F-103D Dassault Mirage IIIDBR

História e Desenvolvimento.
Durante a segunda metade da década de 1950, o acirramento das tensões entre os países integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e do Pacto de Varsóvia intensificou de maneira significativa o clima de confronto característico da chamada Guerra Fria. Esse cenário levou as principais potências militares a ampliarem de forma substancial seus investimentos em defesa, tendo como prioridade absoluta o fortalecimento da defesa aérea frente à ameaça de ataques por bombardeiros estratégicos, armados tanto com armamento convencional quanto nuclear. Nesse contexto, o rápido avanço das aeronaves estratégicas  muitas delas já capazes de voar em regime supersônico  impôs a necessidade urgente do desenvolvimento de uma nova geração de caças interceptadores de alto desempenho. O objetivo central desses vetores era claro: negar o espaço aéreo nacional a incursões inimigas, interceptando bombardeiros de alta velocidade antes que pudessem atingir alvos estratégicos. Embora existissem iniciativas de cooperação no âmbito da OTAN, a política de defesa adotada pela França naquele período pautava-se fundamentalmente pela busca da autonomia estratégica. O governo francês defendia a independência no desenvolvimento e na produção de seus principais sistemas de defesa, de modo a evitar dependência tecnológica e política de outras nações, ainda que aliadas. Desde o término da Segunda Guerra Mundial, a Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) encontrava-se equipada majoritariamente com aeronaves de origem norte-americana ou britânica, situação que, além de limitar a autonomia operacional, resultava em crescente defasagem tecnológica. A experiência adquirida durante a Guerra da Indochina (1946–1954) evidenciou de forma contundente a necessidade de retomar o desenvolvimento nacional de aeronaves militares, sobretudo de combate. Tornava-se imperativo dotar as forças armadas francesas de meios aéreos modernos, adequados às exigências do novo cenário geopolítico, sem a dependência de fornecedores estrangeiros. A ameaça representada pela numerosa frota soviética de aeronaves de ataque supersônicas, capazes de lançar ofensivas rápidas e devastadoras contra instalações estratégicas em toda a Europa, reforçava ainda mais essa urgência. Diante desse quadro, em 1953 o comando da Armée de l’Air decidiu encomendar um estudo visando ao desenvolvimento de um interceptador supersônico leve e de elevado desempenho. As especificações iniciais eram ambiciosas: a nova aeronave deveria ser capaz de operar em quaisquer condições meteorológicas (all-weather), alcançar a altitude de 18.000 metros em apenas seis minutos e atingir a velocidade de Mach 1,3 (aproximadamente 1.593 km/h) em voo horizontal. Atendendo prontamente a essas exigências, a empresa Marcel Dassault Aviation apresentou ao Ministério da Defesa francês um projeto denominado MD.550 Mystère-Delta. Tratava-se de um interceptador puro, compacto e extremamente ágil, concebido para missões de defesa aérea de alta performance. A aeronave seria propulsionada por dois motores turbojato britânicos Armstrong Siddeley MD30R Viper, equipados com pós-combustão, cada um desenvolvendo empuxo de 9,61 kN (2.160 lbf). Como complemento, previa-se ainda a instalação de um motor-foguete de combustível líquido, capaz de fornecer um empuxo adicional de 14,7 kN (3.300 lbf), conferindo ao projeto um notável potencial de ascensão e desempenho em interceptações de alta altitude.. 

A proposta apresentada pelao fabricante foi bem recebida pelo comando da Força Aérea Francesa (Armée de l’Air), resultando na liberação de recursos para a construção de um protótipo plenamente funcional. Essa primeira aeronave, registrada como MD.550-01, foi oficialmente apresentada em 21 de junho de 1955, simbolizando um passo decisivo no esforço francês de recuperar sua autonomia tecnológica no campo da aviação de combate. De maneira curiosa, o protótipo inicial ainda não estava equipado com pós-combustores, o que limitava significativamente seu desempenho. Mesmo assim, realizou seu voo inaugural apenas quatro dias depois, cumprindo uma missão de aproximadamente vinte minutos, durante a qual atingiu um teto operacional de cerca de 3.000 pés e uma velocidade máxima próxima de Mach 0,95 (aproximadamente 1.170 km/h). Esses resultados, contudo, foram considerados insatisfatórios, sobretudo por refletirem a ausência dos sistemas de pós-combustão e do motor-foguete suplementar SEPR, elementos essenciais para atender às exigências originais do programa. Diante desse desempenho aquém do esperado, o projeto foi submetido a uma revisão abrangente. Diversas melhorias estruturais, aerodinâmicas e de propulsão foram incorporadas, permitindo que a aeronave atingisse velocidades de até Mach 1,3 (1.592 km/h) sem o auxílio do motor-foguete e Mach 1,6 (aproximadamente 1.960 km/h) quando este era empregado. Apesar de alcançar, em termos de velocidade e ascensão, os parâmetros estabelecidos, o modelo acabou sendo rejeitado. Suas dimensões reduzidas limitavam severamente a capacidade de transporte de mísseis ar-ar de médio e longo alcance, que, naquele período, eram volumosos e relativamente pesados, comprometendo a efetividade operacional do interceptador. Com o objetivo de permanecer no processo de seleção e atender às demandas futuras da defesa aérea francesa, a diretoria técnica dao fabricante decidiu repensar completamente o conceito original. Desse esforço emergiu um novo projeto, significativamente mais robusto, apresentando um peso bruto cerca de 30% superior ao de seu antecessor, além de refinamentos substanciais em termos aerodinâmicos. A nova aeronave seria equipada com o motor turbojato francês SNECMA Atar 101G1, dotado de pós-combustão e capaz de gerar 43,2 kN (9.700 lbf) de empuxo. Curiosamente, esse motor representava a evolução de diversos conceitos oriundos de projetos alemães desenvolvidos durante a Segunda Guerra Mundial, evidenciando a continuidade técnica herdada daquele período. Esse novo interceptador recebeu oficialmente a designação Mirage III. Seu nome foi inspirado em uma célebre frase atribuída ao projetista-chefe da empresa, que sintetizava a filosofia do projeto: “O avião será como uma visão no deserto: o inimigo o verá… mas jamais o tocará.” O primeiro protótipo do Mirage III foi apresentado em 15 de novembro de 1956 e realizou seu voo inaugural apenas dois dias depois. A aeronave foi então submetida a um intenso e rigoroso programa de ensaios em voo, cujos resultados exigiram a introdução de diversas correções e aperfeiçoamentos antes da obtenção de sua homologação pré-operacional. Nesse estágio, foi firmado o primeiro acordo formal entre o governo francês e a Dassault para a produção de dez aeronaves de pré-série, designadas Mirage IIIA, destinadas a avaliações finais e validação operacional. Em relação ao protótipo inicial, essas aeronaves apresentavam uma fuselagem alongada e uma maior área alar, além de serem equipadas com o mais potente motor SNECMA Atar 09B com pós-combustão, capaz de desenvolver um empuxo de 58,9 kN (13.230 lbf), consolidando o Mirage III como um interceptador supersônico de alto desempenho.
As dez aeronaves Mirage IIIA pertencentes ao lote de pré-produção começaram a ser entregues à Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) a partir de maio de 1957. Assim que incorporadas, essas células foram submetidas a um extenso e meticuloso programa de ensaios em voo, que se estendeu por aproximadamente nove meses. Esse período de avaliações revelou-se fundamental para a consolidação do projeto, pois os dados técnicos e operacionais obtidos permitiram a identificação de limitações e a introdução de uma ampla série de melhorias e refinamentos estruturais, aerodinâmicos e de sistemas. Como resultado direto desse processo evolutivo, foi definida a primeira versão de produção em série do caça supersônico francês, designada Mirage IIIC. Visualmente, o novo modelo mantinha grande semelhança com as aeronaves de pré-produção, distinguindo-se principalmente pela adoção de um exaustor de motor mais longo. O acabamento externo permanecia no padrão de metal natural, característica típica dos caças da época. Para acelerar a transição entre as fases de desenvolvimento e produção, uma célula do Mirage IIIA foi convertida para o padrão Mirage IIIC, servindo como referência para a versão definitiva. Com o modelo de produção plenamente definido, foi celebrado, no início de 1958, o primeiro contrato de grande escala entre o governo francês e a Dassault, contemplando a fabricação de 95 aeronaves Mirage IIIC. As entregas teriam início em fevereiro de 1961, reforçando significativamente a capacidade de defesa aérea da França em pleno contexto da Guerra Fria. Mesmo antes do início dessas entregas, o Mirage III já despertava forte interesse internacional, assegurando contratos de exportação e consolidando a reputação da indústria aeronáutica francesa no cenário global. Paralelamente, a Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) solicitou o desenvolvimento de uma versão específica para treinamento avançado e conversão operacional, essencial para a formação de pilotos em um caça de desempenho tão elevado. Tomando como base o Mirage IIIA, essa nova variante teve sua fuselagem alongada em aproximadamente um metro, de modo a acomodar um segundo assento destinado ao instrutor. Como consequência desse rearranjo interno, os canhões orgânicos de 20 mm foram removidos, representando uma limitação em termos de armamento interno. Ainda assim, a aeronave manteve a capacidade de empregar uma variada gama de armamentos ar-superfície e mísseis ar-ar de guiagem infravermelha, como o norte-americano AIM-9B Sidewinder, especialmente nas versões destinadas à exportação. O projeto foi aprovado e o primeiro protótipo dessa versão de dois lugares, designado Mirage IIIB-1, realizou seu voo inaugural no final de 1959. Na sequência, foram produzidas mais cinco células de pré-produção para fins de avaliação operacional. Concluída essa fase, seria firmado um contrato para a aquisição de 43 aeronaves Mirage IIIB, destinadas a cumprir um papel central na formação de pilotos de caça supersônicos. Adicionalmente, doze exemplares dessa versão foram exportados para Argentina, Israel e Suíça entre os anos de 1960 e 1969. A experiência operacional acumulada com o Mirage III e suas variantes iniciais evidenciou as excelentes qualidades da aeronave, tanto em desempenho quanto em confiabilidade. Esses resultados levaram ao desenvolvimento de uma versão de caráter multifuncional, capaz de desempenhar não apenas missões de interceptação, mas também tarefas de ataque ao solo e apoio tático. 

