UH-14 AS 332F1 - AS 532 Super Puma

História e Desenvolvimento.
A derrota da França em 10 de maio de 1940, seguida pela ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial, representou um golpe devastador à sua outrora vigorosa indústria de defesa. Sob o controle do regime de Vichy e das autoridades de ocupação, a França foi relegada à condição de fornecedora subordinada de componentes e materiais básicos destinados ao esforço industrial do Terceiro Reich, interrompendo abruptamente o ciclo de inovação tecnológica que o país vinha desenvolvendo desde o final da década de 1920. Com o término do conflito, em 1945, a reconstrução nacional tornou-se prioridade do governo francês. O setor aeronáutico, considerado estratégico tanto para a defesa quanto para a soberania tecnológica, recebeu atenção especial dentro do plano de reindustrialização conduzido pelo Estado. Nesse contexto, foi implementada uma política de nacionalizações e reorganização estrutural, que resultou na criação de duas grandes empresas estatais: a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est (SNCASE) e a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest (SNCASO).Ambas nasceram da incorporação e fusão de pequenas companhias privadas — muitas delas fragilizadas economicamente pela guerra — em um esforço governamental para concentrar recursos técnicos e humanos em polos regionais de pesquisa, desenvolvimento e produção. Essa política industrial visava restaurar a competitividade do setor aeronáutico francês, transformando-o em um instrumento de modernização e prestígio nacional. Durante o final da década de 1940 e início dos anos 1950, a SNCASE e a SNCASO atuaram de forma complementar, tanto na produção de aeronaves de asas fixas quanto na introdução de tecnologias emergentes de aeronaves de asas rotativas — os helicópteros. Nesse segmento, o governo francês investiu pesadamente em pesquisa e desenvolvimento, promovendo acordos de cooperação tecnológica e produção sob licença com empresas estrangeiras, principalmente norte-americanas e britânicas. Esse intercâmbio técnico permitiu à França assimilar rapidamente conceitos avançados de engenharia aeronáutica, servindo de base para o desenvolvimento de projetos autônomos e genuinamente nacionais. Um dos frutos mais notáveis desse processo foi o helicóptero Alouette II, desenvolvido pela SNCASE e equipado com motor turboeixo Turbomeca Artouste, tecnologia que representava um salto qualitativo em termos de desempenho e confiabilidade. O Alouette II realizou seu primeiro voo em março de 1955, e sua entrada em serviço marcou um ponto de inflexão na história da aviação francesa.  Em 1º de março de 1957, em um movimento de consolidação industrial promovido pelo Estado francês, ambas as empresas foram fundidas, dando origem à Sud Aviation (Société Nationale de Constructions Aéronautiques du Sud). Essa nova companhia passou a centralizar a maior parte da produção aeronáutica do sul da França, reunindo sob uma mesma administração programas civis e militares.

A Sud Aviation herdou não apenas o know-how técnico e os projetos em andamento das duas antecessoras, mas também sua ambição de inserir a França no seleto grupo de potências aeroespaciais. A SNCASE, por exemplo, já havia acumulado experiência relevante com aeronaves como o SNCASE Languedoc  e o  Mistral, uma versão licenciada do De Havilland Vampire britânico. O êxito do Alouette II, pioneiro entre os helicópteros movidos a turbina, abriu caminho para o desenvolvimento de uma aeronave ainda mais robusta e capaz de suportar maiores cargas. Assim nasceu o  Alouette III, designado como SA 316 ou SA 319 em suas variantes, que realizou seu voo inaugural em 28 de fevereiro de 1959 e entrou em serviço em 1961.  Neste período, a França, sob a liderança do presidente Charles de Gaulle, adotou uma política de independência militar, desvinculando-se do comando integrado da OTAN. Essa decisão estratégica visava reforçar a soberania nacional, mas trouxe desafios significativos, especialmente devido à dependência de equipamentos militares norte-americanos, muitos dos quais já obsoletos. Para superar essa vulnerabilidade e alcançar maior autonomia, o governo francês priorizou o fortalecimento de sua indústria de defesa, destinando recursos substanciais ao desenvolvimento de tecnologias nacionais. No setor de aviação de asas rotativas, a substituição de helicópteros como os Sikorsky H-19D, SH-34, S-58 e Vertol H-21, utilizados pela Aviação Ligeira do Exército Francês (ALAT), tornou-se uma necessidade urgente. Em 1963, o Ministério da Defesa emitiu à estatal Sud Aviation especificações para o desenvolvimento de um helicóptero de médio porte, capaz de transportar até vinte soldados equipados, operar em condições climáticas adversas, dia ou noite, e atender a missões de transporte de tropas e cargas. Esse projeto, que culminou na concepção do Alouette IV, representou um marco na busca por autossuficiência militar francesa. A Sud Aviation, embora experiente na produção de helicópteros leves como o Alouette II e III, possuía expertise limitada em aeronaves de maior porte, restringindo-se à fabricação licenciada do Sikorsky S-58. O protótipo do Alouette IV, concluído em janeiro de 1964, foi equipado com dois motores turboeixo Turbomeca Bi Bastan VII, cada um com 1.065 hp, e contava com quatro pás de hélice em material composto. O cockpit, projetado com dois controles convencionais (piloto e copiloto) e um assento adicional para um tripulante reserva ou comandante, refletia um design funcional e adaptável. A aeronave foi concebida para atingir altas velocidades, com excelente manobrabilidade e desempenho em condições de alta temperatura e altitude (hot-and-high). Além disso, os motores turboeixo asseguravam reserva de energia suficiente para operar com segurança mesmo em caso de falha de um motor, garantindo a continuidade da missão em cenários críticos. O desenvolvimento do Alouette IV simbolizou o compromisso francês com a inovação tecnológica e a independência estratégica, consolidando a Sud Aviation como um ator central na indústria aeroespacial. 
Além disso, os motores turboeixo asseguravam reserva de energia suficiente para operar com segurança mesmo em caso de falha de um motor, garantindo a continuidade da missão em cenários críticos. O primeiro voo da aeronave foi realizado em 15 de abril de 1965, demonstrando perspectivas promissoras que levaram o Ministério da Defesa da França a autorizar, no mesmo ano, a produção de seis unidades em fase de pré-produção. Essas aeronaves, entregues entre 12 de janeiro de 1966 e 30 de julho de 1968, foram destinadas a um extenso programa de ensaios em voo conduzido pela Aviação Ligeira do Exército Francês (Aviation Légère de l'Armée de Terre – ALAT). Durante os testes, a Sud Aviation implementou diversas modificações e aprimoramentos no projeto original, resultando na homologação para produção em série a partir de setembro de 1968. As primeiras unidades operacionais do SA-330 Puma foram oficialmente entregues à ALAT em maio de 1969, consolidando sua posição como uma aeronave de transporte médio de asas rotativas confiável e versátil. As qualidades do SA-330 Puma, incluindo sua capacidade de carga, robustez e desempenho em diversas condições operacionais, atraíram atenção internacional ainda durante a fase de ensaios. A Força Aérea Real Britânica (Royal Air Force – RAF), em busca de uma nova aeronave de transporte médio, demonstrou interesse precoce pelo projeto. Esse interesse culminou em um acordo de cooperação assinado em 1970 entre a recém-formada Société Nationale Industrielle Aérospatiale (SNIAS) e a Westland Helicopters, uma empresa britânica especializada na fabricação de helicópteros. A SNIAS, criada em janeiro de 1970 a partir da fusão entre a Sud Aviation, a Nord-Aviation e a Société d'Étude et de Réalisation d'Engins Balistiques (SEREB), representou um marco na consolidação da indústria aeroespacial francesa, ampliando sua capacidade de atender à crescente demanda por helicópteros militares. O acordo com a Westland resultou em um contrato para o fornecimento de 48 unidades da versão Puma HC Mk 1, com as duas primeiras aeronaves entregues à RAF em 29 de janeiro de 1971. O sucesso do SA-330 Puma no mercado internacional foi impulsionado por sua versatilidade e desempenho, levando a contratos de exportação com diversos países, incluindo Argentina, Líbano, Marrocos, Portugal, Paquistão, África do Sul e Brasil.  Antecipando as necessidades futuras do mercado militar de transporte, a empresa iniciou, em 1974, o desenvolvimento de um novo helicóptero de médio porte, baseado no SA-330 Puma, mas incorporando avanços tecnológicos significativos. O conceito e um modelo em escala (mock-up) da nova aeronave foram apresentados na edição de 1975 da Feira Aérea Internacional Paris Air Show, realizada em Le Bourget, França. Embora mantivesse semelhanças estruturais e conceituais com o Puma, o novo projeto introduzia inovações em áreas como aviônica, eficiência energética e capacidade de carga, visando atender às demandas de modernização das forças armadas globais.

