TZ-13 Let Blanik L-13J

História e Desenvolvimento. 
A trajetória da Let Kunovice Aircraft Industries, amplamente conhecida como LET Kunovice, insere-se de maneira direta no contexto das profundas transformações políticas, industriais e militares vivenciadas pela Europa Central ao longo do século XX. Sua origem remonta ao ano de 1936, na então Tchecoslováquia, quando foi iniciada a construção de uma moderna planta aeronáutica na cidade de Kunovice, situada na região histórica da Morávia. O empreendimento foi conduzido pela Škoda Works, um dos mais relevantes conglomerados industriais do país, no âmbito de um ambicioso programa estatal voltado ao fortalecimento da capacidade de defesa nacional. Tal iniciativa não pode ser dissociada do ambiente geopolítico da época. À medida que se intensificavam as tensões no continente europeu prenunciando o conflito que viria a se consolidar como a Segunda Guerra Mundial, tornou-se imperativo para o governo tchecoslovaco investir em infraestrutura industrial capaz de sustentar sua autonomia estratégica. Nesse sentido, a fábrica de Kunovice foi concebida como um ativo de elevado valor estratégico, destinado à produção de aeronaves militares e à consolidação da soberania tecnológica do país. Entretanto, o curso dos acontecimentos históricos impôs uma ruptura abrupta nesse projeto. Com a ocupação alemã da Tchecoslováquia em 1939, as instalações  ainda incompletas e desprovidas de setores essenciais para a produção integral de aeronaves  foram requisitadas pela Luftwaffe. Durante o período de guerra, a planta foi adaptada para atuar exclusivamente como centro de manutenção e reparo de aeronaves e motores, integrando a infraestrutura de apoio logístico do esforço militar alemão. Registros históricos indicam, ainda, que a unidade foi por vezes associada à AVIA Letňany, outra importante empresa aeronáutica tchecoslovaca daquele período. O término do conflito, em 1945, marcou o início de uma nova fase. Sob a égide de um regime comunista e alinhada ao bloco soviético, a Tchecoslováquia promoveu a nacionalização de setores estratégicos da economia, incluindo a fábrica de Kunovice, que passou a operar oficialmente sob a denominação Let Kunovice Aircraft Industries – LET. Nesse contexto, o estado socialista direcionou esforços significativos para a conclusão e modernização das instalações, viabilizando sua plena capacidade produtiva. Nos anos imediatamente posteriores à guerra, o fabricante concentrou suas atividades na produção de aeronaves leves de caráter desportivo, atendendo a uma demanda crescente no cenário de reconstrução europeia. Todavia, entre 1950 e 1953, a empresa passou por um processo substancial de expansão e modernização industrial, que possibilitou a ampliação de seu portfólio e a adoção de uma produção mais diversificada e tecnicamente sofisticada. Refletindo a forte influência da União Soviética sobre os países do Leste Europeu , a LET passou, nesse período, a produzir aeronaves sob licença de projetos soviéticos e de origem nacional. Entre os modelos mais representativos destacam-se o treinador Yakovlev Yak-11  designado localmente como C-11, além das aeronaves utilitárias Aero Ae 45 e Aero Ae 145. 

A produção em série desses modelos contribuiu decisivamente para consolidar a reputação da empresa como uma fabricante confiável e tecnicamente competente no cenário aeronáutico regional. Entre 1956 e 1967, a companhia operou sob a denominação SPP (Strojírny první pětiletky, ou “Fábricas do Primeiro Plano Quinquenal”), refletindo diretamente o modelo de planejamento econômico centralizado adotado pelo regime socialista tchecoslovaco. Ainda que a mudança de nomenclatura traduzisse o alinhamento institucional ao sistema vigente, a essência industrial e técnica deste fabricante permaneceu preservada. Foi precisamente nesse período que a empresa iniciou uma transição de grande relevância estratégica: a progressiva redução de sua dependência de projetos licenciados e o desenvolvimento de aeronaves de concepção própria. Esse movimento representou não apenas um avanço em termos de autonomia tecnológica, mas também o início de uma fase marcada pela inovação e pela afirmação da LET como uma protagonista no setor aeronáutico, lançando as bases para sua atuação futura no cenário internacional. Nesse contexto de consolidação industrial e amadurecimento tecnológico, emergiram dois produtos que se tornariam emblemáticos da capacidade de inovação da LET Kunovice. O L-200 Morava, cuja estreia em voo ocorreu em 1957, destacou-se como uma aeronave utilitária leve de notável versatilidade operacional. Projetado para atender a uma ampla gama de missões  desde transporte leve até ligação e apoio , o modelo rapidamente conquistou aceitação em mercados internacionais, alcançando expressivo êxito comercial e contribuindo para projetar o nome da empresa além das fronteiras do bloco socialista. De forma análoga, o Z-37 Čmelák evidenciou a habilidade da LET em responder a demandas específicas de setores estratégicos, como o agrícola. Desenvolvido para operações de pulverização e apoio ao campo, o modelo combinava robustez estrutural com simplicidade operacional, características essenciais para ambientes de emprego exigentes. Seu sucesso no exterior reforçou a reputação da fabricante como sinônimo de confiabilidade, eficiência e qualidade construtiva. Paralelamente a esses avanços, destacou-se no corpo técnico da empresa a atuação do engenheiro aeronáutico Karel Dlouhý, cuja contribuição viria a abrir novos horizontes no segmento de planadores. Integrante da equipe de projetos da LET Kunovice, Dlouhý iniciou estudos voltados ao desenvolvimento de uma aeronave de alto desempenho com asas em configuração de enflechamento negativo  solução pouco convencional à época, mas promissora sob o ponto de vista aerodinâmico. O ponto de partida conceitual desse novo projeto apoiava-se nos conhecimentos adquiridos com o XLF-207 Letov Laminar, considerado o primeiro planador produzido em série a empregar perfis de fluxo laminar. A partir dessa base, buscava-se conceber uma aeronave que reunisse versatilidade e desempenho, sendo apta tanto à instrução básica quanto ao treinamento acrobático e às missões de voo de distância (cross-country).
O desenvolvimento desse planador refletia uma abordagem que conciliava inovação e pragmatismo. Seu projeto incorporava soluções já consagradas, como a construção metálica  amplamente dominada pela indústria aeronáutica do bloco soviético aliada ao emprego de perfis laminares, visando otimizar o desempenho aerodinâmico. A fuselagem adotava configuração semi-monocoque, com utilização de longarinas e anteparas, apresentando seção transversal ovoide que favorecia a resistência estrutural e a eficiência em voo. O cockpit, por sua vez, dispunha de uma cobertura em acrílico bipartida, proporcionando boa visibilidade e facilidade de acesso. As asas, de planta trapezoidal com conicidade simples e enflechamento negativo, constituíam um dos elementos mais distintivos do projeto. De construção totalmente metálica e estrutura monolongarina, incorporavam revestimentos mistos: superfícies móveis como flapes e ailerons em estrutura metálica recoberta por tecido, solução que conciliava leveza e facilidade de manutenção. O controle aerodinâmico era complementado por spoilers metálicos do tipo DFS, instalados nas superfícies superior e inferior das asas, permitindo maior controle da razão de descida. No conjunto de cauda, as superfícies horizontais apresentavam a capacidade de serem rebatidas paralelamente à deriva, recurso que facilitava significativamente o transporte e o armazenamento da aeronave  aspecto relevante para operadores civis e clubes de voo. Já o profundor e o leme mantinham a lógica construtiva mista, com estrutura metálica revestida em tecido. O trem de pouso principal, composto por uma única roda com amortecimento óleo-pneumático, refletia a preocupação com robustez e simplicidade operacional. Mesmo em configuração retraída, a roda permanecia parcialmente exposta, reduzindo o risco de danos em caso de pouso inadvertido sem extensão completa. Como diferencial competitivo frente a congêneres internacionais, o projeto previa ainda a possibilidade de instalação de um motor auxiliar a pistão Java M-150, com potência de 42 hp. Esse recurso, de implementação relativamente simples, ampliava de forma significativa o envelope operacional da aeronave, permitindo maior autonomia e flexibilidade de emprego  característica particularmente valorizada em missões de instrução avançada e navegação de longa distância. Dessa forma, o desenvolvimento desse planador não apenas evidenciava o amadurecimento técnico da LET Kunovice, mas também simbolizava sua transição definitiva de fabricante sob licença para uma empresa capaz de gerar soluções originais, alinhadas às demandas de um mercado cada vez mais exigente e competitivo. O primeiro voo do protótipo foi prontamente seguido por um criterioso programa de ensaios, avaliação e certificação, ao término do qual a aeronave recebeu a designação oficial de fabricante LET Blaník L-13. Em termos dimensionais, o modelo apresentava envergadura de 16,2 metros, comprimento de 8,5 metros e altura de 1,9 metro, com área alar de 19,15 m² e peso máximo de decolagem da ordem de 500 kg. 

No que concerne ao desempenho, destacavam-se a baixa velocidade de estol  cerca de 58 km/h em peso máximo , a velocidade máxima de 250 km/h e o limite recomendado de 140 km/h em condições de ar turbulento, parâmetros que evidenciavam um equilíbrio notável entre segurança e eficiência operacional. A produção em série teve início em meados de 1958, nas instalações da LET em Kunovice, sendo que os primeiros exemplares rapidamente obtiveram êxito em contratos governamentais junto às repúblicas socialistas alinhadas à União Soviética. Nessas nações, o modelo passou a ser amplamente empregado tanto no meio civil quanto em estruturas de formação vinculadas ao setor militar, refletindo a importância do voo a vela como etapa inicial na formação aeronáutica. Do ponto de vista técnico, o LET Blaník L-13 distinguia-se por apresentar uma razão de planeio da ordem de 28:1, característica essencial para maximizar o tempo de permanência em voo. Associada a isso, sua concepção aerodinâmica e estrutural proporcionava excelente comportamento como treinador básico, sobretudo em função de um envelope de voo dócil e previsível. Elementos como a baixa velocidade de aproximação para pouso e a ampla autoridade dos comandos contribuíam para uma pilotagem segura e didática, agradando tanto a instrutores quanto a alunos em fase inicial. Nesse aspecto, o comportamento em voo e nas fases de pouso remetia, em certa medida, às qualidades dos tradicionais planadores de madeira e revestimento em tecido, como o Schleicher ASK 13, com o qual o Blaník guardava semelhanças no manuseio, embora se diferenciasse substancialmente quanto aos materiais e ao conceito construtivo, baseados em uma estrutura metálica mais moderna e durável. Em virtude dessas qualidades, o L-13 foi gradativamente adotado por diversas forças aéreas do bloco soviético, sendo empregado tanto em programas de instrução quanto em atividades desportivas. Seu desempenho consistente e a robustez estrutural abriram caminho para sua expansão no mercado civil da Europa Oriental, cenário que, posteriormente, seria replicado em outras regiões do continente. Importa destacar que eventuais reservas iniciais por parte de operadores ocidentais  em razão de sua origem no bloco socialista  foram rapidamente superadas diante das qualidades intrínsecas da aeronave. A combinação entre excelente desempenho em voo, elevada robustez, simplicidade de operação e custo de aquisição competitivo consolidou o LET Blaník L-13 como uma opção altamente atrativa no mercado internacional. Nesse contexto, o mercado norte-americano emergiu como um dos mais relevantes para o modelo, resultando na celebração de diversos contratos de exportação. O reconhecimento de suas qualidades levou, inclusive, à sua adoção em larga escala pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) a partir do final da década de 1960. Naquele país, o L-13 passou a ser empregado em atividades de instrução básica de voo a vela na Academia da Força Aérea dos Estados Unidos (United States Air Force Academy), localizada em Colorado Springs, consolidando definitivamente sua reputação como um dos mais bem-sucedidos planadores de treinamento já produzidos.

