Roe enfrentou desafios financeiros que a levaram a diversificar suas atividades. A empresa passou a atuar na terceirização industrial, produzindo componentes, fuselagens e cascos para a Blackburn Aircraft Company, uma estratégia que garantiu maior estabilidade econômica. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939–1945), a Saunders-Roe desempenhou um papel crucial no esforço de guerra britânico. Suas linhas de montagem foram dedicadas à construção de aeronaves como o Supermarine Walrus e o Supermarine Sea Otter, além da customização de fuselagens para os Consolidated PBY Catalina, utilizados pela Força Aérea Real (Royal Air Force). Esses contratos não apenas asseguraram a solidez financeira da empresa durante o conflito, mas também consolidaram sua reputação como um importante parceiro da indústria aeronáutica militar. Com o fim da guerra, a Saunders-Roe voltou seu foco para projetos inovadores, financiados com recursos próprios, em um contexto de redução de investimentos governamentais em defesa. Em 1947, a empresa apresentou o conceito pioneiro de um caça a jato anfíbio, o SR.A/1, que, embora tecnologicamente avançado, não avançou além da fase de protótipo devido à falta de apoio financeiro. Em 1951, a Saunders-Roe adquiriu a Cierva Autogiro Company, uma decisão estratégica que marcou sua entrada no mercado de aeronaves de asas rotativas. A empresa continuou o desenvolvimento do W-14 Skeeter, um helicóptero leve originalmente concebido pela Cierva. Após extensos ensaios de voo, que resultaram em melhorias significativas no projeto, o Saunders-Roe W.14 foi lançado oficialmente em janeiro de 1956. Destinado a missões de treinamento, ligação e observação, o W.14 tornou-se o primeiro helicóptero adotado pelo Exército Real Britânico (British Army) e, posteriormente, foi adquirido pelas Forças Armadas da República Federal da Alemanha, consolidando o prestigio da Saunders-Roe no setor aeronáutico.

No início da década de 1960, impulsionada pelos recursos gerados pelo sucesso do W.14, a Saunders-Roe iniciou, com financiamento próprio, o desenvolvimento de uma nova aeronave de asas rotativas de maior porte, o projeto P.531. Esse período coincidiu com uma concorrência internacional lançada pelo Ministério da Defesa do Reino Unido, que buscava adquirir um lote significativo de helicópteros para suas forças armadas. O P.531 foi projetado para oferecer desempenho superior e maior capacidade de transporte de carga útil em comparação com o W.14, posicionando a Saunders-Roe como uma forte concorrente. Em abril de 1958, o primeiro protótipo funcional do P.531 foi concluído, introduzindo um conceito estrutural inovador. O voo inaugural ocorreu em 14 de julho do mesmo ano, seguido por um rigoroso programa de testes que confirmou o potencial da aeronave. Em agosto de 1959, um segundo protótipo do P.531 foi finalizado, equipado com o motor turboeixo Bristol Siddeley Nimbus MK1, mais potente, que elevou o desempenho do helicóptero a novos patamares. Os resultados promissores dos testes atraíram novos investimentos governamentais, garantindo a continuidade do projeto. Contudo, no mesmo ano, a Saunders-Roe foi adquirida pela Westland Aircraft Company, uma transição que redefiniu o futuro do P.531. Sob a nova gestão, o projeto foi reavaliado e redirecionado para atender às demandas específicas do Exército e da Marinha Real Britânica. O Exército Real Britânico (British Army)  buscava um helicóptero leve para tarefas de instrução, ligação e observação no campo de batalha, enquanto a Marinha necessitava de uma aeronave capaz de realizar missões de guerra antissubmarino (ASW) e ligação a partir de fragatas de uma nova classe em processo de incorporação. Percebendo uma oportunidade estratégica, a Westland Aircraft Company posicionou o P.531 como a solução ideal para atender às necessidades das forças armadas britânicas. O projeto foi refinado para incorporar características que o tornassem versátil o suficiente para cumprir as exigências operacionais de ambos os ramos militares, consolidando sua relevância no mercado. A aquisição da Saunders-Roe pela Westland não apenas preservou o legado de inovação da empresa, mas também abriu caminho para o desenvolvimento do P.531, que evoluiria para se tornar o Westland Scout e, posteriormente, o Westland Wasp, helicópteros que desempenharam papéis fundamentais nas operações militares britânicas nas décadas seguintes.
As análises iniciais dos protótipos do P.531 foram conduzidas em um esforço colaborativo que reuniu engenheiros da Westland, especialistas do Ministério da Defesa do Reino Unido e representantes das três forças armadas britânicas. Esse processo meticuloso resultou em um relatório detalhado de análise crítica, que identificou a necessidade de diversas correções e melhorias no projeto original. As recomendações foram integralmente implementadas pela equipe de engenharia da Westland, culminando na criação da versão de pré-produção, designada P.531-2. O voo inaugural do P.531-2 ocorreu em 9 de agosto de 1959, marcando um avanço significativo no programa. Essa aeronave foi projetada com foco nas exigências do Exército Real Britânico (British Army), que buscava um helicóptero leve para missões de instrução, ligação e observação no campo de batalha. A priorização das necessidades do Exército, em detrimento das especificações mais complexas da Real Marinha Britânica (Royal Navy), permitiu uma implementação mais ágil das modificações necessárias. Contudo, o desenvolvimento não parou aí. Em agosto de 1960, após novas revisões, a aeronave passou a incorporar o motor turboeixo Rolls-Royce Nimbus, com 1.150 SHP (cavalos de potência no eixo), que conferiu maior desempenho e confiabilidade. Com essas melhorias, o helicóptero foi homologado para operação e redesignado Westland Scout AH-MC-1. A produção em série do Westland Scout teve início em outubro de 1960, com as primeiras entregas de um contrato de 150 aeronaves ao comando da aviação do exército  partir de março de 1961. O Scout rapidamente se tornou um ativo essencial, destacando-se por sua versatilidade e capacidade de operar em diversos cenários, desde operações de reconhecimento até apoio logístico em campos de batalha. Sua robustez e design compacto o tornaram ideal para as necessidades táticas do Exército Britânico, consolidando a reputação da Westland como uma líder no setor de aeronaves de asas rotativas. Com o sucesso do Scout, a Westland voltou sua atenção para o desenvolvimento de uma variante embarcada, solicitada pela Real Marinha Britânica (Royal Navy) para atender às demandas de guerra antissubmarino (ASW) e missões de ligação a partir de fragatas modernas. Essa nova versão, posteriormente designada Westland Wasp HAS MK, enfrentou desafios significativos durante seu desenvolvimento, especialmente devido às rigorosas especificações técnicas exigidas pela Marinha. Partindo da célula do Westland Scout, os engenheiros da Westland implementaram modificações estruturais substanciais. 