O novo modelo incorporava uma série de aperfeiçoamentos estruturais e mecânicos que refletiam o amadurecimento da engenharia aeronáutica francesa. Equipado com dois motores turboeixo Turbomeca Makila, cada um com 1.877 hp de potência, o AS-332 apresentava notável incremento de desempenho em relação a seu antecessor. Esses motores, inteiramente concebidos e fabricados na França, simbolizavam a capacidade do país de produzir sistemas de propulsão de alta eficiência e confiabilidade, elementos centrais para o êxito da nova geração de helicópteros médios. O rotor principal de quatro pás, construído em materiais compósitos, garantia maior resistência a danos e redução de vibrações, enquanto a fuselagem ampliada e reforçada proporcionava maior capacidade de carga e melhor proteção balística, atributos essenciais em operações militares. O projeto incorporava ainda melhorias aerodinâmicas, como a adição de uma barbatana ventral sob a cauda, que conferia estabilidade direcional, e um nariz alongado, destinado a abrigar um radar meteorológico de última geração, ampliando a segurança e a versatilidade operacional em condições adversas. O primeiro protótipo, obtido pela adaptação de uma célula do SA-330 Puma e redesignado como AS-330, realizou seu voo inaugural em 5 de setembro de 1977. Serviu como plataforma experimental para validação dos novos sistemas, cujos resultados foram decisivos para a configuração definitiva do modelo. O protótipo do AS-332M Super Puma, resultado direto desses testes, decolou pela primeira vez em 13 de setembro de 1978, marcando o início de uma nova etapa na produção de helicópteros franceses de médio porte. Nos anos seguintes, cinco unidades adicionais foram construídas para avaliações operacionais e certificação. O AS-332 Super Puma destacou-se por seu desempenho superior em voo, oferecendo maior manobrabilidade, estabilidade e eficiência no consumo de combustível, qualidades que despertaram amplo interesse de operadores civis e militares. Essa receptividade levou à formalização de duas variantes principais: a AS-332B, voltada ao emprego militar, e a AS-332C, destinada a operações civis e corporativas. O primeiro cliente militar do novo modelo foi a Aviação Ligeira do Exército Francês (Aviation Légère de l’Armée de Terre – ALAT), que iniciou a incorporação das primeiras unidades em maio de 1980, substituindo gradualmente a frota de SA-330 Puma. Paralelamente, a versão civil AS-332C foi introduzida no mercado a partir de 1981, alcançando expressivo sucesso entre companhias de transporte aéreo, plataformas offshore e serviços de busca e salvamento. Em poucos anos, o modelo passou a operar em doze países, consolidando-se como referência internacional em confiabilidade e versatilidade. Entre 1981 e 1987, a SNIAS manteve uma taxa média de produção de três unidades por mês, atendendo à crescente demanda de clientes civis e forças armadas de diferentes nações. O reconhecimento mundial do Super Puma impulsionou ainda acordos de coprodução e montagem sob licença, como o estabelecido com a Indonesian Aerospace (IPTN), que, a partir de 1982, iniciou a produção local da aeronave — continuidade natural de sua experiência anterior com o SA-330 Puma.
O êxito o do Super Puma encorajou o desenvolvimento de variantes especializadas. Entre elas destacou-se o projeto “Orchidée” (Observation Radar et Commandement Héliporté pour la Défense et l’Engagement des Éléments), concebido para vigilância aérea no campo de batalha. Essa versão experimental foi equipada com um radar Doppler de pulso, instalado na parte inferior da fuselagem, capaz de realizar varreduras de 360 graus e detectar aeronaves de voo baixo e veículos terrestres em um raio de até 150 quilômetros. Os dados coletados  eram transmitidos em tempo real para estações terrestres móveis por meio de um enlace de dados de canal único, permitindo processamento e análise antes de serem encaminhados aos comandantes no campo de batalha. A variante subsequente foi desenvolvida para missões navais, abrangendo transporte de tropas e carga, além de operações de ataque, com ênfase em guerra anti-superfície (ASM). Essa versão podia ser equipada com mísseis Aerospatiale AM-39 Exocet e configurada para guerra antissubmarino (ASW), utilizando torpedos e bombas de profundidade. No final da década de 1990, a Força Aérea Helênica (HAF) emitiu uma solicitação para aquisição de helicópteros destinados a missões de Busca e Salvamento (SAR), com o objetivo de substituir sua frota de helicópteros Agusta Bell AB-205 SAR, em operação desde 1975. A necessidade de uma aeronave com elevada autonomia, capaz de operar em quaisquer condições meteorológicas, incluindo missões noturnas, resultou no desenvolvimento de uma variante especializada em Busca e Salvamento em Combate (CSAR), adotada por diversas forças militares. A família de helicópteros AS-332 Super Puma foi exportada para 38 nações, incluindo Brasil, China, Chile, Equador, Finlândia, Bolívia, França, Gabão, Geórgia, Grécia, Indonésia, Jordânia, Kuwait, Mali, Nigéria, Omã, Arábia Saudita, Singapura, Espanha, Suíça, Tailândia, Venezuela, Congo, Togo, Turcomenistão e Uzbequistão. Até o final da década de 1990, foram construídas e entregues 536 unidades. Sua versatilidade o tornou uma escolha popular para missões militares e civis, destacando-se em transporte, operações de combate e resgate. A fim de atender a evoluçao das demandas, a empresa desenvolveria a família AS-532 Cougar é uma evolução direta do AS-332. Projetado para atender a requisitos militares modernos, o AS-532 incorpora melhorias em aviônica, capacidade de carga, proteção e versatilidade, sendo amplamente utilizado em missões táticas, navais e de busca e salvamento em combate (CSAR). Em sua versão básica podia transportar até 25 soldados equipados ou 5.000 kg de carga útil, dispunha de blindagem reforçada, sistemas de contramedidas eletrônicas (ECM), dispensadores de chaff/flare e resistência a impactos para operação em ambientes hostis. Esta família ao longo do inicio do século 21 passaria a substituir a maioria das aeronaves militares das versões do Aerospatiale AS 332 Super Puma. 

Emprego na Marinha do Brasil.
A Força de Fuzileiros de Esquadra (FFE), instituída em 1950, foi estabelecida com o objetivo de desenvolver uma estrutura de combate anfíbio, inspirada no modelo e doutrina operacional do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC). Nos anos subsequentes, foram implementadas medidas para consolidar uma força anfíbia, com a aquisição de navios especializados em transporte de tropas, incluindo o G-20 Custódio de Mello, G-16 Barroso Pereira, G-21 Ary Parreiras e G-22 Soares Dutra, além de embarcações de desembarque de pessoal, material e viaturas (EDVP e EDVM). Esses recursos estabeleceram as condições necessárias para a execução de operações anfíbias de maior envergadura. Concomitantemente, foram incorporados os primeiros veículos destinados a operações de desembarque anfíbio, como os jipes M-38A1, M-38A1C, Willys CJ-5 e utilitários leves Dodge M-37, operados a partir das Embarcações de Desembarque de Viaturas e Material (EDVM). Nesse período, foram iniciados ciclos de treinamento voltados para desembarques de baixa complexidade, abrangendo tropas, veículos leves, peças de artilharia e cargas. Durante a década de 1960, a consolidação operacional da Força de Fuzileiros de Esquadra (FFE), integrante do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, evidenciou a necessidade de integrar capacidades de assalto aerotransportado para complementar as operações de desembarque anfíbio. Inicialmente, essa função foi desempenhada pelos helicópteros Westland WS-55 Whirlwind Series 1 e Series 3, operados pelo 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1). Contudo, a obsolescência desses modelos e sua baixa disponibilidade operacional levaram à utilização frequente dos helicópteros Sikorsky SH-34J "Baleia", pertencentes ao 1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (EsqdHS-1). A partir do início da década de 1970, a limitada disponibilidade de aeronaves de transporte da Aviação Naval, aliada à crescente demanda por meios aéreos para operações anfíbias, resultou no emprego dos helicópteros Sikorsky SH-3D Sea King, também operados pelo EsqdHS-1. Apesar de serem aeronaves de maior porte, equipadas com motores turboeixo confiáveis, seu uso em missões de transporte apresentava desafios significativos. Para atender a essa função, era necessário remover os complexos equipamentos de guerra antissubmarino, um procedimento laborioso que frequentemente causava danos aos sensíveis sensores eletrônicos. Tal prática comprometia a já limitada capacidade de guerra antissubmarino da Marinha do Brasil, revelando-se ineficiente e impactando diretamente a capacidade de dissuasão da Força Aeronaval. A solução improvisada adotada até então não atendia às exigências operacionais, em termos de quantidade e adequação, para suprir as necessidades específicas de transporte e desembarque helitransportado de fuzileiros navais, ou seja não havia plena capacidade de operação e ainda sim nestas ocasiões desfalcava-se a força de combate antissubmarino da esquadra.  

Assim, tornou-se imprescindível dotar a Aviação Naval da Marinha do Brasil com um vetor de asas rotativas especializado em missões de transporte de tropas e cargas, que pudesse ser completamente focado neste escopo de missão. Para atender a essa demanda, foi negociada com o Governo Federal uma alocação orçamentária suplementar, possibilitando ao Ministério da Marinha, em 1984, lançar uma concorrência internacional para a aquisição de seis a dez helicópteros bimotores turboeixo destinados ao transporte de tropas e cargas. Diversas propostas foram apresentadas, e o comando da Força Aeronaval realizou análises detalhadas, priorizando aeronaves de médio porte compatíveis com a dotação orçamentária disponível, eliminando assim de cara os principais vetores norte-americanos especializados neste tipo de emprego.  Esse processo culminou na elaboração de uma lista restritiva, na qual a proposta da empresa francesa Société Nationale Industrielle Aérospatiale (SNIAS) foi selecionada. A escolha foi favorecida pela relação comercial e operacional já estabelecida com a Marinha do Brasil, iniciada com a incorporação dos helicópteros Helibras-Aérospatiale HB-350B BA (UH-12) Esquilo produzidos nacionalmente sob licença. A proposta francesa incluía, além da aquisição de helicópteros de transporte, a venda de onze unidades do modelo AS-355 F2 Twin Ecureuil, configurando-se como a oferta mais vantajosa da concorrência. Em março de 1985, foi formalizado um contrato no valor de US$ 54 milhões, contemplando a aquisição de seis unidades do helicóptero AS-332 F1 Super Puma e onze unidades do AS-355 F2 Twin Ecureuil. Essa aquisição concretizou uma aspiração de longa data do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), que, desde a década de 1970, buscava o suporte de aeronaves de asas rotativas dedicadas ao transporte de tropas. Com a definição do vetor, foi instituída, no âmbito da Força Aeronaval, uma unidade específica para operar essas novas aeronaves. Assim, em 18 de setembro de 1985, por meio de decreto presidencial, foi criado o 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral – Esquadrão Pegasus (EsqdHU-2). Essa unidade passou a se dedicar prioritariamente ao apoio às operações anfíbias do Corpo de Fuzileiros Navais, fortalecendo a capacidade operacional da Força de Fuzileiros de Esquadra. A Marinha do Brasil consolidou-se como a primeira operadora da variante naval do helicóptero AS-332 F1 Super Puma, uma versão especialmente customizada, distinta das demais configurações de exportação disponíveis até então. Este modelo, projetado para atender às especificidades operacionais da esquadra brasileira, incorporava características únicas que o tornavam adequado às operações embarcadas em navios de maior porte. 
O AS-332 F1 Super Puma foi equipado com avançados sistemas de navegação e comunicação, representando o estado da arte em tecnologia embarcada à época. Dentre os principais equipamentos, destacam-se: Radar meteorológico: Bendix RDR 1400C, para operações em condições adversas;  Sistemas de comunicação: Dois rádios Collins VHF/UHF e AM/FM NA/ARC-182, além de um rádio HS/SSB; Computador de missão: Nadir MK II, para gerenciamento de dados operacionais; Sistema IFF: NA/APX-100, para identificação de amigo ou inimigo; Rádio altímetro: AHV-8, essencial para operações em baixa altitude. Além disso, a aeronave possuía a capacidade de dobrar as pás do rotor, funcionalidade destinada a otimizar o armazenamento nos hangares dos navios da Marinha, especialmente em unidades de grande porte. Durante a fase de produção, constatou-se que, mesmo com as pás do rotor dobradas, o AS-332 F1 excedia as dimensões máximas dos elevadores do navio-aeródromo ligeiro A-11 Minas Gerais, devido ao tamanho de sua fuselagem. Para superar essa limitação, foi desenvolvido um cone de cauda dobrável, uma solução inovadora que tornou a Marinha do Brasil a única operadora mundial dessa variante com tal recurso. Essa modificação exigiu um retrofit nas três primeiras células já produzidas e ajustes nas três unidades subsequentes, ainda em fase de fabricação. As primeiras aeronaves, desmontadas, foram entregues em 15 de abril de 1987, na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro. Designadas como UH-14, receberam as matrículas N-7070 a N-7075 e foram imediatamente integradas ao Núcleo do Segundo Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (NUEsqdHU-2), unidade criada para estruturar a operação e o recebimento dessas aeronaves. As duas últimas unidades foram entregues em fevereiro de 1988, marcando a ativação oficial do 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral, conhecido como Esquadrão Pegasus (EsqdHU-2). A introdução do AS-332 F1 Super Puma representou um marco significativo para a aviação naval brasileira, conferindo à Marinha do Brasil uma capacidade operacional avançada e personalizada. A adaptação do modelo às exigências específicas da esquadra, aliada à incorporação de tecnologias de ponta, solidificou o EsqdHU-2 como uma unidade estratégica para as operações marítimas do país. Com sua dotação completa alcançada em 1988, o 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral, conhecido como Esquadrão Pegasus (EsqdHU-2), iniciou suas atividades com a missão primária de apoiar as operações de desembarque anfíbio da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE).  Equipado com os helicópteros AS-332 F1 Super Puma, designados como UH-14, o esquadrão rapidamente expandiu seu escopo operacional, incorporando um amplo leque de tarefas, incluindo: Busca e Salvamento (SAR): Resgate em ambientes marítimos e terrestres; Lançamento de Tropas Especiais: Paraquedistas e mergulhadores de combate; Esclarecimento Marítimo: Reconhecimento e vigilância em operações navais; Apoio a Operações Noturnas: Suporte a pousos e decolagens em porta-aviões durante períodos noturnos. Inicialmente, os UH-14 Super Puma operavam predominantemente a bordo do navio-aeródromo ligeiro A-11 Minas Gerais. 