Representando um caso singular na história da aviação militar, o L-13 destacou-se como a primeira  e praticamente única  aeronave de origem do bloco socialista a operar de forma regular junto à Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Neste contexto, o modelo recebeu a designação militar TG-10, permanecendo em serviço ativo, sobretudo em funções de instrução básica de voo a vela, até meados da década de 1990. Concebido originalmente com capacidade para a execução de acrobacias simples  incluindo voo invertido , o L-13 foi projetado para realizar tais manobras, em determinadas condições, com apenas um tripulante, em função das limitações de peso da aeronave. Como consequência direta dessa característica, o treinamento acrobático em nível intermediário era frequentemente conduzido em voo solo, com o instrutor permanecendo em solo ou acompanhando a atividade a partir de outra aeronave, prestando orientação remota ao aluno. Com o passar dos anos, entretanto, verificou-se que tais práticas implicavam riscos elevados, especialmente quando associadas a pilotos com menor nível de experiência. A exposição da aeronave a manobras acrobáticas fora de parâmetros estritamente controlados resultou em um número significativo de acidentes, levando autoridades internacionais de segurança aeronáutica a revisar suas diretrizes operacionais. Como desdobramento desse processo, em 2010, foi amplamente restringido  e, em muitos casos, proibido  o emprego do L-13 em regimes de voo acrobático. Ainda assim, a vocação do projeto para esse tipo de operação levou ao desenvolvimento de uma variante específica, designada L-13AC. Essa versão apresentava construção integralmente metálica e foi concebida prioritariamente para o treinamento acrobático em duplo comando, ampliando significativamente a segurança operacional. Incorporava elementos de diferentes evoluções do projeto original, como o cockpit de peça única derivado do L-23 Super Blaník, além de adaptações estruturais que incluíam a cauda do L-13 e asas encurtadas oriundas do L-23, conferindo-lhe maior robustez e melhor resposta em manobras. No âmbito do voo de distância , o Blaník L-13 também alcançou notável destaque, estabelecendo diversos recordes mundiais de permanência e alcance, especialmente ao longo da década de 1960. Sua combinação de desempenho consistente, confiabilidade estrutural e facilidade de pilotagem fez com que o modelo se tornasse uma referência global no segmento. A produção total ultrapassou a expressiva marca de 3.000 unidades, consolidando o L-13 como um verdadeiro best-seller entre os planadores. Mesmo após mais de meio século de seu primeiro voo, o modelo ainda é amplamente encontrado em operação, sendo frequentemente citado como o planador mais difundido em atividade no mundo. O L-13 também integrou as forças armadas de diversos países, incluindo Brasil, Estônia, Espanha, Estados Unidos, Itália e Uruguai. Em grande parte dessas nações, o modelo permaneceu em serviço até o final da década de 1990.


Emprego na Força Aérea Brasileira.
A prática do voo a vela no Brasil teve suas origens na década de 1930, inserindo-se em um contexto de crescente interesse global pela aviação desportiva e pelo desenvolvimento de técnicas de voo sem propulsão. Um marco fundamental nesse processo foi a realização, em 1934, da Expedição Alemã de Planadores à América do Sul, iniciativa que desempenhou papel decisivo na difusão de conhecimentos técnicos e no estímulo ao surgimento de projetos pioneiros no país. O estado de São Paulo destacou-se como o principal berço do voo a vela brasileiro, com a criação de instituições que lançariam as bases dessa atividade no território nacional. Entre elas, figuram o Aeroclube Politécnico de Planadores, seguido pelo Aeroclube de Bauru e, posteriormente, pelo Centro de Voo a Vela do Centro Técnico Aeroespacial (CVV-CTA), em São José dos Campos. Essas organizações foram fundamentais não apenas para a formação de pilotos, mas também para o desenvolvimento técnico e a consolidação do voo a vela como prática desportiva e campo de experimentação aeronáutica. No sul do país, particularmente no estado do Rio Grande do Sul, o voo a vela também começou a se estruturar ainda no início da década de 1930. Destaca-se, nesse contexto, a iniciativa pioneira ocorrida na cidade de Santa Cruz do Sul, onde um grupo de seis jovens entusiastas  liderados pelos irmãos Ottomar e Hugo Reichart, ao lado de colaboradores como Kolberg e Stahl  empreendeu a construção de um planador primário inspirado no modelo alemão Grunau 9. Em um cenário marcado pela escassez de recursos técnicos e pela dificuldade de acesso a documentação especializada, o grupo demonstrou notável engenhosidade ao basear seu projeto exclusivamente em uma fotografia publicada em um jornal alemão. A partir dessa imagem, desenvolveram uma metodologia empírica de dimensionamento, utilizando como referência a altura de uma pessoa sentada para estabelecer uma escala aproximada da aeronave solução criativa que evidencia o caráter artesanal e experimental dos primórdios do voo a vela. Em 1934, valendo-se das instalações da escola de pilotagem da Varig Aero Esporte (VAE), em Porto Alegre, o grupo conseguiu concluir a construção do planador. Esse esforço pioneiro não apenas viabilizou as primeiras experiências práticas, como também lançou as bases institucionais para o desenvolvimento da atividade na região. Como desdobramento direto dessa iniciativa, foi fundado, em 1941, o Aeroclube de Santa Cruz do Sul, que se consolidaria como um dos principais polos de difusão do voo a vela no país. A expansão dessa prática foi ainda impulsionada pela importação de planadores alemães ao longo das décadas de 1930 e 1940, os quais introduziram tecnologias mais avançadas e serviram de referência para o aprimoramento técnico nacional. Paralelamente, o Brasil assistiu ao surgimento de iniciativas industriais voltadas à produção local de aeronaves sem motor. Nesse cenário, merece destaque a atuação do empresário Francisco Pignatari, que, em 1942, estabeleceu uma divisão dedicada à fabricação de planadores no âmbito da empresa Laminação Nacional de Metais S/A (LNM). Voltada principalmente à produção de aeronaves para instrução, essa iniciativa contribuiu de maneira significativa para o fortalecimento da infraestrutura do voo a vela.

A criação da Força Aérea Brasileira (FAB), em janeiro de 1941, ocorreu em um contexto internacional profundamente marcado pelas tensões da Segunda Guerra Mundial. Diante das exigências imediatas impostas pelo conflito, a recém-criada força aérea concentrou seus esforços prioritariamente na estruturação de sua aviação de combate, relegando o voo a vela a um papel secundário no âmbito militar. Diferentemente do que se observava em outras forças aéreas ao redor do mundo  que incorporavam planadores como etapa inicial na formação de pilotos  o Brasil optou, naquele momento, por não integrar essa prática ao seu sistema de instrução. Somente ao final da década de 1960 o interesse institucional pelo voo a vela seria retomado de forma mais consistente, passando a ser reconhecido como uma ferramenta relevante tanto para o desenvolvimento técnico quanto para o aprimoramento das habilidades de pilotagem. Ainda assim, sua implementação enfrentou obstáculos consideráveis, sobretudo em razão da limitada infraestrutura disponível e da ausência de locais adequados para a prática dessa modalidade. Durante grande parte da primeira metade do século XX, a formação de pilotos  esteve concentrada na Escola de Aeronáutica (EAer), sediada no Campo dos Afonsos. Com o passar dos anos, o crescente aumento do tráfego aéreo na região tornou o ambiente progressivamente inadequado para operações de voo a vela, que exigem condições específicas, como baixa densidade de tráfego e características meteorológicas favoráveis. Um avanço decisivo na superação dessas limitações ocorreu em 17 de outubro de 1960, com a criação do Destacamento Precursor da Escola de Aeronáutica (DPEAer). Essa iniciativa representou o primeiro passo para a transferência da formação de oficiais aviadores para o interior do estado de São Paulo, culminando, em 1971, na criação da Academia da Força Aérea, sediada em Pirassununga. A escolha de Pirassununga revelou-se estratégica. A região oferecia condições ideais para a instrução aérea, caracterizadas por clima favorável, temperaturas adequadas e, sobretudo, reduzido volume de tráfego aéreo. Tais fatores criaram o ambiente propício para a ampliação e diversificação das atividades de formação, abrindo espaço para a introdução do voo a vela como componente complementar no treinamento dos cadetes. Esse processo de consolidação atingiu um marco significativo em 11 de novembro de 1976, com a criação do Clube de Voo a Vela da Academia da Força Aérea (CVV-AFA). A nova estrutura foi concebida com o objetivo de integrar o voo a vela ao currículo formativo dos cadetes abrangendo não apenas os futuros aviadores, mas também intendentes e infantes , ampliando o escopo de sua formação. Mais do que um simples complemento técnico, a iniciativa refletia uma visão pedagógica mais abrangente, na qual o voo a vela era valorizado como instrumento para o desenvolvimento de habilidades fundamentais, como consciência situacional, coordenação motora, planejamento de voo e tomada de decisão. Paralelamente, a atividade também proporcionava momentos de integração e lazer, contribuindo para a formação integral dos cadetes e fortalecendo o espírito de corpo no ambiente acadêmico militar.
O voo a vela, tradicionalmente reconhecido por sua capacidade de desenvolver habilidades finas de coordenação e precisão  frequentemente sintetizadas na expressão “pé e mão”, consolidou-se como um instrumento de elevado valor na formação aeronáutica. Sua prática estimula não apenas a destreza nos comandos, mas também atributos fundamentais como disciplina, concentração e profunda compreensão dos princípios do voo, elementos indispensáveis à formação de pilotos militares. No ambiente da Academia da Força Aérea (AFA), cuja rotina é marcada por intensas demandas físicas, técnicas e acadêmicas, o Clube de Voo a Vela (CVV-AFA) assumiu um papel singular. Para os cadetes, especialmente durante os fins de semana, essa atividade representava uma oportunidade valiosa de conciliar instrução prática com momentos de relativa descontração. Longe de constituir mero lazer, o voo a vela funcionava como um complemento pedagógico relevante, permitindo o aprimoramento contínuo das habilidades de pilotagem em um ambiente menos rígido, porém igualmente formativo. Esse equilíbrio entre o rigor da formação militar e o desenvolvimento individual contribuiu para tornar o voo a vela uma ferramenta eficaz no processo educacional da Força Aérea Brasileira (FAB), reforçando competências essenciais que seriam posteriormente aplicadas na aviação motorizada. Com a consolidação da estrutura da academia  em Pirassununga e a disponibilidade de condições ideais para a prática dessa modalidade, emergiu um desafio estratégico: a aquisição de aeronaves adequadas para integrar de forma efetiva o voo a vela ao currículo dos cadetes. Até meados da década de 1970, a experiência institucional da Força Aérea Brasileira (FAB) com aeronaves desportivas era bastante limitada. O único registro relevante referia-se à incorporação, em 1972, de um motoplanador Fournier RF-5, designado TZ-5 e registrado como FAB 8003. Essa aeronave, destinada à Esquadrilha de Adestramento da AFA, teve sua aquisição marcada por circunstâncias particulares: originalmente prevista para a Escola de Aeronáutica de São Paulo, sua incorporação pela ocorreu após entraves no processo de importação que culminaram na desistência por parte daquela instituição. Ainda assim, sua utilização permaneceu limitada, sobretudo porque, naquele momento, o Clube de Voo a Vela da AFA ainda não havia sido formalmente estruturado, o que restringia a implementação de um programa sistemático de instrução nessa área. Diante da necessidade de expandir e modernizar sua capacidade de treinamento, o Ministério da Aeronáutica (MAer) lançou, em meados da década de 1970, uma concorrência internacional para a aquisição de até quinze planadores. O objetivo era selecionar aeronaves que atendessem a rigorosos critérios técnicos, incluindo desempenho aerodinâmico, segurança operacional e adequação às condições específicas de emprego. O certame atraiu a participação de diversos fabricantes de renome no cenário aeronáutico internacional, que apresentaram propostas compatíveis, ao menos em termos teóricos, com os requisitos estabelecidos. 