Para atender a essa nova exigência, o projeto original passou por profundas modificações estruturais, destacando-se o alongamento adicional da fuselagem e alterações no enflechamento das asas em delta, que passou a ser de 56°35′. Nesse processo evolutivo, as entradas de ar do motor foram reposicionadas, sendo recuadas em relação à cabine de pilotagem, o que contribuiu para melhorias aerodinâmicas e operacionais. As modificações permitiram ainda a instalação de quatro pontos de fixação sob as asas, aptos a receber tanques externos de combustível ou armamentos, elevando a carga útil máxima para até 1.360 kg. Para assegurar o desempenho exigido por esse novo perfil de missão, a aeronave passou a ser equipada com o motor SNECMA Atar 09C, dotado de pós-combustão e capaz de gerar 13.320 libras de empuxo, consolidando definitivamente o Mirage III como um dos mais versáteis e bem-sucedidos caças supersônicos de sua geração. No que se refere à suíte aviônica, a nova variante apresentava um conjunto de sistemas significativamente mais avançado para os padrões da época. Estava equipada com um radar de navegação Doppler da Marconi, sistemas de alerta radar passivo (Radar Warning Receiver – RWR) e, como principal sensor, o radar Thomson-CSF Cyrano II. Este último conferia à aeronave plena capacidade de operação nos modos de busca e seguimento, interceptação ar-ar, emprego ar-superfície e mapeamento do solo, ampliando substancialmente seu espectro de missões e consolidando seu caráter multifuncional. Em termos de armamento orgânico, a aeronave era dotada de dois canhões DEFA 552 de 30 mm, de cano simples, capazes de uma cadência de tiro entre 1.200 e 1.400 disparos por minuto, proporcionando elevado poder de fogo em combates aproximados. Para missões de interceptação, podia empregar o míssil Matra R.530, dotado de guiagem infravermelha e instalado na estação central sob a fuselagem. Complementando sua capacidade defensiva, a aeronave dispunha ainda de sistemas passivos de autoproteção, como lançadores de chaff e flares, fundamentais para a sobrevivência em ambientes hostis. Já nas missões de ataque ao solo, o caça podia ser configurado com uma ampla variedade de bombas de queda livre e lançadores de foguetes não guiados, reforçando sua versatilidade operacional. Essa versão aperfeiçoada recebeu a designação Mirage IIIE, e seu primeiro protótipo realizou o voo inaugural em 5 de abril de 1961. Pouco tempo depois, foi firmado um contrato inicial de produção para 180 aeronaves, refletindo a confiança do governo francês no novo modelo. Além do perfil multifuncional, uma parcela limitada dessa frota foi configurada para missões de ataque nuclear tático, alinhando-se à doutrina de dissuasão estratégica adotada pela França durante a Guerra Fria. As primeiras aeronaves destinadas à Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) foram entregues em 14 de janeiro de 1964. Ao longo dos anos subsequentes, novos contratos ampliaram significativamente a produção, que atingiu um total de 410 unidades, incluindo 70 aeronaves da versão de reconhecimento Mirage IIIR/RD. Paralelamente, o sucesso do modelo impulsionou uma expressiva carteira de exportações, culminando inclusive na celebração de acordos de produção sob licença com países como África do Sul, Austrália, Israel e Suíça, um feito notável para a indústria aeronáutica francesa. A elevada demanda internacional criou, naturalmente, o ambiente propício para o desenvolvimento de uma versão específica destinada ao treinamento avançado e à conversão operacional de pilotos estrangeiros. 
Em 1968, seria iniciado o  desenvolvimento dessa nova variante, agora baseada na célula do Mirage IIIE. Mais uma vez, a supressão do radar Thomson-CSF Cyrano II resultou em uma fuselagem com nariz mais esguio e aerodinamicamente refinado. O novo modelo recebeu a designação Mirage IIIBE, mantendo, ainda que de forma limitada, a capacidade de emprego de armamentos ar-superfície da versão monoplace. Curiosamente, nessa configuração, a capacidade interna de combustível foi reduzida. Um contrato inicial previu a produção de 20 aeronaves IIIBE, além de 10 exemplares da versão IIIB-RV, especificamente destinados ao treinamento de reabastecimento em voo das tripulações do bombardeiro estratégico Mirage IV. Para além das unidades entregues à Armée de l’Air, novos contratos de exportação foram rapidamente firmados, contemplando cinco aeronaves IIIEBJ para Israel, três IIIEL para o Líbano, quatro IIIBS para a Suíça e três IIIBZ para a África do Sul. A partir desse momento, a versão de treinamento destinada ao mercado externo passou a ser designada Mirage IIID. Ao todo, 58 aeronaves dessa variante foram exportadas para países como Argentina, Brasil, Venezuela, Austrália, Egito, Paquistão, Suíça e África do Sul.  A excelente performance em combate apresentada pelos Mirage III israelenses durante a Guerra dos Seis Dias, levaria o comando das Forças de Defesa de Israel (IDF) a solicitar ao fabricante o desenvolvimento de uma versão destinada  a missões de ataque a solo.  Como no oriente médio as condições meteorológicas são normalmente boas, esta versão como primícia básica para redução de não deveria dispor dos radares de navegação Doppler Marconi e Thomson-CSF Cyrano II e qualquer tipos de suíte aviônica avançada. Ao implementar esta diretriz seria proporcionado um aumento na ordem de 32% na capacidade de transporte de combustível, ampliando assim seu raio de ação. Seriam adicionados mais pontos duros subalares para cargas externas, possibilitando numerosas combinações quanto a configuração de cargas, ou ainda carregar até quatorze bombas de queda livre.  Em resumo seria concebido uma versão mais simples, porém mais capaz para missões de ataque a solo e interdição, apresentando um custo inferior de aquisição, se tornando a versão ideal de exportação para países em desenvolvimento. Este modelo receberia a designação de Mirage 5 e realizaria seu primeiro voo no dia 19 de maio de 1967. Apesar de Israel não adotar o modelo em função do embargo internacional de armas seria celebrados contratos de exportação com a Argentina, Emirados Árabes, Bélgica, Chile, Colômbia, Egito, França, Colômbia, Gabão, Líbia, Paquistão, Zaire, Peru e Venezuela. Esta aeronave, projetada inicialmente como um caça de ataque para "tempo bom", acabaria evoluindo para a defesa aérea e reconhecimento com o surgimento de aviônicos mais compactos que seriam customizados para emprego nesta plataforma. A exemplo da família Mirage III, este novo modelo também ganharia uma versão biplace para treinamento e conversão operacional, que receberia do fabricante a designação de Mirage 5D, com o primeiro contrato sendo celebrado para o governo Líbio. A seguir mais contratos desta versão seriam celebrados agora com a Argentina, Bélgica, Colômbia, Abu Dhabi, Gabão, Zaire, Peru, Paquistão, Chile, Egito e Venezuela. Ao longo dos anos seriam desenvolvidos e implementados muitos programas de modernização por seus operadores, com diversas células do modelo paquistanês Mirage 5 ROSE se mantendo em operação até os dias de hoje. 

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Ao término da Segunda Guerra Mundial, a Força Aérea Brasileira (FAB) dispunha de um dos mais expressivos inventários aeronáuticos do continente americano, contabilizando mais de 1.500 aeronaves militares consideradas modernas para os padrões da época. A quase totalidade desse acervo fora incorporada a partir de 1942, no contexto do programa norte-americano Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), que teve papel decisivo no fortalecimento das forças armadas brasileiras durante o conflito. No que se refere à capacidade ofensiva, a força encontrava-se particularmente bem aparelhada, operando um significativo número de aeronaves de primeira linha. Entre estas destacavam-se os consagrados caças-bombardeiros Republic P-47D Thunderbolt e Curtiss P-40 Warhawk, além das aeronaves de ataque Douglas A-20 Havoc e North American B-25 Mitchell. Esse conjunto de vetores de combate era complementado por uma ampla frota dedicada ao transporte, à patrulha marítima e à guerra antissubmarino (ASW), conferindo à Aeronáutica brasileira uma posição de destaque. Não por acaso, ao final da guerra, o Brasil dispunha da segunda maior força aérea das Américas e da principal potência aérea do hemisfério sul. Entretanto, a rápida evolução tecnológica do pós-guerra, marcada pela consolidação dos motores turbojato e pelo surgimento de uma nova geração de aeronaves militares, impôs um processo acelerado de obsolescência aos caças e bombardeiros equipados com motores a pistão. A substituição desses modelos nas linhas de produção internacionais resultou, adicionalmente, em uma crescente escassez de peças de reposição, comprometendo a sustentabilidade operacional das frotas existentes. Apesar das aspirações do Ministério da Aeronáutica (MAer) em incorporar aeronaves a jato de desempenho elevado, como os Republic F-84E Thunderjet ou os North American F-86F Sabre, tais intenções não se concretizaram, em grande medida, devido a restrições orçamentárias e a condicionantes de natureza geopolítica. Como alternativa viável, a partir de 1953 o Brasil passou a operar aeronaves de menor desempenho relativo, como os Gloster F-8 Meteor de origem britânica e os Lockheed F-80C Shooting Star norte-americanos. Esses jatos assumiram, então, o papel de principal vetor de caça das unidades de primeira linha.  Todavia, já no início da década de 1960, problemas relacionados à fadiga estrutural levariam à desativação prematura de toda a frota de jatos britânicos Gloster Meteor, provocando um impacto significativo na capacidade ofensiva e defensiva do país. Em consequência, a outrora pujante aviação de caça brasileira passou a representar apenas uma fração do potencial que detivera no início da década, com sua eficiência operacional seriamente comprometida. A situação agravou-se quando os  F-80C Shooting Star, então responsáveis pela defesa aérea das regiões Norte e Nordeste, passaram a apresentar crescentes dificuldades de manutenção, sinalizando a proximidade de sua retirada de serviço. Diante desse cenário crítico, no final de 1965, o comando do Ministério da Aeronáutica deu início a uma série de estudos destinados à análise e à seleção de novas aeronaves de caça.

Nesse contexto, a aquisição de aeronaves de combate multifuncionais passou a figurar como prioridade estratégica, não apenas para recompor a aviação de caça, mas também para integrar de forma eficaz o componente armado do Sistema de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (SISDACTA), que se encontrava, ao final da década de 1960, em avançado estágio de implantação.  Nesse contexto, a criação, em 1969, da Comissão de Estudos do Projeto da Aeronave de Interceptação (CEPAI) marcou um momento pivotal na história da Força Aérea Brasileira (FAB). A CEPAI foi incumbida de selecionar uma aeronave de interceptação que atendesse às exigências de defesa aérea do país, em um cenário de crescentes demandas tecnológicas e estratégicas. Consciente das dificuldades enfrentadas anteriormente, especialmente as negativas do governo norte-americano para a aquisição de aeronaves de combate modernas, a FAB direcionou seus esforços para a Europa, onde a indústria aeronáutica de defesa florescia com inovações tecnológicas e capacidade produtiva. Assim, foi lançada uma concorrência internacional, com critérios rigorosos que priorizavam a escolha de um interceptador supersônico de alto desempenho, capaz de cumprir, de maneira secundária, missões de ataque ao solo e interdição. Diversas propostas foram submetidas por fabricantes europeus, e, após a fase inicial de avaliações, três aeronaves foram pré-selecionadas: o caça multifuncional sueco Saab Draken, o interceptador britânico English Electric Lightning F-6 e o também multifuncional francês Dassault Mirage IIIE. Cada modelo apresentava características distintas, mas todos eram representantes do estado da arte da engenharia aeronáutica da época. Inicialmente, fatores políticos influenciaram a decisão, com uma inclinação inicial para o English Electric Lightning, motivada por contrapartidas econômicas vinculadas a um significativo financiamento britânico para a construção da Ponte Rio-Niterói, um marco da engenharia brasileira. Contudo, a análise técnica prevaleceu, revelando que o jato britânico, embora avançado, apresentava alta complexidade operacional e custos elevados de manutenção, tornando-o menos adequado às necessidades. Essa decisão foi ulteriormente reforçada pela celebração de um contrato entre a Marinha do Brasil e o estaleiro britânico Vosper, para a construção das fragatas da classe Niterói. Esse acordo atendeu plenamente às demandas econômicas e políticas, permitindo que a escolha da aeronave fosse fundamentada em critérios técnicos. No decorrer do processo, o Saab Draken, apesar de suas qualidades, foi descartado devido aos custos operacionais que excediam os limites orçamentários da Força Aérea Brasileira (FAB) à época. Assim, a proposta francesa, representada pelo Dassault Mirage IIIE, emergiu como a mais vantajosa, tanto sob o ponto de vista técnico quanto comercial. As negociações com a Dassault Aviation intensificaram-se, culminando no envio, em 1967, de dois oficiais brasileiros à França: o Tenente-Coronel Aviador Lauro Ney Menezes e o Major Aviador Ozires Silva. Esses oficiais tiveram a missão de avaliar minuciosamente o Mirage III, assim como a infraestrutura industrial e o suporte pós-venda oferecidos pelo fabricante francês, garantindo que a escolha atendesse às necessidades estratégicas e operacionais. 
A aquisição do Dassault Mirage IIIE/D constituiu um marco decisivo no processo de modernização da defesa aérea nacional, ao mesmo tempo em que fortaleceu de forma significativa os laços tecnológicos, industriais e estratégicos entre o Brasil e a França. Mais do que a simples incorporação de um novo vetor de combate, essa decisão consolidou um capítulo fundamental na história da aviação militar brasileira, inserindo o País no seleto grupo de nações capazes de operar aeronaves de caça supersônicas de alto desempenho. Fundamentada em criteriosa análise técnica e em considerações de ordem estratégica, a escolha da aeronaveI abriu caminho para a introdução de uma aeronave plenamente compatível com as exigências de interceptação de alta velocidade, defesa do espaço aéreo e, de forma complementar, missões de ataque ao solo. Durante a fase inicial de avaliações, destacou-se a atuação do Tenente-Coronel Aviador Lauro Ney Menezes, figura emblemática desse processo. Ao pilotar o Mirage IIIB em um voo que atingiu a velocidade de Mach 2, tornou-se o primeiro piloto de caça brasileiro a romper a barreira do som em uma aeronave francesa, feito de elevado simbolismo para a Força Aérea Brasileira (FAB). Suas impressões amplamente favoráveis quanto ao desempenho e às características operacionais do caça francês contribuíram decisivamente para a consolidação da escolha. O processo culminou na assinatura, em 12 de maio de 1970, de um contrato com a Marcel Dassault Aviation, que previa o fornecimento de doze aeronaves Mirage IIIEBR (monoposto) e quatro Mirage IIIDBR (biposto), além de um completo pacote logístico. Este incluía ferramental específico, estoques iniciais de peças de reposição e um abrangente programa de treinamento destinado a pilotos e técnicos brasileiros.  A primeira aeronave do lote, já ostentando as cores e insígnias nacionais, realizou seu voo inaugural em 6 de março de 1972, na cidade de Bordeaux, na França. O evento simbolizou, de maneira inequívoca, o início de uma nova era para a aviação de caça brasileira, marcada pela incorporação definitiva da tecnologia supersônica ao seu inventário operacional. Em consonância com o cronograma estabelecido, em 23 de maio de 1972, um seleto grupo de oito pilotos de caça brasileiros, liderado pelo Coronel-Aviador Antônio Henrique Alves dos Santos, foi destacado para a Base Aérea de Dijon, pertencente à Força Aérea Francesa (Armée de l’Air), com a missão de iniciar o treinamento no Mirage III. O grupo era composto por oficiais de elevada experiência e reconhecida competência, entre eles os Tenentes-Coronéis-Aviadores Jorge Frederico Bins e Ivan Moacir da Frota, os Majores-Aviadores Ronald Eduardo Jaeckel, Ivan von Trompowsky Douat Taulois, Lúcio Starling de Carvalho e Thomas Anthony Blower, além do Capitão-Aviador José Isaías Vilaça. Detentores de mais de 1.000 horas de voo em aeronaves a jato, esses pilotos tinham a responsabilidade não apenas de assimilar a doutrina operacional do Mirage III, mas também de se tornarem multiplicadores do conhecimento, preparando o terreno para a ativação da Primeira Ala de Defesa Aérea (1ª ALADA). Conhecidos de forma afetuosa como os “Dijon’s Boys”, esses oficiais destacaram-se pela dedicação, profissionalismo e elevado padrão técnico demonstrados durante todo o processo de implantação do Mirage III no Brasil. 