Com o passar dos anos, as aeronaves foram destacadas para atuar em outros navios da esquadra brasileira, especialmente aqueles dedicados ao desembarque e transporte de tropas, como: NDD G-31 Rio de Janeiro; NDD G-30 Ceará; NDCC G-28 Mattoso Maia; NDCC G-29 Garcia D’Ávila. A partir de 2002, os helicópteros também passaram a operar a bordo do novo navio-aeródromo A-12 São Paulo, ampliando sua versatilidade em operações embarcadas. Entre as missões originalmente previstas para o UH-14 Super Puma na Força Aeronaval, destacava-se seu potencial emprego como plataforma de guerra anti-superfície (ASM), utilizando mísseis MBDA AM-39 Exocet. Para tal propósito, a última célula produzida, UH-14 N-7075, foi equipada de fábrica com a cambagem necessária para a instalação do radar de missão Omera ORB-32. Contudo, essa capacidade nunca foi implementada operacionalmente, permanecendo apenas como uma intenção inicial, com este escopo de missão sendo realizado somente pelos Augusta Sikorsky ASH-3H. O único acidente grave registrado com o modelo ocorreu em 18 de setembro de 1990, quando o UH-14 N-7072 sofreu um sinistro com perda total durante uma operação a bordo do navio-aeródromo ligeiro A-11 Minas Gerais. Este evento marcou a única baixa significativa na história operacional do modelo no EsqdHU-2. O Esquadrão Pegasus, com seus UH-14 Super Puma, consolidou-se como uma unidade essencial para a aviação naval brasileira, demonstrando versatilidade e capacidade em uma ampla gama de missões. Sua integração com diversos navios da esquadra e a adaptação às demandas operacionais reforçaram o papel estratégico do esquadrão no contexto das operações marítimas do Brasil. Em abril de 1992, a Marinha do Brasil formalizou a aquisição de duas novas aeronaves diretamente do fabricante, com o objetivo de atender a duas necessidades estratégicas: recompor a frota após a perda do helicóptero UH-14 N-7072, em setembro de 1990, e ampliar a capacidade orgânica do 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-2).  Embora idênticas em projeto às unidades entregues anteriormente, essas novas aeronaves receberam a designação AS-532 SC Cougar, conforme as normas europeias vigentes à época. As duas células, desmontadas, foram transportadas ao Brasil por aeronaves Lockheed C-130H Hercules da Força Aérea Brasileira. A montagem foi realizada por técnicos da Helibras S/A na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, antes de seu translado para a Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia. As aeronaves foram incorporadas à frota com as matrículas N-7076 e N-7077, reforçando a capacidade operacional do EsqdHU-2. Em 2011, o EsqdHU-2 alcançou um marco significativo ao qualificar suas aeronaves AS-532 SC Cougar para o emprego de metralhadoras FN MAG de 7,62 mm. Operadas pelos mecânicos de voo, essas armas, idênticas às utilizadas nos recém-adquiridos helicópteros Eurocopter EC-725 UH-15 Caracal, conferiram às aeronaves do esquadrão maior capacidade de autoproteção e suporte às tropas durante operações de embarque e desembarque. Essa modernização ampliou a versatilidade do EsqdHU-2, alinhando suas capacidades às demandas de missões táticas e de apoio em cenários complexos.
Contudo, com o avanço tecnológico e a necessidade de maior capacidade operacional, a Marinha do Brasil iniciou, em 2008, o programa H-XBR, em parceria com a Helibras/Airbus Helicopters, para aquisição de 16 helicópteros H225M (designados UH-15 Super Cougar e UH-15A/AH-15B). Essas aeronaves, mais modernas, foram projetadas para substituir gradualmente os UH-14, oferecendo maior autonomia, capacidade de carga e integração de armamentos, como os mísseis antinavio AM-39 Exocet na versão AH-15B. A primeira aeronave UH-15 foi entregue em abril de 2011, marcando o início da transição. As versões UH-15 e UH-15A foram empregadas em missões de emprego geral, SAR, operações anfíbias e operações especiais, enquanto a versão AH-15B foi planejada para guerra antissuperfície (ASuW), uma capacidade inicialmente prevista, mas nunca implementada, para o UH-14. Os UH-14 Super Puma foram gradualmente desativados ao longo da década de 2010, com sua aposentadoria completa registrada em 2018. A desativação foi motivada por vários fatores: Obsolescência Tecnológica: Apesar de bem equipados na década de 1980, com sistemas como o radar meteorológico Bendix RDR 1400C e o computador de missão Nadir MK II, os UH-14 não acompanharam os avanços tecnológicos das décadas seguintes, especialmente em comparação com o UH-15, que incorporava óculos de visão noturna (OVN), radar APS-143C e maior capacidade de integração de armamentos. Introdução do UH-15 Super Cougar: A chegada das novas aeronaves H225M, com maior capacidade de transporte (até 28 passageiros ou 18 fuzileiros equipados), autonomia superior e sistemas mais avançados, tornou os UH-14 redundantes. O UH-15 assumiu as missões anteriormente desempenhadas pelo UH-14, com melhor desempenho em operações multimissão. Custos de Manutenção: Após mais de 30 anos de serviço, a manutenção dos UH-14 tornou-se cada vez mais custosa, especialmente considerando os desafios logísticos de peças sobressalentes para um modelo em fase de descontinuação global. A substituição pelo UH-15, produzido localmente pela Helibras, oferecia maior sustentabilidade logística. Reorganização Operacional: A Marinha planejou redistribuir suas capacidades aéreas, incluindo a criação de novas unidades, como esquadrões em Belém e Rio Grande, para operar os UH-15. Havia também planos de transferir os UH-14 para uma nova unidade em Manaus, mas esses planos foram abandonados em favor da completa substituição pelo UH-15. A desativação dos UH-14 Super Puma em 2018 foi um marco na evolução da aviação naval brasileira, refletindo a necessidade de modernização frente às demandas operacionais e tecnológicas contemporâneas. Substituídos pelos mais avançados UH-15 Super Cougar, os UH-14 deixaram um legado significativo, tendo sido fundamentais para o desenvolvimento do Esquadrão Pegasus e para a projeção da Marinha do Brasil em operações marítimas e humanitárias. A transição para o UH-15 garantiu maior capacidade e flexibilidade, alinhando a Força Aeronaval às exigências estratégicas do século XXI.

Em Escala.
Para representarmos o  AS332 F1 Super Puma UH-14 "7071", fizemos uso do modelo da Italeri na escala 1/72, que originalmente representa a AS 332 Super Puma em sua versão padrão de produção.  Apesar de apresentar grande semelhança com o modelo operado pela Aviação Naval da Marinha do Brasil, e necessário reproduzir em scratch building o sistema de flutuação de emergência instalado no nariz da aeronave,  e o sistema de guincho lateral pois estes itens não estão presentes no kit.  Apesar de modelo dispor de decais originais para a versão brasileira, empregamos juntamente itens presentes no antigo set 72/03 confeccionado pela FCM Decais. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura em cinza brilhante com marcações em branco empregado pela Aviação Naval da Marinha do Brasil. Este padrão se manteve em aplicação até fins da década de 1990 quando foi substituído por outro esquema com o emprego de cinza fosco e marcações em preto. Para a aplicação do esquema de pintura tático, foram empregadas tintas e vernizes de alta qualidade produzidos pela Tom Colors.


Bibliografia :
- Aviação Naval Brasileira - Professor Rudnei Dias da Cunha  http://www.rudnei.cunha.nom.br/Asas%20sobre%20os%20mares/index.html
- HU-2 O Esquadrão Pegasus da Marinha - Jackson Flores Jr - Revista Força Aérea Nº 5
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr

M-125A1 Porta Morteiro (VtrBldEspSL)

História e Desenvolvimento. 
A origem e o emprego dos carros blindados de transporte de tropas em larga escala no campo de batalha ocorreram durante a Segunda Guerra Mundial, com a utilização de veículos de tração do tipo meia-lagarta. Destacou-se, nesse contexto, o modelo Hanomag Sd.Kfz. 251, amplamente utilizado pelo Exército Alemão (Wehrmacht). Já entre os exércitos norte-americano e britânico, a predominância desse tipo de veículo no campo de batalha foi representada pela família de meias-lagartas dos modelos White M-2, M-3 e M-5 Half Track Car, empregados em grandes quantidades em todos os teatros de operações do conflito. Apesar de seu importante papel no esforço de guerra, executando tarefas de transporte de tropas e cargas, os modelos norte-americanos apresentavam uma deficiência significativa: a ausência de uma estrutura de cobertura blindada. Essa falha de projeto tornava os soldados vulneráveis a armas leves e estilhaços de projéteis. Para solucionar esse problema, ainda durante as últimas fases do conflito, foi desenvolvido o projeto M-44 (T16), um veículo blindado de transporte de tropas originalmente derivado do carro de combate M-18 Hellcat. Seu conceito inicial priorizava a proteção total dos ocupantes, resultando em um veículo de dimensões muito superiores aos modelos meia-lagarta então em uso, com capacidade para transportar até 24 soldados totalmente equipados e um peso total de combate de 23 toneladas. Foram construídos três protótipos, submetidos a ensaios e testes em campo. Durante esse processo, verificou-se que o peso total do veículo limitava significativamente sua velocidade e sua capacidade de transpor terrenos irregulares, levando à decisão de cancelamento do projeto. No entanto, a ideia não foi abandonada, sendo reformulados os parâmetros de projeto para esse tipo de blindado. Em setembro do mesmo ano, foi lançada uma concorrência para o desenvolvimento de um novo veículo blindado destinado ao transporte de tropas, com capacidade para até dez soldados. Entre os requisitos especificados, destacava-se a necessidade de que esse novo modelo fosse baseado na plataforma e no chassi do veículo de transporte de carga T-43 Cargo Carrier. Diversas montadoras apresentaram suas propostas em meados de 1946, as quais foram avaliadas pelo Comando de Material do Exército dos Estados Unidos (US Army). Os resultados apontaram para a superioridade do modelo conceitual T-18EI, desenvolvido pela empresa International Harvester Company (IHC), resultando na celebração de um contrato para a produção de quatro protótipos iniciais. Esses foram concluídos e disponibilizados para testes no início de 1947. O programa de avaliação estendeu-se por mais de oito meses e resultou em uma série de demandas de melhorias ao fabricante. Após a implementação das alterações recomendadas, os quatro protótipos foram novamente submetidos a ensaios, sendo posteriormente homologados para produção em série. O primeiro contrato de aquisição, contemplando mil unidades, foi formalizado em maio de 1950, com o modelo recebendo a designação oficial de M-75 Veículo de Infantaria Blindado (Personnel Carrier - APC). 