O processo de seleção, conduzido com elevado grau de rigor técnico e administrativo, envolveu uma análise minuciosa não apenas das especificações de desempenho, mas também de aspectos como custos de aquisição, logística de manutenção e suporte operacional. Esse momento representou um ponto de inflexão na história do voo a vela no âmbito, ao sinalizar a transição de uma fase incipiente e experimental para um estágio mais estruturado e institucionalizado, alinhado às melhores práticas internacionais de formação aeronáutica. Após uma avaliação minuciosa, o Ministério da Aeronáutica (MAer) anunciou, em 27 de janeiro de 1976, a decisão de adquirir dez unidades novas de fábrica do planador L-13J Blanik, fabricado pela empresa tcheca Let Kunovice Aircraft Industries. A escolha do L-13J Blanik refletiu um equilíbrio entre excelência técnica e viabilidade econômica, destacando-se pela robustez, confiabilidade e versatilidade do modelo. O contrato de fornecimento, formalizado logo após a decisão, previa a entrega das dez células entre 1976 e 1977, marcando um passo significativo na estruturação do programa de voo a vela da Força Aérea Brasileira (FAB). O L-13J Blanik, versão selecionada foi projetado com a possibilidade de incorporar um motor auxiliar de pequeno porte, o Jawa M-150, com 42 hp de potência, para operações como motoplanador. Contudo, não há registros claros que confirmem se esses propulsores foram incluídos no contrato original ou se, eventualmente, foram utilizados nessa configuração. O Blanik, amplamente reconhecido no cenário internacional, era ideal para o treinamento de pilotos devido à sua facilidade de manejo, estabilidade em voo e capacidade de operar em diversas condições climáticas, características que o tornaram uma escolha acertada para as necessidades da academia. eEm meados de 1976, as primeiras unidades dos planadores L-13J Blanik,  foram despachadas ao Brasil por via marítima. As dez células, recebidas no porto de Santos, São Paulo, foram transportadas por via terrestre até a Academia da Força Aérea (AFA), localizada em Pirassununga, no interior do estado. Na AFA, as aeronaves passaram por um meticuloso processo de montagem e testes de voo, garantindo sua plena operacionalidade. Designadas como TZ-13, receberam as matrículas FAB 8004 a 8013, marcando a consolidação da infraestrutura necessária para a prática do voo a vela na formação dos cadetes. Para viabilizar as operações de voo a vela, foi selecionado o EMB-201 Ipanema, uma aeronave fabricada pela Embraer S/A, originalmente projetada para uso agrícola. Duas unidades foram adquiridas e submetidas, ainda na fábrica, a adaptações específicas para desempenhar a função de rebocador de planadores, um papel essencial para o treinamento. Posteriormente, atendendo a recomendações fundamentadas do Comandante da AFA, o Ministério da Aeronáutica (MAer) autorizou a aquisição de uma terceira unidade do Ipanema, reforçando a capacidade operacional do programa. Essas modificações demonstraram o compromisso em adaptar tecnologias existentes às necessidades específicas da formação militar. 
No dia 12 de novembro de 1976, a Academia da Força Aérea celebrou a inauguração oficial do Clube de Voo a Vela (CVV-AFA), um evento de grande relevância para a história da aviação militar brasileira. A cerimônia foi presidida pelo Ministro da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Joelmir Campos de Araripe Macedo, e contou com a presença de ilustres autoridades, incluindo diversos oficiais-generais: Tenente-Brigadeiro do Ar Deoclécio Lima de Siqueira, Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica; Tenente-Brigadeiro do Ar João Camarão Telles Ribeiro, Comandante Geral do Pessoal; Tenente-Brigadeiro do Ar Silvio Gomes Pires, Diretor Geral do Departamento de Aviação Civil; Major-Brigadeiro do Ar Clovis Pavan, Comandante do IV COMAR; e Major-Brigadeiro do Ar Pedro Frazão de Medeiros Lima, Diretor do Centro Técnico Espacial. Também estiveram presentes o Presidente da Associação Brasileira de Voo a Vela e representantes dos clubes de voo a vela de Bauru, São José dos Campos, Nova Iguaçu e Jundiaí, destacando a relevância da iniciativa no cenário nacional. A solenidade foi marcada por uma formatura do Corpo de Cadetes, seguida de um desfile que apresentou, pela primeira vez, os novos uniformes do CVV-AFA, A ocasião também incluiu uma exposição dos planadores TZ-13 Blanik, permitindo aos presentes conhecerem de perto as novas aeronaves. Um dos momentos mais emblemáticos foi a realização de voos panorâmicos, com destaque para o voo inaugural conduzido pelo Major-Aviador Padilha, oficial coordenador-supervisor do CVV-AFA, que teve a honra de pilotar o planador levando o Ministro da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Araripe. Outros oficiais-generais também participaram de voos, simbolizando o entusiasmo e o apoio da alta cúpula à nova iniciativa. O lendário LET TZ-13 Blanik foi, sem dúvida, o maior formador de pilotos de planador da EVV, tendo sido voado por gerações e gerações de militares. Em 1990 a frota se encontrava reduzida a cinco células, devido a acidentes com perda total ou alto nível de comprometimento das estruturas, e já dividiam as tarefas com um número maio de planadores como os IPE KW-1B2 Quero Quero e IPE 02b Nhapecan II. Após vinte e cinco anos de uso e devido ao desgaste do material, no ano de 2000, foram adquiridos quatro TZ-23 Super Blanik para substituí-los e dois Z-33 Blanik Solo para complementar a formação primária. Após oito anos, em 2008, chegaram à Academia da Força Aérea (AFA) os planadores de alta performance: três TZ-17 Duo Discus XL e quatro Z-17 Discus CS, ambos com computador de bordo embarcado e voltados para missões de navegação. Assim desta maneira as últimas quatro células remanescentes foram retiradas do serviço ativo no Clube de Voo a Vela da Academia da Força Aérea em fins de 2006, sendo descarregadas do inventario em 2008. Três aeronaves seriam transferidas ao Departamento de Aviação Civil (DAC) para serem doadas a aeroclubes, já o Let TZ-13 FAB 8010 seria preservado, sendo exposto na academia , com a citação de 10.000 pousos e o nome batismo do Tenente Juventino pintados em seu nariz.

Em Escala.
Para representarmos o  LET Blanik TZ-13 "FAB 8004", fizemos uso do raríssimo e antigo kit do fabricante Tcheco Modela, na escala 1/48 sendo um modelo que apesar de possuir linhas em alto relevo apresenta uma facilidade incrível para a montagem para maiores detalhes sobre o kit acesse nossa secção de Reviews. Um fato interessante e que o modelo dispõe originalmente  de decais para se compor a versão brasileira.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregados nas aeronaves Blanik TZ-13, implementado em meados da década de 1990 as células remanescentes. Originalmente este planadores foram recebidos ostentando um padrão de esquema de alumínio complementado por uma faixa azul escura ao longo da fuselagem.

Bibliografia :
- História da Força Aérea Brasileira - Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr
- Voo a Vela AFA - http://www.turmaepcar67.com.br/

T-37C Cessna Model 318

História e Desenvolvimento. 
O surgimento da Cessna Aircraft Company está intimamente ligado à trajetória pioneira de Clyde Vernon Cessna, cuja incursão no campo da aviação teve início em junho de 1911. À época, atuando como fazendeiro no estado do Kansas, Cessna construiu artesanalmente sua própria aeronave, tornando-se um dos primeiros aviadores a realizar voos sobre o Rio Mississippi e as Montanhas Rochosas. Esse feito não apenas evidenciou seu espírito inovador, mas também o incentivou a vislumbrar possibilidades comerciais no ainda incipiente setor aeronáutico. Motivado por esse sucesso inicial, Cessna estabeleceu uma pequena oficina na cidade de Enid, escolhida estrategicamente em função das extensas áreas planas e salinas da região, ideais para testes de voo. Seus primeiros projetos caracterizavam-se por uma concepção clássica de biplano, com estruturas em madeira e revestimento em tecido  soluções típicas da engenharia aeronáutica da época. Buscando expandir suas atividades, Cessna tentou obter financiamento junto a instituições bancárias locais, mas sem sucesso. Diante dessas dificuldades, transferiu-se para Wichita, onde estabeleceu uma parceria com Walter H. Beech e Lloyd Stearman. Dessa associação resultou, em 1924, a fundação da Travel Air Manufacturing Company, empresa responsável pelo desenvolvimento de aeronaves de sucesso, como os modelos Travel Air 2000, 5000 e 500. Entretanto, divergências internas levaram Cessna a se desligar da sociedade. Demonstrando notável resiliência empreendedora, ele fundou, em 7 de setembro de 1927, a Cessna-Roos Aircraft Company, em parceria com Victor H. Roos. Essa associação, contudo, revelou-se breve: em 22 de dezembro do mesmo ano, Roos retirou-se do empreendimento, que passou então a ser denominado Cessna Aircraft Corporation. Em busca de consolidar sua posição no mercado, a empresa iniciou o desenvolvimento de um projeto inovador para a época, o Cessna DC-6. Seu protótipo realizou o primeiro voo em 14 de maio de 1929 e obteve certificação de aeronavegabilidade em 29 de outubro do mesmo ano  data que coincidiria com a Quebra da Bolsa de Nova York em 1929, evento que desencadeou a Grande Depressão. Esse contexto adverso provocou uma retração drástica no mercado aeronáutico, afetando severamente as vendas e a sustentabilidade financeira de diversas empresas do setor. Ainda assim, a linha de aeronaves da família “CR” desempenhou papel fundamental na sobrevivência da companhia durante esse período crítico, garantindo um fluxo mínimo de receitas. Apesar disso, a conjuntura econômica acabou levando Clyde Vernon Cessna a se afastar da direção da empresa. Um ponto de inflexão ocorreu em junho de 1933, quando um piloto profissional, utilizando um Cessna CR-3, venceu a American Air Race, realizada na cidade de Chicago, estabelecendo um novo recorde mundial de velocidade em sua categoria. Esse feito conferiu grande visibilidade à marca Cessna, reposicionando-a no cenário aeronáutico norte-americano. Antecipando o potencial de recuperação e crescimento da empresa, os sobrinhos de Cessna, Dwane Wallace e Dwight Wallace, adquiriram o controle da companhia no ano seguinte. Sob sua liderança, teve início um processo de reestruturação e modernização.