Os esquis originais foram substituídos por um trem de pouso com quatro rodas pivotantes, facilitando operações em plataformas navais. Além disso, um cone de cauda dobrável foi introduzido para otimizar o armazenamento em navios, e a aeronave foi adaptada para carregar e operar dois torpedos leves MK-44, com sistemas de disparo integrados e outras customizações necessárias para o ambiente marítimo.   Os primeiros protótipos da versão navalizada do Westland HAS Mk1 Wasp iniciaram o programa de avaliação e ensaios de voo em 28 de outubro de 1962, sendo homologados e liberados para aquisição a partir de meados do ano seguinte.  As primeiras unidades de produção do Westland Wasp HAS Mk1 foram entregues à Marinha Real Britânica (Royal Navy) em junho de 1963, iniciando uma nova fase de modernização da aviação naval. Para garantir a pronta integração das aeronaves, o treinamento das primeiras turmas de pilotos e instrutores foi imediatamente implementado. Todas as unidades iniciais foram alocadas ao 829º Esquadrão Aéreo Naval (Naval Air Squadron), sediado na Royal Naval Air Station em Culdrose, Cornwall. Esse esquadrão, especializado em operações de helicópteros embarcados, alcançou plena capacidade operacional em janeiro de 1964, marcando o início do emprego efetivo do Wasp em missões navais. Até meados de 1967, a Royal Navy recebeu um total de 98 aeronaves, que passaram a equipar mais três esquadrões aeronavais, reforçando significativamente a capacidade operacional da frota. Embora o design do Westland Wasp HAS Mk1 fosse frequentemente descrito como pouco esteticamente atraente, sua eficiência operacional superou quaisquer críticas ao seu visual. Projetado para operar a partir das fragatas da classe Rothesay e dos modernos navios da classe Leander, o Wasp demonstrou notável versatilidade e confiabilidade em ambientes marítimos desafiadores. Equipado com um trem de pouso de quatro rodas pivotantes e um cone de cauda dobrável, o helicóptero foi otimizado para operações em plataformas navais de espaço limitado, garantindo facilidade de armazenamento e manobrabilidade. O armamento do Wasp reforçava sua importância estratégica no contexto da Guerra Fria. A aeronave era capaz de transportar até dois torpedos guiados Mk 44 ou Mk 46, ou duas cargas de profundidade Mark 44, configurando-o como um vetor eficaz em missões antissubmarino. Surpreendentemente, o pequeno helicóptero também foi adaptado para carregar uma bomba nuclear de profundidade WE.177, com peso de 600 lb (272 kg) e rendimento ajustável entre 0,5 e 10 quilotons, baseada em fissão impulsionada. Essa capacidade, embora nunca utilizada em combate, refletia a gravidade das tensões geopolíticas da época e o papel do Wasp como um componente dissuasor no arsenal naval britânico.
Apesar de ter entrado em serviço na década de 1960, o Westland HAS Mk1 Wasp teve seu batismo de fogo apenas em 1982, durante a Guerra das Falklands-Malvinas. Na campanha, três dessas aeronaves, operando a partir de fragatas da Marinha Real Britânica, participaram de um ataque aeronaval que resultou no afundamento do submarino argentino ARA Santa Fé, na região de Grytviken, nas proximidades da Ilha Geórgia do Sul. Durante esse conflito, os Westland HAS Mk1 Wasp e os Westland Scout, do Exército Real (Royal Army), desempenharam uma ampla gama de missões em apoio às forças britânicas, operando em condições climáticas adversas típicas da região antártica. Antes de seu batismo de fogo em 1982, e apesar da excelente folha de serviços prestados, já estava evidente que a aeronave se encontrava obsoleta diante dos desafios emergentes, especialmente a partir do início da década de 1970. Nesse novo cenário hipotético de guerra aeronaval, destacava-se a crescente ameaça representada pelos submarinos nucleares soviéticos. Tornava-se, portanto, imprescindível o desenvolvimento e a introdução de uma nova aeronave de asas rotativas, que além de oferecer um desempenho operacional superior, contasse com uma sofisticada suíte eletrônica para detecção e orientação de ataques contra navios e submarinos, além de uma capacidade ofensiva ampliada. Dessa necessidade surgiu o projeto do helicóptero multipropósito Westland WG.13, uma plataforma comum destinada a atender simultaneamente às exigências do Exército Real (Royal Army) e da Marinha Real Britânica (Royal Navy). O primeiro protótipo realizou seu voo inaugural em 21 de março de 1971 e, após um rigoroso processo de testes e avaliações, foi liberado para produção. As primeiras unidades das versões Lynx AH.1 (terrestre) e Sea Lynx HAS.2 (naval) foram incorporadas às unidades operacionais das Forças Armadas britânicas a partir de setembro de 1977, substituindo gradualmente as aeronaves mais desgastadas dos modelos Westland HAS Mk1 Wasp e Westland Scout AH-MC-1. Após o término da Guerra das Falklands-Malvinas, em 1982, as aeronaves remanescentes foram designadas exclusivamente para missões de ligação e treinamento. A última unidade em serviço, um Westland HAS Mk1 Wasp, foi retirada do serviço ativo apenas no final de 1988, coincidindo com o descomissionamento da última fragata britânica da classe Type 12, encerrando uma carreira de vinte e quatro anos de serviços prestados à Marinha Real Britânica (Royal Navy). A confiabilidade, flexibilidade operacional e baixo custo de manutenção, especialmente na versão naval, garantiram um relativo sucesso comercial ao modelo. No total, cento e quarenta e duas aeronaves foram exportadas para as marinhas da África do Sul, Nova Zelândia, Holanda, Indonésia, Malásia e Brasil. A produção foi encerrada em 1968, totalizando duzentas e quarenta unidades da versão naval, cujas últimas aeronaves permaneceram em serviço até o ano de 2002.

Emprego na Aviação Naval da Marinha do Brasil
A incorporação de aeronaves de asas rotativas pela Marinha do Brasil representou um marco significativo na modernização de suas capacidades aeronavais, com os primeiros passos dados na década de 1950. Em 1952, a criação da Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM) marcou o início formal desse processo, com a missão de estabelecer a doutrina de emprego para esse novo segmento da aviação naval. A DAerM foi concebida para estruturar as bases operacionais e estratégicas da Aviação Naval, refletindo o compromisso da Marinha em alinhar-se às tendências globais de modernização militar, especialmente no contexto da Guerra Fria, quando helicópteros começaram a desempenhar papéis cruciais em operações marítimas. O avanço seguinte veio em 1955, com a instituição do Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN), uma unidade dedicada à formação de pilotos e à consolidação das capacidades operacionais da Aviação Naval. Nesse mesmo ano, o CIAAN passou a operar três helicópteros Bell 47J, marcando oficialmente o início da era das asas rotativas na Marinha do Brasil. Esses helicópteros, amplamente utilizados em todo o mundo por sua versatilidade e simplicidade, representaram um passo inicial importante, embora modesto, na construção de uma aviação naval robusta. Nos anos seguintes, a frota foi gradualmente ampliada com a incorporação de novas aeronaves, mas a aquisição em quantidades limitadas comprometeu a plena operacionalidade do segmento, restringindo sua capacidade de atender às crescentes demandas da esquadra. Na década de 1960, a situação tornou-se particularmente crítica. A frota de helicópteros da Marinha apresentava índices de disponibilidade alarmantemente baixos, aquém do mínimo necessário para uma força aeronaval moderna. Esse cenário era agravado por problemas mecânicos recorrentes nos motores a pistão, como os Pratt & Whitney R-1340-40 e Alvis Leonides 521/2, que equipavam os helicópteros da época. Esses motores, já obsoletos, sofriam com a falta de manutenção adequada, uma vez que o Brasil não dispunha de oficinas homologadas para realizar reparos complexos. Além disso, a escassez de peças de reposição no mercado internacional, decorrente da descontinuação da produção desses motores em seus países de origem, intensificava os desafios logísticos, comprometendo a prontidão operacional da frota. Diante desse panorama desafiador, a Marinha do Brasil reconheceu a necessidade urgente de modernizar sua aviação de asas rotativas. A decisão foi clara: priorizar a aquisição de helicópteros equipados com motores turboeixo, que ofereciam maior potência, confiabilidade e segurança, além de maior capacidade ofensiva para missões de combate aeronaval. Esses motores representavam um avanço tecnológico significativo em relação aos modelos a pistão, sendo mais adequados às exigências de operações marítimas complexas, como guerra antissubmarino (ASW), transporte de pessoal e reconhecimento visual.

