A-1M AMX Internacional

 História e Desenvolvimento.
A Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A (Embraer), estruturada como uma estatal de capital misto em 19 de agosto de 1969, nasceu em um contexto de renovação e fortalecimento da indústria nacional, sendo incumbida de uma missão estratégica: produzir em série as primeiras aeronaves de transporte concebidas no Brasil. Esse desafio materializou-se no Embraer EMB-110 Bandeirante, em sua versão civil comercial, e no modelo militar C-95, ambos fundamentais para a consolidação da aviação regional e da capacidade de transporte da Força Aérea Brasileira (FAB). A primeira aeronave produzida em série, matriculada FAB 2133, foi oficialmente entregue  em 9 de fevereiro de 1973. Paralelamente ao atendimento de demandas militares, as versões civis  obtiveram ampla repercussão internacional. Destinadas ao transporte regional, essas aeronaves alcançaram expressiva aceitação no mercado externo, firmando contratos de exportação com operadores de diversas partes do mundo e tornando-se um dos pilares da reputação emergente da Embraer. O sucesso comercial do Bandeirante, aliado à confiança adquirida no setor aeronáutico, estimulou a empresa a buscar novos horizontes, avaliando possibilidades de cooperação internacional que envolvessem pesquisa conjunta e, futuramente, transferência de tecnologia  elementos essenciais para a expansão de sua competência industrial. Nesse cenário, o primeiro acordo  foi firmado no início da década de 1970 com a empresa italiana Aeronautica Macchi SpA, prevendo a fabricação, sob licença, do avançado treinador a jato Aermacchi MB-326GB. Ainda que o acordo não contemplasse transferência tecnológica formal, a produção local do  proporcionou uma oportunidade crucial para dominar processos industriais relacionados à fabricação de aeronaves a jato de alto desempenho. Esse aprendizado se tornou um marco na evolução da companhia, estabelecendo fundamentos técnicos que suportariam projetos futuros de maior complexidade. À medida que o AT-26 Xavante demonstrava resultados positivos, a empresa direcionou esforços para explorar novos nichos operacionais. Entre as propostas avaliadas, destacou-se o desenvolvimento de uma versão monoplace do treinador, otimizada para missões de ataque ao solo. O conceito, conhecido internamente como Programa “AX”, foi submetido ao projetista-chefe Ermanno Bazzocchi, da Aeronautica Macchi, que reconheceu sua viabilidade operacional. Dessa colaboração emergiu o projeto da primeira aeronave concebida de forma conjunta entre Brasil e Itália, inicialmente denominada  EMB-330. Embora promissor em termos técnicos e estratégicos, o projeto não obteve o apoio necessário do Ministério da Aeronáutica (MAer), que apresentou críticas às capacidades previstas para a aeronave. Diante dessa resistência institucional, seriam iniciados estudos para aprimorar o EMB-330, concebendo diferentes variantes que buscavam superar as limitações identificadas. Contudo, tais iniciativas não ultrapassaram a fase preliminar de desenvolvimento, culminando na suspensão definitiva do programa.