Com a economia dos Estados Unidos apresentando sinais consistentes de recuperação após os anos mais críticos da Grande Depressão, a Cessna Aircraft Company passou a investir de forma estratégica no desenvolvimento de aeronaves voltadas ao transporte de passageiros e ao treinamento básico multimotor. Esses novos produtos rapidamente conquistaram relevância tanto no mercado civil quanto no segmento militar, este último fortemente impulsionado pelo advento da Segunda Guerra Mundial. Durante esse período, a empresa foi beneficiada por diversos contratos governamentais, que garantiram recursos financeiros fundamentais para a expansão de sua capacidade industrial e para o investimento contínuo em pesquisa e desenvolvimento. Essa estratégia revelou-se acertada, permitindo à Cessna consolidar uma posição de destaque nos mercados aeronáuticos civil e militar ao longo das décadas seguintes. No início dos anos 1950, contudo, um novo paradigma tecnológico já se encontrava plenamente estabelecido: a introdução da aviação a jato nas forças armadas, especialmente na Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Tal transformação impôs a necessidade de revisão dos métodos e meios de formação de pilotos, uma vez que a transição direta de aeronaves convencionais a pistão para jatos de alto desempenho frequentemente acarretava dificuldades de adaptação, com impactos na segurança e nos custos operacionais. Diante desse cenário, em 1951, a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) definiu os requisitos para o desenvolvimento de uma aeronave de treinamento básico a reação, adequada às novas demandas operacionais. Em maio de 1952, foi oficialmente lançado o TX Trainer Experimental, iniciativa que visava à criação de um treinador a jato que combinasse simplicidade construtiva, facilidade de manutenção, robustez estrutural e qualidades de voo seguras, especialmente em regimes de baixa velocidade. Entre os requisitos estabelecidos, destacavam-se autonomia mínima de duas horas de voo, teto operacional de 30.000 pés (9.144 metros), velocidade máxima de aproximação de 113 nós (209 km/h), peso máximo de decolagem de 4.000 libras (1.814 kg) e capacidade de operar em pistas relativamente curtas. O programa atraiu significativo interesse da indústria aeronáutica norte-americana, reunindo 15 propostas distintas provenientes de oito fabricantes. Inserida nesse competitivo cenário, a Cessna Aircraft Company  até então reconhecida principalmente por aeronaves a pistão apresentou o projeto Model 318, que se destacava por adotar uma configuração de assentos lado a lado (side-by-side), em contraste com o arranjo em tandem predominante. Essa solução proporcionava maior interação entre instrutor e aluno, característica considerada particularmente vantajosa nas fases iniciais da formação de pilotos. Após um rigoroso processo de avaliação comparativa, o projeto da Cessna foi declarado vencedor. Em meados de 1953, a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) autorizou a construção de três protótipos destinados a ensaios em voo, além de uma célula estática para testes estruturais. Essas aeronaves receberam a designação Cessna XT-37, marcando o ingresso definitivo da empresa na era da aviação a jato.
O Cessna XT-37 apresentava uma configuração estrutural moderna para sua época, sendo integralmente construído em metal, com fuselagem do tipo semi-monocoque e asas retas de implantação baixa. Os motores eram instalados nas raízes das asas, solução que contribuía para a compacidade do conjunto e para a redução de arrasto. A aeronave dispunha ainda de canopy em formato de concha, assentos ejetáveis e trem de pouso triciclo com bitola larga  aproximadamente 4,3 metros  proporcionando elevada estabilidade durante as operações em solo. O sistema de propulsão era composto por dois turbojatos Continental J69-T-9, produzidos sob licença do francês Turbomeca Marboré, cada um gerando cerca de 920 lbf (4,1 kN) de empuxo. Entre os recursos técnicos incorporados ao projeto destacavam-se os defletores de empuxo para redução da distância de pouso, telas de proteção contra ingestão de objetos estranhos (FOD) e mais de uma centena de painéis de acesso, que permitiam elevada facilidade de manutenção  incluindo a substituição de motores em aproximadamente 30 minutos. O primeiro voo do protótipo ocorreu em 12 de outubro de 1954, sob o comando do piloto de testes Bob Hagan. Durante os ensaios iniciais, a aeronave demonstrou desempenho satisfatório, alcançando velocidade máxima de 390 mph (628 km/h), alcance de 935 milhas (1.505 km) e teto de serviço de 35.000 pés (10.668 m). Contudo, em função da cabine não pressurizada, sua operação prática era limitada a aproximadamente 25.000 pés. Apesar das qualidades gerais do projeto, os ensaios subsequentes revelaram um problema crítico relacionado ao comportamento em parafuso (spin). Durante testes de estol e recuperação, o primeiro protótipo foi perdido em fevereiro de 1955, após o piloto não conseguir restabelecer o controle da aeronave  embora tenha conseguido ejetar-se com segurança. Investigações aerodinâmicas posteriores indicaram que o XT-37 apresentava tendência a não sair do parafuso em determinadas condições, especialmente quando havia ajustes inadequados na tensão dos cabos de comando. Nessas circunstâncias, a deflexão das superfícies de controle tornava-se insuficiente para vencer as forças aerodinâmicas atuantes, comprometendo a recuperação da aeronave  característica claramente incompatível com os requisitos de segurança de um treinador. Como resposta a essas limitações, foram implementadas modificações significativas nos protótipos subsequentes. Entre elas, destacaram-se a instalação de strakes (superfícies aerodinâmicas adicionais) na região do nariz, destinadas a melhorar o escoamento do ar, e o aumento da área do estabilizador vertical, com o objetivo de aprimorar a estabilidade direcional e facilitar a recuperação de parafusos. O terceiro protótipo, incorporando essas melhorias, realizou seu primeiro voo em 3 de maio de 1955. Após a validação dessas alterações, a aprovou-se a entrada do modelo em produção sob a designação T-37A. Ainda assim, a aeronave continuava a exigir procedimentos específicos e relativamente complexos para recuperação de parafuso, além de apresentar sensibilidade a distribuições desequilibradas de combustível.

A versão de produção inicial, o T-37A, mantinha grande similaridade com os protótipos, incorporando apenas ajustes decorrentes dos ensaios. No entanto, sua motorização foi considerada marginal em termos de desempenho, o que levou ao desenvolvimento da variante T-37B. Esta versão foi equipada com motores mais potentes, os Continental J69-T-25, que proporcionavam cerca de 10% a mais de empuxo (1.025 lbf cada), além de contar com aviônicos aprimorados, melhorias no sistema de combustível e redução das exigências de manutenção. O primeiro contrato de produção foi firmado em meados de 1955, contemplando a fabricação de 440 aeronaves. A primeira unidade foi oficialmente entregue à em junho de 1956, marcando o início da carreira operacional de um dos mais importantes treinadores a jato da aviação militar norte-americana. O característico som agudo produzido pelos dois motores Continental J69-T-9 do Cessna T-37 Tweet rapidamente deu origem ao apelido jocoso “Tweety Bird” (canário), adotado pelos próprios pilotos. Apesar do tom bem-humorado, o elevado nível de ruído gerado pela aeronave impôs medidas operacionais rigorosas nas bases aéreas norte-americanas, incluindo a obrigatoriedade do uso de proteção auricular para o pessoal de solo e adaptações estruturais, como a instalação de janelas com isolamento acústico. Em 1957, o Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) avaliou três exemplares do T-37A para missões de observação no campo de batalha e apoio ao combate. Contudo, após análises comparativas, optou pela adoção do Grumman OV-1 Mohawk, aeronave turboélice considerada mais adequada a esse perfil de missão. No âmbito do treinamento, especialmente junto à Academia da Força Aérea, o desempenho do T-37 revelou-se altamente satisfatório, o que motivou a celebração de novos contratos. Em 1957, foi firmado um acordo adicional para a produção de 90 aeronaves, com entregas previstas até o final de 1959, consolidando o modelo como o principal treinador básico a jato da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Já no início da década de 1960, buscando aprimorar o desempenho geral da aeronave, solicitou-se  à Cessna Aircraft Company estudos de modernização. Em resposta, o fabricante propôs a adoção de uma versão aperfeiçoada dos motores J69, com incremento de aproximadamente 10% no empuxo, além de atualizações na suíte aviônica e nos sistemas de comunicação. A proposta foi aprovada, resultando na versão Cessna T-37B. A introdução do T-37B levou à assinatura de um expressivo contrato para a produção de 550 novas aeronaves, com entregas programadas até meados de 1973, além da modernização de 203 exemplares da versão T-37A para o novo padrão. Essa variante consolidou-se como a principal versão operacional do modelo, incorporando melhorias significativas em desempenho, confiabilidade e manutenção. Durante seu emprego operacional, especialmente entre 1965 e 1970, foram registrados diversos incidentes envolvendo colisões com aves (bird strikes), alguns com consequências graves. Em resposta, procedeu-se à substituição do canopy original por um novo para-brisa confeccionado em policarbonato Lexan, com espessura de 12,7 mm, capaz de resistir ao impacto de aves com massa de até 1,8 kg a velocidades relativas de até 468 km/h, aumentando substancialmente a segurança operacional.
Em 1962, a diretoria técnica da Cessna chegou a propor o T-37B como possível substituto do North American F-100 Super Sabre na equipe de demonstração acrobática Thunderbirds. A proposta, contudo, não foi aceita, possivelmente em razão das limitações de desempenho da aeronave.  Cabe destacar que, embora concebidos originalmente como treinadores desarmados, os T-37A e T-37B despertaram interesse para aplicações em cenários de conflito de baixa intensidade. A partir de 1961, a Cessna iniciou estudos para o desenvolvimento de uma versão voltada à instrução de ataque ao solo, alinhada à crescente demanda internacional por aeronaves de contrainsurgência (COIN). Esses esforços culminaram no desenvolvimento do Cessna Model 318C, derivado diretamente do T-37B, equipado com visor de tiro e provisões para o emprego de armamentos externos, incluindo bombas, lançadores de foguetes e casulos de metralhadoras em quatro pontos sob as asas, ampliando significativamente o espectro operacional da plataforma. O desenvolvimento do T-37C buscava ocupar um nicho de exportação, com a versão focada em treinamento avançado e missoes de apoio aéreo aproximado. Seu  protótipo foi baseado em um T-37B modificado, com ênfase em reforços estruturais para suportar cargas externas, recebendo ainda em cada asa um tanque de 65 galões americanos (245 litros), ejetáveis em emergências, estendendo o alcance máximo para 1.770 km (1.100 milhas). Por fim poderia ainda receber moderna suíte avionica, podendo ser equipado com sistemas de ADF e VOR, que permitiria a instrução  e ataque em ambientes diurno e noturno. As modificações aumentaram o peso em 650 kg (1.430 libras), reduzindo a velocidade máxima para 595 km/h (370 mph) sem upgrades nos motores (mantendo os dois turbojatos Continental-Teledyne J69-T-25 de 1.025 lbf cada). O teto de serviço permaneceu em torno de 10.700 m (35.000 pés), mas operacionalmente limitado a 7.600 m (25.000 pés) devido à cabine não pressurizada. A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) mostrou interesse inicial, mas o foco principal foi destinado ao mercado de exportação, impulsionado pelo programa de Assistência Militar durante a Guerra do Vietnã. A produção do T-37C (algo na ordem de 269 a 273 aeronaves) comporia o total de 1.269 células entregues, com estas sendo  exportadas para o  Brasil, Colômbia, Paquistão, Birmânia, Chile, Grécia, Portugal, Turquia e Coreia do Sul.  Já as aeronaves T-37A e T-37B em serviço na Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) representaram o sustentáculo do processo de treinamento básico daquela arma aérea até o início do ano 2000, quando passaram a ser substituídos pelos novos turbo hélices Beechcraft T-6 Texan II. A última unidade a operar o modelo seria a 80ª Ala de Treinamento de Voo, que faria uso deste treinador até o dia 31 de julho de 2009. As células remanescentes em em bom estado de conservação, após serem armazenadas nos Centros de Manutenção e Regeneração de Aeronaves (Amarc), passaram a ser disponibilizadas as nações amigas nos termos do MAP- Military Assistence Program, com dezenas de aeronaves sendo transferidas a Colômbia, Equador, Bangladesh, Chile, Alemanha, Grécia, Jordânia, República Khmer, Peru, Vietnã do Sul e Tailândia.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
No contexto da aviação militar brasileira, a década de 1960 configurou-se como um período de profunda transformação tecnológica e doutrinária para a Força Aérea Brasileira (FAB). À época, a instituição já dispunha, em sua linha de frente, de aeronaves a jato de elevado desempenho, como os britânicos Gloster Meteor F.8 e os norte-americanos Lockheed F-80C Shooting Star, que representavam o estado da arte da tecnologia aeronáutica do pós-guerra e ampliavam significativamente a capacidade de defesa aérea do país. Entretanto, a operação desses vetores exigia pilotos altamente qualificados, aptos a lidar com as exigências específicas do voo em aeronaves a jato, sobretudo em missões de combate. Nesse aspecto, o sistema de formação então vigente apresentava limitações relevantes. O treinamento de pilotos ainda se apoiava majoritariamente em aeronaves monomotoras a pistão, como os North American  T-6D e T-6G, amplamente utilizados desde a Segunda Guerra Mundial. Embora esses aviões tenham desempenhado papel fundamental na formação de gerações de aviadores, seu desempenho já não era compatível com as exigências impostas pela nova era dos jatos. Essa defasagem criava um hiato significativo no processo de instrução um gap operacional  entre a formação básica e a transição direta para aeronaves de combate a jato. Ademais, os elevados custos de manutenção dessas aeronaves, já desgastadas pelo uso prolongado, agravavam a situação, pressionando os recursos disponíveis. Diante desse cenário, a necessidade de modernização do sistema de treinamento tornou-se imperativa. Buscava-se uma aeronave que não apenas elevasse o padrão de formação dos pilotos, mas também proporcionasse maior eficiência operacional e redução de custos, ao mesmo tempo em que facilitasse a transição para os jatos de combate. Essa demanda refletia, em grande medida, um movimento global observado em diversas forças aéreas, igualmente desafiadas pela rápida evolução tecnológica da aviação militar. Com esse objetivo, o Ministério da Aeronáutica (MAer) lançou, ao longo da década de 1960, uma concorrência internacional visando à aquisição de até cinquenta aeronaves de treinamento avançado a reação, destinadas a substituir os veteranos T-6 Texan. O processo atraiu propostas de diversos fabricantes, mas o modelo que se destacou foi o Cessna T-37C (Model 318), desenvolvido pela Cessna Aircraft Company. A aeronave apresentava características particularmente adequadas às exigências do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAer). Tratava-se de um treinador a jato leve, concebido especificamente para a formação de pilotos militares, com configuração de dois assentos lado a lado  favorecendo a interação entre instrutor e aluno  e capacidade para executar manobras avançadas. Além disso, sua motorização baseada em dois turbojatos proporcionava desempenho compatível com a etapa de transição para aeronaves de combate. Somadas às qualidades técnicas, as condições comerciais oferecidas  particularmente no que se refere a prazos e financiamento  mostraram-se mais vantajosas em relação às propostas concorrentes, fator que teve peso decisivo na escolha final. O contrato inicial firmado  estabeleceu a aquisição de quarenta células novas do modelo Cessna T-37C (Model 318C), que receberam as matrículas FAB 0870 a FAB 090