O comando da Aviação Naval da Marinha do Brasil, iniciou, então, um processo meticuloso de seleção para adquirir um helicóptero de pequeno porte, capaz de atender às especificações operacionais e logísticas da Marinha. A escolha da aeronave foi guiada, em grande parte, pela compatibilidade com os conveses reduzidos dos novos contratorpedeiros incorporados à esquadra brasileira. Esses navios, provenientes dos Estados Unidos, pertenciam às classes Allen M. Sumner - FRAM II (Sergipe - D 35, Alagoas - D 36, Rio Grande do Norte - D 37, Espírito Santo - D 38) e Gearing - FRAM I (Marcílio Dias - D 25 e Mariz e Barros - D 26). Projetados para operações modernas, esses contratorpedeiros demandavam helicópteros compactos, mas robustos, capazes de operar em plataformas navais de dimensões limitadas, reforçando a capacidade da Marinha do Brasil de projeção de poder e defesa marítima. Com o objetivo de atender a essa demanda, a Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM) lançou, em 1964, uma concorrência internacional para a aquisição de até cinco helicópteros leves de fábrica, equipados com motores turboeixo. Diversos fabricantes europeus e norte-americanos apresentaram suas propostas, as quais foram minuciosamente analisadas pelo comando da Força Aeronaval.  O processo de seleção contemplou não apenas a avaliação comparativa das características técnicas das aeronaves, mas também a análise das condições comerciais e de financiamento oferecidas. Diante do perfil operacional exigido, a decisão recaiu sobre o modelo Wasp Série 3, produzido pela Westland Aircraft Company.  A escolha foi favorecida pela relação de cooperação já estabelecida entre a Marinha do Brasil e a empresa britânica, especialmente no período de implementação da aviação naval de asas rotativas, em meados da década de 1950. Em maio de 1965, foi celebrado um contrato entre o governo brasileiro e a Westland Aircraft Company prevendo a aquisição de três aeronaves novas de fábrica, derivadas da versão original HAS MK1. O acordo incluía um pacote abrangente de treinamento operacional e de manutenção nas instalações da empresa em Yeovil, no Reino Unido, bem como um extenso lote de peças de reposição. No segundo semestre do mesmo ano, uma comitiva de oficiais e graduados do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1) foi designada para acompanhar o processo na Inglaterra. Naquele momento, as três aeronaves destinadas à Aviação Naval da Marinha do Brasil já se encontravam em estágio avançado de construção, na fase final de montagem na linha de produção da Westland Aircraft Company, na cidade de Hayes. A rapidez na finalização dessas aeronaves se deveu ao fato de que estavam na sequência imediata de produção, logo após a fabricação de um terceiro lote de Westland Wasp HAS MK1 destinados à Marinha Real Britânica (Royal Navy).
Finalmente, em março de 1966, os três helicópteros foram oficialmente entregues a Marinha do Brasil, em uma cerimônia nas instalações da fabricante, recebendo a designação SH-2 e as matrículas 7015, 7016 e 7017. Após serem inspecionadas e formalmente aceitas pela comitiva brasileira, as aeronaves foram desmontadas e preparadas para envio ao Brasil por via naval. Em maio de 1966, foram desembarcadas no porto do Rio de Janeiro e incorporadas à frota da Aviação Naval da Marinha do Brasil. Já nas instalações da Marinha do Brasil, na Base Aeronaval de São Pedro de Aldeia, uma das aeronaves foi imediatamente montada, submetida a ensaios em voo e posteriormente desmontada para ser embarcada em um Lockheed C-130E Hercules da Força Aérea Brasileira (FAB). O helicóptero foi transportado até a Argentina para participar da operação "Amizade", sendo empregado em missões humanitárias em prol das populações das províncias de Chaco e Formosa, duramente atingidas por uma enchente do rio Paraná naquele ano. Durante a operação, o Westland SH-2 Wasp destacou-se ao cumprir com êxito cerca de vinte e cinco horas de voo em missões de busca e salvamento (SAR) e evacuação aeromédica. Por tratar-se da mais nova aeronave da Marinha do Brasil e do primeiro helicóptero equipado com motor turboeixo em operação no país, a fase inicial das operações com o Westland SH-2 Wasp, popularmente conhecido como "Abelha", foi envolta em um certo prestígio, sendo tripulado apenas pelos pilotos mais experientes do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1), enquanto os mais novos eram designados para a operação das aeronaves mais antigas do esquadrão. No entanto, em 15 de julho de 1967, um acidente resultou na perda total do SH-2 Wasp 7016, tornando necessária a aquisição de uma nova aeronave para recompor a frota do esquadrão. A negociação foi conduzida pelo adido naval brasileiro em Londres, culminando na aquisição de uma aeronave usada do modelo Wasp HAS MK1 (c/n F.9542, ex-XS746), oriunda dos estoques da Marinha Real Britânica (Royal Navy). Curiosamente, essa nova célula recebeu a mesma matrícula do helicóptero acidentado. Nos anos seguintes, os Westland SH-2 Wasp passaram a operar a partir dos conveses do porta-aviões léve Nael Minas Gerais (A-11), dos cruzadores da classe Brooklyn Tamandaré (C-12) e Barroso (C-11), e dos navios hidrográficos Canopus (H-22) e Sirius (H-21), substituindo os Kawasaki 47G-3B (1-H-1). A partir de 1973, com a transferência de seis contratorpedeiros norte-americanos das classes Gearing FRAM I e Allen M. Sumner pela Marinha dos Estados Unidos (US Navy), a vida operacional dos Westland SH-2 Wasp passaria por uma significativa transformação. Essas embarcações foram originalmente concebidas para operar aeronaves remotamente pilotadas do tipo Gyrodyne QH-50 DASH (Drone Anti-Submarine Helicopter – Helicóptero Antissubmarino Não Tripulado) e possuíam pequenos hangares a bordo. Embora o programa DASH não tenha atingido as expectativas, as modificações realizadas nessas embarcações permitiram a operação embarcada de helicópteros de pequeno porte. No contexto da Aviação Naval da Marinha do Brasil, essa adaptação viabilizou o treinamento dos Westland SH-2 Wasp em missões embarcadas de maior duração, consolidando a capacidade operativa desses helicópteros a bordo das novas embarcações. 

