Sistema SARC REMAX (12,7 MM)

História e Desenvolvimento.
Durante a década de 1940, no contexto da Segunda Guerra Mundial, o Brasil firmou importantes acordos de cooperação militar com os Estados Unidos, que resultaram no envio de missões militares destinadas a modernizar e fortalecer as Forças Armadas Brasileiras. Esse processo de cooperação foi fundamental para a reorganização da estrutura militar do país, mas também evidenciou uma vulnerabilidade estratégica significativa: a forte dependência brasileira de tecnologias e equipamentos militares importados. Naquele momento, tornou-se evidente o limitado grau de autonomia tecnológica nacional para enfrentar ameaças externas e eventuais conflitos. A carência de infraestrutura científica e industrial voltada ao desenvolvimento de material bélico revelava o quanto o país dependia de soluções estrangeiras para equipar e manter suas forças armadas. Tal constatação contribuiu para consolidar, entre líderes militares e autoridades governamentais, a percepção de que a ciência e a tecnologia deveriam constituir vetores essenciais para a garantia da soberania nacional. Nesse cenário, a necessidade de manutenção, adaptação e suporte técnico aos equipamentos importados impulsionou o surgimento dos primeiros núcleos técnicos dentro das organizações militares. Esses grupos iniciais, voltados à engenharia, manutenção especializada e experimentação tecnológica, representaram os embriões das futuras estruturas dedicadas à pesquisa e ao desenvolvimento no âmbito do Exército Brasileiro. Ao longo das décadas seguintes, esse processo evoluiu gradualmente. Contudo, foi na década de 1970 que o Exército intensificou seus esforços para consolidar uma estrutura institucional voltada à inovação tecnológica militar. Em 1975, foi constituído um grupo de trabalho com a missão de estruturar um centro capaz de atender às crescentes demandas de pesquisa, desenvolvimento e experimentação de materiais e sistemas de defesa. Esse esforço culminou, em 16 de outubro de 1979, com a publicação do Decreto nº 84.095, que instituiu oficialmente o Centro Tecnológico do Exército (CTEx). A nova organização passou a centralizar atividades de pesquisa, desenvolvimento e avaliação tecnológica voltadas às necessidades operacionais da força terrestre. Subordinadas ao CTEx, foram criadas unidades especializadas que compuseram a base da infraestrutura tecnológica militar brasileira, entre elas o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento, o Instituto de Projetos Especiais e o Campo de Provas da Marambaia. Essas instituições passaram a desempenhar papel central na condução de estudos técnicos, na experimentação de equipamentos e no desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas à defesa nacional. A criação do CTEx coincidiu com um período de ampla renovação da frota de veículos militares do Exército Brasileiro, circunstância que estimulou o desenvolvimento de projetos nacionais e impulsionou a cooperação entre as Forças Armadas e a indústria brasileira. Nesse contexto, destacaram-se empresas como a Engesa e a Bernardini S.A. Indústria e Comércio, que estabeleceram parcerias estratégicas com o Exército no desenvolvimento e produção de veículos militares. Esse período ficou conhecido como a chamada “era de ouro” da Base Industrial de Defesa brasileira. 

