História e Desenvolvimento.
O morteiro constitui uma arma de emprego coletivo destinada a prover apoio de fogo imediato às tropas das armas-base, por meio do lançamento de granadas em trajetória balística de elevado ângulo, geralmente igual ou superior a 45 graus. Sua principal característica reside no tiro curvo ou verticalizado que lhe permite atingir alvos abrigados, mascarados pelo terreno ou protegidos por obstáculos naturais e artificiais, oferecendo às unidades de manobra uma capacidade orgânica de apoio indireto em curtas e médias distâncias. Em comparação aos obuseiros e demais peças tradicionais da artilharia de campanha, o morteiro apresenta concepção estrutural mais simples, menor custo de produção e manutenção, além de reduzido peso relativo. Tais atributos favorecem sua mobilidade e permitem seu emprego por frações avançadas, frequentemente posicionadas próximas às linhas inimigas, onde a rapidez na resposta de fogo pode ser decisiva para o êxito tático. O desenvolvimento do morteiro moderno remonta a 1915, no contexto da Primeira Guerra Mundial. A guerra de trincheiras impôs novos desafios às forças combatentes, sobretudo a necessidade de neutralizar tropas entrincheiradas e protegidas contra o tiro direto da artilharia convencional. Os projéteis disparados em ângulos rasos mostravam-se pouco eficazes contra alvos protegidos por parapeitos e abrigos subterrâneos. Nesse cenário, surgiu a demanda por uma arma capaz de lançar granadas em arcos elevados a partir das próprias trincheiras. Foi nesse contexto que Sir Wilfred Stokes concebeu um modelo portátil que se tornaria o precursor dos morteiros contemporâneos. Embora inicialmente tenha enfrentado resistência por não utilizar as granadas padronizadas então em serviço, o projeto evoluiu com o desenvolvimento de munição específica, o que viabilizou sua produção em escala. A estrutura original era composta por um tubo de alma lisa montado sobre uma placa-base e sustentado por um bipé configuração que, em essência, permanece até os dias atuais. O funcionamento do morteiro baseia-se em um sistema de antecarga. A granada, introduzida manualmente pela boca do tubo, desliza por gravidade até alcançar o fundo da peça, onde entra em contato com um pino percutor fixo. O impacto aciona a espoleta, deflagrando a carga de projeção e impulsionando o projétil em trajetória parabólica. O modelo de Stokes demonstrou notável eficiência, alcançando cadências elevadas para a época e consolidando um padrão construtivo que se revelou duradouro. Em termos estruturais, o morteiro consiste essencialmente em um tubo apoiado sobre uma placa-base, responsável por transferir diretamente ao solo a força do recuo, dispensando sistemas complexos de absorção e recuperação como os empregados em canhões e obuseiros. Seus projéteis descrevem trajetórias em ângulos que variam, em regra, entre 45 e 85 graus. A maioria dos modelos é carregada pela boca, apresentando tubos relativamente curtos, geralmente não superiores a quinze calibres de comprimento.
O alcance do disparo pode ser ajustado pela variação do ângulo de elevação do tubo ou pela modificação da carga de projeção associada ao projétil. Em modelos mais modernos, o disparo pode ocorrer tanto pelo sistema tradicional de percussão automática quanto por mecanismos acionados por gatilho, oferecendo maior controle ao atirador. A estabilidade da arma é assegurada por um reparo em forma de bipé ou, nos modelos de maior calibre, por estruturas dotadas de trem de rodagem, que também sustentam o aparelho de pontaria. Entretanto, em terrenos de baixa resistência como solos muito macios ou cobertos por neve o recuo pode comprometer a firmeza da peça. Para contornar essa limitação, emprega-se o chamado saco Raschen, dispositivo de lastro posicionado sob a placa-base com a finalidade de aumentar a estabilidade e preservar a precisão dos disparos em condições adversas. Ao longo do século XX, o morteiro consolidou-se como instrumento indispensável no apoio tático às tropas terrestres, combinando simplicidade construtiva, eficiência operacional e elevada adaptabilidade aos mais diversos teatros de operações. A cadência de tiro dos morteiros, de modo geral, é superior à dos obuseiros tradicionais. Tal desempenho decorre de sua concepção mecânica simplificada: inexistem mecanismos de culatra a serem abertos e fechados a cada disparo, tampouco há estojos metálicos a serem ejetados ou manipulados. Essa simplicidade estrutural reflete-se não apenas na rapidez do ciclo de tiro, mas também na redução da complexidade logística e operacional. Outro aspecto relevante é a composição reduzida da guarnição. Enquanto peças de artilharia de campanha exigem equipes numerosas para sua operação plena, os morteiros médios podem ser servidos, em regra, por apenas três militares, o que amplia sua mobilidade e facilita seu emprego em frações destacadas ou em ambientes de difícil acesso. Do ponto de vista logístico, a eficiência do morteiro também se evidencia no aproveitamento do peso da munição. Em razão da ausência de estojo metálico, a granada de morteiro concentra a maior parte de sua massa na carga útil. Para fins comparativos, uma granada de 120 mm apresenta peso aproximado ao de um projétil de obuseiro de 105 mm cerca de 14 quilogramas. Entretanto, nos obuseiros, parcela significativa do peso total da munição corresponde ao estojo e à carga de projeção, elementos que não atingem o alvo. Estima-se que aproximadamente 60% do peso total de um disparo de obuseiro seja efetivamente projetado contra o objetivo, ao passo que, nos morteiros, cerca de 90% da massa da munição alcança a área-alvo. Essa diferença traduz-se em notável vantagem sob a ótica do transporte, do armazenamento e da sustentação de fogos prolongados. Quanto à configuração do tubo, os morteiros podem ser classificados em modelos de alma lisa ou raiada. Nos sistemas de tubo liso, a estabilização do projétil é realizada por meio de aletas dispostas em sua parte posterior. Essas aletas geram arrasto aerodinâmico que mantém a granada alinhada ao eixo de sua trajetória, conferindo-lhe estabilidade durante o voo. Já nos modelos raiados, a estabilização ocorre por rotação, impressa ao projétil pelo engajamento nas raias internas do tubo, de forma análoga ao funcionamento dos obuses e canhões.

