DS-1 Stinson 105 Voyager

História e Desenvolvimento.
A Stinson Aircraft Company foi fundada em 1920 na cidade de Dayton, Ohio, o berço histórico da aviação norte-americana, local do primeiro voo dos Irmãos Wright em 1903. Seu criador, Edward "Eddie" Stinson, era um empreendedor visionário e aviador apaixonado, irmão da célebre Katherine Stinson, a quarta mulher dos Estados Unidos da América a obter uma licença de piloto e a primeira aviadora a realizar voos para o Serviço Postal do país. Nos seus primórdios, a empresa dedicou-se à fabricação quase artesanal de aeronaves de pequeno porte, voltadas para o turismo e o treinamento de pilotos. Contudo, a produção inicial enfrentava desafios: o ritmo lento de fabricação limitava as vendas, frustrando clientes que buscavam entregas mais ágeis, o que resultava em oportunidades perdidas para a companhia. Determinado a superar essas dificuldades e expandir seus horizontes, Eddie Stinson vislumbrou, no final de 1924, a cidade de Detroit como o palco ideal para o crescimento da empresa. A vibrante atmosfera industrial da região, aliada à disponibilidade de mão de obra qualificada e acesso a linhas de financiamento, tornava-a estratégica para seus planos de empreender no segmento aeronáutico. Ao se estabelecer em Detroit, Stinson rapidamente se conectou à comunidade empresarial local, conquistando apoio para sua visão. Seu empenho rendeu frutos em agosto de 1925, quando um grupo de investidores, membros do Comitê de Aviação do Conselho de Comércio de Detroit, decidiu respaldar sua iniciativa. Assim nasceu a Stinson Aircraft Syndicate, uma empresa de porte médio instalada na zona industrial sudoeste de Detroit, nas proximidades do Aeroporto Metropolitano Wayne County. Com um investimento inicial de aproximadamente US$ 25.000, a nova empreitada focou no desenvolvimento de uma aeronave monomotora de pequeno porte, destinada ao mercado civil de transporte e turismo. O projeto ganhou vida rapidamente, culminando na criação do modelo Stinson SBM-1 Detroiter. Em 25 de janeiro de 1926, sob o rigoroso inverno de Detroit, a aeronave realizou seu voo inaugural, enfrentando condições adversas com notável desempenho surpreendendo a todos os presentes naquele dia. Para garantir a segurança em um terreno escorregadio, o avião foi equipado com correntes nas rodas, uma solução prática que assegurou decolagens e pousos sem incidentes. O SBM-1 Detroiter um monoplano de asa alta, com suportes de sustentação (strut-braced), construída com tubos de aço ao cromo-molibdênio, revestida com tecido (entoilada), destacou-se não apenas por sua capacidade de transportar até quatro passageiros, mas também por incorporar inovações pioneiras para a época. Entre suas características estavam o aquecimento interno da cabine, freios de roda individuais fabricados pela Harley-Davidson Inc. e um sistema de partida elétrica para o motor Curtiss-Wright J-5 Whirlwind, de 220 cv -164 kW (Algumas unidades posteriores foram equipadas com o Wright J-6 de 300 hp). 

Essas inovações representaram um avanço significativo no design de aeronaves de pequeno porte, consolidando a Stinson Aircraft Syndicate como uma referência em engenhosidade e visão no cenário da aviação civil. O SBM-1 Detroiter, após passar por um exigente programa de ensaios em voo, recebeu a certificação dos órgãos reguladores norte-americanos, obtendo a autorização para sua produção em série. Suas características inovadoras, aliadas a um design avançado e funcionalidades técnicas pioneiras, como o aquecimento de cabine, freios Harley-Davidson e partida elétrica, rapidamente conquistaram o mercado. Em 1926, a venda de dez unidades marcou um feito notável para a época, consolidando o modelo como um sucesso comercial e atraindo a atenção de operadores privados e entusiastas da aviação. Inspirada por esse êxito inicial, a Stinson Aircraft Syndicate, liderada pela visão de Edward "Eddie" Stinson, decidiu aprimorar o projeto. O resultado foi o SM-1D Detroiter, um monoplano de asa alta com capacidade para até seis passageiros, que trouxe ainda mais sofisticação e conforto. Esse novo modelo reforçou o sucesso da empresa, alcançando vendas expressivas e elevando a reputação da marca no mercado aeronáutico. O êxito comercial do SM-1D permitiu a captação de US$ 150.000 em capital público, um marco que culminou na fundação da Stinson Aircraft Corporation em 4 de maio de 1926. Esse momento representou não apenas o crescimento da empresa, mas também a realização do sonho de Eddie Stinson, cuja paixão pela aviação o impulsionava a buscar inovações constantes. Além de sua dedicação como empreendedor, Eddie Stinson era um aviador talentoso, atuando nas horas vagas como piloto dublê. Essa atividade, que lhe rendia cerca de US$ 100.000 anuais, fornecia recursos adicionais para reinvestir na empresa, fortalecendo sua capacidade de inovação. A partir de 1928, o SBM-1 Detroiter passou a integrar as frotas de companhias aéreas emergentes, como a Braniff Air Lines, de Paul Braniff, e a Northwest Airways, marcando a entrada da Stinson no competitivo mercado de transporte aéreo. Em 1929, a empresa entregou 121 aeronaves, um testemunho do crescimento contínuo e da confiança depositada em seus produtos. Nesse mesmo ano, em setembro, a Stinson Aircraft Corporation recebeu um impulso significativo com a aquisição de 60% de suas ações por Errett Lobban (E.L.) Cord, um magnata da indústria automotiva e proprietário da Cord Corporation. Essa parceria injetou capital e expertise, permitindo à empresa oferecer preços mais competitivos e investir em novos projetos. Nos três anos subsequentes, a Stinson lançou quatro novos modelos, incluindo o SM-2 Junior, voltado ao mercado de proprietários privados. Cada lançamento foi recebido com entusiasmo, alcançando resultados de vendas expressivos e consolidando a posição da empresa no setor aeronáutico. 
Esses recursos financeiros possibilitaram melhorias estruturais e tecnológicas, pavimentando o caminho para o desenvolvimento de um dos maiores sucessos comerciais da Stinson, que marcaria sua trajetória como uma referência em inovação e qualidade na aviação civil. No auge da Grande Depressão, em 1930, a Stinson Aircraft Corporation consolidava sua posição no mercado aeronáutico norte-americano, oferecendo uma linha diversificada de seis modelos de aeronaves, que variavam do compacto SM-2 Junior, com capacidade para quatro ocupantes, ao imponente trimotor Stinson 6000 Airliner, conhecido como Stinson Trimotor ou Model T. Contudo, um evento trágico marcou a trajetória da empresa: em 26 de janeiro de 1932, Edward "Eddie" Stinson, fundador e coração da companhia, faleceu em um acidente aéreo em Chicago, Illinois, durante uma viagem de vendas. Sua perda, além de abalar profundamente a comunidade aeronáutica, acelerou a integração da Stinson Aircraft Corporation em estruturas corporativas maiores. Inicialmente adquirida pela Cord Corporation, a empresa passou, posteriormente, para o controle da Aviation Corporation (AVCO) e, por fim, foi incorporada pela Consolidated Vultee Company. Sob a gestão da Consolidated Vultee, a Stinson Aircraft Corporation passou a operar como uma divisão aeronáutica independente, destacando-se pela produção do icônico Stinson SR-1 Reliant, um monoplano de asa alta que se tornou com o tempo um dos maiores sucessos comerciais da empresa, com mais de 1.300 unidades fabricadas. A estratégia da companhia voltou-se para a diversificação, com foco em aeronaves leves de dois ou três lugares, direcionadas para o mercado civil, incluindo tarefas de ligação, turismo e treinamento básico. Nesse contexto, em 1938, foi iniciado o desenvolvimento do projeto HW-75, que evoluiria para o Stinson 105, comercialmente conhecido como Voyager. O protótipo do Stinson 105 Voyager realizou seu voo inaugural em 13 de fevereiro de 1939, configurado como uma aeronave monoplano de asa alta com suportes (strut-braced), configurado para  três lugares, com dois assentos frontais dispostos lado a lado e um terceiro assento traseiro, lateral, ideal para um passageiro de menor estatura. Em termos de dimensões apresentava uma   Envergadura: 10,36 metros (34 pés), Comprimento: 7,37 metros (24 pés, 2 polegadas) e Altura: 2,13 metros (7 pés). Sua fuselagem era composta por tubos  de aço ao cromo-molibdênio, revestida com tecido, asas em estrutura de madeira (spruce) com revestimento entoilado, equipadas com ranhuras fixas no bordo de ataque (leading edge slots) e flaps para melhor controle em baixas velocidades. Trem de pouso: Fixo, tipo convencional, com amortecedores a óleo pneumáticos; podendo ser opcionalmente adaptado com esquis ou flutuadores.