Durante as décadas de 1970 e 1980, o país consolidou-se como um relevante produtor e exportador de equipamentos militares. Empresas nacionais obtiveram contratos internacionais para a venda de milhares de viaturas militares, incluindo blindados desenvolvidos no Brasil, como o EE-9 Cascavel e o EE-11 Urutu, adquiridos por diversos países da América Latina, da África e do Oriente Médio. Entretanto, o término da Guerra Fria, no final da década de 1980, provocou uma significativa retração na demanda internacional por armamentos e veículos militares. Essa mudança no cenário geopolítico impactou profundamente a indústria de defesa brasileira, levando à redução de encomendas e à consequente crise de várias empresas do setor. Como resultado, importantes fabricantes nacionais, entre elas a Engesa e a Bernardini, acabaram encerrando suas atividades nas décadas seguintes, marcando o fim de um período particularmente dinâmico da indústria militar brasileira. Apesar de o Brasil já não dispor, nas décadas posteriores, de um parque industrial de defesa tão vigoroso quanto aquele observado no auge da indústria militar nacional, o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) manteve-se como um dos principais polos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica voltados às necessidades da Exército Brasileiro. Mesmo diante das limitações impostas pela retração da indústria de defesa, essa instituição prosseguiu em sua missão de estudar, desenvolver e adaptar tecnologias que pudessem ser incorporadas aos meios operacionais da Força Terrestre. Entre os diversos projetos de relevância concebidos no âmbito do CTEx, destaca-se o desenvolvimento de um Sistema de Armas Remotamente Controlado (SARC), destinado a equipar viaturas blindadas do Exército Brasileiro. Esse conceito tecnológico possui raízes mais antigas, remontando à década de 1960, quando os United States Army iniciaram estudos para o desenvolvimento de sistemas conhecidos como Remote Controlled Weapon Station (RWCS), ou estações de armas remotamente controladas. O principal objetivo desses sistemas era aumentar significativamente a proteção das guarnições no interior dos veículos de combate. Em cenários de conflito, operadores de metralhadoras montadas externamente em blindados frequentemente precisavam expor-se ao fogo inimigo, o que representava elevado risco. As estações de armas remotamente controladas buscavam solucionar esse problema, permitindo que o operador realizasse a aquisição e o engajamento de alvos a partir do interior da viatura, reduzindo a exposição ao combate direto. Além da segurança do operador, tais sistemas passaram a proporcionar ganhos operacionais importantes, como maior precisão de tiro e maior consciência situacional no campo de batalha. Isso foi possível graças à integração de sensores e câmeras externas que transmitiam imagens para o interior do veículo, incluindo câmeras diurnas e sistemas de visão térmica, permitindo o emprego eficaz do armamento mesmo em operações noturnas ou em condições de baixa visibilidade. Nos estágios iniciais, o programa previa o desenvolvimento de plataformas capazes de operar armas leves e de médio calibre, instaladas não apenas em veículos blindados terrestres, mas também em embarcações e plataformas aéreas. Os primeiros conjuntos funcionais começaram a ser entregues às unidades operacionais militares no final da década de 1990, sob a designação de CROWS (Common Remotely Operated Weapon Station).
Com o amadurecimento tecnológico ao longo dos anos seguintes, diversas limitações presentes nos sistemas iniciais foram gradualmente superadas, resultando em versões mais avançadas, como o M101 CROWS. Essa evolução tecnológica ampliou significativamente as capacidades operacionais do sistema, permitindo que o operador identificasse, acompanhasse e engajasse alvos mantendo-se completamente protegido no interior do veículo. O sistema foi projetado para ser empregado em uma ampla variedade de plataformas militares e podia ser configurado com diferentes armamentos, entre eles o lançador automático de granadas Mk 19 grenade launcher, a metralhadora pesada Browning M2 calibre 12,7 mm, a metralhadora M240B calibre 7,62 mm e a metralhadora leve M249 calibre 5,56 mm. Do ponto de vista estrutural, o sistema é composto por dois conjuntos principais. O primeiro corresponde à plataforma armada instalada na parte externa da viatura, responsável pela movimentação e pelo emprego do armamento. O segundo consiste no módulo de controle interno, operado pelo militar a partir do interior do veículo. A estação de armas apresenta capacidade de rotação de 360° e movimento vertical de elevação entre −20° e +60°, sendo estabilizada por meio de sistemas giroscópicos que permitem maior precisão mesmo com o veículo em movimento. O conjunto também integra sensores eletro-ópticos, incluindo uma câmera de vídeo para operação diurna, uma câmera térmica para operações noturnas e um telêmetro laser seguro para os olhos (laser rangefinder), que auxilia na determinação precisa da distância até o alvo. A partir das décadas seguintes, diversos países passaram a desenvolver seus próprios sistemas de armas remotamente controladas, acompanhando a evolução da tecnologia e as novas exigências do combate moderno. Entre os principais exemplos destacam-se o FN Herstal Defender, desenvolvido pela empresa belga FN Herstal; o sistema finlandês Patria PML 127 OWS, produzido pela Patria; os sistemas russos Bumerang‑BM, AU‑220M, Arbalet‑DM e Serval remote weapon station; além do sistema israelense Samson RCWS, desenvolvido pela Rafael Advanced Defense Systems, que figura entre os mais difundidos desse tipo de tecnologia no cenário internacional. A eficiência demonstrada pelos sistemas de armas remotamente controlados em operações militares contemporâneas rapidamente evidenciou seu valor tático, sobretudo pela capacidade de aumentar a proteção das guarnições e ampliar a consciência situacional no campo de batalha. Esses resultados despertaram o interesse do comando do Exército Brasileiro, que passou a avaliar a possibilidade de incorporar tal tecnologia aos seus meios blindados, seja por meio da aquisição de sistemas estrangeiros, seja pelo desenvolvimento de uma solução nacional. Nesse contexto de modernização tecnológica, ocorreriam importantes transformações institucionais no sistema de ciência e tecnologia da Força Terrestre. Em 2005, a então Secretaria de Ciência e Tecnologia do Exército passou a ser comandada pelo Alberto Mendes Cardoso, que promoveu uma ampla reestruturação administrativa. Entre as principais medidas implementadas destacou-se o processo de fusão dessa secretaria com a Secretaria de Tecnologia da Informação do Exército, iniciativa que resultou na criação do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército (DCT).