A adoção de tubos raiados, contudo, representa certa ruptura com o princípio tradicional de simplicidade que caracteriza o morteiro. Projetis estabilizados por aletas tendem a alcançar maiores distâncias com a mesma carga de projeção, pois não necessitam vencer o atrito das raias internas; em contrapartida, apresentam, em geral, menor precisão quando comparados aos modelos rotacionados. Além disso, para que a granada possa deslizar livremente até a base do tubo nos modelos de alma lisa, deve existir uma pequena folga entre o projétil e as paredes internas. Essa folga pode permitir a fuga parcial de gases de projeção, reduzindo o rendimento balístico. Com o objetivo de mitigar essa limitação, alguns modelos ocidentais de 81 mm incorporaram soluções técnicas específicas, como a utilização de anéis de material plástico inseridos em ranhuras na porção média da granada. Durante o disparo, os gases de projeção expandem esse anel, promovendo vedação lateral mais eficiente, aumentando a pressão interna útil e, consequentemente, melhorando a precisão e o alcance. Nos modelos raiados, soluções igualmente engenhosas foram desenvolvidas. Em determinado projeto francês, por exemplo, a base da granada é equipada com uma placa de cobre abaulada, de diâmetro ligeiramente inferior ao calibre do tubo, posicionada sobre uma placa de aço plana. No momento da deflagração, a pressão exercida pela placa de aço expande a de cobre, que se ajusta às raias do tubo, vedando os gases e transmitindo rotação ao projétil. O resultado é um incremento significativo na estabilidade em voo, no alcance e na precisão do disparo. A direção de tiro dos morteiros obedece aos mesmos princípios balísticos fundamentais da artilharia de campanha, embora aplicada de maneira mais simplificada, em razão das menores distâncias envolvidas. Nos modelos rotacionados, a técnica de tiro deve considerar a tendência de desvio lateral associada ao sentido da rotação do projétil, fenômeno já conhecido e compensado nos cálculos de pontaria. Por serem armas de alcance relativamente curto, os morteiros integram organicamente as unidades de infantaria e cavalaria, nos calibres leves e médios, e as formações de artilharia leve como tropas paraquedistas, de montanha, de selva e aeromóveis nos calibres pesados, geralmente a partir de 120 mm. Sua principal virtude reside na capacidade de prover apoio direto e imediato às tropas em contato, permitindo ao comandante de subunidade dispor de fogos indiretos de maneira autônoma, sem depender exclusivamente da coordenação com unidades especializadas de artilharia. Os morteiros leves e médios são armas portáteis empregadas para fornecer apoio de fogo direto aos pelotões de infantaria. Sua principal vantagem em relação às armas de artilharia reside na flexibilidade, elevada mobilidade e capacidade de engajar alvos de forma rápida e eficaz no combate aproximado, uma vez que estão diretamente integrados às unidades de infantaria. Esses sistemas podem ser operados a partir de trincheiras e rapidamente reposicionados para acompanhar o avanço das tropas, sem a necessidade da complexa estrutura logística exigida pela artilharia convencional. O alcance do morteiro varia de acordo com o ângulo de disparo: à medida que o ângulo aumenta, o alcance diminui, mas a trajetória do projétil torna-se mais elevada, permitindo superar obstáculos verticais e atingir alvos protegidos por elevações íngremes ou edifícios.
Essa capacidade é fundamental em cenários onde a artilharia tradicional não conseguiria atuar de forma eficiente, a menos que estivesse operando em tiro vertical de curto alcance. Por exemplo, uma bateria de artilharia de longo alcance teria dificuldades para atingir um alvo localizado a 1 km de distância e 30 metros acima de sua posição, enquanto um morteiro poderia executar essa missão com facilidade. Devido à sua trajetória altamente parabólica, os projéteis de morteiro atingem o solo em ângulos mais próximos da perpendicular, tornando-se menos direcionais que os disparos efetuados pela artilharia convencional. Estes, por sua vez, saem do tubo em velocidades superiores, alcançam distâncias maiores e descrevem arcos mais amplos. Enquanto as peças de artilharia são carregadas pela culatra e podem operar tanto em tiro indireto quanto em tiro direto, o morteiro é exclusivamente empregado no tiro indireto e não permite a execução de disparos tensos. Sendo armas de curto alcance, os morteiros demonstram-se muitas vezes mais eficazes que a artilharia para determinados propósitos, especialmente dentro de seu raio de alcance mais restrito. São particularmente adequados para operações a partir de posições ocultas, como escarpas naturais em encostas ou bosques densos. O uso de observadores avançados (OAs) posicionados estrategicamente permite direcionar os disparos com maior precisão, garantindo que o fogo seja entregue rapidamente e com efeito letal. A maioria dos morteiros pode ser transportada por helicópteros, rebocada por viaturas leves (3/4 ton) ou embarcada em veículos blindados. Nos modelos leves e médios, a guarnição também pode transportá-los a pé. Embora não se comparem às peças de artilharia de 155 mm em poder de fogo e alcance, os morteiros modernos podem, em determinados contextos, substituir os obuseiros de 105 mm. A principal limitação dos morteiros é seu alcance reduzido, decorrente dos altos ângulos de tiro, característicos do tiro vertical. No entanto, essa desvantagem é amplamente compensada pelo custo significativamente inferior, pela leveza e pela simplicidade operacional. Além disso, os morteiros podem utilizar uma grande variedade de munições, incluindo granadas de alto explosivo (HE) para fragmentação e impacto, munições iluminativas visíveis e infravermelhas, projéteis de fósforo vermelho ou branco para efeito fumígeno, incendiário e sinalizador, além de munições mais avançadas. Modelos modernos também podem empregar munições de submunição e projéteis inteligentes guiados a laser ou GPS, aumentando a precisão e permitindo atingir alvos específicos, como veículos blindados em movimento. Essas capacidades tornam os morteiros uma ferramenta valiosa para apoio às tropas em operações antitanque, atingindo a blindagem superior dos veículos inimigos, que normalmente é menos resistente. Além disso, granadas propulsadas por foguetes podem ser empregadas para aumentar o alcance dos morteiros de maior calibre (120 mm), permitindo atingir alvos situados a distâncias de até 15 km.