O espírito de cooperação tecnológica e industrial entre Brasil e Itália, cultivado desde as primeiras iniciativas conjuntas na década de 1970, ganhou novo impulso em 1978. Naquele ano, uma comitiva de oficiais e comandantes brasileiros realizou uma visita oficial à Itália. Durante as tratativas, a diretoria da Aeronáutica Macchi SpA apresentou um estudo preliminar da Aeronautica Militare Italiana (AMI), que buscava desenvolver uma aeronave subsônica de ataque a jato destinada a substituir tanto o Fiat G.91Y/R quanto o Lockheed F-104G/S Starfighter, empregado em missões de ataque ao solo, apoio aéreo aproximado e ataque naval. Ao analisar os requisitos operacionais delineados pelos italianos, os representantes brasileiros notaram uma semelhança marcante com os critérios previamente estabelecidos para o antigo projeto “AX”. Essa convergência de necessidades abriu espaço para uma oportunidade inédita: o desenvolvimento conjunto de uma nova aeronave de ataque, que pudesse atender simultaneamente às demandas estratégicas de ambos os países. A proposta italiana recebeu o aval do Ministério da Defesa e resultou na formação de uma parceria entre as empresas Aeritalia Aeronautica e Aeronautica Macchi SpA. Dessa colaboração emergiu o conceito de uma aeronave de ataque subsônica, designada “AMX”  sigla em que “A” representa Aeritalia, “M” remete a Macchi, e “X” simboliza seu caráter experimental e inovador. A distribuição equilibrada de competências industriais permitiria que cada empresa contribuísse com sua experiência técnica, consolidando um projeto de significativa complexidade. As negociações entre os governos evoluíram rapidamente, culminando na formalização da participação da Embraer S/A no consórcio. Coube à empresa brasileira a responsabilidade por um quarto do programa, incluindo parte dos investimentos e tarefas essenciais: o projeto e a fabricação das asas e da empenagem, além da condução dos testes de fadiga desses componentes estruturais. As empresas italianas assumiram os dois terços restantes, compreendendo o desenvolvimento da fuselagem, dos sistemas de bordo e a execução dos testes estáticos e de armamento. Apesar do entusiasmo inicial, o avanço do programa exigiu uma pausa temporária. Ajustes contratuais, questões processuais e alinhamentos técnicos demandaram cerca de seis meses adicionais, postergando o cronograma originalmente planejado. Esse período, embora desafiador, contribuiu para consolidar um entendimento mais preciso das responsabilidades e da integração industrial entre os três participantes. Em maio de 1980, durante a tradicional Feira Aeronáutica Internacional de Farnborough, na Inglaterra, o Ministério da Aeronáutica (MAer) reiterou publicamente seu compromisso com o desenvolvimento do AMX. Finalmente, em 27 de março de 1981, o contrato oficial foi assinado entre os dois países, marcando o início formal da participação brasileira no projeto e estabelecendo as bases para uma das mais significativas iniciativas de cooperação aeronáutica internacional da história brasileira.
Após a conclusão dos ajustes contratuais a participação brasileira  foi ampliada de 25% para 30%, enquanto as empresas italianas passaram a responder pelos 70% restantes. Esse novo arranjo redefiniu a distribuição de responsabilidades industriais, consolidando o papel estratégico da empresa brasileira no desenvolvimento. À Embraer coube o projeto e a fabricação das asas, das tomadas de ar do motor, dos estabilizadores horizontais, dos pilones subalares  destinados ao transporte de armamentos  e dos tanques de combustível. Além dos componentes estruturais, o Brasil passou a integrar-se de forma mais profunda ao desenvolvimento dos sistemas, contribuindo para o projeto do trem de pouso, dos sistemas de navegação e ataque, dos comandos de voo e do controle de armamentos. Também assumiu a construção de dois protótipos destinados aos ensaios em voo e de um protótipo adicional voltado para testes de fadiga estrutural, todos avaliados em um extenso programa de provas conduzido em território nacional. Esse envolvimento direto representou um avanço significativo no amadurecimento tecnológico do país e reafirmou o valor da parceria internacional. O AMX  concebido como um caça-bombardeiro tático foi projetado para executar missões de ataque com alta precisão, operando sob condições exigentes em cenários hostis. Para isso, a aeronave recebeu especial atenção em termos de robustez, confiabilidade e manutenção simplificada. O projeto incorporava soluções tecnológicas avançadas para sua época, como sistemas modernos de navegação e ataque, contramedidas eletrônicas, comandos de voo com “Augmentation System” e a configuração HOTAS (Hands On Throttle And Stick), que conferia ao piloto maior eficiência operacional ao concentrar controles essenciais na manete e no manche. Sua autonomia ampliada, com possibilidade de reabastecimento em voo, atendia plenamente às necessidades estratégicas de um país de dimensões continentais como o Brasil. A primeira maquete do projeto foi concluída em 1982, marcando a transição para a fase de detalhamento e fabricação. Quatro anos depois, teve início a construção de 04 protótipos 02 na Itália e 02 no Brasil. O primeiro protótipo italiano voou em 15 de maio de 1984, sob o comando do experiente piloto de testes Mario Quarantelli. Durante o quinto voo, um acidente levou à perda da aeronave e a sua morte, que, embora tenha conseguido ejetar-se, não resistiu aos ferimentos. Após uma breve interrupção, o programa foi retomado em novembro com o segundo protótipo italiano. No Brasil, o primeiro protótipo  designado YA-1 FAB 4200  realizou seu voo inaugural em 16 de outubro de 1985, comandado pelo piloto de ensaios Luiz Fernando Cabral. Um segundo protótipo voaria, em 16 de dezembro de 1986, ampliando o conjunto de aeronaves de testes necessárias à certificação e ao aperfeiçoamento do projeto. Em seguida, desenvolveu-se também uma variante biposto, destinada à conversão operacional de pilotos, garantindo a formação adequada das tripulações que futuramente operariam o novo caça-bombardeiro.