O Stinson 105 Voyager, inicialmente designado como HW-75, foi concebido para oferecer desempenho confiável e operação simplificada. Equipado, em sua versão inicial, com um motor Lycoming O-145 de 50 cv (37 kW), o projeto previa a adoção do mais potente Lycoming GO-145-C de 75 cv (56 kW), embora este motor não estivesse disponível no momento do lançamento. Algumas unidades foram posteriormente equipadas com motores Continental A-75 ou A-80, de 75 e 80 cv, respectivamente. Essa motorização permitia à aeronave alcançar as seguintes especificações de desempenho: Velocidade máxima: 185 km/h (115 mph). Velocidade de cruzeiro: 161 km/h (100 mph). Alcance: 724 km (450 milhas). Teto de serviço: 3.962 metros (13.000 pés). Taxa de subida: Aproximadamente 3,3 m/s (650 pés/min). A construção do Voyager era marcada por sua robustez e funcionalidade. Sua fuselagem, composta por tubos de aço ao cromo-molibdênio revestidos com tecido, e suas asas, feitas de madeira entoilada, garantiam durabilidade sem sacrificar a leveza. O modelo contava com inovações como ranhuras fixas no bordo de ataque (leading edge slots) e flaps de asa, que proporcionavam excepcional manobrabilidade em baixas velocidades. Essas características tornavam o Voyager particularmente adequado para pilotos novatos e operações em pistas curtas, ampliando sua versatilidade em diversos cenários. O Stinson 105 Voyager foi apresentado ao público na Feira Mundial de Nova York, em abril de 1939, onde sua combinação de simplicidade, desempenho e baixo custo operacional conquistou a admiração de pilotos particulares e instrutores de voo. Após receber a certificação das autoridades aeronáuticas norte-americanas, a produção em série foi iniciada ainda em 1939, alcançando um ritmo notável de três unidades fabricadas por dia até o final do ano. Esse desempenho consolidou o Voyager como um marco no segmento de aviação leve, com cerca de 1.052 unidades produzidas ao longo de sua história. Sua popularidade entre escolas de voo e proprietários privados refletia a habilidade da Stinson em atender às necessidades de um mercado em busca de soluções acessíveis e confiáveis. A versatilidade e o desempenho do Stinson 105 Voyager chamaram a atenção do Comando do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) em um momento crítico da história. No final da década de 1930, as crescentes tensões políticas na Europa e no Pacífico, com a ameaça de conflitos envolvendo as forças militares da Alemanha, Itália e Japão, levaram os Estados Unidos a intensificar seu programa de reequipamento militar. Nesse contexto, o governo norte-americano identificou a necessidade de aeronaves para missões de ligação e treinamento, essenciais para preparar suas forças armadas para um eventual confronto global. O Voyager, com sua confiabilidade, manobrabilidade e capacidade de operar em pistas improvisadas, revelou-se uma escolha ideal para essas demandas.
A Stinson Division foi consultada pelo Comando do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) para avaliar a possibilidade de militarizar o Stinson 105 Voyager. O Modelo 10A, equipado com o motor Franklin 4AC-199 de 90 cv (67 kW), foi selecionado como base para essa conversão. Após a apresentação de uma proposta detalhada, a Stinson celebrou, em 1940, um contrato inicial para a produção de seis aeronaves destinadas a testes, designadas como Stinson YO-54. Essas unidades foram submetidas a rigorosos ensaios em voo a partir do final de 1940, demonstrando desempenho excepcional que superou as expectativas do USAAC. Os resultados favoráveis culminaram, no início de 1941, na assinatura de um contrato para o fornecimento de oito aeronaves, inicialmente classificadas como AT-19A (posteriormente redesignadas L-9A). O sucesso dos testes levou à expansão do programa, com novos contratos para a entrega de 32 unidades de uma versão aprimorada, a AT-19B (redesignada L-9B). Paralelamente, a pedido do exército, a Stinson desenvolveu uma variante mais robusta, com fuselagem alongada para acomodar até quatro ocupantes. Batizada de Stinson L-5 Sentinel, essa versão tornou-se um marco operacional durante a Segunda Guerra Mundial, sendo adotada por todas as forças armadas dos Estados Unidos e por nações aliadas, como o Canadá e o Reino Unido. Com uma produção total de 3.590 unidades até meados de 1945, o L-5 Sentinel destacou-se em missões de ligação, evacuação médica e observação, comprovando a versatilidade do design original do Voyager. Além do uso pelos Estados Unidos, a versão militar básica do Stinson Model 105 foi empregada pela Força Aérea Real Canadense (RCAF) em missões de ligação e treinamento no território continental do Canadá, reforçando sua relevância no esforço de guerra aliado. No âmbito civil, o Stinson 105 Voyager continuou a conquistar admiradores, atraindo figuras ilustres como Howard Hughes, Roscoe Turner, Jimmy Stewart, Wilbur Shaw e Edgar Bergen. Sua combinação de manobrabilidade, baixo custo operacional e construção robusta o tornou uma escolha popular entre pilotos particulares e escolas de voo. Lançado na Feira Mundial de Nova York em 1939, o Voyager alcançou uma produção impressionante, com uma média de três unidades fabricadas por dia até o final daquele ano. A produção do Model 105 foi encerrada em 1945, totalizando 277 unidades, enquanto o Model 10, uma variante aprimorada, atingiu 775 unidades fabricadas. No período pós-guerra, a Consolidated-Vultee Aircraft Company, sucessora da Stinson Division, lançou o Stinson 108, uma versão alongada que deu origem a uma nova família de aeronaves leves, sucedendo a linhagem Voyager 105. Muitas unidades do Model 105 e 10 permanecem em operação até hoje, cuidadosamente mantidas por entusiastas da aviação, que preservam o legado de uma aeronave que combinou inovação técnica com acessibilidade.

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
A história do uso do Stinson 105 Voyager em contexto militar no Brasil está intrinsecamente ligada ao conturbado cenário político da segunda metade da década de 1930, um período marcado por transformações profundas e tensões que moldaram o futuro do país. Durante esse tempo, a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, em 1930, com o apoio das forças militares, marcou o fim da política do "café com leite", caracterizada pela alternância de poder entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais. Governando inicialmente como presidente provisório até 1934, Vargas consolidou sua liderança sob a nova Constituição, assumindo a presidência constitucional. Contudo, a insurreição comunista de 1935 intensificou especulações sobre um possível autogolpe, enquanto o país se preparava para as eleições presidenciais de 1938. Com a impossibilidade de concorrer a um novo mandato em 1938, Vargas e seus aliados articularam um movimento para manter sua influência no poder. Em 18 de setembro de 1937, os preparativos para o golpe ganharam força com a divulgação do Plano Cohen, um documento fraudulento utilizado por oficiais superiores militares para justificar a declaração de estado de guerra pelo Congresso Nacional. Na manhã de 10 de novembro de 1937, forças militares cercaram o Congresso, e Vargas, em um discurso transmitido pelo rádio, proclamou o Estado Novo, um regime autoritário que suspendeu liberdades individuais, dissolveu o Congresso e estabeleceu uma nova constituição corporativa. O mandato presidencial foi estendido por seis anos, posteriormente ampliado para oito, enquanto o poder dos estados foi drasticamente reduzido, centralizando a autoridade no governo federal. Apesar do forte apoio ao regime, a oposição, embora fragmentada, persistia em diversos redutos pelo país, representando uma ameaça potencial à consolidação do Estado Novo. Para assegurar a continuidade de seu governo, Vargas priorizou a neutralização dessas resistências, tanto no âmbito civil quanto militar, buscando formar um núcleo coeso em torno de sua liderança. Uma das estratégias adotadas foi a nomeação de interventores federais nos estados, que assumiram as funções antes exercidas por governadores eleitos. A partir de 1937, todos os estados da federação passaram a ser governados por esses interventores, leais ao governo central, com frequentes trocas ao longo dos anos para manter o controle político. Com a instauração do Estado Novo em 10 de novembro de 1937, São Paulo viu a substituição de seus governadores eleitos por interventores federais. O primeiro a assumir o cargo foi Joaquim Cardoso de Melo Neto, que governou de 11 de novembro de 1937 a 25 de abril de 1938. Sua gestão foi sucedida pela breve passagem do general Francisco Silva Júnior, comandante da 2ª Região Militar, que permaneceu no cargo por apenas três dias, de 25 a 27 de abril de 1938, deixando a posição por motivos pessoais.

A brevidade de sua gestão evidenciou a urgência do governo federal em estabilizar a administração do estado, que era um pilar econômico e político do Brasil. Em 27 de abril de 1938, Adhemar Pereira de Barros, médico, político e veterano da Revolução Constitucionalista de 1932, foi nomeado interventor federal por indicação de Benedito Valadares e Filinto Müller, com a chancela do presidente Getúlio Vargas. Nascido em uma influente família de cafeicultores de São Manuel, no interior paulista, Adhemar trouxe à interventoria uma combinação de visão progressista e entusiasmo pessoal pela aviação. Tendo obtido seu brevê de piloto na Europa na década de 1920, ele via na aviação civil e esportiva uma ferramenta de modernização e integração, capaz de impulsionar a administração pública e conectar as diversas regiões do estado. Entre as prioridades de Adhemar Pereira de Barros como interventor estava a modernização da infraestrutura aeronáutica de São Paulo, com foco na renovação da frota de aeronaves utilizada pelos gabinetes administrativos do governo estadual. Essa iniciativa culminou na aquisição de diversos modelos de aeronaves, com destaque para a compra, no final de 1939, de uma célula nova de fábrica do Stinson 105 Voyager. A aeronave foi transladada em voo para o Brasil, acompanhada de outros aviões adquiridos, chegando à capital paulista em janeiro de 1940. Após sua chegada, foi oficialmente registrada no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) em 19 de janeiro de 1940, sob a matrícula civil PP-AXC. Com uma velocidade máxima de 185 km/h (115 mph), alcance de 724 km (450 milhas) e teto de serviço de 3.962 metros (13.000 pés), o Voyager era ideal para as necessidades do governo estadual. Incorporado à frota do governo de São Paulo, o Stinson 105 Voyager PP-AXC foi intensivamente utilizado em missões de transporte de autoridades e funcionários públicos, desempenhando funções de ligação e transporte leve em todo o estado.  Ocasionalmente, a aeronave também realizava voos para a Capital Federal, no Rio de Janeiro, conectando a administração paulista ao governo central. Sua versatilidade e confiabilidade tornaram-no uma ferramenta essencial para a gestão de Adhemar, que via na aviação um meio de agilizar a comunicação e fortalecer a administração pública em um período de centralização política. A gestão de Adhemar Pereira de Barros reflete não apenas seu compromisso com a modernização, mas também sua paixão pessoal pela aviação, que encontrou eco nas iniciativas de fortalecimento da infraestrutura aeronáutica do estado. Desta maneira , o Stinson 105 Voyager, registrado como PP-AXC, desempenhava com eficiência suas funções a serviço do governo do Estado de São Paulo, conectando autoridades e facilitando a administração estadual. Contudo, sua trajetória nesse papel foi breve, pois a aeronave logo seria destinada a uma nova missão, integrando a frota da Aviação Naval da Marinha do Brasil. 
No contexto da Segunda Guerra Mundial, a Marinha do Brasil enfrentava severas restrições orçamentárias que impactavam diretamente a Aviação Naval. Os escassos recursos disponíveis eram majoritariamente direcionados à aquisição de aeronaves produzidas pelas Oficinas Gerais da Aviação Naval (OGAN) ou à compra de aviões de treinamento avançado e ataque, fabricados nos Estados Unidos. Essa priorização deixou a frota de aeronaves utilitárias em uma situação precária, com muitas unidades dependendo de modelos obsoletos, como os britânicos de Havilland DH-60 Moth Trainer e DH-82 Tiger Moth, para missões de ligação e transporte de pessoal entre bases aeronavais. A carência de aeronaves adequadas comprometia a eficiência operacional, especialmente em unidades com infraestrutura limitada. Em meados do ano de 1940,  Adhemar Pereira de Barros tomou uma decisão significativa, sensibilizado pela situação da Aviação Naval, Adhemar determinou a doação do Stinson 105 Voyager PP-AXC à Marinha, em caráter definitivo e sem custos. A única condição estipulada foi que a aeronave permanecesse sediada na Base de Aviação Naval de Santos (BAN Santos), um pedido prontamente aceito pela instituição. A entrega oficial ocorreu em uma cerimônia realizada no Aeroporto do Campo de Marte, em São Paulo, marcando a transferência da aeronave para sua nova missão. Após a incorporação à frota da Aviação Naval, o Stinson 105 Voyager recebeu as marcações da Aviação Naval,  a designação D-1S e a matrícula D1S-217. Passaria a ser frequentemente empregado em tarefas de ligação entre a Base de Aviação Naval de Santos (BAN Santos) e entro de Aviação Naval do Rio de Janeiro (CAvN RJ). Em serviço, o D-1S foi intensivamente utilizado em trajetos que conectavam Santos ao Rio de Janeiro, transportando pessoal e documentos em apoio às atividades da Marinha. Sua robustez e versatilidade o tornaram um ativo valioso, preenchendo uma lacuna crítica na frota utilitária da Aviação Naval. Em dezembro de 1940, o Stinson 105 Voyager D1S-217 enfrentou um contratempo significativo. Durante o retorno de uma missão de ligação entre Santos e o CAvN RJ, a aeronave sofreu uma pane no motor Continental A-75-3 durante a aproximação para pouso, próximo à cabeceira da pista. A falha exigiu uma aterrissagem de emergência, resultando em danos de média gravidade. O incidente, embora preocupante, não interrompeu a trajetória do D-1S. A aeronave foi prontamente encaminhada às Oficinas Gerais da Aviação Naval, onde passou por reparos minuciosos. Após a conclusão da manutenção, o Voyager retomou suas operações regulares entre São Paulo e o Rio de Janeiro. No início de 1941, o Stinson 105 Voyager D-1S, matrícula D1S-217, embarcou em uma nova fase de sua trajetória, marcada por mudanças institucionais que refletiam a reestruturação da aviação militar brasileira. A criação do Ministério da Aeronáutica (MAer) e a formação da Força Aérea Brasileira (FAB) representaram um marco na história nacional, unificando as aviações do Exército e da Marinha em uma única força. 
Nesse contexto, o D-1S, até então um ativo valioso da Aviação Naval, continuou a servir com dedicação, agora sob a bandeira da Força Aérea Brasileira (FAB), simbolizando a resiliência de uma aeronave singular em um período de transformações e desafios globais. Em 20 de janeiro de 1941, o decreto que instituiu o Ministério da Aeronáutica determinou a transferência de todas as aeronaves e efetivos da Aviação Militar do Exército e da Aviação Naval para as recém-criadas Forças Aéreas Nacionais, que, meses depois, seriam oficialmente denominadas Força Aérea Brasileira. O Stinson 105 Voyager D-1S, alocado na Base Aérea de Santos, adaptou-se rapidamente à nova estrutura. Suas missões, centradas em transporte administrativo e ligação, permaneceram essenciais, com a maioria dos voos agora concentrada no eixo Santos–São Paulo. O Aeroporto do Campo de Marte, que abrigava o Parque de Aeronáutica de São Paulo (PqAerSP) e o 2º Corpo de Base Aérea, tornou-se um destino frequente, conectando a administração militar às operações regionais. Apesar de ser o único exemplar de seu modelo em serviço na Força Aérea Brasileira (FAB), o D-1S demonstrou notável confiabilidade, operando quase ininterruptamente durante toda a Segunda Guerra Mundial. Equipado com um motor Continental A-75-3 de 75 cv, capaz de atingir 185 km/h e um alcance de 724 km, o Voyager era ideal para suas funções. Suas atividades eram pausadas apenas para manutenções e revisões periódicas no Parque de Aeronáutica de São Paulo (PqAerSP), garantindo sua prontidão em um cenário de demandas crescentes. Durante grande parte de seu serviço na FAB, o D-1S manteve as marcações originais da Marinha do Brasil, incluindo a matrícula D1S-217, um reflexo da transição gradual entre as forças. Em março de 1945, a Diretoria de Material da Aeronáutica (DIRMA) emitiu uma nova designação, atribuindo à aeronave a matrícula “01” e os cocares característicos da FAB, alinhando-a aos padrões da instituição. Contudo, meses depois, uma decisão equivocada reclassificou o Voyager como um Stinson SR-10 Reliant, sob a designação UC-SR10 e matrícula FAB 2652. Esse erro técnico, que confundiu o modelo com uma aeronave distinta, não chegou a ser implementado, preservando a identidade original do D-1S. A trajetória do Stinson 105 Voyager foi abruptamente interrompida em 8 de fevereiro de 1945, quando a aeronave sofreu um acidente grave, resultando em danos estruturais significativos. As circunstâncias exatas do incidente permanecem pouco documentadas, mas as evidências sugerem que o D-1S não voltou a operar após o evento. A robustez que caracterizava o modelo, com sua fuselagem de tubos de aço e asas entoiladas, não foi suficiente para superar os impactos do acidente. Em novembro de 1949, uma inspeção conduzida pelo Parque de Aeronáutica de São Paulo (PqAerSP), concluiu que a aeronave era imprestável para voo. Em dezembro do mesmo ano, o D-1S foi oficialmente retirado do inventário da Força Aérea Brasileira (FAB) e destinado à alienação como sucata, encerrando sua carreira operacional. 