No Brasil, o emprego efetivo e real de morteiros ocorreu durante a participação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Campanha da Itália (1944-1945), quando armas leves do modelo M-2 de 60 mm e médias M-1 de 81 mm foram amplamente utilizadas nos combates contra as posições defensivas alemãs. Durante esse período, centenas de equipamentos desse tipo foram cedidos ao governo brasileiro nos termos do programa de ajuda militar Lend & Lease Bill Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), sendo distribuídos entre as unidades operacionais do Exército Brasileiro em diversas regiões do país. Nos anos seguintes, o Brasil recebeu os primeiros morteiros norte-americanos M-2 de 120 mm, bem como equipamentos semelhantes de diversos calibres, também fornecidos ao Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil. Esses sistemas de armas possuem um alto grau de desgaste operacional, o que levou as Forças Armadas Brasileiras a instituir ciclos constantes de renovação, buscando aquisição de novos equipamentos no mercado internacional ou aproveitando oportunidades de aquisição de peças usadas. No segmento de morteiros pesados de 120 mm, ao final da década de 1990, o Exército Brasileiro optou pela aquisição do modelo francês MO-120-RT-61 (morteiro rebocado de alma raiada de 120 mm). Essa arma, desenvolvida pela Thomson-Brandt e fabricada pela TDA Armements, foi incorporada ao Exército Francês no início da década de 1970. Seu batismo de fogo ocorreu durante a Guerra Civil Libanesa, em 1975, obtendo resultados expressivos, o que levou sua adoção por mais de vinte e cinco países, incluindo os Estados Unidos, onde foi integrado ao Corpo de Fuzileiros Navais (US Marine Corps) mediante contratos de produção sob licença. Ao todo, entre as décadas de 1980 e 1990, foram incorporados ao Exército Brasileiro duzentos morteiros franceses MO-120-RT-61 de 120 mm. Esses equipamentos passaram a equipar unidades de paraquedistas, batalhões de infantaria blindada e regimentos de carros de combate, com previsão de ampliação para regimentos de cavalaria mecanizada, blindada e escolas militares. Com um alcance padrão de 8.000 metros e capacidade de até 13.000 metros utilizando projéteis assistidos por foguete, esse sistema potencializou significativamente a capacidade da artilharia do Exército Brasileiro, representando um avanço qualitativo em relação aos modelos antecessores. Nos anos subsequentes, o intenso uso dessas peças levou ao desgaste natural dos equipamentos, comprometendo sua operacionalidade. Para solucionar esse problema, foi necessária a revitalização dos morteiros, tarefa atribuída ao Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR), com apoio do Centro Tecnológico do Exército (CTEx). Estudos técnicos foram realizados, resultando em um processo de modernização bem-sucedido, que restabeleceu a plena capacidade operacional dos morteiros MO-120-RT-61 de 120 mm, bem como dos modelos de 60 mm e 81 mm. O sucesso desse projeto motivou o comando do Exército Brasileiro, no final da década de 1990, a destinar recursos para o desenvolvimento e produção de morteiros nacionais, buscando assegurar maior independência estratégica nesse segmento de armamento de artilharia.Emprego no Exército Brasileiro.
