X-15 e X-20 Gurgel (VTrAdm-VTrOp)

História e Desenvolvimento.
A trajetória da Gurgel Veículos está intrinsecamente ligada à vida e ao espírito inovador de seu fundador, João Augusto Conrado do Amaral Gurgel. Nascido em 1926, em Franca, São Paulo, e formado em Engenharia pela Universidade de São Paulo (USP) aos 23 anos, João Augusto demonstrou, desde a infância, uma paixão pela mecânica e um talento para propor soluções criativas diante de desafios técnicos. Seu interesse pelos automóveis se consolidou ainda na juventude, alimentando o sonho de projetar e fabricar veículos no Brasil. Determinado a transformar essa visão em realidade, ele se dedicou desde cedo a desenvolver as competências necessárias para inovar no setor automotivo. Ainda estudante, em 1947, João Augusto construiu um protótipo funcional de um veículo anfíbio de três rodas, equipado com motor de avião e hélice, demonstrando sua capacidade de pensar além das convenções. Em 1958, fundou em São Paulo a Moplast Moldagem de Plástico Ltda., sua primeira empresa, que se destacou pela produção dos primeiros painéis luminosos de acrílico do Brasil, uma alternativa inovadora ao neon. Contudo, sua paixão pelos automóveis logo o levou a novos empreendimentos. Em 1960, em parceria com Silvano Pozzi, João Augusto iniciou a fabricação do Mo-Kart, o primeiro kart de competição produzido em série no país, marcando sua entrada no mercado automotivo. No II Salão do Automóvel, em 1961, a Moplast apresentou o Gurgel II, um veículo de dois lugares com carroceria de plástico reforçado com fibra de vidro, montado sobre um chassi tubular. O modelo contava com uma suspensão independente nas quatro rodas e um motor traseiro de 130 cm³ (10 cv, refrigerado a ar), acoplado a uma transmissão de variação contínua composta por polias tronco-cônicas e correias em V. Esse projeto pioneiro estabeleceu a fibra de vidro como uma característica distintiva dos veículos Gurgel, utilizada em todos os modelos subsequentes. No III Salão do Automóvel, a Moplast lançou o Mocar, um transportador industrial de 180 kg, capaz de carregar até 400 kg, projetado para movimentação de cargas em fábricas e aeroportos. Equipado com um motor a gasolina de dois tempos (125 cm³, 7,5 cv) e transmissão com uma marcha à frente e uma à ré, o Mocar foi anunciado como um produto de criação e fabricação integralmente nacionais, reforçando o compromisso de João Augusto com a inovação local. Em 1964, João Augusto deixou a Moplast e fundou a Macan Indústria e Comércio Ltda., uma concessionária Volkswagen que continuou a produzir karts, mini-carros infantis e o Mocar. No IV Salão do Automóvel, foi apresentado o Gurgel Jr II, um carrinho motorizado para crianças inspirado no Ford Mustang, com 3 cv e freios nas rodas traseiras. O ano de 1966 representou um divisor de águas na trajetória de João Augusto. Em parceria com a Volkswagen, ele lançou no V Salão do Automóvel o Gurgel 1200, um veículo de fibra de vidro construído sobre a plataforma VW. Disponível em quatro versões — Ipanema, Enseada e Augusta (modelos esportivos) e Xavante (voltado para transporte de cargas) —, o Gurgel 1200 utilizava a mecânica do Karmann-Ghia, com motor de 1.200 cm³ e 36 cv, posteriormente ampliado para 1.300 e 1.500 cm³. O sucesso do modelo foi tão expressivo que João Augusto passou a produzi-lo na Macan. Contudo, divergências com os sócios sobre o envolvimento da concessionária na fabricação de veículos levaram à sua saída da empresa.

Em 1º de setembro de 1969, João Augusto fundou a Gurgel Indústria e Comércio de Veículos Ltda., em São Paulo, marcando o início de uma nova fase. A empresa consolidou seu legado de inovação, produzindo veículos que combinavam criatividade, funcionalidade e identidade brasileira. A trajetória da Gurgel reflete o compromisso de seu fundador com o desenvolvimento de uma indústria automotiva nacional, capaz de superar desafios técnicos e econômicos por meio de soluções originais e visionárias. A produção do Ipanema, escolhido como o primeiro modelo da Gurgel Veículos, teve início em 1969, em um ritmo modesto de aproximadamente quatro unidades por mês. Sob a nova marca, o veículo, rebatizado simplesmente como Gurgel, passou por refinamentos estéticos e funcionais para aprimorar sua segurança e desempenho. Entre as modificações implementadas, destacam-se a instalação de uma barra de proteção (santo antônio) para maior segurança dos ocupantes, a reformulação das entradas de ar traseiras para o motor, a adição de aberturas nas extremidades dos para-lamas e a substituição das lanternas redondas pelas retangulares da Volkswagen Kombi — embora as lanternas redondas tenham sido reincorporadas pouco tempo depois.  Essas mudanças refletiram o compromisso da Gurgel em combinar funcionalidade com um design distintivo. Em 1970, a Gurgel Veículos reafirmou sua vocação para veículos utilitários ao lançar as versões picape e QT (Qualquer Terreno). Ambas foram equipadas com o sistema selectraction, um freio traseiro seletivo que funcionava como um diferencial autoblocante manual. Em situações de baixa tração, o dispositivo imobilizava a roda sem aderência, direcionando toda a potência do motor para a roda oposta. Essa solução, embora simples, compensava eficazmente a ausência de tração integral, oferecendo maior versatilidade em terrenos desafiadores e destacando a capacidade da Gurgel de inovar com recursos acessíveis. No VII Salão do Automóvel, realizado em 1972, a Gurgel apresentou o buggy Bugato, comercializado em kits. Com um design marcante — caracterizado por uma frente quadrada com falsa grade, tampa de acrílico transparente sobre o motor e filetes decorativos nas laterais —, o Bugato se destacou pela originalidade. No entanto, sua produção foi limitada, com apenas cerca de 20 unidades fabricadas, refletindo os desafios de posicionar um veículo de nicho em um mercado competitivo. Um marco tecnológico da Gurgel foi a introdução, em 1972, da estrutura plasteel, uma inovação desenvolvida por João Augusto Gurgel. Substituindo as plataformas com motor traseiro fornecidas pela Volkswagen, o plasteel consistia em uma estrutura tubular em treliça revestida com resina e fibra de vidro. Essa tecnologia conferia aos veículos flexibilidade à torção, redução de peso e resistência à corrosão, características que posicionaram a Gurgel em um nicho até então pouco explorado no Brasil: o de utilitários voltados para condições adversas de terreno. Na época, esse segmento era atendido apenas pelo Jeep Willys e pelo Toyota Bandeirante, ambos com projetos considerados obsoletos. O Xavante XT-72, lançado em 1972 como o primeiro utilitário Gurgel equipado com o chassi plasteel, incorporou a carroceria do modelo QT com adaptações para uso off-road. Entre os aprimoramentos, destacam-se para-choques reforçados, guincho, grade protetora nos faróis, engate para reboque, pás acopladas às laterais e o estepe reposicionado sobre o capô dianteiro. 
O carro tinha concepção diametralmente oposta à de seus dois concorrentes: carroceria monobloco em fibra com estrutura tubular integrada, motor traseiro, suspensão traseira independente por molas helicoidais, bancos anatômicos e peso reduzido, em lugar de carroceria de aço, chassi em escada, suspensão por feixe de molas e peso e centro de gravidade elevados do Jeep e Toyota. O consumo de combustível do Gurgel era, naturalmente, muito mais reduzido, da mesma forma que o custo de manutenção, já que utilizava a mecânica mais do que conhecida da Volkswagen. Até mesmo o grande diferencial técnico que favoreceria os jipes tradicionais – a tração nas quatro rodas, inexistente no Gurgel –, ficava neutralizada (em condições de uso menos pesadas, por suposto) por sua leveza, pela agilidade da suspensão e pelo uso do selectration. Seu preço era competitivo, cerca de 15% superior ao Jeep, seu concorrente mais direto. Em meio à crise do petróleo da década de 1970, João Augusto Conrado do Amaral Gurgel demonstrou sua visão inovadora ao desenvolver o Itaipu, um veículo elétrico projetado inicialmente como um minicarro urbano de dois lugares. Esse modelo representava uma resposta ousada aos desafios energéticos da época, buscando oferecer uma alternativa sustentável aos veículos movidos a combustão. Posteriormente, o conceito evoluiu para a criação do Gurgel Itaipu E-400, um furgão elétrico com design mais avançado que o da Volkswagen Kombi. O E-400 foi adotado por diversas companhias estatais de eletricidade em todo o Brasil, equipando suas frotas com uma solução inovadora. Contudo, as limitações tecnológicas da época, como baterias pesadas com baixa capacidade de carga, restringiam a autonomia do veículo, desafiando sua adoção em maior escala. A partir da segunda metade da década de 1970, as restrições impostas pelo governo federal à importação de veículos novos criaram um ambiente favorável para a indústria automotiva nacional. Esse cenário impulsionou significativamente os negócios da Gurgel Indústria e Comércio de Veículos S/A, que experimentou um aumento constante nas vendas. O sucesso comercial gerou os recursos necessários para a construção de uma nova e moderna planta fabril em Rio Claro, São Paulo. Essa unidade, projetada para atender à crescente demanda do mercado interno, marcou um momento crucial na trajetória da empresa, ampliando sua capacidade produtiva e consolidando sua posição no setor automotivo brasileiro. A nova fábrica em Rio Claro não apenas elevou a capacidade de produção da Gurgel, mas também posicionou a empresa como a primeira exportadora brasileira na categoria de veículos especiais. No final da década, a Gurgel alcançou um marco impressionante, tornando-se o segundo maior polo industrial do Brasil em termos de faturamento e volume de vendas. Com uma cadência de produção de 10 veículos por dia, dos quais 25% eram destinados à exportação, o modelo X-12 permaneceu como o principal produto da linha de montagem, reforçando a reputação da marca por sua confiabilidade e versatilidade.