Essa incorporação representou um passo decisivo no processo de modernização do sistema de instrução da Força Aérea Brasileira (FAB), ao introduzir, de forma sistemática, o treinamento a jato no país. Com o objetivo de supervisionar a produção, assegurar a qualidade das aeronaves e acompanhar sua entrega, o Estado-Maior da Aeronáutica (EMAer) instituiu a Comissão de Fiscalização e Recebimento da Força Aérea Brasileira issão de Fiscalização e Recebimento da Força Aérea Brasileira (FAB) nas instalações do fabricante Cessna (COMFIREM-CESSNA) nas instalações do fabricante, sediada em Wichita. Essa comissão desempenhou papel fundamental não apenas na aceitação técnica das aeronaves, mas também na transferência de conhecimento, coordenando o treinamento inicial de pilotos e técnicos brasileiros, especialmente no que se refere aos procedimentos de operação e manutenção do novo vetor. O traslado das aeronaves, iniciado em meados de 1967, constituiu uma operação logística de elevada complexidade. Os voos foram realizados em formações de quatro ou cinco T-37C, pilotados por oficiais oriundos da Escola de Aeronáutica (EAer), sendo acompanhados por uma aeronave brasileira de apoio Fairchild C-119 Flying Boxcar. Este último desempenhava papel essencial no suporte logístico, garantindo assistência durante as longas etapas da travessia, que incluíam escalas cuidadosamente planejadas até a chegada ao território nacional. A partir de agosto de 1967, as primeiras aeronaves começaram a ser recebidas em Pirassununga, onde se encontrava o Destacamento Precursor da Escola de Aeronáutica (DPEAer), embrião da futura Academia da Força Aérea (AFA). Entre o último trimestre de 1967 e ao longo de 1968, a Força Aérea Brasileira (FAB) concentrou seus esforços na consolidação operacional da nova aeronave, abrangendo a formação de instrutores, a estruturação da logística de manutenção e a elaboração de manuais e doutrinas específicas para o emprego do T-37C no treinamento de pilotos. O marco simbólico dessa integração ocorreu em 9 de setembro de 1968, quando foi realizado o primeiro voo de instrução com cadetes no Brasil, evidenciando a plena incorporação do T-37C ao sistema de formação. O êxito inicial do programa incentivou a expansão da frota. Em 1970, com a criação do Centro de Formação de Pilotos Militares (CFPM), sediado em Natal, foram adquiridas mais vinte e cinco aeronaves do mesmo modelo, registradas sob as matrículas FAB 0910 a FAB 0934. O Centro de Formação de Pilotos Militares (CFPM) foi concebido como uma unidade centralizada de formação, responsável pelas fases inicial, básica e avançada do treinamento de voo dos cadetes em seu primeiro ano. Esse modelo permitia uma seleção mais criteriosa dos futuros aviadores militares, racionalizando recursos e elevando a qualidade da instrução. Após essa etapa, os cadetes aprovados eram encaminhados à Academia da Força Aérea (AFA), que, desde 10 de julho de 1969, substituíra oficialmente a Escola de Aeronáutica (EAer). Na nova estrutura, os voos realizados na academia passaram a ter caráter predominantemente de manutenção operacional, uma vez que o processo seletivo e formativo inicial já havia sido conduzido no Centro de Formação de Pilotos Militares (CFPM).
A criação da “Esquadrilha Coringa” no âmbito da Academia da Força Aérea (AFA) constitui um dos episódios mais emblemáticos e inspiradores da história recente da Força Aérea Brasileira (FAB). Formada em 1969 por instrutores do Primeiro Esquadrão de Instrução Aérea (1º EIA), a esquadrilha nasceu com o propósito de elevar o nível de proficiência em voo em formação, ao mesmo tempo em que buscava estimular o espírito de corpo, a motivação e a confiança dos jovens cadetes aviadores. Mais do que um grupo voltado exclusivamente à demonstração aérea, a “Coringa” foi concebida como um instrumento pedagógico e simbólico, integrado ao processo formativo. Suas apresentações ocorriam, sobretudo, em ocasiões solenes do calendário acadêmico  como a cerimônia de entrega do espadim aos novos cadetes e a formatura dos aspirantes-a-oficial  reforçando valores institucionais e consolidando a identidade do aviador militar desde as fases iniciais de sua formação. A estreia oficial da esquadrilha ocorreu em 10 de julho de 1969, data de grande significado institucional, pois marcou simultaneamente a entrega do espadim e a transformação da Escola de Aeronáutica em Academia da Força Aérea, além de sua transferência definitiva para Pirassununga. Na ocasião, nove aeronaves Cessna T-37C executaram uma demonstração de alto nível técnico, caracterizada por formações cerradas, precisão nas manobras e perfeita coordenação entre os pilotos. O característico som agudo dos jatos  que lhes rendera o apelido de “Tweety Bird” conferiu ainda maior impacto à apresentação, que foi amplamente aclamada por cadetes, oficiais, autoridades e familiares presentes. A excelência demonstrada consolidou rapidamente a “Esquadrilha Coringa” como símbolo de disciplina, técnica e inovação. Esse protagonismo tornou-se ainda mais evidente a partir de 1976, quando a Esquadrilha da Fumaça foi temporariamente desativada em decorrência da retirada de serviço dos veteranos T-6. Nesse intervalo, a Coringa assumiu, de fato, o papel de principal esquadrilha de demonstração aérea da Força Aérea Brasileira (FAB), ainda que sem o status oficial de sua congênere. Durante esse período, a esquadrilha passou a atender a diversas solicitações para apresentações, tanto no âmbito da Academia da Força Aérea (AFA) quanto em eventos externos, sempre condicionadas à disponibilidade de aeronaves e às limitações orçamentárias relativas às horas de voo. Suas exibições destacavam-se pela execução de manobras de alta precisão, incluindo voos em formação cerrada, passagens a baixa altitude e evoluções acrobáticas que evidenciavam a versatilidade e as qualidades de voo do T-37C. Mais do que espetáculos aéreos, essas demonstrações desempenhavam papel estratégico na formação dos cadetes, funcionando como fonte de inspiração e referência profissional. Ao observar seus instrutores em plena execução de manobras complexas, os alunos eram incentivados a buscar elevados padrões de desempenho e disciplina. Paralelamente, as apresentações contribuíam para fortalecer a imagem institucional da Força Aérea Brasileira (FAB) junto à sociedade, projetando-a como uma força moderna, eficiente e capaz de atrair novas gerações para a carreira militar.

Apesar de seu inegável êxito, a “Esquadrilha Coringa” passou a enfrentar crescentes dificuldades operacionais ao final da década de 1970. A manutenção dos Cessna T-37C, dependente de peças importadas e impactada pelo desgaste acumulado de anos de uso intensivo, tornou-se um fator crítico. Em 1978, a frota disponível na Academia da Força Aérea (AFA) já não conseguia assegurar a disponibilidade mínima de nove aeronaves necessária para as formações completas da esquadrilha. Diante dessa limitação, o comando da academia determinou a redução das apresentações para apenas quatro aeronaves, medida que, embora necessária, comprometeu a essência das demonstrações em grande escala. Nesse contexto, a esquadrilha realizou sua última apresentação no final de 1978. A combinação entre a redução da disponibilidade de aeronaves e a necessidade de priorizar as atividades de instrução levou à sua desativação. Ainda que tenha tido uma existência relativamente breve, entre 1969 e 1978, a “Esquadrilha Coringa” deixou um legado marcante, associado à excelência técnica, ao entusiasmo e ao fortalecimento do espírito de corpo entre os cadetes e o público que acompanhou suas exibições. Em uma perspectiva mais ampla, a introdução do T-37C representou uma verdadeira revolução no processo de formação de pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB), ao permitir que os cadetes tivessem contato direto com uma aeronave de características de desempenho mais próximas às dos caças de primeira linha então em operação. Contudo, essa sistemática mostrou-se transitória. A partir de 1973, todos os T-37C foram concentrados na acadeia, que passou a centralizar a formação de pilotos militares, culminando também na extinção do Curso de Formação de Pilotos da Reserva. O intenso emprego operacional da frota cobrou, entretanto, um preço elevado. Em meados da década de 1970, o índice de acidentes envolvendo o T-37C tornou-se significativo, resultando na perda de vinte e uma aeronaves  o equivalente a aproximadamente 32,3% do total adquirido. A esse quadro somavam-se fatores como o aumento dos custos de manutenção, dificuldades no fornecimento de peças de reposição, sinais de fadiga estrutural e o elevado custo operacional. Como consequência, os índices de disponibilidade tornaram-se progressivamente mais críticos, afetando diretamente a continuidade e a eficiência do processo de instrução. Diante desse cenário, tornou-se evidente a necessidade de desativação gradual do T-37C. Esse processo teve início em meados de 1978 e foi estruturado em duas fases. Inicialmente, o Neiva T-25 Universal passou a dividir o estágio de treinamento avançado com o T-37C, proporcionando uma transição mais equilibrada para os cadetes. Paralelamente, já estava em andamento o planejamento do Ministério da Aeronáutica (MAer) para a introdução de um novo treinador avançado: o T-27 Embraer EMB-312 Tucano. Esta aeronave encontrava-se, naquele momento, em fase final de desenvolvimento e seria incorporado a partir de 1983, assumindo definitivamente o papel desempenhado até então pelo T-37C. 
Sua introdução marcaria o início de uma nova etapa na formação de pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB), alinhada a conceitos mais modernos de eficiência operacional, custo-benefício e adequação às necessidades do ensino militar. Esse processo de transição foi gradualmente conduzido até o início da década de 1980, quando o Cessna T-37C deixou definitivamente as atividades da Academia da Força Aérea (AFA). As aeronaves remanescentes foram então transferidas para o Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMASP), localizado no Campo de Marte, na cidade de São Paulo. Essa organização era responsável pela execução das revisões gerais do tipo IRAN (Inspection and Repair As Necessary), etapa essencial para a avaliação do estado estrutural e operacional das células, especialmente diante da possibilidade de alienação do material. Ao final de 1980, todas as aeronaves haviam sido concentradas no Campo de Marte, onde passaram a ser preparadas para inclusão em um processo de concorrência internacional. Tal iniciativa foi formalizada por meio do Boletim da Diretoria de Material (DIRMA) nº 028, de 20 de outubro de 1981, que oficializou a baixa de 42 aeronaves do acervo da Força Aérea Brasileira (FAB) remanescentes de uma frota original de 65 unidades recebidas nos anos de 1967 e 1970. No mesmo ano, essas 42 aeronaves foram colocadas à venda, despertando o interesse de diversos países, entre os quais Chile, Uruguai e até mesmo os Estados Unidos. Contudo, foi a Coreia do Sul que apresentou a proposta mais vantajosa, concretizando a aquisição de todo o lote. As aeronaves foram entregues em março de 1982, encerrando definitivamente a presença do T-37C no inventário brasileiro. Assim se concluía a trajetória de um vetor que desempenhou papel fundamental na história da aviação militar nacional. O T-37C foi responsável por formar toda uma geração de pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB), introduzindo a doutrina do voo a jato e preparando seus aviadores para a operação de aeronaves cada vez mais sofisticadas. Seu legado permanece vivo na memória daqueles que o pilotaram e, sobretudo, daqueles que deram nele seus primeiros passos na arte de voar. Como testemunho material dessa história, a aeronave T-37C matrícula “FAB 0922” encontra-se preservada no Museu Aeroespacial (MUSAL), no Rio de Janeiro. As demais aeronaves, ao longo de aproximadamente quinze anos de operação, foram gradualmente perdidas em acidentes ou desativadas, refletindo o intenso ritmo de emprego a que foram submetidas durante sua carreira na Força Aérea Brasileira (FAB)

Em Escala.
Para representarmos o Cessna T-37C "FAB 0922", empregamos o kit GIIC (resina) na escala 1/48, modelo este que já apresenta as conversões pertinentes a versão operada pelo Brasil. Não necessitando assim de modificações em scratch que devem ser feitas caso o modelista faça a opção por modelos injetados disponíveis no mercado (Revell ou Monogram). Empregamos decais originários do modelo em combinação com decais confeccionados pela FCM Decais presentes no antigo  Set 48/10.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o terceiro padrão de pintura empregado nas aeronaves T-37C em uso pela Força Aérea Brasileira (FAB), inicialmente as células foram recebidas nos Estados Unidos com acabamento metálico, sendo depois adicionadas faixas de alta visibilidade no Brasil (empregado nO Centro de Formação de Pilotos Militares - CFPM e Academia da Força Aérea - AFA), o terceiro padrão foi implementado após as revisões gerais em âmbito de parque (IRAN – Inspecion and Repair as Necessery) e mantido até sua retirada do serviço ativo.

Bibliografia :
- Cessna T-37C , Wikipédia -http://pt.wikipedia.org/wiki/Cessna_T-37
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 / 2015 – Jackson Flores Jr.
- Cessna T-37 Esse eu Voei Cel Av Antônio R. Biasus – Revista Força Aérea Edição 95
- História da Força Aérea Brasileia, Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html

T-21 (S.11) e T-22 (S.12) Fokker

História e Desenvolvimento.
Anthony Fokker, filho de um comerciante neerlandês, revelou desde cedo notável inclinação para a mecânica e, em particular, para os ainda incipientes estudos da aviação. Em 1910, aos vinte anos de idade, concebeu e construiu sua primeira aeronave, o “Spin” (Aranha), um monoplano de asa alta claramente influenciado pelos projetos do pioneiro francês Henri Farman. Os ensaios realizados nos Países Baixos demonstraram resultados promissores, encorajando o jovem inventor a buscar horizontes mais favoráveis ao desenvolvimento de suas ideias. Nesse contexto, em 1911, Fokker transferiu-se para a Alemanha, atraído pelo ambiente altamente dinâmico de Johannisthal, então um dos mais importantes centros aeronáuticos europeus, situado nos arredores de Berlim. Ali concentravam-se diversas empresas emergentes do setor, como a Rumpler e a Albatros Flugzeugwerke, formando um ecossistema propício à inovação. Sob uma perspectiva humana, essa mudança representou uma decisão de grande risco: ainda jovem, Fokker afastou-se de sua família e passou a enfrentar limitações financeiras, além das dificuldades inerentes à adaptação linguística e cultural, em nome de seu projeto de vida. Em 22 de fevereiro de 1912, estabeleceu formalmente a Fokker Aviatik GmbH em Johannisthal, com capital inicial modesto e direcionamento voltado à fabricação e comercialização de aeronaves. A designação “Aviatik”, amplamente empregada à época  derivada do latim avis (pássaro), refletia tanto o espírito do período quanto uma estratégia de atração de investidores alemães. Inicialmente instalada em uma oficina de pequenas dimensões e contando com reduzido número de mecânicos, a empresa produziu seus primeiros monoplanos inspirados diretamente no “Spin”. Ainda em dezembro de 1912, a jovem companhia obteve seu primeiro contrato de maior relevância, ao fornecer duas aeronaves monoplano ao Exército Alemão (Deutsches Heer), fato que marcaria o início de uma relação institucional determinante para sua consolidação. Fokker, dotado de personalidade ousada e marcadamente empreendedora, envolvia-se pessoalmente nos ensaios em voo, demonstrando coragem em um período no qual a atividade aeronáutica era associada a elevados índices de acidentes e mortalidade. Entre 1913 e 1914, a Fokker Aviatik GmbH passou por significativa expansão de suas instalações em Johannisthal, alcançando um quadro aproximado de cem trabalhadores e diversificando sua produção para atender tanto à demanda civil quanto militar. Dentre os modelos iniciais destacavam-se o Fokker M.1 Spin e o Fokker M.5, aeronaves de treinamento que incorporavam soluções técnicas inovadoras, como o controle lateral por torção das asas (wing warping), conceito originalmente desenvolvido pelos irmãos Wright e posteriormente adaptado para conferir maior estabilidade operacional. Em 1913, Fokker apresentou o modelo M.5 ao Exército Alemão (Deutsches Heer), assegurando contratos para a formação de pilotos na escola de aviação de Döberitz. Paralelamente, a empresa iniciou exportações para mercados estrangeiros, como a Rússia e a Suécia, contribuindo para consolidar a reputação de Fokker como um dos mais promissores inovadores de sua geração.

 Em 1914, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, a Fokker Aviatik GmbH redirecionou decisivamente sua produção para fins militares, atendendo à crescente demanda alemã por aeronaves de combate mais eficazes  um movimento que definiria, de maneira duradoura, o papel da empresa no cenário aeronáutico internacional. A eclosão da Primeira Guerra Mundial representou um ponto de inflexão decisivo na trajetória da Fokker Aviatik GmbH, que rapidamente se consolidou como uma das principais fornecedoras de aeronaves para o Exército Alemão. Nesse contexto de mobilização industrial e acelerado desenvolvimento tecnológico, Anthony Fokker destacou-se ao introduzir, em 1915, o caça monoplano Fokker E.I Eindecker, dotado de um sistema de sincronização de disparo  o denominado interrupter gear. Tal dispositivo permitia o uso de metralhadoras disparando através do arco da hélice sem danificá-la, constituindo uma inovação de grande impacto no combate aéreo. Convém observar, sob o prisma técnico, que o armamento empregado não correspondia a uma metralhadora Gatling de múltiplos canos, mas sim a metralhadoras sincronizadas de tiro contínuo, como a LMG 08/15, calibradas no padrão 7,92 × 57 mm Mauser. Ainda assim, a introdução desse sistema conferiu aos alemães uma vantagem tática temporária nos céus da Europa, período que ficaria conhecido como o “Flagelo Fokker” (Fokker Scourge). Durante essa fase, ases da aviação como Max Immelmann e Oswald Boelcke obtiveram vitórias expressivas, contribuindo para consolidar a reputação de Fokker como um dos principais inovadores do setor. À medida que o conflito se intensificava, o Estado alemão passou a exercer maior controle sobre a indústria aeronáutica, assumindo, na prática, a gestão das operações da empresa. Ainda assim, Fokker foi mantido como figura central no desenvolvimento de projetos, ocupando posição de destaque como projetista. Nesse cenário, estabeleceu-se uma colaboração  em grande medida imposta pelas circunstâncias de guerra com a Junkers, empresa pioneira no emprego de estruturas metálicas e em conceitos avançados de engenharia aeronáutica. Essa associação resultou, em 20 de outubro de 1917, na criação da Junkers-Fokker Aktiengesellschaft (Jfa), iniciativa que buscava combinar a experiência produtiva da Fokker com as inovações estruturais da Junkers. Contudo, divergências técnicas, administrativas e estratégicas acabaram por comprometer a eficácia da parceria, levando à sua dissolução em curto espaço de tempo. Apesar disso, diversos conceitos desenvolvidos nesse período foram incorporados a projetos subsequentes, contribuindo para uma certa convergência estética e tecnológica entre aeronaves das duas empresas ao longo da década seguinte. Durante a fase final do conflito, sob a liderança técnica de Reinhold Platz, a Fokker produziu alguns dos mais notáveis caças alemães da guerra, dentre os quais se destacam o Fokker D.VI, o célebre triplano Fokker Dr.I (Dreidecker)  imortalizado como a aeronave associada ao “Barão Vermelho”, Manfred von Richthofen  e o altamente eficiente Fokker D.VII. 
Este último, introduzido em 1918, é amplamente considerado o melhor caça alemão do conflito, combinando excelente desempenho, com velocidade máxima em torno de 200 km/h, e armamento composto por duas metralhadoras sincronizadas LMG 08/15. Ao longo da guerra, a Fokker produziu aproximadamente 7.600 aeronaves, o impacto do Fokker D.VII foi tal que ao final do conflito a Alemanha foi obrigada a entregar todos os exemplares remanescentes As disposições impostas pelo Tratado de Versalhes proibiram o pais de manter ou desenvolver uma indústria aeronáutica militar, o que teve impacto direto sobre as atividades de Anthony Fokker. Diante desse novo cenário, o empresário foi compelido a encerrar, em 1919, as operações de sua fábrica em Johannisthal. Em uma decisão estratégica e ousada, transferiu clandestinamente parte significativa de seus equipamentos, máquinas e ferramental para os Países Baixos, onde, em 21 de julho do mesmo ano, fundou a N.V. Nederlandsche Vliegtuigenfabriek, estabelecida em Amsterdã. A partir de então, passaria a concentrar seus esforços no desenvolvimento de aeronaves em território neutro, afastando-se das restrições impostas à Alemanha derrotada. No início da década de 1920, atento às oportunidades do mercado internacional, Fokker ampliou sua atuação para além da Europa. Em 1923, transferiu-se para os Estados Unidos, onde consolidou sua presença industrial ao fundar, em 1927, a Atlantic Aircraft Corporation, posteriormente rebatizada como Fokker Aircraft Corporation of America. Esse movimento marcou o início de um período de grande prosperidade para a empresa, que viria a se tornar, naquele contexto, uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo. O principal símbolo desse êxito foi o trimotor de transporte de passageiros Fokker F.VIIa/3m, introduzido em meados da década de 1920. Robusto, confiável e adaptado às condições operacionais ainda precárias da aviação comercial da época, o modelo alcançou ampla aceitação internacional, sendo empregado por dezenas de companhias aéreas e chegando a deter, em 1936, cerca de 40% do mercado norte-americano. Inicialmente, a empresa dividia espaço no mercado europeu com a Junkers. Com o tempo, contudo, os projetos da Fokker conquistaram predominância tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, até a entrada em cena do Ford Trimotor, cuja concepção incorporava, em certa medida, soluções estruturais e aerodinâmicas semelhantes às desenvolvidas por Fokker e pela própria Junkers. O falecimento de Anthony Fokker, em 1939, marcou o fim de uma era para a companhia. Pouco depois, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial e a subsequente ocupação dos Países Baixos pela Alemanha, a empresa voltou a operar sob controle alemão. Nesse período, foi incumbida da produção em larga escala de aeronaves de treinamento básico como o Bücker Bü 181 Bestmann, além de participar da fabricação de componentes essenciais para aeronaves de transporte, notadamente o Junkers Ju 52/3m. 