Os primeiros veículos blindados deste modelo foram disponibilizados às unidades de infantaria do Exército dos Estados Unidos (US Army) a partir do início de 1952, substituindo gradualmente os blindados meia-lagarta White M-3 e M-5 Half Track ainda em operação. Apesar de ser mais leve que os protótipos do modelo M-44 APC, o novo veículo de infantaria blindado ainda possuía um peso total de combate de dezoito toneladas, considerado elevado. Durante os exercícios operacionais, verificou-se que esses veículos não conseguiam acompanhar os carros de combate no campo de batalha, comprometendo a mobilidade e a sincronia das unidades motorizadas de uma força terrestre. Essa situação gerou grande preocupação entre os estrategistas militares, resultando na decisão de cancelar o contrato de produção ainda em vigência. Como medida emergencial, foi necessário reativar algumas centenas de veículos meia-lagarta previamente transferidos para a reserva. Para solucionar essa deficiência, em dezembro de 1953 foi lançada uma nova concorrência para o desenvolvimento de um veículo blindado de transporte de tropas mais eficiente, prevendo a aquisição de pelo menos cinco mil unidades. O novo modelo deveria manter a premissa de garantir adequada proteção aos ocupantes, mas com menor peso total de deslocamento. Além disso, deveria possuir relativa capacidade anfíbia para a transposição de rios e pequenos cursos d'água, bem como a possibilidade de ser aerotransportado pelos aviões de grande porte então em desenvolvimento. Dentre as propostas apresentadas, o modelo T-59, desenvolvido pela Food Machinery and Chemical Corporation (FMC), destacou-se frente à concorrência, sendo selecionado pelos militares norte-americanos. Como parte do processo de avaliação, foi firmado um contrato para a produção de oito unidades pré-série, as quais seriam submetidas a um novo programa de ensaios operacionais entre setembro e outubro de 1953. Os primeiros veículos de série foram incorporados às unidades de infantaria do Exército dos Estados Unidos (US Army) em agosto de 1954, sendo recebidos com entusiasmo devido ao seu porte imponente e modernas linhas de design. No entanto, durante o uso operacional, o modelo apresentou deficiências significativas relacionadas à potência do motor, velocidade, autonomia e mobilidade. Esses problemas decorriam, principalmente, do alto peso de deslocamento do veículo. Essa problemática gerou grande preocupação no comando do Exército dos Estados Unidos (US Army), levantando questionamentos sobre a real eficiência e capacidade de sobrevivência do FMC M-59 em um possível cenário de conflito moderno na Europa contra as forças soviéticas.
Neste mesmo momento, o comando militar do Exército dos Estados Unidos (US Army), passaria a elaborar planos para a futura substituição do M-75 APC, que apesar de sua robustez e confiabilidade se mostrava inadequado a missão, com o novo M-59 APC reprisando esta mesma problemática operacional de desempenho no campo de batalha. Criava-se então no ano de 1958, uma demanda para o desenvolvimento de um novo veículo blindado de transporte de tropas, com este modelo devendo unir as melhores características operacionais do M-75 e M-59. Este novo veículo blindado deveria apresentar velocidade compatível aos carros de combate no campo de batalha (principalmente o M-41 e M-48), relativa capacidade anfíbia e possibilidade se ser aerotransportado. Estes parâmetros resultariam no desenvolvimento do conceito AAM-PVF - Airborne Armored Multi-Purpose Vehicle (Veículo Multiuso Blindado Aerotransportado).  Uma concorrência seria deflagrada no final deste mesmo ano, e em meados de 1959 a FMC Food Machinery Corp seria declarada vencedora. Grande parte desta decisão recairia sobre o inovador sistema de blindagem proposto, sendo composta por uma liga de duralumínio que fora desenvolvido em parceria com a empresa Kaiser Aluminium and Chemical Company. Esta solução proporcionaria ao veículo uma suficiente proteção blindada e uma grande mobilidade e velocidade no campo de batalha devido ao seu baixo peso final. Este projeto receberia a designação militar de T-113, sendo celebrado um primeiro contrato para a produção de três carros pré-série quer seriam destinados a avaliação. Estes veículos blindados de transporte de tropas seriam equipados com um motor a gasolina Chrysler 75M com 8 cilindros em "V" com potência de 215 hp, seriam entregues em maio de março de 1950, sendo imediatamente submetidos a um intensivo programa de ensaios em campo, com este processo se estendendo até o mês de setembro. Os resultados validaram sua produção em série, com um primeiro contrato sendo celebrado logo em seguida, envolvendo inicialmente novecentas unidades, com o modelo recebendo a designação militar de M-113AO APC, com os primeiros sendo entregues as unidades operativas do Exército dos Estados Unidos (US Army) entre os meses de maio e junho do ano de 1960. Em campo o novo M-113 podia transportar até a linha de frente onze soldados totalmente equipados, servindo de proteção e apoio até o desembarque da tropa, devendo então recuar para a retaguarda. Como armamento de autodefesa, o blindado contava com uma metralhadora M-2 Browning de calibre .50 (12,7 mm) operada manualmente pelo comandante. Passariam também logo a ser desdobrados em operações aerotransportadas nos novos aviões de transporte pesado, Lockheed C-130 Hercules e Lockheed C-141 Starlifter da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF).     

Após sua completa introdução operacional, seria decidido implantar o novo M-113AO em um cenário de conflagração real, para fins avaliação real no campo de batalha, com esta demanda sendo atendida em 1962, pela cessão de trinta e dois blindados deste modelo para o Exército da República do Vietnã (ARVN). Em operação na Guerra do Vietnã, os M-113AO, passariam dotariam duas companhias mecanizadas, com seu batismo de fogo sendo realizados em janeiro de 1963 durante os eventos da Batalha de Ap Bac na província de Dinh Tuong (agora Tien Giang). Apesar de seu relativo sucesso, diversos ensinamentos seriam tirados desta experiencia, levando a adoção de significativas melhorias na blindagem e sistemas críticos ao projeto original. Estas mudanças levariam ao desenvolvimento em 1964, de uma nova versão designada como M-113A1, que apresentava como maior destaque a adoção do motor a diesel Detroit 6V53T de 265 hp de potência que praticamente dobrava a autonomia do veículo. Durante os anos seguintes os M-113 seriam deslocados em larga escala para o Vietnã para o emprego do Exército dos Estados Unidos (US Army) naquele conflito, onde receberia o apelido de "Táxi de Combate".  Seria usado para romper matagais pesados no meio da selva para atacar e invadir posições inimigas. Era amplamente conhecido como "APC" ou "ACAV" (veículo blindado de assalto de cavalaria). No entanto neste cenário seriam também conhecidos por suas fragilidades na blindagem inferior, caso atingisse uma mina terrestre, por essa razão, muitos soldados preferiam viajar sobre a cobertura do blindado ao invés de ocupar o seu compartimento interior. Em 1978 o modelo já representava um sucesso estrondoso, registrando exportações para mais de vinte países, com sua produção já atingindo a cifra de mais 25.000 unidades, levando a Food Machinery and Chemical Corporation (FMC), a desenvolver uma nova versão designada como M-113A2. Este novo modelo apresentaria melhorias significativas na suspensão e sistema de refrigeração, tornando assim o blindado como uma plataforma viável para emprego em cenários de combate de alto atrito. Seu projeto se mostraria ainda extremamente customizável para o emprego em versões especializadas, como carro comando, antiaéreo, porta morteiro, lança chamas, socorro, oficina e antitanque (com misseis Tow). Estas versões seriam produzidas aos milhares, elevando os níveis de padronização das frotas blindadas de diversas nações. As Forças de Defesa de Israel se tornariam o segundo maior operador do M-113AO, com mais de seis mil veículos em serviço, com os primeiros a serem incorporados sendo representados por veículos jordanianos foram capturados na Cisjordânia durante a Guerra dos Seis Dias e integrados as forças israelenses.  Em 1970, a Força de Defesa de Israel (IDF) começaria a receber centenas de M-113A1 para substituir as antiquadas meias lagarta, e em mais de cinquenta anos de atividade, estes veículos blindados teriam destacada participação nos conflitos regionais.  A partir de 1968 surgia a nova versão denominada M-125 com motorização a diesel, que a exemplo do M-106 possuía a estrutura do piso reforçado com feixes de aço soldado para poder suportar a reação do disparo da arma, prateleiras para o armazenamento de até 69 cargas explosivas e uma plataforma interna giratória para orientação do morteiro M-29 de 81mm, também levava uma plataforma menor para operação externa da arma. Sua guarnição era composta pelo motorista, comandante e quatro operadores da arma. 
Em 1987 seria apresentado pelo fabricante o novo M-113A3, versão na qual seriam introduzidas novas melhorias com o objetivo de proporcionar uma "sobrevivência aprimorada no campo de batalha". Este programa passaria a incluir um garfo para direção em vez do sistema laterais, um pedal de freio, um motor mais potente (turbo 6V-53T Detroit Diesel) e revestimentos internos para melhor proteção da tripulação. Ainda seriam adotados tanques de combustível blindados, instalados em ambos os lados da rampa traseira, liberando 0,45 metros cúbicos (16 pés cúbicos) de espaço interno. Este modelo obteria grande destaque durante a primeira Guerra do Golfo Persico contra o Iraque, quando passariam a desempenhar papéis importantes, tanto no combate urbano quanto nas diversas funções de manutenção de paz, provando assim sua versatilidade e a combinação precisa de volume interior, perfil exterior, construção simples e fácil manutenção. Sua comprovada e versátil plataforma levaria ao desenvolvimento de versões especializadas como o M-58 Gerador de Fumaça, M-106 Porta Morteiro, M-132 Lança Chamas, M-125 Porta Morteiro, M-150 Antitanque, M-163 VADS antiaérea, M-577 Comando, M-579 Socorro, M-48 Chaparral antiaéreo, M-1064 Porta Morteiro, M-113 Ambulância, M-806 Socorro e Recuperação, M-113 "C & R" (Comando e Reconhecimento) e M-901 ITV Antitanque. Seu sucesso comercial internacional seria catapultado por programas de apoio na aquisição de material militar norte-americano, como o programa Military Assistance Program – MAP (Programa de Assistência Militar) e posteriormente o programa Foreign Military Sales – FMS (Vendas Militares a Estrangeiros), facilitando o acesso a sessenta países. Estes veículos estiveram presentes nos principais conflitos regionais ocorridos durante os séculos XX e XXI, como as guerras do Vietnã, Camboja-Vietnamita, Sino-Vietnamita, Guerra dos Seis Dias, Indo-Paquistanesa de 1965 e 1971, Yom Kippur, Invasão Turca de Chipre, Civil Libanesa, Líbano de 1982, Irã-Iraque, Golfo Pérsico, Kosovo, Afeganistão, Iraque, Noroeste do Paquistão, Segunda Intifada, Líbano de 2006, Gaza, Civil Líbia, Insurgência iraquiana, Civil da República Centro-Africana (2012-2014), Civil iraquiana, Civil do Iêmen, Houthi-Arábia Saudita e por fim a invasão Russa da Ucrânia a partir de outubro de 2022. Ao longo de mais de trinta anos seriam produzidas cerca de 80.000 unidades, com 4.500 destes montados sob licença em empresas na Bélgica, Itália e Coreia do Sul. Atualmente estima-se que grande parte da frota mundial ainda esteja em operação, e constantes programas de modernização em curso mundo afora, permitirão seu emprego ainda por décadas no século XXI. 

Emprego na Marinha do Brasil.
A Força de Fuzileiros de Esquadra ou FFE foi criada no de 1950 a fim de estabelecer uma estrutura de combate anfíbia, com os primeiros passos sendo dados nos anos seguintes com o objetivo de se constituir uma força de combate anfíbia nos moldes do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC). Em seguida seriam recebidos os primeiros navios especializados na missão de transporte de tropas, o G-20 Custodio de Mello, G-16 Barroso Pereira, G-21 Ary Parreiras e G-22 Soares Dutra e também as embarcações de desembarque de pessoal, material e viaturas (EDVP e EDVM), criando as bases para o lançamento para operações anfíbias em larga escala. Neste momento seriam adquiridos os primeiros veículos destinados ao emprego nas operações de desembarque anfíbio como os jipes M-38A1, M-38A1C, Willys CJ-5 e utilitários leves como os Dodge M-37, que operariam a partir das Embarcações de Desembarque de Viaturas e Material (EDVM). Seriam iniciados os primeiros ciclos de adestramento fundamentados na realização de desembarques de pequena complexibilidade, envolvendo tropas, veículos leves, peças de artilharia e cargas. Nos anos seguintes seriam realizados estudos visando a aquisição de veículo anfíbios de transporte como os robustos LVTP-5 ou blindados de transporte de tropas FMC M-113, porém apesar de serem modelos com cunho aspiracional, seus custos de aquisição eram algo completamente fora da realidade orçamentária da Marinha do Brasil. Uma solução paliativa seria efetivada em 1972 com a aquisição de um lote de caminhões anfíbios GMC Duwk oriundos dos estoques da Marinha Nacional Francesa (Marine Nationale), porém ainda figurava na força a necessidade em se dispor de um moderno veículo blindado de transporte de tropas. Esta demanda seria atendida no ano seguinte, quando seriam incorporados os primeiros Engesa EE-11 Urutu a fim de dotar o recém-criado Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz),  unidade subordinada diretamente a Comando da Divisão Anfíbia. No entanto em operação estas viaturas seriam avaliadas como poucos eficazes nas operações de desembarque anfíbio, principalmente devido sua tração por rodas acarretar problemas de trafegabilidade em certos tipos de terreno como as faixas de praia.  Apesar desta limitação operacional o Engesa EE-11 Urutu acabaria sendo fundamental na tarefa de servir como embrião da doutrina de utilização de veículos blindados de transporte de tropas para o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN). Neste momento o comando da Marinha do Brasil, passaria considerar a aquisição de uma família de veículos blindados de transporte de tropas com tração sob esteiras, a fim de atender as demandas de suas operações de desembarque anfíbio.  As aspirações iniciais do comando do Fuzileiros Navais da Marinha (CFN) apontavam para a adoção de um lote dos novos veículos norte-americanos de assalto anfíbio FMC AAV-7A1, porém estes apresentavam um custo unitário de aquisição proibitivo, excedendo em muito a previsão orçamentaria naquele momento. 

Uma solução mais viável seria baseada na incorporação do veículo blindado de transporte de tropas FMC M-113A1, que apesar de não atender a todas as especificações almejadas para operações anfíbias poderiam ser adquiridas em condições econômicas favoráveis. Pesava ainda sobre esta escolha o fato do modelo ser empregado em larga escala pelo Exército Brasileiro, comprovando excelentes resultados operacionais em campo. Desta maneira a partir de abril de 1974 seriam conduzidas negociações entre o Ministério da Marinha e o governo norte-americano, que logo se materializariam na celebração de um contrato, para a aquisição de um lote de trinta carros novos de fábrica da família FMC M-113. Este acordo previa o fornecimento de quatro versões, 24 na versão M-113A1 Transporte de Tropas, 02  M-125A1 carro porta morteiro, 01 M-113A1G oficina, 02 M-577A1 Comando e por fim um carro socorro do modelo XM-806E1. Os primeiros veículos começaram a ser recebidos em 07 de novembro de 1976, passando a ser incorporadas ao Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz), neste momento um grande programa de treinamento operacional seria ministrado por equipes do fabricante em parceria com oficiais e mecânicos do Exército Brasileiro, oriundas de unidades operativas que já faziam uso deste mesmo veículo. Após o término desta fase o modelo seria declarado operacional em dezembro de 1977, recebendo a designação de Viatura Blindada Especial Sobre Lagartas (VtrBldEspSL) M113 de Transporte de Pessoal (TP). Neste momento passariam a operar em conjunto com os Engesa EE-11 Urutu. Visando adequar a nomenclatura a missão principal da unidade, o Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz), seria extinto, sendo criado assim em seu lugar, a Companhia de Viaturas Blindadas (CiaVtrBld).  Desde o início das operações anfíbias da Força de Fuzileiros de Esquadra (FEE), o M-125A1, seria o primeiro carro porta morteiro a ser incorporado a força, e apesar de só se disporem de dois os carros os mesmos foram fundamentais na doutrina de operações ofensivas de saturação de área, para apoio e defesa nas operações de desembarque anfíbio, operando a partir de navios de desembarque de carros de combate Marinha do Brasil. O primeiro exercício de grande monta com este tipo de plataforma de artilharia aconteceria em abril 1981, quando os dois M-125A1 foram desembarcados no litoral do Espírito Santo a partir do navio de desembarque de carros de combate G26 - Duque de Caxias (classe De Soto County)Em operação constante estes veículos viriam a trazer a um novo patamar de operacionalidade a Força de Fuzileiros de Esquadra, participando ativamente nos anos seguintes de inúmeros treinamentos e operações anfíbias como a série das Operações Dragão. Em 1986 a unidade passou a ser designada como Batalhão de Viaturas Anfíbias (BtlVtrAnf) permanecendo até 2003, quando da ativação do Batalhão de Blindados de Fuzileiros Navais (BtlBldFuzNav), concentrando todas os veículos da família M-113 em operação nesta unidade. 
Com a desativação dos Engesa EE-11 Urutu, até o recebimento dos FMC AAV-7A1 Clanf em maio de 1986, os M-113A1 seriam os os únicos veículos blindados de transporte de tropas em serviço no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). No início da década de 2000, os blindados M-113A1, M-125A1 Porta-Morteiro, M-577A1 Carro Comando, M-113A1G Carro Oficina e XM-806E1 Carro Socorro estavam próximos de completar quarenta anos de serviço junto ao Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN). O emprego intensivo ao longo dos anos, no entanto, cobrou seu preço, resultando em uma disponibilidade operacional média de apenas 66%, o que afetou significativamente a capacidade de mobilidade da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE). Esse cenário foi agravado por problemas mecânicos e elétricos decorrentes de diversos fatores críticos, como desgaste operacional, conservação inadequada, falhas na manutenção e irregularidades na aquisição de suprimentos e peças de reposição, que já não eram facilmente encontradas no mercado internacional. Diante dessa problemática, em 2007, o Comando da Marinha do Brasil iniciou estudos para a substituição da frota de Viaturas Blindadas Especiais Sobre Lagartas FMC M-113A1, considerando inclusive a aquisição de um terceiro lote de veículos de assalto anfíbio United Defense AAV-7A1. Contudo, devido ao contingenciamento orçamentário enfrentado pela Marinha do Brasil nesse período, essa possibilidade foi descartada. Dessa forma, uma nova abordagem foi adotada, explorando alternativas que incluíam tanto a aquisição de veículos por oportunidade quanto a implementação de um programa de modernização. A escolha recaiu sobre a segunda opção, prevendo um processo abrangente de atualização mecânica, elétrica e sistêmica, capaz de restaurar a capacidade operacional da frota e estender sua vida útil por, no mínimo, vinte anos. Para embasar essa decisão, uma equipe técnica analisou diversos programas de modernização aplicados a veículos da mesma família em outros países. As percepções obtidas nortearam a definição dos critérios e objetivos a serem alcançados, estabelecendo os parâmetros para uma futura concorrência internacional. Esse processo foi iniciado no final de 2007, quando a Marinha do Brasil passou a receber diversas propostas de empresas especializadas nesse segmento. Após um rigoroso estudo comparativo, a proposta da empresa israelense Israel Military Industries (IMI) foi considerada a mais vantajosa. Dessa forma, em 28 de novembro de 2008, a Comissão Naval Brasileira em Londres (CNBE) assinou um contrato no valor de US$ 15,8 milhões, prevendo a modernização de todos os blindados deste familia existentes na frota do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN).

Além de apresentar a melhor relação custo-benefício, este pacote de modernização se destacou pela execução de todos os trabalhos nas instalações do Centro de Reparos e Suprimentos Especiais do Corpo de Fuzileiros Navais (CTeCFN), sob a supervisão do Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais (CTecCFN) e com assistência da Israel Military Industries (IMI). Dentre os principais aprimoramentos, destaca-se a adoção do motor Caterpillar C7 (224 kW – 300 HP), automático, com injeção eletrônica e versão militar (off-road). Este motor possui componentes disponíveis no mercado nacional, reduzindo custos e assegurando a disponibilidade de sobressalentes a longo prazo. Operando em conjunto com a transmissão automática Allison 3200SP, de seis marchas à frente e uma reversa, controlada eletronicamente e também composta por peças de fácil reposição no comércio nacional, o conjunto garante maior eficiência operacional. A suspensão foi aprimorada com a introdução de novas barras de torção e amortecedores mais robustos, além do acréscimo do setor de contato com o amortecedor e batentes de proteção do patim. Também foram incorporados novos braços das rodas de apoio (nas estações de roda 1, 2, 4 e 5), permitindo maior afastamento do solo e melhor absorção de impactos. O kit de reposicionamento do conjunto tensor da lagarta e do braço da roda tensora também foi implementado. O sistema de direção foi modernizado com a adoção de um kit de aperfeiçoamento de controle, substituindo os manches da versão anterior por um volante hidráulico, semelhante ao utilizado no CLAnf. Além disso, as lagartas foram substituídas pelo modelo Diehl System Track 513 Agressive, proporcionando maior vida útil ao patim, melhor desempenho, redução de vibrações e ruídos, bem como menor desgaste das rodas de apoio. Para ampliar a autonomia operacional e aumentar a segurança da tripulação, foram instalados tanques de combustível externos com capacidade de 360 litros cada. Esta configuração minimiza riscos em caso de incêndio no interior da viatura e permite a continuidade do funcionamento, mesmo em caso de avaria em um dos tanques. Na parte elétrica e eletrônica, as viaturas passaram a contar com novos rádios de comunicação, um alternador de 200 AMP, ar-condicionado fornecido pela Marvin Land Systems e um sistema de extinção de incêndio. Além disso, todas as unidades modernizadas receberam a preparação para a instalação de um kit de navegação, permitindo a transposição de cursos d'água. O pacote de modernização também previu a futura integração de acessórios mais avançados, como imageadores termais, telas digitais, kits de proteção balística interna e externa, bem como o conjunto de lançadores de granadas fumígenas de 76 mm. No entanto, ressalta-se que os dois  M-125A1 não receberam as estações de armamento Platt MR555 Mod-2 (26).
Os veículos porta morteiros, foram os primeiros a serem submetidos a este processo, passando a ser designados como M-125MB1 (MB – Marinha do Brasil e 1 – primeiro modernizado).  Dentre as unidades de transporte, uma foi equipada com um sistema de câmera termal com a finalidade de ser avaliada para possível aprovação e futura incorporação ao conjunto operacional. Ainda no mesmo ano, durante a LAAD 2013 – Defence & Security, o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN) apresentou o modelo M-113MB1 VtrBldEspSL, equipado com um kit de flutuação composto por blocos de navegação acoplados ao veículo, evidenciando a versatilidade da modernização implementada. Ressalta-se que todas as viaturas podem receber esse kit para atravessar cursos d'água, embora seja comum observá-las sem essa configuração e sem a quebra-mar. No decorrer de 2013, foi adquirido um kit de blindagem externa do sistema "High Hard Appliqué Armor Toga", de fabricação israelense, projetado para proteção contra armamentos do tipo RPG-7 e munições calibre .50. Adicionalmente, no interior da viatura foi instalada a blindagem do tipo "Internal Spall Liner". O pacote de aprimoramentos foi complementado com a adoção do sistema "Drive Night Vision" (equipamento de navegação termal) e do "Smoke Grenade System 76 mm" (lançador de granadas fumígenas). Os testes conduzidos demonstraram a eficácia dessas modificações, permitindo sua adoção em um número maior de viaturas da frota. A entrega dos últimos modelos M-113MB1VtrBldEspSL ocorreu no início de 2016, marcando a conclusão bem-sucedida do projeto. Esse programa não apenas elevou o padrão operacional da frota, mas também proporcionou um avanço significativo no conhecimento técnico e na experiência da equipe da Marinha do Brasil, especialmente nos campos da soldagem, manutenção, mecânica e integração de sistemas. O contrato firmado em 2008 previa um acordo de compensação (OFFSET), pelo qual o fabricante se comprometeu a fornecer treinamento completo ao pessoal técnico da Marinha do Brasil, capacitando-os para a operação e manutenção dos blindados modernizados em todos os níveis. Além disso, o programa objetivou qualificar diversas empresas brasileiras para a execução de manutenções de 3º e 4º escalões, abrangendo o fornecimento de sobressalentes, componentes e materiais, bem como viabilizando a aquisição de bens e serviços relacionados à modernização desses veículos.