A cidade de Anápolis, localizada no interior do estado de Goiás, a aproximadamente 150 quilômetros de Brasília, foi estrategicamente selecionada para sediar a Primeira Ala de Defesa Aérea (1ª ALADA). Sua escolha refletia de forma clara a doutrina de proteção do centro geopolítico do País, posicionando os novos vetores de interceptação supersônica em um ponto privilegiado para a defesa do Planalto Central e das principais estruturas político-administrativas nacionais. A nova unidade passou a ser subordinada ao Comando de Defesa Aérea (COMDA), recentemente criado, consolidando uma estrutura organizacional voltada especificamente à vigilância e à defesa do espaço aéreo brasileiro. Em 1º de outubro de 1972, um marco histórico foi alcançado com a chegada, a Anápolis, da primeira aeronave Dassault Mirage IIIEBR, redesignada como F-103E. O transporte da célula foi realizado por uma aeronave C-130E Hércules, matrícula FAB 2456, pertencente ao 1º Grupo de Transporte (1º GT). Esse evento simbolizou a materialização de um longo e cuidadoso processo de modernização, idealizado pelo Ministério da Aeronáutica e executado com elevado grau de profissionalismo por seus oficiais e técnicos. A Uma segunda célula do Mirage IIIEBR chegou à Base Aérea de Anápolis no dia 8 de outubro, e, na semana subsequente, tiveram início os trabalhos de montagem das aeronaves. Esses procedimentos foram conduzidos de forma conjunta por militares brasileiros e técnicos franceses, no hangar do Esquadrão de Suprimento e Manutenção da 1ª ALADA, evidenciando o caráter cooperativo do programa e a transferência gradual de conhecimento técnico. Pouco depois, foram recebidas as duas primeiras aeronaves da versão de treinamento e conversão operacional, o Mirage IIIDBR, redesignado como F-103D, que também passaram imediatamente pelo processo de montagem. A primeira aparição pública dos novos caças brasileiros ocorreu em 6 de abril de 1973, quando quatro F-103E e dois F-103D sobrevoaram os céus de Brasília, em uma demonstração que marcou oficialmente a entrada do Brasil na era das aeronaves supersônicas. O impacto visual e simbólico daquele momento foi profundo, projetando uma imagem de modernidade e capacidade dissuasória até então inédita na história da aviação de caça nacional. Poucos dias depois, em 20 de abril de 1973, oito aeronaves F-103E e F-103D Mirage III deslocaram-se para a Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, onde participaram, pela primeira vez, das solenidades alusivas ao Dia da Aviação de Caça.  Nos primeiros anos de emprego do F-103E/D , os desafios inerentes à operação de uma aeronave de alta performance foram progressivamente superados. As particularidades de voo, os procedimentos de interceptação supersônica e as exigências de manutenção foram gradualmente assimilados, permitindo que a aeronave atingisse seu pleno rendimento operacional na missão de defender o espaço aéreo brasileiro. A introdução desse vetor de alto desempenho impôs, entretanto, consideráveis desafios no campo da conversão operacional, em um cenário no qual a aviação de caça brasileira ainda era majoritariamente composta por jatos subsônicos já obsoletos, como os  AT-33A, F-80C e remanescentes de gerações anteriores.
Nesse contexto, as quatro aeronaves F-103D (matrículas FAB 4900 a 4903) desempenharam papel absolutamente fundamental no processo de formação e adaptação dos pilotos à nova realidade operacional. A intensa demanda por treinamento, aliada à complexidade da transição para um caça supersônico de elevada performance, impôs uma carga significativa sobre essas poucas células de instrução, resultando em desgastes estruturais prematuros e na ocorrência de incidentes operacionais de menor monta.  Infelizmente durante os anos seguintes duas células seriam perdidas em graves acidentes, levando a necessidade de recomplementação da frota, assim em 1980 duas aeronaves Mirage IIID seriam adquiridas dos estoques da Força Aérea Francesa (Armée de l'Air), com estas aeronaves recebendo as matrículas FAB “4904 e 4905" .  Neste momento era notório que o Mirage IIIE desenvolvido durante a década de 1960 representava uma aeronave de caça de segunda geração, se encontrando plenamente desatualizado perante as potenciais ameaças regionais existentes naquele período. Apresentavam ainda sensíveis limitações em termos de manobrabilidade, pois foram originalmente concebidos como interceptadores de alta altitude, apresentando desempenho sofrível em combates do tipo “dog fight” (1X1) em baixas velocidades e altitudes. Ficava assim nítida a necessidade de se prover algum nível de modernização desta frota, sendo conduzidos visando assim avaliar programa semelhantes realizados por outros países, com este programa visando atender três diretivas básicas, como a modernização de sistemas e aviônica. Este processo ainda deveria abranger um completo processo de retrofit estrutural, aplicação de soluções aerodinâmicas para melhoria de manobrabilidade e por fim prover a extensão do alcance operacional da aeronave, mediante a instalação de um sistema de reabastecimento em voo. Em face a eminência da aplicação deste programa se fazia necessário recompor a dotação da frota das aeronaves F-103E e F-103D, com o Ministério da Aeronáutica (MAer) passando a buscar compras de oportunidade no mercado internacional, resultando na aquisição de mais duas células biplaces que receberiam as mátriculas de FAB 4906 e 4907. Apesar dos objetivos originais não serem totalmente atendidos em termos de atualização de aviônica, devido a restrições orçamentárias, este processo possibilitaria a extensão de sua vida útil.  Em 1995 face ao desgaste das células do F-103D, novamente seriam feitas buscas por compra de oportunidades e curiosamente seriam adquiridas duas células do Mirage 5DM (matrículas M201 a M203) , aeronaves produzidas em 1975 para o atendimento a um contrato com a República do Zaire. Tanto os Mirage 5M quando os 5DM teriam uma carreira efêmera neste país africano, sendo posteriormente comprados ou repassados de volta para o fabricante, onde se permaneceriam armazenados. Apesar de representar uma linha diferente da família deste caçador francês, o Mirage IIID e o Mirage 5D são em sua essência a mesma aeronave, e ao serem incorporadas receberiam as matriculas de FAB 4908 e FAB 4909. Ao longo de trinta e três anos de operação os Dassault F-103D Mirage, tiveram a nobre missão de formar aproximadamente duzentos pilotos de diversas gerações, no ano de 2005 seriam retirados do serviço ativo. 

Em Escala.
Para representarmos o  Dassault Mirage IIIDBR  F-103D "FAB 4903" já modernizado, empregamos o kit da Heller na escala  1/48, este modelo em sua configuração original, possibilita a montagem das versões Mirage IIIC e Mirage IIIB. Para a compormos a versão empregada pela Força Aérea Brasileira, utilizamos um set de conversão em resina desenvolvido pelo amigo e modelista "Toninho Catanduva (antoniosoaresjuris@hotmail.com). Este complemento  contém entre outros detalhamentos, o nariz da aeronave , bocal de exaustão e assentos ejetores. Para se confeccionar os canards fizemos uso de plasticard, com as dimensões destas peças sendo detalhadas na folha de instrução do set de decais da FCM 48/09. Os decais com as marcações em branco, foram utilizados a partir de  itens presentes no set da FCM  48/29.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura tático, que passou a ser aplicado a partir de 1982 em todas as células dos F-103E e F-103D Mirages brasileiros.  As aeronaves modernizadas mantiveram o mesmo esquema, e ao longo dos anos seriam aplicadas  pequenas variações em termos de marcações, mantendo este padrão até a desativação das células em 2005.
Bibliografia :
Revista ASAS nº 03 Mirage III a Saga do Delta no Brasil , por Claudio Lucchesi
História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
Aeronaves Militares Brasileiras 1916 / 2015  - Jackson Flores Jr
Dassault Mirage III - Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Dassault_Mirage_III
 