Em 1986, a primeira aeronave de série  foi oficialmente entregue à Aeronautica Militare Italiana (AMI), marcando o início da incorporação operacional do caça-bombardeiro. Ao longo dos anos seguintes, o novo modelo passou gradualmente a equipar seis grupos de ataque (Gruppo/Stormo), consolidando-se como um vetor relevante na aviação tática italiana durante a última fase da Guerra Fria e nos cenários que se seguiram. As versões italiana e brasileira do AMX foram concebidas a partir de um projeto básico comum, de configuração convencional, destacando-se pela asa alta com enflechamento de 27,5° no bordo de ataque  solução que oferecia boa estabilidade, robustez estrutural e desempenho adequado para missões de ataque em baixa altitude. O sistema de comando de voo adotava uma arquitetura híbrida: leme, spoilers, flaps e estabilizadores eram controlados por um sistema digital Fly-By-Wire (FBW) de dois canais, enquanto os ailerons e profundores permaneciam ligados a um conjunto hidráulico-mecânico tradicional. Essa combinação resultava de um equilíbrio cuidadoso entre modernidade e confiabilidade, garantindo à aeronave maior capacidade de sobrevivência em combate, uma vez que o piloto poderia manter o controle da aeronave mesmo em caso de falha ou dano no sistema FBW. A estrutura das células era predominantemente construída em ligas de alumínio, com peças críticas reforçadas em aço. Materiais compostos reforçados com fibra plástica foram empregados em áreas específicas  como painéis de acesso, seções da cauda, ailerons e no duto de ar da turbina  refletindo o avanço gradual do uso de compósitos na indústria aeronáutica durante a década de 1980. O cockpit era equipado com um moderno Head-Up Display (HUD), integrado ao sistema HOTAS (Hands On Throttle And Stick), que aprimorava a interface homem-máquina e aumentava a consciência situacional do piloto durante missões de ataque. No total, foram produzidas 150 unidades da versão monoposto, sendo 110 entregues à Força Aérea Italiana (AMI) e 45 à Força Aérea Brasileira (FAB), com entregas realizadas até 1999. Embora compartilhassem a mesma base estrutural, as versões  incorporaram características distintas, moldadas por suas respectivas necessidades operacionais e pelos diferentes cenários estratégicos em que seriam empregadas. A variante italiana foi projetada para operar no exigente perfil “Lo-Lo-Lo”, caracterizado por voos contínuos a baixa altitude sobre áreas hostis  estratégia indispensável diante das sofisticadas defesas antiaéreas soviéticas. Esse conceito limitava o raio de ação da aeronave a cerca de 335 km, mas privilegiava sua capacidade de penetração e sobrevivência. No Brasil, o contexto estratégico era distinto. Em um ambiente de defesa aérea menos complexo, optou-se pelo perfil “Hi-Lo-Hi”, no qual o voo em baixa altitude ocorre apenas na fase terminal do ataque. Para atender à exigência de alcance mínimo de 965 km, a versão brasileira foi configurada com dois tanques subalares adicionais de 1.100 litros  solução que ampliava sua autonomia, mas reduzia a carga útil.