O sucesso do X-12 e o crescimento da empresa inspiraram João Augusto Gurgel a diversificar o portfólio da Gurgel, com foco no desenvolvimento de veículos de maior porte. Mais uma vez, a empresa utilizou a consagrada plataforma e mecânica da Volkswagen do Brasil S/A como base, mantendo sua estratégia de aliar inovação a componentes confiáveis e acessíveis. O objetivo era criar utilitários leves com desempenho superior em ambientes fora de estrada, capazes de competir diretamente com a Volkswagen Kombi, que dominava o segmento na época. Para se diferenciar da Kombi, a Gurgel priorizou o desenvolvimento de um novo veículo com maior capacidade off-road, exigindo um design que garantisse uma altura do solo superior à de seu concorrente. Inicialmente, o projeto do Itaipu E-400, que compartilhava semelhanças com a Kombi, foi descartado para esse propósito, já que não atendia aos requisitos de desempenho em terrenos acidentados. Essa decisão refletiu o compromisso da Gurgel em criar veículos que combinassem funcionalidade, inovação e adaptação às necessidades específicas do mercado, mantendo a essência visionária de seu fundador. Na década de 1970, a Gurgel Indústria e Comércio de Veículos S/A continuou a demonstrar sua capacidade de inovação ao desenvolver um novo utilitário com sistemas avançados de suspensão e tração. A suspensão utilizava semieixos com retorno limitado por coxins e cintas, combinados a molas helicoidais, garantindo maior estabilidade e conforto em terrenos variados. Já o sistema Selectraction, patenteado pela Gurgel, representava uma solução engenhosa para otimizar a tração. Por meio de alavancas integradas ao freio de mão, era possível frear individualmente cada roda motriz, anulando o efeito do diferencial. Em situações de perda de tração, o sistema transferia toda a potência para a roda com maior aderência, oferecendo uma capacidade off-road notável, apesar de sua simplicidade. Essa combinação de tecnologias reforçava a vocação da Gurgel para criar veículos práticos e eficientes, especialmente para ambientes fora de estrada. O projeto inicial culminou no desenvolvimento do Gurgel X-20, o primeiro utilitário da marca com cabine avançada, lançado no X Salão do Automóvel de 1976, em São Paulo. Projetado com base em uma versão anterior desenvolvida para as Forças Armadas, o X-20 seguia a concepção básica do modelo X-12, mas incorporava melhorias significativas. Equipado com motor Volkswagen 1600, o veículo apresentava um vão livre de 360 mm e ângulos de ataque e saída de 65° e 45°, respectivamente, graças ao reduzido balanço dianteiro e à elevada distância do solo. Disponível nas versões de cabine simples e dupla, o X-20 tinha capacidade para meia tonelada de carga e podia ser adaptado para transporte de passageiros ou uso misto. O design do X-20 destacava-se por suas linhas retas e angulares, com dimensões maiores que as de seu principal concorrente, a Volkswagen Kombi. Uma característica peculiar era a presença de três limpadores de para-brisa, um detalhe curioso que reforçava a originalidade do projeto. Apesar de sua inovação, o X-20 enfrentou dificuldades comerciais, com vendas abaixo do esperado, o que levou a Gurgel a repensar o conceito do veículo.
A partir da experiência com o X-20, a Gurgel desenvolveu o X-15, um veículo misto que combinava características de picape e jipe, projetado para atender às demandas do mercado com maior eficiência. Lançado como uma evolução natural, o X-15 mantinha os elementos estruturais e mecânicos característicos da marca: carroceria em fibra de vidro com chassi plasteel, motor traseiro Volkswagen 1600 refrigerado a ar (60 cv), caixa de quatro marchas, suspensão independente e freios a tambor nas quatro rodas. Com peso líquido de 980 kg e capacidade de carga de meia tonelada, o X-15 media 3,63 metros de comprimento, oferecendo um equilíbrio entre robustez e versatilidade. No final de 1979, a Gurgel Indústria e Comércio de Veículos S/A revisou e ampliou sua linha de utilitários, lançando o G-15, um modelo derivado da picape X-15 militarizada. Com capacidade de carga de 700 kg, o G-15 foi oferecido em diversas versões, incluindo configurações com ou sem caçamba e carrocerias especiais adaptadas a diferentes necessidades. O design do G-15 era marcado por para-brisas extremamente inclinados, uma linha de cintura elevada e janelas de área reduzida, características que, embora conferissem uma estética distinta, comprometiam a visibilidade do motorista, tornando-se um ponto de crítica. Em 1980, respondendo à crescente demanda por combustíveis alternativos no Brasil, a Gurgel lançou a versão a álcool do G-15, equipada com dois tanques de combustível que proporcionavam uma impressionante autonomia de até 1.200 km. No ano seguinte, em 1981, foi introduzido o G-15 L, uma variante 30 cm mais longa, com capacidade de carga ampliada para 1.050 kg, mantendo o mesmo peso líquido do modelo original. O nome "Gurgel" passou a ser destacado de forma proeminente no para-choque dianteiro, reforçando a identidade da marca e seu compromisso com a inovação. Apesar dos avanços, o G-15 enfrentou dificuldades de aceitação no mercado, com vendas abaixo do esperado. Em 1982, a Gurgel respondeu a esse desafio com o lançamento do G-800, um utilitário com capacidade de carga de 1.100 kg e um design renovado, inspirado na carroceria do elétrico Itaipu E-400. Suas linhas curvas eram visualmente mais agradáveis, mas o modelo herdava as mesmas limitações de visibilidade e acesso do G-15, com janelas pequenas e uma linha de cintura elevada. No entanto, o G-800 se destacava pelo espaço interno traseiro excepcionalmente amplo, especialmente na versão cabine dupla, oferecendo maior conforto para os ocupantes. O G-800 manteve a mecânica confiável da Gurgel, baseada em componentes Volkswagen, mas trouxe melhorias significativas, como freios a disco nas rodas dianteiras e a inclusão de um servo-freio, embora o sistema Selectraction, característico de modelos anteriores, não tenha sido incorporado. O modelo foi oferecido em diversas configurações — picape, furgão, van, executivo, táxi e escolar —, atendendo a uma ampla gama de necessidades. Para melhorar a ventilação interna, grandes alçapões basculantes foram instalados no teto, enquanto cintos de segurança de três pontos nos bancos dianteiros reforçavam a segurança. O estepe do G-800 foi posicionado sob o piso, acessível por uma portinhola na lateral esquerda, otimizando o espaço interno. As versões van e cabine dupla contavam com um grande vidro fixo na lateral esquerda, que descia abaixo da linha da cintura, contrastando com a pequena janela do motorista e conferindo um design peculiar. Na versão picape cabine dupla, uma tampa de fibra de vidro opcional transformava a caçamba em um porta-malas, ampliando a versatilidade do veículo.

Emprego no Exército Brasileiro.
A história da utilização de veículos utilitários leves com tração integral 4x4, conhecidos como jipes, nas Forças Armadas Brasileiras teve início em 1942, no contexto da adesão do Brasil ao programa norte-americano Lend-Lease Act (Lei de Arrendamentos e Empréstimos). Esse acordo, firmado durante a Segunda Guerra Mundial, previa a cessão de aproximadamente dois mil jipes ao Brasil, sem padronização por fabricante ou modelo. Não há registros oficiais que detalhem a proporção de veículos fornecidos pela Ford Motor Company ou pela Willys-Overland Company, mas os primeiros lotes, compostos por veículos novos e usados provenientes da frota e da reserva estratégica do Exército dos Estados Unidos, começaram a chegar ao país a partir de março de 1942. Dentre esses veículos, 655 foram enviados diretamente à Itália para equipar a Força Expedicionária Brasileira (FEB). A experiência operacional adquirida pelo Exército Brasileiro em um cenário de conflagração com os jipes foi inestimável, moldando a doutrina motomecanizada do Exército Brasileiro nas décadas seguintes. A frota de jipes, complementada por outros veículos de transporte, proporcionou às Forças Armadas Brasileiras, especialmente ao Exército Brasileiro, uma capacidade de mobilidade sem precedentes entre as décadas de 1940 e 1950. Essa mobilidade fortaleceu as operações de infantaria, permitindo maior agilidade e eficiência em diversos cenários. Com o passar dos anos, o desgaste operacional e a obsolescência dos jipes começaram a impactar sua disponibilidade. A falta de manutenção adequada e a dificuldade de obtenção de peças de reposição, tendo em vista que muitos destes modelo tiveram sua produção descontinuada, agravaram o cenário, resultando em índices preocupantes de veículos inoperantes. Para enfrentar essa crise, o governo brasileiro negociou com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos a aquisição de novos lotes de jipes usados, classificados como material excedente de guerra (war surplus). Desta maneira dentro dos termos dos programas de ajuda militar seriam cedidos um grande numero de veículos deste tipo  provenientes dos estoques estratégicos norte-americanos. Ao serem recebidos estes passariam a substituir os substituíram as viaturas mais antigas e desgastadas, ajudando a restaurar parte da capacidade operacional do Exército Brasileiro. No final da década de 1950, o Exército Brasileiro intensificou a modernização de sua frota com a incorporação de jipes produzidos no período pós-guerra, como os modelos Willys M-38A1 e M-38A1-C, este último equipado com canhões sem recuo M-40 de 106 mm. Essas aquisições apesar de em reduzida escala representaram um avanço significativo, trazendo maior confiabilidade e adaptabilidade às operações militares.

Apesar deste movimento de renovação com  a incorporação dos "novos"  Willys M-38A1 e M-38A1-C, a rota de jipes das Forças Armadas Brasileiras ainda enfrentava desafios significativos. As quantidades recebidas eram insuficientes para atender às reais necessidades de reequipamento, evidenciando a urgência de renovar esses veículos utilitários leves com tração 4x4. Estudos preliminares indicavam a necessidade de adquirir entre 300 e 600 novos jipes, com preferência por modelos modernos, como as versões atualizadas do Willys M-38 e do Ford M-151 Mutt. Contudo, os altos custos associados a essa aquisição tornavam a iniciativa economicamente inviável à época, face as limitadas dotações orçamentárias. Diante desse cenário, a partir de 1959, o governo brasileiro voltou seus olhares para a indústria automotiva nacional, buscando uma alternativa mais acessível que atendesse às demandas das Forças Armadas e, ao mesmo tempo, impulsionasse a economia do país. A Willys-Overland do Brasil S/A emergiu como uma candidata promissora, oferecendo em seu portfólio modelos como os Jeeps CJ-3, CJ-4 e CJ-5. Dentre eles, o CJ-5 destacou-se como a melhor opção, combinando robustez, versatilidade e uma relação custo-benefício vantajosa. Na década de 1970, as Forças Armadas Brasileiras passaram a priorizar a aquisição de veículos militares de fabricação nacional, impulsionando o desenvolvimento de montadoras estabelecidas no país, como a Ford do Brasil S/A, a Willys Overland S/A e a Dodge Chrysler do Brasil, entre outras multinacionais. Esse movimento refletia um esforço para fortalecer a indústria automotiva local, promovendo a independência tecnológica e econômica. Nesse cenário, a Gurgel Indústria e Comércio de Veículos S/A, uma empresa paulista em seus primeiros anos de atuação, começou a ganhar destaque no mercado automotivo brasileiro com o lançamento do utilitário off-road X-10 Xavante. O Xavante, lançado no início da década, destacou-se por sua robustez, facilidade de manutenção e operação eficiente, características que o tornaram uma alternativa atraente para o público rural. Comparado aos jipes importados ou produzidos localmente, como o Toyota Bandeirante e o Jeep Willys, que eram mais caros e complexos devido à tração 4x4, o Xavante oferecia uma solução prática e econômica. Sua concepção, que mesclava elementos de buggy e jipe, conquistou uma fatia significativa do mercado rural, consolidando a Gurgel como uma marca inovadora e alinhada às necessidades do Brasil. O sucesso do X-10 Xavante no mercado civil inspirou a diretoria da Gurgel, liderada por João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, a explorar novas oportunidades, incluindo o segmento de defesa. Reconhecendo o potencial de seus veículos para operações militares, a empresa passou a oferecer seu portfólio às Forças Armadas Brasileiras.
Na década de 1970, a Gurgel Indústria e Comércio de Veículos S/A consolidou sua presença no mercado brasileiro ao oferecer veículos robustos e acessíveis, capazes de atender às necessidades de diferentes setores. O primeiro modelo a ser avaliado pelo Exército Brasileiro foi o Gurgel X-10 Xavante, um veículo híbrido que combinava características de buggy e jipe. Sua capacidade off-road, impulsionada pelo sistema patenteado Selectraction, permitia transferir a potência do motor para a roda com maior aderência em situações de atolamento, freando a roda que girava em falso. Esse mecanismo, aliado à estrutura inovadora em plasteel (chassi tubular revestido com fibra de vidro), conferia ao Xavante uma excelente relação custo-benefício, atraindo o interesse das Forças Armadas Brasileiras. O sucesso do X-10 Xavante resultou nos primeiros contratos com o Exército Brasileiro, seguidos por pequenas aquisições pela Força Aérea Brasileira. A combinação de simplicidade, durabilidade e apelo nacionalista da marca Gurgel solidificou sua posição como uma opção viável para aplicações militares. Em 1975, a Gurgel lançou o X-12 Tocantins no mercado civil, acompanhado de uma versão militarizada, o X-12M, projetada especificamente para atender às demandas das Forças Armadas. O X-12M foi adquirido em larga escala pelo Exército Brasileiro e, posteriormente, incorporado pelo Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha e pelos Batalhões de Infantaria da Aeronáutica, onde chegou a ser equipado com metralhadoras de calibre 7,62 mm. Essa aceitação reforçou o relacionamento entre a Gurgel e as Forças Armadas, evidenciando a confiança na qualidade e versatilidade dos veículos da marca. Fortalecida pela parceria com as Forças Armadas, a Gurgel apresentou, em 1977, uma versão militarizada da picape X-20. Cerca de 40 unidades foram adquiridas pelo Exército Brasileiro para tarefas administrativas em unidades operacionais nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, complementando as picapes Volkswagen Kombi já em uso. Com capacidade de carga de meia tonelada, o X-20 militarizado representava uma oportunidade comercial significativa, incentivando a empresa a explorar o desenvolvimento de um veículo utilitário especializado para transporte de tropas, reconhecimento e operação de artilharia leve. A necessidade do Exército Brasileiro de substituir os jipes Ford & Kaiser M-151A1/C Mutt, que apresentavam baixa disponibilidade devido à dependência de peças importadas, abriu uma janela de oportunidade para a Gurgel. Esses jipes eram usados no transporte e operação de canhões sem recuo M-40A1 Recoilless Rifle de 106 mm, e a busca por uma alternativa nacional motivou a empresa a apresentar uma proposta inovadora.

A Gurgel desenvolveu uma versão militarizada do X-20, projetada com uma configuração extremamente espartana, sem laterais, portas ou para-brisa, remetendo ao conceito de “mula mecânica”. Mantendo a estrutura, chassi e mecânica do modelo civil, o protótipo foi entregue ao Centro de Avaliações do Exército (CAEx), no Campo de Provas de Marambaia, Rio de Janeiro, para um extenso programa de testes. As avaliações incluíram condução em condições normais de trânsito, operações off-road e cenários de tiro real com um canhão sem recuo M-40A1 Recoilless Rifle de 106 mm instalado na plataforma. O próprio João Augusto Gurgel participou da condução do protótipo durante os testes, demonstrando seu compromisso pessoal com o projeto. Contudo, a simplicidade excessiva do veículo, que não oferecia proteção mínima contra intempéries, levou à sua rejeição pelo Centro de Avaliações do Exército (CAEx) . Determinada a aproveitar a oportunidade, a Gurgel apresentou uma nova proposta baseada no utilitário civil X-15. Este modelo exibia um design rústico, com linhas retas e angulares que evocavam a robustez de um veículo blindado. Entre seus destaques estavam um para-choque robusto com faróis embutidos, um para-brisa rebatível com dois vidros planos assimétricos, um guincho mecânico dianteiro e um gancho traseiro para reboque. O X-15 militarizado mantinha a capacidade off-road característica da marca, com ângulos de entrada e saída de 50° e 45°, respectivamente, um entre-eixos curto de 223 cm e um vão livre do solo de 35 cm, superando significativamente a proposta anterior baseada no X-20. O veículo era equipado com o confiável motor Volkswagen 1600 refrigerado a ar, câmbio de quatro marchas e uma relação de diferencial intermediária (4,125:1). Na traseira, lanternas horizontais (inspiradas na Volkswagen Kombi), um estepe e um galão auxiliar de 20 litros complementavam o conjunto, que também contava com um robusto protetor de cárter. A Gurgel propôs três configurações: uma com teto de lona e suporte para canhão sem recuo, outra com teto rígido e cabine dupla com meia capota de lona, e uma versão utilitária padrão para até sete passageiros ou carga, destinada a tarefas administrativas. Apesar das melhorias, o protótipo do X-15 militarizado também foi submetido a testes rigorosos pelo CAEx, mas não foi aprovado. O Exército Brasileiro optou por adquirir jipes Willys CJ-5 nacionais militarizados para o transporte e operação do sistema de armas sem recuo de 106 mm, uma decisão que refletiu as limitações enfrentadas pela Gurgel em atender às exigências específicas do setor militar.
Apesar das dificuldades enfrentadas pela Gurgel Motores S.A. em consolidar o X-15 como um veículo militar amplamente adotado, a empresa logrou êxito ao comercializar um pequeno lote das versões básicas do modelo, destinadas a tarefas de transporte. Essas versões, equipadas com cabine de lona ou carroceria de teto rígido, foram empregadas pelo Exército Brasileiro, sobretudo em funções administrativas, operando principalmente nas Brigadas Militares entre os anos de 1981 e 1998. Posteriormente, esses veículos foram substituídos por versões mais modernas da Volkswagen Kombi 1600. Além do âmbito militar, a Gurgel conseguiu firmar contratos com governos estaduais e municipais, fornecendo o X-15 e o G-15 para uso como viaturas da Polícia Militar e ambulâncias em diversas Santas Casas, com destaque para o estado de São Paulo. Essas aplicações demonstraram a versatilidade do modelo e a confiança depositada na robustez de seu projeto. Passadas três décadas desde seu lançamento, os modelos X-15 e G-15 alcançaram status de ícones entre colecionadores e entusiastas do automobilismo brasileiro. Muitos exemplares foram restaurados, frequentemente personalizados com características de veículos militares, preservando a memória de uma das mais inovadoras e ousadas empresas automotivas do Brasil. Infelizmente, a Gurgel Motores S.A. enfrentou dificuldades financeiras que culminaram em sua falência em 1993, encerrando um capítulo marcante da indústria nacional.

Em escala.
Para representarmos o Gurgel X-15 militarizado em serviço pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul, empregamos o recente modelo impresso com tecnologia 3D produzido pela Factory Modelismo na escala 1/43. O veículo é muito bem-produzido e apresenta um bom nível de detalhamento para a escala, somente apontamos como ressalva a falta do mesmo vir com as janelas vazadas o que melhoraria o nível de realismo final. Fizemos a aplicação de decais confeccionados pela decais Eletric Products pertencentes ao set "Exército Brasileiro 1942 - 1982".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático do Exército Brasileiro aplicado em todos seus veículos militares desde a Segunda Guerra Mundial até a o final do ano de 1982. Não existem registros que comprovem a aplicação neste modelo do esquema de camuflagem tático de duas cores adotado a partir de 1983. Empregamos tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors.

Bibliografia:
- Gurgel, o engenheiro que ousou sonhar - http://revistaautoesporte.globo.com
- Gurgel: o engenheiro que virou carro - https://quatrorodas.abril.com.br
- Veículos Militares Brasileiros – Roberto Pereira de Andrade e José S Fernandes
- Exército Brasileiro - http://www.exercito.gov.br

A-1A Embraer AMX Falcão

História e Desenvolvimento.
A Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A (Embraer), estruturada como uma estatal de capital misto em 19 de agosto de 1969, nasceu em um contexto de renovação e fortalecimento da indústria nacional, sendo incumbida de uma missão estratégica: produzir em série as primeiras aeronaves de transporte concebidas no Brasil. Esse desafio materializou-se no Embraer EMB-110 Bandeirante, em sua versão civil comercial, e no modelo militar C-95, ambos fundamentais para a consolidação da aviação regional e da capacidade de transporte da Força Aérea Brasileira (FAB). A primeira aeronave produzida em série, matriculada FAB 2133, foi oficialmente entregue  em 9 de fevereiro de 1973, marco que simbolizou o início de uma nova fase da aviação brasileira. Paralelamente ao atendimento de demandas militares, as versões civis do EMB-110 obtiveram ampla repercussão internacional. Destinadas ao transporte regional, essas aeronaves alcançaram expressiva aceitação no mercado externo, firmando contratos de exportação com operadores de diversas partes do mundo e tornando-se um dos pilares da reputação emergente da Embraer. O sucesso comercial do Bandeirante, aliado à confiança adquirida no setor aeronáutico, estimulou a diretoria da Embraer a buscar novos horizontes. A empresa passou a avaliar possibilidades de cooperação internacional que envolvessem pesquisa conjunta e, futuramente, transferência de tecnologia  elementos essenciais para a expansão de sua competência industrial. Nesse cenário, o primeiro acordo concreto foi firmado no início da década de 1970 com a empresa italiana Aeronautica Macchi SpA. O contrato previa a fabricação, sob licença, de mais de uma centena de unidades do avançado treinador a jato Aermacchi MB-326GB.Ainda que o acordo não contemplasse transferência tecnológica formal, a produção local do modelo — designado no Brasil como Embraer AT-26 Xavante  proporcionou à Embraer uma oportunidade crucial para dominar processos industriais relacionados à fabricação de aeronaves a jato de alto desempenho. Esse aprendizado se tornou um marco na evolução da companhia, estabelecendo fundamentos técnicos que suportariam projetos futuros de maior complexidade. À medida que o AT-26 Xavante demonstrava resultados positivos no âmbito da FAB, a Embraer direcionou esforços para explorar novos nichos operacionais. Entre as propostas avaliadas, destacou-se o desenvolvimento de uma versão monoplace do treinador, otimizada para missões de ataque ao solo. O conceito, conhecido internamente como Programa “AX”, foi submetido ao projetista-chefe Ermanno Bazzocchi, da Aeronautica Macchi, que reconheceu sua viabilidade operacional. Dessa colaboração emergiu o projeto da primeira aeronave concebida de forma conjunta entre Brasil e Itália, inicialmente denominada Embraer EMB-330. Embora promissor em termos técnicos e estratégicos, o projeto não obteve o apoio necessário do Ministério da Aeronáutica (MAer), que apresentou críticas às capacidades previstas para a aeronave. Diante dessa resistência institucional, a equipe de engenharia da Embraer iniciou estudos para aprimorar o EMB-330, concebendo diferentes variantes que buscavam superar as limitações identificadas. Contudo, tais iniciativas não ultrapassaram a fase preliminar de desenvolvimento, culminando na suspensão definitiva do programa.

O espírito de cooperação tecnológica e industrial entre Brasil e Itália, cultivado desde as primeiras iniciativas conjuntas na década de 1970, ganhou novo impulso em 1978. Naquele ano, uma comitiva de oficiais e comandantes da Força Aérea Brasileira (FAB) realizou uma visita oficial à Itália, ocasião que se revelaria decisiva para o futuro da aviação militar dos dois países. Durante as tratativas, a diretoria da Aeronáutica Macchi SpA apresentou ao grupo brasileiro um estudo preliminar da Aeronautica Militare Italiana (AMI), que buscava desenvolver uma aeronave subsônica de ataque a jato destinada a substituir tanto o Fiat G.91Y/R quanto o Lockheed F-104G/S Starfighter, empregado em missões de ataque ao solo, apoio aéreo aproximado e ataque naval. Ao analisar os requisitos operacionais delineados pelos italianos, os representantes brasileiros notaram uma semelhança marcante com os critérios previamente estabelecidos pelo Ministério da Aeronáutica (MAer) para o antigo projeto “AX”. Essa convergência de necessidades abriu espaço para uma oportunidade inédita: o desenvolvimento conjunto de uma nova aeronave de ataque, que pudesse atender simultaneamente às demandas estratégicas de ambos os países. A proposta italiana recebeu o aval do Ministério da Defesa e resultou na formação de uma parceria entre as empresas Aeritalia Aeronautica e Aeronautica Macchi SpA. Dessa colaboração emergiu o conceito de uma aeronave de ataque subsônica, designada “AMX” — sigla em que “A” representa Aeritalia, “M” remete a Macchi, e “X” simboliza seu caráter experimental e inovador. A distribuição equilibrada de competências industriais permitiria que cada empresa contribuísse com sua experiência técnica, consolidando um projeto de significativa complexidade. As negociações entre os governos do Brasil e da Itália evoluíram rapidamente, culminando na formalização da participação da Embraer S/A no consórcio. Coube à empresa brasileira a responsabilidade por um quarto do programa, incluindo parte dos investimentos e tarefas essenciais: o projeto e a fabricação das asas e da empenagem, além da condução dos testes de fadiga desses componentes estruturais. As empresas italianas assumiram os dois terços restantes, compreendendo o desenvolvimento da fuselagem, dos sistemas de bordo e a execução dos testes estáticos e de armamento. Apesar do entusiasmo inicial, o avanço do programa exigiu uma pausa temporária. Ajustes contratuais, questões processuais e alinhamentos técnicos demandaram cerca de seis meses adicionais, postergando o cronograma originalmente planejado. Esse período, embora desafiador, contribuiu para consolidar um entendimento mais preciso das responsabilidades e da integração industrial entre os três participantes. Em maio de 1980, durante a tradicional Feira Aeronáutica Internacional de Farnborough, na Inglaterra, o Ministério da Aeronáutica (MAer) reiterou publicamente seu compromisso com o desenvolvimento do AMX, reforçando a importância estratégica do programa para o Brasil. Finalmente, em 27 de março de 1981, o contrato oficial foi assinado entre os dois países, marcando o início formal da participação da Embraer S/A no projeto e estabelecendo as bases para uma das mais significativas iniciativas de cooperação aeronáutica internacional da história brasileira.
Após a conclusão dos ajustes contratuais entre Brasil e Itália, a participação da Embraer S/A no Programa AMX foi ampliada de 25% para 30%, enquanto as empresas italianas passaram a responder pelos 70% restantes. Esse novo arranjo redefiniu a distribuição de responsabilidades industriais, consolidando o papel estratégico da empresa brasileira no desenvolvimento da aeronave. À Embraer coube o projeto e a fabricação das asas, das tomadas de ar do motor, dos estabilizadores horizontais, dos pilones subalares  destinados ao transporte de armamentos  e dos tanques de combustível. Além dos componentes estruturais, o Brasil passou a integrar-se de forma mais profunda ao desenvolvimento dos sistemas do AMX, contribuindo para o projeto do trem de pouso, dos sistemas de navegação e ataque, dos comandos de voo e do controle de armamentos. A Embraer também assumiu a construção de dois protótipos destinados aos ensaios em voo e de um protótipo adicional voltado para testes de fadiga estrutural, todos avaliados em um extenso programa de provas conduzido em território nacional. Esse envolvimento direto representou um avanço significativo no amadurecimento tecnológico do país e reafirmou o valor da parceria internacional. O AMX  concebido como um caça-bombardeiro tático monomotor e monoposto — foi projetado para executar missões de ataque com alta precisão, operando sob condições exigentes em cenários hostis. Para isso, a aeronave recebeu especial atenção em termos de robustez, confiabilidade e manutenção simplificada. O projeto incorporava soluções tecnológicas avançadas para sua época, como sistemas modernos de navegação e ataque, contramedidas eletrônicas, comandos de voo com “Augmentation System” e a configuração HOTAS (Hands On Throttle And Stick), que conferia ao piloto maior eficiência operacional ao concentrar controles essenciais na manete e no manche. Sua autonomia ampliada, com possibilidade de reabastecimento em voo, atendia plenamente às necessidades estratégicas de um país de dimensões continentais como o Brasil. A primeira maquete do projeto foi concluída em 1982, marcando a transição para a fase de detalhamento e fabricação. Quatro anos depois, teve início a construção dos quatro protótipos — dois na Itália e dois no Brasil. O primeiro protótipo italiano voou em 15 de maio de 1984, sob o comando do experiente piloto de testes Mario Quarantelli, da Aeritalia. A carreira inaugural do avião, contudo, foi marcada por um episódio trágico: durante o quinto voo, um acidente levou à perda da aeronave e à morte de Quarantelli, que, embora tenha conseguido ejetar-se, não resistiu aos ferimentos. Após uma breve interrupção, o programa foi retomado em novembro do mesmo ano com o segundo protótipo italiano. No Brasil, o primeiro protótipo  designado YA-1 e matriculado FAB 4200  realizou seu voo inaugural em 16 de outubro de 1985, nas instalações da Embraer em São José dos Campos, pilotado pelo engenheiro e piloto de ensaios Luiz Fernando Cabral. Um segundo protótipo brasileiro voaria pouco mais de um ano depois, em 16 de dezembro de 1986, ampliando o conjunto de aeronaves de testes necessárias à certificação e ao aperfeiçoamento do projeto. Em seguida, desenvolveu-se também uma variante biposto, destinada à conversão operacional de pilotos, garantindo a formação adequada das tripulações que futuramente operariam o novo caça-bombardeiro.

Em 1986, a primeira aeronave de produção em série do AMX foi oficialmente entregue à Aeronautica Militare Italiana (AMI), marcando o início da incorporação operacional do caça-bombardeiro. Ao longo dos anos seguintes, o novo modelo passou gradualmente a equipar seis grupos de ataque (Gruppo/Stormo), consolidando-se como um vetor relevante na aviação tática italiana durante a última fase da Guerra Fria e nos cenários que se seguiram. As versões italiana e brasileira do AMX foram concebidas a partir de um projeto básico comum, de configuração convencional, destacando-se pela asa alta com enflechamento de 27,5° no bordo de ataque  solução que oferecia boa estabilidade, robustez estrutural e desempenho adequado para missões de ataque em baixa altitude. O sistema de comando de voo adotava uma arquitetura híbrida: leme, spoilers, flaps e estabilizadores eram controlados por um sistema digital Fly-By-Wire (FBW) de dois canais, enquanto os ailerons e profundores permaneciam ligados a um conjunto hidráulico-mecânico tradicional. Essa combinação resultava de um equilíbrio cuidadoso entre modernidade e confiabilidade, garantindo à aeronave maior capacidade de sobrevivência em combate, uma vez que o piloto poderia manter o controle da aeronave mesmo em caso de falha ou dano no sistema FBW. A estrutura das células era predominantemente construída em ligas de alumínio, com peças críticas reforçadas em aço. Materiais compostos reforçados com fibra plástica foram empregados em áreas específicas  como painéis de acesso, seções da cauda, ailerons e no duto de ar da turbina — refletindo o avanço gradual do uso de compósitos na indústria aeronáutica durante a década de 1980. O cockpit era equipado com um moderno Head-Up Display (HUD), integrado ao sistema HOTAS (Hands On Throttle And Stick), que aprimorava a interface homem-máquina e aumentava a consciência situacional do piloto durante missões de ataque. No total, foram produzidas 150 unidades da versão monoposto, sendo 110 entregues à Força Aérea Italiana (AMI) e 45 à Força Aérea Brasileira (FAB), com entregas realizadas entre 1989 e 1999. Embora compartilhassem a mesma base estrutural, as versões de cada país incorporaram características distintas, moldadas por suas respectivas necessidades operacionais e pelos diferentes cenários estratégicos em que seriam empregadas. A variante italiana foi projetada para operar no exigente perfil “Lo-Lo-Lo”, caracterizado por voos contínuos a baixa altitude sobre áreas hostis  estratégia indispensável diante das sofisticadas defesas antiaéreas soviéticas. Esse conceito limitava o raio de ação da aeronave a cerca de 335 km, mas privilegiava sua capacidade de penetração e sobrevivência. No Brasil, o contexto estratégico era distinto. Em um ambiente de defesa aérea menos complexo, a Força Aérea Brasileira (FAB) optou pelo perfil “Hi-Lo-Hi”, no qual o voo em baixa altitude ocorre apenas na fase terminal do ataque, preservando eficiência e autonomia. Para atender à exigência de alcance mínimo de 965 km, a versão brasileira foi configurada com dois tanques subalares adicionais de 1.100 litros — solução que ampliava sua autonomia, mas reduzia a carga bélica útil disponível.
As diferenças entre as versões italiana e brasileira do AMX tornaram-se particularmente evidentes no campo da eletrônica embarcada. Os aviões destinados à Aeronautica Militare Italiana foram equipados com sistemas mais sofisticados, desenvolvidos para atender aos rígidos requisitos técnicos e operacionais da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Essas exigências refletiam o ambiente estratégico europeu da Guerra Fria, no qual a interoperabilidade e a padronização eram fundamentais para garantir a eficácia em operações conjuntas. As distinções também se estendiam ao armamento orgânico. A variante italiana recebeu o canhão rotativo norte-americano M61A1 Vulcan, de 20 mm um sistema reconhecido por sua alta cadência de tiro e amplamente utilizado em aeronaves de combate da OTAN. Já a versão brasileira adotou dois canhões DEFA 554, de 30 mm, de origem francesa, considerados mais adequados às necessidades da Força Aérea Brasileira (FAB), sobretudo em missões de ataque ao solo que demandavam maior poder destrutivo por disparo. O êxito operacional do projeto AMX tornou-se evidente ao longo das décadas seguintes. Em 1999, durante a Operação Forças Aliadas, no conflito do Kosovo, esquadrões italianos equipados com o AMX participaram ativamente das ações de combate, realizando 252 surtidas sem registrar qualquer perda — um desempenho que destacou a maturidade do projeto e sua confiabilidade em cenários reais de hostilidade. Em 2011, três aeronaves baseadas em Trapani, na Sicília, somaram mais de 500 horas de voo em missões durante a intervenção na Líbia, entre abril e outubro, novamente sob comando da OTAN. Para o Brasil, o programa AMX nacionalmente designado A-1 representou um marco de transformação tecnológica. A participação da Embraer S/A no desenvolvimento e na produção da aeronave proporcionou à empresa acesso direto a tecnologias avançadas até então inéditas no parque industrial brasileiro. O aprendizado adquirido, especialmente no domínio de sistemas críticos como o comando de voo digital assistido por computador (Fly-By-Wire), contribuiu decisivamente para elevar a maturidade técnica da Embraer S/A  e alavancar sua capacidade de desenvolver aeronaves de maior desempenho e complexidade estrutural. Assim, pode-se afirmar que o legado tecnológico do AMX International transcendeu o campo militar. A experiência acumulada no programa preparou a Embraer para o salto industrial que, anos mais tarde, resultaria no desenvolvimento dos jatos regionais das famílias ERJ-145, ERJ-135, ERJ-170 e ERJ-190  aeronaves que conquistaram reconhecimento mundial e consolidaram a empresa como uma das principais fabricantes aeronáuticas do planeta.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
A doutrina operacional da aviação de caça e ataque ao solo da Força Aérea Brasileira (FAB) tem suas raízes firmemente estabelecidas na experiência vivida durante a campanha da Itália, na Segunda Guerra Mundial. Foi naquele teatro de operações que os pilotos brasileiros, operando os resilientes Republic P-47D Thunderbolt, realizaram mais de 2.546 surtidas de ataque e missão ofensiva. Esses homens, forjados nas duras condições de um conflito global, legaram ao país os fundamentos de uma força aérea moderna, disciplinada e tecnicamente capacitada para o combate. Nas décadas que se seguiram, a Força Aérea Brasileira (FAB) buscou preservar e aperfeiçoar essa herança operacional. Entretanto, o uso de aeronaves originalmente projetadas para outras finalidades como os Gloster F-8 Meteor, adaptados à força, e os versáteis, porém limitados, Lockheed AT-33 evidenciou as dificuldades crônicas de se empregar vetores não especializados em missões de ataque ao solo. Embora tenham cumprido papel importante na transição tecnológica do pós-guerra, esses modelos impunham restrições que, inevitavelmente, comprometeram a eficiência operacional desejada. Diante dessas limitações, o Ministério da Aeronáutica (MAer) iniciou, ainda nos anos 1970, uma busca por um sistema de armas que fosse compatível com as necessidades contemporâneas de defesa e ataque de precisão. Esse esforço amadureceu no contexto do programa binacional AMX, um marco tecnológico que representou a entrada definitiva do Brasil no seleto grupo de países capazes de projetar e produzir aeronaves de combate modernas. A possibilidade de incorporar uma aeronave concebida desde sua origem para missões de ataque ao solo gerou enorme expectativa no seio da Força Aérea. Com a aproximação da entrega dos primeiros exemplares, o Comando da Aeronáutica (COMAER) determinou a criação de uma unidade de elite que operaria o novo vetor. Assim, em 22 de abril de 1988, foi ativado o 1º/16º Grupo de Aviação (1º/16º GAv) – Esquadrão Adelphi, sediado na tradicional Base Aérea de Santa Cruz (BASC), no Rio de Janeiro. A escolha do nome de código “Adelphi” foi profundamente simbólica: tratou-se de uma homenagem direta aos pilotos do 1º Grupo de Aviação de Caça, o lendário Esquadrão Jambock, que tombaram em combate na Itália.  O AMX, desenvolvido em cooperação com a Itália, recebeu na Força Aérea Brasileira (FAB) a designação oficial A-1A. A primeira célula operacional destinada à Força Aérea, matriculada FAB 5500, foi oficialmente incorporada em 13 de outubro de 1989, durante uma cerimônia que marcou um novo capítulo na história da aviação de combate brasileira. Na semana seguinte, teve início o rigoroso programa de certificação operacional da aeronave, concluído em julho de 1990, quando o esquadrão iniciou suas operações aéreas. A fase subsequente consistiu no desenvolvimento e consolidação de doutrinas específicas de emprego, bem como no treinamento avançado das equipes envolvidas. Esse período, que se estendeu até agosto de 1990, resultou na plena operacionalidade do 1º/16º GAv, que já contava, então, com ao menos cinco aeronaves prontas para cumprir missões de ataque de alta precisão. Assim, o processo de adoção do AMX na FAB não apenas representou um salto tecnológico e operacional, mas também reafirmou a continuidade de uma tradição iniciada por pilotos brasileiros em solo europeu, décadas antes: a de uma aviação de combate competente, profissional e profundamente comprometida com a defesa do país.

O 1º/16º Grupo de Aviação (1º/16º GAv) – Esquadrão Adelphi, recém-estruturado como unidade aerotática de primeira linha, recebeu a missão de restaurar a plena capacidade de ataque ao solo da Força Aérea Brasileira (FAB). Suas atribuições prioritárias abrangiam o ataque a alvos de superfície, a interdição do campo de batalha e o apoio aéreo aproximado às tropas do Exército Brasileiro  funções essenciais em cenários modernos de emprego conjunto. Em caráter secundário, o esquadrão também foi preparado para executar missões de bombardeio estratégico, ampliando o leque operacional. Essa reorganização representou um marco importante, pois a força aérea havia perdido sua capacidade dedicada de ataque ao solo em meados da década de 1970, quando foram desativados os últimos bimotores Douglas A-26B e A-26C Invader, historicamente empregados desde o pós-guerra nesse tipo de missão. Durante os anos seguintes, a Força Aérea Brasileira (FAB) manteve apenas uma capacidade limitada, utilizando aeronaves originalmente não projetadas para o ataque, como os treinadores a jato norte-americanos Lockheed AT-33A, TF-33A e T-33A, posteriormente substituídos pelos Embraer AT-26 Xavante. Embora valiosos para instrução e adaptação tecnológica, esses vetores jamais ofereceram o mesmo desempenho de uma plataforma concebida especificamente para o combate ar-superfície. Com a introdução do Embraer A-1A AMX, esse cenário mudou significativamente. O novo vetor destacou-se como a primeira aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) equipada com uma suíte completa de autodefesa, reunindo sistemas passivos e ativos que representavam o estado da arte no período. Entre os recursos mais inovadores encontrava-se o sistema de alerta RWR (Radar Warning Receiver), capaz de informar o piloto sobre emissões hostis de radar direcionadas à aeronave. Esse equipamento trabalhava de forma integrada com lançadores de chaff e flare, projetados para despistar mísseis guiados por radar ou infravermelho, além de um conjunto de contramedidas eletrônicas ativas (ECM), ampliando significativamente a capacidade de sobrevivência do aparelho em ambientes hostis. Outra característica que consolidou o A-1A como um salto tecnológico foi a introdução de computadores de missão dedicados ao emprego de armamentos ar-superfície. Eles permitiam a utilização dos modos CCIP (Continuously Computed Impact Point) e CCRP (Continuously Computed Release Point), que otimizavam o lançamento de bombas não guiadas com precisão muito superior à obtida por aeronaves mais antigas, como o Northrop F-5E Tiger II e o Embraer AT-26 Xavante. Esse avanço marcou a transição para uma doutrina de ataque baseada em dados computacionais e cálculo balístico em tempo real, elevando a eficácia operacional somavam-se a esses recursos a baixa assinatura infravermelha e a reduzida seção transversal ao radar do A-1A, características de projeto que, combinadas ao conjunto de defesa eletrônica, conferiam ao vetor uma robusta capacidade de sobrevivência em missões arriscadas e de penetração tática. Esses diferenciais tecnológicos firmaram o A-1 AMX como um divisor de águas na modernização do poder de ataque ao solo da Força Aérea Brasileira (FAB), redefinindo tanto sua doutrina quanto sua capacidade operacional em cenários contemporâneos. 
A segunda unidade da Força Aérea Brasileira (FAB) a incorporar o Embraer A-1A AMX foi o 3º/10º Grupo de Aviação (3º/10º GAv) – Esquadrão Centauro. Em 15 de janeiro de 1998, o esquadrão recebeu suas duas primeiras células da versão monoposto, inaugurando o processo de transição para uma plataforma moderna e plenamente dedicada ao ataque. Assim como ocorrera anos antes com o 1º/16º Grupo de Aviação (1º/16º GAv), foi estabelecido um programa abrangente de introdução operacional, envolvendo treinamento de tripulações, capacitação técnica de equipes de solo e consolidação de novos procedimentos. Esse esforço resultou na declaração de plena operacionalidade da unidade no primeiro bimestre de 2000. Coube justamente aos A-1A do Esquadrão Centauro a realização daquela que se tornaria a missão de ataque de maior alcance já conduzida por aeronaves da FAB. Em maio de 2003, duas aeronaves decolaram da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e, realizando apenas três reabastecimentos em voo com apoio de um Boeing KC-137, sobrevoaram a região oeste do país, alcançaram a fronteira norte e, após mais de 6.500 km percorridos, pousaram na Base Aérea de Natal. Essa operação demonstrou de forma inequívoca a capacidade estratégica da FAB, evidenciando sua aptidão para projetar poder aéreo em longas distâncias e, se necessário, atingir alvos em qualquer ponto da América Latina. A terceira unidade a receber o A-1A AMX foi o 1º/10º Grupo de Aviação (1º/10º GAv) – Esquadrão Poker, sediado em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. A primeira aeronave foi incorporada em março de 1999, e o processo de dotação foi concluído no início de 2004, quando a unidade atingiu sua condição operacional plena. Diferentemente das duas unidades anteriores, cuja vocação principal estava centrada no ataque ao solo, o Esquadrão Poker recebeu como missão prioritária o reconhecimento tático do campo de batalha  uma função essencial para a coleta de informações em tempo real e para o planejamento de operações conjuntas. Para cumprir essa tarefa, suas aeronaves foram inicialmente equipadas com pods fotográficos nacionais Gespi e Vicon, capazes de realizar reconhecimento óptico e infravermelho. Em uma etapa posterior, o esquadrão foi dotado dos avançados pods israelenses Recce Lite, que ofereciam capacidades multissensoriais e maior precisão na obtenção de dados táticos. Além das missões de reconhecimento, o Esquadrão Poker também possuía como atribuição a supressão de defesas aéreas inimigas (SEAD), com a perspectiva futura de empregar o míssil antirradiação nacional MAR-1, então em desenvolvimento. Entretanto, o projeto não ultrapassou a fase de protótipos, impedindo a FAB de incorporar uma capacidade dissuasória de considerável relevância estratégica. Como nota, ressaltamos que o processo deste míssil foi retomado no ano de 2025, devendo equipar possivelmente o substituto do A-1 a ser incorporado.  Em uma particularidade histórica, quando utilizadas em missões de reconhecimento, as aeronaves do 1º/10º GAv assumiam a designação e o indicativo de rádio RA-1, diferenciando-se das demais unidades equipadas com o AMX e refletindo sua vocação específica dentro da estrutura operacional da Força Aérea Brasileira.

O Embraer A-1A AMX tornou-se a primeira aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) a integrar o exercício multinacional Red Flag, considerado um dos mais complexos e abrangentes treinamentos de guerra aérea realizados anualmente pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). A participação brasileira foi atribuída ao 1º/16º Grupo de Aviação (1º/16º GAv) – Esquadrão Adelphi, que destacou seis aeronaves, vinte e dois pilotos e sessenta e oito militares para o evento, realizado entre 24 de setembro e 4 de outubro de 1998. Tratou-se de um marco histórico para a aviação de combate nacional, simbolizando sua inserção em um ambiente de treinamento de nível estratégico, no qual somente forças aéreas com elevada maturidade operacional eram convidadas a atuar. A preparação para o Red Flag exigiu um esforço significativo de adaptação doutrinária. A FAB precisou elevar o nível técnico de seus pilotos e ajustar seus fluxos de planejamento de missão, tradicionalmente influenciados pela experiência adquirida durante a Segunda Guerra Mundial. Esse modelo contrastava com o conceito norte-americano de “ataque por pacotes”, desenvolvido na década de 1960 durante a Guerra do Vietnã e consolidado nos anos seguintes como padrão operacional das forças aéreas ocidentais. Essa doutrina integrava diversas aeronaves — escoltas, caças de superioridade aérea, bombardeiros, plataformas de guerra eletrônica e aeronaves de reabastecimento  em um único esforço coordenado, ampliando a eficiência tática em cenários de alta complexidade. No ambiente desafiador do Red Flag, a interoperabilidade era um elemento essencial. O exercício exigia interação plena, transparente e altamente sincronizada entre pilotos de diferentes unidades, países e plataformas, simulando um teatro de operações moderno, marcado por ameaças multifacetadas e pela presença de defesas aéreas integradas. Nesse contexto, os A-1A AMX enfrentaram uma oposição robusta composta por caças de última geração da USAF, como o McDonnell Douglas F-15 Eagle, o General Dynamics F-16 Fighting Falcon e o Boeing F/A-18E Hornet, além de aeronaves modernizadas de outras forças aéreas, como os Northrop F-5E Tiger III da Força Aérea Chilena. A defesa adversária simulada também incluía sofisticados sistemas de armas antiaéreas baseados em radares e mísseis russos  como os SA-3 e SA-6 e o sistema francês Roland, recriando um ambiente de combate realista e extremamente hostil. Ainda assim, as aeronaves brasileiras concluíram com êxito missões de penetração e ataque em território “inimigo”, demonstrando notável eficiência operacional e consolidando a confiabilidade do AMX em cenários de guerra moderna. A participação no Red Flag de 1998, aliada às capacidades intrínsecas do A-1A AMX, elevou a Força Aérea Brasileira (FAB) a um novo patamar doutrinário. O exercício marcou a consolidação da FAB como uma força aérea apta a operar em ambientes de alta complexidade, integrada a coalizões internacionais e dotada de um vetor de ataque capaz de enfrentar ameaças modernas com eficácia. Esse episódio reforçou a relevância estratégica do A-1 AMX para o processo de modernização da aviação de caça brasileira e para a evolução de sua doutrina tática contemporânea.
Além de seu emprego nos três grupos de aviação destinados a missões de ataque e reconhecimento tático, uma das células do Embraer A-1A AMX foi incorporada ao Grupo de Ensaios em Voo (GEEV), unidade sediada no Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos. Essa aeronave desempenhou um papel essencial no ensaio, certificação e homologação de sistemas de armas, contribuindo diretamente para o amadurecimento operacional da frota e para o desenvolvimento de novas capacidades nacionais. As aeronaves destinadas à Força Aérea Brasileira (FAB) foram produzidas em três lotes distintos, o que resultou na formação de uma frota com baixo grau de padronização entre sistemas, equipamentos e componentes estruturais. Esse cenário tornou-se ainda mais complexo com a incorporação gradual de modificações, atualizações e aperfeiçoamentos ao longo da vida útil do programa. Em consequência, emergiram desafios logísticos significativos, especialmente no que diz respeito à gestão de estoques e ao suprimento de peças de reposição. Muitas vezes, itens considerados equivalentes estavam disponíveis apenas em variantes específicas para determinados lotes, exigindo controles rigorosos e elevando os custos de manutenção. Passadas mais de duas décadas desde a concepção original do projeto, um número crescente de componentes havia se tornado obsoleto ou saído de produção, dificultando a manutenção da frota em um padrão satisfatório de disponibilidade. A combinação entre heterogeneidade de sistemas e obsolescência acelerada reforçou a urgência de um programa de revitalização, padronização e atualização tecnológica que devolvesse ao  A-1 AMX níveis adequados de confiabilidade e operacionalidade. Dessa necessidade surgiu o Programa de Modernização do AMX, concebido com o objetivo de mitigar os efeitos da obsolescência, unificar aviônicos e integrar novos sistemas compatíveis com aqueles empregados na modernização dos Northrop F-5EM Tiger II e no recém-introduzido Embraer A-29 ALX. A intenção era estabelecer uma padronização estratégica que facilitasse manutenção, treinamento e interoperabilidade entre diferentes vetores da Força Aérea Brasileira (FAB). O programa foi formalmente instituído em 2003, tendo a Embraer  Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A.  como empresa contratada para liderar todo o processo de modernização. Entretanto, entraves administrativos e negociações no âmbito do governo federal provocaram atrasos significativos, tornando necessária uma renegociação contratual ao final de 2006. Finalmente, em 30 de maio de 2007, a primeira aeronave A-1A AMX selecionada para o programa — pertencente ao segundo lote de produção  pousou nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, interior de São Paulo. Essa célula tornou-se o protótipo de referência para o processo de modernização, simbolizando o encerramento do primeiro ciclo operacional do AMX no Brasil e o início de uma nova fase para a aviação de ataque da Força Aérea Brasileira (FAB), que buscava atualizar-se frente às exigências tecnológicas do século XXI.

Em escala.
Para representar o Embraer AMX A-1A “FAB 5518”, empregamos o excelente kit em resina na escala 1/48 produzido pela Duarte Models, cuja qualidade e nível de detalhamento se equiparam aos dos melhores kits injetados disponíveis no mercado atualmente. Complementamos a montagem com cabides subalares duplos em resina fabricados pela GIIC Models para seu kit do A-1 AMX , além de bombas de emprego geral MK-83 e MK-82 provenientes do conjunto “Aircraft Weapons A”, da Hasegawa. Para a finalização, utilizamos decais produzidos pela FCM Decals, incluídos no antigo set 48/08.
O esquema de cores (FS) descrito a seguir corresponde ao primeiro padrão de pintura adotado pelos Embraer A-1A AMX em 1997, quando empregados pelo 1º/16º Grupo de Aviação – Esquadrão Adelphi. Ao longo dos anos, esse padrão recebeu algumas modificações, entre elas a inclusão de marcações de alta visibilidade em preto nos bordos de ataque. Essa configuração permaneceu vigente até 2003, quando todas as células passaram a ostentar a nova camuflagem tática padronizada pela Força Aérea Brasileira (FAB).

Bibliografia :
Revista ASAS nº 20  AMX na FAB – Claudio Luchesi e Carlos Felipe Operti
Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
História da Força Aérea Brasileira , Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html

D-11000 FNM & Alfa Romeo (VTTNE)

História e Desenvolvimento.
A Alfa Romeo Automobiles S.p.A., tradicional marca italiana, teve suas origens em 24 de junho de 1910, na cidade de Milão. Fundada sob a denominação Anonima Lombarda Fabbrica Automobili (ALFA), a empresa surgiu em um momento de intensa efervescência industrial na Itália do início do século XX. O termo Anonima fazia referência ao modelo societário composto por investidores anônimos, bastante comum no ambiente empresarial europeu da época. Suas operações iniciaram-se nas instalações anteriormente utilizadas pela montadora francesa Automobiles Darracq France, que havia encerrado suas atividades pouco tempo antes. O primeiro automóvel produzido em série pela nova empresa foi o ALFA 24 HP, lançado em 1910 e projetado pelo engenheiro Giuseppe Merosi, profissional cuja visão técnica seria determinante para consolidar a reputação da marca. O modelo distinguiu-se por sua robustez mecânica e desempenho superior, marcando o início de uma tradição voltada à inovação e à qualidade. Em 1911, a jovem montadora ingressou oficialmente no universo do automobilismo ao participar da célebre competição Targa Florio, inscrevendo dois exemplares do 24 HP. O desempenho convincente dos veículos reforçou a imagem da ALFA como fabricante de máquinas potentes e confiáveis, contribuindo para a construção de uma identidade profundamente ligada ao espírito esportivo e ao design refinado — características que se tornariam pilares da marca nas décadas seguintes. A trajetória da empresa tomaria novo rumo em agosto de 1915, quando o empresário napolitano Nicola Romeo assumiu sua administração. Diante das demandas impostas pela Primeira Guerra Mundial, a produção automotiva foi reorientada para atender ao esforço militar italiano. A fábrica passou então a dedicar-se à fabricação de equipamentos bélicos, motores e veículos para uso militar, promovendo uma diversificação forçada, porém estratégica. A partir dessa fase, a companhia adotaria definitivamente o nome Alfa Romeo. Entretanto, o período pós-guerra revelou-se desafiador. A empresa enfrentou sérias dificuldades financeiras, agravadas pela instabilidade econômica da década de 1920. A crise culminou, em 1932, na absorção da Alfa Romeo pelo Instituto per la Ricostruzione Industriale (IRI), órgão estatal criado para reorganizar setores essenciais da indústria italiana. Sob direção do IRI, a montadora expandiu suas atividades, incorporando à sua linha de produção caminhões, ônibus e diversos componentes militares, demonstrando grande capacidade de adaptação às necessidades nacionais em tempos de reconstrução. Após a Segunda Guerra Mundial, a Alfa Romeo direcionou seus esforços para a fabricação de carros populares, medida necessária para estabilizar suas finanças e reconstruir sua posição no mercado. O êxito dessa estratégia permitiu que a empresa retomasse gradualmente a produção de veículos comerciais de pequena e média tonelagem. No início da década de 1950, a Alfa Romeo consolidou-se como uma das fabricantes mais respeitadas da Europa Ocidental, reconhecida pela combinação de robustez mecânica, soluções inovadoras e elevado padrão de engenharia. Essa trajetória se conectaria diretamente à história industrial do Brasil por meio da Fábrica Nacional de Motores (FNM). 

Fundada em 13 de junho de 1942, em Duque de Caxias (RJ), a FNM nasceu com a missão estratégica de produzir motores aeronáuticos para apoiar o esforço aliado durante a Segunda Guerra Mundial. Com o término do conflito, em 1945, a empresa buscou novas áreas de atuação, redirecionando-se para a produção de caminhões e veículos pesados. Esse cenário eliminou as perspectivas de exportação de motores aeronáuticos, principal objetivo inicial da estatal, levando a uma crise prolongada caracterizada por: Falta de propósito claro para a continuidade das operações, e  necessidade de reorientação das linhas de produção para novos produtos. Diante da crise, a FNM buscou alternativas para suas linhas de produção, explorando diferentes projetos: Montagem de Jipes Willys-MB: Proposta para diversificar a produção com veículos leves. Caminhões Pesados Mack: Planejamento para a fabricação de caminhões de maior porte e por fim: Fornecimento de Tratores:  Contrato com o Ministério da Agricultura para a produção de 10.000 tratores, denominados MSTM. Os projetos enfrentaram significativos atrasos devido a desentendimentos entre a diretoria da FNM e membros do governo, resultando no cancelamento das iniciativas. Essa falta de alinhamento comprometeu o cronograma e aprofundou as dificuldades da estatal.  Nesse contexto de incertezas, um novo caminho começou a se delinear em janeiro de 1949, quando a FNM assinou um contrato com a montadora italiana Isotta Fraschini, tradicional fabricante de veículos de luxo. O acordo previa a nacionalização progressiva e a fabricação em território brasileiro de sua linha de caminhões. Embora representasse uma oportunidade estratégica de reestruturação, a parceria carregava riscos consideráveis: a Isotta Fraschini encontrava-se em grave crise financeira desde o pós-guerra. A empresa italiana, que havia perdido grande parte de sua capacidade produtiva durante o conflito, sobrevivia apoiada em apenas dois modelos de caminhões. Em concordata desde fevereiro de 1948, a montadora acabou por decretar falência em setembro de 1949, colocando em risco todo o empreendimento conjunto. Apesar dessas dificuldades, o projeto teve continuidade, graças ao empenho brasileiro em consolidar sua nascente indústria automobilística. O resultado desse esforço foi o lançamento do Isotta D.80, oficialmente rebatizado no Brasil como FNM D-7300, o primeiro caminhão fabricado em território nacional. Suas principais características técnicas incluíam: Capacidade de carga: 7 toneladas; Motor: Diesel de injeção direta, 6 cilindros, 7,3 litros, desenvolvendo 100 cv;  Transmissão: Caixa manual de cinco marchas e Freios: Sistema pneumático. O modelo destacava-se pela arquitetura diesel — uma inovação frente aos caminhões médios a gasolina, majoritariamente importados dos Estados Unidos e predominantes no país à época. A produção inicial previa 200 unidades, cada qual com mais de 30% de componentes nacionais, em consonância com a política de nacionalização do período. A entrega deveria ocorrer ao longo de dois anos, representando um marco histórico para a industrialização brasileira e para a própria FNM.
A falência da montadora Isotta Fraschini, em 1949, encerrou abruptamente o primeiro grande projeto de industrialização automobilística da Fábrica Nacional de Motores (FNM). Contudo, em vez de representar um retrocesso definitivo, esse episódio abriu caminho para novas articulações diplomáticas entre os governos do Brasil e da Itália. Como resultado dessas negociações, estabeleceu-se uma parceria estratégica com a estatal Alfa Romeo Automobiles S.p.A., que viria a redefinir os rumos da indústria automotiva nacional. Apesar de entraves administrativos e burocráticos que marcaram seus primeiros anos, o acordo trouxe bases tecnológicas e industriais robustas. Ele previu o fornecimento de lotes de 1.000 chassis para caminhões e ônibus, destinados à montagem no Brasil, combinando a expertise mecânica e de engenharia da Alfa Romeo com a capacidade instalada da FNM. Essa colaboração tinha como objetivo garantir a produção de veículos adequados às condições brasileiras, contribuindo simultaneamente para a expansão industrial e para a integração territorial do país — missão na qual o caminhão “Fenemê” se tornaria um verdadeiro ícone. A montagem inicial começou em 1952, utilizando cabines importadas diretamente da Alfa Romeo. A montadora italiana chegou a desenvolver um protótipo de cabine de linhas mais retas, pensado especialmente para o mercado brasileiro; entretanto, o modelo não chegou a ser adotado na produção seriada. O primeiro caminhão produzido foi o FNM D-9500, com as seguintes especificações: Capacidade de Carga: 8,1 toneladas (ou 14,0 toneladas com reboque). Motor: Diesel com injeção direta, 130 cv. Transmissão: Oito marchas à frente e duas a ré. Eixo Traseiro: Dupla redução Freios: Pneumáticos. Durante o primeiro ano de fabricação, todos os componentes do modelo eram integralmente importados, evidenciando a dependência inicial de tecnologia externa. Contudo, a partir de 1952, a FNM implementou um estruturado programa de nacionalização, que não apenas reduziu custos, mas também fortaleceu o nascente parque industrial brasileiro. O processo foi estruturado em etapas: 1953: Início da estampagem de uma nova cabine e utilização de componentes nacionais, como pneus e baterias. 1954: Incorporação de molas, radiador, rodas, tambores de freio, tanque de combustível e sistema de exaustão. Meta de 45% de conteúdo nacional, com projeção de alcançar 55% com a produção local de eixos e sistema de direção. 1955: Produção do primeiro chassi brasileiro, com a FNM superando a marca de 2.400 veículos fabricados.  O rápido fortalecimento industrial refletiu-se no mercado. Já em 1956, a frota de caminhões FNM em circulação no Brasil ultrapassava a soma das frotas dos veículos Mercedes-Benz e Volvo — ambos ainda importados. Essa ascensão demonstrou a ampla aceitação do “Fenemê”, admirado por sua robustez, durabilidade e capacidade de enfrentar longas distâncias em estradas frequentemente precárias. Nesse mesmo período, a FNM lançou a cabine leito, equipada com dois pequenos beliches, proporcionando conforto adicional para motoristas que enfrentavam viagens extensas pelo interior do país. A inovação respondia diretamente às demandas crescentes do transporte rodoviário, que se expandia em ritmo acelerado no Brasil da década de 1950. A parceria estabelecida entre a FNM e a Alfa Romeo em 1949 consolidou-se como um dos marcos mais significativos da industrialização automobilística brasileira. O caminhão FNM D-9500, aliado a um bem-sucedido processo de nacionalização, não apenas superou os desafios iniciais como projetou a estatal brasileira à liderança do mercado nacional de caminhões. 

Mais do que um veículo, o “Fenemê” tornou-se símbolo de desenvolvimento, modernização e integração territorial em um país que avançava rumo à industrialização. Em 1957, a FNM introduziu o modelo D-11000, que manteve o mesmo desenho de cabine e carroceria do antecessor D-9500, mas trouxe melhorias significativas: Motor: Diesel de 6 cilindros, 11 litros, 150 cv, com bloco e três cabeçotes de alumínio. Capacidade de Carga: 9,1 toneladas (ou 18 toneladas com reboque). Opções de Configuração: Três distâncias entre eixos disponíveis. Nacionalização: Conteúdo local superior a 82%. Campanha Publicitária: Sob o slogan “Montanha comigo é festa!”, destacou o desempenho robusto em terrenos desafiadores. O D-11000 alcançou grande aceitação, com quase 4.000 unidades produzidas em 1958 na planta de Duque de Caxias, RJ, consolidando-se como um sucesso comercial. Uma falha crítica no processo de fundição do bloco do motor causou o vazamento de líquido de arrefecimento para o cárter, contaminando o óleo e podendo levar à falha total do motor. Popularmente chamada de “barriga d’água”, essa questão comprometeu temporariamente a reputação do modelo. A FNM respondeu rapidamente com uma campanha de substituição dos motores defeituosos, restaurando a confiança do mercado na robustez do D-11000. Os caminhões FNM D-11000 desempenharam um papel crucial em projetos de infraestrutura no Brasil, incluindo: Construção de Brasília, inaugurada em 1960. Abertura de rodovias estratégicas, como a Belém-Brasília e a Transamazônica. Essa participação reforçou a imagem do “Fenemê” como símbolo do progresso e da industrialização brasileira. Em 1960, a Fábrica Nacional de Motores (FNM)expandiu seu portfólio com a produção do automóvel 2000 JK, fabricado sob licença da Alfa Romeo. No mesmo ano, os caminhões D-11000 receberam uma reestilização, com mudanças no grupo óptico e melhorias no design. Em 1962, a FNM iniciou a usinagem local de motores, marcando um avanço tecnológico significativo e preparando a empresa para novos desenvolvimentos. Em 1964, a FNM introduziu a série de caminhões “V”, composta pelos modelos: V-6 (chassi curto);  V-5 (chassi médio); V-4 (chassi longo) e V-2 (chassi super longo). Estes apresentariam inovações, como  opção de direção assistida hidráulica, novos bancos e acabamento interior aprimorado, alcançariam ainda  97% de conteúdo local, refletindo o avanço da indústria nacional. Apesar dessas melhorias, os caminhões FNM começaram a perder competitividade frente a modelos mais modernos da Mercedes-Benz e Scania-Vabis, impactando diretamente suas vendas. Em 1967, as vendas da FNM caíram drasticamente, com apenas 1.000 caminhões comercializados, refletindo a defasagem tecnológica dos modelos. Em resposta, a FNM anunciou o desenvolvimento de uma cabine modernizada, designada comercialmente como “Futurama”, com produção planejada para o segundo semestre de 1968. No entanto, o  projeto não avançou além da fase de protótipo e foi cancelado. As atualizações introduzidas limitaram-se a um novo painel de instrumentos e à opção de um terceiro eixo de fábrica, insuficientes para reverter o declínio.
Durante o período do governo militar, a Fábrica Nacional de Motores (FNM) atravessou uma fase marcada por profundas indefinições estratégicas. Dentro da administração federal, formaram-se duas correntes distintas: uma defendia a recuperação e modernização da estatal, argumentando que sua preservação era essencial para a autonomia industrial brasileira; a outra, que acabaria prevalecendo, advogava pela alienação da empresa, considerando-a onerosa e pouco competitiva frente ao avanço das montadoras estrangeiras instaladas no país. Assim, em 1967, a FNM foi oficialmente colocada à venda, atraindo o interesse de diversas fabricantes internacionais. Entre as propostas apresentadas destacaram-se: Citroën e Renault, que vislumbravam a cooperação técnica para a produção de automóveis de passeio e veículos utilitários; Alfa Romeo Automobiles S.p.A., que apresentou a proposta mais consistente e abrangente, assumindo integralmente a operação da FNM em 1968. A escolha pela Alfa Romeo surpreendeu parte do mercado automotivo, sobretudo porque a montadora italiana havia encerrado a produção de caminhões em seu país de origem em 1964. Ainda assim, sua tradição em engenharia mecânica e sua experiência prévia com a própria FNM tornaram a aquisição estratégica e, de certo modo, coerente com os interesses brasileiros. Em 1972, já sob controle italiano, a FNM lançaria seu último grande modelo de caminhão pesado, cuja cabine derivava do Alfa Romeo Mille, produzido na Itália entre 1958 e 1964. O ferramental de estampagem do modelo foi transferido diretamente da matriz, reduzindo custos industriais e acelerando o processo de nacionalização. As principais características incluíam: Cabine: Fixada ao chassi com componentes elásticos, equipada com ventilação forçada e aquecimento. O ferramental de estampagem foi transferido da matriz italiana, reduzindo custos de produção. Modelos: FNM 180 com motor diesel  de 11 litros, 180 cv de potencia, disposta nas configurações de três opções de entre-eixos, com terceiro eixo opcional.  FNM 210 com motor diesel de 11 litros, 215 cv de potencia, disponível apenas como cavalo mecânico, com transmissão reduzida. Em 1973, a Fiat Automóveis adquiriu 43% das ações da Alfa Romeo na Itália, assumindo o controle acionário total três anos depois, em 1976. No Brasil, essa transição impactou diretamente a FNM: Em 1977, a razão social da operação brasileira foi alterada para Fiat Diesel S/A. A produção de caminhões continuou sob a nova administração, mantendo a herança da linha FNM-Alfa Romeo. A produção de caminhões na planta de Duque de Caxias continuou até 1985, quando a Fiat Diesel S/A encerrou a fabricação da linhagem iniciada pela FNM. Após 36 anos de operação e a produção de aproximadamente 78.000 caminhões, o último veículo da linha “FNM-Alfa-Fiat” deixou a linha de montagem, marcando o fim de uma era na indústria automotiva brasileira. A trajetória da FNM, com sua linhagem de caminhões “Fenemê”, permanece como um marco histórico da industrialização e do desenvolvimento do setor automotivo no Brasil.

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
Durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Franklin D. Roosevelt, observava com preocupação a possibilidade de que as forças do Eixo estendessem o conflito ao continente americano. Em um cenário de crescente tensão geopolítica, Washington buscou fortalecer suas alianças no hemisfério ocidental. Nesse contexto, o Brasil assumiu papel central, tanto pela sua posição estratégica no Atlântico Sul quanto pelo potencial de cooperação militar. A aproximação entre os dois países consolidou-se por meio de uma ampla agenda de cooperação. Em troca do engajamento brasileiro no esforço de guerra aliado, o governo norte-americano ofereceu ao Brasil uma série de vantagens estratégicas, que incluíam: • Acordos bilaterais de comércio: ampliando e fortalecendo a inserção econômica do Brasil no mercado norte-americano • Acesso ao programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos): por meio do qual o Brasil obteve uma linha de crédito de aproximadamente US$ 100 milhões, destinada à aquisição de equipamentos militares modernos — armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate. Entre 1942 e 1945, como resultado direto dessa cooperação, o Exército Brasileiro recebeu mais de 5.000 caminhões militares, distribuídos entre diversos modelos, como GMC CCKW, Diamond T, White-Corbitt Cargo, Ward La France, Chevrolet Série G e Studebaker US6G. Essa frota representou um salto significativo na mobilidade terrestre, permitindo à Força Terrestre aprimorar sua capacidade de transporte de tropas, suprimentos e equipamentos. Com o fim do conflito, entretanto, surgiram novos desafios. Durante a década de 1950, os caminhões adquiridos no período de guerra começaram a apresentar sérios problemas operacionais, decorrentes de: • Desgaste natural: resultado do emprego intensivo durante o conflito e da continuidade de uso no período pós-guerra. • Dificuldade de manutenção: a paralisação da produção desses modelos nos Estados Unidos tornou cada vez mais complexa e dispendiosa a obtenção de peças de reposição. A combinação desses fatores gerou forte preocupação no alto comando do Exército. A perda progressiva da capacidade de transporte ameaçava diretamente a prontidão operacional, considerada vital para a defesa do território nacional em plena Guerra Fria. Tornou-se evidente que medidas emergenciais precisariam ser adotadas para garantir a continuidade das atividades logísticas. A substituição completa da frota por veículos modernos, como os norte-americanos REO M-34 e M-35 (4×4 e 6×6), surgia como alternativa ideal. Contudo, o elevado custo desses equipamentos ultrapassava as possibilidades orçamentárias do Exército Brasileiro naquele momento. Diante desse cenário, estudos internos apontaram para uma estratégia mais pragmática e dividida em três frentes complementares: Aquisição limitada de caminhões modernos: compra de um número reduzido de viaturas REO M-34, destinadas a suprir demandas críticas e emergenciais. Repotencialização das frotas existentes: projetos de modernização e remotorizaçao dos GMC CCKW e Studebaker US6G, prolongando sua vida útil por meio de reformas estruturais e mecânicas. Adoção de caminhões comerciais militarizados: utilização de veículos civis adaptados para missões secundárias, oferecendo uma solução mais econômica e rápida para recompor a capacidade logística. 

Apesar das alternativas discutidas à época, o Exército Brasileiro continuava a enfrentar desafios significativos para preservar sua capacidade operacional, especialmente diante do crescente processo de obsolescência de sua frota de caminhões militares recebidos durante a Segunda Guerra Mundial. Para restaurar a eficiência logística da Força Terrestre, três caminhos principais foram analisados: a aquisição de novos caminhões militares, a repotencialização dos veículos remanescentes e a adoção de caminhões comerciais convertidos para uso militar. Entretanto, os estudos voltados à modernização dos modelos GMC CCKW e Studebaker US6G foram logo abandonados. Dois fatores foram decisivos para esse desfecho: Alto custo de implementação: Os investimentos necessários ultrapassavam de forma significativa as possibilidades orçamentárias do Exército. Falta de expertise técnica: O país ainda não possuía experiência suficiente para conduzir um programa de modernização de grande porte, envolvendo milhares de veículos e profunda reengenharia mecânica. Com o cancelamento dessa iniciativa, intensificou-se a necessidade de ampliar a estratégia de aquisição de caminhões comerciais militarizados, que passariam a atuar como complemento à frota militar de origem norte-americana — composta majoritariamente por veículos 6×6 destinados a operações fora de estrada. A intenção era clara: liberar os caminhões táticos para missões de campanha e empregar os novos veículos comerciais em tarefas logísticas secundárias, como o transporte urbano e rodoviário, onde se demandava menor esforço mecânico. No contexto de fortalecimento da jovem indústria automotiva brasileira durante a década de 1950, o Ministério do Exército decidiu priorizar a aquisição de veículos produzidos no país. Entre as empresas nacionais, a Fábrica Nacional de Motores (FNM) despontava como uma das principais fornecedoras de caminhões médios, oferecendo dois modelos de destaque: o FNM D-9500 e o FNM D-11000. Após análises técnicas e operacionais, o FNM D-11000 foi selecionado como a plataforma mais adequada para o processo de militarização. O modelo apresentava robustez e confiabilidade superiores, consideradas essenciais para atender, ao menos em teoria, aos padrões exigidos pelas operações militares. Projetado para atuar em condições severas, o D-11000 era capaz de transportar cargas pesadas por estradas deficientes, terrenos irregulares e ambientes de infraestrutura limitada — realidade comum no território brasileiro da época. Suas características básicas eram - Chassi reforçado: Construído com sete travessas forjadas em aço de alta resistência, garantindo maior durabilidade e sustentação de cargas elevadas. Capacidade de carga: Até 9,1 toneladas (ou 18 toneladas quando tracionando reboque). Configurações disponíveis: Cavalo mecânico, carga seca, baú, basculante e versões com chassi alongado compatíveis com a instalação de terceiro eixo. Motor: Diesel de 6 cilindros, 11 litros, 150 cv  reconhecido por seu torque elevado e boa confiabilidade. Transmissão: Caixa de oito marchas à frente e duas à ré, proporcionando maior flexibilidade em terrenos acidentados. Sistema de freios: Pneumático, assegurando melhor controle em operações de carga. A combinação entre sua estrutura reforçada, variedade de configurações e facilidade de adaptação fez do FNM D-11000 uma escolha tecnicamente viável para complementar a frota militar. Embora não fosse um caminhão tático no sentido estrito, sua introdução permitiu ao Exército dividir melhor as funções logísticas, garantindo que os veículos militares de maior complexidade permanecessem disponíveis para missões estratégicas e para o emprego em terrenos mais adversos. 
A introdução do FNM D-11000 na frota do Exército Brasileiro marcou um importante capítulo na modernização logística das Forças Armadas durante a segunda metade da década de 1950. As primeiras unidades do modelo 4×2, na versão carga, começaram a ser entregues a partir de 1957, ainda bastante próximas às configurações comerciais produzidas pela Fábrica Nacional de Motores. Contudo, receberam modificações específicas para atender às exigências de militarização impostas pelo Ministério do Exército. Entre as principais adaptações implementadas destacavam-se: Para-choques reforçados: Projetados para suportar impactos e condições severas de operação. Grades de proteção: Instaladas para resguardar componentes sensíveis, sobretudo o conjunto ótico dianteiro. Carroceria em aço de padrão militar: Mais robusta que a versão civil, adequada ao transporte de pessoal e cargas diversas. Coberta de lona: Inspirada nos tradicionais caminhões norte-americanos GMC CCKW 352–353 e Studebaker US6, garantindo proteção contra intempéries e tornando o veículo mais apropriado para operações prolongadas em campo. Com essas modificações, o FNM D-11000 consolidou-se como uma viatura de transporte não especializado, capaz de atender a variadas demandas logísticas em ambientes urbanos, rodoviários e rurais. Sua concepção robusta o tornou particularmente adequado para emprego em unidades como os Batalhões Rodoviários (BRv) e os Batalhões de Engenharia de Construção (BEc), frequentemente responsáveis por operar em regiões remotas e em infraestrutura deficitária. Nos anos seguintes, o desempenho satisfatório do D-11000 levou à celebração de novos contratos entre a FNM e o Exército Brasileiro. Após 1968, com a aquisição da FNM pela Alfa Romeo Automobiles S.p.A., esses acordos passaram a contemplar também modelos derivados da engenharia italiana. O fornecimento atendeu a diferentes ramos das Forças Armadas: Exército Brasileiro: Recebeu caminhões FNM D-11000 e modelos Alfa Romeo, distribuídos por unidades de todo o país, sendo classificados inicialmete como VTNE (Viatura de Transporte Não Especializado). Esses veículos passaram a atuar em conjunto com os recém-adquiridos Mercedes-Benz LP-321 e LP-331, reforçando a renovação da frota logística. Força Aérea Brasileira (FAB) e Marinha do Brasil: Incorporaram unidades dos mesmos modelos, utilizando-as em tarefas de apoio, transporte de suprimentos e movimentação interna de bases e depósitos. Essa ampliação do parque viário permitiu a transição gradual dos veteranos caminhões norte-americanos  como os GMC CCKW, GMC G717 e Studebaker US6 — para funções secundárias. Os novos modelos ofereciam maior disponibilidade mecânica, custos operacionais mais baixos e peças acessíveis, fatores decisivos para a eficiência logística. A adoção do FNM D-11000 representou um avanço substancial na capacidade de mobilidade militar brasileira. Os veículos militarizados proporcionaram: Maior flexibilidade para operações rodoviárias e urbanas. Desoneração da frota 6×6, que pôde ser preservada para missões em terrenos difíceis. Aprimoramento da eficiência logística, apoiado por veículos mais modernos e adequados às condições nacionais.

A ampliação dos contratos firmados entre as Forças Armadas Brasileiras e a Fábrica Nacional de Motores (FNM) posteriormente incorporada pela Alfa Romeo  representou um capítulo importante na modernização da logística militar do país. A cooperação envolveu o Exército Brasileiro, a Força Aérea Brasileira e a Marinha do Brasil, consolidando uma transição gradual para uma frota mais eficiente e alinhada às demandas crescentes de mobilidade e transporte pesado no período pós-guerra.  Seu crescimento industrial e a consolidação tecnológica “Made in Brazil” chamaram a atenção das Forças Armadas, que buscavam reduzir a dependência de equipamentos importados e fortalecer uma base industrial de defesa autônoma.  A partir de 1958, o Exército Brasileiro iniciou a incorporação sistemática de cavalos mecânicos FNM D-9500 e D-11000, veículos amplamente reconhecidos por sua robustez e confiabilidade. Diferentemente de outras viaturas militares, esses modelos não receberam militarização específica; foram entregues exatamente como suas versões comerciais, refletindo a adequação natural do projeto às exigências do serviço pesado. Esses veículos foram distribuídos principalmente aos Regimentos de Carros de Combate (RCC), onde receberam a designação Viatura Trator sob Rodas – Cavalo Mecânico de Emprego Geral (VTTNE). Em conjunto com pranchas de transporte rodoviário fabricadas no Brasil, desempenharam funções essenciais: Transporte de carros de combate, como os CCM M-4 Sherman e CCL M-3 Stuart; Movimentação de veículos blindados VBTP M-113, utilizados em treinamento e deslocamentos administrativos; Apoio logístico em operações que demandavam a mobilização de equipamentos pesados por longas distâncias. Essa capacidade ampliou de forma inédita a mobilidade estratégica do Exército, especialmente em um período no qual as ferrovias brasileiras já mostravam sinais de declínio operacional. A partir de 1962, o Ministério da Aeronáutica (MAer) adquiriu pelo menos vinte unidades do FNM D-9500, destinadas aos Parques de Material Aeronáutico (PAMA) distribuídos pelo território nacional. No âmbito da Força Aérea Brasileira (FAB) , os cavalos mecânicos foram empregados principalmente para: Transporte de aeronaves leves e médias desmontadas, encaminhadas para manutenção profunda; Movimentação de componentes aeroviários volumosos, como asas, seções de fuselagem e conjuntos de empenagem; Suporte logístico aos esquadrões em deslocamentos operacionais. A versatilidade e a robustez do D-9500 provaram-se ideais para operações em pistas auxiliares, áreas de manutenção e trajetos rodoviários de longa distância. Ao longo dos anos 1970 e 1980, o Exército Brasileiro continuou ampliando seu parque de cavalos mecânicos FNM D-9500 e D-11000, agora empregados em uma gama mais ampla de funções: Transporte de carga geral, utilizando carretas de madeira ou baús metálicos; Movimentação de gêneros alimentícios e suprimentos sensíveis, com carretas frigoríficas; Apoio logístico a unidades administrativas, batalhões de engenharia e depósitos regionais; Operações de transporte em ambientes urbanos e rurais, demonstrando elevada confiabilidade mesmo em estradas pouco estruturadas.
Os caminhões FNM D-9500, D-11000 e os modelos subsequentes da Alfa Romeo em suas versões de Viatura de Transporte Não Especializado (VTNE) e Viatura Trator sob Rodas Cavalo Mecânico Emprego Geral (VTTNE). foram amplamente utilizados pelo Exército Brasileiro, especialmente em: Depósitos de Suprimentos: Para armazenamento e distribuição de materiais. Batalhões de Engenharia: Em operações de construção, infraestrutura e transporte de maquinas pesadas como motoniveladoras e tratores. Esses veículos desempenharam funções logísticas essenciais, contribuindo para a mobilidade e eficiência operacional das unidades militares. No final da década de 1970, a obsolescência dos primeiros lotes de caminhões FNM e Alfa Romeo tornou-se evidente, devido à ausência de melhorias técnicas significativas na linha de produtos da montadora. Essa defasagem tecnológica levou as Forças Armadas Brasileiras (Exército, Força Aérea e Marinha) a buscar alternativas mais modernas para atender às demandas logísticas. Os ramos das Forças Armadas intensificaram a aquisição de veículos militarizados, incluindo: Mercedes-Benz L-1111 e L-1213: Modelos robustos e tecnologicamente avançados;  Ford Série F-600: Amplamente utilizados em funções logísticas e  Chevrolet C-60 e D-60: Complementando a frota em diversas aplicações. Esses modelos assumiram funções logísticas primárias, substituindo grande parte da frota envelhecida de caminhões FNM e Alfa Romeo. Apesar da substituição, os caminhões FNM e Alfa Romeo em melhores condições de uso permaneceram em serviço, desempenhando papéis secundários em: Unidades de Apoio e Suprimentos: Especialmente nas organizações de Intendência e Logística do Exército Brasileiro. Operações de Baixa Exigência: Atividades que não demandavam tecnologia avançada. Algumas unidades continuaram ativas por décadas, demonstrando a durabilidade e confiabilidade desses veículos. A introdução de cavalos mecânicos mais modernos e com maior capacidade de carga, produzidos pela Mercedes-Benz do Brasil e Scania-Vabis do Brasil, marcou o fim das aquisições de novos cavalos mecânicos FNM e Alfa Romeo, redesignados como Fiat Modelo 130 após a aquisição da Alfa Romeo pela Fiat em 1976. Esses novos modelos superaram os antecessores em desempenho e eficiência, encerrando a demanda por unidades adicionais da linha FNM/Alfa Romeo. Os caminhões FNM e Alfa Romeo desempenharam um papel crucial na logística do Exército Brasileiro, especialmente em Depósitos de Suprimentos e Batalhões de Engenharia. No entanto, a obsolescência tecnológica no final da década de 1970 levou à substituição por modelos mais modernos, como os Mercedes-Benz, Ford e Chevrolet. Apesar disso, a durabilidade dos caminhões FNM e Alfa Romeo permitiu sua utilização contínua em funções de apoio por décadas, enquanto a concorrência de cavalos mecânicos mais avançados marcou o declínio das aquisições da linha Fiat Modelo 130. 

Em Escala.
Para representarmos o FNM D-11000 Trator sob rodas Cavalo Mecânico Emprego Geral (VTTNE) empregado pelo Exército Brasileiro, empregamos por base, o modelo em die cast produzido pela Axio para a Editora Altaya na escala 1/43. Fizemos toda a customização do modelo original para a versão pretendida de cavalo mecânico, já a carreta friorifica foi toda construída em scratch build em madeira, metal e plasticard , fazendo uso de rodas em resina. Empregamos decais confeccionados pela decais Eletric Products pertencentes ao set "Exército Brasileiro 1942 - 1982".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático do Exército Brasileiro aplicado em todos seus veículos militares desde a Segunda Guerra Mundial até a o final do ano de 1982. Não existem registros que comprovem a aplicação neste modelo do esquema de camuflagem tático de duas cores adotado a partir de 1983 para os veículos de transporte da Força Terrestre. Empregamos tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors.

Bibliografia : 
- Caminhões Brasileiros de Outros Tempos – FMN , editora Altaya
- Alfa Romeu - https://en.wikipedia.org/wiki/Alfa_Romeo
- Veículos Militares Brasileiros – Roberto Pereira de Andrade e José S Fernandes 
- Manual Técnico – Exército Brasileiro 1976
- FNM - www.lexicar.com.br
- Caminhões FNM no Exército - Expedito Carlos S Bastos