A modernização da Aviação Naval da Marinha do Brasil alcançou um marco significativo em 18 de abril de 1975, com o primeiro pouso de um helicóptero Westland Wasp HAS Mk1, designado SH-2 Wasp, a bordo do contratorpedeiro Mariz e Barros (D-26), da classe Gearing - FRAM I. Esse evento histórico marcou o início de uma nova era para as operações aeronavais brasileiras, consolidando a integração de helicópteros em plataformas navais de pequeno porte. A partir desse feito, a Marinha deu início a um programa abrangente de ensaios operacionais, culminando na homologação do SH-2 Wasp para operações embarcadas em 10 de fevereiro de 1976. Nessa data, o contratorpedeiro Sergipe (D-35), da classe Allen M. Sumner - FRAM II, também recebeu pela primeira vez um helicóptero desse modelo, demonstrando a compatibilidade da aeronave com os conveses customizados dos navios brasileiros. Os resultados operacionais positivos da combinação entre o SH-2 Wasp e os contratorpedeiros incentivaram o comando da Força Aeronaval a buscar a expansão da frota. No entanto, a Westland Aircraft Company havia encerrado a produção do Wasp HAS Mk1 em 1975, o que levou a Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM) a iniciar, em março de 1977, negociações para adquirir sete aeronaves usadas da mesma versão, pertencentes à reserva técnica da Marinha Real Britânica (Royal Navy). Essas aeronaves, com números seriais F9589, F9728, F9575, F9603, F9557, F9674 e F9569, fabricadas entre 1963 e 1969, estavam em bom estado de conservação e com poucas horas de voo, uma vez que a Royal Navy começava a desativá-las em favor do mais moderno Westland Sea Lynx HAS.2. A primeira dessas aeronaves chegou ao Brasil em agosto de 1977, transportada a bordo da fragata Niterói (F-40), com as demais unidades sendo recebidas em intervalos regulares até o final de 1979. Ao serem incorporadas à Aviação Naval, receberam as matrículas N-7036 a N-7042. Diferentemente das unidades adquiridas anteriormente, essas aeronaves estavam configuradas para operar com torpedos MK-46 e mísseis ar-superfície Nord SS.11(M) e SS.12(M). Contudo, os mísseis não foram adquiridos pela Marinha do Brasil, que optou pelo uso de lançadores de foguetes não guiados Aviabras SBAT-37/7, de 37 mm, de fabricação nacional. Apesar de seu porte reduzido, que limitava a instalação de equipamentos eletrônicos autônomos para detecção de submarinos e navios, o SH-2 Wasp, carinhosamente apelidado de "Abelha" pelos militares brasileiros, provou ser um vetor eficaz em missões de guerra antissubmarino (ASW) e antinavio (ASM). Vetorados pelos sensores dos navios, os helicópteros utilizavam torpedos MK-44 e, posteriormente, os mais avançados MK-46, ampliando significativamente a capacidade da Marinha em operações antissubmarino. A integração do SH-2 Wasp à Força de Contratorpedeiros representou um avanço estratégico para a Marinha do Brasil, especialmente no contexto da Guerra Fria, quando a ameaça de submarinos era uma preocupação central para as marinhas ocidentais. A decisão de concentrar as operações do Wasp nos contratorpedeiros permitiu otimizar o uso dessas aeronaves em missões de combate, enquanto as tarefas de levantamento hidrográfico foram delegadas aos recém-adquiridos helicópteros Helibras UH-12 Esquilo, mais adequados para operações de menor complexidade. 
Contudo, apesar de seus resultados operacionais positivos, ficou evidente, no final daquela década, que o SH-2 Wasp já não atendia plenamente às demandas do combate aeronaval moderno. Sua obsolescência tornou-se particularmente clara com a incorporação dos navios da classe Niterói, fragatas especializadas em guerra antissubmarino e antissuperfície, equipadas com sistemas eletrônicos de última geração. Esses navios, adquiridos a partir de 1976, exigiam vetores aéreos mais avançados, capazes de operar em sintonia com as capacidades tecnológicas das embarcações e de responder às exigências do cenário estratégico global da Guerra Fria. Para atender a essa necessidade, a Marinha do Brasil encomendou, em 1977, nove helicópteros Westland-Aérospatiale HAS.21 Lynx, considerados os mais avançados em seu segmento operacional. As primeiras unidades começaram a ser entregues em meados de 1978, marcando o início de uma transição significativa na Aviação Naval. Com a chegada dos Lynx, o papel do SH-2 Wasp foi redefinido. As aeronaves foram redesignadas UH-2 Wasp e passaram a ser empregadas prioritariamente em missões de transporte e ligação, com o 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1), sediado em São Pedro da Aldeia, Rio de Janeiro, especializando-se nesse novo escopo de operações. Além de continuarem a operar nos contratorpedeiros da esquadra, como os da classe Allen M. Sumner - FRAM II e Gearing - FRAM I, os UH-2 Wasp assumiram um papel crucial como aeronaves de resgate (designadas "Pedro") a bordo do navio-aeródromo ligeiro NAeL A-11 Minas Gerais, ampliando sua versatilidade em operações navais. Um dos momentos mais emblemáticos da história do Wasp na Marinha do Brasil ocorreu durante a Operação Antártica I (Operantar I), em 1983. Nesse ano, o helicóptero UH-2 Wasp, de matrícula N-7040, tornou-se a primeira aeronave militar brasileira a operar no continente antártico, embarcado no navio de apoio oceanográfico Barão de Teffé (H-42). Esse feito histórico não apenas destacou a capacidade da Marinha do Brasil de projetar poder em ambientes extremos, mas também simbolizou o pioneirismo e a determinação dos militares brasileiros em expandir as fronteiras operacionais do país. Apesar de sua importância, o desgaste operacional e a obsolescência natural começaram a impactar a frota de UH-2 Wasp ao longo da década de 1980. Problemas como a dificuldade de manutenção, devido à escassez de peças para os motores turboeixo e outros componentes, reduziram a frota a apenas quatro aeronaves operacionais. Esse cenário levou o comando da Aviação Naval a avaliar o futuro do modelo, considerando a idade avançada das células remanescentes e a limitada disponibilidade da frota. Em 3 de outubro de 1990, a Portaria Nº 0007 do Ministério da Marinha formalizou a desativação definitiva do UH-2 Wasp . As aeronaves remanescentes, de matrículas N-7016, N-7039 e N-7040, foram destinadas à preservação histórica, sendo incorporadas às coleções do Museu Aeroespacial (Musal), no Rio de Janeiro, e do Museu da Aviação Naval, em São Pedro da Aldeia.

Em Escala.
Para representarmos o  Westland HAS MK1 (SH-2 e  UH-2)  Wasp "MB 7039",  empregamos o antigo e raríssimo kit produzido pela Fujimi na escala 1/48. Este modelo apresenta um nível espartano em termos de detalhamento, necessitando assim aprimoramentos em scratch tanto no interior quanto no grupo motriz . Fizemos uso de decais confeccionados pela  FCM Decais presentes no antigo Set 48/11, sendo esta edição há muito tempo descontinuada pelo fabricante.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregados nas aeronaves Westland SH-2 Wasp HAS MK1, sendo adotado ao final da década de 1980. Como derivação deste esquema, podemos citar as células que provisoriamente empregaram as marcações de alta visibilidade em vermelho, quando em operação junto ao Programa Antártico Brasileiro (Proantar).

Bibliografia
- Westland Wasp -  Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Westland_Wasp
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 - 2015 – Jackson Flores Jr
- Westland HAS MK-21 - Aviação Naval Brasileira - http://www.naval.com.br/anb/ANB-aeronaves/Westland_Wasp/Westland_Wasp.htm

Piranha IIIC Mowag (VtrBldEspSR )

História e Desenvolvimento.
A Mowag GmbH, originalmente denominada Mowag Motorwagenfabrik AG, foi fundada em 1950 na cidade de Kreuzlingen (TG), Suíça, como uma empresa privada pelo engenheiro Walter Ruf. Nos anos subsequentes, a empresa desenvolveria uma ampla variedade de veículos, incluindo ambulâncias, caminhões de bombeiros, como o Mowag W300, veículos elétricos, scooters, tanques rastreados e até mesmo veículos fictícios para treinamento militar. Inicialmente, seu maior sucesso comercial foi o Mowag T1 4×4, um veículo de transporte de tropas produzido em diversas configurações, incluindo versões com rampa de carga aberta e modelos fechados para comunicações via rádio. Ao todo, foram entregues mil e seiscentas unidades ao Exército Suíço (Schweizer Armee). Posteriormente, a empresa firmou contratos com a Alemanha, resultando na produção de setecentos e cinquenta veículos blindados com rodas Mowag MR série 8 para a Bundesgrenzschutz (Guarda de Fronteira Federal Alemã). Esses veículos também seriam posteriormente utilizados pela Espanha e fabricados sob licença na Alemanha. A Mowag tornou-se reconhecida pelo desenvolvimento de veículos blindados com tração integral, incluindo modelos construídos sob licença da Thyssen e Bussing/Henschel. Na sequência, a empresa lançou diversas séries de veículos de alta potência sobre rodas e esteiras para o mercado global. Entre os destaques, figuram os veículos utilitários fornecidos à empresa estatal Swiss Post, incluindo o Mowag Einsatzfourgon, notável por contar com um motor V8 a gasolina – originalmente projetado para um veículo blindado – instalado no piso do veículo. No segmento civil, a Mowag se destacou na construção de veículos de combate a incêndios, fabricando diversas gerações de caminhões de bombeiros baseados em chassis e conjuntos mecânicos de utilitários produzidos pela Dodge Motor Co. Durante a década de 1960, a empresa expandiu suas operações para o segmento de caminhões pesados, sendo um dos principais modelos o Mowag M5-16F, com capacidade de 16 toneladas. No final da mesma década, a empresa foi contratada pela Força Aérea Suíça (Schweizer Luftwaffe) para desenvolver um trator de aeronaves que atendesse às necessidades operacionais dos interceptadores franceses Mirage IIIS e RS, resultando no lançamento do Mowag-AEG. Por várias décadas, a Mowag GmbH foi a única importadora do utilitário norte-americano Dodge Ram Wagon para a Suíça, realizando conversões desses veículos para aplicação em combate a incêndios, forças policiais e serviços de emergência médica. Todos esses modelos foram comercializados sob a marca Mowag, com a empresa também atuando na distribuição de peças de reposição da Dodge para o mercado suíço.

No início da década de 1970, a diretoria da Mowag GmbH passou a antecipar as demandas das forças armadas suíças e do mercado internacional, direcionando recursos próprios para o desenvolvimento de um veículo modular blindado sobre rodas. O projeto buscava enfatizar baixos custos de ciclo de vida, elevada confiabilidade e alta disponibilidade operacional. O primeiro protótipo do Piranha Modelo IB, na versão 6X6, foi concluído em maio de 1972 e incorporava diversas inovações técnicas, incluindo um sistema de suspensão independente, unidade de potência compacta posicionada na dianteira direita e um sistema de propulsão anfíbia baseado em duas hélices. Seu casco, integralmente construído em aço soldado RHA, previa a inclusão de proteção NBC (Nuclear, Biological, Chemical). O design da seção frontal era multifacetado, apresentando uma coluna central e polígonos laterais que uniam o nariz aos lados inclinados da estrutura. A parte traseira do veículo possuía uma leve inclinação para baixo, acomodando as portas de acesso principais. A blindagem da estrutura base oferecia proteção contra fogo de armas pequenas e estilhaços de artilharia, com uma espessura estimada entre 6 e 8 mm. O compartimento do motor, localizado no lado direito do veículo, possuía grades de ventilação e exaustão posicionadas na parte superior. A transmissão e a caixa de câmbio estavam instaladas na parte frontal, enquanto o compartimento de tropas situava-se na seção traseira, onde também se localizava o sistema de armamentos operado por um dos tripulantes. O veículo possuía uma capacidade de carga aproximada de 3 toneladas, comportando entre cinco e seis soldados de infantaria totalmente equipados. O modelo era propulsionado por um motor Mowag diesel de 6 cilindros refrigerado a água, com potência de 275 hp (202 kW), acoplado a uma robusta transmissão planetária automática Allison MT-653 de 6 velocidades. Para otimizar a distribuição da tração, o veículo utilizava pneus 13,00 × 20 com tecnologia run-flat. Dependendo da versão, o sistema de direção poderia ser aplicado a um único eixo (geralmente o dianteiro) ou a dois eixos (tipicamente o primeiro e o último). Nas variantes mais avançadas, como o Piranha III, foram introduzidas suspensões hidropneumáticas ativas. O veículo atingia uma velocidade máxima de 100 km/h em superfícies planas, enquanto sua velocidade anfíbia era de aproximadamente 10 km/h. O tanque de combustível, com capacidade para 300 litros de diesel, proporcionava uma autonomia operacional entre 750 e 800 km. Conforme a necessidade do cliente, o veículo podia ser configurado com diferentes motores e transmissões, geralmente de origem norte-americana. O protótipo foi demonstrado em diversas configurações, apresentando variações em motorização, armamentos e sistemas eletrônicos, conforme as especificações de clientes potenciais. A versatilidade da plataforma possibilitou o desenvolvimento de versões especializadas, incluindo veículos de defesa aérea, ambulâncias, veículos antitanque, transportes de tropas (APC), veículos de carga, unidades de comando e controle, guerra eletrônica, apoio de fogo, segurança interna, porta-morteiros, veículos de recuperação e unidades de reconhecimento, entre outras variantes.

Naturalmente o Mowag Piranha I 6X6 seria adotado pelas forças armadas suíças, com versões destinadas para atendimento as tarefas de transporte de tropas, ambulância, veículo de comando e caça tanques, com este último armado com o míssil antitanque BGM-71 TOW, recebendo a designação de Mowag Grenadier.  O primeiro contrato de exportação seria celebrado com o governo canadense, que selecionaria o modelo para produção local sob licença com modelo AVGP Grizzly destinado a tarefas de transporte de tropas e o AVGP Cougar para missões de reconhecimento de campo equipado com uma torre Vickers armada com um canhão de 76 mm.  Em 1983 seria celebrado um contrato com o governo chileno para a produção sob licença da versão 6X6, sendo empregados pelo Exército do Chile, com este sendo seguidos por outros, logo o modelo tornaria um sucesso registrando mais de 2.000 carros entre entregas e encomendas. Os recursos gerados permitiram estender a família sendo desenvolvidas as versões 4X4 e 8X8, com primeiro modelo sendo apresentado em 1974, o MOWAG Piranha 4×4 IB, um veículo leve e ágil projetado para as tarefas de reconhecimento e ataque como o Grenadier e Spy. Seria projetado também para as demandas da polícia na contenção de distúrbios urbanos. Seu protótipo passaria por inúmeros testes e recebeu diferentes equipamentos e diferentes motores, porém devido ao rápido desenvolvimento tecnológico e ajustes de demanda, esta versão seria preterida, com seu desenvolvimento logo cancelado. A versão mais exitosa da família com tração 8X8 nasceria de uma demanda para um veículo maior que apresentasse maior capacidade de carga, com a primeira oportunidade surgindo em uma concorrência no Canadá durante o ano de 1974. As especificações deste processo denominado como Light Armoured Vehicle (LAV), envolviam um veículo flexível que pudesse ser adaptado para servir em muitos estilos diferentes de conflito, devendo ser adquiridos em grande número em quatro versões básicas. A Mowag GmbH em parceria com a General Motors Diesel Companny  apresentaria uma vantajosa proposta para a produção local na fábrica em Ontario, com este modelo sendo declarado vencedor da concorrência em março de 1976. No início da década seguinte, a empresa devido ao grande sucesso da versão 8X8, seriam destinados mais recursos no aprimoramento desta família, levando ao alongamento do casco em 290 mm proporcionando mais espaço interno.   

Também a nova versão, já designada como Piranha II receberia uma blindagem atualizada, um compartimento do motor mais modular, transmissão revisada, pneus mais fortes e maiores e melhor sistema de frenagem. As extensões laterais garantiriam mais espaço interno, portas adicionais para pistolas e proteção.  Para mobilidade, o blindado poderia ser equipado com os motores Detroit Diesel 6V-53T Silver (275 hp), 6V-53TA Silver (350 hp) ou ainda Cummins 6 CTA 8.3 (300 hp). Há também um sistema automático de detector/extintor de incêndio. As suspensões incluíam molas helicoidais independentes nos dois eixos dianteiros direcionais e amortecedores nos dois traseiros. O equipamento opcional incluía um revestimento NBC (Nuclear, biological, chemical) coletivo completo, ar-condicionado e dispositivos de visão noturna. A estação de armas Giat Industries TS 90 desenvolvidas para o Mowag revelada na Eurosatory 1986, compreendia um canhão principal de média velocidade de 90 mm capaz de disparar cartuchos APFSDS-T, HEAT-T, HE, fumaça e cartuchos com um total de 43, incluindo 18 prontos na torre. Foi acoplado a um coaxial de 7,62 mm. As especificações são: 6,98 m x 2,63 x 1,83 m para 14 toneladas. Neste mesmo período o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha dos Estados Unidos (US Marine Corps) começaria a buscar um veículo blindado leve para dar maior mobilidade às suas divisões. Em uma concorrência internacional a proposta vencedora seria representada pelo consórcio General Motors Diesel & Mowag GmbH, com o modelo LAV-25, tendo seu projeto sendo baseado no Veículo Blindado de Uso Geral (LAV I) do Exército Canadense, neste momento seria celebrado um acordo para a aquisição inicial de 969 veículos de todas as variantes. Seu batismo de fogo se daria durante a invasão do Panamá em 1989 e continuaram servindo na Guerra do Golfo, na Guerra do Iraque e na Guerra do Afeganistão. Versões atualizadas como o LAV-25A2 e LAV-25A3 devem permanecer em serviço até o ano de 2035, quando devem passar a ser substituídos pelos novos veículos de reconhecimento avançado. Em 1994 a empresa apresentaria ao mercado o Piranha III *x*, que seria conhecido com o principal veículo da família, recebendo o maior número de contratos de exportação, neste momento a   configuração 4 x 4 seria descartada, mas a 6x6 foi mantida e nova 10x10 seria desenvolvida. Como carro-chefe da empresa a versão 8X8 , seria totalmente reformulado, com ênfase em uma construção composta, casco mais leve e compacto, mas mais bem protegido para maior mobilidade. O volume interno e a carga útil também são amplamente otimizados em comparação com o casco (11,8 m3), e a modularidade seria levada adiante. O Piranha III poderia ser aerotransportável, principalmente pelos Lockheed C-130 Hércules, o que lhe conferiria uma grande variedade de possibilidades de implantação estratégica. Além de diversas inovações estes veículos poderiam operar com uma gama cada vez maior de armamento, culminando com uma torre de 105 mm operada remotamente que fornece uma capacidade clara de caçador de tanques, fazendo uso de diversas munições padronizadas pela OTAN. 
Em janeiro de 2004 a Mowag Motorwagenfabriken seria adquirida pela General Dynamics - European Land Systems passando a integrar a GM Defense (Londres, Canadá), e a quarta empresa europeia a compor este consórcio, agora com sede em Espanha. Esta família de blindados também seria construída sob licença pela General Dynamics Land Systems - Canadá (LAV-III) e no Reino Unido pela BAE Systems Land Systems. A versao Piranha IIIC apresentaria um novo nível de proteção opcional com o Saab Avitronics LEDS, que compreende um sistema de sensores e dispensador (contramedidas) eficaz contra IEDs e RPGs. O compartimento do motor modular pode receber um MTU alemão 6V183TE22 (400 cv), sueco Scania DSJ9-48A (400 cv), US Caterpillar 3126 (350 cv), britânico Cummins 6CTAA8.3-T350 (350 cv) ou US Detroit Diesel 6V53TA (350 cv). Existe um sistema hidropneumático com ajustes auto-adaptativos eletrônicos, sistema centralizado de enchimento de pneus (CTIS) e sistema de freio antitravamento (ABS). Em 2007 seria lançado no mercado o Piranha IV, desenvolvido a partir de seu antecessor, enfatizando uma melhor proteção, sendo mais pesado com 25 toneladas de combate carregado e armado normalmente com uma metralhadora de 30 mm e 7,62 mm LMG. Seus cascos com características de RHA de alta dureza e há pacotes modulares de nível B, além disso, que fornecem uma proteção total contra cartuchos AP de HGMs de 14,5 mm, contra cartuchos de 30 mm no arco frontal e possui pisos de casco protegidos contra minas terrestres (8 kg de TNT equivalente). Além de ser equipado com o sistema de proteção NBC (Nuclear, biological, chemical), podia receber uma tinta de revestimento externo para reduzir sua assinatura térmica. Dependendo da carga útil, ele pode transportar de seis a dez soldados de infantaria totalmente equipados. É impulsionado por um diesel turboalimentado MTU desenvolvendo 544 cv acoplado a uma transmissão ZF-7, para uma velocidade máxima de 100 km/h e alcance de 750 km. Em 2007 seria lançada oficialmente no EUROSATORY 2010 o modelo Piranha V, apresentando peso final entre 25 a 30 toneladas, além de dispor uma maior área interna de transporte, pode ser equipado com uma nova arquitetura eletrônica aberta. Muitos novos recursos de proteção são fornecidos após a experiência no Iraque e no Afeganistão, como assentos integrados protegidos contra minas e placas de casco moldadas. Há uma proteção geral contra RPGs, canhões de 30 mm no arco frontal e cartuchos AP de 14,5 mm ao redor. Há, além disso, um conjunto de auxílios defensivos e proteção contra IEDs. É impulsionado por um MTU 6V199 TE20 550 hp diesel. Ao longo dos anos está família de blindados ser tornaria um sucesso de vendas, sendo operados pela Arábia Saudita, Austrália, Bélgica, Botswana, Brasil, Canadá, Chile, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Gana, Irlanda, Libéria, Nova Zelândia, Nigéria, Omã, Catar, Romênia, Serra Leoa, Suécia, Suíça e Uruguai. 

Emprego na Marinha do Brasil.
A utilização de veículos blindados sobre rodas no Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN), tem inicio em 1973 quando seriam incorporados os primeiros Engesa EE-11 Urutu a fim de dotar o recém-criado Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz). Três anos mais tarde seria celebrado um contrato para a aquisição de seis Engesa EE-9 Cascavel que seriam designados como "Carro de Combate Leve Sobre Rodas" (CCL-SR), passando todos este a serem concentrados junto a Companhia de Viaturas Anfíbias do Batalhão de Transporte Motorizado, unidade subordinada diretamente a Comando da Divisão Anfíbia. No entanto em operação estas viaturas seriam avaliadas como poucos eficazes nas operações de desembarque anfíbio, principalmente devido sua tração por rodas que acarretava problemas de trafegabilidade em certos tipos de terreno como as faixas de praia. Apesar desta limitação tanto o EE-9 Cascavel, quanto o EE-11 Urutu acabariam sendo fundamentais na tarefa de servir como embrião da doutrina de utilização de veículos blindados para o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN). Neste contexto como solução a esta limitação operacional, os Engesa EE-11 Urutu passariam a ser gradualmente substituídos em 1978, pela nova Viatura Blindada Especial Sobre Lagartas M-113A1 de transporte de pessoal. Desta maneira o temporariamente a Marinha do Brasil abandonaria o emprego veículos blindados sobre rodas junto a Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE). O contexto para a adoção novamente de um veiculo blindado sobre rodas se daria em 2003, com a participação do país na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH).  Nesta operação o contingente brasileiro compostos por militares do Exército Brasileiro faria uso dos Engesa EE-11 Urutu, os empregando em atividades policiais, servindo no transporte das tropas para ocupação de áreas sob domínio de gangues, circunstâncias em que os enfrentamentos passariam a ser praticamente inevitáveis. Desta maneira imersos em um cenário de conflagração assimétrico e urbano, os blindados brasileiros em engajamentos cada vez mais frequentes passariam a alvos das armas leves e médias das gangues haitianas, descortinando a necessidade da aplicação de algumas adaptações e melhorias, entre estas a inclusão de uma torre blindada para o operador da metralhadora e motorista. Apesar destas adequações, clarificou-se que o sistema de blindagem original do Engesa EE-11 Urutu, já não oferecia mais um nível de proteção adequada contra munições perfurantes especiais, levando assim a decisão de substituir o emprego desta veterana viatura nas áreas de maior risco, por um novo modelo que pudesse proporcionar segurança à integridade física de nossos combatentes. Inicialmente pensou-se em operar as viaturas blindadas de transporte de pessoal M-113 tanto do Exército Brasileiro quanto do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN), porém com o intuito de não degradar ainda mais a precária malha viária existente no país, foi decidido que não seriam levadas viaturas sobre lagartas para a Área de Operações.  

Desta maneira caberia a Marinha do Brasil buscar uma solução e assim como não existiam, naquele momento, viaturas blindadas sobre rodas com sistema de tração 8×8 e dotadas de tecnologia atual, para que fossem comercializadas e fornecidas por qualquer fabricante nacional, seriam realizados estudos no mercado internacional. Dentro desse quadro, em novembro de 2005, teria início o de obtenção de uma Viatura Blindada Sobre Rodas, que fosse moderna tecnologicamente, com disponibilidade de rápida entrega, cujo emprego fosse reconhecidamente aprovado por outros países e, principalmente, fosse capaz de atender àquela iminente demanda operacional. Destaca-se que uma obtenção desse porte envolve um minucioso detalhamento dos requisitos operacionais, a observância a dispositivos legais que regem as normas para realização de uma licitação internacional. No início de 2006 seria deflagrada concorrência, prevalecendo em termos de custo de aquisição e prazo da entrega a proposta apresentada pela MOWAG GmbH - General Dynamics European Land Systems com seu modelo Piranha IIIC. Um primeiro contrato seria celebrado para quatro viaturas de transporte de pessoal e uma de socorro a um custo de US$8.512.240,00, envolvendo ainda um completo pacote logístico e de treinamento. Na configuração adquirida, a blindagem dessa viatura oferece proteção à tropa embarcada contra estilhaços de granadas e minas antipessoal, bem como dos tiros de até 12,7mm, desde que disparados a distâncias médias, podendo ainda receber a aplicação de blindagem adicional nas laterais. Em termos de poder de fogo a viatura pode fazer uso de metralhadora calibre.50, metralhadora automática a gás 7,62 mm (MAG), metralhadora 5,56 mm MINIMI ou lançador de granada 40 mm (LAG SB-M2 40 mm), que pode ser fixado em seu reparo multifuncional Platt MR550 Basic Turret, provendo base de fogos que permite apoiar a tropa de infantaria no assalto às posições inimigas e, na defensiva, bater, com fogos rasantes e de flanqueamento, as possíveis vias de acesso do inimigo.  Mesmo sendo uma viatura sobre rodas, possui boas condições de deslocamento através de campo, devido à existência de um Sistema Central de Calibragem dos Pneus (Central Tire Inflation System – CTIS), que ajusta a pressão dos pneus (a prova de balas) à natureza do solo. Possui ainda elevada mobilidade, particularmente sobre eixos apoiados por estradas e em ambiente urbano, proporcionada pelo seu sistema de tração 8x8, aos dois eixos direcionais e elevada potência do motor. Dispunha ainda de um potente sistema de ar-condicionado, proporcionando maior conforto à tropa; e seu motor a diesel Caterpillar C-9 3126 com 400 hp de potencia que lhe proporcionaria uma autonomia de 800 km e velocidades de até 100km/h em terra e 10 km/h em travessia de pequenos cursos d’água; além de outras possibilidades operacionais. 
As dimensões, peso, armamento e equipamentos de comunicações da variante de Socorro são iguais às da versão de Transporte de Pessoal (inclusive possui também o NAP5-11 e o LIRD). Ela é guarnecida por dois operadores e dois mecânicos. Seu guincho tem tração máxima de 8 toneladas, capacidade máxima à frente de 16 toneladas capacidade máxima à retaguarda de 7 toneladas, já seu guindaste tem capacidade máxima de 3,75 toneladas. Os primeiros quatro Mowag Piranha IIIC foram incorporadas ao Batalhão de Blindados de Fuzileiros Navais (BtlBldFuzNav) em 20 de agosto de 2007, passando à subordinação temporária da Companhia de Viaturas Blindadas  (CiaVtrBld). No início do ano de 2008, seria recebida no Brasil uma viatura da versão de socorro. Salienta-se que estas viaturas foram recebidas com o esquema de pintura total em branco característico dos veículos empregados nas missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). Um dos aspectos positivos de poder contar com suas próprias viaturas reside no fato de se terem ampliadas as possibilidades de realização de adestramentos pré-operacionais ainda no Brasil – permitindo a familiarização dos procedimentos tanto da guarnição quanto da tropa embarcada. Anteriormente, recebia-se o apoio de blindados não pertencentes ao inventário, inclusive de outros países, existindo, muitas vezes, dificuldades para comunicação e adoção de procedimentos padronizados. Tal condição obrigava a frequente realização de briefings para instruir a tropa como proceder com aquele determinado meio em apoio e a respectiva guarnição, dispendendo precioso tempo para algumas ações. Em fevereiro deste mesmo ano os cinco veiculo agora denominados como Viatura Blindada Especial Sobre Rodas (VtrBldEspSR) 8x8 PIRANHA IIIC seriam embarcadas para o Haiti, com a finalidade de apoiar o Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais-Haiti na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH). Sua primeira operação real ocorreria no dia 08 de março de 2008, quando estas viaturas foram chamadas as pressas para ajudar no patrulhamento e apoio ao Ponto Forte 16 em Cite Soleil, um bairro pobre da capital do país, resgatando alguns membros da Embaixada Brasileira no aeroporto internacional, levando-os para um local seguro. Neste mesmo dia três VtrBldEspSR Piranha IIIC se deslocariam para o Palácio Nacional a fim de dar suporte as tropas brasileiras, jordanianas e a policia local que se encontravam em confronto com uma multidão de manifestantes, criando uma área de proteção em volta do objetivo. Esta missão perduraria até o dia seguinte com os blindados brasileiros fornecendo suporte as operações e realizando tarefas de transporte de feridos, tropas e munições. Neste cenário o Piranha IIIC provou ser um meio de alta confiabilidade, capaz de propiciar à tropa condições de reagir com rapidez e segurança. A incorporação das novas viaturas blindadas ao GptOpFuzNav-Haiti aumentou significativamente a visibilidade de nossas forças na área de responsabilidade, que é um aspecto muito positivo em uma missão dessa natureza. 