Em Escala.
Para representarmos o M-125A1 VtrBldEspSL Porta Morteiro  "CFN 3110551" em sua configuração antes de ser modernizado,  utilizamos o antigo kit Academy (versão original M-106A1), na escala 1/35. Para compormos a versão empregada pelo Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN), faz se necessário proceder a troca do morteiro, pois o kit contempla uma peça de 107 mm, a solução encontrada foi a de utilização de um morteiro de 81 mm presente no kit LAV-M da Trumpeter na mesma escala. Fizemos uso de decais confeccionados pela Decals e Books presentes no set " Forças Armadas do Brasil".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura de camuflagem tática empregado em veículos desta família no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) . Este esquema  foi substituído na década e 1980, sendo novamente alterado em no inicio da década seguinte.  As viaturas modernizadas emergiram deste processo adotando um padrão ligeiramente diferente deste, podendo apresentar  pequenas variações de tons de cores.


Bibliografia : 
- Variants of the M113 armored personnel carrier-  Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Variants_of_the_M113_armored_personnel_carrier
- M-113 APC - http://en.wikipedia.org/wiki/M113_armored_personnel_carrier
- Fuzileiros Blindados - Operacional - http://www.operacional.pt/fuzileiros-blindados-i/
- M-113 no Brasil – Expedito Carlos Stephani Bastos

C-99A/B e VC-99A Embraer ERJ-145


História e Desenvolvimento. 
A história da Embraer tem início em um momento decisivo para o Brasil. Na década de 1960, o país buscava reduzir sua dependência externa em setores estratégicos, entre eles o aeroespacial. Nesse contexto, o governo federal, por meio do Ministério da Aeronáutica, articulou a criação de uma indústria aeronáutica nacional sólida, apoiada na formação técnica promovida pelo Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA). O engenheiro e oficial-aviador Ozires Silva emergiu como a figura central dessa iniciativa. Combinando rigor técnico e profunda crença no potencial nacional, ele lideraria um movimento que enxergava a aviação não apenas como instrumento militar, mas como projeto de Estado, integrador e gerador de autonomia tecnológica. Em 19 de agosto de 1969, nascia oficialmente a Embraer, na cidade de São José dos Campos, estado de São Paulo. Seu primeiro grande produto, concebido ainda no ITA, foi o turboélice de transporte leve EMB‑110 Bandeirante. O projeto representou um enorme teste de capacidades: projetar, industrializar e certificar uma aeronave genuinamente nacional. O sucesso do Bandeirante, que entrou em produção seriada em 1973, demonstrou que o Brasil podia desenvolver aviões confiáveis, adaptados à realidade operacional latino-americana, com manutenção simplificada e robustez estrutural. Nos anos seguintes, o modelo foi exportado para países da América do Sul, Europa e África, evidenciando a capacidade da nascente indústria aeronáutica brasileira de competir, em nichos específicos, no mercado global. Após o êxito inicial, a Embraer diversificou rapidamente sua linha, incluindo o modelo agrícola  EMB‑200 Ipanema (1972); o treinador avançado EMB‑312 Tucano (1983),  concebido para a formação avançada de pilotos, tornou-se referência internacional em treinamento militar. Esse êxito proporcionou à Embraer os recursos e a expertise tecnológica necessários para almejar o desenvolvimento de aeronaves mais avançadas. O passo seguinte foi o projeto da primeira aeronave executiva pressurizada do Brasil, o Embraer EMB-121 Xingu. Embora esse modelo não tenha alcançado o mesmo sucesso comercial do Bandeirante, elevou significativamente o conhecimento técnico da empresa. Nesse período, identificou-se uma crescente demanda no mercado internacional por aeronaves turboélices de médio porte, destinadas a operações em linhas aéreas regionais, especialmente na Europa e na América do Norte. O EMB-121 Xingu serviu como base inicial para o desenvolvimento de uma nova aeronave, inicialmente designada EMB-120 Araguaia. Contudo, esse projeto, por ser derivado de um modelo de pequeno porte, apresentou limitações operacionais. Em 1979, a Embraer retomou o desenvolvimento com a concepção de uma aeronave inteiramente nova, projetada para atender às especificidades desse promissor segmento de mercado.  O modelo, que manteve a designação EMB-120, foi batizado de "Brasília", em homenagem à capital federal, consolidando-se como uma resposta estratégica às necessidades do transporte aéreo regional. O desenvolvimento do projeto do EMB-120 Brasília, concebido pela engenharia da Embraer, avançou com notável celeridade, refletindo a combinação entre maturidade técnica e o sentido de propósito que orientava a empresa naquele período.

Em 1981, foi concluído o primeiro mockup da aeronave, etapa crucial para validar parâmetros ergonômicos, operacionais e de manutenção, permitindo às equipes visualizar, com realismo, a solução que se pretendia entregar ao mercado. Após ensaios aerodinâmicos promissores e a confirmação da viabilidade do desenho, autorizou-se a construção do primeiro protótipo. Em 29 de julho de 1983, nas instalações industriais de São José dos Campos, em São Paulo, realizou-se a cerimônia oficial de apresentação e batismo da aeronave, registrada sob a matrícula civil PT-ZBA. O protótipo exibia um revestimento em alumínio polido com acabamento espelhado, solução especialmente desenvolvida pela Alcoa a fim de atender às exigências do programa, traduzindo a busca por leveza estrutural, acabamento superficial superior e ganhos de fabricação. Na mesma data, a aeronave realizou seu voo inaugural, testemunhado por engenheiros, pilotos de ensaio e colaboradores, momento que simbolizou  para muitos ali presentes  a consolidação de um ideal perseguido há anos: o reconhecimento da competência industrial e aeronáutica nacional em um segmento altamente competitivo. Diferentemente do EMB-110 Bandeirante, inicialmente projetado também para demandas domésticas e que desde 1974 servia tanto ao Brasil civil quanto militar, o EMB-120 foi concebido com vocação global, mirando, desde sua gênese, o mercado internacional de aviação regional. Dessa forma, seu desenho e sua estratégia de certificação, suporte em serviço e parcerias industriais foram orientados para padrões reconhecidos pelas maiores operadoras regionais do Ocidente. Antes mesmo da primeira entrega em série, a aeronave já se destacava como um dos modelos mais bem-aceitos em seu segmento, reunindo contratos, cartas de intenção e opções de compra junto a operadoras da América do Norte e da Europa Ocidental, com ênfase em clientes das economias mais maduras do setor à época. Esse êxito não foi apenas comercial, mas estratégico: ele projetava o Brasil como provedor de uma solução aeronáutica confiável para integrar pequenas e médias cidades a hubs de maior densidade de tráfego, conectando pessoas e economias regionais por meio de uma plataforma robusta, eficiente e de operação relativamente econômica. Em 1985, a Atlantic Southeast Airlines tornou-se a primeira operadora a incorporar o EMB-120 Brasília à sua frota. Em setembro daquele ano, o modelo realizou seu voo inaugural em serviço regular, ligando as cidades de Gainesville, na Flórida, e Atlanta, na Geórgia. O feito inaugurava a presença do produto brasileiro em malhas regulares nos Estados Unidos, onde rapidamente o Brasília se consolidaria como uma opção eficiente para rotas alimentadoras e de média capilaridade. No ano seguinte, 1986, o EMB-120 alcançou outro marco representativo: tornou-se a primeira aeronave brasileira homologada para operações civis na Alemanha, demonstrando a conformidade do projeto com os rigorosos padrões de certificação europeus, além de consolidar o prestígio da engenharia aeronáutica brasileira. O episódio reforçou o atributo humano que permeava o programa: cada certificação e cada nova rota representavam, para os times da Embraer, a validação internacional de anos de dedicação coletiva, em um período no qual o país enfrentava instabilidades macroeconômicas, restrições de câmbio e limitações de investimento estatal.
Apesar do sucesso no exterior, a Embraer, ainda sob controle estatal, enfrentava os efeitos da crise econômica que marcou o Brasil na década de 1980 e início dos anos 1990. A instabilidade política que culminou no impeachment do presidente Fernando Collor, em setembro de 1992, agravou o ambiente de incerteza e restrição orçamentária, reverberando na capacidade de investimentos governamentais em programas de defesa e indústria estratégica. Diante desse contexto, consolidou-se a percepção de que a sobrevivência da Embraer exigia um novo modelo de governança e capitalização. Em 1994, a empresa foi privatizada, movimento que encerrou um ciclo e inaugurou outro, marcado por um modelo corporativo moderno, competitivo e orientado a receitas globais. Preservando vínculos com o interesse estratégico do Estado brasileiro, a nova gestão promoveu uma profunda reestruturação organizacional, preparando o reposicionamento da companhia em segmentos de mercado de maior escala. Entre as prioridades delineadas, destacava-se a criação de uma nova família de aeronaves a jato voltadas ao transporte aéreo regional, capaz de suceder o legado do Brasília e ampliar o alcance mundial da marca. Esse esforço germinaria no Programa ERJ, iniciado originalmente em 1989, mas retomado com vigor após a crise, capitalizando a ampla oportunidade mercadológica que se consolidava nas frotas de companhias regionais norte-americanas e europeias. Naquele período, o mercado de transporte aéreo regional era predominantemente composto por aeronaves bimotoras turboélices, com capacidade de até 30 passageiros. Contudo, vislumbrava-se a oportunidade de introduzir aeronaves a jato com maior capacidade de transporte, alcance ampliado e uma relação custo-benefício otimizada. O projeto do Embraer EMB-120 Brasília serviu como base para o desenvolvimento de uma nova aeronave a reação, projetada para transportar até 50 passageiros, com custos operacionais comparáveis aos de um turboélice convencional. O programa de desenvolvimento, orçado em aproximadamente US$ 300 milhões, foi estruturado com a seguinte distribuição de investimentos: 34% custeados pela Embraer S/A, 33% aportados por parceiros de compartilhamento de risco (responsáveis por componentes como seções de fuselagem traseira, portas, pilares de motores e pontas de asa, incluindo a empresa Sonaca da Bélgica), 23% provenientes de empréstimos de longo prazo de instituições brasileiras de fomento ao desenvolvimento e 10% de fornecedores participantes. Inicialmente designada EMB-145, a nova aeronave representava uma evolução do turboélice EMB-120 Brasília, incorporando uma fuselagem alongada, motores turbofans posicionados à frente das asas e aletas nas extremidades das asas (“winglets”) sem enflechamento. Estudos subsequentes indicaram que essa configuração não atenderia integralmente aos requisitos do projeto, levando à adoção de asas com leve enflechamento (22,3°) e manutenção dos winglets. Contudo, a configuração inicial demandava um trem de pouso excessivamente alto, o que motivou, em 1991, a definição da configuração final, com os turbofans reposicionados na parte traseira da fuselagem e uma cauda em formato “T”. 