No início da década de 2000, em consonância com o processo de modernização e fortalecimento da Base Industrial de Defesa, o Comando da Força Terrestre incumbiu o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR) da missão de desenvolver e produzir um novo sistema de morteiro pesado destinado ao Exército Brasileiro. A decisão refletia não apenas a necessidade de atualização dos meios de apoio de fogo, mas também a diretriz estratégica de ampliar a autonomia tecnológica nacional no campo dos materiais de emprego militar. Instituição de tradição bicentenária, o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, situado no bairro do Caju, na região portuária da capital fluminense, tem suas origens remontadas a 1762, com a criação da Casa do Trem. Ao longo de mais de dois séculos de existência, o estabelecimento consolidou-se como um dos principais polos de fabricação e manutenção de armamentos do país, participando ativamente de momentos decisivos da história militar brasileira. Entre suas contribuições destacam-se o fornecimento de materiais durante a Guerra do Paraguai e a Guerra de Canudos, bem como o apoio à Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial, quando produziu e manteve armamentos e munições empregados no Teatro de Operações da Itália. A partir da década de 1970, o AGR passou a atuar de forma integrada com o Arsenal de Guerra General Câmara e o Arsenal de Guerra de São Paulo, desempenhando atividades de fabricação e manutenção, em nível industrial, de materiais de emprego militar, sob a coordenação da Diretoria de Fabricação. Essa estrutura permitiu a consolidação de capacidades técnicas e industriais indispensáveis à execução de projetos de maior complexidade tecnológica. Nesse contexto, em 2002, o corpo técnico do Arsenal, em estreita cooperação com o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), iniciou o desenvolvimento de um morteiro de 120 mm, abrangendo todas as fases do ciclo de engenharia desde a concepção e os estudos balísticos iniciais até a construção e avaliação dos protótipos. O projeto foi concebido com a premissa de máxima nacionalização possível, recorrendo a fornecedores externos apenas quando estritamente necessário, de modo a assegurar elevado grau de independência tecnológica e domínio dos processos produtivos. Paralelamente ao desenvolvimento da arma propriamente dita, foram estruturadas equipes especializadas e implementados processos industriais voltados à produção seriada nas instalações do próprio Arsenal. Esse esforço representou não apenas a criação de um novo sistema de armas, mas também a consolidação de conhecimento técnico e capacidade produtiva estratégica para o país. Em julho de 2005, foram apresentadas as primeiras unidades do novo sistema, oficialmente designado Morteiro Pesado 120 M-2 Raiado (Mrt P 120 P R). Tratava-se do primeiro morteiro raiado desenvolvido e produzido no Brasil, marco significativo para a engenharia militar nacional. Destinado ao Exército Brasileiro, o sistema foi concebido como arma moderna, dotada de elevada mobilidade e compatível, em termos de desempenho, com equipamentos empregados por forças armadas de referência internacional. Sua finalidade principal é prover elevado poder de fogo às tropas, particularmente às forças de pronto emprego, aptas a atuar em diferentes teatros de operações. Além do apoio direto às unidades de manobra, o M-2 Raiado pode desempenhar funções de artilharia leve, inclusive na saturação de áreas, ampliando a capacidade de resposta do comandante tático.
O sistema é composto por três elementos fundamentais: tubo-canhão, reparo e placa-base. Opera exclusivamente sobre rodas, característica que lhe confere rapidez de deslocamento e facilidade de posicionamento. Destaca-se ainda por possuir campo horizontal de tiro de 360 graus, sem necessidade de reposicionamento da placa-base, atributo que aumenta sua flexibilidade em combate. Compatível tanto com munições de 120 mm para morteiros de alma lisa já em uso no Exército Brasileiro quanto com munições raiadas de padrão internacional, o M-2 Raiado apresenta campo vertical de tiro variando entre 40 e 85 graus. Pode empregar diferentes tipos de granadas: a convencional, com massa aproximada de 13 quilogramas-força, alcançando distâncias entre 500 e 6.650 metros; a pré-raiada, de 15,7 quilogramas-força, com alcance entre 1.200 e 8.300 metros; e a pré-raiada com propulsão adicional, também de 15,7 quilogramas-força, capaz de atingir distâncias entre 1.200 e 12.600 metros. Embora apresente configuração estrutural aparentemente simples, o desenvolvimento e a construção do Morteiro Pesado 120 M-2 Raiado (Mrt P 120 P R) constituíram o resultado de anos de estudos, ensaios e aperfeiçoamentos conduzidos pelo corpo técnico do Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR). Desde as etapas preliminares de concepção até a consolidação da produção seriada, o projeto demandou elevado domínio tecnológico, rigorosos procedimentos de engenharia e a atuação de mão de obra altamente qualificada, evidenciando a maturidade alcançada pela indústria militar nacional. O programa foi estruturado de forma abrangente, contemplando não apenas o desenvolvimento da arma, mas também a produção integral de suas munições no âmbito do complexo industrial da IMBEL S/A empresa estatal de capital misto responsável por relevante parcela da Base Industrial de Defesa brasileira. À época, os diferentes tipos de munição encontravam-se em fase final de desenvolvimento, reforçando o propósito estratégico de assegurar autonomia logística e independência tecnológica ao Exército Brasileiro. O M-2 Raiado possui peso total aproximado de 717 quilogramas, podendo ser tracionado por viaturas de três quartos de tonelada, o que lhe confere notável mobilidade tática. Sua concepção permite, ainda, o transporte por aeronaves de asa fixa e helicópteros, bem como o lançamento por paraquedas, ampliando significativamente a capacidade de apoio de fogo das unidades aerotransportadas e de pronto emprego. Tal flexibilidade de desdobramento reforça sua adequação aos mais diversos cenários operacionais. O planejamento inicial previa a produção de até 170 unidades, número considerado suficiente para dotar o Exército Brasileiro de maior agilidade na entrada e retirada de posição, aliando mobilidade, precisão e elevado poder de fogo. Quando empregada com munição dotada de propulsão adicional, a arma alcança distâncias próximas a 13 quilômetros, ampliando substancialmente o raio de ação das frações apoiadas. Além do alcance expressivo, o sistema apresenta alta cadência de tiro, podendo efetuar até dezoito disparos por minuto, dispondo de mecanismo de disparo tanto comandado quanto automático. Sua compatibilidade com ampla gama de munições nacionais e estrangeiras assegura versatilidade tática e interoperabilidade, características indispensáveis em um ambiente operacional cada vez mais dinâmico. O conceito fundamental que norteou o projeto esteve ancorado na premissa de independência tecnológica. Todos os principais componentes do sistema foram concebidos e fabricados no país, reforçando a soberania nacional no setor de defesa.