A criação do DCT representou um passo significativo na centralização e coordenação das atividades científicas e tecnológicas da instituição, passando a reunir sob uma mesma estrutura todas as áreas relacionadas à pesquisa, desenvolvimento, experimentação e fabricação de material de emprego militar. À época, esses equipamentos eram classificados como Material de Emprego Militar (MEM), denominação posteriormente atualizada para Sistemas e Materiais de Emprego Militar (SMEM). Sob a liderança do General Cardoso e com o apoio de seu vice-chefe, o Ubiratã Athayde Marcondes  que anos mais tarde viria a atuar como gerente de sistemas terrestres na empresa ARES Aeroespacial e Defesa  foi concebido o Plano Básico de Ciência e Tecnologia do Exército (PBCT). Esse documento estabeleceu diretrizes estratégicas destinadas a orientar o desenvolvimento científico e tecnológico da Força Terrestre, alinhando suas prioridades ao planejamento estratégico institucional vigente à época, cujo objetivo central era elevar o patamar tecnológico do Exército Brasileiro, conferindo-lhe maior capacidade dissuasória. Entre os projetos contemplados pelo PBCT figuravam diversos programas de desenvolvimento de sistemas de armas e equipamentos militares. Um dos mais avançados naquele momento era o programa do Morteiro 120 mm do Exército Brasileiro, que já se encontrava em fase final de homologação operacional, circunstância que permitiu redirecionar recursos financeiros e humanos para novas iniciativas tecnológicas. Dentro desse contexto, um dos projetos em estudo envolvia o desenvolvimento de uma torre armada com canhão de 105 mm destinada a equipar futuros veículos blindados do Exército Brasileiro. Esse projeto estava sob responsabilidade do Grupo de Armamento e Munição do Exército (GAM), sendo conduzido pelo então Marcello Menezes Eifler. Inicialmente, previa-se que essa torre pudesse integrar a chamada Nova Família de Blindados do Exército, iniciativa que, a partir de 2007, evoluiria para o Programa Estratégico do Exército Guarani, responsável pelo desenvolvimento da nova geração de veículos blindados sobre rodas da Força Terrestre. Entretanto, durante as fases iniciais de estudo e concepção, tornou-se evidente que o Centro Tecnológico do Exército ainda não possuía experiência suficiente no desenvolvimento de sistemas eletrônicos embarcados de elevada complexidade, como aqueles necessários para o funcionamento de uma torre de combate moderna equipada com canhão de médio calibre. Sistemas desse tipo exigiam integração avançada de sensores, sistemas de estabilização, controles de tiro e arquitetura eletrônica embarcada  áreas nas quais a instituição ainda acumulava conhecimento limitado naquele momento. Diante dessa realidade, concluiu-se que, a curto prazo, não seria viável projetar integralmente um sistema dessa magnitude. Assim, optou-se por uma abordagem mais gradual e pragmática: iniciar o desenvolvimento de uma torre com arquitetura mais simples, tanto em termos de design quanto de funcionalidades. Essa estratégia permitiria ao CTEx adquirir experiência prática no domínio de tecnologias críticas, formando uma base de conhecimento essencial para o desenvolvimento futuro de sistemas mais complexos e sofisticados. A oportunidade para um projeto mais simples surgiria a seguir, com a participação das Forças Armadas Brasileiras, da Missão de Paz das Nações Unidas no Haiti MINUSTAH (Mission des Nations Unies pour la Stabilisation en Haïti). 
Nesta operação, ocorreriam enfrentamento contra ex-militares das forças armadas haitianas, ex-policiais e bandidos comuns, que organizados em milicias se dedicavam a controlar algumas áreas na capital. Estes estavam equipadas com os mais variados tipos de armas leves, desde carabinas M-1 a fuzis M-1 Garand e AK-47 Kalashnikov, forçando as tropas a adaptar-se um novo  tipo de confronto assimétrico. Este cenário levaria a implementação de novas táticas, e a adaptação das viaturas com o intuito de fornecer um mínimo de proteção adequada a seus ocupantes.  Neste contexto um dos principais pontos críticos era a exposição do operador da metralhadora de apoio das viaturas EE-11 Urutu a tiros deflagrados por estes milicianos. Como solução seriam desenvolvidos estudos entre o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP), visando inicialmente a construção de uma torre mecânica blindada. Este processo evoluiria para o estudo de emprego de um Sistema de Armas Remotamente Controlado (SARC), havendo inclusive, no final de 2007, a instalação de um SARC CWS 30 israelense, com uma metralhadora de calibre 7,62 mm MAG, em um EE-11 Urutu, a fim de ser submetidos a testes de campo. Os resultados seriam promissores, porém os custos envolvidos em um processo de importação seriam demasiados altos para o momento, gerando a oportunidade para a possibilidade em se desenvolver um SARC, nacional. É importante frisar que, nos últimos conflitos armados, principalmente em áreas urbanas, houve uma intensa utilização deste tipo de sistema, sendo denominado pela sigla RWCS (Remote Controlled Weapon Station), na qual o atirador fica posicionado no interior da viatura, onde realiza as operações remotas de pontaria e disparo do armamento. No exterior da viatura permanece somente o armamento, o reparo e os sistemas de observação de alvos, constituídos principalmente por câmeras diurna e noturna. A versão mais moderna desses sistemas incorpora também um sistema de estabilização, permitindo a realização do tiro com a viatura em movimento.  Devido a uma demanda de aparelho de pontaria para os novos morteiros de 120 mm, o comando do Grupo de Armamento e Munição (GAM), estabeleceu conversações com a empresa Periscópio Equipamentos Optrônicos Ltda, no intuito de se aprofundar no conhecimento de seu Sistema de Pontaria para Tiro Indireto de Morteiros (SPOTIM). Durante uma reunião, seria apresentado o sistema IVERA (Indicador Visual Estabilizado de Rampa de Aproximação), desenvolvido para fornecer aos pilotos de helicópteros a indicação visual estabilizada da rampa de aproximação para pouso em embarcações. Curiosamente este conjunto preencheria adequadamente lacuna de capacidade tecnológica que faltava ao CTEx, para a criação de um sistema nacional. Negociações de parceria  seriam estabelecidas, resultando no segundo semestre do ano e 2006 na criação do  “Projeto básico de pesquisa, desenvolvimento e produção de um protótipo de Reparo de Metralhadora Automatizado X (REMAX)”. Já nos requisitos iniciais do projeto, ficaria  claro o pragmatismo, buscando-se concentrar os poucos recursos em sistemas para seu Teatro de Operação (TO), pois este sistema seria desenvolvido inicialmente para utilizar apenas como armamento as metralhadoras Browning M-2HB de calibre .50 (12,7×99 mm) e FN MAG de calibre 7,62×51 mm. Como premissa básica, esta torre deveria ser projetada com uma arquitetura modular, que permitisse a implementação de componentes que agregassem diferentes funcionalidades, e multiplataforma, para poder ser integrado em quaisquer viaturas blindadas com teto rígido, com um mínimo de modificações. 

Emprego no Exército Brasileiro.