A escolha dos motores recaiu sobre os Rolls-Royce AE-3007A, com 7.040 lb de empuxo, devido à sua confiabilidade e robustez. Esses motores, controlados por dois Controles de Motor Digital de Autoridade Total (FADEC), proporcionavam à aeronave uma velocidade máxima de cruzeiro de 833 km/h. Os FADECs gerenciam praticamente todos os aspectos do motor, transmitindo dados para exibição no sistema EICAS (Engine Indication and Crew Alerting System) para o piloto. Com o projeto consolidado, o Embraer ERJ-145 apresentava as seguintes especificações: envergadura de 20,04 m, comprimento de 29,87 m, altura de 6,75 m, superfície alar de 51,20 m², peso vazio de 11.667 kg e peso máximo de decolagem de 20.600 kg. Em termos de aviônica, a aeronave contava com um painel totalmente digital de alta tecnologia, equipado com o sistema Honeywell Primus 1000 Avionics. Esse sistema incluía cinco telas de cristal líquido intercambiáveis, compostas por dois PFDs (Primary Flight Displays), dois MFDs (Multi-Function Displays) e um EICAS, garantindo uma interface avançada e eficiente para a tripulação. O primeiro protótipo do ERJ-145 com matricula S/N 801 - PT-ZJA, alçou voo em 11 de agosto de 1995, sendo seguido por mais três células S/N 001 -  PT-ZJB, S/N 002 -  PT-ZJC e S/N 003 -  PT-ZJD, para serem empregados no programa de ensaios de voo e campanha de teste. E neste contexto apenas a última aeronave foi equipada com assentos de passageiros e não tinha FTI (instrumentação de teste de voo) sendo utilizado para testes funcionais e de confiabilidade. Em dezembro do ano seguinte a aeronave receberia a certificação final da norte-americana Federal Aviation Administration - FAA (Administração Federal de Aviação).  Antes mesmo do primeiro voo, a nova aeronave brasileira já acumulava 18 pedidos firmes, 16 opções e 127 cartas de intenção, após a certificação a Embraer S/A, já apresentava em sua carteira 62 pedidos firmes e 218 opções de compra, prenunciando assim. mais um grande sucesso comercial da empresa brasileira.  Os primeiros exemplares seriam entregues à empresa norte-americana Express Jet Airlines (então a divisão regional da Continental Airlines voando como Continental Express) em dezembro de 1996, companhia está que já havia encomendado 25 aeronaves Embraer ERJ-145 com outras 175 em opção de compra. No esteio deste processo mais vendas seriam realizadas, tendo como principal destaque o mercado norte-americano, operando junto a Aero Vision International, Aersource LLC, American Eagle (subsidiária da American Airlines), Champion Air LLC, Commut Air , Countour Aviation, Denver Air, Envoy Airlines, JSX Airlines, Key Lime Air, Piedmont Airlines, Regional One, RoadRun Air, Sterling Airways, United Express, Victory Air. Porém a exemplo do Embraer EMB-120 Brasília, a nova aeronave brasileira conquistaria o mercado mundial, operando nos cinco continentes em empresas de destaque como Africa World Airlines, Djibuti Air, Air Hamburg, Air Peace, Airlink, Amelia International, Calafaia Airlines, Cronos Airlines, Fly Namíbia, Inter Caribbean Airways, Jet Netherlands JNL, Loganair Scotland Airlines, Moçambique Airlines, National Airways, Pouya Air, Rano Air, Star Air, TAR Aerolíneas, United Nigéria, Nordeste e Rio Sul Linhas Aéreas. 
A família ERJ-145 seria ampliada em 1998, com o lançamento do modelo de longo alcance ERJ-145LR (“Long Range”) e em 2001, com a versão ERJ-145XR (“Extra Long Range”), totalizando até o ano de 2020 mais de 1.200 aeronaves produzidas e entregues há mais de 70 operadores civis e governamentais. Após a consolidação do ERJ-145, a Embraer S/A, colocou no mercado as versões menores da família como o ERJ-135 e o ERJ-140, com capacidade máxima de 37 e 44 passageiros, respectivamente, passando a agregar mais segmentos de mercado, como o transporte executivo e VIP (Very Important Person). Em 2003, a Embraer firmou uma parceria estratégica com o Harbin Aircraft Industry Group, sediado em Harbin, China. Dessa colaboração resultou a criação da joint venture Harbin Embraer Aircraft Industry, dedicada à produção da aeronave regional ERJ-145 para o mercado chinês. A montagem das aeronaves era realizada com kits completos, integralmente importados do Brasil ou oriundos de outras unidades operacionais da Embraer ao redor do mundo. As atividades de montagem foram encerradas em março de 2016, totalizando a entrega de mais de 40 unidades do ERJ-145 e cinco jatos executivos Legacy 650. O excelente desempenho da plataforma ERJ-145 no transporte aéreo regional despertou o interesse de diversos governos para sua adaptação a missões de transporte de autoridades, com configurações VIP personalizadas conforme as exigências de cada cliente. Nesse segmento, a Embraer obteve êxito na celebração de contratos com os governos da Tailândia — para emprego na Marinha e no Exército daquele pais. Outras vendas militares seriam celebradas agora para  Angola, Colômbia, Equador, Grécia, Panamá, México, Brasil e Índia, esta última com aeronaves destinadas a missões especializadas. A robustez e confiabilidade da plataforma ERJ-145 também viabilizaram sua adaptação a versões de uso exclusivamente militar. Entre essas estão: o modelo de alerta aéreo antecipado EMB-145SA, empregado pela Força Aérea Brasileira sob a designação E-99; sua versão de exportação, EMB-145AEW, utilizada pelas forças armadas da Grécia, México e Índia; e a versão de sensoriamento remoto EMB-145RS, adotada pelo Brasil  como R-99. A Embraer chegou ainda a propor uma versão para patrulha marítima, designada EMB-145MP/ASW, que, contudo, não despertou o interesse de operadores internacionais. Como a demanda pela série ERJ se mostrou forte mesmo no início, a empresa decidiu que não poderia confiar apenas em uma família de aeronaves e examinou suas opções para produzir um jato regional complementar, incluindo projetos que seriam maiores e mais avançados do que suas aeronaves anteriores. Este processo culminaria no desenvolvimento da família de E-Jets, lançada em 14 de junho de 1999 no Paris Air Show, inicialmente usando as designações gêmeas ERJ-170 e ERJ-190; estes foram posteriormente alterados para Embraer 170 e 190, respectivamente, que passariam nos anos seguintes a substituir em serviço os ERJ-145. Apesar da descontinuação de sua produção em 2020, a frota permanece amplamente ativa, sobretudo em mercados emergentes. Um exemplo notável é o continente africano, onde essas aeronaves têm ganhado uma segunda vida operacional e deverão permanecer em serviço por muitos anos.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Ao final da década de 1980, o Comando da Aeronáutica (COMAER) mantinha plena capacidade no segmento de transporte médio, apoiado por uma frota robusta e heterogênea. Essa força aérea logística reunia plataformas de concepção e produção nacional como o Embraer C-95 Bandeirante e o C-97 Brasília   e aeronaves bimotores de origem britânica, a linha C-91, fabricada pela Avro nas variantes 748 Mod. 204 Sr.2 e 748 Mod. 281 Sr.2A. Embora o ingresso desses vetores na Força Aérea Brasileira (FAB) tenha ocorrido na década de 1960, o período ainda era marcado por elevados índices de prontidão e disponibilidade em voo, um reflexo direto da qualidade de projeto, da disciplina de manutenção e da experiência acumulada pelas equipes técnicas e de tripulação. Para o transporte de autoridades em missões VIP, a configuração então empregada  com jatos executivos como o Gates Learjet 35 (designado VU-35A) e o Hawker Siddeley HS-125 (designado VU-93) era compreendida como plenamente compatível com as necessidades protocolares e operacionais do momento, combinando alcance adequado, prontidão e a discrição que o transporte de Estado exigia. Já na primeira metade da década de 1990, entretanto, o tempo e o ritmo intenso de operação começaram a deixar suas marcas nos C-91 Avro, em serviço nos esquadrões de transporte desde 1962. A rotina de apoio logístico contínuo, muitas vezes em pistas remotas, clima severo e missões de elevada cadência, passou a revelar sinais de consumo de horas estruturais, envelhecimento de componentes e incremento gradual da dependência de itens cuja produção já havia sido interrompida no exterior. Com o propósito de preservar a mobilidade aérea e estender a vida útil da frota mais exigida, o Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos (PAMA-AF), localizado nos Afonsos, conduziu avaliações técnicas e estudos conceituais para restaurar a Condição Operacional das aeronaves (RCO). A iniciativa previa modernizar aviônicos, renovar equipamentos de comunicação e reconstituir padrões de segurança em voo, estabelecendo uma aeronave de transporte regional coerente com o novo ambiente tecnológico da aviação. Ainda que o programa tenha demonstrado mérito técnico, sua extensão às células da variante 748 Mod. 204 Sr.2 revelou-se economicamente incompatível com o escopo orçamentário da época. A conclusão obrigou o comando aéreo a uma decisão sensível, porém responsável: a desativação progressiva do modelo, oficializada em 1º de outubro de 2001, processo que encerrou o ciclo dos pequenos “Avrinhos” no Brasil, mas preservou seu legado ao permitir que a frota remanescente da variante 281 Sr.2A mantivesse seus índices de disponibilidade por meio do aproveitamento de milhares de componentes e peças recuperadas das aeronaves desmontadas. Apenas cinco células da variante Mod. 281 permaneceram em serviço ativo e foram submetidas integralmente à modernização planejada, prolongando suas capacidades até que a limitação do mercado internacional de peças tornasse clara  e inevitável  a necessidade de sucessão definitiva do vetor em um horizonte não distante.