A ampliação da capacidade produtiva do Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, mediante a incorporação de novos maquinários e processos industriais, vislumbrou a possibilidade de produção em maior escala, abrindo perspectivas concretas para inserção do sistema no mercado internacional. A apresentação oficial do M-2 Raiado despertou interesse de diversas nações, sinalizando seu potencial como produto competitivo no segmento de sistemas de apoio de fogo. Ademais, seu desenvolvimento abriu caminho para aplicações embarcadas, notadamente em viaturas blindadas sobre rodas, como a Viatura Blindada de Combate Morteiro Médio (VBC Mrt Me) Iveco Guarani 6x6, ampliando as possibilidades de emprego em operações mecanizadas. Em agosto de 2005, após a entrega das primeiras vinte unidades operacionais, quatro exemplares do M-2 Raiado foram submetidos a extensivos testes de tiro no Campo de Provas da Marambaia, no estado do Rio de Janeiro. Os ensaios permitiram aferir, em condições reais, sua precisão, robustez, facilidade de operação e elevados padrões de segurança. Os resultados demonstraram desempenho e efetividade comparáveis aos de modelos estrangeiros consagrados, evidenciando o nível de excelência alcançado pelo projeto nacional. O primeiro contrato firmado previa a produção de 170 unidades, com entregas programadas até 2010. O cronograma foi cumprido integralmente, e os sistemas foram distribuídos a unidades de paraquedistas, batalhões de infantaria blindada e regimentos de carros de combate, promovendo significativo incremento na capacidade operativa do Exército Brasileiro. Os excelentes resultados operacionais obtidos em campo levaram à autorização para a produção de novos lotes do morteiro M-2 Raiado (Mrt P 120 P R), impulsionando o início do processo de substituição das peças francesas MO-120-RT-61 de 120 mm. Apesar de terem passado por sucessivos processos de revitalização, esses equipamentos começaram a demandar sua retirada do serviço ativo. Esse objetivo foi alcançado até o final de 2022, com a conclusão das entregas dos últimos lotes, totalizando quatrocentos morteiros M-2 Raiado (Mrt P 120 P R). Nesse contexto, essas armas foram distribuídas a um grande número de unidades militares, incluindo Batalhões de Infantaria Blindados, Regimentos de Carros de Combate, Regimentos de Cavalaria Blindada, Regimentos de Cavalaria Mecanizada e, para experimentação doutrinária, nos Grupos de Artilharia de Campanha Paraquedista (GAC Pqdt), Grupo de Artilharia de Campanha Leve (GAC L) e Grupo de Artilharia de Selva (GAC Sl). Previamente, o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR) desenvolveu um programa dedicado à revitalização dessas armas, considerando o desgaste decorrente de seu intenso emprego operacional. Devido às explosões da munição e ao uso contínuo, os morteiros do Exército passam por meticulosas análises antes, durante e após a utilização, garantindo a integridade do material e a segurança da tropa. Quando necessário, os morteiros são enviados aos arsenais de guerra para inspeções rigorosas, onde se avalia se as peças podem ser reparadas localmente ou se devem ser encaminhadas ao Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR) para revitalização. O processo de recuperação e modernização envolveu a desmontagem integral do equipamento para inspeção metrológica, manutenções corretivas e preventivas, substituição de componentes que passaram por modificações de projeto, limpeza, fosfatização, pintura e lubrificação.
Adicionalmente, foram fornecidas novas caixas de acessórios, ferramental e sobressalentes, além da substituição dos aparelhos de pontaria óptica pelo modelo SPOTIM M-2A1, fabricado nacionalmente pela Ares Aeroespacial e Defesa. Destaca-se que a modernização do morteiro M-2A1 Raiado (Mrt P 120 P R) foi realizada com o apoio da indústria nacional, envolvendo pelo menos dez fornecedores contratados pelo comando do Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR)para a prestação de serviços técnicos, fornecimento de ferramentas comerciais e especiais, bem como a fabricação de peças e subconjuntos de alta complexidade mecânica. Essa iniciativa contribuiu significativamente para a indústria de defesa brasileira, gerando empregos e fortalecendo a independência tecnológica na operação dessa importante peça de apoio de fogo. Os morteiros submetidos a esse processo emergiram com sistemas mais robustos e confiáveis, resultando na criação do submodelo M-2A1 Raiado (Mrt P 120 P R). As primeiras unidades foram devolvidas às organizações operacionais no primeiro semestre de 2021. Até o final de 2022, os trabalhos foram concluídos em um total de oitenta e sete morteiros desse modelo. Paralelamente, foi desenvolvido um kit de ferramental e suprimentos para permitir que pequenas manutenções fossem realizadas diretamente pelas Organizações Militares (OM) responsáveis pela sua operação. Essa medida teve como objetivo minimizar a indisponibilidade do armamento, garantindo um elevado nível de operacionalidade e capacidade combativa para as unidades detentoras do material. O aumento da presença dessas armas no Exército Brasileiro exigiu a ampliação dos programas de treinamento de seus operadores. Com o objetivo de reduzir custos nesse processo, em 2020, o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR), em parceria com o Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do Exército (SCTIEx), iniciou o desenvolvimento de um sistema redutor de calibre de 81 mm. Esse dispositivo foi projetado para possibilitar o uso de munições mais acessíveis e de fácil manuseio nos morteiros M-2A1 Raiado (Mrt P 120 P R), proporcionando maior economia nos programas de treinamento e exercícios operacionais das tropas de Infantaria, Cavalaria, Artilharia e demais Forças Armadas que empregam esse armamento. Em abril de 2022, foram realizados os primeiros testes de tiro real com os protótipos desse sistema no Centro de Avaliações do Exército (CAEx) – "Campo de Provas da Marambaia - 1948". O dispositivo foi validado pela Diretoria de Fabricação para futura produção em série. Na sequência, no início de 2023, foi iniciado um programa para equipar esses morteiros com um sistema inercial de pontaria, destacando-se a participação da empresa Safran Electronics & Defense Brasil. O sistema de pontaria do morteiro opera por meio de sensores giroscópicos de última geração, calibrados para os três eixos do Morteiro Pesado 120 mm M2A1 R. Esse sistema coleta e processa automaticamente uma série de dados, que são posteriormente transmitidos ao Sistema Gênesis de Direção e Controle de Tiro. Isso permite o nivelamento adequado dos mecanismos de direção do armamento, bem como a correção dos disparos, assegurando maior precisão na neutralização dos alvos. Ademais, o processamento eletrônico dos dados de artilharia facilita o treinamento das tropas, permitindo a utilização de informações simplificadas e de fácil interpretação, o que acelera a tomada de decisão e o posicionamento correto do morteiro.