Em dezembro de 2006, o Ministério da Defesa do Brasil estabeleceu um marco relevante no processo de modernização tecnológica das Forças Armadas ao firmar o contrato nº 004/2006-CTEx com a empresa brasileira ARES Aeroespacial e Defesa, então denominada Periscópio Equipamentos Optrônicos Ltda.. O acordo, no valor de R$ 1.245.000,00, tinha como objetivo a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de um protótipo experimental inovador, designado REMAX 1. O prazo estabelecido para a conclusão do projeto estendia-se até dezembro de 2008. A contratação foi formalizada por meio de inexigibilidade de licitação, fundamentada na singularidade tecnológica do projeto. O REMAX 1 representava o primeiro Sistema de Armas Remotamente Controlado desenvolvido no hemisfério sul, incorporando tecnologias avançadas que ainda não eram plenamente dominadas no país naquele momento. A iniciativa refletia o esforço do Brasil em ampliar sua autonomia tecnológica no setor de defesa, em um período caracterizado por iniciativas internacionais voltadas à modernização de equipamentos militares diante das transformações do ambiente estratégico global. A ARES Aeroespacial e Defesa, reconhecida por sua experiência no desenvolvimento de sistemas de estabilização e sensores optrônicos aplicados a plataformas militares, aportou ao projeto sua expertise técnica especializada. Um aspecto fundamental do contrato, contudo, estabelecia que toda a propriedade intelectual resultante do desenvolvimento do sistema pertenceria integralmente ao Exército Brasileiro. Essa cláusula tinha importância estratégica, pois garantia a soberania nacional sobre a tecnologia desenvolvida, assegurando que os conhecimentos obtidos permanecessem sob controle estatal e pudessem ser empregados em futuros programas de defesa. No primeiro semestre de 2009, o projeto alcançou um marco importante com a apresentação pública de um modelo de exposição (mock-up) do sistema REMAX 1, integrado à VBTP-MSR Guarani, viatura blindada sobre rodas em desenvolvimento no âmbito do Programa Estratégico do Exército Guarani. A exibição ocorreu durante a Latin America Aero & Defence, realizada na cidade do Rio de Janeiro, um dos principais eventos do setor de defesa da América Latina. Embora se tratasse ainda de um protótipo não funcional, a apresentação demonstrou o potencial da nova estação de armas e representou o primeiro passo concreto no processo de integração do sistema a uma plataforma blindada nacional. A iniciativa permitiu visualizar, ainda que de forma preliminar, a aplicação prática da tecnologia em um veículo destinado a se tornar o principal blindado sobre rodas do Exército Brasileiro nas décadas seguintes. Apesar dos avanços alcançados, o desenvolvimento do protótipo experimental  concluído no segundo semestre de 2009  enfrentou um obstáculo relevante. A VBTP-MSR Guarani ainda não havia sido entregue pelo fabricante, a Iveco Defence Vehicles, o que impossibilitava a integração imediata do sistema à plataforma originalmente planejada. Diante desse impasse, e com o objetivo de evitar atrasos adicionais no cronograma do projeto, o Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército (DCT) solicitou a cessão de uma viatura EE-11 Urutu, blindado sobre rodas amplamente empregado pelo Exército Brasileiro e desenvolvido pela tradicional empresa nacional Engesa. 

Essa decisão revelou-se estratégica, pois permitiu dar continuidade aos trabalhos de integração e testes do sistema. A utilização do EE-11 Urutu como plataforma provisória possibilitou a realização das primeiras avaliações práticas do REMAX 1, garantindo que o programa avançasse na validação de conceitos e na consolidação das tecnologias necessárias para o desenvolvimento de estações de armas remotamente controladas no Brasil. Com a integração do sistema, tiveram início as atividades de avaliação técnica conduzidas pelo Centro de Avaliações do Exército (CAEx), sediado na cidade do Rio de Janeiro. Durante essa fase inicial, o conjunto foi submetido a uma série de testes de campo destinados a verificar suas funcionalidades básicas, incluindo a precisão do armamento, a eficiência dos sistemas de estabilização e a confiabilidade da operação remota. Os resultados obtidos mostraram-se promissores, evidenciando a viabilidade técnica do sistema e confirmando a pertinência da continuidade do projeto. Esses ensaios representaram um passo decisivo na consolidação da confiança institucional no programa, abrindo caminho para o avanço das etapas subsequentes de desenvolvimento técnico e validação operacional. Em outubro de 2009, o Ministério da Defesa do Brasil formalizou mais um avanço no processo de desenvolvimento do sistema ao celebrar o contrato nº 004/2009-CTEx com a empresa ARES Aeroespacial e Defesa. O acordo, no valor de R$ 893.582,00, tinha como finalidade o desenvolvimento de um segundo protótipo operacional, denominado REMAX 2. O objetivo central desse novo contrato consistia em iniciar a integração do sistema REMAX à VBTP-MSR Guarani, veículo desenvolvido no âmbito do