Nesse esforço prospectivo, a Força Aérea Brasileira (FAB) avaliou alternativas de oportunidade disponíveis no mercado civil, inclusive a aquisição de células do  EMB-120RT Brasília , desenvolvida pela Embraer, aptas a conversão para transporte regional de carga na versão RT (Regional Transport). Embora viável sob a ótica de engenharia, a opção foi descartada diante de impeditivos conjunturais: a dificuldade de se obter unidades em condição estrutural satisfatória no mercado norte-americano naquele momento, somada ao tempo de indisponibilidade que o processo de conversão exigiria frente a uma necessidade cada vez mais urgente de renovação logística. No mesmo período, a empresa de transporte aéreo Varig S.A. enfrentava uma grave e prolongada crise financeira. O quadro, marcado por sucessivos balanços negativos e restrição de liquidez, repercutiu diretamente em suas subsidiárias regionais, a Rio Sul Linhas Aéreas e a Nordeste Linhas Aéreas. Em 1996, ambas as empresas incorporaram um total de 15 aeronaves do modelo Embraer ERJ‑145ER, viabilizadas por contratos de leasing com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O modelo atendia às ambições de expansão da aviação regional brasileira: veloz, moderno e econômico, surgia como símbolo do momento em que o país fortalecia sua indústria aeronáutica e ampliava conexões aéreas antes restritas a grandes capitais. O aprofundamento da crise do grupo Varig, porém, rompeu esse impulso. A partir de 2001, o atraso reiterado nos pagamentos das contraprestações mensais do leasing evoluiu para inadimplência contratual. Diante desse cenário, o BNDES promoveu a rescisão dos contratos, obtendo judicialmente a reintegração e a devolução das aeronaves até meados de 2003. Após devolvidos, os jatos foram preservados, armazenados e preparados para eventual alienação, aguardando um desfecho que pudesse ressignificar seu destino operacional. A conjuntura adversa do setor civil acabou, paradoxalmente, por configurar uma oportunidade estratégica para o Comando da Aeronáutica (COMAER). A Força Aérea Brasileira (FAB) buscava, àquela altura, um substituto definitivo para as aeronaves modernizadas da variante C-91 Mod. 281 Sr.2A, cuja desativação se anunciava iminente. A disponibilidade, a condição estrutural favorável e os valores atrativos por célula tornaram o Embraer ERJ-145ER uma alternativa pragmática e tecnicamente coerente com as exigências de alcance, confiabilidade e custo operacional compatível. Foi assim formalizada a transferência de um lote de oito aeronaves, todas produzidas entre 1997 e 1998, incluindo uma célula da versão Long Range (ERJ-145LR), notável por sua autonomia estendida. Os vetores incorporados foram identificados pelos registros civis PT-SPA (C/N 145020), PT-SPB (C/N 145023), PT-SPC (C/N 145027), PT-SPD (C/N 145028), PT-SPF (C/N 145034), PT-SPG (C/N 145038), PT-SPO (C/N 145137) e PT-SPP (C/N 145350).  Nesse mesmo conjunto de milhagem histórica, destaca-se também a trajetória da célula PT-SPN (C/N 145127), fabricada em 1999, posteriormente incorporada à frota da Polícia Federal (PF), evidenciando a versatilidade da plataforma mesmo fora do universo militar.
A introdução dos novos vetores na Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou-se em 23 de setembro de 2004, com a recepção da primeira célula na Base Aérea do Galeão. Das sete aeronaves ERJ-145ER efetivamente recebidas para o transporte militar, cinco foram redesignadas como C-99, recebendo as matrículas “FAB 2520” a “FAB 2526”. Essas unidades foram alocadas no 1º Esquadrão do 2º Grupo de Transporte (1º/2º GT) e passaram a ostentar o esquema de pintura tático cinza de baixa visibilidade, conhecido como “cinza londrino” ou “Londrino”, popularmente alcunhado de “Londrino” pelas equipes, em alusão ao cinza característico do clima britânico. O processo de substituição do veterano C-91 Avro pelos jatos C-99 consolidou-se de forma gradual e planejada, sustentado pelo compromisso com a prontidão logística e pela sensibilidade das tripulações ao simbolismo daquele momento: a passagem de um período histórico de manutenção heroica de vetores clássicos para uma fase moderna, impulsionada pela indústria nacional e por soluções de oportunidade que não apenas proveram aeronaves, mas preservaram capacidades e trajetórias humanas dentro da Força Aérea Brasileira (FAB). O ciclo do C-91 Avro foi formalmente encerrado em 30 de setembro de 2005, com a desativação da última célula em operação. A data marcou o fim de um capítulo relevante na história do transporte aéreo militar brasileiro, coroando uma transição que combinou engenharia, responsabilidade econômica e, sobretudo, a dimensão humana da aviação de Estado: a missão permanente de manter o país conectado inclusive onde o Brasil termina e o desafio do alcance começa. As duas células remanescentes do C-99 receberam as matrículas “FAB 2524” e “FAB 2526” e foram configuradas no padrão de pintura reservado ao transporte de autoridades (Very Important Person — VIP), tradicionalmente adotado pelo Grupo de Transporte Especial (GTE), composto por fuselagem predominantemente branca e faixa longitudinal em azul institucional. A aeronave de longo alcance Embraer ERJ-145LR (Long Range), com capacidade para até 36 passageiros, foi oficialmente incorporada à Força Aérea Brasileira (FAB) sob a designação VC-99A, recebendo a matrícula militar “FAB 2550”, sendo igualmente pintada no padrão VIP. Essas aeronaves, outrora empregadas no transporte aéreo regional civil, mantiveram integralmente sua configuração interna, bem como o conjunto de aviônicos que as equipava durante seus anos de operação comercial. Em serviço no 1º Esquadrão do 2º Grupo de Transporte (1º/2º GT) — o Esquadrão Condor  as cinco aeronaves C-99 passaram a cumprir missões de transporte administrativo e logístico de passageiros, apoio a unidades operacionais e as históricas rotas do Correio Aéreo Nacional, instrumento de integração aérea criado em 1931, cuja vocação transcende o domínio militar: conectar o país onde o transporte convencional não alcança, levando correspondências, insumos e presença de Estado ao interior profundo do Brasil. Paralelamente, as três demais aeronaves da família C-99 foram alocadas para o transporte de autoridades, em apoio às missões institucionais sob responsabilidade do Grupo de Transporte Especial (GTE).

Em 2008, no contexto de uma ampla reorganização promovida pelo Comando da Aeronáutica, foi determinada a transferência das células VC-99A “FAB 2550” e C-99A “FAB 2556” para o Grupo de Transporte Especial, passando essas aeronaves a operar a partir da Base Aérea de Brasília, no Distrito Federal. Ali, vieram a complementar a frota dos Embraer ERJ-135 Legacy 600 VC-99B, plataforma nacional que assumiria o protagonismo na renovação do transporte aéreo de autoridades no país, substituindo os veteranos jatos britânicos Avro Hawker Siddeley HS-125-400A, designados VU-93 na Força Aérea Brasileira (FAB). A aposentadoria dessa frota, em 18 de janeiro de 2007, encerrou um ciclo emblemático de quase quatro décadas de serviço (1967–2007), totalizando mais de 150.000 horas de voo  marca que traduz não apenas longevidade técnica, mas sobretudo a dedicação contínua de tripulações, técnicos e equipes de suporte que mantiveram esses vetores em operação com notável disciplina e zelo operacional. Após essa transição, apenas a aeronave C-99 “FAB 2524”, ainda em serviço no 1º/2º GT, permaneceu operando no padrão de pintura VIP, cumprindo as mesmas missões designadas às demais aeronaves do esquadrão, evidenciando a multifuncionalidade da plataforma em um período de adaptação e ajustes doutrinários. Em 2011, durante revisão conduzida em parque, essa aeronave foi repintada no esquema tático de baixa visibilidade Cinza Londrino — padrão adotado pela frota do Esquadrão Condor — consolidando a uniformização visual e operacional dos C-99 empregados pela unidade, ao mesmo tempo em que simbolizava a maturidade de um novo capítulo na aviação de transporte militar brasileira: moderna, discreta e coerente com os requisitos táticos e institucionais do início do século XXI. O desempenho consistente e os resultados operacionais expressivos alcançados no uso dessa frota de jatos regionais  tanto em missões administrativas quanto nas rotas do Correio Aéreo Nacional (CAN) reforçariam, nos anos seguintes, o interesse do Comando da Aeronáutica em aprofundar estudos voltados para a substituição da frota de jatos VU-35A Gates Learjet 35A, empregados desde 1967 no transporte leve de autoridades. A demanda apontava para a necessidade de uma aeronave capaz de conciliar autonomia superior, porte compatível com pistas de menor comprimento e adequada capacidade de transporte de passageiros, sem comprometer a eficiência do perfil operacional historicamente desempenhado pelo jato norte-americano. Embora houvesse no mercado internacional ofertas atrativas de aeronaves usadas dos modelos Embraer ERJ-145ER e ERJ-145LR, tais alternativas revelaram-se, à época, menos adequadas ao objetivo de substituição do VU-35A, tanto pelo porte excessivo para missões leves quanto pela autonomia inferior em comparação à exigência operacional esperada para o transporte aéreo de autoridades em escala continental. Por esse motivo, a aquisição de mais unidades da variante Embraer ERJ-135 Legacy 600 VC-99B, inicialmente considerada, foi descartada, sobretudo em virtude de sua limitada capacidade de transporte de passageiros  critério que, naquele momento, pesava substancialmente nas avaliações estratégicas.
A solução materializou-se por meio da aquisição, no mercado internacional, de duas aeronaves usadas da variante Embraer ERJ-135LR Legacy Shuttle, originalmente operadas pela companhia aérea regional norte-americana Chautauqua Airlines. Essa versão, concebida para transporte executivo regional, possuía capacidade para até 14 passageiros e autonomia aproximada de 5.700 km, características que a tornavam particularmente aderentes ao perfil de missões leves de autoridade e deslocamentos de alcance continental. As duas células foram recebidas pelo Grupo de Transporte Especial (GTE) entre setembro e outubro de 2008, sendo incorporadas sob a designação VC-99C, com as matrículas militares FAB 2560 e FAB 2561. Nesse mesmo período, em decorrência de uma ampla reorganização das designações aplicadas à família de jatos regionais na Força Aérea Brasileira, a aeronave Embraer ERJ-145LR, que então portava a matrícula FAB 2250, foi oficialmente reclassificada como VC-99B, consolidando o novo padrão nominativo da frota para transporte de maior raio de ação e configuração similar de emprego institucional. Em quase vinte anos de operação contínua, os jatos C-99A firmaram-se como vetores essenciais à mobilidade administrativa e logística da Força Aérea Brasileira (FAB). Seu emprego transcende o caráter rotineiro, sendo frequentemente acionados pelo Comando de Operações Aeroespaciais para atuação em cenários emergenciais em todo o território brasileiro. Esse compromisso operacional atingiu especial relevância durante a pandemia de Covid-19: no momento mais crítico da crise sanitária, o 1º Esquadrão do 2º Grupo de Transporte — o Esquadrão Condor destacou-se nas missões de evacuação aeromédica de pacientes em estado grave a partir de Manaus, no estado do Amazonas, organizando um esforço inédito de remoções, que possibilitou o transporte seguro de pacientes para capitais e centros médicos distribuídos nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. A atuação das tripulações e equipes de apoio, naquele momento, representou um testemunho concreto de disciplina operacional e, acima de tudo, de humanidade: levar vidas, onde a urgência não permite espera, e fazer da mobilidade aérea uma ponte de esperança. Atualmente, a frota de aeronaves dessa família em serviço na Força Aérea Brasileira (FAB) compreende 30 células distribuídas entre as versões C-99A (ERJ-145), VC-99B e VC-99C (ERJ-135). Incluem-se ainda plataformas especializadas derivadas da mesma base aeronáutica, empregadas em missões estratégicas de vigilância, reconhecimento e suporte científico, como as variantes destinadas ao Alerta Aéreo Antecipado, sensoriamento remoto e laboratório de calibragem e ensaios, que, em conjunto, ampliam a consciência situacional e a prontidão aeroespacial do país. A longevidade projetada para essa frota  prevista para permanecer na ativa nas próximas décadas  deriva não apenas da comprovada relação custo-eficiência operacional, mas também da escala global de operadores civis e públicos que empregam aeronaves da mesma família. No Brasil, os ciclos de manutenção de parque e grandes revisões são realizados nas instalações da TAP Manutenção e Engenharia Brasil, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, organização certificada pelo fabricante dentro do programa Embraer Authorized Service Center. 

Em Escala.
Para a representação do jato de transporte Embraer ERJ-145ER C-99A “FAB 2521”, pertencente ao 1º Esquadrão do 2º Grupo de Transporte (1º/2º GT) da Força Aérea Brasileira, foi utilizado o kit em resina, de edição limitada, produzido na escala 1/72 pela Challenger Modelismo. O conjunto lançado em tiragem restrita destaca-se pelo elevado padrão de fidelidade de superfícies e pelo bom nível de detalhamento, combinando peças em resina e componentes em metal foto-gravado, que conferem maior robustez e precisão dimensional ao modelo montado. Na etapa de acabamento e padronização visual, foram aplicados os decais originais do Set 0004, produzidos pela De Lima Kits e Réplicas. 
O esquema de cores baseado no padrão Federal Standard (FS), descrito a seguir, corresponde à pintura tática de baixa visibilidade em “cinza Londrino”, amplamente adotada pela maior parte dos Embraer C-99A em operação no 1º/2º GT.  Cumpre destacar que duas células da frota  identificadas pelos registros 2524 e 2526 receberam, , o padrão cromático destinado ao transporte de autoridades (VIP), utilizado pelo GTE. Esse esquema de alta visibilidade, composto por fuselagem predominante em branco com faixa institucional em azul. Para o acabamento final do modelo, foram empregadas tintas, vernizes e selantes de aplicação fine-scale, produzidos pela Tom Colors, reconhecidos por sua qualidade de pigmentação, aderência e estabilidade na preservação da pintura ao longo do tempo.

Bibliografia :
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Junior
- O Projeto SIVAM e a Embraer – Revista Flap http://www.revistaflap.com.br
História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html