Em Escala.
Para representar o Stinson 105 Voyager DS-1, matrícula D1S-217, durante seu período de operação na Aviação Naval da Marinha do Brasil, utilizou-se o único kit disponível no mercado deste modelo, produzido pela Necomisa Pegaso na escala 1/48. Trata-se de um modelo bastante simples e rudimentar, que, inclusive, não acompanha transparências para a composição das janelas e do para-brisas. Para a configuração específica da versão militar brasileira, nenhuma modificação estrutural é necessária. Dado que não há conjuntos de decalques específicos para essa aeronave em serviço nacional, optou-se por empregar decalques provenientes de conjuntos da FCM Decais, complementados com elementos originais fornecidos pelo próprio kit.
O esquema de cores (FS) descrito a seguir corresponde ao padrão de pintura adotado pelas aeronaves durante seu período de operação na Aviação Naval da Marinha do Brasil. Curiosamente, esse padrão apresenta grande semelhança com registros fotográficos de época de aeronaves do mesmo modelo em serviço civil nos Estados Unidos. Ressalta-se que, até o momento, não foram localizadas fotografias que retratem esta aeronave em uso pela Força Aérea Brasileira (FAB). Empregamos tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors .



Bibliografia :
- Stinson 105 Vouager -  Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Stinson_Voyager
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
- Aviação Militar Brasileira 1916 – 1984 Francisco C.  Pereira Neto 

UH-12 Esquilo Helibras HB-350B/BA

História e Desenvolvimento.
A derrota da França em 10 de maio de 1940, seguida pela ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial, representou um golpe devastador à sua outrora vigorosa indústria de defesa. Sob o controle do regime de Vichy e das autoridades de ocupação, a França foi relegada à condição de fornecedora subordinada de componentes e materiais básicos destinados ao esforço industrial do Terceiro Reich, interrompendo abruptamente o ciclo de inovação tecnológica que o país vinha desenvolvendo desde o final da década de 1920. Com o término do conflito, em 1945, a reconstrução nacional tornou-se prioridade do governo francês. O setor aeronáutico, considerado estratégico tanto para a defesa quanto para a soberania tecnológica, recebeu atenção especial dentro do plano de reindustrialização conduzido pelo Estado. Nesse contexto, foi implementada uma política de nacionalizações e reorganização estrutural, que resultou na criação de duas grandes empresas estatais: a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est (SNCASE) e a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest (SNCASO).Ambas nasceram da incorporação e fusão de pequenas companhias privadas — muitas delas fragilizadas economicamente pela guerra — em um esforço governamental para concentrar recursos técnicos e humanos em polos regionais de pesquisa, desenvolvimento e produção. Essa política industrial visava restaurar a competitividade do setor aeronáutico francês, transformando-o em um instrumento de modernização e prestígio nacional. Durante o final da década de 1940 e início dos anos 1950, a SNCASE e a SNCASO atuaram de forma complementar, tanto na produção de aeronaves de asas fixas quanto na introdução de tecnologias emergentes de aeronaves de asas rotativas — os helicópteros. Nesse segmento, o governo francês investiu pesadamente em pesquisa e desenvolvimento, promovendo acordos de cooperação tecnológica e produção sob licença com empresas estrangeiras, principalmente norte-americanas e britânicas. Esse intercâmbio técnico permitiu à França assimilar rapidamente conceitos avançados de engenharia aeronáutica, servindo de base para o desenvolvimento de projetos autônomos e genuinamente nacionais. Um dos frutos mais notáveis desse processo foi o helicóptero Alouette II, desenvolvido pela SNCASE e equipado com motor turboeixo Turbomeca Artouste, tecnologia que representava um salto qualitativo em termos de desempenho e confiabilidade. O Alouette II realizou seu primeiro voo em março de 1955, e sua entrada em serviço marcou um ponto de inflexão na história da aviação francesa.  Em 1º de março de 1957, em um movimento de consolidação industrial promovido pelo Estado francês, ambas as empresas foram fundidas, dando origem à Sud Aviation (Société Nationale de Constructions Aéronautiques du Sud). Essa nova companhia passou a centralizar a maior parte da produção aeronáutica do sul da França, reunindo sob uma mesma administração programas civis e militares.

A Sud Aviation herdou não apenas o know-how técnico e os projetos em andamento das duas antecessoras, mas também sua ambição de inserir a França no seleto grupo de potências aeroespaciais. A SNCASE, por exemplo, já havia acumulado experiência relevante com aeronaves como o SNCASE Languedoc (avião comercial de médio porte) e o SNCASE Mistral, uma versão licenciada do De Havilland Vampire britânico. O êxito do Alouette II, pioneiro entre os helicópteros movidos a turbina, abriu caminho para o desenvolvimento de uma aeronave ainda mais robusta e capaz de suportar maiores cargas. Assim nasceu o  Alouette III, designado como SA 316 ou SA 319 em suas variantes, que realizou seu voo inaugural em 28 de fevereiro de 1959 e entrou em serviço em 1961. Projetado para atender à demanda por um helicóptero versátil, capaz de operar em condições extremas, como grandes altitudes e climas rigorosos, o Alouette III consolidou-se como um marco na aviação de asas rotativas. Em 1965, uma colaboração anglo-francesa foi estabelecida com o objetivo de desenvolver um substituto para a versão militar do Alouette III. Dessa parceria surgiu o Aérospatiale SA341/SA342 Gazelle, um helicóptero leve e ágil que veio a equipar as forças armadas da França e do Reino Unido. Apesar de seu sucesso no mercado militar, o elevado custo de aquisição e operação limitou sua adoção no setor civil internacional. Com base na experiência adquirida com o Gazelle, a equipe de engenharia da Aérospatiale voltou-se para um novo desafio: conceber um helicóptero que combinasse inovação tecnológica com acessibilidade econômica. Para tanto, realizou extensas pesquisas de mercado junto a potenciais operadores, que destacaram três requisitos fundamentais: baixos níveis de ruído e vibração, maior capacidade de transporte e custos operacionais reduzidos. Esses parâmetros seriam essenciais para posicionar a nova aeronave como uma alternativa competitiva ao principal rival no mercado global, o norte-americano Bell 206 Jet Ranger. O projeto resultante apresentou um helicóptero monoturbina com capacidade para até cinco ocupantes, incluindo piloto e passageiros. Incorporando avanços em aviônica, a aeronave foi desenhada para oferecer custos de aquisição e manutenção significativamente inferiores aos do SA341/SA342 Gazelle. Inspirando-se em técnicas da indústria automotiva, a Aérospatiale integrou componentes compartilhados com veículos das marcas Citroën e Renault, além de adotar o inovador sistema Starflex para o rotor principal. Esse sistema, aliado a uma construção eficiente, conferiu à aeronave um desempenho excepcional, com baixo custo operacional, tornando-a ideal para uma ampla gama de missões civis e militares. O protótipo, batizado como Aérospatiale AS350-001, realizou seu primeiro voo em 27 de junho de 1974, sob o comando do piloto de testes Daniel Bernard Certain Bauchart. Equipado com um moderno motor turboeixo Lycoming Avco LTS-101, capaz de gerar 592 shp, o Aérospatiale AS350 demonstrou desde o início sua versatilidade e eficiência, marcando o início de uma nova era para a Aérospatiale.