Os efeitos do conflito foram profundamente devastadores para os Países Baixos. A infraestrutura industrial nacional  incluindo as instalações da Fokker em Amsterdã  sofreu severos danos durante o período de ocupação entre 1940 e 1945. No pós-guerra, a empresa enfrentou o desafio de reconstruir suas capacidades produtivas em um ambiente econômico e industrial fragilizado. Nesse contexto, a Fokker direcionou seus esforços iniciais para o desenvolvimento de aeronaves leves de treinamento, identificando um nicho promissor no mercado europeu. As forças aéreas do continente, em processo de reorganização e modernização, necessitavam substituir aeronaves obsoletas da era pré-guerra, como o de Havilland DH.82 Tiger Moth, o Bücker Bü 131 Jungmann, o Boeing-Stearman PT-17 Kaydet e o Fairchild PT-19. A necessidade de formar pilotos aptos a operar aeronaves cada vez mais rápidas e tecnologicamente sofisticadas impulsionou a demanda por treinadores modernos, abrindo caminho para uma nova fase de desenvolvimento na história da empresa. Nesse contexto de reconstrução e reposicionamento no mercado aeronáutico do pós-guerra, a Fokker deu início ao desenvolvimento de um novo treinador básico, que viria a ser designado como S.11. A letra “S” derivava do termo holandês Scholenvliegtuig (aeronave de instrução), refletindo claramente sua finalidade. O projeto inicial, identificado como “Projeto 223”, foi concebido com o objetivo de atender às crescentes demandas por formação de pilotos em uma aviação cada vez mais complexa e exigente. Do ponto de vista conceitual, o S.11 incorporava soluções inovadoras para a época, destacando-se a configuração monoplana de asa baixa com assentos lado a lado para aluno e instrutor. Essa disposição representava uma ruptura em relação ao tradicional arranjo em tandem, proporcionando melhor comunicação, maior interação visual e mais eficiente supervisão durante as fases de instrução. Estruturalmente, a aeronave adotava uma construção mista, equilibrando robustez, simplicidade e custos operacionais. A fuselagem era composta por uma treliça de tubos de aço soldados, parcialmente revestida com compensado e lona, enquanto as superfícies aerodinâmicas  asas e empenagens  eram integralmente metálicas, assegurando maior durabilidade e facilidade de manutenção. O trem de pouso fixo, com pernas anguladas (knicked), foi projetado para absorver melhor os impactos em pistas não preparadas, característica relevante no cenário europeu do pós-guerra. A motorização ficava a cargo do Lycoming O-435-A, um motor boxer de seis cilindros opostos, refrigerado a ar, capaz de desenvolver cerca de 190 hp. Esse conjunto conferia ao S.11 desempenho adequado à sua missão, com velocidade máxima em torno de 209 km/h, teto operacional aproximado de 4.000 metros e peso máximo de decolagem na ordem de 1.100 kg. O protótipo, registrado como PH-NBE, foi construído nas instalações da Fokker em Amsterdã, utilizando técnicas de produção que buscavam otimizar o equilíbrio entre desempenho e viabilidade econômica. 
Seu primeiro voo ocorreu em 18 de dezembro de 1947, no Aeroporto de Schiphol, com sua avaliação  evidenciando boas qualidades de estabilidade e manuseio. Entretanto, os ensaios conduzidos ao longo de 1948 revelaram a necessidade de refinamentos aerodinâmicos, como melhorias no estabilizador horizontal, com o objetivo de corrigir tendências de instabilidade direcional, bem como ajustes no sistema de leme, visando reduzir esforços excessivos durante subidas prolongadas. Adicionalmente, o canopy foi redesenhado e ampliado, proporcionando melhor visibilidade e ventilação à cabine. Esses estudos permitiram identificar e solucionar de forma eficaz as limitações iniciais do projeto. Com a maturidade técnica alcançada, a Fokker iniciou, ainda em 1948, uma campanha de demonstração voltada a potenciais operadores militares. Como resultado, foi firmado o primeiro contrato com a Real Força Aérea Holandesa, que encomendou 39 aeronaves destinadas à substituição dos treinadores Bücker Bü 181. A introdução operacional do S.11 ocorreu em março de 1950, quando cadetes passaram a utilizá-lo em missões de instrução básica, frequentemente sob condições climáticas adversas características do norte dos Países Baixos, como ventos intensos e nevoeiros persistentes. O êxito do modelo rapidamente despertou interesse internacional, levando à sua adoção por outros países. Entre os primeiros clientes estrangeiros destacou-se a recém-criada Força Aérea de Israel, que adquiriu inicialmente 41 aeronaves adaptadas para operações em ambiente desértico. As primeiras unidades foram entregues em maio de 1951, sendo incorporadas ao Esquadrão 101. Neste mesmo momento, renascida Força Aérea Italiana - AMI (Aeronautica Militare Italiana) também estava em busca de uma nova aeronave de treinamento primário, elegendo o Fokker S.11 como seu modelo padrão, resultando em um contrato de produção sob licença pela empresa Aeronautica Macchi Sp.A, envolvendo a montagem de 150 células. Ao contabilizarmos as aeronaves produzidas pela empresa holandesa e sob licença, o total de células entregues atingiria a cifra de trezentos e cinquenta e oito aviões até o ano e 1958. Em 1948 as linhas de produção da Fokker estavam engajadas na produção do S.11 Instructor , quando a equipe de projetistas da N.J Konklijke Nederlandshe Vliegtuigen Fabriek Fokker iniciaram estudos para o desenvolvimento de uma versão triciclo da aeronave, agregando uma bequilha, porém inicialmente a proposta não foi aceita pela diretoria da empresa em face do foco no S.11. Porém em 1949, seria dado o aval para o desenvolvimento desta nova versão, que recebeu a designação de S.12 que era rigorosamente idêntico ao seu antecessor, distinguindo se unicamente pela incorporação de uma bequilha e pelo deslocamento à ré dos trens principais de pouso. A nova versão era rigorosamente idêntica ao seu antecessor, distinguindo se unicamente pela incorporação de uma bequilha e pelo deslocamento à ré dos trens principais de pouso. O primeiro protótipo com  a matrícula  6287, alçaria voo em meados de 1950. Apesar das expectativas positivas o Fokker  S.12 não lograria o mesmo êxito do modelo antecessor, não sendo assim  incorporado pela Real Força Aérea Holandesa (NLAF) o que evidentemente desestimulou as exportações da aeronave.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Ao término da Segunda Guerra Mundial, a Força Aérea Brasileira (FAB) apresentava um expressivo inventário superior a 1.500 aeronaves militares consideradas modernas para os padrões da época, sendo a grande maioria incorporada a partir de 1942 no âmbito do Lend-Lease Act. Esse programa de cooperação foi determinante para a rápida expansão e modernização da aviação militar brasileira durante o conflito. No que se refere à capacidade ofensiva,  dispunha-se  de um conjunto robusto de aeronaves de primeira linha, entre as quais se destacavam os caças-bombardeiros Republic P-47D Thunderbolt e Curtiss P-40 Warhawk, além dos vetores de ataque Douglas A-20 Havoc, Lockheed PV-1 Ventura e North American B-25 Mitchell. Esse conjunto era complementado por aeronaves destinadas a transporte, patrulha marítima e guerra antissubmarino (ASW), conferindo uma posição de destaque estratégico  sendo então considerada a segunda maior força aérea das Américas e a principal do hemisfério sul. Todavia, essa aparente superioridade encontrava-se ameaçada pelo rápido avanço tecnológico observado a partir da segunda metade da década de 1940. A introdução de aeronaves a jato e de sistemas eletrônicos mais sofisticados tornava progressivamente obsoletos os vetores de origem bélica recente, como o P-47 e o P-40. A situação era agravada pela descontinuação da produção de peças de reposição no pós-guerra, afetando diretamente a disponibilidade operacional dessas aeronaves. Motores como o Pratt & Whitney R-2800 Double Wasp, que equipava o P-47, passaram a enfrentar crescentes dificuldades logísticas, resultando em índices de prontidão que, em algumas unidades, caíram para cerca de 60% por volta de 1950. Paralelamente, consolidava-se no âmbito estratégico nacional a percepção de que a integração territorial do Brasil  dada sua dimensão continental  dependia, em grande medida, do emprego intensivo do transporte aéreo. Tal entendimento reforçava a necessidade de não apenas manter, mas também modernizar e expandir a capacidade aeronáutica nacional. Nesse contexto, ganhava força a ideia de criação de uma indústria aeronáutica própria, inicialmente voltada à produção sob licença e à montagem local de aeronaves, como forma de absorver tecnologia, desenvolver mão de obra especializada e reduzir a dependência externa. Simultaneamente, o Ministério da Aeronáutica (MAer) passou a estudar alternativas para a substituição de sua já envelhecida frota de treinamento básico, composta majoritariamente pelos Fairchild PT-19 e sua variante nacional Fairchild PT-3FG. Embora robusto, o PT-19 apresentava limitações significativas: sua cabine aberta, o envelope de voo restrito  com velocidade máxima em torno de 200 km/h  e a ausência de capacidade acrobática mais avançada tornavam-no inadequado para preparar pilotos destinados a operar aeronaves de maior desempenho. A situação do PT-3FG mostrava-se ainda mais crítica. Produzido no Brasil, mas submetido a intenso desgaste ao longo dos anos de guerra e pós-guerra, o modelo enfrentava elevados índices de indisponibilidade operacional  que chegavam a aproximadamente 40% em 1949  em grande parte devido à escassez de peças de reposição e às limitações estruturais acumuladas pelo uso contínuo.