F-5B Northrop Freedom Fighter

História e Desenvolvimento.
Na década de 1950, a aviação militar experimentava um período de avanços tecnológicos sem precedentes, impulsionado pela Guerra Fria e pela corrida armamentista entre as superpotências. Novas aeronaves de combate alcançavam velocidades, autonomias e capacidades de carga útil muito superiores às das gerações anteriores. Contudo, esses avanços vinham acompanhados de um aumento significativo nos custos de aquisição e operação, o que gerava preocupações tanto para os comandantes militares dos Estados Unidos quanto para os fabricantes de aeronaves. Estes temiam que cortes orçamentários, motivados pelas elevadas despesas, pudessem comprometer suas receitas e limitar a produção de novos modelos. Diante desse cenário, a Northrop Aircraft Corporation, uma das principais empresas aeroespaciais da época, tomou a iniciativa de buscar soluções inovadoras. Em 1956, a companhia formou uma equipe de desenvolvimento liderada por Edgar Schmued, vice-presidente de engenharia e renomado projetista responsável pelo icônico  North American P-51 Mustang, utilizado na Segunda Guerra Mundial, e pelo F-86 Sabre, amplamente empregado na Guerra da Coreia (1950 - 1953). A missão dessa equipe era clara: desenvolver uma aeronave de combate leve que combinasse alto desempenho, manobrabilidade aprimorada e confiabilidade, mas com custos de aquisição e operação significativamente inferiores aos dos caças da geração vigente. Além disso, a Northrop Aircraft Corporation reconheceu que as aeronaves de combate modernas, devido à sua complexidade e alto custo, não poderiam ser substituídas em curtos intervalos, como ocorria com os aviões movidos a pistão nas décadas anteriores. Assim, o projeto incorporou o conceito inovador de "potencial de crescimento projetado", visando garantir uma vida útil superior a vinte anos. Outro princípio fundamental foi o do "custo do ciclo de vida", que buscava otimizar os gastos ao longo de toda a operação da aeronave. Sob a liderança técnica de Welko Gasich, engenheiro-chefe do projeto, decidiu-se que os motores seriam integrados à fuselagem, uma configuração que maximizava o desempenho e a durabilidade. O projeto, oficialmente designado N-156, foi concebido para atender a uma concorrência recém-lançada pela Marinha dos Estados Unidos (US Navy). O objetivo era desenvolver um caça leve para operar em porta-aviões de escolta, já que as aeronaves então em uso nos porta-aviões convencionais excediam as capacidades de lançamento e armazenamento desses navios menores. A flexibilidade do N-156 também era um diferencial, pois o projeto foi planejado para atender não apenas às necessidades da aviação naval norte-americana, mas também a possíveis demandas futuras da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). 

Entretanto, os planos da Northrop enfrentaram um revés quando a Marinha dos Estados Unidos (US Navy) reavaliou sua estrutura naval, optando pela desativação dos porta-aviões de escolta. Essa decisão impactou diretamente a continuidade do projeto N-156 em sua configuração inicial, exigindo que a Northrop Aircraft Corporation reorientasse seus esforços para adaptar a aeronave a outros contextos operacionais. O cancelamento da demanda da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) para um caça leve destinado aos porta-aviões de escolta representou um significativo revés para a Northrop Aircraft Corporation. Essa decisão comprometeu diretamente os planos de produção em larga escala do projeto N-156, colocando em risco os investimentos realizados. Contudo, a diretoria da empresa demonstrou notável resiliência, optando por reorientar o projeto em duas vertentes distintas: o N-156F, um caça tático leve conhecido como “Tally-Ho”, e o N-156T, uma aeronave de treinamento avançado. O conceito do N-156T rapidamente conquistou o interesse da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), que buscava um substituto para os jatos subsônicos Lockheed T-33, utilizados como treinadores. Após avaliações, o N-156T foi selecionado como o treinador padrão da USAF, sendo redesignado como T-38 Talon. O primeiro protótipo do YT-38 Talon realizou seu voo inaugural em 12 de junho de 1959, a partir da Base Aérea de Edwards, na Califórnia. Após um extenso programa de ensaios em voo, a aeronave foi aprovada para produção, resultando na fabricação de 1.158 unidades. As entregas começaram em 1960 e se estenderam até janeiro de 1972. A excelência do projeto foi comprovada ao longo das décadas por meio de sucessivos programas de modernização e retrofit, que mantiveram o T-38 Talon em serviço ativo na missão de treinamento avançado até os dias atuais. Prevê-se que essas aeronaves, que já ultrapassaram cinquenta anos de operação, sejam gradualmente substituídas a partir da segunda metade da década de 2020. Apesar do desinteresse inicial pela versão monoplace do N-156F, a Northrop decidiu, com recursos próprios, continuar seu desenvolvimento. Essa perseverança foi recompensada em um momento de mudanças nas diretivas geopolíticas dos Estados Unidos. No final da década de 1950, o Departamento de Estado (DoS) identificou a necessidade de uma aeronave de combate supersônica multifuncional, de baixo custo de aquisição e operação, destinada principalmente ao mercado de exportação. Essa iniciativa visava fortalecer o Programa de Assistência Militar (MAP – Military Assistance Program), por meio do qual os Estados Unidos forneciam equipamentos de defesa a nações aliadas, consolidando sua esfera de influência durante a Guerra Fria. 
Essa demanda culminou na criação do “Programa FX”, uma concorrência para a aquisição de aproximadamente 200 aeronaves, com previsão de financiamento para a construção de três protótipos para avaliação. Diversas empresas apresentaram propostas, mas foi o N-156F da Northrop que se destacou. O primeiro protótipo do N-156F realizou seu voo inaugural em 30 de julho de 1959, também na Base Aérea de Edwards. Atendendo ao cronograma oficial, o primeiro protótipo do Northrop N-156F alçaria voo em 30 de julho de 1962, com a aeronave decolando da pista de testes da Base Aérea Edwards (AFB) na California, sendo logo submetido a um programa ensaios em voo de avaliação comparativa com seus concorrentes. O modelo apresentado pela Northrop Aircraft Corporation seria declarado vencedor, recebendo em 26 de outubro de 1962 o primeiro contrato de produção, envolvendo duzentas aeronaves.  A aeronave agora designada como F-5A recebendo o nome de batismo de  “Freedon Fighter” (Combatente da Liberdade), tendo este nome em alusão ao propósito original de se prover as nações amigas, de um vetor capaz de garantir a defesa aérea de países menos desenvolvidos, principalmente contra a ameaça do expansionismo soviético no mundo. Estava equipado com dois motores turbo jatos General Electric J-85GE-13 com 3.500 libras de empuxo, que lhe proporcionavam uma velocidade máxima de 1.444 km/h a 10.680 metros de altitude, ou 16.450 metros em velocidade de cruzeiro. Originalmente desenvolvido para o emprego nos bombardeiros estratégicos Boeing  B-52, estes motores apresentavam uma relação empuxo-peso de 6,25 a 7,5, dependendo da versão, dando-lhe uma vantagem notável sobre os contemporâneos, como a proporção de 4,7 do motor J-79 usados no McDonnell Douglas F-4 Phantom II. A aeronave apresentava ainda um peso máximo de decolagem de 24 toneladas em até 850 metros de pistas pavimentadas. Em termos de gama de armamentos, estava equipado com dois canhões Pontiac M-39A2 de 20 mm com 560 cartuchos cada no nariz e dois mísseis guiados por calor AIM-9B Sidewinder instalados nas pontas das asas; e bombas de queda livre, foguetes não guiados e misseis ar solo AGM-12B Bullpup,  dispostos em quatro pontos subalares e sobre o centro da fuselagem.  As primeiras aeronaves de série, entrariam em serviço em abril de 1964 junto ao esquadrão 4441st Combat Crew Training School, unidade esta que seria destinada a treinar os pilotos e equipes de solo das nações que viessem a adquirir a aeronave.  Após a conclusão desta fase seria iniciada a avaliação preliminar de combate, dando origem no verão de 1965 ao programa Sparrow Hawk, sendo este implementado junto ao Air Proving Ground Center (Centro de Campo de Provas Aéreas) na  Base Aérea de Eglin (AFB) Flórida. 

Em julho de 1965, formou-se o 4503º Esquadrão Tático de Caça (Provisório) na Base Aérea de Williams, inicialmente com 12 F-5A modificados (redesignados F-5C com sonda de reabastecimento, blindagem externa, aviônicos atualizados e sistemas de ordenança). O esquadrão completou treinamento em 88 dias e chegou à Base Aérea de Bien Hoa, no Vietnã do Sul, em 26 de outubro de 1965. No mesmo dia, foram realizadas as primeiras sortidas de combate: um ataque contra uma concentração de forças do Viet Cong, supostamente eliminando grande parte de um batalhão inimigo. Essas missões iniciais eram de curto alcance (40-50 milhas de Bien Hoa), focadas em apoio terrestre, com o F-5 carregando cargas semelhantes às do F-100. Nos primeiros 60 dias, o esquadrão completou mais de 1.400 sortidas. Uma perda ocorreu em 16 de dezembro de 1965, quando um F-5C foi abatido por fogo terrestre, matando o Major Joe Baggett devido a uma falha no assento ejetor. Em 1966, o esquadrão mudou para a Base Aérea de Da Nang, expandindo missões para o Laos e Norte do Vietnã (após uma pausa em bombardeios), incluindo escolta de aeronaves de vigilância eletrônica e apoio a F-105 Thunderchief. O projeto Skoshi Tiger encerrou em 9 de março de 1966, após mais de 2.600 sortidas e uma perda em combate, considerado um sucesso. As operações continuaram como 10º Esquadrão de Caça Comando até abril de 1967, com 7.300 sortidas adicionais e nove perdas totais (sete por fogo inimigo, duas operacionais). Em junho de 1967, as aeronaves sobreviventes (incluindo F-5A/B, F-5C e RF-5A) foram transferidas para a Força Aérea da República do Vietnã (VNAF), formando o 522º Esquadrão de Caça em Bien Hoa. Durante a Queda de Saigon em 1975, muitos F-5B foram capturados pelo Norte do Vietnã (cerca de 87 F-5A e 27 F-5E no total, incluindo alguns B), e alguns foram usados pela Força Aérea Popular do Vietnã em ataques contra o Khmer Vermelho no Camboja, até a falta de peças os imobilizar. Paralelamente ao seu batismo de fogo, a Força Aérea das Filipinas ser tornaria o segundo operador da aeronave ao incorporar em 1965, vinte e três células do Northrop F-5A . Aos poucos o modelo ser tornaria a principal aeronave de combate oferecida nos termos Programa de Assistência Militar - MAP (Military Assistance Program), passando a equipar as forças áreas do Irã, Etiópia, Noruega, Taiwan, Marrocos, Venezuela, Grécia, Turquia, Holanda, Turquia Coreia do Sul, Formosa e Espanha. Também seriam firmados contratos para produção sob licença, primeiramente com Canadair LTd para a Real Força Aérea do Canada (RCAF) e depois com empresa Construcciones Aeronáuticas S.A - CASA , para a Força Aérea Espanhola (Ejército del Aire) e por fim junto a Fokker Aviatik GmbH para a Força Aérea da Noruega e (RNoAF) para a Real Força Aérea Holandesa (RNLAF). 
Ainda antes da implementação do programa Sparrow Hawk junto ao esquadrão 4441 Combat Crew Training School, seria verificada a necessidade do desenvolvimento de uma versão biplace para treinamento e conversão, salientado que os pilotos norte-americanos já detinham certa familiaridade com a aeronave, pois seu processo de treinamento avançado foi realizado junto aos Northrop T-38A Talon pertencentes a Academia da Força Aérea dos Estados Unidos (United States Air Force Academy - USAFA). Este mesmo processo não ocorreria com os clientes externos que viessem a adquirir o F-5A Freedon Fighter nos termos do Programa de Assistência Militar - MAP (Military Assistance Program). Assim a fim de atender a esta demanda a  Northrop Aircraft Corporation passaria a desenvolver uma versão biplace para treinamento e conversão operacional. O modelo receberia a designação de F-5B, se tratando basicamente de uma célula alongada do F-5A, apresentando uma estrutura muito semelhante ao treinador T-38 Talon (N-156T). Apesar de apresentar os mesmos parâmetros de desempenho da versão monoplace, o novo Northrop F-5B não estaria equipado com os dois canhões Pontiac M-39A2 de 20 mm, não fazendo previsão também para o emprego de bombas, foguetes e misseis, com seus pontos subalares sendo destinados apenas para o uso de tanques de combustíveis complementares, os trilhos dos misseis ar ar das pontas das asas seriam substituídos pelos mesmos tanques empregados no T-38A. O primeiro protótipo equipado com os mesmos motores turbo jatos General Electric J-85GE-13, alçaria voo a partir da  Base Aérea Edwards (AFB) na California no dia 24 de fevereiro de 1964, apresentando excelente qualidades de voo e manobrabilidade.  Após ser submetido a um programa de avaliação e ensaios em voo o modelo seria liberado para a produção, recebendo um primeiro contrato envolvendo vinte aeronaves, seis das quais seriam destinadas a atender o contrato firmado com o governo das Filipinas em 1965 e as demais a Força Aérea do Vietnã do Sul (VNAF).  Ao todo seriam fabricadas 350 células do Northrop F-5B, com 191 em seu pais de origem e as demais montadas sob licença pela  Canadair Ltd, Construcciones Aeronáuticas S.A - CASA e Fokker Aviatik GmbH. Durante sua carreira os F-5B equipariam as forças áreas das Filipinas, Irã, Etiópia, Noruega, Taiwan, Brasil. Marrocos, Venezuela, Grécia, Turquia, Holanda, Turquia Coreia do Sul, Formosa e Espanha. A exemplo da versão monoplace estes treinadores seriam substituídos a partir de 1977 pelos novos Northrop F-5F Tiger II. 