Após sua apresentação oficial, o Aérospatiale AS350 foi submetido a um rigoroso programa de testes e ensaios em voo, cuja fase inicial revelou limitações na potência do motor norte-americano originalmente instalado. Para superar esse obstáculo, a equipe de engenharia optou pela substituição pelo motor francês Turbomeca Arriel 1B, que oferecia 641 shp e havia sido projetado especificamente para helicópteros leves. Essa decisão estratégica provou-se acertada, e o segundo protótipo, já equipado com o novo motor, realizou seu voo inaugural em 14 de fevereiro de 1975. Esse motor foi escolhido para a versão principal (AS350B) devido ao melhor desempenho em relação ao Lycoming, que era menos potente para certas condições. Durante os extensos ensaios, diversas melhorias técnicas foram implementadas, culminando na versão final de produção. Com o objetivo de atender aos padrões internacionais, três células do helicóptero foram produzidas para os processos de certificação. Em 1977, após obter as aprovações necessárias, o modelo, agora batizado como Aérospatiale AS350B Écureuil (Esquilo), foi lançado nos mercados europeu e norte-americano. Sua combinação de desempenho, confiabilidade e custos operacionais reduzidos rapidamente atraiu o interesse de operadores privados, resultando em uma crescente demanda. A partir de 1978, o Aérospatiale AS350 Écureuil consolidou sua presença com a celebração de contratos governamentais significativos nos dois continentes, especialmente para missões policiais e de socorro aeromédico. O sucesso no mercado civil e paramilitar incentivou a Aérospatiale a desenvolver uma variante militar, voltada principalmente para o treinamento e conversão de pilotos, com funções secundárias como transporte de autoridades (VIP), ligação e observação. Nascia assim o Aérospatiale AS350 BB uma variante específica do helicóptero AS350 Écureuil (atualmente Airbus Helicopters H125), projetada principalmente para atender às necessidades do mercado britânico, em particular para treinamento e operações específicas da Força Aérea Real do Reino Unido (RAF). Para atender aos requisitos de desempenho militar, essa versão foi equipada com o motor Turbomeca Arriel 1D, que entregava 684 shp, conferindo um desempenho ligeiramente superior ao da versão civil. O novo modelo foi configurado com controles duplos robustos e sistemas simplificados para facilitar o aprendizado de pilotos novatos. Inclui instrumentação adaptada para treinamento militar, com sistemas de navegação e comunicação compatíveis com os padrões da Força Aérea Real (RAF) A cabine oferecia boa visibilidade, essencial para instrução. Vale destacar o reforço estrutural adicionado nesta versão, sendo destinado a  suportar o uso intensivo em treinamento, incluindo pousos e decolagens frequentes.

O Aérospatiale  AS350 BB foi selecionado em 1979 pela DHFS Defence Helicopter Flying School (DHFS) (hoje parte do complexo sistema de treinamento do Reino Unido) para formar pilotos de helicóptero das Forças Armadas Britânicas. Após sua introdução passaria a substituir helicópteros mais antigos, como o Westland SA341 Gazelle, em programas de treinamento militar, além de oferecer uma plataforma versátil para outras missões civis e militares no Reino Unido. Operado pela FB Heliservices (atual Cobham Helicopter Services), foi usado extensivamente na base de Força Aérea Real em  Shawbury. Seriam recebidas 38 células, designadas como  Squirrel HT1 (Helicopter Trainer 1) pela RAF e Squirrel HT2 pela Marinha Real (Royal Navy). A partir da década de 2010, o AS350 BB (Squirrel HT1/HT2) começou a ser substituído por helicópteros mais modernos, como o Airbus H135 Juno e o H145 Jupiter, no programa de treinamento militar do Reino Unido (UK Military Flying Training System - MFTS. Esta versão despertaria também o interesse da Força Aérea Francesa (Armée de l’Air), que em 1979 celebrou um contrato para a aquisição de 30 células a fim de serem empregadas em escolas de aviação, como a École de l’Air. O AS350 BB foi uma peça-chave no treinamento de pilotos tanto na Força Aérea Francesa quanto na ALAT, com contratos firmados em 1979 para substituir o SA341/SA342 Gazelle. Neste mesmo ano a Aviação Leve do Exército Francês (ALAT) celebraria um contrato com o fabricante para a compra de 40 células, sendo destinados a equipar a École de l’Aviation Légère de l’Armée de Terre (EALAT), com unidades baseadas em Dax e Le Cannet-des-Maures. O AS350 BB foi amplamente utilizado na EALAT para instrução de pilotos em voo básico, navegação e manobras táticas. Sua robustez e baixo custo de manutenção o tornaram ideal para o uso intensivo em escolas de aviação. Embora focado em treinamento, o AS350 BB ocasionalmente desempenhou papéis de ligação e transporte leve em unidades como o 1º Regimento de Helicópteros de Combate (1e RHC) ou o 9º Regimento de Suporte Aeromóvel (9e RSAM). Em fevereiro de 1979, a Marinha do Brasil assinou um contrato com a Helibras (Helicópteros do Brasil S.A.), recém-formada em parceria com a Aérospatiale, tornando-se assim o quarto operador militar da aeronave, com este acordo envolvendo a compra de seis células. A versatilidade e confiabilidade do AS350 Écureuil foram fatores-chave para sua ampla adoção por operadores internacionais, tanto civis quanto militares, em diversos países. Sua lista de exportações militares envolve as forças armadas  da Argentina, Arábia Saudita, Austrália, Benin, Botsuana, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Canadá, Chile, Gabão, Camboja, Paquistão e República Centro-Africana, onde ele foi empregado em missões de treinamento, transporte e apoio. No final da década de 1980, a família de helicópteros Aérospatiale AS350B e AS355B Écureuil,  consolidava-se como um êxito comercial notável. Presente em diversos países, essas aeronaves atendiam com excelência tanto o mercado civil quanto o militar, demonstrando versatilidade e confiabilidade. 
A ampla frota em operação gerava impactos positivos na cadeia de suprimentos, reduzindo custos de peças de reposição e otimizando processos de manutenção. Esse cenário reforçava o valor do modelo, posicionando-o como uma escolha estratégica para operadores em todo o mundo. Nesse contexto, a diretoria da Aérospatiale identificou um promissor mercado para versões militares especializadas do AS350 e AS355. A empresa vislumbrou o potencial de adaptar essas aeronaves para missões mais complexas, incluindo ataque ao solo, apoio aéreo aproximado, patrulha marítima, guerra antissubmarino (ASW), ataque antinavio (ASM) e busca e salvamento em combate (Combat-SAR). Para viabilizar esse projeto, foram selecionadas duas células das versões civil monomotor (AS350) e bimotor (AS355), que passaram por significativas modificações. As melhorias incluíram reforços estruturais, blindagem para o grupo motriz e tripulantes (com piso e assentos protegidos), e a integração de uma nova suíte de aviônica voltada para operações de combate. As aeronaves foram preparadas para receber sistemas de imageamento diurno e noturno, óculos de visão noturna (NVG) e dispositivos de defesa passiva, como contramedidas infravermelhas. Um dos avanços mais significativos foi a substituição do motor original pelo Turbomeca Arriel 2B, um turboshaft de 847 hp, que conferia maior potência e desempenho. Em 1989, os protótipos dessas versões militarizadas foram submetidos a rigorosos ensaios em voo, que revelaram perspectivas operacionais promissoras. A partir de 1º de janeiro de 1990, a Aérospatiale reformulou seu sistema de designação: as aeronaves militares monomotoras passaram a ser identificadas como AS550, enquanto as bimotores receberam a designação AS555. Esses modelos foram então apresentados ao mercado internacional de defesa, atraindo interesse imediato. Em 1992, a fusão entre as divisões de helicópteros da Aérospatiale e da Messerschmitt-Bölkow-Blohm deu origem à European Aeronautic Defence and Space Company (EADS), posteriormente renomeada Airbus Helicopters. Nesse processo, a linha militar do AS350/AS355 foi rebatizada como Fennec, distinguindo-se da versão civil Écureuil. As variantes militares incluíam os modelos AS550 C2 Fennec, AS550 U2 Fennec e AS550 C3 Fennec, cada uma otimizada para missões específicas. Os primeiros contratos de exportação foram assinados ainda em 1990, contemplando entregas para as forças armadas de países como França, Argentina, Brasil, Colômbia, Argélia, Dinamarca, Emirados Árabes Unidos, Malásia, México, Singapura, Paquistão, Uzbequistão e China. Renomeada comercialmente como H125 em 2005, a família AS350/AS550 permanece em produção contínua pela Airbus Helicopters. Até o momento, mais de 3.700 unidades foram entregues, atendendo operadores civis, forças de segurança e mais de 40 forças armadas ao redor do mundo.

Emprego na Marinha do Brasil.
A utilização  de aeronaves de asas rotativas na Aviação Naval teve sua gênese em 1952 com a criação da Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), tendo como seu primeiro vetor quatro anos mais tarde duas células do modelo Westland WS-51/2 Widegon. A seguir mais helicópteros de outros modelos  seriam incorporados, porém desde  meados da década de 1960, o comando da Aviação Naval da Marinha do Brasil reconheceu que a solução para os desafios logísticos relacionados à manutenção de sua frota de helicópteros passava pela criação de uma indústria nacional dedicada à fabricação de aeronaves de asas rotativas. Essa visão estratégica começou a ganhar forma com a fundação da Embraer S/A, em 1969, e avançou significativamente em 1973, quando o Instituto de Fomento Industrial do Centro Técnico Aeroespacial (IFI-CTA) assumiu a liderança na organização de um projeto para estabelecer uma empresa voltada à produção de helicópteros no Brasil. No que diz respeito às necessidades da Marinha do Brasil, os esforços iniciais concentraram-se na possibilidade de a Embraer produzir, sob licença, o helicóptero Aérospatiale-Westland Gazelle, uma aeronave consolidada no mercado internacional. Contudo, avaliações técnicas revelaram que as linhas de montagem da Embraer, otimizadas para aeronaves de asa fixa, não se adequavam à complexidade da fabricação de helicópteros. Diante desse obstáculo, o Instituto de Fomento Industrial do CTA, em parceria com a Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), passou a buscar alternativas no mercado global, iniciando contatos com diversos fabricantes de helicópteros e solicitando propostas para a produção local. Entre as empresas que responderam ao chamado, a francesa Aérospatiale destacou-se pela proatividade e visão estratégica. Inicialmente, a companhia propôs a produção de uma versão customizada do AS-315B Lama, um helicóptero robusto, mas já ultrapassado para as demandas brasileiras. Após análises, a escolha recaiu sobre o AS350 Écureuil, um modelo mais moderno, versátil e alinhado às necessidades operacionais da Marinha e do mercado civil. As negociações envolveram o governo federal, o governo do estado de Minas Gerais, a empresa Serviços Aerofotogramétricos Cruzeiro do Sul e a Aérospatiale. Esse processo culminou, em abril de 1978, na assinatura de um acordo histórico para a criação da Helicópteros do Brasil S/A (Helibras), uma empresa de capital misto com 45% de participação da Aérospatiale e 55% de capital brasileiro, distribuído entre a Companhia de Distritos Industriais de Minas Gerais, a Serviços Aerofotogramétricos Cruzeiro do Sul e a Minas Gerais Participações. A escolha da cidade de Itajubá, no interior de Minas Gerais, para a instalação da planta fabril foi estratégica, combinando incentivos econômicos, localização favorável e potencial para o desenvolvimento industrial regional. Como protagonista no apoio à criação da Helibras, a Marinha do Brasil posicionou-se naturalmente como um dos primeiros clientes da nova empresa. 