As diferenças entre as versões italiana e brasileira do AMX tornaram-se particularmente evidentes no campo da eletrônica embarcada. Os aviões destinados à Aeronautica Militare Italiana foram equipados com sistemas mais sofisticados, desenvolvidos para atender aos rígidos requisitos técnicos e operacionais da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Essas exigências refletiam o ambiente estratégico europeu da Guerra Fria, no qual a interoperabilidade e a padronização eram fundamentais para garantir a eficácia em operações conjuntas. As distinções também se estendiam ao armamento orgânico. A variante italiana recebeu o canhão rotativo norte-americano M61A1 Vulcan, de 20 mm um sistema reconhecido por sua alta cadência de tiro e amplamente utilizado em aeronaves de combate da OTAN. Em 1999, durante a Operação Forças Aliadas, no conflito do Kosovo, esquadrões italianos equipados com o AMX participaram ativamente das ações de combate, realizando 252 surtidas sem registrar qualquer perda  um desempenho que destacou a maturidade do projeto e sua confiabilidade em cenários reais de hostilidade. Em 2011, três aeronaves baseadas em Trapani, na Sicília, somaram mais de 500 horas de voo em missões durante a intervenção na Líbia, entre abril e outubro, novamente sob comando da OTAN. A experiencia operacional obtida nestes conflitos. levaria o comando da Força Aérea Italiana (Aeronáutica Militare Italiana - AMI) a estudar a implementação de um programa de modernização para suas aeronaves, visando atualizar o AMX as demandas de uma moderna arena de combate.  Este processo envolveria a modernização do sistema de navegação, instalação de nova tela multifuncional colorida compatível com sistema de visão noturna (NVG – Night Vision Goggles) e sistemas de comunicação com enlace de dados (data link). A partir de fins da década de 1990, a participação do governo italiano, no projeto norte americano JSF (Joint Strike Fighter), definia o caça multifuncional Lockheed Martin F-35 Lightning II, como futuro substituto do AMX entre os anos de 2015 e 2018. Assim, visando atender a este cronograma, a Força Aérea Italiana (Aeronáutica Militare Italiana - AMI), definiu implementar um segundo programa de atualização, permitindo assim estender a operação da aeronave até o final da década de 2020. Este programa lograria o status de plena efetividade de sua aviação de ataque, evitando ainda aos pilotos italianos, uma exposição a lacunas tecnológicas abissais entre o modelo a ser retirado de serviço e seu novo vetor. Este programa seria conhecido pela sigla ACOL (Aggiornamento delle Capacità Operative e Logistiche – Melhoria da Capacidade Operativa e Logística), com o contrato sendo celebrado no ano de 2004 com a empresa nacional Leonardo S.p.A, no valor de US$ 390 milhões, envolvendo a modernização de cinquenta e duas aeronaves (quarenta e dois monopostos e dez bipostos). O primeiro protótipo alçaria voo em setembro de 2005, com as primeiras aeronaves operacionais sendo disponibilizadas em meados do ano seguinte, com este programa sendo concluído em 2012.