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Ao término da Segunda Guerra Mundial, a Força Aérea Brasileira (FAB) dispunha de um inventário superior a 1.500 aeronaves militares modernas, das quais a quase totalidade foi recebida a partir de 1942, no âmbito do programa Leand & Lease Act Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). Em termos de capacidade ofensiva, a Força Aérea Brasileira (FAB) contava com um significativo número de aeronaves de primeira linha, incluindo os renomados caças-bombardeiros Republic P-47D Thunderbolt e Curtiss P-40 Warhawk, bem como as aeronaves de ataque Douglas A-20 Havoc e North American B-25 Mitchell. Essa combinação de vetores de combate, aliada a modelos destinados a transporte, patrulha marítima e guerra antissubmarino (ASW), posicionava FAB como a segunda maior força aérea das Américas e a principal potência aérea do hemisfério sul. Contudo, o surgimento e a consolidação dos motores turbojato em uma nova geração de aeronaves militares rapidamente tornaram obsoletos os caças e bombardeiros de ataque equipados com motores a pistão. Adicionalmente, a substituição acelerada desses modelos por aeronaves a jato nas linhas de produção resultou em uma crescente escassez de peças de reposição no mercado internacional. Apesar das ambições do Ministério da Aeronáutica (MAer) em incorporar modernas aeronaves como os Republic F-84E Thunderjet ou North-American F-86F Sabre, este desejo não se concretizaria em virtude de restrições orçamentárias e de ordem geopolítica. Esta demanda seria atendida a partir de 1953  com a adoção de aeronaves menos capazes como os  Gloster F-8 Meteor e Lockheed F-80C Shooting Star. Esses vetores passaram a constituir o principal componente das unidades de primeira linha da Força Aérea Brasileira (FAB). Contudo no inicio da década de 1960, fadigas estruturais levariam a desativação precoce de todos os jatos ingleses, representando   um severo impacto na capacidade ofensiva e defensiva do país.  Desta maneira a  outrora pujante aviação de caça brasileira se convertera uma simples sombra do que era no começo da década, comprometendo completamente sua eficiência operacional. A situação foi agravada pelo fato de que os caças Lockheed F-80C Shooting Star, responsáveis pela defesa aérea das regiões Norte e Nordeste, começaram a exibir sérios problemas de manutenção, sinalizando a necessidade iminente de sua desativação. Assim no final do ano de 1965,  em resposta a este cenário problemático, o comando do Ministério da Aeronáutica (MAer) iniciaria uma série de estudos visando a análise e incorporação de novas aeronaves de caça.  Durante esse período, a aquisição de aeronaves de combate multifuncionais tornou-se uma prioridade estratégica para fortalecer a defesa aérea e integrar o recém-criado Sistema de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (SISDACTA). 

Inicialmente, o governo brasileiro considerou a aquisição dos McDonnell Douglas F-4 Phantom II, amplamente utilizados pelas forças armadas dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã. Contudo, o Departamento de Estado dos Estados Unidos (DoS) vetou essa escolha, argumentando que a introdução de um caça tão avançado poderia desequilibrar o poder aéreo na América do Sul. Diante dessa restrição, o Brasil voltou sua atenção para opções mais acessíveis, como os caças Northrop F-5A e F-5B Freedom Fighter. Esses aviões, concebidos no âmbito do Programa de Assistência Militar (MAP) dos Estados Unidos, eram vistos como uma solução viável para substituir os obsoletos jatos ingleses Hawker Hunter, que equipavam a Força Aérea Brasileira (FAB). A intenção era adquirir pelo menos 12 unidades do F-5A/B para reforçar as capacidades do SISDACTA, que estava em fase de implementação. No entanto, limitações orçamentárias e a necessidade urgente de modernizar a aviação de transporte levaram ao cancelamento desse programa de aquisição, adiando a renovação da frota de caças. Como medida paliativa, no final de 1964, o Brasil firmou um acordo com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD) para a cessão de células usadas do jato de treinamento Lockheed T-33A Thunderbird. Essas aeronaves foram convertidas e modernizadas para a versão de ataque ao solo AT-33A-20-LO, permitindo a retomada da operacionalidade da primeira linha de defesa aérea nas regiões Sudeste e Sul do país. Apesar de não serem caças supersônicos, os AT-33A ofereceram uma solução temporária para suprir as necessidades, enquanto a aquisição de aeronaves mais avançadas permanecia em estudo. A lacuna por um interceptador de alta performance só seria plenamente preenchida em 1972, com a chegada dos primeiros caças Dassault Mirage IIIEBR. No entanto, logo a substituição dos Lockheed AT-33A-20-LO, que ainda equipavam unidades como o 1º Grupo de Aviação de Caça e o 1º/14º Grupo de Aviação, tornou-se uma prioridade no início da década de 1970. Com uma provisão orçamentária mais robusta, o governo brasileiro lançou, em meados da década, uma concorrência internacional para a aquisição de pelo menos 30 aeronaves de combate multifuncionais. Essa iniciativa atraiu propostas de diversos fabricantes globais. Entre os modelos apresentados estavam Spect BAE Jaguar: Um caça-bombardeiro anglo-francês, conhecido por sua versatilidade em missões de ataque ao solo e reconhecimento. BAE Jump Jet Harrier MK-50: Um jato britânico de decolagem e pouso vertical (V/STOL), ideal para operações em bases improvisadas. Aermacchi MB-326K: Uma aeronave italiana de ataque leve, derivada de um treinador avançado, com baixo custo operacional. McDonnell Douglas A-4F Skyhawk: Um jato de ataque leve, amplamente utilizado, conhecido por sua robustez e confiabilidade. Northrop F-5E Tiger II: Uma evolução do F-5A, com motores mais potentes, aviônicos avançados e maior manobrabilidade, projetado para competir com caças soviéticos como o Mig-21.

Neste momento o Ministério da Aeronáutica (MAer) conduziu um rigoroso estudo comparativo entre as propostas apresentadas por fabricantes de diversos países. A escolha recaiu sobre o Northrop F-5E Tiger II, da Northrop Aircraft Corporation, uma aeronave que se destacava por sua versatilidade, manobrabilidade e compatibilidade com os requisitos operacionais e orçamentários do Brasil. Em abril de 1974, o governo brasileiro assinou um contrato de US$ 115 milhões com a Northrop Aircraft Corporation, formalizando a aquisição de 36 células monoplaces F-5E Tiger II e seis biplaces destinadas à conversão e treinamento de pilotos. As aeronaves F-5E foram configuradas com customizações específicas em aviônicos e sistemas de comunicação, atendendo às necessidades e as padronizações  da Força Aérea Brasileira (FAB). Para o treinamento, inicialmente, a versão biplace escolhida seria o F-5F, uma variante do Tiger II projetada para instrução avançada. No entanto, a versão F-5F ainda estava nos estágios finais de desenvolvimento, com previsão de entrada em serviço apenas no final de 1976, o que representava um atraso inaceitável para o cronograma de implementação, o que não poderia ser aceito por seus comandantes. Como solução, optou-se pela aquisição de seis unidades da versão biplace F-5B Freedom Fighter, desenvolvida anteriormente como aeronave de conversão operacional para os caças F-5A. Estas celulas contratadas receberiam  mesmo pacote de customização em termos de sistemas de aviônica e comunicações aplicados nos F-5E Tiger II. Essa decisão permitiu que o programa de introdução dos novos caças prosseguisse sem comprometer os prazos estabelecidos . Com os detalhes finais do contrato acertados em maio de 1974, foi criada a Comissão de Fiscalização e Recebimento (COMFIREM), responsável por supervisionar a entrega e integração dos caças F-5E Tiger II e F-5B Freedom Fighter. A comissão foi estabelecida na Base Aérea de Palmdale, na Califórnia, pertencente à Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Durante seis meses, uma equipe de pilotos e técnicos brasileiros recebeu treinamento intensivo sob a orientação dos militares do 425º Esquadrão de Treinamento de Caça Tático (425º TFS), originalmente sediado na Base Aérea de Williams, no Arizona. Inicialmente os pilotos brasileiros fariam seus primeiros voos de transição fazendo uso de aeronaves T-38 Talon e F-5B. Esse período foi essencial para capacitar os militares brasileiros na operação e manutenção das novas aeronaves, garantindo a transição suave para o ambiente operacional no Brasil.

Próximo do encerramento deste processo de treinamento , no dia de 28 de fevereiro de 1974, seriam entregues ao representantes da Comissão de Fiscalização e Recebimento (Comfirem), nas instalações da Northrop Aircraft Corporation, os três primeiros Northrop F-5B.  Seria definido em seguida o processo de translado de todas as aeronaves ao Brasil, decolando de Palmdale na California, com escalas San Antonio no Texas e Homestad Florida, passando assim por países da américa central e do sul como Porto Rico, Trinidad & Tobago e Suriname pousando na Base Aérea de Belém, fazendo nova escala em Anápolis (GO); assim seis dias após, as aeronaves deveriam chegar ao seu destino final, a Base Aérea do Galeão (BAGL). Neste contexto, as três primeiras células, compuseram a primeira de onze esquadrilhas a serem transladadas para o Brasil, na chamada “Operação Tigre”. Este percurso transcorreria sem maiores problemas com os Northrop F-5B e F-5E Tiger II tocando a pista da Base Aérea do Galeão (BAGL) no dia dia 6 de março de 1975.  A segunda esquadrilha com os últimos três F-5B chegaria ao Brasil juntamente com os demais F-5E Tiger II no dia 13 de maio do mesmo ano. Como a pista da Base Aérea de Santa Cruz, estava passando por obras de adequação prolongamento para assim poder  receber estas novas aeronaves, inicialmente passariam a operar a partir da  Base Aérea do Galeão (BAGL). Neste momento além de operar nesta localidade seriam destacados em missões de treinamento se deslocando aos aeródromos militares de São Jose dos Campos e Guaratinguetá, ambos no interior do Estado de São Paulo. Os Northrop F-5B receberiam as receberiam as matrículas "FAB 4800 á 4805", sendo alocadas na ordem de três células junto aos  1º e 2º esquadrões (Senta a Pua e Rompe Mato), pertencentes ao 1º Grupo de Aviação de Caça (GAvCa). Estas unidades  também seriam responsáveis pelo treinamento e conversão dos pilotos do 1º/14º Grupo de Aviação - Esquadrão Pampa. Apesar de sempre pertencerem a dotação do 1º Grupo de Aviação de Caça (GAvCa), rotineiramente duas células seriam destacadas  para operação na Base Aérea de Canoas  (BACO) no Rio Grande do Sul, evitando assim que os pilotos que fossem destinados a esta unidade tivessem que fazer o treinamento inicial na Base Aérea de Santa Cruz (BASC) no Rio de Janeiro. Esta sistemática seria mantida até pelo menos 1989, quando a Força Aérea Brasileira passaria a operar quatro células do Northrop  F-5F Tiger, com duas destas aeronaves sendo incorporadas a dotação oficial do 1º/14º Grupo de Aviação - Esquadrão Pampa. 
A partir deste momento os Northrop F-5B remanescentes seriam novamente concentrados na Base Aérea de Santa Cruz (BASC), com estas aeronaves passando a dividir como os novos F-5F-Tiger o  processo de  treinamento e conversão para os pilotos do 1º Grupo de Aviação de Caça (GAvCa). Durante seu período de operação somente uma célula seria perdida em acidente, com este fato sendo registrado quando o Northrop  F-5B "FAB 4801" veio a colidir com um urubu em um voo de treinamento na cidade de Guaratinguetá no interior de São Paulo, felizmente os pilotos conseguiram ejetar se salvando. A performance dos novos treinadores se apresentava muito superior aos F-5B, levando junho de 1995 a decisão de desativação de três células, com estas sendo armazenadas no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA SP), servindo principalmente como fonte de peças de reposição.  As duas células remanescentes seriam empregados pelo 1º Grupo de Aviação de Caça (GAvCa) até o dia 22 de maio de 1996, ocasião em que foram desativados,  sendo transladados ao Campo de Marte na cidade de São Paulo, a fim de serem alienados para posterior venda em leilão. Neste momento o então que ex-coronel da Força Aérea Brasileira, Gustavo Adolfo Franco Pereira, efetivaria um lance de US$ 3,1 milhões para a compra das cinco aeronaves. Este processo seria financiado pelo empresário norte-americano Richard Boulais, sendo depositado inicialmente um valor de entrada, estas aeronaves seriam transportadas para um hangar alugado no aeroporto do Campo de Marte. No entanto posteriormente este leilão seria cancelado, com um novo processo de venda direta sendo realizado, que também seria cancelada, com estes dois processos sendo afetados pela exigência norte-americana de atendimento aos dispositivos previstos na lei de End User (Usuário Final), que demandava um grande processo burocrático para aprovação e certificação do comprador.  Seria iniciado um embate jurídico pois a defasa dos compradores alegavam que esta lei norte-americana seria aprovada aprovada em 1976, enquanto as aeronaves foram compradas pelo Brasil em  1973, ao fim desta contenda a venda nunca seria concretizada e as aeronaves jamais seriam entregues. Neste meio tempo as células seriam repintadas passando a operar um padrão semelhante ao empregado nos F-5F que operavam no 1º/14º Grupo de Aviação - Esquadrão Pampa, recebendo a numeração visual de 01 a 05. Posteriormente a Força Aérea Brasileira, decidiria por preservar estas aeronaves, sendo dispostas no Museu Aeroespacial (MUSAL), Comando Geral de Apoio (COMGAP) , Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA SP), Base  Aérea de Santa Cruz (BASC) e na Base Aérea do Galeão (BAGL).

Em Escala. 
Para representarmos o Northrop F-5B "FAB 4803" recorremos ao kit da Fujimi na escala 1/48, sendo este kit totalmente despojado de detalhamentos e interior, sendo necessário a confecção em scratch de assentos ejetáveis e painéis de controle. Como sugestão indicamos o kit da Classic Airframes que apesar de ser extremamente raro no mercado proporcionará ao modelista um resultado melhor. Utilizamos decais confeccionados FCM Decals presentes no antigo Set 48/03 para completar o conjunto.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático adotado pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) em suas aeronaves em operação no sudeste asiático durante a década de 1970. As células empregadas  mantiveram este padrão até sua desativação no ano 1996. Atualmente duas das células preservadas ostentam padrões diferentes, sendo o F-5B "FAB 4803" configurado nas cores dos F-5EM modernizados, já o F-5B "FAB 4804" foi configurado nas cores dos F-5F operados pelo 1º/14º Grupo de Aviação - Esquadrão Pampa, estando este último exposto em um pedestal na entrada principal da Base Aérea do Galeão (BAGL) no Rio de Janeiro.

Bibliografia :
- Northrop F-5  Wikipédia -http://en.wikipedia.org/wiki/Northrop_F-5
- História da Força Aérea Brasileira por :  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- F-5B Freedom Figheter - Aparecido Camazano Alamino / Revista Asas nº 65
Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
- Northrop F-5B, o Freedom Fighter da FAB - https://www.cavok.com.br/f-5b-o-freedom-fighter-da-fab#google_vignette

EE-9 Cascavel "Magro" 37mm (VBR)

História e Desenvolvimento.
Na década de 1950, o Brasil encontrava-se em pleno processo de reconstrução nacional, ainda assimilando os efeitos econômicos e institucionais decorrentes da Segunda Guerra Mundial. Neste momento, o país mantinha uma economia essencialmente agrária  aproximadamente 70% de sua base produtiva estava concentrada na exportação de café  e uma estrutura industrial incipiente, caracterizada pela forte dependência tecnológica do exterior. Neste cenário emergiria a figura do marechal Casimiro Montenegro Filho, oficial da Aeronáutica formado na França e reconhecido por sua visão estratégica e vanguardista. Montenegro concebeu um projeto que romperia paradigmas: a criação de um centro nacional de excelência em engenharia aeronáutica, capaz de formar profissionais altamente qualificados e de consolidar a autonomia tecnológica do país no setor aeroespacial. Sua proposta não se limitava à aquisição de aeronaves estrangeiras — pretendia dotar o Brasil da capacidade de projetar, desenvolver e fabricar seus próprios sistemas aeronáuticos, assegurando independência científica e industrial. Inspirado no modelo do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Montenegro idealizou uma instituição que integrasse ensino, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico, pilares de uma nação moderna e soberana. Nasceria assim em maio de 1950 o  Centro Técnico de Aeronáutica (CTA), e em  2 de dezembro de 1954, seria oficialmente inaugurado o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), concebido como o braço acadêmico do CTA e responsável pela formação técnica e científica de uma nova geração de engenheiros. A primeira turma, composta por 30 alunos bolsistas integrais do governo federal, iniciou um curso de cinco anos em Engenharia Aeronáutica, com uma grade curricular fortemente influenciada pela tradição técnico-científica norte-americana.  Entre os jovens engenheiros formados pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), destacou-se José Luiz Whitaker Ribeiro, cuja trajetória pessoal e profissional se entrelaça profundamente com a história da indústria de defesa brasileira.  Após sua graduação em 1958, inscreveria  de forma definitiva seu nome na história da indústria nacional ao liderar, em 1958, um seleto grupo de jovens engenheiros na fundação da ENGESA – Engenheiros Especializados S.A. A empresa nasceu em um momento de otimismo e expansão industrial, impulsionado pelas políticas de incentivo à nacionalização tecnológica e pela crescente demanda por soluções técnicas ligadas à exploração de petróleo. Nesse contexto, a Petrobras, empresa estatal criada poucos anos antes, tornou-se o principal cliente da recém-fundada Engesa. Desde seus primeiros anos, a Engesa reuniu em seu corpo técnico profissionais altamente qualificados, muitos deles egressos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que à época despontava como um dos polos de excelência em engenharia na América Latina. Essa combinação de competência técnica e espírito empreendedor permitiu à empresa consolidar-se rapidamente no setor de petróleo e gás, ampliando sua presença no mercado e diversificando suas atividades industriais.

Durante esse período de expansão, a Engesa deparou-se com um desafio que se tornaria decisivo para o rumo de sua trajetória. Os caminhões utilizados pela empresa para o transporte de equipamentos enfrentavam graves dificuldades de locomoção em estradas de terra e trechos lamacentos, especialmente nas rotas que ligavam o interior às regiões litorâneas. Determinado a solucionar o problema, José Luiz liderou uma equipe de engenheiros na busca por um sistema de tração integral eficiente e robusto, capaz de melhorar o desempenho dos veículos em terrenos acidentados. Após intensos estudos e testes práticos, o grupo desenvolveu uma caixa de transferência com tração total, de concepção simples, resistente e adaptável a uma ampla variedade de caminhões e utilitários da época. O resultado foi surpreendente: ao ser instalada na frota da própria empresa, a inovação demonstrou notável ganho de desempenho em ambientes “fora de estrada”, reduzindo custos operacionais e aumentando a confiabilidade das operações. Diante do sucesso interno, a direção da Engesa decidiu investir na comercialização do sistema para o mercado civil, lançando-o oficialmente no final de 1966 sob a denominação “Tração Total Engesa”. O kit era composto por uma caixa de transferência com duas tomadas de força, um eixo dianteiro direcional e, opcionalmente, um guincho mecânico. O impacto do novo produto foi imediato: uma simples Ford F-100 equipada com o sistema passava a exibir capacidade de carga dobrada e aptidão para galgar rampas de até 85% de inclinação — um feito inédito para veículos dessa categoria no Brasil. O êxito comercial da inovação chamou a atenção do Exército Brasileiro, que, naquele período, buscava alternativas nacionais para modernizar e nacionalizar sua frota de transporte tático. A instituição via na tração integral Engesa uma solução promissora para substituir gradualmente os caminhões de origem norte-americana, remanescentes da Segunda Guerra Mundial, que ainda compunham grande parte de seus meios logísticos. Foram então produzidos quatro protótipos adaptados para testes de campo, os quais demonstraram excelente desempenho operacional. O resultado positivo levou à homologação militar do sistema, e, em 1967, o Ministério do Exército classificou oficialmente a “Tração Total Engesa” como um equipamento de Interesse para a Segurança Nacional — um reconhecimento que marcava o início de uma longa e frutífera parceria entre a Engesa e as Forças Armadas brasileiras. Pouco tempo depois, foi aberta uma concorrência pública para o fornecimento de caminhões militares nacionalizados, equipados com o sistema de tração total Engesa. O contrato foi adjudicado aos modelos Chevrolet C-60 e D-60, nas configurações 4x4 e 6x6, considerados ideais para o transporte logístico em condições adversas. Neste momento, a participação da Engesa como fornecedora do Exército Brasileiro cresceu de forma expressiva. Em 1968, foram entregues 960 caminhões, e, em 1970, outros 1.371 veículos, consolidando a posição da empresa como um dos principais polos da indústria de defesa nacional. Os recursos provenientes dessas vendas foram reinvestidos em pesquisa e desenvolvimento, lançando as bases para projetos mais ambiciosos.
Em 1969, a Engesa introduziu um inovador sistema de tração dupla traseira, batizado de “Boomerang”, que se tornaria um dos marcos tecnológicos mais notáveis da indústria automobilística e de defesa nacional. Esse dispositivo seria decisivo não apenas para o desenvolvimento de uma nova geração de veículos militares brasileiros, mas também para consolidar a penetração internacional dos produtos Engesa durante a década seguinte, abrindo as portas para exportações de vulto e para a consolidação do país como referência emergente no setor de defesa. O sistema Boomerang representava uma solução de engenharia simples, robusta e econômica, que conferia aos veículos desempenho excepcional em terrenos acidentados. Seu princípio inovador residia na manutenção constante das quatro rodas traseiras em contato com o solo, independentemente da irregularidade do terreno — uma característica que aumentava significativamente a tração e a estabilidade. Enquanto os sistemas convencionais empregavam dois eixos traseiros apoiados em feixes de molas, o Boomerang substituía essa estrutura por um único eixo de tração, nas extremidades do qual eram montadas duas caixas de engrenagens — cujo formato lembrava os tradicionais bumerangues australianos, daí sua denominação. Cada uma dessas caixas funcionava de forma independente, transmitindo movimento às rodas traseiras com ampla variação angular, o que garantia a máxima aderência e eficiência em pisos irregulares, desagregados ou arenosos. Diante dos resultados obtidos, o Exército Brasileiro rapidamente reconheceu o potencial do sistema Boomerang, adotando-o em diversas viaturas utilitárias militares, consolidando a relação de confiança e cooperação técnica entre a Engesa e as Forças Armadas. Essa parceria seria decisiva para o próximo passo da evolução da indústria bélica nacional. Nesse mesmo período, o Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2), sediado em São Paulo, iniciou esforços para o desenvolvimento de uma viatura blindada sobre rodas 4x4, projeto que ficaria conhecido como VBB-1 (Viatura Blindada Brasileira n.º 1). O programa foi conduzido entre o segundo semestre de 1968 e o primeiro semestre de 1970, período em que foram realizados o projeto conceitual, a confecção de uma maquete em escala real e a construção do primeiro protótipo funcional. O VBB-1 apresentava um design claramente inspirado no carro blindado norte-americano M-8 Greyhound, amplamente utilizado durante a Segunda Guerra Mundial. Concebido para operar com uma tripulação de quatro militares, o veículo contava com uma torre giratória inteiramente nova, produzida em aço fundido SAE 5160 pelas Fundições Allipert e usinada pela Avanzi. Seu sistema de movimentação da torre utilizava três rolamentos de apoio e uma cremalheira independente fixada ao teto do casco, solução simples, porém eficiente.

O VBB-1 era propulsionado por um motor a diesel Mercedes-Benz nacional, de 200 hp de potência, instalado na traseira do veículo e acoplado a uma transmissão, eixos e diferenciais também fornecidos pela montadora alemã, que mantinha ampla presença industrial no Brasil. A estrutura do casco blindado foi produzida pela Trielato Ltda., enquanto a caixa de transferência ficou a cargo da Engesa S.A., a sistema de refrigeração foi fornecido pela Colmeia Metalúrgica S.A., e os filtros pela Mann. A direção hidráulica era de fabricação ZF, e os periscópios — essenciais para a observação e condução do veículo — foram produzidos pela DF Vasconcelos Ltda., empresa nacional reconhecida por sua competência em óptica de precisão. O projeto do VBB-1 refletia uma filosofia de engenharia pragmática e nacionalista: criar um veículo simples, eficiente e de baixo custo, utilizando componentes majoritariamente produzidos no Brasil, sem depender de importações ou tecnologias complexas. O objetivo era oferecer às Forças Armadas uma solução moderna e acessível, compatível com o restrito orçamento militar vigente no final da década de 1960, período de reestruturação institucional e modernização das forças terrestres. Este protótipo seria extremamente testado em campo, nas mais severas condições, incluindo testes de balística e blindagem realizados com uma das torres, que foi usada como alvo para avaliar a resistência face aos armamentos da época.  Apesar de resultados promissores, o interesse do comando do Exército Brasileiro repousava sobre um novo veículo com tração 6X6, não um 4X4. O "padrão" em blindados sobre rodas de reconhecimento na época era o Ford M-8 Greyhound, consagrado nas missões da Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial . De início para se atender a demanda, considerou-se  estender a carroceria protótipo do VBB-1, transformando em veículo com tração 6X6, porém implicações de ordem técnica descartariam esta possibilidade, partindo então para o projeto de um novo veículo. Assim no início do ano de 1970, a Diretoria de Motomecanização (DMM) definiria as especificações para o desenvolvimento de um veículo blindado de reconhecimento de reconhecimento com tração 6X6, dando início ao programa VBB-2 (Viatura Blindada Brasileira 2), neste momento a Engesa S/A seria convidada a participar de seu desenvolvimento. Assim visando melhorar sua suspensão e desempenho em terrenos adversos, seria adotado o sistema “boomerang”, o que garantiria ao veículo a capacidade de realizar manobras rápidas em qualquer tipo de terreno, mantendo as rodas traseiras sempre em contato com o solo.  Para apresentação e estudo, seu  mock-up receberia a mesma torre empregada no VBB-1 (Viatura Blindada Brasileira 1, sendo baseada na torre original do Ford T-17 Deerhound) equipada com um canhão de 37 mm, a partir deste momento, a designação do veículo passou a ser Carro de Reconhecimento sobre Rodas (CRR), com sua configuração básica recebendo pequenas modificações, principalmente em suas linhas básicas. 
O primeiro protótipo seria construído em 1970, nas instalações do Parque Regional de Motomecanização da Segunda Região Militar de São Paulo (PqRMM/2), com este passando a ser empregado em um completo programa de testes de campo, elaborados pelo Exército Brasileiro e supervisionados pela equipe do PqRMM/2, com a finalidade de avaliação de seu desempenho operacional. Seus promissores resultados levariam a autorização para a construção de inicial de cinco veículos pré-série, sendo elevado para oito carros, quando do ato assinatura do contrato com a empresa Engesa S/A , em maio de 1971.  Apesar dos grandes avanços de  projeto observados no VBB-2 (Viatura Blindada Brasileira 2),  seu "Calcanhar de Aquiles" ainda estava baseado na carência de torres do canhão, pois os estoques destes conjuntos oriundos dos velhos T-17  era limitados, e não seriam capazes de atender a grande demanda de produção do novo modelo. Estudo seriam realizados para o desenvolvimento de uma solução nacional, partindo com base na torre original do Ford M-8 Greyhound. Após seu desenvolvimento, estas torres apresentariam um alongamento na parte traseira, permitindo assim abrigar o sistema de rádio, uma metralhadora coaxial Browning calibre .30, e suporte para uma segunda metralhadora Browning calibre .50, a ser fixada na parte superior dela, como armamento principal mantinham o canhão de 37 mm oriundos dos velhos blindados sobre rodas M-8 Greyhounds e carros de combate leve sob esteiras M-3 e M-3A1 Stuarts. Neste contexto seria autorizada a produção de oito conjuntos, que seriam fundidos pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). O desenvolvimento do ferramental e desenhos dos processos de engenharia necessários para a produção em série, gerariam atrasos no cronograma orginalmente estabelecido, com o último carro sendo finalizado somente em 1975. Estes oito carros, seriam submetidos a um intensivo programa de testes e avaliação, englobando um total 32.000 km de rodagem entre as cidades de São Paulo, Uruguaiana e Alegrete. As provas consistiriam em trafegar com os veículos, 24 horas por dia, parando apenas para a troca equipe e abastecimento, avaliando neste interim os defeitos que iam surgindo ao longo deste processo. Depois de reparados e corrigidas as falhas, os blindados voltavam a operação campo até a conclusão deste programa. A partir desta etapa, inúmeras alterações seriam implementadas, incluindo a troca da torre, incorporando se novamente para avaliação,  uma peça derivada do Ford M-8 Greyhound, com alongamentos laterais e traseira. Este modelo de torre continuaria a ser modificado e aprimorado gradativamente, culminando em um desing de torre mais moderno de perfil mais baixo, passando a dispor de novos visores laterais. Ao final deste programa de testes de campo, o projeto receberia sua aprovação e homologação, com o veiculo recebendo a  designação de Carro de Reconhecimento Médio (CRM). Sua produção seria destinada a Engesa S/A com supervisão pela equipe do Parque Regional de Motomecanização da Segunda Região Militar de São Paulo (PqRMM/2). Neste momento este novo  blindado passaria a ser designado como Engesa EE-9 Cascavel (com o  "EE"  representando a abreviatura de Engenheiros Especializados S/A , o número "9" a representação de sua tonelagem e Cascavel, por ser o nome de uma cobra venenosa brasileira). 

Emprego no Exército Brasileiro. 
As primeiras experiências do Exército Brasileiro na operação de veículos blindados de reconhecimento com tração integral 6x6 remontam ao ano de 1942, quando, no contexto da Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou a receber equipamentos militares norte-americanos por meio do programa de assistência “Lend & Lease Act” (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). Entre os materiais recebidos, destacaram-se os carros blindados T-17 Deerhound e M-8 Greyhound, sendo este último aquele que mais profundamente marcaria a história da cavalaria mecanizada nacional. O M-8 Greyhound não apenas foi incorporado em grande número às unidades brasileiras, como também teve a oportunidade de participar de operações reais de combate durante a Campanha da Itália (1944–1945), nas mãos da Força Expedicionária Brasileira (FEB). A experiência adquirida pelos tripulantes brasileiros em terreno europeu consolidou o M-8 como um veículo confiável, versátil e adaptável às necessidades de reconhecimento e apoio de fogo leve, atributos que moldariam a doutrina mecanizada do pós-guerra. Encerrado o conflito mundial, o Brasil recebeu novos lotes dos modelos M-8 e M-20, ampliando significativamente sua frota de veículos blindados sobre rodas. Essas viaturas tornaram-se a espinha dorsal das unidades mecanizadas e de cavalaria do Exército durante as décadas seguintes. No entanto, com o passar do tempo e o desgaste natural decorrente de longos anos de serviço, surgiu a necessidade de modernizar e prolongar a vida útil desses veículos, o que levou, ainda na década de 1960, aos primeiros esforços de revitalização e reconstrução de blindados no país. Essas iniciativas, conduzidas em oficinas militares e em parceria com empresas nacionais emergentes, representaram o embrião da indústria de defesa brasileira, marcando o início de uma trajetória que uniria engenheiros, técnicos e militares em torno do objetivo comum de alcançar autonomia tecnológica e produção nacional de blindados. Durante a década de 1970, esse movimento ganharia novo fôlego com o desenvolvimento dos projetos CRR (Carro de Reconhecimento sobre Rodas) e CTRA (Carro de Transporte sobre Rodas Anfíbio), que simbolizariam o amadurecimento técnico e industrial do setor. Esses programas estavam diretamente alinhados ao processo de reorganização da Força Terrestre, que introduzia o conceito da “nova cavalaria mecanizada” — uma profunda reformulação doutrinária e estrutural do Exército Brasileiro. De acordo com a nova sistemática, todas as brigadas de infantaria e cavalaria deveriam contar com ao menos um esquadrão de cavalaria mecanizada, especializado em reconhecimento e segurança, além da criação de regimentos inteiros de cavalaria mecanizada, os quais, junto com as unidades de cavalaria blindada, comporiam as recém-formadas brigadas de cavalaria mecanizada.