Em 30 de março de 1979, foi formalizado um contrato para a produção de seis unidades do Aérospatiale AS350B Écureuil, que no Brasil recebeu a designação comercial Helibras HB-350B Esquilo. Esse marco não apenas reforçou a capacidade operacional da Aviação Naval, mas também consolidou a Helibras como um pilar da indústria aeronáutica brasileira, promovendo a transferência de tecnologia e o fortalecimento da economia nacional. O contrato firmado entre a Marinha do Brasil e a Helicópteros do Brasil S/A (Helibras) em 30 de março de 1979 estipulava que a primeira unidade do Helibras HB-350B Esquilo, designada militarmente como UH-12, seria produzida nas instalações da Aérospatiale em Marignane, França. Essa decisão decorreu do fato de que a linha de produção da Helibras, recém-estabelecida em Itajubá, Minas Gerais, ainda não estava plenamente operacional. A primeira aeronave, registrada com a matrícula N-7051, foi submetida a testes de voo na França e entregue oficialmente a representantes da Marinha do Brasil em maio de 1979. Em junho do mesmo ano, o helicóptero foi desmontado e transportado por via aérea ao Brasil, desembarcando no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, São Paulo. No local, foi recebido por oficiais do Grupo de Fiscalização e Recebimento de Helicópteros (GFRH), responsáveis por supervisionar o processo de incorporação. De Campinas, a aeronave foi transportada por via terrestre até o Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos, onde a Helibras operava instalações provisórias. Lá, técnicos da Helibras, em colaboração com especialistas da Aérospatiale, realizaram a montagem do helicóptero. Após a conclusão dessa etapa, o UH-12 foi submetido a um rigoroso programa de ensaios em voo, conduzido sob a supervisão da Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM). Esse processo, que visava garantir a conformidade técnica e a prontidão operacional da aeronave, estendeu-se por cinco meses, culminando na sua incorporação oficial ao 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-1), sediado na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, Rio de Janeiro, no final de 1979. As cinco aeronaves restantes previstas no contrato, com matrículas N-7052, N-7053, N-7054 e N-7055, foram montadas diretamente no Brasil, nas instalações da Helibras. Essas unidades foram incorporadas à frota da Aviação Naval até março de 1980, ampliando a capacidade operacional do EsqdHU-1. Nesse período, o esquadrão era comandado pelo Capitão de Fragata Lynch, um oficial cuja liderança foi determinante para o sucesso da transição para o novo modelo. Coube a ele a desafiadora tarefa de qualificar, em apenas 60 dias, todos os 33 pilotos aeronavais designados para operar o HB-350B UH-12 Esquilo. Ressalta-se que o Capitão Lynch era, à época, o único instrutor de voo qualificado pela Helibras no Brasil para essa aeronave, o que evidencia sua competência e dedicação em um momento crucial para a Aviação Naval.
Equipados com esquis baixos, os Helibras UH-12 Esquilo do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-1), sediado na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, Rio de Janeiro, foram gradualmente integrados à exigente rotina operacional da unidade. Contudo, a entrada em serviço dessas aeronaves foi acompanhada por desafios iniciais, com pequenos problemas materiais que demandaram atenção e esforço para sua resolução. Esses contratempos, embora naturais em um processo de adaptação, geraram preocupações para os operadores da Aviação Naval. Em 1980, quando a Aérospatiale completou a entrega da 125ª célula produzida em sua fábrica em Marignane, França, tornou-se evidente que os desafios enfrentados impactavam o ciclo de produção do AS350 Écureuil. Diante disso, a empresa francesa empreendeu um esforço técnico para implementar melhorias significativas. Entre as prioridades estavam o aprimoramento da proteção contra corrosão, essencial para operações em ambientes marítimos sujeitos à maresia, e o reforço da robustez de componentes submetidos a esforços intensos, particularmente em missões embarcadas. Essas modificações foram incorporadas aos modelos produzidos a partir de então, e a Helibras S/A, em Itajubá, Minas Gerais, assumiu a responsabilidade de aplicar essas atualizações nas aeronaves já entregues à Marinha do Brasil, garantindo maior confiabilidade e durabilidade. Com a substituição dos Bell UH-6 Jet Ranger II, os UH-12 Esquilo assumiram plenamente as missões do EsqdHU-1, demonstrando versatilidade e eficiência nos anos subsequentes. Entre as tarefas prioritárias da unidade destacavam-se as missões hidrográficas, realizadas em apoio à Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), fundamentais para o mapeamento e segurança da navegação nas águas brasileiras. Além disso, os Esquilo desempenharam papéis essenciais em transporte e ligação, conectando unidades navais e bases terrestres. Em operações embarcadas, os UH-12 foram empregados em fragatas, contratorpedeiros e navios faroleiros, ampliando a capacidade operacional da Marinha. Notavelmente, substituíram os Westland Whirlwind S-55 na função de “Pedro” (Guarda de Aeronaves) a bordo do Navio-Aeródromo Ligeiro Minas Gerais (A-11), garantindo a segurança das operações aéreas no convés. O UH-12 Esquilo também marcou presença nas missões do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), operando inicialmente ao lado dos Westland SH-2 Wasp e, posteriormente, assumindo suas funções. Embarcados no Navio de Apoio Oceanográfico H-42 Barão de Teffé, os UH-12 enfrentaram as condições extremas da Antártida, contribuindo para o sucesso das expedições científicas brasileiras. O UH-12 Esquilo tem sido empregado no 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (EsqdHI-1), sediado na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA), para o Curso de Aperfeiçoamento de Aviação para Oficiais (CAAVO). Ele é atualmente usado na formação prática de pilotos de asas rotativas, complementando os remanescentes Bell 206 Jet Ranger III (IH-6B). Os resultados positivos obtidos nos primeiros anos de operação dos helicópteros Helibras UH-12 Esquilo motivaram o comando da Aviação Naval da Marinha do Brasil a expandir sua frota. Em 4 de novembro de 1983, foi assinado um contrato para a aquisição de mais três helicópteros, que incorporavam avanços significativos em relação às aeronaves inicialmente adquiridas. 

Essas novas células contavam com uma suíte de comunicação e navegação modernizada, esquis altos e um guincho de carga externo, aprimorando sua versatilidade e desempenho na realização de suas tarefas. Na mesma ocasião, as seis aeronaves originais foram enviadas às instalações da Helibras S/A para revisão e atualização, alinhando-as ao novo padrão dos helicópteros recém incorporados. Esse processo garantiu maior padronização, eficiência à frota e redução nos custos de manutenção. Os helicópteros Helibras UH-12 Esquilo da Marinha do Brasil foram adaptados, a partir de 1985, para integrar armamentos, com o objetivo de proporcionar suporte aéreo próximo em operações de desembarque do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) e outras missões táticas. Este processo abrangeu o emprego de Lançadores de Foguetes Avibras SBAT-70 (Sistema Brasileiro de Artilharia Terrestre, calibre 70 mm), com cada aeronave portando dois destes lançadores com até  sete foguetes nao guaidos, projetados para ataques a alvos terrestres ou marítimos leves. Casulos TMP com Metralhadoras FN Herstal de 7,62 mm, com estes sendo montados nas laterais do helicóptero, para uso em missões de supressão de fogo inimigo, apoio a tropas em terra e engajamento de alvos móveis, como embarcações leves ou pessoal. Sua cadência de tiro elevada (cerca de 650-1000 disparos por minuto por metralhadora) oferecia capacidade de fogo sustentado. E por fim uma Metralhadora Lateral MAG58M de 7,62 mm usada em missões de apoio aéreo próximo, especialmente em cenários que exigiam precisão contra alvos específicos, como forças inimigas em movimento ou posições defensivas. O atirador lateral podia ajustar o ângulo de tiro em tempo real, aumentando a eficácia em combates dinâmicos. A integração desses armamentos exigiu um amplo processo de adaptações com inclusão de reforço estrutural para a adaptação dos pontos de fixação para suportar os casulos de armas e os lançadores de foguetes, considerando o peso adicional e as vibrações durante o disparo.  Sistemas de Controle: Atualização dos sistemas de mira e controle para permitir o uso eficiente dos armamentos, especialmente no caso dos foguetes SBAT-70 e dos casulos TMP. Desta maneira os UH-12 Esquilo podiam sem prontamente empregados em apoio operações anfíbias, nas quais o Corpo de Fuzileiros Navais realizava desembarques em áreas costeiras ou ribeirinhas. As principais funções incluíam: Supressão de Defesas Inimigas: Neutralizar posições fortificadas ou ninhos de metralhadoras que pudessem ameaçar as tropas durante o desembarque. Apoio Aéreo Próximo: Proteger as forças do CFN em terra, engajando alvos oportunistas ou fornecendo cobertura durante avanços. Interdição de Alvos Leves: Atacar embarcações pequenas, veículos ou concentrações de tropas com foguetes e metralhadoras. Em 1987, a frota da Aviação Naval da Marinha do Brasil foi ampliada com a encomenda de onze helicópteros da versão biturbina Helibras AS355 F2 Esquilo, designados UH-13. Estas aeronaves seriam destinadas especialmente a operações no ambiente antártico.  Em 1991, uma décima unidade da versão monomotora foi incorporada a Aviação Naval, sendo convertida a partir de uma aeronave AS355 F2 (UH-13) armazenada pela Helibras após um acidente de média gravidade. 
Já em 1992, todas as células foram novamente enviadas ao fabricante para revisão e atualização para o padrão HB350 BA, reforçando a modernização da frota. A criação de unidades operacionais distritais, como o 3º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-3) – Tucano, o 4º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-4) – Gavião Pantaneiro e o 5º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-5) – Albatroz, levou a Marinha do Brasil a adquirir mais quatro aeronaves da versão HB-350B (matrículas N-7078 a N-7081) e sete da versão HB350BA (matrículas N-7082 a N-7088). Com isso, os esquadrões de emprego geral passaram a operar um modelo unificado de helicóptero em todo o território nacional, de norte a sul, consolidando a capacidade operacional  e alta disponibilidade da Aviação Naval.  No final de maio de 2004, o 4º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-4) – Gavião Pantaneiro substituiu seus helicópteros Helibras UH-12 Esquilo por três unidades Bell IH-6B Jet Ranger III, transferidas do 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (HI-1). Essa substituição ocorreu devido às dimensões mais adequadas do Jet Ranger III para operação a bordo do Monitor Parnaíba (U-19), otimizando a capacidade operacional em ambiente naval. Por mais de quatro décadas, as aeronaves das famílias Helibras UH-12 e UH-13 desempenharam um papel essencial na Aviação Naval da Marinha do Brasil, executando um amplo espectro de missões. Essas incluíam apoio a operações anfíbias e especiais, reconhecimento por radar e visual, patrulha naval, transporte de tropas, suporte logístico, busca e salvamento, guarda de aeronaves em navios-aeródromo, evacuação aeromédica e missões de ataque. Contudo, o intenso uso operacional, somado às condições adversas do ambiente marítimo, resultou em significativo desgaste estrutural das células dessas aeronaves. Esse cenário tornou inviável a implementação de programas de modernização, como os realizados pelo Exército Brasileiro com o HA-2 Fennec ou pela Força Aérea Brasileira com o H-55 Esquilo. Diante disso, tornou-se imperativa a substituição completa da frota dessas aeronaves a curto prazo. Com esse objetivo, a Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM) lançou, em 2015, o Programa de Helicópteros de Emprego Geral de Pequeno Porte (UHP). Após longa gestação em maio de 2022 seria anunciada a aquisição de 12 células do modelo Helibras H125 Esquilo, a nova versão da aeronave equipada com com um glass cockpit duplo G500H TXi e VEMD (Vehicle & Engine Multifunction Display), compatível com óculos de visão noturna (NVG), o que melhora a segurança e a capacidade operacional em missões noturnas. Alimentado pelo motor Safran Arriel 2D, o H125 é capaz de operar em condições adversas, incluindo altas temperaturas e altitudes elevadas, com autonomia e alcance otimizados para missões táticas e de instrução. O primeiro H125 (IH-18, matrícula N-5101) destinado à Marinha do Brasil está em fase final de recebimento, com previsão de entrega na segunda quinzena de junho de 2025. O objetivo principal é substituir os antigos Bell 206B Jet Ranger III (IH-6B), usados na instrução de voo, e os UH-12 Esquilo mais antigos, alguns operando desde 1979, como o N-7050. A substituição visa modernizar a frota, aumentar a segurança e aprimorar a formação de pilotos navais.

Em Escala.
Para a representação do helicóptero Helibras HB-350B UH-12 Esquilo, designado como "MB 7055", foi utilizado o kit HTC/Heller na escala 1/48, embora as dimensões do modelo sugiram uma proximidade com a escala 1/50. Para retratar com precisão a versão operada pela Aviação Naval da Marinha do Brasil, faz-se necessário realizar algumas modificações no kit. Inicialmente, o farol de busca original, localizado na parte frontal da aeronave, deve ser removido. Em seguida, é preciso confeccionar, por meio de técnicas de scratchbuilding, uma nova peça que represente o farol de busca, a ser instalada na parte inferior da fuselagem. Para a aplicação das marcações características, foram utilizados decais da FCM Decais, disponíveis no conjunto 48/07B. 
O esquema de cores, baseado no padrão FS (Federal Standard), descrito a seguir, corresponde ao terceiro padrão de pintura adotado pelas aeronaves Helibras UH-12 Esquilo em serviço na Marinha do Brasil. Inicialmente, essas aeronaves foram entregues com uma pintura em tons de cinza claro e branco. A partir do processo de revisão e atualização iniciado em 1992, foi adotado um tom de cinza mais escuro como padrão, o qual permanece em uso e deverá ser mantido até a desativação final das aeronaves, prevista para ocorrer entre os anos de 2025 e 2032. 

Bibliografia :
-  Eurocoppter AS350 Écureuil  - Wikipédia http://fr.wikipedia.org/wiki/Eurocopter_AS350_%C3%89cureuil
-  HU-3 Asas da Marinha na Amazonia - Revista Asas Volume 2
-  Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr
- Helicóptero UH-12 Esquilo: 30 anos de serviço ativo na Marinha do Brasil – Poder Naval
- Aviação Naval Brasileira por :  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/Asas%20sobre%20os%20mares/index.html

M-577A1 (VtrBldEspSL) e M-577A2 (VBE)


História e Desenvolvimento.
A origem e o emprego dos carros blindados de transporte de tropas em larga escala no campo de batalha ocorreram durante a Segunda Guerra Mundial, com a utilização de veículos de tração do tipo meia-lagarta. Destacou-se, nesse contexto, o modelo Hanomag Sd.Kfz. 251, amplamente utilizado pelo Exército Alemão (Wehrmacht). Já entre os exércitos norte-americano e britânico, a predominância desse tipo de veículo no campo de batalha foi representada pela família de meias-lagartas dos modelos White M-2, M-3 e M-5 Half Track Car, empregados em grandes quantidades em todos os teatros de operações do conflito. Apesar de seu importante papel no esforço de guerra, executando tarefas de transporte de tropas e cargas, os modelos norte-americanos apresentavam uma deficiência significativa: a ausência de uma estrutura de cobertura blindada. Essa falha de projeto tornava os soldados vulneráveis a armas leves e estilhaços de projéteis. Para solucionar esse problema, ainda durante as últimas fases do conflito, foi desenvolvido o projeto M-44 (T16), um veículo blindado de transporte de tropas originalmente derivado do carro de combate M-18 Hellcat. Seu conceito inicial priorizava a proteção total dos ocupantes, resultando em um veículo de dimensões muito superiores aos modelos meia-lagarta então em uso, com capacidade para transportar até 24 soldados totalmente equipados e um peso total de combate de 23 toneladas. Foram construídos três protótipos, submetidos a ensaios e testes em campo. Durante esse processo, verificou-se que o peso total do veículo limitava significativamente sua velocidade e sua capacidade de transpor terrenos irregulares, levando à decisão de cancelamento do projeto. No entanto, a ideia não foi abandonada, sendo reformulados os parâmetros de projeto para esse tipo de blindado. Em setembro do mesmo ano, foi lançada uma concorrência para o desenvolvimento de um novo veículo blindado destinado ao transporte de tropas, com capacidade para até dez soldados. Entre os requisitos especificados, destacava-se a necessidade de que esse novo modelo fosse baseado na plataforma e no chassi do veículo de transporte de carga T-43 Cargo Carrier. Diversas montadoras apresentaram suas propostas em meados de 1946, as quais foram avaliadas pelo Comando de Material do Exército dos Estados Unidos (US Army). Os resultados apontaram para a superioridade do modelo conceitual T-18EI, desenvolvido pela empresa International Harvester Company (IHC), resultando na celebração de um contrato para a produção de quatro protótipos iniciais. Esses foram concluídos e disponibilizados para testes no início de 1947. O programa de avaliação estendeu-se por mais de oito meses e resultou em uma série de demandas de melhorias ao fabricante. Após a implementação das alterações recomendadas, os quatro protótipos foram novamente submetidos a ensaios, sendo posteriormente homologados para produção em série. O primeiro contrato de aquisição, contemplando mil unidades, foi formalizado em maio de 1950, com o modelo recebendo a designação oficial de M-75 Veículo de Infantaria Blindado (Personnel Carrier - APC). 

Os primeiros veículos blindados deste modelo foram disponibilizados às unidades de infantaria do Exército dos Estados Unidos (US Army) a partir do início de 1952, substituindo gradualmente os blindados meia-lagarta White M-3 e M-5 Half Track ainda em operação. Apesar de ser mais leve que os protótipos do modelo M-44 APC, o novo veículo de infantaria blindado ainda possuía um peso total de combate de dezoito toneladas, considerado elevado. Durante os exercícios operacionais, verificou-se que esses veículos não conseguiam acompanhar os carros de combate no campo de batalha, comprometendo a mobilidade e a sincronia das unidades motorizadas de uma força terrestre. Essa situação gerou grande preocupação entre os estrategistas militares, resultando na decisão de cancelar o contrato de produção ainda em vigência. Como medida emergencial, foi necessário reativar algumas centenas de veículos meia-lagarta previamente transferidos para a reserva. Para solucionar essa deficiência, em dezembro de 1953 foi lançada uma nova concorrência para o desenvolvimento de um veículo blindado de transporte de tropas mais eficiente, prevendo a aquisição de pelo menos cinco mil unidades. O novo modelo deveria manter a premissa de garantir adequada proteção aos ocupantes, mas com menor peso total de deslocamento. Além disso, deveria possuir relativa capacidade anfíbia para a transposição de rios e pequenos cursos d'água, bem como a possibilidade de ser aerotransportado pelos aviões de grande porte então em desenvolvimento. Dentre as propostas apresentadas, o modelo T-59, desenvolvido pela Food Machinery and Chemical Corporation (FMC), destacou-se frente à concorrência, sendo selecionado pelos militares norte-americanos. Como parte do processo de avaliação, foi firmado um contrato para a produção de oito unidades pré-série, as quais seriam submetidas a um novo programa de ensaios operacionais entre setembro e outubro de 1953. Os primeiros veículos de série foram incorporados às unidades de infantaria do Exército dos Estados Unidos (US Army) em agosto de 1954, sendo recebidos com entusiasmo devido ao seu porte imponente e modernas linhas de design. No entanto, durante o uso operacional, o modelo apresentou deficiências significativas relacionadas à potência do motor, velocidade, autonomia e mobilidade. Esses problemas decorriam, principalmente, do alto peso de deslocamento do veículo. Essa problemática gerou grande preocupação no comando do Exército dos Estados Unidos (US Army), levantando questionamentos sobre a real eficiência e capacidade de sobrevivência do FMC M-59 em um possível cenário de conflito moderno na Europa contra as forças soviéticas.
Neste mesmo momento, o comando militar do Exército dos Estados Unidos (US Army), passaria a elaborar planos para a futura substituição do M-75 APC, que apesar de sua robustez e confiabilidade se mostrava inadequado a missão, com o novo M-59 APC reprisando esta mesma problemática operacional de desempenho no campo de batalha. Criava-se então no ano de 1958, uma demanda para o desenvolvimento de um novo veículo blindado de transporte de tropas, com este modelo devendo unir as melhores características operacionais do M-75 e M-59. Este novo veículo blindado deveria apresentar velocidade compatível aos carros de combate no campo de batalha (principalmente o M-41 e M-48), relativa capacidade anfíbia e possibilidade se ser aerotransportado. Estes parâmetros resultariam no desenvolvimento do conceito AAM-PVF - Airborne Armored Multi-Purpose Vehicle (Veículo Multiuso Blindado Aerotransportado).  Uma concorrência seria deflagrada no final deste mesmo ano, e em meados de 1959 a FMC Food Machinery Corp seria declarada vencedora. Grande parte desta decisão recairia sobre o inovador sistema de blindagem proposto, sendo composta por uma liga de duralumínio que fora desenvolvido em parceria com a empresa Kaiser Aluminium and Chemical Company. Esta solução proporcionaria ao veículo uma suficiente proteção blindada e uma grande mobilidade e velocidade no campo de batalha devido ao seu baixo peso final. Este projeto receberia a designação militar de T-113, sendo celebrado um primeiro contrato para a produção de três carros pré-série quer seriam destinados a avaliação. Estes veículos blindados de transporte de tropas seriam equipados com um motor a gasolina Chrysler 75M com 8 cilindros em "V" com potência de 215 hp, seriam entregues em maio de março de 1950, sendo imediatamente submetidos a um intensivo programa de ensaios em campo, com este processo se estendendo até o mês de setembro. Os resultados validaram sua produção em série, com um primeiro contrato sendo celebrado logo em seguida, envolvendo inicialmente novecentas unidades, com o modelo recebendo a designação militar de M-113AO APC, com os primeiros sendo entregues as unidades operativas do Exército dos Estados Unidos (US Army) entre os meses de maio e junho do ano de 1960. Em campo o novo M-113 podia transportar até a linha de frente onze soldados totalmente equipados, servindo de proteção e apoio até o desembarque da tropa, devendo então recuar para a retaguarda. Como armamento de autodefesa, o blindado contava com uma metralhadora M-2 Browning de calibre .50 (12,7 mm) operada manualmente pelo comandante. Passariam também logo a ser desdobrados em operações aerotransportadas nos novos aviões de transporte pesado, Lockheed C-130 Hercules e Lockheed C-141 Starlifter da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). 