Emprego na Força Aérea Brasileira
A doutrina operacional da aviação de caça começou a tomar forma de maneira concreta durante a campanha da Itália, na Segunda Guerra Mundial. Foi naquele teatro de operações que os pilotos brasileiros, voando os robustos caças-bombardeiros P-47D Thunderbolt, realizaram mais de 2.546 surtidas de combate. Além de contribuírem diretamente para o esforço aliado, esses homens estabeleceram os fundamentos de uma tradição de ataque ao solo que moldaria a identidade da Aviação de Caça nas décadas seguintes. No período pós-guerra, procurou-se preservar e aperfeiçoar essa experiência operacional. Diversas aeronaves foram adaptadas para cumprir missões de ataque, mas, embora competentes, não haviam sido originalmente concebidas para esse fim. Essa limitação estrutural repercutia na eficácia dos meios de combate e evidenciava a necessidade de um vetor dedicado, capaz de sustentar uma doutrina de ataque moderna e plenamente alinhada às demandas estratégicas do país. Foi nesse contexto que amadureceu, no âmbito do Ministério da Aeronáutica (MAer), o programa AMX  um projeto binacional que deu origem a uma aeronave tática especializada em missões de ataque, interdição e apoio aproximado. A introdução do A-1A AMX, no final da década de 1980, foi recebida com grande expectativa pelos comandantes. Representava, afinal, um salto qualitativo em relação aos modelos que até então sustentavam as operações de ataque. ara maximizar o potencial desse novo vetor, o Comando da Aeronáutica (COMAER) determinou a criação de uma unidade especificamente dedicada à operação: o 1º/16º Grupo de Aviação (1º/16º GAv) - Esquadrão Adelphi. Seu estabelecimento ocorreu em 22 de abril de 1988, na Base Aérea de Santa Cruz (BASC), no Rio de Janeiro. Pouco tempo depois, em 13 de outubro de 1989, a primeira célula operacional, o A-1A FAB 5500, foi oficialmente incorporada em cerimônia na capital fluminense. Na semana seguinte iniciaram-se os rigorosos ensaios de certificação operacional, concluídos em julho de 1990, culminando com o início das missões aéreas da nova unidade. Ao esquadrão foram atribuídas missões primárias essenciais: ataque a alvos de superfície, interdição do campo de batalha e apoio aéreo aproximado às forças terrestres, além de uma missão secundária de ataque aéreo estratégico. Para cumprir tais tarefas, o A-1A AMX introduziu inovações significativas. Entre elas, destacava-se o emprego de computadores de missão dedicados ao lançamento de armamentos ar-solo nos modos CCIP (Continuously Computed Impact Point) e CCRP (Continuously Computed Release Point). Essa tecnologia, otimizada para bombas não guiadas, conferia precisão substancialmente superior à obtida pelos Northrop F-5E Tiger II e pelos Embraer AT-26 Xavante, até então os principais meios de ataque. A aeronave trazia ainda atributos estruturais e eletrônicos que ampliavam sua capacidade de sobrevivência em ambientes contestados  entre eles, baixa assinatura infravermelha, reduzida seção radar e um conjunto de sistemas de autodefesa ativa e passiva. 

Embora o A-1A  tenha representado um importante salto qualitativo na capacidade de ataque da , os avanços tecnológicos que justificaram sua incorporação começaram a perder protagonismo ao longo da década de 1990. A rápida evolução dos sistemas de defesa antiaérea, o surgimento de aeronaves de combate de quarta geração dotadas de sensores mais sofisticados, armamentos inteligentes e arquitetura eletrônica integrada reduziram gradativamente sua vantagem operacional no cenário sul-americano. Tornou-se evidente que, sem um amplo programa de modernização, a aeronave teria sua capacidade de sobrevivência e eficácia em combate progressivamente comprometidas. Diante desse cenário, o  iniciou-se, ainda no final da década de 1990, estudos destinados à definição de um programa de atualização capaz de prolongar a vida útil operacional da frota. Diferentemente da Força Aérea Italiana (AMI), que optou por uma modernização limitada, voltada principalmente à atualização de alguns sistemas eletrônicos e à manutenção da capacidade operacional de curto prazo, estabeleceram-se requisitos muito mais abrangentes. O objetivo era transformar o AMX em uma plataforma plenamente compatível com os padrões tecnológicos do século XXI, assegurando sua permanência em serviço, pelo menos, até meados da década de 2030. Um dos pilares dessa estratégia consistia na padronização da suíte aviônica com aquela desenvolvida para os programas F-5EM e A-29. A adoção de uma arquitetura eletrônica comum permitiria significativa racionalização