Durante os testes realizados em maio de 2023, o Sistema de Pontaria Inercial demonstrou um desempenho satisfatório ao longo de toda a bateria de avaliações, e a sua implementação tem o potencial de ampliar a capacidade tática do morteiro de 120 mm, proporcionando maior agilidade na aquisição de alvos, eficiência na execução dos disparos e aprimoramento da precisão. Inicialmente seriam empregados projéteis origem norte-americana e francesa estocados, contudo devido à crescente demanda pelo uso extensivo, os estoques começaram a se esgotar, gerando a necessidade de reabastecimento. Para suprir essa demanda, foi adotada a estratégia de utilização de munições de produção nacional, sendo designada a IMBEL para o desenvolvimento e produção das munições destinadas ao morteiro M-2A1. Neste contexto seriam firmados contratos para o desenvolvimento de três modelos de munição, com o primeiro modelo, denominado Tir 120 Exc CONV B1 (Tiro 120 mm Exercício Convencional), sendo composto por espoleta de ogiva e de percussão, adaptador, corpo da granada, carga inerte, culote, cartucho carga “0” MD 120 CONV, cargas suplementares de pólvora BD e subconjunto corpo empena. Suas principais características técnicas incluem:Peso total do projétil em voo: 13 kg, Comprimento do tiro completo: 643,4 mm,Velocidade inicial: carga 0 - 119 m/s, carga 7 - 331 m/s, Alcance máximo: 6.600 m. O segundo modelo, Tir 120 AE PR (Tiro 120 mm Alto-Explosivo Pré-Raiado), é constituído por espoleta de ogiva e de percussão, corpo da granada, carga de arrebentamento em TNT, grão ejetor do tubo porta-carga, cartucho carga “0” MD 120 PR/PRPA, cargas suplementares de 50/75 g e 100 g de pólvora BD e conjunto do tubo porta-carga. Suas especificações técnicas incluem Peso total do projétil em voo: 15,7 kg,Peso do explosivo: 4,4 kg, Comprimento do tiro completo: 906,3 mm, Velocidade inicial: carga 1 - 130 m/s, carga 10 - 365 m/s, Alcance máximo: 8.150 m. Por fim, o modelo mais avançado, Tir 120 AE PRPA (Tiro 120 mm Alto-Explosivo Pré-Raiado com Propulsão Adicional), foi desenvolvido para emprego contra pessoal e material leve, produzindo efeito de sopro e fragmentação. Seus componentes incluem espoleta de ogiva e de percussão, corpo da granada (TNT), propulsão adicional, mecanismo de retardo, grão ejetor do tubo porta-carga, cartucho carga “0” MD 120 PR/PRPA, conjunto do tubo porta-carga e cargas de projeção suplementares de 50/75 g e 100 g de pólvora BD. Suas características técnicas incluem: Peso total do projétil em voo: 15,7 kg, Peso do explosivo: 2,7 kg, Comprimento do tiro completo: 926 mm, Velocidade inicial: carga 1 - 130 m/s, carga 10 - 365 m/s, Alcance máximo: 12.000 m. A primeira entrega dessas munições ocorreu em dezembro de 2020, e lotes posteriores garantiram a reposição dos estoques estratégicos, assegurando a continuidade dos programas de adestramento da tropa. Em 2023, um avanço significativo foi alcançado com a celebração do Acordo de Projeto PA-A-23-0001, uma parceria com o Exército dos Estados Unidos (U.S Army), visando o desenvolvimento de tecnologias para a produção de munições de morteiro 120 mm de alcance estendido. As pesquisas envolvem o desenvolvimento de munições com inovações tecnológicas, incluindo formulações energéticas de baixa sensibilidade para propelentes e explosivos, novos conceitos de geometria do corpo da granada para melhor desempenho balístico, aprimoramento dos motores de propulsão adicional e modernização das tubeiras de exaustão.
Em Escala.