Por sua natureza de emprego, a chamada cavalaria mecanizada leve deveria operar de modo descentralizado, cobrindo grandes extensões de terreno e privilegiando mobilidade e velocidade em detrimento de blindagem espessa e poder de fogo elevado. Esses requisitos demandavam viaturas leves, ágeis e de fácil manutenção, capazes de atuar tanto em estradas pavimentadas quanto em vias secundárias e terrenos irregulares. Foi nesse contexto que surgiram os veículos blindados Engesa EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu, frutos diretos da consolidação da indústria bélica nacional e do amadurecimento técnico iniciado nos projetos da década anterior. Ambos foram projetados para atuar em conjunto, complementando-se taticamente nos pelotões de cavalaria mecanizada: o EE-9 Cascavel como veículo de reconhecimento armado e apoio de fogo, e o EE-11 Urutu como transporte blindado de tropas, inclusive com capacidade anfíbia. As semelhanças estruturais e a ampla padronização de componentes entre ambos muitos deles provenientes da indústria automotiva nacional — simplificaram substancialmente a cadeia logística, os custos operacionais e os processos de manutenção. Essa racionalização técnica e industrial consolidou a Engesa como o principal fornecedor de blindados do país e posicionou o Brasil como exportador de tecnologia militar, num período em que poucas nações em desenvolvimento haviam atingido tamanho grau de independência no setor de defesa. A introdução dos veículos blindados nacionais EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu representou um marco na história da Força Terrestre brasileira, conferindo-lhe um nível de mobilidade e flexibilidade operacional até então inédito. No contexto geopolítico da América do Sul durante a década de 1970, a adoção desses modelos simbolizou não apenas um avanço tecnológico e autossuficiência industrial, mas também um instrumento de projeção de poder e dissuasão regional, consolidando o Brasil como potência militar emergente no hemisfério sul. Em 1976, foram concluídos os testes de campo com os oito veículos pré-série do EE-9 Cascavel, os quais forneceram subsídios essenciais para a definição da configuração final que seria adotada na produção em série. Essa versão, designada pelo fabricante como EE-9 Cascavel M1, marcou o início da trajetória operacional do blindado, cuja filosofia de projeto combinava simplicidade mecânica, robustez estrutural e alto desempenho fora de estrada. O grupo motopropulsor do EE-9 Cascavel M1 era composto por componentes de fabricação nacional, evidenciando o avanço da indústria automotiva brasileira. Equipado com o motor a diesel Mercedes-Benz OM-352A, de seis cilindros em linha e 174 hp de potência, o veículo contava ainda com uma transmissão manual Clark Equipamentos S/A, ambas produzidas localmente. Tal conjunto proporcionava ao novo  blindado boa autonomia e confiabilidade operacional, características fundamentais para missões prolongadas em terrenos irregulares e sob condições climáticas adversas.
Curiosamente, ao contrário de outros veículos blindados sobre rodas de sua categoria, o Cascavel M1 ainda utilizava freios a tambor, um ponto considerado tecnicamente limitante. Essa deficiência seria corrigida apenas a partir da versão M6, lançada em 1983, que incorporaria um sistema de freios a disco, aprimorando significativamente sua segurança e eficiência. A proteção balística do EE-9 Cascavel M1 era composta por chapas de aço temperado ABNT 1045, com espessura de 16 mm na parte frontal e na torre e 8,5 mm nas laterais, oferecendo proteção adequada contra munições de pequeno calibre e estilhaços — uma solução condizente com as ameaças táticas predominantes na época. Entre os elementos inovadores, destacava-se a introdução dos pneus à prova de bala, fabricados pela empresa paulista Novatração Artefatos de Borracha Ltda., demonstrando o crescente envolvimento de fornecedores nacionais no programa. Esse processo de nacionalização progressiva de componentes seria um dos pilares do êxito da Engesa e da consolidação da indústria de defesa brasileira. O primeiro contrato firmado entre a Engesa S.A. e o Ministério do Exército previa a aquisição de 110 veículos, incluindo os oito protótipos pré-série. Para atender à nova demanda, a Engesa construiu uma moderna planta industrial especialmente dedicada à produção em larga escala de blindados, fortalecendo sua capacidade de entrega e de exportação futura. Os primeiros exemplares de série foram entregues ao Exército Brasileiro em meados de 1974, ainda em caráter de avaliação operacional. Curiosamente, esses veículos iniciais foram equipados com diversos modelos de torres, refletindo o caráter experimental da fase de transição entre a concepção e a produção definitiva. Entre elas, figuravam torres projetadas pelo corpo técnico do Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2) e produzidas pela Bernardini S.A., bem como versões inspiradas nas torres do Ford M-8 Greyhound. Além disso, uma parcela considerável dos veículos recebeu torres adaptadas provenientes de carros de combate leves M-3 Stuart, recentemente desativados do serviço ativo — uma solução pragmática que unia economia e reaproveitamento de material militar disponível. Já de posse dos primeiros carros operacionais, definir-se-ia como próxima fase, a implementação do novo veículo blindado sobre rodas com tração integral 6X6 no Exército Brasileiro, com o modelo recebendo a designação oficial de "Carro de Reconhecimento Médio 6X6" (CRM). Desta maneira caberia a Diretoria de Motomecanização (DMM), a criação e elaboração dos manuais de treinamento, operação e manutenção, visando planejar o cronograma de implementação do Engesa EE-9 Cascavel na Força Terrestre.  Este processo seria fundamental para o melhor aproveitando do grande potencial deste novo carro blindado. Ao término desta fase seria iniciada a primeira distribuição destes veículos para os Regimentos de Cavalaria Mecanizada (RCC) e Esquadrões de Cavalaria Blindada (EsqdCMec), onde passariam a operar em conjunto com os derradeiros Ford M-8 Greyhound (repotencializados) ainda em serviço. 

Comparativamente o Engesa EE-9 M1 Cascavel se mostraria operacionalmente superior aos antigos carros norte-americanos, não só em termos de velocidade (máxima de 100 km/h), mas também de autonomia (aproximadamente 750 km) e mobilidade no campo de batalha. Sua introdução na força blindada brasileira representaria um grande salto quantitativo e qualitativo, pois traria uma disponibilidade operacional que não era experimentada há anos, tendo em vista os baixos índices vivenciados anteriormente, desta maneira formar-se-ia uma nova doutrina operacional na Cavalaria Blindada no Exército Brasileiro. Seu excelente desempenho operacional, motivaria a diretoria do fabricante a estudar a possibilidade de exportação do blindado, passando a prospectar potenciais clientes. Dentre estes destacar-se-ia o governo português, envolvido naquele período na Guerra do Ultramar, travada em Angola, Moçambique e Guiné Bissau, cenário adequado para o emprego de blindados sobre rodas. Apresentações e tratativas seriam realizadas, com o modelo sendo bem recebido pelo Exército Português. Porém segundo análise relatada pelos oficiais daquele país, pairava sobre o EE-9 M1 Cascavel a notória a necessidade em se contar com um maior poder de fogo, pois o canhão de 37 mm já não era mais eficaz contra as ameaças existentes naquele período.  Para o atendimento a esta demanda seria sugerido com a adoção de uma torre e um canhão francês de 90 mm, no entanto as dimensões do carro não eram compatíveis com este novo armamento, levando a necessidade de alteração da carcaça original, nascendo assim a versão de exportação denominada como Engesa EE-9 Cascavel MKII. No início de 1974, dois veículos desta nova versão foram enviados a Portugal para testes, porém neste período mudanças políticas alterariam o curso daquele conflito, levando o governo português a suspender todos os programas de aquisição de materiais militares, incluindo a negociação com a empresa brasileira.  De volta a plano de prospecção internacional, o foco se voltaria para as nações do Oriente Médio onde se concentrava um potencial mercado comprador. Neste contexto seria apresentado a estes países uma versão melhorada que passava a ser equipada com um canhão de 90 mm baixa-pressão (o mesmo empregado no blindado francês sobre rodas Panhard AML), contando ainda com um sistema de transmissão automática que melhoria o nível de conforto do condutor. O primeiro contrato de exportação seria logo celebrado com o Catar, envolvendo a venda de vinte Engesa EE-9 Cascavel MKII, e a seguir mais vendas seriam realizadas para outras nações desta região.  Assim desta maneira as customizações aplicadas a cada cliente levariam o modelo a ser constantemente aprimorado, ganhando destaque neste pacote a adoção do eficiente canhão belga Cockerill de 90 mm, que passaria a ser inicialmente montado sob licença no Brasil com a designação local de EC-90. Posteriormente novos acordos com este fabricante levariam a um gradual processo de nacionalização de componentes do canhão, processo que era visto com bons olhos pelo comando do Exército Brasileiro que buscava reduzir a dependência externa em termos de componentes vitais importados.  
Assim seus oficiais de comando acompanhavam atentamente a evolução do modelo de exportação, verificando as vantagens operacionais proporcionadas pela introdução de um canhão de maior calibre.  Esta observação motivaria o início de estudos visando a possível atualização de sua frota de cem carros Engesa EE-9 Cascavel M1 e M2, que se encontravam em serviço até então. Este programa apresentava como premissa básica a adoção de um canhão de 90 mm, em substituição a já ineficiente arma de 37 mm, que comprovadamente já não apresentava eficácia frente as possíveis ameaças regionais que o país poderia enfrentar naquele período. Uma clarificação operacional deste conceito era que estes carros blindados eram pejorativamente chamados de "Cascavel Magro", em alusão ao seu obsoleto armamento principal de 37 mm. A exemplo do versões de exportação, a adoção do novo canhão Engesa - Cockerill EC 90 mm, implicaria também na substituição da torre original, inicialmente pensou-se em empregar a mesma torre importada usada nos carros configurados para o contrato líbio, opção esta que seria rapidamente descartada em detrimento do desenvolvimento de uma torre de fabricação nacional (que passaria a ser adota depois no modelo de exportação).  Definidos os parâmetros técnicos e comerciais deste programa, em fins do ano de 1977 seria assinado um contrato entre o Ministério do Exército e a Engesa S/A, visando a modernização de apenas cinquenta e cinco carros do total da frota existente.   Em janeiro do ano seguinte, oito destes veículos pertencentes a dois Regimentos de Cavalaria Mecanizada (RC Mec), seriam encaminhadas as instalações da empresa na cidade de São José dos Campos no interior de São Paulo, a fim de servirem de protótipos funcionais para o programa de modernização. Devido ao novo modelo de torre nacional já se encontrar em produção para o mercado de exportação, a implementação deste programa de atualização transcorreria rapidamente, com os primeiros carros agora designados como EE-9 Cascavel M2 Série 3, sendo entregues as unidades operacionais em meados do mesmo ano. Em operação este modelo apresentaria excelentes resultados com a arma principal de 90 mm se mostrando muito mais capaz que a antiga configuração. Esta experiencia positiva levaria a necessidade aumento da frota, assim entre os os anos de 1978 e 1980 seriam contratados e recebidos mais sessenta carros agora novos de fábrica. Estes carros apresentavam muitas características presentes nos modelos de exportação. O novo EE-9 Cascavel M-2 Série 5, se diferia visualmente dos carros modernizados por contar com o grupo ótico frontal embutido na carroceria, e novamente em operação renderiam excelentes resultados em campo.  A partir de meados da década de 1980, seriam incorporados mais carros blindados desta família, agora dispostos nos modelos M-6 Séries 3,4 e 5 e M-7 Séries 8 e 9. Nesta oportunidade passariam a ser desativados os EE-9 M1 Cascavel não modernizados originários do primeiro lote, com os EE-9 Cascavel M2 Série 3 sendo relegados a tarefas de treinamento, com os últimos veículos sendo retirados do serviço ativo em meados da década de 1990. 
 

Em Escala:
Para representarmos o Engesa Cascavel EE-9 M2 "EB 10-128", fizemos uso de um modelo em resina de fabricação artesanal na escala 1/35. Como este modelo originalmente representava a versão  EE-9 M3, implementamos uma conversão em scracth build, envolvendo a alteração da disposição dos faróis e luzes de sinalização dianteiras, escotilhas frontais, desenho lateral do casco e inclusão de nova torre para o canhão de 37 mm. Empregamos ainda peças oriundas do kit do carro blindado leve M-3A1 Stuart produzido pela Academy (estrutura parcial da torre) e componentes em resina e plasticard. Fizemos uso de decais confeccionados pela Decals & Books presentes no Set Exército Brasileiro - FEB 1941 - 1945.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura e marcações nacionais adotado pelo Exército Brasileiro a partir do término da Segunda Guerra Mundial. Este padrão seria mantido até o ano de 1983 quando seria implementado o novo esquema tático em dois tons nos carros da série EE-9 Cascavel M-2 Série 3 em diante. Os veículos não modernizados não receberiam este padrão de pintura.
Para visualizar o review completo e as etapas de conversão para esta versão  clique aqui


Bibliografia: 
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume I , por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume II, por Expedito Carlos Stephani Bastos
- EE-9 Cascavel Wikipedia - https://pt.wikipedia.org/wiki/EE-9_Cascavel