logística, simplificando os processos de treinamento, manutenção e atualização de software, além de reduzir custos de aquisição de componentes e de gestão do ciclo de vida da frota. O programa foi oficialmente instituído em 2003, tendo a Embraer S/A sido designada como contratada principal para conduzir e integrar o processo de modernização. Entretanto, dificuldades orçamentárias e entraves administrativos retardaram sua implementação, tornando necessária uma ampla renegociação ao final de 2006. Somente em 30 de maio de 2007, a primeira aeronave destinada ao programa  um A-1A foi entregue, passando a  servir como plataforma de desenvolvimento. Em novembro de 2008, a empresa israelense Elbit Systems, por intermédio de sua subsidiária  Aeroeletrônica (AEL) Ltda., foi oficialmente contratada para fornecer a nova arquitetura aviônica. Poucos meses depois, em fevereiro de 2009, foi celebrado um contrato no valor de US$ 157,6 milhões destinado à modernização de 43 aeronaves, contemplando não apenas a instalação de novos sistemas eletrônicos, mas também a revitalização estrutura. Paralelamente, foram introduzidos novos sistemas de navegação, comunicações, gerenciamento de missão, guerra eletrônica e emprego de armamentos inteligentes, elevando significativamente a consciência situacional, a capacidade de sobrevivência e a eficácia operacional da aeronave. O primeiro protótipo, redesignado A-1M FAB 5526, realizou seu voo inaugural em 19 de junho de 2012, marcando o início da campanha de ensaios em voo. 
O eixo central do programa concentrou-se na profunda atualização de sua suíte eletrônica,  entre as melhorias mais significativas figurou a adoção do conceito HOTAS (Hands On Throttle and Stick – mãos nos aceleradores e no manche), que permitiu ao piloto operar sistemas essenciais sem desviar a atenção do voo. Complementando esse avanço, foi instalado um novo HUD (Head-Up Display) com campo de visão ampliado para 24 graus, proporcionando maior consciência situacional durante missões de ataque e navegação tática. A cabine passou a incorporar dois mostradores multifuncionais coloridos (MFCD) de 152 × 208 mm e um terceiro de 104 × 127 mm, além de receber iluminação e sistemas compatíveis com óculos de visão noturna (NVG) de terceira geração. O pacote aviônico incluía ainda um gravador VHS-C  responsável pelo registro de vídeo e áudio das missões , um gravador digital de dados de voo, dois computadores de missão redundantes conectados por barramento MIL-STD-1553B e um Sistema de Gerenciamento de Armamento (SMS) compatível com o padrão MIL-STD-1760C. Somava-se a isso um moderno indicador eletrônico de parâmetros de voo e motor (EICAS). Todo esse conjunto foi projetado desde sua origem para operar de maneira integrada ao visor montado no capacete DASH 4 HMD, de origem israelense, similar ao empregado na frota modernizada dos F-5M . Além das melhorias de cabine, a modernização introduziu um novo conjunto de sensores e sistemas defensivos. O receptor de alerta radar ELT-56X foi substituído por um modelo mais avançado, oferecendo maior precisão na identificação e localização de ameaças. A aeronave também recebeu lançadores internos de chaff e flare, automatizados pelo sistema de alerta de aproximação de mísseis PAWS-2, da Elisra. No campo da navegação e aquisição de alvos, passou a contar com um sensor NAV-FLIR instalado na parte superior do nariz, essencial para operações noturnas e em baixa altitude. Seu radar multimodo SCP-01 Scipio também foi aprimorado para oferecer maior capacidade de detecção de alvos terrestres e melhor precisão no emprego de armamentos ar-solo. Em modo ar-ar, o radar fornecia ao piloto meios eficazes para monitorar o espaço aéreo ao redor, ampliar a consciência situacional e empregar mísseis de autodefesa com maior precisão, mesmo que a defesa aérea não constituísse a missão primária da aeronave. Dessa forma, passou a oferecer aos comandos operacionais uma alternativa viável para missões secundárias de interceptação em situações específicas. Outro aprimoramento de grande impacto operacional foi a introdução do OBOGS (On-Board Oxygen Generating System), sistema autônomo de geração de oxigênio. Ele substituiu as tradicionais esferas pressurizadas de oxigênio líquido anteriormente instaladas na fuselagem dianteira e limitadas a poucas horas de operação  por um mecanismo capaz de produzir oxigênio gasoso continuamente em altitude. Essa mudança elevou a margem de segurança do piloto e ampliou de forma significativa a autonomia das missões, permitindo o cumprimento de perfis estratégicos de longa duração até então inviáveis.