Para representarmos o morteiro pesado M-2A1 Raiado (Mrt P 120 P R) de 120 mm empregado pelo Exército Brasileiro, fizemos uso de um modelo artesanal na escala 1/32 habilmente confeccionado em resina pela Souza Junior Réplicas. Modelo este que prima pelo nível detalhamento e facildade de montagem.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa um dos padrões de pintura tático aplicado as armas de artilharia no Exército Brasileiro, com um esquema derivativo empregado nos morteiros M-2A1 Raiado (Mrt P 120 P R) empregado pelas tropas de Caatinga, ostentando uma pintura em areia (Sand FS 33617).
Bibliografia :
- Morteiros #12 Operações Militares - www.operacoesmilitaresguia.blogspot.com
- Morteiro Pesado Raiado 120 mm Made in Brasil – Expedito Carlos Stephani Bastos- https://www.ecsbdefesa.com.br
- História das Armas - https://histroiaarmas.webnode.com.br/products/mortier%20de%20120mm%20raye%20tracte%20mod%C3%A8le%20f1/
- Arsenal de Guerra do Rio - https://www.df.eb.mil.br/agr
- AGR Testa Sistema de Pontaria Inercial para morteiro pesado - www.defesanet.com.br
- Brasil e Estados Unidos iniciam projeto de munição de morteiro 120 mm - www.tecnodefesa.com.br





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Finalmente, em março de 1966, os três helicópteros foram oficialmente entregues a Marinha do Brasil, em uma cerimônia nas instalações da fabricante, recebendo a designação SH-2 e as matrículas 7015, 7016 e 7017. Após serem inspecionadas e formalmente aceitas pela comitiva brasileira, as aeronaves foram desmontadas e preparadas para envio ao Brasil por via naval. Em maio de 1966, foram desembarcadas no porto do Rio de Janeiro e incorporadas à frota da Aviação Naval da Marinha do Brasil. Já nas instalações da Marinha do Brasil, na Base Aeronaval de São Pedro de Aldeia, uma das aeronaves foi imediatamente montada, submetida a ensaios em voo e posteriormente desmontada para ser embarcada em um Lockheed C-130E Hercules da Força Aérea Brasileira (FAB). O helicóptero foi transportado até a Argentina para participar da operação "Amizade", sendo empregado em missões humanitárias em prol das populações das províncias de Chaco e Formosa, duramente atingidas por uma enchente do rio Paraná naquele ano. Durante a operação, o Westland SH-2 Wasp destacou-se ao cumprir com êxito cerca de vinte e cinco horas de voo em missões de busca e salvamento (SAR) e evacuação aeromédica. Por tratar-se da mais nova aeronave da Marinha do Brasil e do primeiro helicóptero equipado com motor turboeixo em operação no país, a fase inicial das operações com o Westland SH-2 Wasp, popularmente conhecido como "Abelha", foi envolta em um certo prestígio, sendo tripulado apenas pelos pilotos mais experientes do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1), enquanto os mais novos eram designados para a operação das aeronaves mais antigas do esquadrão. No entanto, em 15 de julho de 1967, um acidente resultou na perda total do SH-2 Wasp 7016, tornando necessária a aquisição de uma nova aeronave para recompor a frota do esquadrão. A negociação foi conduzida pelo adido naval brasileiro em Londres, culminando na aquisição de uma aeronave usada do modelo Wasp HAS MK1 (c/n F.9542, ex-XS746), oriunda dos estoques da Marinha Real Britânica (Royal Navy). Curiosamente, essa nova célula recebeu a mesma matrícula do helicóptero acidentado. Nos anos seguintes, os Westland SH-2 Wasp passaram a operar a partir dos conveses do porta-aviões léve Nael Minas Gerais (A-11), dos cruzadores da classe Brooklyn Tamandaré (C-12) e Barroso (C-11), e dos navios hidrográficos Canopus (H-22) e Sirius (H-21), substituindo os Kawasaki 47G-3B (1-H-1). A partir de 1973, com a transferência de seis contratorpedeiros norte-americanos das classes Gearing FRAM I e Allen M. Sumner pela Marinha dos Estados Unidos (US Navy), a vida operacional dos Westland SH-2 Wasp passaria por uma significativa transformação. Essas embarcações foram originalmente concebidas para operar aeronaves remotamente pilotadas do tipo Gyrodyne QH-50 DASH (Drone Anti-Submarine Helicopter – Helicóptero Antissubmarino Não Tripulado) e possuíam pequenos hangares a bordo. Embora o programa DASH não tenha atingido as expectativas, as modificações realizadas nessas embarcações permitiram a operação embarcada de helicópteros de pequeno porte. No contexto da Aviação Naval da Marinha do Brasil, essa adaptação viabilizou o treinamento dos Westland SH-2 Wasp em missões embarcadas de maior duração, consolidando a capacidade operativa desses helicópteros a bordo das novas embarcações.
Contudo, apesar de seus resultados operacionais positivos, ficou evidente, no final daquela década, que o SH-2 Wasp já não atendia plenamente às demandas do combate aeronaval moderno. Sua obsolescência tornou-se particularmente clara com a incorporação dos navios da classe Niterói, fragatas especializadas em guerra antissubmarino e antissuperfície, equipadas com sistemas eletrônicos de última geração. Esses navios, adquiridos a partir de 1976, exigiam vetores aéreos mais avançados, capazes de operar em sintonia com as capacidades tecnológicas das embarcações e de responder às exigências do cenário estratégico global da Guerra Fria. Para atender a essa necessidade, a Marinha do Brasil encomendou, em 1977, nove helicópteros Westland-Aérospatiale HAS.21 Lynx, considerados os mais avançados em seu segmento operacional. As primeiras unidades começaram a ser entregues em meados de 1978, marcando o início de uma transição significativa na Aviação Naval. Com a chegada dos Lynx, o papel do SH-2 Wasp foi redefinido. As aeronaves foram redesignadas UH-2 Wasp e passaram a ser empregadas prioritariamente em missões de transporte e ligação, com o 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1), sediado em São Pedro da Aldeia, Rio de Janeiro, especializando-se nesse novo escopo de operações. Além de continuarem a operar nos contratorpedeiros da esquadra, como os da classe Allen M. Sumner - FRAM II e Gearing - FRAM I, os UH-2 Wasp assumiram um papel crucial como aeronaves de resgate (designadas "Pedro") a bordo do navio-aeródromo ligeiro NAeL A-11 Minas Gerais, ampliando sua versatilidade em operações navais. Um dos momentos mais emblemáticos da história do Wasp na Marinha do Brasil ocorreu durante a Operação Antártica I (Operantar I), em 1983. Nesse ano, o helicóptero UH-2 Wasp, de matrícula N-7040, tornou-se a primeira aeronave militar brasileira a operar no continente antártico, embarcado no navio de apoio oceanográfico Barão de Teffé (H-42). Esse feito histórico não apenas destacou a capacidade da Marinha do Brasil de projetar poder em ambientes extremos, mas também simbolizou o pioneirismo e a determinação dos militares brasileiros em expandir as fronteiras operacionais do país. Apesar de sua importância, o desgaste operacional e a obsolescência natural começaram a impactar a frota de UH-2 Wasp ao longo da década de 1980. Problemas como a dificuldade de manutenção, devido à escassez de peças para os motores turboeixo e outros componentes, reduziram a frota a apenas quatro aeronaves operacionais. Esse cenário levou o comando da Aviação Naval a avaliar o futuro do modelo, considerando a idade avançada das células remanescentes e a limitada disponibilidade da frota. Em 3 de outubro de 1990, a Portaria Nº 0007 do Ministério da Marinha formalizou a desativação definitiva do UH-2 Wasp . As aeronaves remanescentes, de matrículas N-7016, N-7039 e N-7040, foram destinadas à preservação histórica, sendo incorporadas às coleções do Museu Aeroespacial (Musal), no Rio de Janeiro, e do Museu da Aviação Naval, em São Pedro da Aldeia.







As dimensões, peso, armamento e equipamentos de comunicações da variante de Socorro são iguais às da versão de Transporte de Pessoal (inclusive possui também o NAP5-11 e o LIRD). Ela é guarnecida por dois operadores e dois mecânicos. Seu guincho tem tração máxima de 8 toneladas, capacidade máxima à frente de 16 toneladas capacidade máxima à retaguarda de 7 toneladas, já seu guindaste tem capacidade máxima de 3,75 toneladas. Os primeiros quatro Mowag Piranha IIIC foram incorporadas ao Batalhão de Blindados de Fuzileiros Navais (BtlBldFuzNav) em 20 de agosto de 2007, passando à subordinação temporária da Companhia de Viaturas Blindadas (CiaVtrBld). No início do ano de 2008, seria recebida no Brasil uma viatura da versão de socorro. Salienta-se que estas viaturas foram recebidas com o esquema de pintura total em branco característico dos veículos empregados nas missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). Um dos aspectos positivos de poder contar com suas próprias viaturas reside no fato de se terem ampliadas as possibilidades de realização de adestramentos pré-operacionais ainda no Brasil – permitindo a familiarização dos procedimentos tanto da guarnição quanto da tropa embarcada. Anteriormente, recebia-se o apoio de blindados não pertencentes ao inventário, inclusive de outros países, existindo, muitas vezes, dificuldades para comunicação e adoção de procedimentos padronizados. Tal condição obrigava a frequente realização de briefings para instruir a tropa como proceder com aquele determinado meio em apoio e a respectiva guarnição, dispendendo precioso tempo para algumas ações. Em fevereiro deste mesmo ano os cinco veiculo agora denominados como Viatura Blindada Especial Sobre Rodas (VtrBldEspSR) 8x8 PIRANHA IIIC seriam embarcadas para o Haiti, com a finalidade de apoiar o Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais-Haiti na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH). Sua primeira operação real ocorreria no dia 08 de março de 2008, quando estas viaturas foram chamadas as pressas para ajudar no patrulhamento e apoio ao Ponto Forte 16 em Cite Soleil, um bairro pobre da capital do país, resgatando alguns membros da Embaixada Brasileira no aeroporto internacional, levando-os para um local seguro. Neste mesmo dia três VtrBldEspSR Piranha IIIC se deslocariam para o Palácio Nacional a fim de dar suporte as tropas brasileiras, jordanianas e a policia local que se encontravam em confronto com uma multidão de manifestantes, criando uma área de proteção em volta do objetivo. Esta missão perduraria até o dia seguinte com os blindados brasileiros fornecendo suporte as operações e realizando tarefas de transporte de feridos, tropas e munições. Neste cenário o Piranha IIIC provou ser um meio de alta confiabilidade, capaz de propiciar à tropa condições de reagir com rapidez e segurança. A incorporação das novas viaturas blindadas ao GptOpFuzNav-Haiti aumentou significativamente a visibilidade de nossas forças na área de responsabilidade, que é um aspecto muito positivo em uma missão dessa natureza. 