Programa Estratégico do Exército Guarani, paralelamente à continuidade das avaliações técnicas do protótipo experimental REMAX 1 conduzidas pelo CAEx. Essa etapa representava um marco relevante no esforço de modernização tecnológica da Forças Armadas do Brasil, em um período caracterizado por intensas iniciativas voltadas ao fortalecimento da base industrial de defesa nacional diante das rápidas transformações tecnológicas no campo militar. O protótipo REMAX 2 foi concebido com o propósito de incorporar melhorias substanciais em relação à versão experimental anterior. Essas aperfeiçoamentos foram fundamentados nas lições aprendidas ao longo dos testes laboratoriais e de campo realizados com o REMAX 1. Entre as melhorias previstas destacavam-se novas funcionalidades destinadas a ampliar a segurança operacional, otimizar o desempenho do sistema e aprimorar sua capacidade de operação remota em ambientes operacionais adversos. Assim como no contrato anterior, foi estabelecido que toda a propriedade intelectual resultante do desenvolvimento do REMAX 2 permaneceria integralmente sob domínio do Exército Brasileiro. Essa diretriz reforçava o princípio de soberania tecnológica nacional, assegurando que os conhecimentos gerados pudessem ser empregados em futuros programas de desenvolvimento de sistemas de defesa. Enquanto o desenvolvimento do REMAX 2 avançava, o protótipo experimental REMAX 1 prosseguia em uma intensa fase de ensaios técnicos. Em junho de 2010, após um período de capacitação conduzido pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx), voltado ao treinamento de operadores e à manutenção da viatura Engesa EE-11 Urutu  cedida pelo Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP)  tiveram início as avaliações sistemáticas do sistema no Centro de Avaliações do Exército (CAEx).
O programa de testes foi estruturado em quatro categorias principais de ensaios: Testes funcionais: destinados à verificação das capacidades operacionais básicas do sistema, incluindo controle remoto, acionamento do armamento e funcionamento dos sensores. Testes em estativa: avaliações conduzidas com o sistema instalado em bancada ou suporte fixo, permitindo a análise detalhada de seus subsistemas em condições estáticas. Testes de integração com a viatura: ensaios realizados com o sistema instalado no EE-11 Urutu, tanto com o veículo parado quanto em movimento, utilizando alvos fixos para aferição da precisão e estabilidade do armamento. Testes ambientais: destinados a avaliar a resistência e a confiabilidade do sistema diante de diferentes condições climáticas e operacionais, simulando cenários próximos aos encontrados em ambientes reais de emprego militar. Os resultados obtidos durante essa fase de avaliações foram fundamentais para confirmar a robustez do sistema e fornecer importantes subsídios técnicos para o aprimoramento do projeto. As informações coletadas durante os testes permitiram orientar o desenvolvimento do REMAX 2, consolidando as bases para a evolução do sistema e confirmando sua viabilidade como uma solução inovadora para o emprego de armamentos remotamente controlados no âmbito do Exército Brasileiro. A produção do protótipo operacional REMAX 2 foi concluída em setembro de 2011, representando um avanço significativo no processo de maturação tecnológica do sistema de armas remotamente controlado desenvolvido para o Exército Brasileiro. Em fevereiro de 2012, o conjunto foi instalado em uma Viatura Blindada de Patrulhamento e Emprego Dual (VBPED), com o objetivo de realizar os primeiros testes de apreciação operacional. Os resultados obtidos durante essa fase inicial foram considerados satisfatórios, permitindo a validação das principais funcionalidades do sistema. Como consequência, o Centro de Avaliações do Exército (CAEx) homologou oficialmente o Relatório de Apreciação em 25 de julho de 2012, por meio da Portaria nº 024/DCT, emitida pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército. Esse marco representou a validação formal do REMAX 2 como um sistema plenamente funcional, apto a avançar para as etapas seguintes de integração com plataformas mais modernas de combate. No ano de 2013, após intensas negociações entre a gerência do Programa Estratégico do Exército Guarani e a empresa Iveco Veículos de Defesa  parceira do Exército no desenvolvimento da VBTP-MSR Guarani  o REMAX 2 foi finalmente integrado ao protótipo desse blindado. Essa integração representou a concretização de um dos objetivos centrais do programa: garantir a compatibilidade da estação de armas remotamente controlada com a nova geração de veículos blindados brasileiros, concebidos para atender às exigências operacionais do século XXI. O conjunto formado pelo REMAX 2 instalado na VBTP-MSR Guarani foi oficialmente apresentado ao público durante a Latin America Aero & Defence. Considerada um dos mais importantes eventos do setor de defesa na América Latina, a LAAD proporcionou uma vitrine internacional para demonstrar os avanços tecnológicos alcançados pela indústria de defesa brasileira. 