No campo dos sistemas de armas, recebeu uma modernização substancial que ampliou significativamente sua capacidade ofensiva e defensiva. A aeronave passou a ser compatível com uma ampla gama de mísseis ar-superfície (ASM – Air-to-Surface Missile), plenamente integrados ao radar multimodo SCP-01, o que lhe conferiu maior precisão e flexibilidade em operações contra alvos terrestres. Nesse novo contexto, o A-1M tornou-se apto a empregar bombas guiadas a laser Lizard II, operando em conjunto com o casulo designador de alvos israelense Thales Litening, tecnologia que elevou seu nível de precisão a padrões internacionais. Paralelamente, passou a utilizar bombas de uso geral equipadas com o kit nacional de guiagem por satélite SMKB-82, um avanço importante para a autonomia tecnológica e a doutrina de ataque de precisão. No que se refere à autodefesa, o A-1M foi homologado para operar o míssil ar-ar de curto alcance MAA-1 Piranha, de fabricação nacional, além de outros vetores equivalentes disponíveis no arsenal brasileiro. A plataforma também pôde incorporar casulos de contramedidas eletrônicas (ECM), como o Skyshield, desenvolvido pela empresa israelense Rafael Advanced Defense Systems, capaz de transformar o A-1M em uma plataforma de interferência eletromagnética em apoio a operações de guerra eletrônica. A modernização integrou uma nova suíte eletrônica que congregava rádios, sistemas de navegação e capacidade de enlace de dados (datalink), ampliando substancialmente o nível de consciência situacional dos pilotos e a interoperabilidade com outras aeronaves de combate. Adicionalmente, foi instalado um sistema de instrumentos de voo reserva (BFI – Back-Up Flight Instrumentation), concebido para garantir que a aeronave pudesse retornar com segurança mesmo em caso de pane severa ou dano provocado por fogo inimigo. Outro avanço determinante foi a adoção da gravação digital completa de todos os voos, recurso que elevou o padrão de instrução, permitindo análises detalhadas após as missões. Assim, pilotos em formação passaram a receber avaliações minuciosas de seus instrutores, enriquecendo o processo de aprendizado e reduzindo erros operacionais. O primeiro exemplar de produção modernizado, matrícula FAB 5520, foi entregue à Força Aérea Brasileira (FAB) em 3 de setembro de 2013, a tempo de integrar o exercício multinacional Cruzex Flight 2013, realizado em novembro daquele ano, oportunidade onde a aeronave apresentaria excelentes resultados operacionais, comprovando a assertividade deste programa de modernização.  À época, o programa previa a modernização de 43 células, com custo estimado em R$ 1,3 bilhão. Entretanto, em 2014, a Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC) anunciou a redução desse número de aeronaves a serem modernizadas, em razão da necessidade de priorizar, a partir de 2015, projetos estratégicos de maior impacto, como o cargueiro multimissão Embraer KC-390 Millennium e o caça Saab F-39E Gripen NG, iniciativas que juntas requeriam uma dotação orçamentária inicial de aproximadamente R$ 1,7 bilhão.
