SA-16A Grumman Albatroz

História e Desenvolvimento.
Leroy R. Grumman (1895–1982) foi uma figura seminal na história da aviação naval dos Estados Unidos, cuja visão e expertise em engenharia aeronáutica culminaram na fundação da Grumman Aircraft Engineering Corporation, uma das principais fornecedoras de aeronaves para a Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Nascido em 1895, em Huntington, Nova York, Leroy Randle Grumman demonstrou interesse precoce pela engenharia e aviação. Em 1916, ele se graduou em engenharia mecânica pela Cornell University, uma das principais instituições dos Estados Unidos. Após sua graduação, Grumman alistou-se na Reserva Naval da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) durante a Primeira Guerra Mundial, onde suas habilidades técnicas foram rapidamente reconhecidas. Identificado como um talento promissor, ele foi enviado à Universidade Columbia para especialização em motores aeronáuticos, um campo crítico para o desenvolvimento da aviação militar na época. Após concluir sua especialização, Grumman foi transferido para a Naval Air Station Miami, na Flórida, onde recebeu treinamento intensivo como piloto. Graduado como aviador naval, ele permaneceu na unidade como instrutor de voo, capacitando jovens cadetes da Marinha. Sua competência e dedicação o levaram a assumir, posteriormente, o papel de piloto de bombardeio na Aviação Naval, destacando-se pela precisão e habilidade em missões operacionais. O desempenho excepcional de Grumman resultou em sua indicação para o prestigiado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde cursou engenharia aeronáutica. Formado com distinção, ele passou a atuar como piloto de ensaios em voo, uma função estratégica que envolvia testar e receber novas aeronaves para a Aviação Naval. Essa experiência consolidou seu conhecimento técnico e prático, preparando-o para contribuições futuras na indústria aeronáutica. Em março de 1927, Grumman solicitou baixa do serviço militar para ingressar na indústria aeronáutica, assumindo um cargo na Loening Aeronautical Engineering Corporation, uma empresa reconhecida pela produção de aeronaves anfíbias para a US Navy. Como piloto de testes, Grumman participou de ensaios de voo e colaborou no desenvolvimento de projetos de aeronaves anfíbias, adquirindo vasta experiência em design, manutenção e operação de aviões navais. Sua atuação na Loening foi marcada por contribuições significativas para a melhoria de aeronaves, especialmente no que diz respeito à robustez e desempenho em ambientes marítimos. A expertise adquirida na Loening motivou Grumman a empreender. Em 1929, ele fundou a Grumman Aircraft Engineering Corporation, inicialmente uma pequena empresa sediada em Baldwin, Nova York, dedicada à manutenção e revisão de aeronaves anfíbias fabricadas pela Loening, que continuavam em serviço ativo na Marinha dos Estados Unidos (US Navy) As receitas geradas por esses serviços proporcionaram os recursos necessários para que Grumman investisse em projetos próprios, marcando o início de sua trajetória como fabricante de aeronaves. 

Em 1931, a Grumman Aircraft Engineering Corporation, então uma jovem empresa sediada em Long Island, Nova York, alcançou um marco histórico com o voo inaugural do protótipo do Grumman FF-1, um caça naval biplace projetado para operar em porta-aviões. Este evento não apenas marcou o início de uma nova era para a aviação naval, mas também consolidou a reputação da Grumman como uma força inovadora no setor aeronáutico. O Grumman FF-1, apelidado de "Fifi" pelos pilotos da Marinha dos Estados Unidos, foi uma aeronave revolucionária para sua época. Entre suas inovações, destacam-se: Trem de Pouso Retrátil: Uma característica pioneira que reduzia significativamente o arrasto aerodinâmico, permitindo maior velocidade e eficiência. Essa tecnologia, embora hoje comum, era um avanço notável nos anos 1930, quando a maioria das aeronaves ainda utilizava trens de pouso fixos. Construção Robusta: Projetado para suportar as condições adversas das operações em porta-aviões, o FF-1 foi construído com ênfase na durabilidade e na facilidade de manutenção, características essenciais para o ambiente marítimo. O desempenho superior do FF-1 rapidamente chamou a atenção da Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Em 1932, apenas um ano após o voo inaugural, a Grumman assinou seu primeiro contrato de produção em larga escala com a Marinha dos Estados Unidos (US Navy), um marco que lançou a empresa como uma das principais fornecedoras de aeronaves navais. Esse sucesso inicial foi um testemunho da visão de Leroy Grumman, fundador da empresa, cuja experiência prévia na Loening Aeronautical Engineering Corporation moldou o foco em designs robustos e inovadores. Com a gradual recuperação econômica dos Estados Unidos na década de 1930, após a Grande Depressão, a Grumman identificou uma oportunidade de expandir suas operações para o mercado civil. Aproveitando a expertise adquirida com a Loening na construção de aeronaves anfíbias, a empresa voltou seus esforços para o desenvolvimento de aeronaves de pequeno porte, capazes de operar tanto em terra quanto na água. Paralelamente, a Grumman foi abordada por um grupo de influentes empresários de Long Island, incluindo o magnata E. Roland Harriman, que buscavam uma aeronave executiva com alcance suficiente para conectar Long Island a Nova York. Esse pedido resultou no desenvolvimento do Grumman G-21 Goose, um avião anfíbio de luxo projetado para atender às necessidades de transporte executivo. Lançado no mercado civil norte-americano, o G-21 Goose rapidamente se tornou um sucesso comercial. Conhecido como um "iate voador", o Goose foi projetado para atrair a elite de Manhattan, oferecendo conforto e sofisticação. Os modelos iniciais eram equipados com: Capacidade para dois a três passageiros; um pequeno bar a bordo e um banheiro compacto, uma raridade para aeronaves de pequeno porte na época. 
Essas características tornaram o Goose a escolha preferida de milionários e corporações que buscavam um meio de transporte rápido e exclusivo. Além disso, empresas de táxi aéreo também adotaram o Goose, optando por configurações mais simples e econômicas, com interiores menos luxuosos, o que ampliou o acesso à aeronave no mercado.  O sucesso do G-21 Goose no mercado civil logo despertou o interesse de forças militares. Em 1938, a Grumman conquistou um contrato significativo com a Guarda Costeira dos Estados Unidos (USCG) para o fornecimento de 30 aeronaves da versão G-21B Goose. Essa variante militar apresentava modificações específicas, como uma  metralhadora Browning  calibre .30 montada em uma bolha na traseira da aeronave e capacidade para transportar até duas bombas de 45 kg. O êxito da versão G-21B abriu as portas para exportações, com vendas para as forças armadas de Portugal e Canadá. Posteriormente, outras versões do Goose foram adquiridas pelo Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), consolidando a aeronave como um ativo versátil tanto em operações civis quanto militares. O ataque surpresa do Japão às instalações norte-americanas em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, marcou o início das hostilidades entre os Estados Unidos e o Império do Japão, precipitando a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Esse conflito global revelou a necessidade crítica de aeronaves especializadas para missões de busca e salvamento (SAR, do inglês Search and Rescue) no mar, capazes de operar em ambientes desafiadores, tanto em terra quanto na água. Durante o conflito, a ausência de aviões projetados especificamente para essas operações levou as forças armadas norte-americanas a recorrerem a modelos ja em uso, como o pequeno anfíbio Grumman J4F-2 Goose, introduzido em 1937, e o consagrado patrulheiro Consolidated PBY Catalina. Apesar de sua eficácia, essas aeronaves apresentavam limitações em capacidade e alcance, o que motivou a Grumman Aircraft Engineering Corporation a desenvolver uma solução mais robusta e versátil. Em abril de 1944, a empresa iniciou o desenvolvimento de uma nova aeronave anfíbia de maior porte, projetada especificamente para missões de busca e salvamento marítimo (SAR). O objetivo era substituir as aeronaves até então utilizadas, oferecendo maior confiabilidade, capacidade de carga e versatilidade operacional. Inicialmente, o projeto, designado como Grumman G-64, recebeu prioridade máxima devido à urgência das operações de guerra. Contudo, com o avanço rápido do conflito e a perspectiva de seu término iminente, os recursos destinados a diversos projetos aeronáuticos, incluindo o G-64, foram reduzidos sensivelmente. O primeiro protótipo, matriculado como XJR2F-1, equipado com dois motores radiais Wright R-1820-76A de 1.425 HP cada, realizou seu voo inaugural em 24 de outubro de 1947. Mesmo com o atraso causado pelo fim da guerra, o protótipo demonstrou desempenho excepcional, confirmando seu potencial para atender às necessidades das forças armadas. 

A aeronave, posteriormente batizada como Grumman Albatross, rapidamente ganhou a atenção da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), que viu no modelo a oportunidade de incorporar a experiência adquirida durante a Segunda Guerra Mundial em missões de Busca e Salvamento - SAR. As avaliações iniciais do  Grumman Albatross foram tão promissoras que, em 1948, a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) firmou um contrato para a aquisição de 60 aeronaves, designadas SA-16A. A Aviação Naval da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) também reconheceu o valor do modelo, adotando-o sob a designação UF-1. Seu batismo de fogo ocorreria durante a Guerra da Coreia (1950 – 1953), onde as missoes de Busca e Salvamento frequentemente envolviam o resgate de pilotos cujas aeronaves haviam sido abatidas por forças norte-coreanas ou chinesas. O Albatross SA-16A era enviado para localizar e resgatar esses pilotos, muitas vezes em águas próximas à costa coreana ou em áreas remotas da península. Um exemplo notável do uso do Albatross ocorreu em operações no Mar Amarelo, onde pilotos norte-americanos , abatidos durante missões de bombardeio ou reconhecimento, eram localizados e resgatados Em março de 1952, a Guarda Costeira Norte-Americana (USCG) tornou-se o terceiro operador militar do Albatross, encomendando 46 unidades da variante UF-1G. Essas aquisições consolidaram o Albatross como uma aeronave essencial para operações anfíbias, combinando robustez, confiabilidade e capacidade de operar em ambientes marítimos e terrestres. Nos primeiros anos de operação, o SA-16A não contava com sensores dedicados para missões de busca e salvamento, mantendo um design simplificado com o “nariz” original. A partir de 1953, no entanto, as unidades produzidas começaram a incorporar o radar de busca General Electric AN/APS-31A, instalado em um radome proeminente no nariz da aeronave. Esse equipamento revolucionou as capacidades de SAR, permitindo a detecção de alvos em condições adversas. Devido ao sucesso operacional do radar, ele foi retroativamente instalado nas aeronaves já em serviço, definindo o layout característico do Albatross. Após quase uma década de operações, a experiência adquirida com o Albatross revelou a necessidade de melhorias. Em 1956, a Grumman lançou a variante SA-16B, um aprimoramento significativo do modelo original. As principais modificações incluíam o aumento da envergadura, para melhorar a estabilidade e o desempenho em voo; ampliação do estabilizador vertical e horizontal, otimizando o controle em condições adversas e por fim  melhorias gerais na estrutura, aumentando a durabilidade e a capacidade de carga. O protótipo do SA-16B, matriculado como “51-7200”, realizou seu voo inaugural em 15 de janeiro de 1956. As melhorias implementadas atraíram novamente o interesse da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), que adquiriu mais unidades dessa variante, reforçando seu papel em missões de busca e salvamento.
Após quase uma década de operações, a experiência adquirida com o Albatross revelou a necessidade de melhorias. Em 1956, a Grumman lançou a variante SA-16B, um aprimoramento significativo do modelo original. As principais modificações incluíam: Aumento da envergadura, para melhorar a estabilidade e o desempenho em voo; ampliação do estabilizador vertical e horizontal, otimizando o controle em condições adversas; melhorias gerais na estrutura, aumentando a durabilidade e a capacidade de carga. O protótipo do SA-16B, matriculado como “51-7200”, realizou seu voo inaugural em 15 de janeiro de 1956. As melhorias implementadas atraíram novamente o interesse da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), que adquiriu mais unidades dessa variante, reforçando seu papel em missões de busca e salvamento. A expertise da Grumman em aeronaves de patrulha marítima e guerra antissubmarino, acumulada com modelos como o Grumman TBF Avenger, inspirou o desenvolvimento de uma versão especializada do Albatross. Em 1959, surgiu a variante HU-16B/ASW, projetada para missões antissubmarino. O primeiro protótipo dessa versão voou em maio de 1961, equipado com um radar de busca General Electric AN/APS-88, instalado no nariz; um detector de anomalias magnéticas (MAD) na cauda e provisões para armamentos antissubmarino, incluindo torpedos, foguetes não guiados e bombas de profundidade. Embora a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) tenha adotado a variante HU-16B/ASW em escala limitada, a maior parte da produção foi destinada à exportação. A aeronave seria novamente colocada em uma zona de conflagração, durante a maior parte da Guerra do Vietnã entre as décadas de 1960 e 1970, onde operaria como um verdadeiro anjo da guarda das tripulações abatidas em combate sobre a selva e, principalmente, no Golfo de Tonkin. Além das missões para as quais foi projetado, o Grumman Albatroz, devido à sua enorme versatilidade, foi empregado em inúmeras tarefas singulares, como a utilização no gelo, na operação denominada de “Deep Freeze”, quando o mesmo participou da exploração do Continente Antártico, com a incorporação de esquis denominados de “Triphibian Kit”. A aeronave seria substituída na Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), pelos novos Lockheed HC-130 Hercules a partir do início do ano de 1973, com último voo ocorrendo em 13 de julho do mesmo ano com aeronave HU-16 AF Serial No. 51-5282, sendo transladada ao Museu Nacional da Força Aérea dos Estados Unidos, na Base Aérea Wright-Patterson, Ohio. Já junto a Guarda Costeira dos Estados Unidos (U.S. Coast Guard), o UF-1G Albatroz, seria retirado em serviço em março de 1983. O Albatroz continuou a ser empregado no serviço militar de outros países (Brasil, Argentina, Canadá, Chile, República da China, Alemanha, Grécia, Indonésia, Itália, Japão, Malásia, México, Noruega, Paquistão, Peru, Filipinas, Portugal, Espanha e Tailândia), sendo o último aposentado pela Marinha Helênica (Polemikó Naftikó Grécia), somente em 1995. Ao todo entre os anos de 1949 e 1962 seriam produzidas 466 células, com muitas delas se mantendo em condições de voo junto a operadores civis. 

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Em 7 de dezembro de 1944, a cidade de Chicago, nos Estados Unidos, sediou a Conferência Internacional de Aviação Civil, um marco histórico que resultou na assinatura da Convenção sobre Aviação Civil Internacional. Este tratado, ratificado por 54 nações, incluindo o Brasil, estabeleceu as bases do Direito Aeronáutico Internacional, que permanecem em vigor até os dias atuais. A convenção instituiu a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), definiu normas para o uso do espaço aéreo, registro de aeronaves, segurança de voo e os direitos e deveres dos Estados signatários em relação ao transporte aéreo internacional. Este documento apresenta uma análise formal e estruturada da convenção, com ênfase no artigo 25, que trata das missões de busca e salvamento (SAR), e no papel do Brasil em sua implementação. A Convenção sobre Aviação Civil Internacional foi elaborada em um momento crítico da história, durante os estágios finais da Segunda Guerra Mundial. A necessidade de regulamentar o transporte aéreo internacional, que se expandia rapidamente, tornou-se evidente devido ao aumento das operações aéreas civis e militares. A conferência de Chicago, realizada entre 1º de novembro e 7 de dezembro de 1944, reuniu representantes de 54 países com o objetivo de criar um quadro normativo global para a aviação civil. O tratado foi assinado em 7 de dezembro de 1944 e entrou em vigor em 4 de abril de 1947, após a ratificação pelos Estados signatários. A convenção abordou aspectos fundamentais, como: Regulamentação do Espaço Aéreo: Estabelecimento de normas para a soberania e utilização do espaço aéreo nacional. Registro de Aeronaves: Padronização de processos para identificação e certificação de aeronaves. Segurança de Voo: Definição de padrões técnicos e operacionais para garantir a segurança das operações aéreas. Acordos Bilaterais: Introdução do conceito de Acordos Bilaterais de Transporte Aéreo, que regulam o tráfego aéreo entre dois países. Criação da OACI: Estabelecimento da Organização da Aviação Civil Internacional, com sede em Montreal, Canadá, para coordenar e supervisionar a implementação das normas acordadas. O artigo 25 da convenção internacional estabeleceu as diretrizes para o planejamento e execução de missões de Busca e Salvamento (SAR) dentro das áreas geográficas de responsabilidade de cada Estado signatário. Esse artigo determinava que cada país deveria : Prover Assistência: Garantir proteção e assistência a aeronaves em emergências, incluindo aquelas em voos sobre territórios continental, costeiro e marítimo. Coordenar Operações  de Busca e Salvamento - SAR: Organizar e executar operações de busca e salvamento para localizar e resgatar tripulações e passageiros em caso de acidentes ou incidentes aéreos. Cobertura Transoceânica: Assegurar suporte a aeronaves que cruzassem áreas oceânicas, como o Oceano Atlântico, sob a jurisdição do país. No caso do Brasil, o artigo 25 implicava a responsabilidade de prover assistência a aeronaves em emergência em seu extenso território continental, litoral atlântico e áreas marítimas adjacentes, além de apoiar voos transoceânicos que cruzassem o Atlântico Sul.

Em 1944, a Força Aérea Brasileira (FAB), criada em 20 de janeiro de 1941, contava apenas três anos como força independente. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Aeronáutica concentrou seus esforços em missões de patrulhamento costeiro e guerra antissubmarino, particularmente no litoral brasileiro, para proteger a navegação aliada contra submarinos do Eixo. Essas operações limitaram a capacidade inicial da FAB de atender às exigências da convenção, especialmente no que diz respeito às missões SAR. A partir do final de 1945, com o término da Segunda Guerra Mundial, o Brasil iniciou os esforços para cumprir as obrigações estabelecidas pela Convenção sobre Aviação Civil Internacional. A primeira iniciativa prática foi a adaptação de aeronaves de patrulha Consolidated PBY-5A Catalina para missões de busca e salvamento. Embora essas aeronaves fossem originalmente projetadas para patrulhamento marítimo e guerra antissubmarino, elas foram precariamente adaptadas para realizar operações SAR. Em operação estas aeronaves seriam responsáveis por executar buscas com auxílio de radar e orientação visual,  lançar botes salva-vidas e suprimentos para tripulações naufragadas. Neste contexto as aeronaves Consolidated PBY-5/A Catalina, começaram a ser gradualmente retirados das missões de patrulha e guerra antissubmarino (ASW), liberando assim a frota para o atendimento de missões de transporte, ligação e busca e salvamento. Em janeiro de 1946 a Força Aérea Brasileira passaria a dispor de sua primeira aeronave dedicada a este tipo de missão, quando o Consolidated PBY-5A Catalina "FAB 6516" pertencente ao 1º Grupo de Patrulha (1º GpP) sediado na Base Aérea de Belém, no estado do Pará, passou a ser destinado exclusivamente para o emprego em missões de Busca e Salvamento - SAR, com mais células sendo destacadas para esta missão posteriormente. A incapacidade dos PBY-5A Catalina de realizar missões SAR de longo alcance, particularmente sobre o Atlântico Sul e o interior do Brasil, levou o Ministério da Aeronáutica (MAer) a buscar uma solução mais adequada. Em 1950, o MAer solicitou ao Departamento de Estado dos Estados Unidos a cessão de aeronaves com maior autonomia e capacidade para atender às responsabilidades do artigo 25 da convenção. Nesse período, a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) dispunha de um excedente de aeronaves Boeing B-17G Flying Fortress, convertidas para a variante B-17H (posteriormente redesignada SB-17G), projetadas especificamente para missões de busca e salvamento. Em fins de 1950, o governo norte-americano aceitou o pedido brasileiro, iniciando negociações para a transferência de seis aeronaves, com cinco configuradas para missões de busca e salvamento, equipadas com barcos de resgate A-1 e sistemas de comunicação e localização. Por meio da Portaria Ministerial nº 324, de 16 de novembro de 1950, o Ministério da Aeronáutica (MAer) instituiu formalmente o Serviço de Busca e Salvamento (SAR) da Força Aérea Brasileira (FAB). Esse serviço foi estruturado para coordenar operações de resgate de aeronaves em emergência no território brasileiro e em áreas do Atlântico Sul, conforme estipulado no artigo 25 da convenção. 
Nos anos que se seguiram, as operações de busca e salvamento - SAR, ganharam relevância estratégica, consolidando-se como uma doutrina operacional essencial para forças aéreas em todo o mundo. No Brasil, a necessidade de estruturar uma unidade aérea especializada para essas missões tornou-se evidente a partir de meados da década de 1950, refletindo o crescente reconhecimento da importância de salvar vidas em cenários adversos, sejam em terra ou no mar. Esse contexto histórico culminou na criação do Esquadrão Pelicano, uma unidade que marcaria a história da aviação militar brasileira e que teve no Grumman SA-16A Albatross uma de suas principais ferramentas operacionais. Em 6 de dezembro de 1957, por meio da Portaria nº 60/GM2 do Ministério da Aeronáutica, foi criado o Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAV), oficialmente denominado Esquadrão Pelicano. Sediado na Base Aérea de São Paulo (BASP), em Cumbica, Guarulhos, a unidade ficou subordinada operacionalmente ao Comando Costeiro (COMCOS). A missão do Esquadrão Pelicano era clara: realizar operações de busca e salvamento em todo o território nacional, com foco em áreas costeiras e marítimas, onde as condições geográficas e climáticas do Brasil apresentavam desafios únicos. Para cumprir suas atribuições, o Esquadrão Pelicano foi estruturado para operar com uma combinação de aeronaves de asas fixas e rotativas, permitindo flexibilidade e eficiência nas missões. A escolha das aeronaves recaiu sobre opções disponíveis no portfólio militar dos Estados Unidos, acessíveis por meio do Programa de Assistência Militar (MAP, do inglês Military Assistance Program), um acordo bilateral que facilitava a aquisição de equipamentos militares norte-americanos por nações aliadas durante a Guerra Fria. Duas aeronaves foram selecionadas para equipar a unidade, o anfíbio Grumman SA-16A Albatross e o helicóptero Sikorsky H-19D. Em 1958, o Brasil celebrou um acordo com os Estados Unidos para a aquisição de 14 unidades da versão SA-16A, provenientes dos estoques da Força Aérea Americana (USAF). Cada aeronave foi adquirida pelo valor unitário de CR$31.274.352,00, um investimento significativo que refletia a importância estratégica da unidade para a Força Aérea Brasileira (FAB). O treinamento inicial das tripulações foi realizado nos Estados Unidos, sendo que em meados de 1958 a nova Unidade já estava pronta para operar.  Após passarem por revisões nos Estados Unidos, as aeronaves foram transladadas em voo para o Brasil, um processo que demonstrou tanto a confiabilidade do Albatross quanto a competência dos pilotos brasileiros envolvidos na operação. A entrega das primeiras unidades teve início em 8 de agosto de 1958, com as aeronaves sendo incorporadas em esquadrilhas. A chegada do Grumman SA-16A Albatross ao Brasil, com o recebimento das 14 unidades concluído em 11 de março de 1959, marcou o início de uma nova era para as operações de busca e salvamento (SAR, do inglês Search and Rescue) conduzidas pela Força Aérea Brasileira (FAB). Matriculadas com os códigos FAB 6528 a FAB 6541, essas aeronaves anfíbias tornaram-se a espinha dorsal do Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAV), conhecido como Esquadrão Pelicano. Operando a partir da Base Aérea de São Paulo (BASP), em Cumbica, Guarulhos, o Albatross demonstrou, ao longo de sua trajetória, uma capacidade excepcional de salvar vidas em cenários desafiadores, desde o litoral brasileiro até a vasta floresta amazônica, além de contribuir em missões internacionais de assistência humanitária. 

Apenas quatro meses após a chegada da primeira esquadrilha, o Esquadrão Pelicano foi chamado para sua primeira missão real. Em 28 de outubro de 1958, a aeronave SA-16A, matriculada FAB 6534, ostentando a icônica pintura padrão SAR internacional – caracterizada por cores de alta visibilidade, como laranja e amarelo –, realizou uma operação de busca na Região Amazônica. A missão teve como objetivo localizar os sobreviventes de um acidente aéreo ocorrido a três quilômetros do Rio Arinos. Com precisão e eficiência, a tripulação do Albatross identificou o local do acidente e lançou fardos contendo víveres, medicamentos e agasalhos, garantindo a sobrevivência das vítimas até que o resgate pudesse ser concluído com sucesso. Essa operação inaugural destacou a capacidade do SA-16A de operar em ambientes remotos e hostis, consolidando a confiança na aeronave e na recém-criada unidade. Apenas quatro meses após a chegada da primeira esquadrilha, seria realizada a primeira missão real, quando em 28 de outubro de 1958, a aeronave SA-16A matriculada FAB 6534, ostentando a tradicional pintura padrão SAR internacional, efetuaria a primeira missão de busca no Brasil, localizando os sobreviventes de uma aeronave acidentada a três quilômetros do Rio Arinos, na Região Amazônica, ocasião em que lançou fardos de víveres, medicamentos e agasalhos, o que propiciou o posterior resgate com sucesso dos mesmos. Para proporcionar cobertura a todo o território nacional, os pelicanos do 2º/10º GAV passaram a deslocar frações de seu efetivo para pontos estratégicos no país. Assim surgiriam as missões de Alerta-SAR, nas cidades de Campo Grande, Manaus e Belém. Nesta última localidade, seria criado mais que um alerta. Em 08 de outubro de 1959, através da Portaria nº 769-GM3, seria criada a Seção de Busca e Salvamento de Belém (SBS-1), na qual eram mantidas três equipagens completas de pelicanos ao longo do período de um ano, após o qual era efetuada a troca de pessoal. Esta sistemática seria mantida até 1964, quando a escassez de suprimentos para o equipamento aéreo obrigou o cancelamento das atividades da seção, que foi extinta somente em fins do ano de 1970. Desse modo, apesar de os SA-16A operarem a partir da Base Aérea de São Paulo, localizada na cidade de Guarulhos, a sua área de atuação abrangia desde o mar territorial até a grande floresta amazônica, onde, além de missões de Busca e Salvamento - SAR (Search And Rescue) também prestavam apoio aos residentes ribeirinhos, cumprindo missões assistenciais e de transporte. Para os SA-16 não existia mau tempo ou missão impossível e, ao longo dos anos que serviram à Força Aérea Brasileira, ajudaram a salvar muitas vidas, não somente no Brasil, onde destacaram-se no apoio às vítimas das enchentes do Rio Tubarão, em Santa Catarina, e ainda no resgate das vítimas do acidente com o Douglas C-47 FAB 2068, na Região Amazônica, mas também na Argentina, Bolívia, Paraguai e Peru, onde realizaram missões de misericórdia por ocasião de terremotos e de busca de aeronaves acidentadas e desaparecidas. Durante a sua utilização na Força Aérea Brasileira (FAB), os Grumman SA-16A Albatroz foram designados de diferentes modos, a saber: SA-16A (de 1958 a 1959), M-16 (de 1959 a 1964), SA-16 (de 1964 a 1970) e S-16 (de 1970 a 1980). 
O Parque responsável pelas grandes revisões dos SA-16 sempre foi o Parque de Material Aeronáutico de São Paulo – PAMA SP (inicialmente designado como Parque de Aeronáutica de São Paulo – PASP), situado no Campo de Marte, em São Paulo, que realizou inúmeras revisões em toda a frota, assim como várias modernizações em seus equipamentos. Os SA-16A ficaram baseados em Cumbica - Base Aérea de São Paulo de 1958 até janeiro de 1972, quando o 2º/10º Grupo de Aviação, foi transferido para a Base Aérea de Florianópolis. Com a desativação dos Lockheed P-15 Neptune, em setembro de 1976, na Aviação de Patrulha, alguns SA-16A Albatroz foram chamados para realizarem esse tipo de missão, até a chegada P-95 Bandeirulha, em 11 de abril de 1978. Tal missão foi realizada pelo próprio 2º/10º GAV.  Ao ser denunciado o acordo militar Brasil-Estados Unidos, em 11 de março de 1977, o suprimento para estas aeronaves começou a tornar-se crítico. Com o avião já obsoleto para o tipo de missão que deveria realizar, alguns acidentados e outros gradativamente desativados, o IRAN (“Inspection and Repair As Necessary”) das aeronaves foram tornando-se antieconômicos e as peças de uns passaram a ser reutilizadas nos outros, em processo de canibalização, a fim de que o voo não fosse interrompido. Nesse clima, chegou agosto de 1980, quando em solenidade simples, realizada no dia 28, na Base Aérea de Florianópolis – BAFL, as tripulações do 2º/10º GAV realizaram o seu último voo até o Campo de Marte, em São Paulo, onde, após 23 anos de operação e 52.713 horas voadas, o velho guerreiro parou.  Em sua vida operacional na Força Aérea Brasileira, ocorreram quatro acidentes, com perda total, das seguintes aeronaves: 6536 – Porto Alegre, em 22 de abril de 1959, 6541 – Manaus, em 28 de dezembro de 1977, 6539 – Itacajá, MA, em 17 de janeiro de 1979 e o 6540 – Florianópolis, em 13 de março de 1979. Das outras aeronaves da frota, os FAB 6528, 6529, 6532, 6533 e o 6538 foram vendidos como sucata, sendo que os FAB 6530, 6531, 6535 e 6537 foram colocados à venda pelo PAMA SP em 1982, sendo adquiridos por uma empresa da Islândia em 1984, que os deixou estocados no lado civil do Campo de Marte – SP até 1999. O FAB 6534 encontra-se preservado no Museu Aeroespacial – MUSAL, desde fins de 1982. O SA-16A foi substituído na Força Aérea Brasileira pela versão especializada de Busca e Salvamento do versátil  SC-95B “Bandeirante de Busca”, que entrou em operação no 2º/10º GAV em outubro de 1981. A aeronave Grumman SA-16A Albatroz, carrega todo um simbolismo na Força Aérea Brasileira, sendo que no dia 26 de junho é comemorado como o Dia da Aviação de Busca e Salvamento. Naquele dia, no ano de 1967, a tripulação do SA-16 ‘6539’ do 2º/10º GAV, localizou cinco sobreviventes junto aos destroços do avião C-47 ‘2068’, após onze dias de incessantes buscas, nas quais todo o efetivo do Esquadrão “Pelicano” foi engajado, contando ainda com o concurso de outras 33 aeronaves pertencentes a outras unidades. Durante todos esses anos de operação, o Grumman SA-16A Albatroz propiciou que o lema do Esquadrão Pelicano sempre fosse cumprido à risca: “Para que outros possam viver”.

Em Escala.
O kit da Trumpeter na escala 1/48 para o Grumman Albatross é amplamente reconhecido entre os modelistas por sua excelência em termos de qualidade de moldagem e nível de detalhamento. O modelo oferece uma representação precisa das linhas elegantes e robustas do Albatross, com peças bem projetadas que recriam com fidelidade elementos como a fuselagem anfíbia, os motores radiais Wright R-1820-76A e os detalhes da cabine e do interior. No entanto, o kit foi projetado para representar a variante HU-16A, utilizada principalmente pela Aviação Naval dos Estados Unidos (US Navy) e pela Guarda Costeira (USCG), o que exige ajustes para reproduzir a versão SA-16A operada pela Força Aérea Brasileira (FAB). Empregamos decais confeccionados pela FCM Decais presentes no novo set 48/061.

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o terceiro padrão de pintura empregado pelos Grumman SA-16A Albatroz da  Força Aérea Brasileira (FAB), com as aeronaves sendo recebidas a partir de  agosto de 1958 sem portar a faixas de alta visibilidade, com estas sendo implementadas em fins do mesmo ano. Este último esquema seria mantido até a retirada da aeronave do serviço ativo em 1980. Fizemos usos de tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors.
Bibliografia :
- Grumman HU-16 Albatroz  - Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Grumman_HU-16_Albatross
- História da Força Aérea Brasileira , Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Aeronaves Militares Brasileiras  1916 a 2015 – Jackson Flores Junior

AT-33A, TF-33A e T-33 Lockheed

História e Desenvolvimento.
A Lockheed Aircraft Manufacturing Company, uma das mais influentes empresas da indústria aeronáutica norte-americana, teve sua origem em 1912, quando foi fundada pelos irmãos Allan e Malcolm Lockheed, na cidade de San Diego, Califórnia. Em seus primeiros anos de atividade, a empresa concentrou-se no desenvolvimento e na produção de aeronaves de pequeno porte, voltadas principalmente ao turismo aéreo e ao treinamento civil, segmentos que então despontavam como promissores em um mercado ainda em formação. Ao longo das décadas seguintes, a Lockheed experimentou um crescimento progressivo de suas vendas, consolidando-se como um nome respeitado no setor. Contudo, o encerramento da Primeira Guerra Mundial trouxe profundas transformações à indústria aeronáutica mundial. A desmobilização de milhares de aeronaves militares, que passaram a ser ofertadas em grande quantidade ao mercado civil, provocou uma saturação da demanda por novos equipamentos. Esse excedente de aeronaves usadas desencadeou uma crise sem precedentes na comercialização de aviões, afetando de forma severa inúmeros fabricantes. Nesse contexto adverso, diversas empresas não conseguiram manter suas operações, e a própria Lockheed foi levada a encerrar suas atividades. Diante das dificuldades financeiras e da retração do mercado, os irmãos Lockheed optaram por suspender temporariamente o empreendimento aeronáutico, redirecionando seus esforços empresariais para outros setores, como forma de assegurar a continuidade de suas iniciativas profissionais. A retomada ocorreu em 1926, quando Allan Lockheed, em associação com os engenheiros John Northrop, Kenneth Kay e Fred Keeler, fundou um novo empreendimento. Com o apoio de investidores privados, o grupo reuniu os recursos necessários para estabelecer a Lockheed Aircraft Company, que se apoiou na experiência técnica acumulada nos anos anteriores. A tecnologia desenvolvida para o Modelo S-1 serviu de base para o projeto do Lockheed Vega, aeronave que se tornaria o primeiro grande êxito da nova fase da empresa. O Vega alcançou expressivo sucesso comercial, impulsionando a expansão da companhia. Em 1928, a Lockheed transferiu suas instalações para Burbank, Califórnia, e, ao final daquele ano, já registrava um faturamento superior a um milhão de dólares, um marco significativo para a época. Esse crescimento acelerado atraiu o interesse de grandes grupos industriais e financeiros. Em julho de 1929, Fred Keeler, então acionista majoritário, negociou 87% do capital da empresa com a Detroit Aircraft Corporation, viabilizando um ambicioso plano de expansão. Contudo, a eclosão da Grande Depressão, iniciada naquele mesmo ano, impactou dramaticamente a economia mundial e, de forma particular, a indústria aeronáutica. A brusca retração do mercado levou a Lockheed a enfrentar grave insolvência financeira. Em 1932, durante o processo de liquidação judicial, a empresa foi adquirida por um grupo de investidores liderado pelos irmãos Robert e Courtland Gross, em parceria com Walter Varney. Essa aquisição marcou o início de uma nova fase de recuperação e reorganização, caracterizada por uma gestão mais sólida e por uma estratégia voltada à inovação tecnológica. 

Ao longo da década de 1930, a Lockheed reconstruiu sua posição no mercado por meio do desenvolvimento de aeronaves modernas e competitivas, reafirmando sua capacidade de resiliência diante das adversidades. Apesar dos sucessivos desafios enfrentados desde sua fundação, a Lockheed consolidou sua reputação no mercado civil e comercial dos Estados Unidos, especialmente a partir de 1934, com o lançamento bem-sucedido do Lockheed Model 10 Electra e, posteriormente, de seu sucessor, o Lockheed Model 14 Super Electra. Esses modelos não apenas simbolizaram a recuperação financeira da empresa, como também estabeleceram as bases de sua projeção internacional, preparando o caminho para o papel de destaque que a Lockheed desempenharia nas décadas seguintes da história da aviação. No início de 1941, a Lockheed Aircraft Corporation promoveu uma profunda reorientação de suas atividades industriais, em resposta direta ao agravamento do conflito na Europa e à consequente ampliação da demanda por aeronaves militares modernas. A empresa passou a concentrar seus recursos técnicos e produtivos no desenvolvimento e na fabricação de vetores de maior sofisticação, entre os quais se destacavam o bombardeiro de patrulha Lockheed A-28 Hudson e o caça bimotor Lockheed P-38 Lightning, este último destinado a desempenhar papel de destaque nas operações aéreas aliadas. Pouco antes da entrada formal dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, ocorreu uma reorganização significativa das responsabilidades operacionais no teatro doméstico. A Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF) transferiu para a Aviação Naval da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) a condução das missões de guerra antissubmarino ao longo da costa norte-americana, uma medida motivada pela crescente ameaça representada pelos submarinos alemães no Atlântico. Em decorrência dessa decisão, a Marinha buscou rapidamente ampliar e modernizar seus meios aéreos de patrulha marítima, o que implicou a transferência e revisão dos contratos de produção em vigor. Para atender de forma mais adequada às exigências específicas desse novo perfil de missão, as aeronaves A-28 Hudson passaram por uma série de modificações estruturais e funcionais, adaptando-se às necessidades de patrulha, vigilância marítima e ataque antissubmarino. Esse processo evolutivo culminou, a partir do final de 1942, na entrada em serviço do Lockheed-Vega PV-1 Ventura (B-34), seguido, em 1943, pelo Lockheed-Vega PV-2 Harpoon (B-34A), versões mais potentes e com maior autonomia, que ampliaram significativamente a capacidade de patrulha da Marinha norte-americana durante o conflito. Paralelamente, à medida que a guerra avançava, os Estados Unidos passaram a acompanhar com atenção os progressos alemães no campo da propulsão a jato, o que gerou uma percepção clara da necessidade de não ficar atrás nesse novo domínio tecnológico. Como resposta estratégica, o governo norte-americano decidiu concentrar esforços no desenvolvimento de sua primeira aeronave militar a jato. Nesse contexto, em 23 de junho de 1943, foi firmado um contrato com a Lockheed Aircraft Corporation para o desenvolvimento do caça-bombardeiro experimental XP-80 Shooting Star.
O programa XP-80 recebeu prioridade máxima, em razão do cenário de guerra, o que permitiu um ritmo acelerado de desenvolvimento. O primeiro voo do protótipo ocorreu em junho de 1944, menos de um ano após a assinatura do contrato, um feito notável para os padrões da época. Na transição para a produção em série, o projeto sofreu ajustes relevantes em seu grupo propulsor, passando a utilizar o motor turbojato Allison J-33, capaz de gerar 4.600 libras-força (lbf) de empuxo. O desempenho promissor levou à assinatura de um contrato para a produção de 4.930 aeronaves, destinadas à Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF). Entretanto, a capitulação do Japão em agosto de 1945 alterou de forma substancial o panorama estratégico e orçamentário dos Estados Unidos. O fim das hostilidades levou o governo norte-americano a reavaliar seus programas de reequipamento militar, resultando em cortes significativos no volume originalmente contratado para o P-80. Desde a fase conceitual do programa XP-80, a Lockheed já havia considerado a possibilidade de desenvolver uma versão biplace dedicada à instrução e conversão operacional. Contudo, essa iniciativa só se materializou em 1947, quando os índices de acidentes envolvendo o Lockheed P-80 atingiram níveis considerados preocupantes. Diante desse quadro, o comando da recém-criada Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) manifestou apoio formal ao desenvolvimento de uma variante específica para treinamento. Utilizando como base uma célula de P-80C, a equipe de engenharia da Lockheed promoveu uma série de alterações estruturais, entre as quais se destacou a ampliação da fuselagem em aproximadamente 128 centímetros, permitindo a instalação de um segundo assento. Visando compensar o aumento de peso e preservar o desempenho da aeronave, optou-se por reduzir o armamento orgânico, que passou de seis para apenas duas metralhadoras calibre .50, além da substituição dos tanques de combustível auto-vedáveis por células de náilon, solução mais leve e adequada ao papel de instrução. Essas modificações marcaram o passo inicial para a consolidação de uma versão de conversão que se tornaria fundamental na transição dos pilotos para a era do voo a jato. O voo inaugural do primeiro protótipo da nova versão biplace, então designada TP-80C, ocorreu em 22 de março de 1948, marcando um passo decisivo na consolidação da transição da aviação militar norte-americana para a era do jato. Submetida imediatamente a um rigoroso programa de ensaios em voo, a aeronave demonstrou, de forma consistente, que preservava as excelentes qualidades de pilotagem e desempenho da versão monoplace, ao mesmo tempo em que oferecia maior segurança e eficácia no processo de instrução e conversão operacional. Os resultados positivos obtidos durante essa fase de testes levaram à celebração do primeiro contrato de produção, que previa a fabricação de vinte exemplares da nova variante, então oficialmente denominada Lockheed TF-80C Shooting Star. Poucas semanas depois, em 5 de maio de 1948, no contexto de uma ampla reorganização do sistema de designações das aeronaves da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), o modelo passou a ser redesignado como T-33A, denominação pela qual se tornaria mundialmente conhecido.

A introdução operacional do T-33A confirmou plenamente as expectativas iniciais. A aeronave revelou-se extremamente versátil, confiável e de fácil manutenção, características que rapidamente resultaram em novos contratos de produção e em sua ampla difusão no sistema de ensino da USAF. Nesse cenário, o T-33A consolidou-se como o treinador avançado padrão do Air Training Command, sediado na Base Aérea de Randolph, no estado do Texas, desempenhando papel central na formação de sucessivas gerações de pilotos militares. O êxito do projeto extrapolou os limites da Força Aérea. Tanto a Marinha dos Estados Unidos (US Navy) quanto o Corpo de Fuzileiros Navais (U.S. Marine Corps) manifestaram interesse na aeronave, o que levou ao desenvolvimento de uma variante específica para operações navais, designada T-1A Sea Star. Essa versão incorporava reforços estruturais, um trem de pouso mais robusto e um gancho de retenção, permitindo sua operação a partir de porta-aviões, ainda que de forma limitada, ampliando a versatilidade do projeto original. No início da década de 1960, apesar de o T-33A manter elevados índices de confiabilidade, tornou-se evidente o processo de obsolescência tecnológica frente à rápida evolução da aviação a jato. Progressivamente, a aeronave foi substituída nos programas de formação de pilotos pelos novos treinadores básicos Cessna T-37 Tweet e avançados Northrop T-38 Talon, que ofereciam desempenho mais compatível com os caças de segunda geração então em serviço. As células remanescentes dos Lockheed T-33 Thunderbird continuaram, contudo, a desempenhar funções relevantes. Muitas foram transferidas para a Academia da Força Aérea dos Estados Unidos (United States Air Force Academy – USAFA), sediada em Peterson Field, Colorado Springs, onde passaram a ser empregadas em missões de treinamento básico e reboque de alvos para tiro aéreo, permanecendo em operação até 1975, quando foram definitivamente substituídas pelo Northrop T-38 Talon. Processo semelhante ocorreu na Aviação Naval da Marinha dos Estados Unidos, que também desativou seus T-33 em 1975, substituindo-os pelos North American T-2 Buckeye e Douglas TA-4 Skyhawk II. Paralelamente, um número significativo de aeronaves foi transferido para unidades da Guarda Aérea Nacional (National Air Guard), onde desempenharam funções de treinamento e, sobretudo, de alvos aéreos controlados por rádio em exercícios e testes de mísseis ar-ar, recebendo a designação NT-33. Entre 1948 e 1959, a linha de produção do Lockheed T-33 alcançou números verdadeiramente expressivos, refletindo a importância estratégica desse vetor no contexto da Guerra Fria e da consolidação da aviação a jato. Ao todo, foram fabricadas 6.557 células nos Estados Unidos. Paralelamente, o modelo também foi produzido sob licença em outros países: no Canadá, a Canadair construiu 656 aeronaves da variante local CT-133 Silver Star, enquanto, no Japão, a Kawasaki Heavy Industries fabricou 210 unidades, destinadas à Força Aérea de Autodefesa Japonesa, fortalecendo a capacidade de instrução daquele país no pós-guerra
A grande disponibilidade de aeronaves excedentes, sobretudo oriundas das forças armadas norte-americanas, conferiu ao Lockheed T-33 e à sua variante armada AT-33 um papel de destaque no Programa de Assistência Militar dos Estados Unidos (Military Assistance Program – MAP). Nesse contexto, o modelo foi amplamente distribuído a países aliados, tornando-se um dos jatos de treinamento mais difundidos da história. Entre os operadores que receberam o T-33 figuram, entre outros, Alemanha, Bélgica, Bolívia, Brasil, Birmânia, Chile, República da China, Cuba, Colômbia, Dinamarca, República Dominicana, Equador, El Salvador, França, Grécia, Guatemala, Honduras, Irã, Indonésia, Itália, Líbia, México, Holanda, Nicarágua, Paquistão, Noruega, Paraguai, Peru, Filipinas, Portugal, Arábia Saudita, Cingapura, Coreia do Sul, Espanha, Tailândia, Uruguai e Iugoslávia. Adicionalmente, o programa contemplou o fornecimento de 85 exemplares da versão de reconhecimento fotográfico RT-33A, ampliando ainda mais o espectro de missões da aeronave. O baixo custo operacional, aliado à robustez estrutural e à facilidade de manutenção, consolidou o Lockheed AT-33  variante apta tanto ao treinamento avançado quanto ao ataque ao solo  como uma solução particularmente atrativa para missões de apoio aéreo aproximado, especialmente em forças aéreas de pequeno e médio porte. O seu batismo de fogo oficial ocorreu em abril de 1961, durante a Invasão da Baía dos Porcos, quando aeronaves desse tipo, operadas pela Força Aérea Revolucionária de Cuba (FAR), foram empregadas em ações defensivas. Nessas operações, os AT-33 atacaram as forças invasoras da Brigada de Asalto 2506  composta por exilados cubanos anticastristas e apoiada pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), obtendo êxito ao abater dois bombardeiros Douglas A-26 Invader pertencentes aos insurgentes. Mesmo com o avanço tecnológico das décadas seguintes, o T-33 manteve-se em serviço em diversas forças aéreas até o final do século XX, evidenciando a longevidade, a adaptabilidade e a solidez do projeto. Em alguns casos, essas aeronaves passaram por programas de modernização para prolongar sua vida operacional. Um exemplo emblemático foi o processo conduzido entre 2000 e 2001 pela empresa canadense Kelowna Flightcraft, que promoveu um amplo retrofit estrutural e aviônico em 18 aeronaves dos modelos Canadair T-33 Mk-III e Lockheed T-33 SF pertencentes à Força Aérea Boliviana (Fuerza Aérea Boliviana – FAB). Equipadas com uma nova suíte aviônica digital, incluindo displays multifuncionais, essas aeronaves foram redesignadas como “T-33-2000”. As unidades modernizadas continuaram a prestar relevantes serviços operacionais por mais de uma década e meia, até que, em 31 de julho de 2017, as últimas quatro células foram oficialmente retiradas de serviço em uma cerimônia realizada na sede do Grupo Aéreo de Caça-31, na cidade de El Alto. Com 44 anos de operação contínua na Bolívia, essas aeronaves tornaram-se os últimos Lockheed T-33 em serviço militar ativo no mundo, encerrando de forma simbólica e histórica a trajetória de um dos mais bem-sucedidos jatos de treinamento e ataque leve do século XX.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Ao término da Segunda Guerra Mundial, o Ministério da Aeronáutica (MAer) dispunha de um inventário superior a 1.500 aeronaves militares modernas, cuja quase totalidade havia sido incorporada a partir de 1942, no contexto do programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), estabelecido pelos Estados Unidos para apoiar os países aliados. No que se refere à capacidade ofensiva, a Força Aérea Brasileira (FAB)  encontrava-se particularmente bem aparelhada, contando com expressivo número de vetores de primeira linha, entre os quais se destacavam os caças-bombardeiros Republic P-47D Thunderbolt e Curtiss P-40 Warhawk, além das aeronaves de ataque Douglas A-20 Havoc e North American B-25 Mitchell. Essa combinação de meios de combate, somada a aeronaves destinadas a transporte, patrulha marítima e guerra antissubmarino (ASW), conferiu à Força Aérea Brasileira (FAB) uma posição de relevo no cenário continental, consolidando-a como a segunda maior força aérea das Américas e a principal potência aérea do hemisfério sul naquele período. Entretanto, o rápido surgimento e a consolidação dos motores turbojato no pós-guerra introduziram uma profunda transformação no ambiente aeronáutico militar. Em poucos anos, os caças e bombardeiros de ataque equipados com motores a pistão passaram a ser considerados tecnologicamente obsoletos. Paralelamente, a substituição acelerada desses modelos nas linhas de produção internacionais resultou em uma escassez progressiva de peças de reposição, o que impactou negativamente a disponibilidade operacional da frota brasileira. Esse cenário agravava-se pela crescente percepção, entre os aviadores da Força Aérea Brasileira (FAB), de que o país carecia de uma aeronave moderna capaz de colocá-los em condições equivalentes às de algumas nações vizinhas, que já haviam iniciado a operação de caças e aeronaves de ataque a jato. Diante dessas limitações, o governo brasileiro voltou-se para o mercado europeu em busca de uma solução viável. Esse esforço culminou, em novembro de 1952, na assinatura de um contrato para a aquisição dos caças britânicos Gloster Meteor F.8 e de sua versão de treinamento TF.7. A introdução desses vetores representou um marco na história da aviação de caça no Brasil, passando os Meteor a constituir o principal componente das unidades de primeira linha da Força Aérea Brasileira (FAB) ao longo da década de 1950. Paralelamente, a formação de pilotos de caça permaneceu sob responsabilidade do 2º/5º Grupo de Aviação – Esquadrão “Joker” (2º/5º GAv.), que ainda utilizava as últimas células operacionais dos Republic P-47D Thunderbolt. Embora amplamente empregados no treinamento, esses aviões já evidenciavam claras limitações decorrentes do desgaste acumulado. Em dezembro de 1957, o Ministério da Aeronáutica (MAer) determinou a desativação precoce de toda a frota de P-47D, decisão motivada por recorrentes problemas técnicos. Entre os fatores determinantes destacavam-se a fadiga estrutural das células e as crescentes dificuldades para obtenção de peças de reposição no mercado internacional.

Essa decisão, embora necessária sob o ponto de vista da segurança de voo, gerou uma lacuna significativa no processo de formação de pilotos de caça. Como solução emergencial, optou-se pela utilização de algumas unidades da versão de treinamento armado North American AT-6G Texan. Todavia, conforme se antecipava, essa aeronave mostrou-se inadequada para atender às exigências mínimas da formação de pilotos destinados à aviação de caça e ataque, evidenciando a urgência de uma solução mais moderna e alinhada às novas realidades do combate aéreo. Com o propósito de mitigar a lacuna criada na formação de pilotos de caça e ataque, o Ministério da Aeronáutica (MAer) recorreu aos mecanismos previstos no Programa de Assistência Militar dos Estados Unidos (Military Assistance Program – MAP), solicitando ao governo norte-americano a cessão de aeronaves a jato usadas que pudessem substituir os Republic P-47D Thunderbolt nas atividades de instrução avançada e conversão operacional. Ainda ao longo da década de 1950, em um contexto marcado pela Guerra Fria e pela preocupação estratégica dos Estados Unidos em preservar sua influência política e militar na América Latina, o governo norte-americano definiu o Lockheed F-80C Shooting Star como o vetor padrão para substituir os P-47 então em operação em diversos países da região, entre eles México, Chile, Brasil, Equador e Peru. Essa diretriz buscava, simultaneamente, fortalecer a capacidade defensiva dos aliados hemisféricos e padronizar meios e doutrinas operacionais alinhadas aos interesses estratégicos de Washington. No âmbito desse programa, foram cedidas ao Brasil 33 aeronaves usadas do modelo Lockheed F-80C Shooting Star e quatro treinadores bipostos Lockheed T-33A Thunderbird, provenientes dos estoques estratégicos da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). As primeiras aeronaves da versão T-33A-1-LO foram recebidas em 10 de dezembro de 1956, destinando-se originalmente à conversão dos pilotos brasileiros para a operação do F-80C. Esses jatos desempenharam papel relevante no processo de transição tecnológica da orça Aérea Brasileira (FAB), sendo empregados principalmente pelo 2º/5º Grupo de Aviação – Esquadrão “Joker” (2º/5º GAv.), responsável pela formação de pilotos de caça. No início da década de 1960, o Brasil recebeu mais quatro unidades do T-33A-1-LO, transladadas por pilotos militares norte-americanos, às quais se somaram duas células adicionais em 1962, ampliando modestamente a capacidade de instrução a jato da Força Aérea Brasileira (FAB). Paralelamente a esse esforço de modernização, surgiram graves preocupações quanto à integridade estrutural da frota de caças Gloster Meteor F-8 e TF-7 ainda em serviço. Em 1962, a Gloster Aircraft Company encaminhou correspondência aos operadores do modelo, estabelecendo restrições operacionais em função de indícios de desgaste e fadiga estrutural nas células. Um comunicado subsequente determinou a proibição da operação de aeronaves TF-7 com mais de 2.280 horas de voo e de F-8 com mais de 1.750 horas. As limitações tornaram-se ainda mais severas em 24 de abril de 1965, quando o fabricante impôs novas restrições, vedando manobras em configuração limpa que excedesse cargas de –3G a +5G, bem como voos que ultrapassassem 10% do tempo abaixo de 1.000 pés. 
O descumprimento dessas condições poderia acarretar o surgimento de fissuras nas longarinas das asas, comprometendo gravemente a segurança de voo e a integridade estrutural das aeronaves. Diante da gravidade das advertências, as operações dos Gloster Meteor F-8 e TF-7 foram imediatamente suspensas no Brasil, até a realização de inspeções detalhadas por técnicos da Gloster nas aeronaves baseadas em Santa Cruz, Canoas e no Parque de Aeronáutica de São Paulo (PAe-SP). Os resultados dessas avaliações foram preocupantes: um número expressivo de células foi condenado, enquanto outras tiveram sua vida útil limitadamente estendida, em cerca de 50%, mediante a execução de reparos estruturais nas longarinas. Esse quadro representou um impacto severo na capacidade ofensiva e defensiva da Força Aérea Brasileira (FAB), evidenciando as dificuldades enfrentadas pelo país na manutenção de uma frota de caça moderna e operacional em um período de rápidas transformações tecnológicas e restrições orçamentárias. Como medida emergencial para preservar a capacidade de defesa aérea do País, chegou-se a considerar a aquisição direta, junto ao fabricante, de um lote de caças supersônicos Northrop F-5A/B Freedom Fighter. Entretanto, o elevado custo financeiro envolvido nessa operação, aliado às severas restrições orçamentárias então enfrentadas pelo Ministério da Aeronáutica (MAer), acabou por inviabilizar a concretização dessa alternativa no curto prazo. A gravidade do cenário tornou-se ainda mais evidente quando os Lockheed F-80C Shooting Star, responsáveis pela defesa aérea das regiões Norte e Nordeste, passaram a apresentar sérios e recorrentes problemas de manutenção, indicando a proximidade de sua retirada definitiva de serviço. Diante desse quadro crítico, tornava-se imperativo encontrar uma solução rápida, financeiramente viável e tecnicamente adequada para recompor, ao menos de forma parcial, a capacidade operacional da Força Aérea Brasileira (FAB). Essa solução começou a se delinear no final de 1964, por meio de um acordo firmado com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Department of Defense – DoD). O entendimento previa a transferência de 13 células usadas do Lockheed T-33A Thunderbird, aeronaves que, embora concebidas originalmente como treinadores avançados, demonstravam versatilidade suficiente para desempenhar funções secundárias de ataque e defesa aérea. As aeronaves selecionadas foram encaminhadas à ASD Fairchild Corporation, empresa responsável por executar um extenso processo de revisão estrutural e mecânica, abrangendo tanto as células quanto os motores turbojato Allison J-33. O programa incluiu, ainda, a modernização dos painéis de instrumentos e dos sistemas de comunicação, bem como a conversão das aeronaves para a configuração AT-33A-20-LO, destinada a missões de ataque ao solo. Nessa nova configuração, os AT-33 passaram a dispor de dois cabides subalares MA-4, aptos ao emprego de bombas com peso de até 227 kg, além de quatro cabides MA-2A, destinados ao lançamento de foguetes não guiados. As duas primeiras aeronaves convertidas foram inspecionadas por oficiais brasileiros em 14 de agosto de 1965, nas instalações da ASD Fairchild Corporation, em St. Augustine, Flórida.

Até o final de novembro de 1966, todas as aeronaves foram transladadas em voo para o Brasil por pilotos da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Os novos AT-33 foram então destinados ao reaparelhamento emergencial do 1º/14º Grupo de Aviação (1º/14º GAv) – Esquadrão “Pampa”, sediado em Canoas, no Rio Grande do Sul. Essa unidade havia encerrado suas operações com os Gloster Meteor F-8 e TF-7 em 31 de outubro de 1966, em decorrência das severas restrições operacionais impostas pelo fabricante. Dessa forma, a incorporação dos AT-33A representou uma solução de transição fundamental, permitindo à Força Aérea Brasileira (FAB) restabelecer, ainda que de maneira provisória, a operacionalidade da primeira linha de defesa aérea na região Sul do País, em um período marcado por limitações orçamentárias e profundas transformações tecnológicas no campo da aviação militar. Ainda ao longo de 1966, tornou-se progressivamente evidente que a situação operacional dos caças Gloster Meteor F-8 e TF-7 era substancialmente mais grave do que se havia inicialmente estimado. As restrições impostas pelo fabricante, somadas ao avançado grau de fadiga estrutural das células e à escassez de peças de reposição, conduziram de forma inexorável à desativação completa da frota remanescente desses modelos nos meses subsequentes. Diante da persistência das limitações orçamentárias e da consequente inviabilidade de adquirir, em curto prazo, caças supersônicos de nova geração, o Ministério da Aeronáutica (MAer) optou, mais uma vez, por uma solução de caráter transitório. Essa decisão consistiu na incorporação de novas células do Lockheed T-33 Thunderbird, a serem convertidas para a versão de ataque AT-33A-20-LO, de modo a mitigar a perda de capacidade operacional causada pela retirada dos Meteor. Nesse contexto, foi negociada com o governo dos Estados Unidos a transferência de 35 células usadas do T-33, cuja conversão seria novamente conduzida pela ASD Fairchild Corporation. O programa teve início em julho de 1967, contemplando, em sua fase inicial, 12 aeronaves, que foram rapidamente preparadas para o translado ao Brasil. Contudo, os resultados obtidos nesse primeiro lote não atenderam plenamente aos padrões de qualidade exigidos pela FAB, o que levou à contratação de uma segunda empresa para executar a modernização das 23 aeronaves restantes. Apesar dessa medida corretiva, os resultados também se mostraram aquém das expectativas, impondo a necessidade de que a maior parte das unidades passasse por intervenções adicionais no Parque de Aeronáutica do Recife (PqAerRF), onde foram realizados ajustes estruturais e revisões técnicas complementares a fim de garantir condições adequadas de operação. Conforme já mencionado, a introdução da aeronave  à época redesignada como TF-33A  teve início em fevereiro de 1966 junto ao 1º/14º Grupo de Aviação (1º/14º GAv) – Esquadrão “Pampa”. Para viabilizar a conversão inicial de seus pilotos, quatro unidades do T-33A foram temporariamente cedidas pelo 1º/4º Grupo de Aviação (1º/4º GAv) – Esquadrão “Pacau”, em um empréstimo que se estendeu até o final de março daquele ano, quando as primeiras aeronaves convertidas nos Estados Unidos chegaram ao País.
Na sequência, outras unidades de caça iniciaram o processo de transição para o novo vetor, entre elas o 2º/1º Grupo de Aviação de Caça (2º/1º GAvC) – Esquadrão “Pif-Paf” e o 1º/1º Grupo de Aviação de Caça (1º/1º GAvC) – Esquadrão “Jambock”. Este último manteve em operação as últimas células do Gloster Meteor F-8 até o início de 1968, encerrando simbolicamente a era dos primeiros caças a jato da Força Aérea Brasileira (FAB). Paralelamente, o 1º/4º Grupo de Aviação – Esquadrão “Pacau” continuou a desempenhar sua missão primária de formação de novas gerações de pilotos de caça, sem abdicar de sua função secundária como unidade de ataque e defesa aérea das regiões Norte e Nordeste do Brasil. A operação dos treinadores avançados Lockheed TF-33A era encarada como uma solução temporária pelo Ministério da Aeronáutica (MAer) principalmente devido a suas limitações de desempenho para as missões de interceptação e ataque a solo. Nesse contexto, o comando da Aeronáutica prosseguia na busca por uma aeronave de ataque subsônica no mercado internacional, uma vez que restrições orçamentárias inviabilizavam a aquisição de jatos supersônicos. Foram avaliadas diversas opções de aeronaves subsônicas, incluindo o norte-americano McDonnell Douglas A-4KE Skyhawk, o anglo-francês SEPECAT Jaguar e o italiano Fiat G-91 T3. Apesar de se tratar de opções acessíveis em termos econômicos, a escolha derivaria sobre uma quarta alternativa, o jato de treinamento e conversão italiano Aermacchi MB-326GB, que mediante uma parceria firmada entre a empresa estatal Embraer S/A e a Aeronautica Macchi S.p.A. (Aermacchi) seria produzido em série sob licença no Brasil, resultando assim no desenvolvimento do programa EMB-326 AT-26 Xavante. Este modelo preencheria razoavelmente tais requisitos, era um avião que, em função de suas características aerodinâmicas, oferecia uma ampla gama de opções tornando-o ideal para as necessidades. A aeronave podia transportar dois pilotos em tandem (um atrás do outro), além de cargas externas em seis diferentes pontos de fixação sob as asas, com uma capacidade máxima de 2.500 kg. de armamento ou um casulo para reconhecimento fotográfico colocado na asa direita. As primeiras células dessa nova aeronave foram incorporadas à Força Aérea Brasileira (FAB) no final de 1972, sendo destinadas ao 1º/1º Grupo de Aviação de Caça (1º/1º GAvC) – Esquadrão “Jambock” e ao 2º/1º Grupo de Aviação de Caça (2º/1º GAvC) – Esquadrão “Pif-Paf”, onde substituíram os Lockheed TF-33A. No início de 1973, a substituição dos TF-33A também foi implementada no 1º/4º Grupo de Aviação (1º/4º GAv) – Esquadrão “Pacau”. As aeronaves remanescentes foram então concentradas no 1º/14º Grupo de Aviação (1º/14º GAv) – Esquadrão “Pampa”, onde permaneceram em operação até 1975. Nesse ano, os TF-33A foram finalmente desativados, dando lugar aos caças-bombardeiros supersônicos Northrop F-5E Tiger II. Essa transição marcou o encerramento de um ciclo de 19 anos de serviço dos Lockheed TF-33A na Força Aérea Brasileira (FAB).
 
Em Escala.
Para representarmos o Lockheed TF-33A "FAB 4335" utilizamos o kit da Academy na escala 1/48, uma das melhores opções nesta escala para este modelo. Apesar de possuir um detalhamento interno espartano, o kit apresenta uma boa avaliação nos quesitos de facilidade de montagem e injeção das peças. Empregamos decais confeccionados pela FCM Decals presentes no antigo set 48/04.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura empregado pelo 1º/14º GAv - Esquadrão "Pampa", quando do recebimento das primeiras células do modelo Lockheed TF-33A. A exceção de pequenas variações envolvendo detalhes em cores e marcações, este esquema perduraria até a desativação das duas versões em uso no Brasil.

Bibliografia:
Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr
História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha

Ford Série Cargo (VTE-VTNE-CT)

História e Desenvolvimento.
A Ford Motor Company, uma das mais icônicas e prestigiadas montadoras norte-americanas, foi fundada em 16 de junho de 1903, em modestas instalações situadas no subúrbio de Detroit, no estado de Michigan. Liderada pelo engenheiro e visionário Henry Ford, a empresa teve início com um investimento inicial de US$ 28.000, aportados por doze investidores, entre os quais se destacavam os irmãos John e Horace Dodge, que posteriormente deixariam a companhia para fundar a Dodge Motors Company. Este documento apresenta uma análise formal e estruturada da trajetória inicial da Ford, seu impacto na indústria automotiva e o legado de suas inovações. Nos primeiros anos de operação, a Ford Motor Company produzia veículos de forma quase artesanal em sua fábrica localizada na Avenida Mack, em Detroit.  Com o crescimento da demanda, a Ford optou por internalizar a fabricação de componentes críticos, adotando o conceito de integração vertical. Essa estratégia, inovadora para a época, permitiu maior controle sobre a qualidade e os custos de produção, consolidando a eficiência operacional da empresa. A integração vertical tornou-se um modelo funcional e amplamente adotado, contribuindo para a escalabilidade da Ford e sua capacidade de atender a um mercado em rápida expansão. Em 1908, Henry Ford lançou o Ford Modelo T, equipado com o primeiro motor de cabeça de cilindro removível, um marco técnico que elevou os padrões da indústria.  Desde seus primeiros anos, a Ford Motor Company demonstrou uma visão estratégica voltada para o mercado internacional. Em 1904, a empresa estabeleceu sua primeira linha de montagem no exterior, no Canadá, para a produção do Modelo C. Essa iniciativa marcou o início de uma política de parcerias globais, que facilitavam a fabricação local e a adaptação dos veículos às necessidades de diferentes mercados. Desde cedo a empresa buscaria o mercado externo, sempre que possível associando à montagem local dos seus carros. A primeira linha de fabricação no exterior foi instalada em 1904, no Canadá, em 1911 o Modelo T começou a ser produzido na Grã-Bretanha. A expansão da Ford na América Latina teve início na Argentina, onde, em 1913, foi estabelecida uma filial. Contudo, a montagem de veículos nesse país só foi iniciada em 1921. No Brasil, a produção de automóveis Ford começou de forma pioneira em 1918, por meio de uma iniciativa do industrial baiano Antônio Navarro Lucas. Licenciado pela Ford, Lucas passou a montar, em Salvador, Bahia, dez unidades mensais do Modelo T, marcando o Brasil como o primeiro país latino-americano a fabricar veículos da montadora. Reconhecendo o potencial do mercado brasileiro, a diretoria da Ford Motor Company decidiu, em 24 de abril de 1919, criar uma filial no país. Já no início de maio do mesmo ano, foi instalada, na Rua Florêncio de Abreu, no centro de São Paulo, uma unidade que combinava um escritório administrativo e uma linha de montagem para a produção do Modelo T. Essa instalação tornou-se a primeira indústria automobilística do Brasil, um marco histórico para o setor.  A quantidade de veículos aqui montados cresceu rapidamente, obrigando à empresa, até 1921, a mudar mais duas vezes de instalações, sempre no centro de São Paulo.  Nesta última planta, na rua Sólon, bairro do Bom Retiro, com capacidade de produção de quarenta unidades diárias, foi montado em 1923 o primeiro caminhão Ford brasileiro.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Ford priorizou a produção de veículos e componentes para uso militar. Com o fim do conflito, a montadora acelerou sua produção, atingindo, em 1948, uma cadência de 50 a 60 veículos leves por dia. Nesse período, a fábrica passou a montar uma gama diversificada de produtos, incluindo automóveis Ford, Mercury e Lincoln (de origem norte-americana), Anglia e Prefect (de origem britânica), além de veículos comerciais leves, ônibus e caminhões médios e pesados das marcas Ford e Thames. Aproximadamente 1.200 componentes já eram produzidos localmente, por meio da Ford e de cerca de cem fornecedores nacionais, enquanto cabines e carrocerias continuavam a ser importadas e montadas no Brasil. Ao completar 30 anos de operações no Brasil, em abril de 1949, a Ford já havia montado mais de 200 mil veículos. Em 1953, a empresa inaugurou uma moderna fábrica no bairro do Ipiranga, em São Paulo, com capacidade para produzir 125 veículos por dia. Essa unidade representou um salto em termos de infraestrutura e eficiência produtiva. Nesse contexto, o governo federal começou a considerar políticas de incentivo à nacionalização da indústria automotiva, embora planos concretos só fossem formalizados em 1956, com a criação do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA). Em 26 de agosto de 1957 deixaria a linha de montagem o primeiro caminhão Ford nacional o F-600, contando ainda apenas com cerca 40% de conteúdo nacional, em peso. Tratava-se de um modelo convencional, de porte médio (para 6,5 t, entre eixos de 4,37 m) e arquitetura tipicamente norte-americana, com motor V8 a gasolina (4,5 l e 161 cv) e cabine recuada; tinha caixa de quatro marchas e diferencial de duas velocidades, com reduzida de comando elétrico. Dois meses depois foi lançada a picape F-100, para 930 kg, dotada da mesma motorização e igual cabine, porém com três marchas (primeira não sincronizada). Para atender às metas do plano, foram criados os Departamentos de Engenharia do Produto e de Ensaios e Pesquisa (alocados nas antigas instalações do Bom Retiro), construída uma fundição de motores em Osasco (SP), instaladas linhas de usinagem e montagem de motores e ampliada a estamparia do Ipiranga, as três últimas inauguradas em novembro de 1958. Em 1959, a cabine do caminhão e picape foi reestilizada, recebendo novo painel, volante “em cálice” e os para-brisas panorâmicos introduzidos em 1956, nos Estados Unidos. A picape, por sua vez, ganhou caçamba muito mais moderna, com para-lamas integrados, seguindo projeto apenas recentemente adotado na matriz. Para registrar o salto no índice de nacionalização, obtido após a inauguração da fábrica de motores, os emblemas de todos os modelos passaram a vir nas cores verde e amarela.   Em junho daquele mesmo ano seria lançado o caminhão leve F-350 (para 2,7 ton entre eixos de 3,30 m), com a mesma mecânica dos demais (este seria, por muitos anos, o único modelo brasileiro na categoria). No ano seguinte o caminhão médio ganhou a versão F-600-148, com menor entre eixos (3,77 m), próprio para receber carroceria basculante ou quinta roda, com capacidade de tração de 12 toneladas.
Em 1961 foi também o ano em que a Ford brasileira se dobrou à realidade local, que aceleradamente se afastava dos motores a gasolina no transporte de cargas, e lançou seu primeiro veículo diesel. Equipado com motor Perkins de seis cilindros e 125 cv, o F-600 Diesel recebeu poucas modificações com relação ao modelo a gasolina: apenas reforço da suspensão dianteira e substituição do logotipo “V8”, na grade, por outro, nomeando o novo combustível.  Em abril de 1962 o estilo da linha Ford foi mais uma vez alterado, desta vez assumindo o desenho do modelo norte-americano de 1960. A linha de veículos comerciais seria renovada entre os anos de 1968 e 1976, culminando no lançamento do Ford F-7000, incluindo ainda a versão de cavalo mecânico F-8500, para 30,5 t. No início da década de 1980 a empresa alterou a nomenclatura dos caminhões, apresentando seus substitutos: os médios F-11000, 12000 e 13000 (6,5 a 9 t de capacidade líquida) e os semipesados F-19000 e F-21000, com 3º eixo (tipos tandem ou balancim) e 13 e 15 toneladas de capacidade de carga. Equipados com motor MWM de seis cilindros (com opção de Perkins, para os médios), traziam caixa de cinco marchas (1ª não sincronizada) com redução de acionamento elétrico ou pneumático no diferencial e freios pneumáticos (hidráulico a vácuo, no F-11000). Todos tiveram a suspensão revista e ganharam sistema elétrico de 12 V e tanque de combustível cilíndrico de maior capacidade; direção hidráulica e rodas raiadas podiam ser instaladas, como opcional, em alguns modelos.    Na década de 1980, a Ford do Brasil S/A implementou mudanças significativas em sua linha de caminhões, promovendo a substituição dos modelos tradicionais da Série F por novos veículos mais modernos e adaptados às demandas do mercado. Este documento apresenta, de forma estruturada, a evolução da linha de caminhões Ford Série F, destacando as inovações tecnológicas, as atualizações de design e as estratégias comerciais adotadas pela empresa até o início do século XXI. No início dos anos 1980, a Ford do Brasil reformulou a nomenclatura e a oferta de sua linha de caminhões, introduzindo modelos que atendiam aos segmentos médio e semipesado. As principais novidades incluíram: Modelos Médios: F-11000, F-12000 e F-13000 equipados com modernos motores  MWM de seis cilindros, com maior eficiência e durabilidade Opção de motores Perkins para os modelos médios, oferecendo maior flexibilidade aos clientes Transmissão Nova caixa de cinco marchas, com a primeira marcha não sincronizada. Sistema de redução no diferencial, acionado eletricamente ou pneumaticamente, para melhor desempenho em terrenos variados.  A evolução da linha de caminhões Ford Série F no Brasil reflete a capacidade da Ford do Brasil de se adaptar às demandas do mercado e às condições locais. Desde o lançamento do F-600 Diesel em 1961 até a reformulação dos modelos na década de 1980, a empresa implementou inovações tecnológicas e estratégicas que consolidaram sua posição no setor de transporte de cargas. As atualizações em motores, transmissões e design demonstram o compromisso com a eficiência, durabilidade e competitividade no mercado brasileiro.

Na década de 1980, a Ford do Brasil enfrentou um cenário de crescente concorrência no mercado de caminhões, impulsionado principalmente pelos novos modelos da Volkswagen e pela forte presença de marcas como Mercedes-Benz. A Chevrolet, embora concorrente, vinha perdendo participação devido à limitada evolução mecânica de seus veículos, culminando no encerramento de suas operações comerciais no Brasil. Diante desse contexto, a direção da filial brasileira realizou um estudo de viabilidade para a produção local da moderna linha de caminhões Ford Cargo, visando: Ampliar o portfólio com caminhões médios e semipesados, com capacidade de carga entre 11 e 15 toneladas. Complementar a gama existente de caminhões leves e picapes da Série F, destinados a cargas menores. Atender a uma nova demanda de mercado, aumentando o volume de clientes potenciais da divisão de caminhões. A Ford do Brasil buscava lançar um veículo que atendesse a requisitos rigorosos de tecnologia, durabilidade e versatilidade, com potencial para competir globalmente. As principais características do projeto incluíam: Concepção Global: O Ford Cargo foi projetado como um modelo global, com foco na exportação para mercados internacionais, especialmente os Estados Unidos. Cabines: Adoção das cabines do modelo europeu, projetadas pela filial britânica da Ford, reconhecidas por sua qualidade e premiadas internacionalmente desde 1981. Chassi: Utilização de um chassi robusto de origem norte-americana, adaptado às condições brasileiras. Motores: Equipado com motores diesel Ford produzidos localmente, garantindo eficiência e conformidade com as necessidades do mercado. A produção do Ford Cargo no Brasil foi planejada para iniciar em 1985, com uma estimativa de 20.000 unidades anuais, das quais uma alta porcentagem seria destinada à exportação. Para viabilizar o projeto, a Ford implementou: Modernização da Planta Fabril: A unidade do Ipiranga passou por um profundo processo de atualização de suas linhas de produção, preparando-as para fabricar a nova família de caminhões. Testes Pré-Produção: Cinco caminhões protótipos foram cedidos em regime de comodato a empresas de diversos segmentos de transporte. Os resultados desses testes permitiram à equipe de engenharia aprimorar características técnicas e operacionais do veículo. A Ford do Brasil tinha metas ambiciosas para o Ford Cargo, projetando um aumento significativo de sua participação no mercado brasileiro de caminhões com capacidade de até 22 toneladas: Crescimento de Market Share: A empresa previa elevar sua participação de 19% para 29% em dois anos, um objetivo desafiador dado o forte cenário competitivo. Sucesso Comercial: A confiança no sucesso do modelo era respaldada pelo desempenho do Ford Cargo na Europa, onde já havia recebido reconhecimento por sua qualidade. Em 1984, a Ford apresentou os primeiros protótipos do Ford Cargo nacionalizado, marcando um passo estratégico na consolidação de sua oferta no segmento de caminhões médios e semipesados. O início da comercialização, previsto para 1985, foi acompanhado de uma campanha que destacava a robustez, a inovação e a versatilidade do modelo.
Em termos de desing, o modelo apresentava grandes avanços, rompendo com o projeto antiquado das Séries F. A cabine incorporava diversas fabricadas em plástico, diminuindo muito seu peso, dispunha igualmente, do sistema basculante, que proporcionava um acesso simples e fácil a parte mecânica. Além disso, o Cargo seria o primeiro caminhão brasileiro a receber um tratamento contra a oxidação, aplicado por meio e um meto de eletrodeposição. Foram inicialmente lançados oito modelos, entre onze e quinze toneladas, com três opções de motor diesel: MWM aspirado (5,9 litros e 130 cv) e Ford aspirado ou turbo (seis cilindros, sete mancais, 6,6 litros com 140 e 165 cv). Oferecidos em três distâncias entre eixos (3,89, 4,34 e 4,80 m) e configurações 4×2 ou 6×2, totalizando vinte diferentes versões. No final do ano de 1985 seria lançado o primeiro modelo com tração 6X4, o Cargo 2217 de vinte e duas toneladas. Estes caminhões apresentavam uma caixa de cinco marchas com dupla redução no eixo traseiro, freios pneumáticos com duplo circuito (opcionalmente a disco na dianteira para modelos de 11 toneladas) e direção hidráulica com assistência variável. Como opcionais eram fornecidos sistemas de freio motor, pneus radiais sem câmara, vidros verdes, banco tipo leito, banco do motorista com amortecimento, rádio e defletores de ar no teto e sob o para-choque.  No final de 1986, a concretização do acordo de cooperação entre a Ford e a Volkswagen, levaria a implementação de novas diretivas estratégicas, visando a priorização das exportações em detrimento ao mercado interno.  Neste momento melhorias seriam feitas com o objetivo de atender a especificações dos mercados almejados, e assim os modelos destinados ao mercado brasileiro se beneficiariam destas significativas melhorias, dentre elas o aumento da capacidade de carga. Assim a gama de caminhões médios e semipesados da empresa passaria a ser composta pelos modelos 1215 (12 toneladas), 1415 e 1422 (14 toneladas), 1617 e 1622 (16 toneladas). Outra melhoria seria o aumento da potência dos motores Ford de 6,6 litros, com modelo aspirado chegando a 155 cv e turboalimentado desenvolvendo até 182 cv de potência. Em 1990 seria lançado o Cargo 3224, com capacidade de carga de 32 toneladas, unicamente destinando a exportação, no ano seguinte estreariam os novos motores Cummins de 8,3 litros, que chegaram para substituir os próprios da Ford. Neste período o portifólio da montadora estava disposto em nove modelos com capacidades entre 12 e 35 toneladas. Ao longo dos anos seguintes novos modelos seriam lançados no mercado brasileiro, se pautando nas famílias de caminhões Leves 4x2, médios 4x2, semipesados 4x2, 6x2, 8x2 e 6x4, pesados 4x2 e 6x4 e Cavalos mecânicos 4x2 e 6x2. Em 2011 a cabine passou por reestilização, passando a apresentar linhas mais arredondadas em relação à geração lançada em 1985, sendo semelhante ao modelo produzido na Turquia. Infelizmente em 2016, mudanças na estratégia global da montadora determinariam o encerramento da produção de caminhões no Brasil, levando inclusive ao fechamento da planta fabril de São Bernardo do Campo, com os últimos Ford Cargo deixando a linha de produção em meados do ano de 2019. 

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
O processo de mecanização das Forças Armadas Brasileiras teve início na década de 1920, com a aquisição dos primeiros caminhões leves Ford Modelo T pelo Exército Brasileiro e pelas Forças Públicas (atualmente Polícias Militares Estaduais). Esses veículos representaram os primeiros passos na modernização do transporte militar no Brasil, atendendo às necessidades logísticas básicas da época. Durante a década de 1930, a Ford consolidou sua posição como principal fornecedora de veículos para as Forças Armadas Brasileiras, com a incorporação de diversos modelos civis, muitos dos quais montados localmente pelo processo CKD (Completely Knocked Down). Os modelos incluíam: Ford TT; Ford V8 ; Ford 131 ½; Ford Barrel-Nose; Ford 157 ½ e Gigante 937 ½. Posteriormente, a frota foi complementada por modelos como: Ford 1/5T Stake Bed ; Ford Modelos 1938/1940/1941 ; Ford G-540 2G8T/G8T ; Ford G-622; Ford G-917; Ford FK G-700 e Ford YBH2.  Esses veículos formaram a base da capacidade de transporte militar brasileira, desempenhando um papel central nas operações logísticas até o início da década de 1940.  A adesão do Brasil aos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial e a participação no programa norte-americano Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos) proporcionaram acesso a uma nova geração de veículos militares especializados. A partir de 1942, o Brasil recebeu mais de 5.000 caminhões com tração 4x3, 4x4 e 6x6, incluindo: Corbitt 50SD6 G-512; Diamond T 968/969 G-509/980 G-159 ; GMC G-508 CCKW-352/353; Studebaker US6 G-630; GMC 16220 Kodiak; Ward LaFrance G-116 M-1/A1 e G-514 Modelo 666 White Motor. A introdução desses veículos militares modernos marcou uma mudança significativa na composição da frota das Forças Armadas Brasileiras. Os caminhões civis da Ford, previamente adaptados para uso militar, foram redesignados para missões secundárias ou administrativas, com parte do excedente sendo retirada do serviço ativo. O influxo de veículos militares especializados durante a Segunda Guerra Mundial encerrou a liderança de mais de duas décadas da Ford como principal fornecedora de veículos para as Forças Armadas Brasileiras. A transição para uma frota composta por caminhões projetados especificamente para fins militares refletiu as exigências de modernização e as mudanças no contexto estratégico global. Em fins da década de 1950, surgiria a necessidade de substituição de grande parte da frota de caminhões militares recebidos durante a década anterior, que por obsolescência ou falta de peças de peças de reposição começavam a apresentar grandes índices de indisponibilidade.  Este cenário causava extrema preocupação ao comando do Exército Brasileiro, pois afetava perigosamente sua capacidade operacional, gerando assim a necessidade em curto prazo da elaboração de soluções que pudessem atender a esta demanda. Em termos básicos, a solução mais eficaz passava pela aquisição de um número similar de veículos de transporte com tração 4X4 e 6X6, sendo mais indicados os novos caminhões da família REO M-34 e M-35. 

Porém o investimento necessário para uma aquisição deste porte, se apresentava completamente fora da realidade orçamentaria do Exército Brasileiro naquele período. Estudos mais realistas apontavam então para três soluções complementares, sendo a primeira pautada na aquisição de um pequeno número de caminhões militares usados REO M-34 e M-35, a segunda envolvia estudos referentes a possível repotencialização dos caminhões GMC Série CCKW e Studebaker US6G, e pôr fim a terceira focando a adoção de caminhões comerciais militarizados produzido no país para o cumprimento de missões secundárias. A combinação destas três alternativas poderia devolver a Força Terrestre sua operacionalidade.  Infelizmente os estudos referentes a repontencialização dos caminhões GMC CCKW e Studebaker US6G não seriam recomendados, devidos não só, ao alto custo de implantação, bem como a inexistência naquele momento de um corpo técnico de nível adequado para a implementação no país de um programa desta magnitude.  O cancelamento do processo de repotencialização dos caminhões norte-americanos, levaria a necessidade de ampliação das intenções na aquisição de caminhões comerciais militarizados. Pois assim em teoria estes veículos poderiam substituir os caminhões genuinamente militares com tração integral 6X6 em missões básicas de transportes, liberando assim os veículos com tração 6X6 para o emprego em ambientes fora de estrada. Para a materialização deste conceito, seria necessário a aquisição de um grande número de caminhões militarizados produzidos localmente, alternativa esta que sobre esta ótica era extremamente viável devido ao baixo custo de aquisição e operação destes veículos. Buscando fomentar a jovem indústria automotiva nacional o Ministério do Exército optou pela adoção inicial de veículos produzidos pela Fábrica Nacional de Motores - FNM, que mantinha em produção dois modelos de caminhões médios, o FNM D-9500 e o FNM D-11000. No intuito continuar impulsionando a indústria automotiva nacional,  o Governo Federal iniciaria uma série de consultas as empresas visando o fornecimento de mais caminhões para o reequipamento das três forças armadas. Diversas propostas seriam apresentadas pelas montadoras estabelecidas no país, com destaque ao modelo Ford F-600 (com tração 4X2 e 6X2) que acabara de ser lançado no mercado nacional. Nos anos seguintes diversos contratos seriam celebrados para o fornecimento destes veículos a Força Aérea Brasileira e ao Exército Brasileiro, apresentando diversas versões e níveis de militarização. O grande salto se daria em meados da década de 1960, com desenvolvimento de modelos para todo terreno em parceria com a Engesa S/A, e partir deste momento a família de caminhões Ford F-600 passariam a ser o esteio da frota de transporte das Forças Armadas Brasileiras. 
Durante as décadas de 1970 e 1980, as três Forças Armadas Brasileiras (Exército, Marinha e Aeronáutica) adquiriram centenas de caminhões Ford F-600, configurados com diferentes níveis de militarização para atender a uma ampla gama de funções operacionais. Esses veículos estavam disponíveis nas trações 4x2, 4x4 e 6x2, com carrocerias especializadas, incluindo: Carga Seca: Disponível em versões comercial e militar, utilizada para o transporte de suprimentos e equipamentos. Cisterna: Configurada para transporte de combustível ou água, essencial para operações logísticas em campo. Bombeiro: Adaptada para combate a incêndios em instalações militares. Os F-600 desempenharam um papel central nas operações logísticas das Forças Armadas, destacando-se pela versatilidade e robustez em diferentes cenários operacionais. A partir de meados da década de 1980, a frota de caminhões Ford F-600 começou a apresentar sinais de desgaste operacional, resultantes do uso intensivo e da idade avançada dos veículos. Esses fatores evidenciaram a necessidade de modernização da frota militar, com a substituição dos F-600 por modelos mais avançados, capazes de atender às demandas operacionais contemporâneas. Naquele período, a Ford do Brasil S/A enfrentou dificuldades para oferecer um sucessor competitivo para o F-600. A ausência de um modelo moderno em seu portfólio comercial limitou a capacidade da empresa de atender às exigências das Forças Armadas Brasileiras. Essa lacuna comprometeu sua posição como principal fornecedora de caminhões militares, encerrando um ciclo de liderança no fornecimento de veículos para o setor. O vácuo deixado pela Ford abriu espaço para a Mercedes-Benz do Brasil S/A, que implementou uma estratégia eficaz para atender às necessidades de renovação da frota militar. A Mercedes-Benz ofereceu veículos mais modernos, com maior capacidade tecnológica e operacional, conquistando rapidamente a liderança no fornecimento de caminhões médios e pesados, especialmente para o Exército Brasileiro. Os principais modelos fornecidos incluíam: MB L-1111;  MB L-1113;  MB L-1114; MB LG-1519 e MB LG-1819 Esses veículos, entregues em milhares de unidades, estabeleceram a hegemonia da Mercedes-Benz no mercado militar brasileiro. Apesar do declínio no fornecimento de caminhões militares, a Ford do Brasil manteve uma participação limitada no mercado por meio de pequenos contratos. Modelos como o F-6000, F-12000 e F-14000, configurados para transporte especializado, continuaram a ser fornecidos em menor escala, permitindo à empresa uma presença residual no setor. Com o advento do lançamento no Brasil da família Ford Cargo que logo conquistaria grande êxito comercial , a Ford Caminhões apresentaria aos militares brasileiros uma série de propostas de versões de transporte não especializado e especializado. 

A Ford do Brasil enfrentou significativa concorrência no segmento de caminhões militarizados com tração integral, logrando êxito na obtenção de apenas contratos de menor escala. Esses contratos envolveram o fornecimento de modelos Ford Cargo configurados para atender às necessidades logísticas específicas das Forças Armadas, com destaque para: Modelos Cargo 712, 814, 815 e 816: Configuração: Equipados com baú padrão de carga em alumínio. Finalidade: Emprego em Depósitos de Suprimentos (DSup) e Batalhões de Suprimentos (BSup) do Exército Brasileiro. Posteriormente, novos contratos foram firmados para ampliar a frota de caminhões Ford Cargo, com modelos adaptados para diversas funções operacionais: Modelos Cargo 1215, 1217, 1218, 1317 e 1319: Configuração: Equipados com baú comercial; dez unidades configuradas com carroceria de madeira.  Finalidade: Uso no Batalhão de Dobragem, Manutenção de Paraquedas e Suprimento pelo Ar (B DOMPSA). Neste momento a Força Aérea Brasileira passaria a incorporar algumas unidades dos modelos Cargo 815, 816 equipados com baú para uso orgânico das bases aérea e ainda doze Ford Cargo 816S configurados na versão de “Cesta Aérea”,  para manutenção e operações específicas. A partir dos anos seguintes, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira continuaram a incorporar novos modelos da linha Ford Cargo, ampliando a variedade de configurações para atender a diferentes demandas operacionais. Os modelos adquiridos incluíam:  Ford Cargo 1415, 1417, 1418, 1517, 1519, 1615, 1717, 1722, 2218, 2422, 4030, 4031 e 4532 Maxton. Estes seriam dispostos na versões : Oficina móvel (truck baú); Caçamba basculante; Veículo de abastecimento de combustíveis móvel (toco); Suprimento de água (truck pipa) e Transporte urbano de viaturas (cavalinho 4x2). Em 2011, as Forças Armadas Brasileiras intensificaram a modernização de sua frota com a aquisição de cavalos mecânicos : Ford Cargo 1932 Tractor Torqshift  na configuração 4x2 equipados com motores Cummins de 6 cilindros. Este teriam por finalidade tracionar  carretas carga seca e carretas frigorificadas, destinadas aos Batalhões de Suprimentos (BSup) e Ford Cargo 1933 Tractor Torqshift  destinados ao transporte de veículos blindados de transporte de pessoal VBTP M-113, utilizados pelos Batalhões de Infantaria Blindada (BIB), sendo deste último incorporados 30 veículos.  Em 2012, a Marinha do Brasil passou a incorporar unidades da linha Ford Cargo, com foco em modelos adaptados para operações específicas: Modelos Ford Cargo 1215 e 1415 nas configurações de Caçamba basculante (Cargo 1215) e Guindaste (munk) (Cargo 1415). Sendo destinados ao suporte  às operações logísticas e de manutenção da Marinha.
A partir de 2013, o PAC, um programa governamental federal de fomento, facilitou a aquisição de uma quantidade significativa de caminhões Ford Cargo pelas Forças Armadas Brasileiras. Essa iniciativa visava modernizar a frota militar, atendendo às demandas logísticas e operacionais das três Forças (Exército, Marinha e Aeronáutica). Os modelos incorporados incluíam: Cargo 2423, 2425, 2428, 2622, 2623, 2628, 2629, 2932 e 3132,  dispostos em várias versões de carroceria, adaptadas para funções específicas. A Força Aérea Brasileira (FAB) foi uma das principais beneficiadas pelo programa, recebendo aproximadamente 400 caminhões de diversos tipos. Dentre esses, destacam-se: Ford Cargo 2629 (pelo  menos 101 unidades) na configuração de  carroceria baú, com capacidade de carga útil de 8.300 kg. Este seriam destinados ao transporte logístico de material de intendência, conforme especificações técnicas elaboradas pela Divisão de Transporte de Superfície da Diretoria de Engenharia (DIRENG). Neste momento o Exército Brasileiro também integrou modelos Ford Cargo em configurações especializadas, com destaque para as seguintes aquisições: Cargo 2622 (2014), limitando a 20  veículos configurados como  Posto de Comando Móvel. Seriam destinados ao emprego  junto aos Batalhões de Comunicação e Guerra Eletrônica (B Com GE) do Comando da 3ª Divisão de Exército. Cargo 2623 (2021) envolvendo 05 caminhões, na configuração  "Shelter" para  operação do Sistema Transportável de Rastreio de Engenhos em Voo (STREV). Seriam destinados ao  Centro de Avaliações do Exército (CAEx) em atividades de pesquisa, desenvolvimento e avaliação de engenhos de voo. Neste contexto seriam dedicados a avaliação  do míssil tático de cruzeiro Avibras MTC-300 e do foguete guiado SS-40G no contexto do  Programa Estratégico do Exército (Prg EE) Astros 2020. Atualmente, grande parte da frota de caminhões Ford Cargo permanece em serviço ativo nas Forças Armadas Brasileiras, especialmente os veículos adquiridos no século XXI. Esses caminhões, com destaque para o modelo Ford Cargo 2629, configurado como Viatura Especializada Oficina/VTE Caminhão Baú Oficina, devem continuar operando em diversas funções logísticas e especializadas pelas próximas duas décadas, refletindo sua robustez e adequação às necessidades militares. A incorporação de caminhões Ford Cargo por meio do Programa de Aceleração do Crescimento representou um marco significativo na modernização da frota das Forças Armadas Brasileiras. A aquisição de modelos como o Cargo 2629 e 2623, configurados para funções logísticas, de comando e de pesquisa avançada, demonstra a versatilidade e a relevância da linha Ford Cargo no contexto militar. Com uma frota ainda ativa e projetada para operar por décadas, esses veículos continuam a desempenhar um papel essencial nas operações das Forças Armadas, consolidando última contribuição da Ford do Brasil ao setor de defesa.

Em Escala.
Para representarmos o Ford Cargo 1415 Cisterna de Combustível “EB34512”, fizemos uso do modelo em die cast produzido pela Axio para a Editora Altaya, na escala 1/43. Para compormos o veículo empregado pelo Exército Brasileiro, desmontamos todo o veículo retirando a carroceria comercial de madeira, aplicando uma carroceira “tanque de combustível” pertencente a outro modelo da Axio na mesma escala. Foram utilizados decais do conjunto “Forças Armadas do Brasil 1983 a 2002”, produzido pela Decals e Books, originalmente na escala 1/35. Esses decais foram adaptados para a escala 1/43, assegurando a autenticidade das insígnias e identificações militares.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático camuflado em dois tons, empregado na maioria dos veículos em uso no Exército Brasileiro a partir do ano de 1983, porém existem ainda muitos modelos configurados no esquema básico de verde oliva. Já os veículos empregados nas tarefas de Posto de Comando Móvel e Sistema Transportável de Rastreio de Engenhos em Voo (STREV), apresentam um terceiro padrão de pintura. As viaturas em usos pela Força Aérea Brasileira e Marinha do Brasil, ostentam esquemas de pintura pertinentes ao restante da frota destas armas. Empregamos tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors.

Bibliografia :
- Caminhões Brasileiros de Outros Tempos – Ford Cargo, Editora Altaya
- Ford do Brasil – www.ford.com.br 
- Divisão Encouraçada recebe novo Posto de Comando Móvel: www.defesanet.com.br/
- Exército incorpora o sistema STREV por Paulo Roberto Bastos Jr - https://tecnodefesa.com.br/
- Motorização no Exército Brasileiro 1906 a 1941 - Expedito Carlos Stephani Bastos