Dessa forma, ao final da década de 1940, tornava-se evidente que a modernização da aviação de treinamento não constituía apenas uma necessidade operacional imediata, mas também um passo essencial dentro de um projeto mais amplo de desenvolvimento e autonomia tecnológica da aviação brasileira. Inserido nesse contexto, o Estado-Maior da Aeronáutica (EMAer) passou a reconhecer a conveniência de reequipar a Escola de Aeronáutica (EAer) com aeronaves mais modernas a partir de meados da década seguinte, compatíveis com as novas exigências operacionais impostas pela evolução da aviação militar. Paralelamente, em 1950, um grupo de empresários brasileiros iniciou tratativas com a Fokker, visando estabelecer no país uma base industrial capaz de produzir aeronaves sob licença. A iniciativa, embora promissora, enfrentou obstáculos significativos, sobretudo em razão da crônica escassez de recursos financeiros que caracterizava as Forças Armadas brasileiras naquele período. Soma-se a isso a postura cautelosa  por vezes reticente do governo federal e do próprio Ministério da Aeronáutica, influenciada por experiências anteriores pouco exitosas em projetos de industrialização aeronáutica. Ainda assim, diante da inexistência de fabricantes nacionais em operação e da carência de alternativas viáveis, os meios militares optaram por analisar com maior profundidade a proposta apresentada. As negociações entre os empresários brasileiros e a direção da Fokker evoluíram de forma relativamente célere; entretanto, o mesmo não se verificou nas tratativas com o Ministério da Aeronáutica, que se estenderam por mais de dois anos, refletindo a complexidade de se estabelecer um modelo que conciliasse os interesses industriais, financeiros e estratégicos das partes envolvidas. Em maio de 1952, o processo atingiu um estágio mais avançado, levando a Força Aérea Brasileira (FAB) a enviar aos Países Baixos uma comissão de oficiais aviadores com a finalidade de avaliar, in loco, as aeronaves incluídas na proposta. O pacote inicial contemplava a produção, sob licença e nas instalações da Fábrica do Galeão, no Rio de Janeiro, de quatro modelos de instrução: o Fokker S.11, destinado ao treinamento básico; o  S.12, também voltado à instrução primária; o  S.13, um bimotor de treinamento; e o S.14, um jato de instrução avançada. Após análise técnica, o S.13 foi prontamente descartado, uma vez que apresentava desempenho inferior às versões do Beechcraft C-45 Expeditor então em operação na Aeronáutica. Com isso, o interesse brasileiro concentrou-se nos modelos S.11, S.12 e S.14, considerados mais alinhados às necessidades de formação progressiva de pilotos militares. A partir desse ponto, intensificaram-se as negociações visando à concretização do projeto. De um lado, os empresários brasileiros, em associação com a Fokker, estruturaram a Fokker Indústria Aeronáutica S/A, empresa que ficaria responsável pela execução industrial do empreendimento. De outro, o Ministério da Aeronáutica (MAer) concordou em ceder, sob regime de arrendamento, as instalações da Fábrica do Galeão, cabendo à nova empresa realizar os investimentos necessários à sua modernização, bem como à aquisição e instalação do maquinário destinado à produção das aeronaves.
Esse arranjo representava um passo concreto no sentido da implantação de uma base industrial aeronáutica no Brasil, ainda que em estágio inicial e fortemente dependente de tecnologia estrangeira. Finalmente, em 7 de agosto de 1953, foi firmado o primeiro contrato entre o Ministério da Aeronáutica (MAer) e a Fokker Indústria Aeronáutica S/A, formalizando o acordo e marcando o início efetivo de um dos mais relevantes esforços de industrialização aeronáutica no país durante o período pós-guerra. O acordo firmado em 7 de agosto de 1953 estabelecia um cronograma de execução a ser cumprido ao longo de cinco anos, definindo metas claras para a implantação da produção aeronáutica no Brasil. Nos termos contratuais, a recém-criada subsidiária brasileiras deveria inicialmente fornecer cinco exemplares do Fokker S.11-4, integralmente produzidos na Holanda e posteriormente montados nas instalações da Fábrica do Galeão, no Rio de Janeiro. Essa etapa inicial tinha como objetivo viabilizar a transferência gradual de conhecimento técnico e a adaptação da infraestrutura industrial brasileira aos padrões exigidos pela fabricação aeronáutica. Na sequência, previa-se a produção de mais 95 aeronaves do mesmo modelo em território nacional, com exceção do motor  importado  consolidando, assim, a capacidade produtiva local. Concluída essa fase, o contrato estabelecia a fabricação de 50 unidades do Fokker S.12, variante diretamente derivada do S.11, diferenciando-se principalmente pela adoção de trem de pouso triciclo, solução mais alinhada às tendências modernas de treinamento. Por fim, previa-se a produção de aeronaves a jato de instrução avançada, com a entrega inicial de cinco exemplares do Fokker S.14 com componentes fornecidos pela matriz holandesa, seguida pela construção de outras 45 unidades no Brasil. Entretanto, o desenvolvimento desse ambicioso programa seria profundamente impactado por fatores de natureza política e institucional. Em 24 de agosto de 1954, o país foi abalado pelo suicídio do então presidente Getúlio Dorneles Vargas, evento que desencadeou significativa instabilidade no cenário nacional. Como consequência, mudanças na condução do Ministério da Aeronáutica (MAer) alteraram o grau de apoio ao projeto. A saída do ministro Nero Moura e sua substituição pelo tenente-brigadeiro Eduardo Gomes introduziram novas diretrizes administrativas, resultando em entraves que retardaram o andamento da iniciativa. Paralelamente, surgiram divergências entre os sócios brasileiros da Fokker Indústria Aeronáutica S/A e a matriz holandesa, agravando ainda mais as dificuldades do empreendimento. Esse conjunto de fatores culminou no cancelamento da produção dos jatos Fokker S.14, bem como na desistência do recebimento das cinco unidades que seriam inicialmente fornecidas pela Holanda. Nesse contexto adverso, o cronograma original sofreu atrasos significativos. Os primeiros cinco exemplares do  S.11-4  fabricados na Holanda e montados no Brasil  somente foram concluídos no último trimestre de 1956, sendo entregues ao Ministério da Aeronáutica com mais de dois anos de atraso. Essas aeronaves foram então distribuídas à Escola de Aeronáutica, onde passaram a integrar o estágio de formação básica de pilotos.

A produção nacional evoluiu gradualmente a partir desse ponto. Entre janeiro e fevereiro de 1957, os primeiros 14 exemplares fabricados no Brasil foram entregues à Escola de Aeronáutica (EAer), marcando o início efetivo da produção em série no país. A partir de então, a incorporação de novas aeronaves ocorreu de forma contínua, com a chegada mensal de uma ou duas unidades, acompanhando o amadurecimento da linha de produção. Finalmente, em abril de 1959, foram entregues os últimos quatro exemplares do Fokker S.11-4a, completando o lote de 100 aeronaves previsto no contrato original. Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo do processo, o programa representou um marco relevante no esforço de implantação de uma indústria aeronáutica no Brasil, contribuindo de maneira significativa para a formação de recursos humanos e para a consolidação de capacidades industriais no setor. Designados  como T-21, os novos treinadores foram prontamente incorporados às atividades da Escola de Aeronáutica tão logo começaram a ser recebidos. Antes, contudo, de sua efetiva inserção no ciclo de formação dos cadetes, tornou-se necessário estabelecer um núcleo inicial de instrutores qualificados no novo modelo  processo conduzido com relativa rapidez e sem intercorrências relevantes, refletindo a boa adaptação operacional da aeronave. Até o final de 1957, com a chegada progressiva das primeiras unidades, a instrução de voo básica ainda era predominantemente realizada no Fairchild PT-19. Gradualmente, porém, o T-21 passou a ser introduzido no estágio primário, substituindo o veterano treinador. Nesse novo arranjo, os cadetes acumulavam, em média, entre 85 e 95 horas de voo antes de prosseguirem para a fase seguinte de instrução no T-6 Texan. Comparativamente ao PT-19, o T-21 apresentava qualidades de voo superiores, especialmente no que se refere à estabilidade e à execução de manobras acrobáticas básicas. Ainda assim, algumas limitações foram observadas no emprego cotidiano. Entre elas, destacavam-se a potência relativamente modesta do motor Lycoming O-435-A, que impunha restrições à execução de manobras mais exigentes, e a autonomia de voo reduzida, fator que limitava a duração das missões de instrução. A partir dos últimos meses de 1959, o T-21 passou a assumir papel predominante na fase primária de treinamento. Entretanto, nesse mesmo período, um grave acidente marcaria profundamente a história da aviação militar brasileira. Em 22 de dezembro daquele ano, um T-21 colidiu, durante a execução de uma manobra acrobática fora da área designada de instrução, com um Vickers Viscount da VASP, que realizava procedimento de aproximação para o Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. O cadete que pilotava o T-21 conseguiu ejetar-se  ou, mais precisamente, abandonar a aeronave com o uso de paraquedas  e sobreviver ao acidente. Já entre os ocupantes da aeronave comercial, houve vítimas fatais, tornando o episódio um dos mais graves da aviação brasileira à época. Para além de suas consequências imediatas, o acidente evidenciou o crescente problema da saturação do espaço aéreo na região do Rio de Janeiro. Como desdobramento direto, acelerou-se o processo de estudos para  transferência das atividades de instrução de voo  para o interior do estado de São Paulo, na cidade de Pirassununga, com a criação do Destacamento Precursor da Escola de Aeronáutica. 
Ademais, o episódio contribuiu para a desativação do Campo de Manguinhos, tradicional aeródromo que abrigava o Aeroclube do Brasil e diversas atividades aeronáuticas civis. Apesar do impacto institucional e simbólico do acidente, a rotina operacional dos T-21 sofreu alterações limitadas no curto prazo. Ao longo dos primeiros anos da década de 1960, essas aeronaves continuaram a operar regularmente a partir do Campo dos Afonsos, estendendo suas atividades também aos aeródromos de Jacarepaguá e Nova Iguaçu, consolidando-se como um dos pilares da formação básica de pilotos  naquele período.  Ao compartilhar o pátio de estacionamento com aeronaves como o T-6 Texan, T-22 e outros vetores pertencentes à Escola de Aeronáutica (EAr), o Fokker T-21 rapidamente se consolidou como a aeronave predominante daquela organização. Tal protagonismo esteve diretamente relacionado à reestruturação do sistema de formação de pilotos, na qual as fases mais avançadas da instrução passaram a ser progressivamente transferidas para Pirassununga, futura sede da Academia da Força Aérea (AFA). Entretanto, ao se alcançar a segunda metade da década de 1960, tornava-se evidente que o ciclo operacional do T-21 aproximava-se de seu encerramento. O avanço tecnológico e a introdução de aeronaves mais modernas apontavam para sua substituição iminente. Nesse contexto, destacou-se a entrada em serviço do Aerotec T-23 Uirapuru, um treinador primário inteiramente metálico, dotado de melhor desempenho e concebido segundo padrões mais atualizados de engenharia aeronáutica, o que o tornava substancialmente superior ao T-21 em diversos aspectos. Esse período também foi marcado por mudanças significativas  ainda que transitórias  nos métodos de formação de oficiais aviadores da Força Aérea Brasileira (FAB). Diversas doutrinas e modelos de instrução foram testados, reduzindo progressivamente o espaço operacional do T-21 dentro desse novo contexto. Como resultado, iniciou-se um processo gradual de desativação da aeronave. O primeiro indicativo concreto desse movimento ocorreu em 1969, quando, após passarem por revisão geral no Parque de Aeronáutica dos Afonsos (PqAerAF), 16 exemplares do T-21 foram preparados para transferência a forças aéreas estrangeiras. Desses, oito aeronaves foram destinadas à Força Aérea Boliviana (FAB) e outras oito à Força Aérea Paraguaia (FAP), marcando o início da retirada progressiva do modelo do serviço ativo no Brasil. No ano seguinte, foram adotadas medidas mais amplas visando à sua desativação definitiva. Diversas células foram selecionadas, submetidas a revisões gerais e posteriormente transferidas ao Departamento de Aviação Civil (DAC), que se encarregou de redistribuí-las a instituições civis. Entre os principais beneficiários destacaram-se o Aeroclube do Brasil e o Aeroclube do Rio Grande do Sul, onde essas aeronaves continuaram a desempenhar papel relevante na formação de pilotos civis. Finalmente, em 1973, os últimos exemplares do Fokker T-21 foram oficialmente retirados da carga da Força Aérea Brasileira (FAB), encerrando sua carreira militar no país. Como forma de preservar sua memória histórica, ao menos uma dessas aeronaves foi destinada ao Museu Aeroespacial (MUSAL), onde permanece como testemunho de uma fase importante da formação de pilotos e do desenvolvimento da aviação no Brasil.

Em Escala:
Para representarmos o  Fokker T-21 " FAB 0705" empregamos o antigo kit da Smer na escala 1/40, modelo este extremamente espartano, porém de fácil montagem. Aplicamos pequenos detalhamentos em scratch na cabine. Decais  artesanais produzidos por nosso amigo Cesar Hares de Curitiba em conjunto com decais FCM completaram o conjunto.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura das aeronaves de instrução da Escola de Aeronáutica (EAer), mantendo este padrão até sua desativação em 1973, algumas aeronaves Fokker T-21 receberam ainda um esquema provisório camuflado em três tons.
Bibliografia :
- Fokker S-11  - Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Fokker_S-11
- História da Força Aérea Brasileira , Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Fokker S-11 e S-12 Instructor - Rafael Pinheiro Machado
- Aeronaves Militares Brasileiras  1916 a 2015 – Jackson Flores Junior