Paralelamente a esses avanços, em outubro de 2012 o Ministério da Defesa formalizou um novo e decisivo passo no programa REMAX ao celebrar o contrato nº 001/2012-DF entre a Diretoria de Fabricação do Exército e a empresa ARES Aeroespacial e Defesa. O contrato, no valor inicial de R$ 49.418.088,00, previa a produção de um lote piloto composto por 76 do sistema REMAX 3. Dentro desse lote inicial, as duas primeiras unidades  denominadas cabeças de série (CS1 e CS2)  seriam destinadas exclusivamente à realização de testes estáticos e avaliações técnicas destinadas a validar o processo industrial e o desempenho do sistema antes da produção em maior escala. Posteriormente, o valor contratual foi ajustado por meio do Termo Aditivo nº 2, que levou em consideração a isenção de tributos como PIS e COFINS, resultando na devolução de aproximadamente R$ 1.800.000,00 à União. Entretanto, embora a ARES Aeroespacial e Defesa detivesse a expertise técnica necessária para o desenvolvimento do sistema, a empresa ainda não dispunha de uma infraestrutura industrial plenamente preparada para atender à escala de produção prevista no contrato. Diante dessa realidade, a companhia solicitou ao Exército Brasileiro a antecipação de parte dos recursos financeiros acordados, com o objetivo de viabilizar a implantação de uma linha de montagem adequada à produção seriada do sistema. O pedido foi aceito pela instituição militar, evidenciando o caráter estratégico do programa. Como contrapartida  dentro de um modelo de compensação industrial (offset) a empresa comprometeu-se a fornecer cinco unidades adicionais do sistema REMAX 3. Dessa forma, o lote piloto originalmente previsto de setenta e seis unidades foi ampliado para oitenta e uma estações de armas.O desenvolvimento do lote piloto do sistema REMAX 3 teve duração aproximada de um ano. A produção das primeiras unidades foi iniciada em 2012, enquanto os ensaios técnicos e operacionais começaram a ser conduzidos em 2013. Coube ao Centro de Avaliações do Exército (CAEx), sediado na cidade do Rio de Janeiro, a responsabilidade pela avaliação das duas primeiras unidades do lote piloto denominadas cabeças de série (CS1 e CS2). Esses exemplares foram submetidos a rigorosos testes de desempenho, destinados a verificar a confiabilidade e a eficiência do sistema em diferentes condições operacionais. Além das avaliações técnicas propriamente ditas, o CAEx também analisou os manuais de operação e manutenção elaborados pela empresa ARES Aeroespacial e Defesa. Essa etapa foi considerada fundamental, pois assegurava que o sistema estivesse acompanhado de documentação técnica clara, precisa e adequada às necessidades de emprego em campo, garantindo assim sua correta operação e manutenção pelas unidades militares. No ano de 2014, a empresa ARES conduziu o processo de qualificação da integração do lote piloto do REMAX 3 à VBTP-MSR Guarani, especificamente na viatura identificada como chassi 83, LED 67. Essa integração constituiu um esforço conjunto entre diferentes atores da base industrial e tecnológica de defesa brasileira. A ARES foi responsável pelo fornecimento dos componentes do kit de instalação do sistema, enquanto a Iveco Veículos de Defesa — parceira do Exército Brasileiro no desenvolvimento do blindado  realizou a fabricação do anel de interface, da caixa de distribuição de potência e a integração final do conjunto à viatura. A etapa de Experimentação Doutrinária do sistema foi conduzida pela 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada, uma vez que a brigada já havia participado anteriormente do processo de experimentação da própria VBTP-MSR Guarani
Em 2015, o REMAX 3 integrado à VBTP-MSR Guarani foi  apresentado ao público durante a Latin America Aero & Defence,   Durante o processo de avaliação operacional, conduziu-se testes complementares do sistema. Durante essas avaliações foram identificadas algumas não conformidades, especialmente relacionadas ao módulo optrônico do sistema. Com o objetivo de solucionar essas questões, foi formada uma equipe técnica, que se deslocou até as instalações da OIP Sensor Systems, na Bélgica, onde acompanhou testes específicos realizados com o módulo optrônico.  Após a conclusão das avaliações realizadas no âmbito da Experimentação Doutrinária, o sistema atingiu o grau de maturidade necessário, e logo por meio da Portaria nº 065-EME, de 8 de março de 2016 oficializou-se  adoção do SARC (REMAX 3). Em dezembro foi celebrado o contrato nº 186/2016-COLOG, para a produção do lote primeiro lote de produção, de 215 unidades, no valor de R$ R$ 328.057.657,39.  Já em operação regular há mais de 6 anos, o sistema , vem consolidando plenamente seu conceito, possibilitando dar mais suporte de fogo às unidades mecanizadas  ao mesmo tempo que garantiria a proteção de seu atirador. Até o presente momento já foram entregues mais de 150 unidades. O grande êxito operacional levaria o Comando do Exército Brasileiro a estudar o emprego deste sistema junto ao programa da Viatura Blindada Multitarefa, Leve de Rodas (VBMT-LR) Iveco LMV. Com os testes sendo conduzidos a partir do mês de abril do ano de 2020 contando com o apoio da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada (9ª Bda Inf Mtz), do Centro de Avaliações do Exército (CAEx) e das empresas Iveco Veículos de Defesa e ARES Aeroespacial e Defesa. Com o sistema sendo homologado em maio do mesmo ano, gerando um contrato para o fornecimento de oito torres deste sistema para equipar um número similar destes veículos blindados com tração 4X4. Em novembro de 2021 o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), foi formalizado o desenvolvimento do novo sistema de armas remotamente controlado (SARC) REMAX 4 e um pacote de atualização dos REMAX 3 atualmente em uso, através do acordo de cooperação nº 21-DCT-005-00, entre o Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) do Exército e a empresa Ares Aeroespacial e Defesa. O REMAX 4 é uma evolução do atual REMAX 3, desenvolvido entre o Exército e a empresa Ares, cujas principais mudanças são, além da atualização dos eletrônicos, hardware e arquitetura de software, terá seu módulo de optrônicos desacoplado do berço, permitindo graus de liberdade independentes (azimute e elevação) à linha de visada; capacidade do cofre de munição aumentada em três vezes, indo de 100 para 300 para cartuchos 12,7x99mm, e de 200 para 600 para 7,62x51mm; e possibilidade de adicionar uma estação de trabalho para o comandante de viatura, permitindo o controle total da estação de armas, podendo ser integrada ao sistema de gerenciamento de missão (SGM), aumentando sua consciência situacional. Com essas modificações, além de manter o sistema no chamado “estado-da-arte”, permitirá a uma integração mais fácil com outros armamentos, como lançadores automáticos de granadas (LAG) e mísseis anticarro (“anti-tank guided missile” – ATGM). Também poderá ser integrado um sistema de alerta laser (“laser warning systems” – LWS), sendo que no protótipo foi instalado o ELAWS 2, da Elbit Systems. O pacote de atualização dos SARC em operação, cuja denominação é REMAX 3A1, deverá ter as mesmas características à exceção do sistema optrônico desacoplado e das menores dimensões.

Em Escala
Para recriar o SARC REMAX 3 em escala 1/35, foi utilizado o kit de detalhamento impresso em 3D produzido pela Oficina do Aquino, reconhecido por sua alta qualidade e precisão.  A qualidade do material impresso permite capturar os contornos e funcionalidades do sistema, proporcionando uma representação realista e fiel ao equipamento em uso pelo Exército Brasileiro. Para aprimorar a autenticidade da miniatura, foram utilizados decais provenientes de outros modelos, adaptados para representar as marcações específicas da torre do REMAX 3. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático no verde oliva empregado pelo Exército Brasileiro, existem vários registros fotográficos indicando também o emprego da camuflagem tático padrão em  dois tons (verde e marrom terra). Empregamos tintas, vernizes e washes produzidos pela Tom Colors.
Bibliografia :
- Remote Controlled Weapon Station - https://en.wikipedia.org/wiki/Remote_controlled_weapon_station
- Especial SARC REMAX Tecnologia e Defesa por Paulo R. Bastos Jr - https://tecnodefesa.com.br
- EB homologa o SARC REMAX nas VBMT-LR 4×4 Iveco LMV-BR - https://tecnodefesa.com.br
- REMAX 4 entra em produção e é integrado ao LMV-BR - https://tecnodefesa.com.br