O excelente desempenho do Mowag Piranha IIIC durante a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), levaria a Marinha do Brasil a ampliar a sua frota em 2007, procedendo a aquisição de mais oito unidades na versão de transporte, que seriam recebidos entre 2008 e 2009, possibilitando assim aplicar um sistema de rodízio com as viaturas em utilização junto ao Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais-Haiti na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti. Antes mesmo do recebimento deste novo lote, a Marinha do Brasil definiria o Mowag Piranha IIIC 8X8 se tornaria o blindado padrão sobre rodas do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN). Assim em 28/10/2008 seria publicado no Diário Oficial do Extrato de Dispensa de Licitação - Processo 10/08, oficializando a compra de mais dezoito Viatura Blindada Especial Sobre Rodas desta família. Algumas customizações seriam solicitadas ao fabricante, destacando a instalação de uma bacia de lona destinada a recolher boa parte dos cartuchos utilizados, como forma de proteger a guarnição caso tenha de andar sobre o veiculo, evitando que se pise ou escorregue nos cartuchos ejetados, com esta demanda feita com base na experiencia de emprego com os Engesa EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu. Também seria solicitado ao fabricante a instalação de uma base metálica cilíndrica na lateral da torre onde fosse possível acoplar um holofote para emprego em operações noturnas urbanas, o qual devia possuir uma bateria recarregável que permitiria seu uso em fio por duas horas, podendo ser recarregado no interior do veiculo. Destes cinco seriam viaturas seriam equipadas com um suplemento balístico sobre a torre Allan Platt MR550, fechando-a totalmente, concedendo melhor proteção ao operador, mantendo ainda possibilidade de emprego dos sistemas de armas padrão da viatura como as metralhadoras Browning calibre .50 e MAG calibre 7.62 mm e lança granadas espanhol Santa Barbara de 40 mm. Três viaturas estariam equipadas com uma lâmina frontais do tipo "bulldozer" para a remoção de obstáculos, as demais já disporiam dos pontos de fixação para um complemento futuro a aquisição de um kit nacional. Por fim das cinco restantes, duas seriam da versão de socorro, uma na versão ambulância, a primeira da América Latina (com perfil mais alto) e duas na versão de comando, similar a versão espanhola. A Viatura Blindada Especial Sobre Rodas - Comando possuía capacidade de operação, no compartimento do Estado-Maior, de até seis redes em VHF, uma rede em HF e uma rede em VHF/UHF. Existe, ainda, uma unidade do equipamento rádio VHF destinada exclusivamente a prover o comando e controle entre os veículos. Estes equipamentos permitem que as viaturas operem de forma adequada com os meios navais e aeronavais e, se utilizadas simultaneamente, permite o emprego em um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais de valor Brigada Anfíbia. Associada a esta capacidade, é possível utilizar a funcionalidade GPS, adquirida pela Marinha do Brasil, para a transmissão e a recepção de dados de localização de forma remota, características estas, essenciais para o emprego em um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais (GptOpFuzNav). 
Seu cronograma de entrega seria definido para ocorrer entre os anos de 2010 e 2014, com as viaturas sendo recebidas no esquema de camuflagem tática empregada pelo Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN), agora diferente das aplicadas nas viaturas do primeiro e segundo lotes que eram destinadas a operação no Haiti. Vale ressaltar ainda o emprego dos Mowag Piranha IIIC VtrBldEspSR  8x8 em território nacional, com sua primeira participação ocorrendo no final de 2008, quando foram utilizadas na Operação Voto Livre, no Rio de Janeiro. As viaturas integraram um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais (GptOpFuzNav) que recebeu a tarefa de prover segurança nas áreas designadas pela Justiça Eleitoral (Vila do João, Comunidade do Salgueiro, São Gonçalo e Complexo do Alemão), para garantir a regularidade do processo eleitoral. Em 2010 novamente estes blindados se fariam presente em um cenário de conflagração urbano agora durante as ações de garantia da leia e da ordem (GLO) na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão na cidade do Rio de Janeiro. Neste contexto seriam empregues quatro viaturas e a imagem dos Piranhas IIIC VtrBldEspSR ultrapassando diversas barreiras e obstáculos levantados pelos traficantes de drogas foi o momento de maior valor simbólico ocorrido durante a invasão e ocupação pela polícia das favelas de duas das regiões que podem ser consideradas os maiores bunkers da facção criminosa conhecida como Comando Vermelho. Ao longo dos anos seguintes estes veículos seriam intensamente empregados em diversos exercícios operacionais realizados pela Marinha do Brasil e conjunto com o Exército e a Força Aérea Brasileira. Em 2015 a Ares Aeroespacial e Defesa Ltda faria uma proposta ao Batalhão de Blindados de Fuzileiros Navais (BtlBldFuzNav), do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), para instalar um REMAX 3 em uma VtrBldEspSR 8×8 Mowag Piranha IIIC, melhorando a eficiência do emprego da arma de autodefesa. Porém como o veículo ainda estava na garantia do fabricante, não seria possível fazer uma instalação correta, pois exigiria uma furação em sua estrutura. Para contornar a situação, a instalação foi executada aproveitando a furação do lançador de granadas, o que acabou resultando em uma posição menos indicada para o operador do SARC, mas demonstrando a sua incrível capacidade multiplataforma. Apesar disto o negocio não se concretizaria em função dos termos contratuais de garantia exigidos pelo fabricante, que impedem a instalação de equipamentos ou acessórios não homologados.   

Em Escala.
Para representarmos o Mowag Piranha IIIC VtrBldEspSR  8x8 pertencente ao Batalhão de Blindados de Fuzileiros Navais (BtlBldFuzNav) da Marinha do Brasil, fizemos uso de um kit experimental injetado em resina 3D a ser lançado pela Todo Modelismo na escala 1/35. Este modelo ainda necessita de ajustes, com muito do detalhamento sendo feito em scratch building. Fizemos uso de decais confeccionados pela Decals e Books presentes no set " Forças Armadas do Brasil".
O primeiro e segundo lotes recebidos portava o esquema padrão dos veículos a serviço das forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), já as viaturas recebidas a partir de 2009 receberiam o padrão tático de camuflagem empregado em todas os veículos em uso Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN). Salientamos que existem diferenças entre os tons de tinta presentes na frota dos Mowag Piranha IIIC VtrBldEspSR  8x8 camuflados, indicando possivelmente o emprego de outros códigos FS ou fabricantes.


Bibliografia : 
- Mowag Piranha - www.tank-afv.com
- Fuzileiros Blindados - Operacional - http://www.operacional.pt/fuzileiros-blindados-i/
- Piranha IIIC Uma realidade no CFN  – Expedito Carlos Stephani Bastos-  https://www.ecsbdefesa.com.br
Piranha IIIC do CFN rumo ao Haiti  – Expedito Carlos Stephani Bastos-  https://www.ecsbdefesa.com.br
Piranha IIIC  Blindado Padrão do CFN   – Expedito Carlos Stephani Bastos-  https://www.ecsbdefesa.com.br
Piranha IIICA Familia de Blindados 8X8 do CFN  – Expedito Carlos Stephani Bastos-  https://www.ecsbdefesa.com.br