Após sua completa introdução operacional, seria decidido implantar o novo M-113AO em um cenário de conflagração real, para fins avaliação real no campo de batalha, com esta demanda sendo atendida em 1962, pela cessão de trinta e dois blindados deste modelo para o Exército da República do Vietnã (ARVN). Em operação na Guerra do Vietnã, os M-113AO, passariam dotariam duas companhias mecanizadas, com seu batismo de fogo sendo realizados em janeiro de 1963 durante os eventos da Batalha de Ap Bac na província de Dinh Tuong (agora Tien Giang). Neste momento o comando do Exército dos Estados Unidos (US Army) identificou a necessidade de um veículo móvel de comando e controle que pudesse operar no campo de batalha, funcionando como um centro de operações táticas (TOC), geralmente no nível de batalhão. O M-577 Command Post Carrier foi projetado para atender a essa demanda, oferecendo um ambiente protegido para coordenar operações, comunicações e planejamento tático. Os primeiros quatro protótipos, denominados XM-577, foram construídos no Detroit Arsenal em 1962, convertidos diretamente de chassis M-113, apresentando um casco superior elevado em 64,14 cm (25,25 polegadas) para aumentar o espaço interno (altura do teto interno de 189,9 cm), permitindo acomodar equipamentos de comando, como rádios, mesas de mapas e pessoal. Diferentemente do M-113, que tinha um único tanque, o M-577 possuía dois tanques de 230 litros cada, posicionados nas laterais do compartimento de passageiros, servindo também como suportes para duas mesas dobráveis de 230 cm. Um gerador a gasolina de 28 volts foi instalado à direita do motorista, na parte frontal do compartimento elevado, para alimentar equipamentos de comando. Um guindaste (mecânico) no teto era usado para desmontar o gerador. Os protótipos seriam enviados para o Campo de Provas de Aberdeen para testes de engenharia e avaliação, sendo logo homologados para produção em série.  A FMC Corporation produziu 270 unidades do M577 entre dezembro de 1962 e maio de 1963, antes mesmo da entrega do primeiro veículo-piloto, devido à urgência operacional no Vietnã. Mais 674 unidades foram fabricadas entre novembro de 1963 e 1964. Os primeiros M-577 seriam entregues as unidades operativas norte americanas no final do ano de 1963. A viatura passou por várias atualizações ao longo de sua vida útil, acompanhando as melhorias implementadas no M-113 e as necessidades tecnológicas e operacionais. As principais variantes incluem:  M-577A1 envolvendo a substituição do motor a gasolina por um Detroit Diesel 6V53 (212 hp), alinhando-se com o M-113A1.  Isso aumentou a eficiência e a confiabilidade, além de melhorar o alcance devido a tanques de combustível maiores. Vale o destaque para o modelo K-277 construído sob licença na Coréia do Sul durante a década de 1980, se baseando no M-577A1, equipado com o motor a diesel  MAN D2848T V8 (fabricado sob licença pela Doosan) e transmissão automática Allison X200-5K, adaptada às necessidades sul-coreanas. A partir de 1979 seria desenvolvida a versão M-577A2 que  introduziu melhorias no sistema de refrigeração do motor, suspensão e aquecimento para o pessoal, baseando-se no chassi do M-113A2. A conversão de veículos M-577 anteriores para o padrão M-577A2 começou em agosto de 1979. Neste contexto neste mesmo período a fim de atender a uma demanda norueguesa, seria criada o modelo NM198 Kommandopanservogn, equipada com com forros internos anti-estilhaços (spall liners) e o NM196 Hjelpeplasspanservogn versão ambulância com melhorias no trem de força, motor diesel Caterpillar e blindagem adicional (NM196F3). O ciclo evolutivo seria mantido em meados da década de 1980 com o lançamento do M-577A3 equipado com o pacote de potência RISE (Reliability Improved Selected Equipment), incluindo um motor 6V53T turbo-diesel mais potente e um gerador a diesel em vez do modelo a gasolina. Diferentemente do M-113A3, o M-577A3 não adotou tanques de combustível externos, mantendo os tanques internos. Após a Guerra do Golfo de 1991, cerca de dois terços do inventário de M-577A2 do Exército dos Estados Unidos (US Army) foram atualizados com o Army Tactical Command and Control System (ATCCS), sendo redesignados como M-1068 SICPS (Standard Integrated Command Post System). Estes receberiam uma suíte de comunicações digitais, incluindo GPS e rastreamento de forças amigas ("blue force tracking"); antena de 10 metros para comunicações de longo alcance e um novo sistema de tenda Modular Command Post System (MCPS), mais rápido de montar/desmontar, com iluminação interna e tomadas elétricas. O MCPS se conecta ao veículo por uma "parede de bota" (bootwall), mantendo acesso ao interior. O último pacote de atualização receberia a designação de M-577A4, sendo desenvolvido pela BAE Systems em parceria com a FNSS, apresentando : Sistemas digitais e suítes de comunicação atualizadas, blindagem adicional (applique armor) e tanques de combustível externos blindados, semelhantes aos do M-113A3, liberando espaço interno, motor 6V53T turbo-diesel com 350 hp (261 kW) e transmissão automática TX-400 4B aprimorada e capacidade para sete pessoas: motorista, comandante e até cinco oficiais ou operadores de sistemas. Apesar das modernizações, o design do M-577 data dos anos 1960, o que o torna menos avançado em comparação com veículos de comando modernos, como variantes sem torre do Bradley Fighting Vehicl. Sua produção foi encerrada em 2007, totalizando 7.224 unidades, com a maioria ainda permanecendo em serviço em cerca de 50 países, com variantes adaptadas para funções específicas, como ambulâncias blindadas (Egito, Alemanha e Brasil) ou veículos de controle de fogo. 

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
A Força de Fuzileiros de Esquadra ou FFE foi criada no de 1950 a fim de estabelecer uma estrutura de combate anfíbia, com os primeiros passos sendo dados nos anos seguintes com o objetivo de se constituir uma força de combate anfíbia nos moldes do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC). Em seguida seriam recebidos os primeiros navios especializados na missão de transporte de tropas, e também as embarcações de desembarque de pessoal, material e viaturas (EDVP e EDVM), criando as bases para o lançamento para operações anfíbias em larga escala. Neste momento seriam adquiridos os primeiros veículos destinados ao emprego nas operações de desembarque anfíbio como os jipes M-38A1, M-38A1C, Willys CJ-5 e utilitários leves como os Dodge M-37, que operariam a partir das Embarcações de Desembarque de Viaturas e Material (EDVM). Seriam iniciados os primeiros ciclos de adestramento fundamentados na realização de desembarques de pequena complexibilidade, envolvendo tropas, veículos leves, peças de artilharia e cargas. Em 1972 seria adquirido um lote de caminhões anfíbios GMC Duwk oriundos dos estoques da Marinha Nacional Francesa (Marine Nationale), porém ainda figurava na força a necessidade em se dispor de um moderno veículo blindado de transporte de tropas. Esta demanda seria atendida no ano seguinte, quando seriam incorporados os primeiros Engesa EE-11 Urutu a fim de dotar o recém-criado Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz),  unidade subordinada diretamente a Comando da Divisão Anfíbia. No entanto em operação estas viaturas seriam avaliadas como poucos eficazes nas operações de desembarque anfíbio, principalmente devido sua tração por rodas acarretar problemas de trafegabilidade em certos tipos de terreno como as faixas de praia.    Neste momento o comando da Marinha do Brasil, passaria considerar a aquisição de uma família de veículos blindados de transporte de tropas com tração sob esteiras, a fim de atender as demandas de suas operações de desembarque anfíbio.  As aspirações iniciais do comando do Fuzileiros Navais da Marinha (CFN) apontavam para a adoção de um lote dos novos veículos norte-americanos de assalto anfíbio FMC AAV-7A1, porém estes apresentavam um custo unitário de aquisição proibitivo, excedendo em muito a previsão orçamentaria naquele momento. Uma solução mais viável seria baseada na incorporação do veículo blindado de transporte de tropas FMC M-113A1, que apesar de não atender a todas as especificações almejadas para operações anfíbias poderiam ser adquiridas em condições econômicas favoráveis. Pesava ainda sobre esta escolha o fato do modelo ser empregado em larga escala pelo Exército Brasileiro, comprovando excelentes resultados operacionais em campo. Desta maneira a partir de abril de 1974 seriam conduzidas negociações entre o Ministério da Marinha e o governo norte-americano, que logo se materializariam na celebração de um contrato, para a aquisição de um lote de trinta carros novos de fábrica da família FMC M-113. Este acordo previa o fornecimento de quatro versões, 24 na versão M-113A1 Transporte de Tropas, 02  M-125A1 carro porta morteiro, 01 M-113A1G oficina, 02 M-577A1 Comando e por fim um carro socorro do modelo XM-806E1.

Os primeiros veículos começaram a ser recebidos em 07 de novembro de 1976, passando a ser incorporadas ao Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz), neste momento um grande programa de treinamento operacional seria ministrado por equipes do fabricante em parceria com oficiais e mecânicos do Exército Brasileiro, oriundas de unidades operativas que já faziam uso deste mesmo veículo. Após o término desta fase o modelo seria declarado operacional em dezembro de 1977, recebendo a designação de Viatura Blindada Especial Sobre Lagartas (VtrBldEspSL) M113 de Transporte de Pessoal (TP). Neste momento passariam a operar em conjunto com os Engesa EE-11 Urutu. Visando adequar a nomenclatura a missão principal da unidade, o Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz), seria extinto, sendo criado assim em seu lugar, a Companhia de Viaturas Blindadas (CiaVtrBld).  O primeiro exercício de grande monta com este tipo de plataforma  aconteceria em abril 1981, quando os M-113A1 e M-577A1 foram desembarcados no litoral do Espírito Santo a partir do navio de desembarque de carros de combate G26 - Duque de Caxias (classe De Soto County).Em operação constante estes veículos viriam a trazer a um novo patamar de operacionalidade a Força de Fuzileiros de Esquadra, participando ativamente nos anos seguintes de inúmeros treinamentos e operações anfíbias como a série das Operações Dragão. Em 1986 a unidade passou a ser designada como Batalhão de Viaturas Anfíbias (BtlVtrAnf) permanecendo até 2003, quando da ativação do Batalhão de Blindados de Fuzileiros Navais (BtlBldFuzNav), concentrando todas os veículos da família M-113 em operação nesta unidade. Com a desativação dos Engesa EE-11 Urutu, até o recebimento dos FMC AAV-7A1 Clanf em maio de 1986, os M-113A1 seriam os os únicos veículos blindados de transporte de tropas  e tarefas especializadas em serviço no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN).  Destacadamente o emprego dos M-577A1 VtrBldEspSL "Posto de Comando"  desempenha um papel crucial no Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, oferecendo capacidades de comando e controle em operações táticas. Diferentemente do CLAnf, que é projetado para desembarques anfíbios, o  M-577A1  é mais focado em operações terrestres, oferecendo suporte tático em ambientes urbanos e rurais. Sua versatilidade a torna essencial em missões de comando durante operações anfíbias e de Garantia de Lei e Ordem (GLO), complementando a capacidade expedicionária do CFN. No início da década de 2000, os blindados M-113A1, M-125A1 Porta-Morteiro, M-577A1 Carro Comando, M-113A1G Carro Oficina e XM-806E1 Carro Socorro estavam próximos de completar quarenta anos de serviço junto ao Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN). O emprego intensivo ao longo dos anos, no entanto, cobrou seu preço, resultando em uma disponibilidade operacional média de apenas 66%, o que afetou significativamente a capacidade de mobilidade da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE). Esse cenário foi agravado por problemas mecânicos e elétricos decorrentes de diversos fatores críticos, como desgaste operacional, conservação inadequada, falhas na manutenção e irregularidades na aquisição de suprimentos e peças de reposição, que já não eram facilmente encontradas no mercado internacional. Em seguida seriam  manutenidos todos os sistemas da viatura, com destaque para a substituição e padronização do sistema gerador movido a gasolina por um a diesel, de 6,5 kVA (potência nominal), com as adaptações necessárias para o seu funcionamento, tanto acoplado diretamente na VBE PC, quanto operado à distância. Foi realizada, ainda, a recuperação do toldo extensível localizado à retaguarda da viatura.
Diante dessa problemática, em 2007, o Comando da Marinha do Brasil iniciou estudos para a substituição da frota de Viaturas Blindadas Especiais Sobre Lagartas FMC M-113A1, considerando inclusive a aquisição de um terceiro lote de veículos de assalto anfíbio United Defense AAV-7A1. Contudo, devido ao contingenciamento orçamentário enfrentado pela Marinha do Brasil nesse período, essa possibilidade foi descartada. Dessa forma, uma nova abordagem foi adotada, explorando alternativas que incluíam tanto a aquisição de veículos por oportunidade quanto a implementação de um programa de modernização. A escolha recaiu sobre a segunda opção, prevendo um processo abrangente de atualização mecânica, elétrica e sistêmica, capaz de restaurar a capacidade operacional da frota e estender sua vida útil por, no mínimo, vinte anos. Para embasar essa decisão, uma equipe técnica analisou diversos programas de modernização aplicados a veículos da mesma família em outros países.  As percepções obtidas nortearam a definição dos critérios e objetivos a serem alcançados, estabelecendo os parâmetros para uma futura concorrência internacional. Esse processo foi iniciado no final de 2007, quando a Marinha do Brasil passou a receber diversas propostas de empresas especializadas nesse segmento. Após um rigoroso estudo comparativo, a proposta da empresa israelense Israel Military Industries (IMI) foi considerada a mais vantajosa. Dessa forma, em 28 de novembro de 2008, a Comissão Naval Brasileira em Londres (CNBE) assinou um contrato no valor de US$ 15,8 milhões, prevendo a modernização de vinte e quatro viaturas de transporte de pessoal M-113A1, duas viaturas posto de comando M-557A2, duas viaturas porta-morteiros M-125A1, uma viatura de reparos M-113A1G e um veículo de recuperação XM-806E1. Além de apresentar a melhor relação custo-benefício, este pacote possuía como principal diferencial a realização de todas as intervenções nas instalações do Centro de Reparos e Suprimentos Especiais do Corpo de Fuzileiros Navais (CTeCFN), sob a supervisão do Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais (CTecCFN), com assistência da Israel Military Industries (IMI). Os blindados da versão de transporte de pessoal resultantes do processo de modernização foram designados como M-113MB1, com as sete primeiras unidades sendo oficialmente entregues em 15 de junho de 2013. Este programa de modernização reforçou sua relevância em cenários de combate moderno, incluindo operações urbanas e de segurança pública, assim o M-577 MB1 permanece uma ferramenta essencial para a coordenação de unidades blindadas, destacando-se por sua robustez, versatilidade e integração com os sistemas operacionais do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN).

No início da década de 2010 seria elaborado pelo comando do Exército Brasileiro, o Projeto Estratégico do Exército-Obtenção de Capacidade Operacional Plena (PEE OCOP) , tendo o objetivo de modernizar e fortalecer a Força Terrestre (F Ter) para atender às demandas constitucionais de defesa nacional e operações no amplo espectro, incluindo a proteção da sociedade. Visava ainda preencher lacunas de capacidade operacional do Exército Brasileiro por meio da obtenção, modernização e integração de Sistemas e Materiais de Emprego Militar (SMEM). Neste contexto seriam iniciadas tratativas junto ao governo dos Estados Unidos, para a cessão de veículos blindados que viessem a compor os esforços de reequipamento previstos no Subprograma Forças Blindadas. Desta maneira em 2015 seriam cedidos ao governo brasileiro nos termos do programa Foreign Military Sales (FMS) do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, um substancial lotes de veículos blindados, classificados como Excess Defense Articles (EDA). Neste pacote seriam incluídos inicialmente 34 M-577A2 (posto de comando), sendo o tipo é o mais aguardado pelo Exército Brasileiro, já que sua introdução significa o fim de uma antiga lacuna operacional. Estes blindando anteriormente encontravam-se armazenados em dois depósitos militares norte-americanos, o Anniston Army Depot, localizado no estado do Alabama, e o Sierra Army Depot, localizado no estado da Califórnia, e apesar de terem sido produzidas há mais de 30 anos, se encontravam em excelente estado de conservação, com os hodometros de algumas viaturas marcando pouco mais de 40 a  50 milhas rodadas. O primeiro lote seria recebido no porto de Paranaguá (PR)  dia 17 de outubro de 2016, com estas viaturas sendo transportadas até as instalações do Parque Regional de Manutenção da 5ª Região Militar (Pq R Mnt/5) em Curitiba (PR). Nesta organização seriam conduzidos o processo de recuperação das viaturas, sendo primeiramente realizado um intenso estudo técnico dos componentes e acessórios, subsidiando a posterior pesquisa de mercado com a finalidade de identificar no comércio nacional componentes para a viatura, mitigando a dependência de itens fabricados no país de origem. Em seguida seriam manutenidos todos os sistemas da viatura, com destaque para a substituição e padronização do sistema gerador movido a gasolina por um a diesel, de 6,5 kVA (potência nominal), com as adaptações necessárias para o seu funcionamento, tanto acoplado diretamente, quanto operado à distância. Foi realizada, ainda, a recuperação do toldo extensível localizado à retaguarda da viatura. Algumas M-577A2 receberam atualizações, como lagartas de borracha da Soucy Defense, que aumentam a durabilidade e reduzem o consumo de combustível, embora apresentem limitações em operações anfíbias. Essas melhorias alinham-se ao objetivo do Projeto Estratégico do Exército-Obtenção de Capacidade Operacional Plena (PEE OCOP) de modernizar equipamentos para prolongar sua vida útil e adequá-los ao combate moderno. 

Este blindado receberia no Exército Brasileiro a designação de Viatura Blindada Especial Posto de Comando M-577 (VBE PC M-577A2), devendo ser utilizadas como Posto de Comando Avançado nas operações do Regimento. Estes seriam destinados a dotar os  Grupos de Artilharia Autopropulsada, Regimentos de Carros de Combate e Batalhões de Infantaria Blindada e ao Centro de Instrução de Blindados (CI Bld) General Walter Pires. Devido à grande disponibilidade de viaturas, em 2017 o Parque Regional de Manutenção/5 (PqRMnt/5), iniciou estudos visando a conversão de um número destes carros para versão ambulância, a exemplo de viaturas deste modelo, empregados com muito êxito junto ao Exército dos Estados Unidos (US Army). O objetivo deste programa, visava capacitar estas viaturas convertidas, a atenderem o padrão “B”, ou seja, capaz de realizarem o Suporte Básico no campo de batalha. Entre as adaptações internas, foram instaladas tomadas com conversão de voltagem 24V/120v para receber equipamentos médicos como desfibrilador ou cardioversor, monitores de dados vitais, sistema de oxigênio/vácuo além da maca retrátil. Todo o processo foi realizado com parceria com a equipe do 20º Batalhão de Infantaria Blindada (BIB). Em operação a viatura terá como missão, retirar os feridos das zonas quentes (linha de frente), para a retaguarda e entregá-lo as equipes médicas já estabilizado tendo em vista os recursos de “Suporte Básico de Vida” instalados a bordo. A entrega oficial do primeiro protótipo ocorreria em 02 de outubro de 2018, com a M-577A2 recebendo as marcações típicas de um veículo de saúde, as cruzes vermelhas. Esta viatura seria submetida a inúmeros testes de campo, supervisionados pela equipe do 20º Batalhão de Infantaria Blindada (BIB) durante o ano de 2019, validando o programa para a conversão de mais unidades a seguir. Em 03 janeiro de 2020 o boletim BE Nº1/2020,  anunciou que o foi autorizada a assinatura para a Carte de oferta do Programa FMS (Foreign Military Sales), referente a aquisição de mais um lote de 60 (sessenta) Viaturas Blindadas – Posto de Comando (VBE PC) M-577A2, procedentes dos depósitos de material excedente do Exército dos Estados Unidos (US Army). As primeiras 30 viaturas foram recebidas no dia 15 de setembro, no Porto de Paranaguá (PR), sendo então transportadas para o Parque Regional de Manutenção da 5ª Região Militar (Pq R Mnt/5), em Curitiba (PR), onde passarão por processos de avaliação e recuperação para, posteriormente, serem distribuídos às unidades da 5ª Brigada de Cavalaria Blindada (5ª Bda C Bld) e 6ª Brigada de Infantaria Blindada (6ª Bda Inf Bld). Em 06 de outubro de 2020 seriam recebidos os 30 M-577A2 restantes.

Em Escala.
Para representar o veículo M-577A1 VtrBldEspSL "CFN 30055055" Carro Comando, utilizamos o kit da Tamiya na escala 1/35. Embora o modelo seja de alta qualidade, ele não possui detalhamento interno, sendo necessário realizar a customização por meio de técnicas de scratch build. Não é preciso efetuar alterações adicionais para configurar a versão utilizada pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Para os acabamentos, empregamos decais produzidos pela Eletric Products, incluídos no conjunto "Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil 1/35".
O padrão de cores (FS) descrito a seguir corresponde ao primeiro esquema de camuflagem tática utilizado nos veículos desta família pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Esse padrão foi substituído na década de 1980 e, posteriormente, alterado novamente no início da década seguinte. As viaturas modernizadas resultantes desse processo adotaram um padrão ligeiramente distinto, com possíveis pequenas variações nos tons das cores. Por outro lado, as Viaturas Blindadas – Posto de Comando (VBE PC) M-577A2 do Exército Brasileiro receberam o esquema de camuflagem tático considerado padrão pela Força Terrestre.



Bibliografia : 
- Variants of the M113 armored personnel carrier-  Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Variants_of_the_M113_armored_personnel_carrier
- Fuzileiros Blindados - Operacional - http://www.operacional.pt/fuzileiros-blindados-i/
- Tecnologia e Defesa por Paulo Roberto Bastos e Helio Higuchi http://tecnodefesa.com.br/novidades-na-arma-blindada-brasileira/
- O primeiro M577 versão ambulância  - Roberto Caifa - Tecnologia e Defesa - www.tecnodefesa.com.br