Até meados de 2015, apenas 03 aeronaves modernizadas haviam sido efetivamente entregues pelo fabricante, em um momento no qual o programa de atualização  começava a enfrentar desafios cada vez mais severos. Pouco depois, um novo contingenciamento imposto ao orçamento do Ministério da Defesa resultaria na suspensão temporária do projeto por um período de 12 meses. Essa interrupção forçou a revisão de todo o planejamento inicial, limitando o pacote de modernização a apenas 14 células  número bastante inferior ao previsto no escopo original. Diante desse cenário restritivo, o Alto Comando  adotou uma solução pragmática: manter em operação um pequeno núcleo de aeronaves não modernizadas, cerca de 38 células remanescentes foram cuidadosamente preservadas em regime de armazenamento. A finalidade era transformá-las em uma reserva de componentes, garantindo o fornecimento de peças de reposição e prolongando ao máximo a vida útil operacional. As consequências operacionais dessa redução tornaram-se evidentes em 12 de dezembro de 2016, quando ocorreu a desativação oficial do 1º/16º Grupo de Aviação. Suas aeronaves  foram então transferidas para a Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, sendo redistribuídas entre o 3º/10º Grupo de Aviação , e o 1º/10º Grupo de Aviação. Foi um momento simbólico, marcado tanto por pragmatismo administrativo quanto por um sentimento de transição inevitável. Com a entrada em serviço das células modernizadas, consolidou-se a percepção de que, apesar da redução drástica do programa, os parâmetros adotados haviam sido tecnicamente sólidos. Os A-1M passaram a apresentar desempenho notavelmente superior, validando o esforço de atualizar sistemas aviônicos, capacidades de navegação e precisão. Em síntese, mostraram-se plenamente à altura das demandas contemporâneas de ataque e reconhecimento. Entretanto, mesmo operando no estado da arte em termos de aviônica e sistemas de missão, as células modernizadas continuavam sujeitas à realidade incontornável da idade do projeto e ao desgaste estrutural acumulado. Um dos principais fatores limitantes para sua permanência no serviço ativo estava associado ao apoio logístico dos motores Rolls-Royce Spey Mk.807 cuja manutenção passou a depender de contratos com a empresa italiana Leonardo S.p.A. Esse acordo, renovado até  2026, tornou-se um elemento crítico para definir a sobrevida do vetor. No planejamento estratégico de longo prazo, imaginava-se que a aquisição de um segundo lote de caças Saab F-39E Gripen elevaria a frota, o suficiente para restabelecer integralmente duas unidades de caça. Cogitava-se inclusive a reativação do 1º/16º GAv desta vez sediado na Base Aérea de Anápolis. Contudo, restrições orçamentárias voltaram a pressionar o programa Gripen, tornando mais distante um segundo lote. Diante dessa conjuntura, ao longo de 2024 ganhou força a possível aquisição de aeronaves Lockheed Martin F-16 dentro nos do programa FMS (Foreign Military Sales). Embora pertencentes à chamada quarta geração, poderiam preencher a lacuna deixada pela aposentadoria do  A-1M.

Em Escala.
Para representarmos o  AMX A-1M “FAB 5520” empregamos o kit em resina da escala 1/48 produzido GIIC Models , modelo este que apresenta um excelente nível de detalhamento permitindo expor os painéis internos abertos e superfícies moveis. Para se representar a versão modernizada recorremos ao uso de peças extras presentes no kit injetado da Kinetic na mesma escala. Confeccionamos em scratch os misseis Mectron MAR-1 e MAA-1B Piranha, adicionamos ainda na linha central um pod Litening NA/AA-28 em resina da Eduard. Fizemos uso de decais confeccionados pela FCM decais presente no Set 48/08.
O esquema de camuflagem tático aplicado aos A-1M AMX modernizados, foi inicialmente implementado em 1997, e reflete uma abordagem funcional e estratégica, projetada para otimizar a sobrevivência da aeronave em cenários de combate e adaptá-la às condições operacionais do Brasil. Este esquema faz uso de tintas foscas para reduzir reflexos e melhorar a camuflagem. Após a modernização, as aeronaves receberam um revestimento anticorrosivo, essencial para operações em ambientes úmidos como a Amazônia. Existiram pequenas variações referentes a aplicação das marcações exclusivas das cinco unidades que empregaram o modelo.

Bibliografia :
- Revista ASAS nº20  AMX na FAB – Claudio Luchesi e Carlos Felipe Operti
- Programa AMX: da concepção à modernização- revista Forças de Defesa Nº 9
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores