EE-11 Engesa Urutu (VBTP)


História e Desenvolvimento.
Em 1958, o engenheiro mecânico-eletricista José Luiz Whitaker Ribeiro marcou a história industrial brasileira ao liderar a fundação da ENGESA (Engenheiros Especializados S/A). Sob sua direção, a empresa reuniu um grupo seleto de engenheiros recém-formados, muitos dos quais oriundos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Inicialmente, a ENGESA concentrou suas atividades na fabricação de componentes e ferramentas voltadas para a exploração de petróleo, tendo como principal cliente a estatal Petrobras. A alta qualificação de seu quadro técnico permitiu à empresa destacar-se rapidamente no setor de petróleo e gás, ampliando seu volume de negócios. Durante o processo de expansão, a ENGESA enfrentou desafios logísticos relacionados ao desempenho de sua frota de caminhões em estradas de terra e barro, comuns nas regiões de operação no litoral brasileiro. Para superar essas dificuldades, José Luiz Whitaker Ribeiro liderou o desenvolvimento de uma caixa de transferência com tração total, caracterizada por sua simplicidade e robustez. Esse sistema podia ser facilmente adaptado a diversos veículos utilitários da época. Após testes bem-sucedidos em sua frota, que demonstraram desempenho significativamente superior em condições off-road, a ENGESA decidiu investir na comercialização do sistema. Em 1966, o “Sistema de Tração Total Engesa” foi lançado no mercado civil, conferindo a caminhões comerciais modificados uma capacidade off-road inédita no Brasil. O sucesso comercial do sistema de tração total chamou a atenção do Exército Brasileiro, que, na mesma época, buscava nacionalizar sua frota de caminhões de transporte. Em resposta a essa demanda, a ENGESA produziu quatro protótipos equipados com o sistema, os quais foram submetidos a testes de campo. Os resultados foram altamente satisfatórios, culminando na homologação operacional do sistema. Em 1967, o Ministério do Exército classificou a solução como de “Interesse para a Segurança Nacional”. Em 1969, a ENGESA apresentou outra inovação: o sistema de tração dupla traseira, batizado de “Boomerang”. Esse mecanismo tornou-se fundamental para o desenvolvimento de diversos veículos militares, consolidando a posição da ENGESA como uma das principais empresas do setor de defesa no Brasil. Com o objetivo de substituir os caminhões militares norte-americanos com tração integral, recebidos na década de 1940, o Exército Brasileiro abriu uma concorrência para o fornecimento de caminhões nacionais “militarizados” equipados com tração total. O modelo escolhido foi o Chevrolet C-60 e D-60, nas configurações 4x4 e 6x6, equipado com o sistema da ENGESA. A participação da empresa como fornecedora do Exército expandiu-se rapidamente, com a entrega de 960 caminhões em 1968 e adicional 1.371 unidades dois anos depois. Esses contratos geraram recursos significativos, que foram reinvestidos no desenvolvimento de novos projetos. Em 1969, a ENGESA (Engenheiros Especializados S/A) apresentou o sistema de tração dupla traseira, denominado “Boomerang”. Este sistema tornou-se um marco na história da empresa, sendo essencial para o desenvolvimento de diversos veículos militares e desempenhando um papel crucial na expansão internacional de seus produtos na década de 1970. 

Durante o mesmo período, o Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2) estava dedicado ao desenvolvimento de um veículo blindado com tração 6X6. Os esforços eram voltados para criar um veículo com o maior índice possível de nacionalização de componentes, o que envolvia a colaboração de fabricantes de autopeças e componentes. Nesse contexto, a Engesa S/A, uma empresa com significativa capacidade técnica, chamou a atenção do comando do Exército Brasileiro e recebeu um convite formal para participar do projeto VBB-2 (Viatura Blindada Brasileira 2). Este foi o primeiro passo que levaria à sua colaboração em diversos outros projetos de importância estratégica, incluindo o desenvolvimento do Carro de Transporte de Tropas Anfíbio (CTTA). O programa de desenvolvimento deste blindado sobre rodas tinha como objetivo substituir totalmente os já obsoletos blindados de lagartas norte-americanos, tais como os modelos White Motors M-2, M-2A1, M-3, M-3A1 e M-5. O novo modelo deveria proporcionar aos infantes uma maior proteção e contar com a capacidade inédita de operação anfíbia. Assim, o projeto foi concebido como um veículo blindado sobre rodas com tração integral 6X6, dotado de capacidade anfíbia, capaz de transpor de forma eficiente grandes cursos de água doce e ambiente marinho.  Além de atender à Força Terrestre, o novo modelo também deveria ser integrado ao Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), permitindo a retirada de serviço dos antigos caminhões anfíbios GMC DUKW e CAMANF Bisseli, adquiridos entre 1969 e 1970. Após a validação dessas premissas, o projeto recebeu a nova designação oficial de “Carro de Transporte sobre Rodas Anfíbio” (CTRA), e seu desenvolvimento foi iniciado imediatamente. O primeiro protótipo funcional foi concluído em maio de 1971. De acordo com a fase conceitual, apresentava um design retilíneo em ângulos, com a carroceria equipada com um sistema de blindagem de duas camadas: a camada externa era composta de aço duro, e a blindagem interna apresentava maior viscosidade. Com o objetivo de priorizar a proteção dos infantes, o grupo motriz foi instalado na parte frontal do veículo, conferindo um nível adicional de proteção passiva à tripulação e aos ocupantes. A parte frontal do casco foi projetada para absorver impactos de munições perforantes, enquanto as demais áreas eram protegidas contra projéteis de armas leves, estilhaços de minas e fragmentos de artilharia. O protótipo também incluía quatro snorkels (respiradores) rebatíveis para operação no mar, garantindo a entrada de ar para os ocupantes e permitindo a saída dos gases do escapamento. Adicionalmente, contava com um leme na parte traseira, facilitando a manobrabilidade na água, e tinha capacidade para transportar de doze a quatorze soldados totalmente equipados, além da tripulação.
O projeto do Carro de Transporte sobre Rodas Anfíbio (CTRA) foi concebido para atender às demandas operacionais do Exército Brasileiro e do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil, com o propósito de substituir os caminhões anfíbios GMC DUKW e CAMANF Bisseli, adquiridos entre 1969 e 1970. O objetivo principal era desenvolver um veículo blindado com alto desempenho em ambientes terrestres e aquáticos, garantindo mobilidade, proteção e capacidade de transporte para operações anfíbias. Após a validação das premissas operacionais, o projeto foi oficialmente designado como “Carro de Transporte sobre Rodas Anfíbio” (CTRA), com o início imediato de seu desenvolvimento em em meados de 1971. Em termos de configuração mecânica, deveria fazer uso sistema de tração total Engesa, configurável em modos 6x4 e 6x6, com bloqueio do diferencial traseiro, garantindo alta mobilidade em terrenos variados.  Equipado com suspensão tipo Boomerang (patenteada), composta por um conjunto de suspensão dianteira independente, capaz de superar terrenos de difícil acesso e transpor elevações significativas. Sua carroceria apresentava um design retilíneo com ângulos otimizados, montada sobre a suspensão Boomerang, proporcionando robustez e estabilidade. Sua carroceria estava  equipada com um sistema de blindagem de duas camadas, a primeira a externa sendo composta de aço duro para resistência a impactos, e a interna de maior viscosidade para absorção de energia. Com o objetivo de priorizar a proteção dos infantes (sendo transportados até 13 soldados totalmente equipados), o grupo motriz foi instalado na parte frontal do veículo, conferindo um nível adicional de proteção passiva à tripulação e aos ocupantes. A parte frontal do casco foi projetada para absorver impactos de munições perfurantes, enquanto as demais áreas eram protegidas contra projéteis de armas leves, estilhaços de minas e fragmentos de artilharia.  Sua capacidade anfíbia era garantida por um sistema de tração na agua proporcionada pela movimentação das seis rodas operando em conjunto com um leme na parte traseira, facilitando a manobrabilidade na água. Quatro snorkels (respiradores) rebatíveis para operação no mar, garantiam  a entrada de ar para os ocupantes e permitindo a saída dos gases do escapamento. O primeiro protótipo funcional foi concluído em meados de 1971, e após testes de ordem interna, foi seria entregue ao Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN),para assim ser submetido a um exaustivo programa de ensaios em campo, que resultariam na aplicação de pequenas alterações e melhorias. A finalização deste processo resultaria na celebração do primeiro contrato de produção, realizado entre o Ministério da Marinha e a Engesa S/A, envolvendo seis viaturas

O EE-11 Urutu, desenvolvido pela Engesa S/A, é um veículo blindado anfíbio projetado para atender às necessidades operacionais do Exército Brasileiro e do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil.  O primeiro veículo EE-11 Urutu foi entregue ao Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) no final de 1973. Contudo, devido à sua montagem quase artesanal, apresentou problemas técnicos e de padronização, impactando sua confiabilidade operacional. Para superar esses desafios e atender ao grande contrato firmado com o Exército Brasileiro, a Engesa S/A investiu na construção de uma nova planta fabril em São José dos Campos, São Paulo. Essa iniciativa possibilitou a melhoria dos processos de produção e a padronização dos veículos . A Engesa S/A logo celebraria dois contratos de exportação, um envolvendo 37 blindados para a Libia e outro com 07 EE-11 Urutu para o Chile, com mais negócios sendo celebrados nos anos seguintes. Sua versátil plataforma possibilitaria o fabricante a desenvolver e oferecer diversas versões especializadas como porta morteiro, apoio de fogo, oficina, antimotim, ambulância, carro comando e antiaéreo. A variante “Uruvel” destacou-se por incorporar um canhão de 90 mm, montado na mesma torre do veículo de reconhecimento EE-9 Cascavel. Inicialmente, seu casco apresentava uma configuração frontal em forma de quilha, posteriormente abandonada em favor do casco padrão. Essa variante participou de concorrências internacionais, conquistando um contrato para fornecimento de 12 unidades ao Exército da Tunísia (Jaîsh el-Barr et’Tunsi). Uma subversão do Engesa EE-11 Uravel designado como  “Hydracobra”, participaria de processos importantes de concorrência internacional, primeiramente para o atendimento de demandas das Forças Armadas Canadenses (Canadian Forces) e posteriormente em uma licitação para aquisição de veículos deste tipo para o  Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha dos Estados Unidos (US Marines Corps), mas infelizmente não seria selecionado em nenhum destes dois processos. Um segundo protótipo do EE-11 Uruvel foi submetido a testes rigorosos de balística na Malásia, sendo avaliado contra disparos de armas leves (calibres 5,56 mm e 7,62 mm) a distâncias de 30 e 100 metros. O desempenho do veículo demonstrou sua capacidade de proteção em cenários de combate. Em 1985 a Engesa S/A participaria com seu modelo EE-11 Urutu M-7 (customizado especialmente para operação em ambientes desfavoráveis estando equipado redutores planetários nas rodas) de uma importante concorrência na Índia, prevendo a aquisição de pelo menos trezentos veículos. Este protótipo seria enviado no ano seguinte para a avaliação do Exército Indiano (Bhāratīya Sthalsēnā), percorrendo trilhas nas montanhas de Tanglang La, trafegando em locais com até um metro de neve, a 5.359 metros de altitude e sob uma temperatura de 10º C negativos. Também sua operação seria avaliada no lago Tso Moriri, navegando a 4.500 metros de altitude enfrentado temperatura de 18º C negativos. Apesar de não ser adquirido pelo governo da Índia, este protótipo demonstraria suas qualidades do modelo na operação em ambientes inóspitos.
Infelizmente no final desta mesma década,  a Engesa S/A começou a enfrentar sérias dificuldades financeiras, caracterizadas por déficits em capital de giro e fluxo de caixa. Esses problemas foram agravados por dois fatores principais: Investimento no EE-T1 Osório: O desenvolvimento do Carro Principal de Combate (Main Battle Tank - MBT) EE-T1 Osório consumiu recursos substanciais, mas o projeto não resultou em contratos de produção, comprometendo a saúde financeira da empresa. Inadimplência do Iraque: Contratos anteriores de fornecimento de veículos blindados e caminhões militares ao governo iraquiano geraram uma inadimplência de aproximadamente US$ 200 milhões, impactando severamente sua liquidez.  A Engesa S/A buscou assistência financeira do Governo Federal para mitigar suas dificuldades. Contudo, em um contexto de priorização do equilíbrio fiscal, o apoio não foi concedido, agravando a crise financeira da empresa. Em 21 de março de 1990, a Engesa entrou em processo de concordata preventiva (recuperação judicial). Apesar dos esforços para reestruturar suas operações, a situação financeira continuou a deteriorar-se. Em outubro de 1993, a falência da Engesa foi oficialmente decretada, deixando uma dívida de R$ 1,5 bilhão (em valores atualizados). A maior parte dessa dívida era composta por empréstimos não pagos ao Banco do Brasil e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Apesar desse melancólico final o Engesa EE-11 Urutu se provaria como um dos maiores sucessos da indústria de defesa nacional, pois além de suas características operacionais positivas, o fato de empregar o mesmo sistema de suspensão “boomerang” e diversos componentes mecânicos comuns ao EE-9 Cascavel gerava uma simplificação da cadeia logistica e processo de manutenção, atraindo assim uma grande gama de países já usuários do carro de reconhecimento da Engesa.  O Exército Brasileiro receberia ainda mais seis viaturas e um grande estoque de peças de reposição oriundos do massa falida da Engesa S/A, o restante dos insumos e componentes críticos seriam adquiridos em um leilão pela empresa carioca Universal Ltda. Ao todo entre os anos 1973 a 1983 seriam produzidos 888 viaturas desta família, dispostas em doze versões, com exportações sendo realizadas para Angola, Bolívia, Chile, Colômbia, Emirados Árabes Unidos, Equador, Gabão, Iraque, Jordânia, Líbia, Paraguai, Suriname, Tunísia, Venezuela e Zimbábue. A grande maioria destes carros ainda se encontra em operação e sucessivos processos de repotencialização e modernização implementados por diversas garantem seu emprego por mais duas décadas no século XXI.

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
Conforme contrato firmado com o Ministério da Marinha em meados de 1973, o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) recebeu os dois primeiros veículos EE-11 Urutu em janeiro de 1976, no Rio de Janeiro. Essas viaturas foram destinadas ao Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz), unidade designada para operar o modelo. A incorporação dos demais veículos foi concluída até maio de 1976. A versão do EE-11 Urutu destinada à Marinha do Brasil apresentava modificações em relação ao projeto original desenvolvido em parceria entre a empresa e o Exército Brasileiro, se destacando quatro tubos rebatíveis, localizados   nos flancos da carroceria, esses tubos, quando elevados, garantiam o suprimento de ar aos tripulantes e funcionavam como snorkels, auxiliando na exaustão dos gases do escapamento durante operações anfíbias. O processo de implantação operacional do EE-11 Urutu foi marcado por dificuldades significativas, incluindo: Não Padronização: Os veículos entregues apresentavam diferenças técnicas entre si, decorrentes da produção não seriada na fase inicial, o que comprometeu a uniformidade e a manutenção. Falhas Mecânicas: Diversos problemas mecânicos foram registrados, impactando negativamente o desempenho operacional das viaturas. Embora os desafios técnicos tenham influenciado a operação do EE-11 Urutu, o principal fator para sua substituição foi o desempenho insatisfatório em desembarques anfíbios. Os veículos sobre rodas demonstraram menor eficiência em terrenos irregulares, como praias, em comparação com veículos sobre esteiras. Essa limitação também afetou o desempenho do EE-9 Cascavel, outro veículo sobre rodas operado pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Devido às dificuldades operacionais e à inadequação para desembarques anfíbios, o EE-11 Urutu, juntamente com o EE-9 Cascavel começaram  a ser gradativamente retirados de serviço no Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz). A substituição foi realizada pelos veículos blindados de transporte de tropas FMC M-113A1, equipados com tração por esteiras, que se mostraram mais adequados para operações anfíbias em ambientes litorâneos. As limitações identificadas durante a operação no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) motivaram a Engesa a implementar uma série de melhorias no projeto original. O resultado foi o desenvolvimento do EE-11 Urutu Modelo 2 Série 1, que incorporou aprimoramentos técnicos para aumentar a confiabilidade e o desempenho. Destacava-se também a iniciativa da construção de uma linha de produção na cidade de São José dos Campos - SP dedicada ao modelo o que garantiria agilidade e padronização na montagem dos veículos. O novo modelo foi apresentado ao Ministério do Exército, que aprovou sua aquisição. Em 1976, o Ministério do Exército aprovou a aquisição do EE-11 Urutu Modelo 2 Série 1, firmando um contrato para o fornecimento de 40 viaturas.

As primeiras unidades foram programadas para entrega ao longo de 1977. Esta nova versão apresentava  as dimensões de 6,15 m de comprimento, 2,65 m de largura, 2,20 de altura com um peso vazio na ordem de 11 toneladas, podendo atingir 95 km/h em estradas e 2,5 km/h em águas calmas.  Rapidamente estes novos blindados seriam direcionados aos Batalhões de Infantaria Blindada (BIB), aos Esquadrões de Cavalaria Mecanizada (EsqdCMec) e aos Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado (RCMec), onde começariam a substituir os carros blindados de transporte de tropas meia lagarta White Motors M-2, M-2A1, M-3, M-3A1 e M-5 que ainda se encontravam em serviço.  O Modelo 2 Série 1 utilizava a movimentação das seis rodas para propulsão na água, um sistema que se revelou ineficiente em operações anfíbias reais. A fim de corrigir esta falha todo o primeiro lote de veículos entregues seria devolvido ao fabricante, a fim de serem modificados mediante a instalação do kit de marinização que era composto por duas hélices e leme direcional (o mesmo aplicado anteriormente nos carros da Marinha do Brasil). Os primeiros veículos modificados foram empregados em testes reais, agora se mostrando realmente  funcionais na operação anfíbia, motivando assim o comando do Exército Brasileiro a celebrar mais um contrato de produção, envolvendo agora quarenta e cinco carros do modelo agora designado como EE-11 Urutu M-2 Serie 2.  Mesmo antes da finalização da entrega deste segundo lote, um terceiro contrato seria firmado de sessenta carros, agora com o modelo apresentado um novo desing de casco e carroceria, recebendo a designação de EE-11 Urutu M-2 Serie 5, com este sendo entregues até o final do ano de 1979, com mais dez unidades sendo incorporadas no ano seguinte.  Em meados do ano de 1980, a empresa apresentaria o modelo EE-11 Urutu M-5 Serie 3, que trazia inúmeros melhoramentos de ordem mecânica, se destacando a adoção de um sistema de freios a disco e câmbio automático Alisson AT-545, recebendo do Ministério do Exército um contrato para mais vinte carros. Em 1988 uma nova aquisição de quarenta e cinco unidades da versão EE-11 Urutu M-6 Serie 4 seria efetivada, e por fim no seguinte quatro carros da versão EE-11 Urutu M-8 Serie 3. A evolução do EE-11 Urutu, desde o Modelo 2 Série 1 até as versões finais M-6 Série 4 e M-8 Série 3, reflete o compromisso da Engesa em atender às demandas do Exército Brasileiro por meio de melhorias contínuas. A resolução dos problemas iniciais de propulsão anfíbia e a introdução de aprimoramentos mecânicos consolidaram o EE-11 Urutu como um veículo blindado versátil e confiável, amplamente integrado às unidades de infantaria e cavalaria do Exército Brasileiro. O binômio EE-11 Urutu e EE-9 Cascavel, seria responsável  permitiu a criação de brigadas de cavalaria mecanizada, concedendo a Força Terrestre um potencial operativo sem igual até aquele momento. Estes carros passariam a dotar principalmente os Batalhões de Infantaria Blindada (BIB), Esquadrões de Cavalaria Mecanizada (EsqdCMec) e Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado (RCMec), sendo utilizados em um vasto leque de missões. 
Além de apresentar excelente desempenho o EE-11 Urutu gozava de grande disponibilidade operacional, principalmente devido a robustez e facilidade de operação, com este fato levando o fabricante em parceria com o Exército Brasileiro a desenvolver versões especializadas. Das diversas opções planejadas, seriam adotadas apenas o  modelo de Comando: Projetada para operações de coordenação e controle e Socorro: Equipada com guindaste hidráulico para apoio logístico e recuperação de veículos. Os Engesa EE-11 Urutu pertencentes ao Exército Brasileiro, seriam ainda empregados pela primeira vez em situações reais de conflagração, quando deslocados para operar nas missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), em Moçambique e Angola na década de 1990.  Cabe ao veículo ainda destacada atuação durante os treze anos em que as Forças Armadas Brasileiras, estiveram a serviço da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH). Neste cenário os Engesa EE-11 Urutu estiveram imersos em um cenario de conflagração assimétrico e urbano, descortinando a necessidade da aplicação de algumas adaptações e melhorias, entre estas a inclusão de uma torre blindada para o operador da metralhadora e motorista e adoção de um sistema hidráulico de lâmina frontal do tipo buldozer. Estas modificações seriam realizadas pela Centigon Blindagens do Brasil Ltda em parceria com o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP).  Apesar destas adequações, clarificou-se que o sistema de blindagem original do  Engesa EE-11 Urutu, já não oferecia mais um nível de proteção adequada contra munições perfurantes especiais, levando assim a decisão de substituir o emprego do modelo nas áreas de maior risco pelos novos blindados de transporte de tropa Movag GmbH Piranha adquiridos  pelo  Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Cabe ao veículo ainda destacada atuação durante os treze anos em que as Forças Armadas Brasileiras, estiveram a serviço da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH).  O Exército Brasileiro, como parte do contingente brasileiro, empregou o EE-11 Urutu em missões de patrulhamento, escolta, controle de distúrbios e apoio à segurança em áreas urbanas, especialmente na capital, Porto Príncipe. O ambiente operacional no Haiti, caracterizado por combates assimétricos e ameaças em áreas densamente povoadas, revelou a necessidade de modificações no EE-11 Urutu para atender às exigências da missão. As principais adaptações, realizadas pela Centigon Blindagens do Brasil Ltda. em parceria com o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP), incluíram: Torre Blindada: Instalação de uma torre para proteger o operador da metralhadora e o motorista contra disparos de armas leves e estilhaços. Lâmina Frontal Hidráulica: Adoção de um sistema tipo buldozer para remover barricadas, entulho e outros obstáculos comuns em áreas urbanas. Essas modificações aumentaram a segurança da tripulação e a capacidade do veículo de operar em cenários complexos, como ruas estreitas e barricadas improvisadas. Apesar destas adequações, clarificou-se que a  blindagem original do veículo, projetada para resistir a projéteis de armas leves e estilhaços, revelou-se inadequada contra munições perfurantes especiais, cada vez mais comuns em conflitos modernos. Devido às deficiências na proteção balística e à necessidade de maior mobilidade em cenários urbanos, o Exército Brasileiro optou por substituir o EE-11 Urutu em operações de alto risco pelos veículos blindados MOWAG Piranha, operados pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN).

As diferentes versões do EE-11 Urutu adquiridas ao longo dos anos apresentavam variações significativas em mecânica e estrutura, dificultando a padronização dos processos de manutenção devido a heterogeneidade das versões. Os problemas eram mais frequentes nas viaturas recebidas na década de 1970, devido à falta de homogeneidade e à complexidade de seus sistemas. Por exemplo, a primeira versão, era dotada de um sistema eletropneumático responsável pelo acionamento mecânico da tração dianteira, reduzida, bloqueio do diferencial traseiro, bomba de porão, pressurização da transmissão e sistema de navegação, sistemas estes críticos e de ordem vital para o bom funcionamento do veículo, que enfrentavam problemas devido à falta de peças de reposição adequadas. Esses sistemas enfrentavam falhas recorrentes devido à escassez de peças de reposição adequadas, comprometendo a funcionalidade do veículo. Em 2005, a equipe técnica do Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar (PqRMnt/3) realizou um estudo detalhado para identificar e mitigar falhas, com o objetivo de reduzir custos de manutenção e aumentar a disponibilidade da frota. Uma viatura foi escolhida para uma detalhada análise, sendo posteriormente comparada a mais unidades, este estudo concluiu que boa parte da frota apresentava o mesmo grupo de sistemas danificados, sendo os mais frequentes identificados como quebra de engrenagens nas caixas de transferência e redução, quebra de engrenagens do boomerang, diferenciais danificados e conjunto de acionamento eletropneumático inoperantes. Vale destaque o processo de oxidação dos interruptores elétricos responsáveis pelo acionamento dos solenóides (estes responsáveis em mudar o sentido dos diversos atuadores da viatura). Também, boa parte dos solenoides elétricos, estavam com seu dispositivo de acionamento interno emperrados, devido à umidade e, provocando vazamento de ar, quando algum sistema era acionado.  A resolução destes problemas seria efetivada com a incorporação de um sistema de acionamento mais simples, composto por um painel com válvulas de controle direcional de fluxo de ar, tubulações flexíveis e engates rápidos nos atuadores, desta forma, tornou-se um sistema mais operacional, mais acessível para as atividades de manutenção, maior confiabilidade e fácil aquisição de peças, eliminando-se os interruptores elétricos, válvulas solenoides, fiação elétrica. Além deste programa, outros de ordem menos abrangente foram implementados ao longo dos anos, sendo conduzidos pelo Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP) em parceria com empresas privadas, visando assim manter aceitáveis níveis de operacionalidade da frota.  Em 2006, o Exército Brasileiro incorporou seis viaturas “novas” do EE-11 Urutu, provenientes do estoque da empresa Universal Ltda., oriundo da massa falida da Engesa S/A. Essa aquisição elevou o total de viaturas em serviço para 230 unidades. Em 2010 por intermédio do contrato de objetivos logísticos firmado entre o AGSP e o Comando Logístico (COLOG), dentro do escopo do Projeto Fênix, foi revitalizada uma viatura Urutu modelo M6, e teve início a manutenção das viaturas mais antigas, modelo M2, que foram inseridas no Projeto Fênix, com diversos de seus subsistemas foram atualizados e modificados. 
Nos modelos mais antigos o subsistema pneumático teve a substituição das válvulas eletropneumáticas por pneumáticas e o subsistema elétrico, de dupla tensão 12/24 volts, foi modificado para um de tensão única de 24 volts, tornando-os equivalentes aos empregados nos modelos mais novos (M5 e M6), com um total de 35 viaturas revitalizadas, sendo 17 em 2010 e 18 em 2012. Em 2012, foram repatriadas do Haiti oriundas da Missão de Paz das Nações Unidas no Haiti (Mission des Nations Unies pour la Stabilisation en Haïti – MINUSTAH), cinco viaturas Urutu, modelo M6, que já haviam sido sido revitalizadas e modernizadas anteriormente, para serem novamente recuperadas dentro do Projeto Fênix.  Em 2013, após concorrência publica vencida pela empresa Universal – Importação, Exportação e Comércio LTDA, foi desenvolvido um novo projeto de modernização VBTP Urutu, sendo produzido uma viatura protótipo a partir do modelo M2, cujo principal escopo foi a instalação de um conjunto motor-câmbio com unidades de controle eletrônicas, sendo modelo de modelo Cummins da série ISBe de 220 cv de potência e a caixa de transmissão Allison 3000SP, concorrendo para alterações significativas dos sistemas anexos ao trem de força, além de modificações no sistema de transmissão. A modernização também contemplou a instalação de freios a disco, a instalação de sistema de enchimento de pneus, a instalação de ar condicionado, além das já citadas modificações dos subsistemas pneumático e elétrico. Neste mesmo período o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP) em conjunto com a empresa Universal S/A desenvolveu o Projeto Urutu Ambulância, com o objetivo de modernizar os veículos mais antigos do modelo EE-11 Urutu Modelo 2, atualizando-os para o modelo "Modelo 6 Plus". O protótipo desta nova versão seria todo montado com base em uma carcaça zero quilômetro que se encontrava em estoque da empresa desprovida de qualquer componente interno. Esta nova versão, além de estar equipada com todo o aparato médico este modelo especializado dispõe caixa blindada com vidros à prova de balas para o motorista melhorando a visibilidade para condução em campo de batalha, com base neste protótipo foram convertidos mais dezoito carros do Modelo 2. No final do ano de 2021 , o Exército Brasileiro  criou um grupo de trabalho para propor linhas de ação para a desativação e transformação das viaturas blindadas de transporte de pessoal (VBTP) 6X6 EE-11 Urutu, da extinta ENGESA e um de seus principais objetivos é o aproveitamento das 229 unidades (de 14 versões diferentes) ainda em carga, seja para sua utilização como viatura especializada dentro da Força ou como viatura blindada para dar suporte as nossas forças de segurança pública, como já foi feita para a Polícia Militar do Estado do Rio de janeiro (PMERJ) e Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN). Em 01 de setembro de 2022, seria publicado o Boletim do Exército (nº 36/2022), determinando a desativação de 129 viaturas blindadas de transporte de pessoal (VBTP) 6X6 EE-11 Urutu, de um total de 134 em carga. As cinco viaturas que continuarão em atividades são três da versão ambulância, pertencentes ao 10º Batalhão Logístico (10º B Log), de Alegrete (RS); 15º Regimento de Cavalaria Mecanizado-Escola (15º R C Mec-Es), do Rio de Janeiro (RJ); e 16º Batalhão Logístico (16º B Log), de Brasília (DF); e as duas restantes foram recentemente modernizadas pela empresa Columbus no Arsenal de Guerra de São Paulo e pertencentes ao 16º B Log e ao 13º Regimento de Cavalaria Mecanizada (13º RC Mec), de Pirassununga (SP), sendo esta última convertida para versão de garantia da Lei e da ordem (GLO). Uma grande parcela dos carros a serem desativados deve ser destinada a equipar mais unidades de policiais militares estaduais.

Em Escala:
Para representarmos o Engesa EE-11 Modelo 2 Série 5 Urutu “EB-12030", fizemos uso de um modelo em resina de fabricação artesanal na escala 1/35. Aplicamos diversas correções em scratch no kit original e incluímos detalhamentos oriundos de outros modelos desta escala. Empregamos decais confeccionados pela Decals e Books presentes no Set "Forças Armadas do Brasil".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa segundo o padrão de pintura e marcações nacionais adotado pelo Exército Brasileiro a partir de 1983, sendo este mantido até os dias atuais. Os Engesa EE-11 Urutu do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil foram recebidos em um padrão de pintura semelhante aos do Exército Brasileiro, recebendo posteriormente o esquema camuflado idêntico aos M-113A1 e Engesa EE-9 Cascavel, no final da década de 1970.


Bibliografia: 
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume I , por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume II, por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Exército inicia a desativação do EE-11 Urutu - Paulo Roberto Bastos - www.tecnodefesa.com.br
- EE-11 Urutu  Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/EE-11_Urutu

HA-1 Helibras/Aerospatiale HB-350L1 e AS550A2

História e Desenvolvimento. 
A derrota da França em maio de 1940, marcou um momento de profunda ruptura para o país e, em particular, para sua então robusta indústria de defesa. A subsequente ocupação alemã, aliada à instauração do regime de Vichy, submeteu o setor industrial francês a severas restrições, relegando-o a um papel secundário na engrenagem produtiva do Terceiro Reich. Nesse período, a produção  foi limitada, em grande medida, ao fornecimento de componentes e matérias-primas, o que interrompeu bruscamente o ciclo de avanços tecnológicos que vinha sendo construído desde o final da década de 1920. Com o fim do conflito, a França encontrou-se diante do desafio urgente de reconstrução econômica e institucional. Nesse cenário, o setor aeronáutico foi reconhecido como estratégico, não apenas para a defesa nacional, mas também como elemento essencial para a recuperação da autonomia tecnológica do país. Em resposta, o estado  assumiu papel central na reorganização dessa indústria, promovendo uma ampla política de nacionalizações e reestruturação. Foi nesse contexto que surgiram duas grandes empresas estatais: a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est (SNCASE) e a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest (SNCASO). Ambas resultaram da fusão e incorporação de diversas pequenas e médias companhias privadas, muitas delas enfraquecidas pelos efeitos da guerra. A iniciativa visava concentrar competências técnicas, recursos humanos e infraestrutura industrial em polos regionais capazes de sustentar programas de pesquisa, desenvolvimento e produção em escala. Ao longo do final da década de 1940 e início dos anos 1950, estas empresas atuaram de maneira complementar, contribuindo tanto para a retomada da produção de aeronaves de asas fixas quanto para a introdução e consolidação de uma tecnologia ainda emergente: os helicópteros. Nesse campo, o governo francês adotou uma estratégia pragmática, investindo intensamente em pesquisa e desenvolvimento, ao mesmo tempo em que estabelecia acordos de cooperação e produção sob licença com empresas estrangeiras, sobretudo dos Estados Unidos e do Reino Unido. Tal intercâmbio permitiu à França absorver rapidamente conhecimentos avançados de engenharia aeronáutica, criando as bases para o desenvolvimento de projetos próprios. Entre os resultados mais expressivos desse esforço destaca-se o helicóptero Alouette II, desenvolvido pela SNCASE e equipado com o motor turboeixo Turbomeca Artouste  uma inovação que representou significativo avanço em desempenho, confiabilidade e versatilidade operacional. Seu primeiro voo, realizado em março de 1955, simbolizou um marco na recuperação tecnológica francesa e consolidou o país como um dos pioneiros no emprego de turbinas em aeronaves de asas rotativas. Dando continuidade a essa política de fortalecimento industrial, o governo francês promoveu, em 1º de março de 1957, a fusão da SNCASE com a SNCASO, resultando na criação da Sud Aviation (Société Nationale de Constructions Aéronautiques du Sud). A nova empresa passou a concentrar grande parte da produção aeronáutica no sul da França, integrando sob uma única estrutura administrativa programas civis e militares, e consolidando-se como um dos principais pilares da indústria aeronáutica europeia no período do pós-guerra.

A Sud Aviation herdou não apenas o know-how técnico e os projetos em andamento das duas antecessoras, mas também sua ambição de inserir o pais no seleto grupo de potências. A SNCASE, por exemplo, já havia acumulado experiência relevante com aeronaves como o  Languedoc (avião comercial de médio porte) e o  Mistral, uma versão licenciada do DH-100 Vampire britânico. O sucesso do helicóptero Alouette II  representou um divisor de águas abrindo caminho para o desenvolvimento de uma aeronave mais robusta e com maior capacidade de carga. Nesse contexto, surgiu o Alouette III  que realizou seu voo inaugural em 28 de fevereiro de 1959 e entrou em serviço em 1961. Concebido como um helicóptero versátil, capaz de operar em condições adversas  como grandes altitudes e ambientes de clima extremo.  Em meados da década de 1960, a busca por soluções mais avançadas levou ao estabelecimento de uma colaboração anglo-francesa, formalizada em 1965, com o objetivo de desenvolver um substituto para as versões militares do Alouette III. Dessa iniciativa resultou o SA341/SA342 Gazelle, um helicóptero leve e ágil que passou a equipar as forças armadas da França e do Reino Unido. Apesar de seu expressivo êxito no segmento militar, o elevado custo de aquisição e operação limitou sua difusão no mercado civil internacional. A experiência adquirida com o desenvolvimento do Gazelle forneceu à equipe de engenharia da Aérospatiale  denominação adotada após a reestruturação industrial de 1970  uma base sólida para enfrentar um novo desafio: projetar uma aeronave que combinasse inovação tecnológica com viabilidade econômica. Para isso, foram conduzidas extensas pesquisas de mercado junto a operadores civis e institucionais, que apontaram três requisitos essenciais: redução dos níveis de ruído e vibração, aumento da capacidade de transporte e diminuição dos custos operacionais. Esses parâmetros orientaram a concepção de um helicóptero monoturbina com capacidade para até cinco ocupantes, incluindo piloto e passageiros, projetado para competir diretamente com o Bell 206 Jet Ranger, então referência no mercado internacional. Incorporando avanços em aviônica e soluções construtivas inovadoras, a aeronave foi concebida para apresentar custos de aquisição e manutenção significativamente inferiores aos de modelos contemporâneos, como o próprio Gazelle. Em uma abordagem pouco convencional para a indústria aeronáutica da época, o fabricante recorreu a conceitos oriundos do setor automotivo, integrando componentes compartilhados com veículos das fabricantes Citroën e Renault. Além disso, adotou o inovador sistema de rotor principal Starflex, que contribuía para a redução de vibrações, aumento da confiabilidade e simplificação da manutenção. Essa combinação de soluções técnicas resultou em uma aeronave de desempenho notável e elevada eficiência operacional, adequada a uma ampla gama de missões, tanto civis quanto militares. O protótipo, designado  AS350-001, realizou seu primeiro voo em 27 de junho de 1974, sob o comando do piloto de testes Daniel Bernard Certain Bauchart. Equipado com o motor turboeixo Lycoming Avco LTS-101, com potência de aproximadamente 592 shp, o modelo demonstrou, desde suas primeiras avaliações, elevado grau de versatilidade e desempenho.
Após sua apresentação oficial, o Aérospatiale AS350 foi submetido a um rigoroso programa de ensaios em voo, etapa essencial para a validação de seu desempenho e confiabilidade operacional. As primeiras avaliações revelaram limitações relacionadas à potência do motor norte-americano inicialmente instalado, sobretudo em condições mais exigentes de operação. Diante desse cenário, a equipe de engenharia optou por uma solução estratégica: a substituição pelo motor francês Turbomeca Arriel 1B, projetado especificamente para helicópteros leves e capaz de fornecer cerca de 641 shp. A adoção desse novo conjunto motriz mostrou-se decisiva para o sucesso do programa. O segundo protótipo, já equipado com o Arriel 1B, realizou seu voo inaugural em 14 de fevereiro de 1975, demonstrando melhorias substanciais em desempenho, especialmente em regimes de maior carga. Em função desses resultados, o motor francês foi selecionado para equipar a versão principal de produção, designada AS350B, superando o motor original, cuja potência se revelara insuficiente para determinadas condições operacionais. Durante a fase de desenvolvimento, que envolveu extensos ensaios técnicos, diversas melhorias estruturais e sistêmicas foram incorporadas, culminando na configuração definitiva de série. Com vistas à obtenção de certificações internacionais, 03 células foram especificamente destinadas aos processos de homologação. Em 1977, após a obtenção das aprovações necessárias, o modelo foi oficialmente introduzido nos mercados europeu e norte-americano sob a designação AS350B Écureuil. A combinação de bom desempenho, elevada confiabilidade e custos operacionais relativamente reduzidos contribuiu para uma rápida aceitação no mercado. Operadores privados e institucionais passaram a demonstrar crescente interesse pela aeronave, impulsionando sua demanda. A partir de 1978, consolidou sua presença internacional com a assinatura de contratos governamentais relevantes em ambos os continentes, destacando-se seu emprego em missões policiais e operações de resgate aeromédico. O êxito alcançado estimulou o fabricante a desenvolver uma variante voltada ao uso militar, com ênfase na formação e conversão operacional de pilotos. Assim surgiu o  AS350 BB, uma versão adaptada às exigências específicas, particularmente às necessidades da Força Aérea Real (RAF). Para atender aos requisitos militares,  seria equipado com o motor Turbomeca Arriel 1D, com potência aproximada de 684 shp, proporcionando desempenho ligeiramente superior ao da versão civil. O modelo incorporava comandos duplos reforçados, essenciais para instrução, além de sistemas simplificados que facilitavam o processo de aprendizado de pilotos em formação. A instrumentação foi adaptada aos padrões militares, incluindo sistemas de navegação e comunicação. A cabine, projetada para oferecer excelente visibilidade, favorecia o ambiente de instrução, enquanto reforços estruturais adicionais permitiam suportar o uso intensivo típico de aeronaves de treinamento, caracterizado por ciclos frequentes de pousos e decolagens. Em reconhecimento a essas qualidades, foi selecionado, em 1979, pela Defence Helicopter Flying School (DHFS)  instituição responsável pela formação de pilotos de helicópteros das Forças Armadas do Reino Unido.

Após sua introdução, o Aérospatiale AS350 BB passou a desempenhar papel relevante na modernização dos programas de treinamento militar, substituindo progressivamente helicópteros mais antigos, como o Westland SA341 Gazelle, e oferecendo, simultaneamente, uma plataforma versátil para uma ampla gama de missões civis e militares no Reino Unido. Operado pela FB Heliservices  posteriormente denominada Cobham Helicopter Services , o modelo foi amplamente empregado na base da Força Aérea Real (RAF) em Shawbury, um dos principais centros de formação de pilotos de helicóptero do país. Ao todo, foram incorporadas 38 células, designadas como Squirrel HT1 (Helicopter Trainer 1) e Squirrel HT2 pela Marinha Real (Royal Navy). A partir da década de 2010, contudo, esse modelo começou a ser gradualmente substituído por aeronaves mais modernas, como o Airbus H135 Juno e H145 Jupiter, no âmbito do programa UK Military Flying Training System (MFTS). Paralelamente ao sucesso no Reino Unido, o AS350 BB também despertou o interesse das forças armadas francesas. Em 1979, a Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) firmou contrato para a aquisição de 30 aeronaves, destinadas principalmente às escolas de formação de pilotos, como a tradicional École de l’Air. No mesmo período, a Aviação Leve do Exército Francês (ALAT) celebrou um acordo para a compra de 40 unidades, destinadas à École de l’Aviation Légère de l’Armée de Terre (EALAT), com destacamentos baseados em Dax e Le Cannet-des-Maures. Nessas instituições, o AS350 BB consolidou-se como uma plataforma essencial para a instrução de voo básico, navegação e manobras táticas. Sua robustez estrutural, aliada ao baixo custo de operação e manutenção, tornava-o particularmente adequado ao uso intensivo característico das escolas de aviação militar. Embora concebido prioritariamente como treinador, o modelo também foi empregado, de forma complementar, em missões de ligação e transporte leve, inclusive em unidades operacionais como o 1º Regimento de Helicópteros de Combate  e o 9º Regimento de Suporte Aeromóvel . No cenário internacional, o êxito do AS350 BB também se refletiu em sua adoção por outros países. Em fevereiro de 1979, a Marinha do Brasil firmou contrato com a Helibras S.A,  tornando-se o quarto operador militar, com a aquisição de 06  aeronaves. Esse movimento evidenciava não apenas a crescente inserção da indústria aeronáutica francesa no mercado global, mas também a confiança depositada na versatilidade e confiabilidade. Ao longo dos anos seguintes, o AS350 consolidou uma expressiva presença internacional, sendo incorporado por forças armadas de diversos países, como Argentina, Arábia Saudita, Austrália, Canadá, Chile e Paquistão, entre outros. Nessas nações, a aeronave foi empregada em missões de treinamento, transporte leve e apoio geral, confirmando sua adaptabilidade a diferentes contextos operacionais. Ao final da década de 1980, a família de helicópteros AS350B e AS355B Écureuil já se afirmava como um dos maiores sucessos comerciais da indústria aeronáutica europeia. Presente em múltiplos continentes, o modelo demonstrava notável equilíbrio entre desempenho, economia e confiabilidade, atendendo de forma eficaz tanto às demandas do mercado civil quanto às exigências do setor militar.
Ao final década de 1980, a família de helicópteros Aérospatiale AS350B e AS355B Écureuil (Esquilo) já era um grande sucesso comercial, operando em vários países tanto no mercado civil como no militar, e o grande número de aeronaves disponíveis cada vez mais impactava positivamente na cadeia de custos de peças de reposiçao e processos de manutenção, o que valorizava cada vez mais o emprego do modelo. Neste momento a diretoria da empresa vislumbraria um grande mercado potencial para o uso militar da aeronave, agora passando a ser dedicada a missões mais especializadas, entre elas ataque a solo, apoio aproximado, patrulha marítima, guerra antissubmarino (ASW), ataque anti-superficie (ASM) e busca e salvamento de combate (Combat-SAR). Duas células das versões civis das aeronaves mono e bi turbina seriam empregadas para o desenvolvimento, sendo acrescidos reforços estruturais, blindagem para o grupo motriz e para os tripulantes (piso e assentos blindados), nova avionica embarcada mais adequada a missões de combate, preparação para instalação de sistemas de imageamento diurno e noturno, óculos de visão noturna (OVN/NVG) e dispositivos de defesa passiva, porém  uma das melhorias mais importantes seria a troca da motorização original por um novo motor Turbomeca Arriel 2B turboshaft com 847 hp. Em termo de pacotes de armas ambas as versões poderiam ser equipadas com um canhão automático de 20 mm Giat M621, casulos com metralhadoras FN Herstal de calibre 7,62 mm ou 12,7 mm, lançadores de foguetes não guiados com sete de 70 mm ou doze de 68 mm e misseis anti tanque norte-americanos TOW BGM-71. Durante o ano de 1989, estes protótipos seriam testados e ensaiados em voo apresentando grandes perspectivas operacionais. Em 1 de janeiro de 1990, a Aérospatiale mudaria o sistema de designação de produção, com aeronaves militares passando a ser identificadas pelo número, assim o modelo monomotor AS350 tornar-se-ia o AS550, e o bimotor AS355 se tornaria o AS555, com estas aeronaves passando a ser oferecidas no mercado internacional de defesa. Em 1992 um processo de fusão englobaria as divisões de produção de aeronaves de asas rotativas das empresas Aérospatiale e Messerschmitt-Bölkow-Blohm, nascendo assim a European Aeronautic Defence and Space Company (EADS), que renomearia esta família de helicópteros militares como Fennec, distinguindo assim da versão civil Écureuil (Esquilo). Os modelos militares estariam dispostos nas versões AS50 C2 Fennec, AS550 U2 Fennec e AS550 C3 Fennec. Os primeiros contratos de exportação seriam celebrados ainda no ano de 1990, envolvendo entregas para as forças armadas da França, Argentina, Brasil, Colômbia, Argélia, Dinamarca, Emirados Árabes Unidos, Malásia, México, Singapura, Paquistão, Uzbequistão e China (versão produzida localmente do Z-11). Esta família de aeronaves designada comercialmente em 2005 como H125, permanece em produção contínua pela Airbus Helicopters até os dias atuais, acumulando mais de três mil e setecentas células entregues ao mercado civil forças de segurança e também mais de quarenta forças armadas militares ao redor do mundo. 

Emprego no Exército Brasileiro
A história da Aviação do Exército Brasileiro remonta à segunda metade do século XIX, em meio aos intensos combates da Guerra da Tríplice Aliança (1864–1870). Foi nesse contexto, particularmente durante as operações em Humaitá e Curupaiti, no ano de 1867, que se registraram as primeiras iniciativas de emprego de meios aéreos pelo Exército. Sob o comando de Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias  patrono do Exército Brasileiro, foram utilizados balões cativos para observação militar, configurando uma inovação notável no cenário sul-americano. Essa iniciativa pioneira inseriu, de forma inédita no continente, a chamada “terceira dimensão” no campo de batalha, ampliando significativamente a capacidade de comando e controle das forças em operação. Os balões, operados sob a supervisão direta de Caxias, permitiram a observação sistemática das fortificações paraguaias, fornecendo dados essenciais sobre a disposição e os movimentos do inimigo. Tais informações revelaram-se decisivas para o planejamento e a condução de ofensivas de grande envergadura pelas forças aliadas, contribuindo de maneira substancial para o êxito das campanhas. Mais do que um recurso tático, o emprego da aerostação refletia uma visão estratégica avançada por parte  de  Caxias, que compreendia o valor da superioridade informacional no teatro de operações. Ao integrar a observação aérea às manobras terrestres, o Exército Brasileiro não apenas obteve vantagens operacionais imediatas, mas também estabeleceu um precedente doutrinário relevante, tornando-se a primeira força militar da América do Sul a empregar esse tipo de tecnologia com fins militares. Com o término do conflito, em 1870, essa experiência foi institucionalizada por meio da criação do Serviço de Aerostação Militar, consolidando o uso de balões como ferramenta de observação e reconhecimento. Ao longo dos 47 anos seguintes, até 1917, a aerostação manteve-se como elemento central das atividades aéreas, desempenhando funções de vigilância, levantamento de informações e apoio às operações terrestres. Esse período constitui a primeira fase da aviação militar, caracterizada pela adaptação e pelo domínio progressivo de tecnologias aerostáticas. No início do século XX, acompanhando os avanços tecnológicos globais no campo da aviação, o Exército Brasileiro deu passos decisivos rumo à modernização. Em 1913, foi criada a Escola Brasileira de Aviação, no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, marcando o início da formação sistemática de pessoal especializado. Nesse mesmo ano, foram incorporadas as primeiras aeronaves militares de fabricação italiana, simbolizando a transição dos balões para aviões motorizados. Esse processo evolutivo foi aprofundado em 1919, com a criação da Escola de Aviação Militar (EAvM), instituição voltada à formação de aviadores. Tal escola constitui a base histórica do atual Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAvEx), refletindo a continuidade do esforço institucional na qualificação de recursos humanos especializados. Na década de 1930, a aviação militar do Exército ampliou ainda mais seu papel estratégico com a criação do Correio Aéreo Militar (CAM), em 1931. Em conjunto com o Correio Aéreo Naval, esse sistema contribuiu para a integração territorial do país, estabelecendo rotas aéreas que conectavam regiões remotas e promoviam a presença do Estado em áreas de difícil acesso.

Entretanto, essa trajetória inicial foi abruptamente interrompida em 20 de janeiro de 1941, com a criação do Ministério da Aeronáutica do Brasil. A nova estrutura centralizou sob a recém-criada Força Aérea Brasileira (FAB) a responsabilidade exclusiva pelas atividades aéreas nacionais, resultando na extinção tanto da Aviação Militar do Exército quanto da Aviação Naval. Essa reconfiguração institucional marcou o encerramento da primeira fase da aviação do Exército Brasileiro, cuja herança, contudo, permaneceria como fundamento para sua posterior recriação décadas mais tarde. Na década de 1980, seria iniciado a um amplo esforço de modernização por meio do "Programa Força Terrestre 90 (FT-90)", concebido como um instrumento estratégico para reestruturar e atualizar as capacidades operacionais. Esse programa refletia não apenas as demandas internas de modernização, mas também a assimilação das lições extraídas dos conflitos armados do pós-Segunda Guerra Mundial, os quais evidenciaram, de maneira inequívoca, a importância crescente da dimensão aérea no campo de batalha contemporâneo. Nesse contexto, a incorporação de aeronaves de asas rotativas passou a ser entendida como elemento essencial para a ampliação da mobilidade tática, o incremento do poder de combate e a obtenção de maior flexibilidade operacional. A experiência internacional, particularmente a observada na Guerra do Vietnã (1955–1975), desempenhou papel determinante nessa reavaliação doutrinária. O emprego intensivo de helicópteros como o Bell OH-58 Kiowa e o UH-1 Iroquois demonstrou, de forma concreta, a relevância do domínio da baixa altitude  a chamada faixa inferior do espaço aéreo  como fator decisivo para o sucesso das operações terrestres. À medida que outras forças armadas, notadamente as dos Estados Unidos e de países integrantes da Organizaçao do Tratado do Atlantico Norte (OTAN), consolidavam suas aviações de exército, o comando do Exército Brasileiro passou a reconhecer a necessidade de dispor de um vetor aéreo próprio, capaz de proporcionar maior agilidade, alcance e capacidade de resposta em diferentes cenários operacionais. Essa conscientização estava alinhada ao objetivo mais amplo de adaptar a Força às exigências de um ambiente estratégico em constante transformação, abrangendo desde conflitos convencionais até operações de baixa intensidade. A partir do início da década de 1980, seriam conduzidos  estudos doutrinários voltados à definição do emprego de helicópteros no âmbito das armas-base, especialmente infantaria e cavalaria. Tais estudos enfatizaram a integração das aeronaves de asas rotativas em missões de reconhecimento, transporte tático, evacuação aeromédica e apoio logístico. Esse esforço de natureza doutrinária e organizacional culminou, em 1986, com a criação de estruturas consideradas essenciais para a reativação da Aviação do Exército. Destacaram-se, nesse processo, a Diretoria de Material de Aviação do Exército (DMAvEx), responsável pela gestão logística, aquisição de meios aéreos, manutenção e desenvolvimento técnico, e o 1º Batalhão de Aviação do Exército (1º BAvEx), concebido como a primeira unidade operacional, incumbida de operar as aeronaves iniciais e de estabelecer as bases para a formação de pilotos e tripulações especializadas. 
A consolidação material desse processo ocorreu em janeiro de 1988, com a instalação da 1ª Base de Aviação do Exército (AvEx) na cidade de Taubaté no interior do estado de São Paulo. Após a consolidação dos fundamentos conceituais e organizacionais da Aviação do Exército (AvEx), tornou-se imperativo definir os vetores aéreos capazes de atender, com eficiência, às necessidades estratégicas da Força. Nesse contexto, em 1987, a recém-criada Diretoria de Material de Aviação do Exército (DMAvEx) promoveu uma concorrência internacional com o objetivo de adquirir, no mínimo, cinquenta helicópteros de categorias leve e média, a serem fornecidos em dois lotes distintos. O certame despertou o interesse de importantes fabricantes do setor aeronáutico global. Ao término do processo de avaliação, a escolha recaiu sobre a proposta apresentada pelo consórcio liderado pela Aérospatiale, em associação com sua subsidiária brasileira, a Helibras S/A. Tal decisão foi pautada não apenas por critérios técnicos e comerciais favoráveis, mas também pelo histórico consolidado de emprego de aeronaves dessa origem pelas Forças Armadas Brasileiras. Tanto a Marinha do Brasil quanto a Força Aérea Brasileira (FAB) já operavam, com resultados satisfatórios, diversos modelos da fabricante francesa, fator que contribuía para a padronização logística, a interoperabilidade e a confiabilidade operacional. As negociações culminaram, em 1988, na formalização de um contrato que previa a aquisição de 16  helicópteros leves Helibras HB350 Esquilo, na versão HB350 L1, e 36 helicópteros médios Aérospatiale AS365 Dauphin, na variante militar AS365K Pantera. Enquanto os helicópteros médios seriam produzidos nas instalações da Aérospatiale, na França, os exemplares do modelo Esquilo seriam montados no Brasil, na planta industrial da Helibras S/A, localizada em Itajubá, Minas Gerais. Esse arranjo representou um avanço significativo para a indústria aeronáutica nacional, ao fomentar a transferência de tecnologia e o fortalecimento da capacidade produtiva interna. Estes helicópteros leves receberam a designação HA-1 (Helicóptero de Ataque 1), sendo matriculados na faixa de "EB 1001 a EB 1016". O cronograma contratual previa a entrega das aeronaves entre os anos de 1989 e 1991. A primeira unidade, o HA-1 "EB 1001", foi oficialmente incorporada em 21 de abril de 1989, durante cerimônia realizada nas instalações do 1º Batalhão de Aviação do Exército (BAvEx).  Os resultados operacionais obtidos nos primeiros anos de utilização dos helicópteros HA-1 evidenciaram, de forma clara, a pertinência do projeto e a necessidade de ampliação da frota. Em resposta a essa demanda, foi firmado um aditivo contratual que viabilizou a aquisição de mais vinte aeronaves, desta vez na versão especializada Eurocopter AS550 Fennec, concebida para missões de escolta e reconhecimento armado. Entregues a partir de 1992, essas novas unidades mantiveram a designação HA-1, sendo matriculadas de "EB 1017 a EB 1037". Sua incorporação representou um significativo incremento qualitativo nas capacidades operacionais da Aviação do Exército, ampliando sua aptidão para o cumprimento de missões táticas com maior versatilidade, rapidez de resposta e eficiência no apoio às forças terrestres.

Essas novas aeronaves foram distribuídas entre os recém-criados 1º, 2º e 3º Batalhões de Aviação do Exército (BAvEx), sediados, respectivamente, em Taubaté, no estado de São Paulo, e em Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul.  Nesse cenário, os helicópteros Helibras HB350 Esquilo / Eurocopter AS550 Fennec, designados militarmente como HA-1 Esquilo-Fennec, consolidaram-se como vetores centrais na execução dessas atribuições, destacando-se por sua versatilidade e elevada capacidade de adaptação às mais diversas demandas operacionais. Projetados para operar em múltiplas configurações, os HA-1 Esquilo podem ser rapidamente ajustados conforme o perfil da missão. No campo logístico e de resgate, dispõem de gancho hidráulico externo com capacidade de até 750 kg, além de guincho lateral com capacidade de 136 kg, o que lhes confere notável eficiência em operações de apoio, evacuação e transporte de cargas em ambientes de difícil acesso. No que se refere ao emprego armado, especialmente na versão HA-1 Fennec, essas aeronaves podem ser equipadas com lançadores de foguetes não guiados Avibras SBAT de 70 mm, metralhadoras axiais FN Herstal MAG de calibre 7,62 mm e metralhadoras FN Herstal M3P de calibre .50, conferindo-lhes capacidade de ataque leve e apoio tático em missões de reconhecimento armado e escolta. A partir de 2005, a frota HA-1 passou por um relevante processo de modernização com a incorporação de sistemas de imageamento térmico FLIR Star Safire I (Forward Looking Infrared), ampliando significativamente a capacidade de condução de operações noturnas e em condições de visibilidade degradada. Posteriormente, a introdução de sistemas mais avançados, como o FLIR Safire III, reforçou ainda mais a eficácia dessas plataformas em missões de vigilância e aquisição de alvos. Em setembro de 2009, o Exército Brasileiro deu um passo adicional na integração de tecnologias ao adquirir 14 sistemas de visão noturna, os quais, combinados aos sensores FLIR, resultaram no desenvolvimento do sistema integrado “Olhos da Águia”. Esse sistema representou um avanço substancial nas capacidades de comando e controle, permitindo a transmissão, em tempo real, de imagens eletro-ópticas e infravermelhas para os centros de comando. Dessa forma, o comandante e seu Estado-Maior passaram a dispor de acompanhamento dinâmico das operações, com maior consciência situacional e capacidade de difusão de informações para escalões superiores. Embora a instalação de antenas na porção inferior das aeronaves tenha imposto restrições a pousos em terrenos não preparados, os ganhos operacionais foram significativos. Os HA-1 passaram a desempenhar papel fundamental como plataformas aéreas de comando e controle, atuando na retransmissão de comunicações entre o comando e as tropas em solo, ampliando o alcance e a confiabilidade dos enlaces. No contexto das operações aeromóveis, o sistema “Olhos da Águia” contribui de maneira decisiva para a coordenação entre frações de helicópteros, fornecendo, em tempo real, dados sobre posicionamento e deslocamento das unidades. Todavia, em operações noturnas, sua utilização permanece condicionada a áreas previamente reconhecidas e compatíveis com os requisitos de voo visual noturno, uma vez que as aeronaves ainda não dispõem de sistemas de iluminação plenamente compatíveis com o emprego de óculos de visão noturna.
Além de desempenharem as mesmas missões e empregarem armamentos e sensores equivalentes aos da versão Fennec, os helicópteros HA-1 Esquilo, assumiram também um papel fundamental na formação de novos pilotos do Exército Brasileiro. Essa atividade é conduzida no Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAvEx), sediado em Taubaté, onde essas aeronaves são empregadas intensivamente no treinamento inicial e avançado de tripulações. Entre os anos de 2010 e 2011, a frota HA-1 Esquilo-Fennec enfrentou um período desafiador, marcado pela perda de três aeronaves  "EB 1011, EB 1016 e EB 1029" em acidentes. Embora tais ocorrências tenham representado perdas significativas, também evidenciaram a capacidade institucional da Aviação do Exército de manter a continuidade de suas operações, ao mesmo tempo em que reforçaram a necessidade de aprimoramentos estruturais e tecnológicos voltados à segurança e à eficiência operacional. Após mais de duas décadas de emprego contínuo, iniciado em 1989, essas aeronaves passaram a apresentar sinais naturais de desgaste estrutural e obsolescência tecnológica, decorrentes tanto da elevada intensidade de uso quanto da rápida evolução dos sistemas aeronáuticos. Diante desse cenário, o Comando de Aviação do Exército (CAvEx) iniciou estudos com vistas à implementação de um abrangente programa de modernização e revitalização da frota, conduzido em parceria com a Helibras, cuja experiência prévia na montagem dessas aeronaves, em sua unidade de Itajubá (MG), foi determinante para o sucesso do projeto. O marco inicial desse programa ocorreu em 30 de dezembro de 2007, com a assinatura de um contrato no Quartel-General do Exército, em Brasília, no valor de US$ 92 milhões de dólares. O projeto contemplou a modernização de 33 helicópteros em operação, além da recuperação e atualização de três células que se encontravam armazenadas, totalizando um esforço significativo de revitalização da frota. Entre as principais melhorias implementadas, destacam-se a incorporação de modernos sistemas aviônicos compatíveis com o uso de óculos de visão noturna (OVN), a adoção de um painel de instrumentos digital no padrão glass cockpit, a integração de piloto automático e a instalação de novos sistemas de comunicação Nav-Com seguros. Adicionalmente, foram introduzidos equipamentos de missão aprimorados, incluindo bancos redesenhados, proteção balística, sistemas de defesa passiva e novos suportes para armamentos. O programa também previu a ampliação do potencial ofensivo das aeronaves, com estudos voltados à integração de mísseis ar-superfície e de um canhão de 20 mm, reforçando sua capacidade de emprego em missões de ataque leve e reconhecimento armado. O primeiro protótipo modernizado, o HA-1 "EB 1019", realizou seu voo inaugural em 13 de março de 2014, representando um marco significativo no processo de atualização da frota. A partir de 2015, as primeiras aeronaves modernizadas começaram a ser reintegradas às unidades operacionais, culminando, em 3 de dezembro de 2021, com a entrega da última célula — o HA-1 Fennec "EB 1022". Esse programa de modernização não apenas restaurou a plena capacidade operacional dos HA-1 Esquilo-Fennec, como também assegurou sua relevância no contexto da Aviação do Exército por um horizonte estimado de mais 25 anos, estendendo sua vida útil até meados da década de 2040. 

Em Escala.
Para representarmos o Helibras HA-1 Esquilo "EB 1017" empregamos o antigo kit  Heller embalado pela empresa brasileira HTC Modelismo na escala 1/48. Implementamos uma série de modificações necessárias para representar a versão  em uso pela Aviação do Exército Brasileiro (AvEx), contemplando a alteração do exaustor da turbina, inclusão de corta fios e sistema de FLIR Safire I com seus sensores e antenas confeccionados em scratch build. Fizemos uso de decais do fabricante FCM Decais presentes no set 48/08.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregado nas aeronaves HA-1 Esquilo e Fennec , sendo este implementado em todas as aeronaves da força a partir do ano de 2002, acreditamos que as células modernizadas devam continuar ostentando este mesmo padrão.

Bibliografia :
- Eurocoppter AS550 Fennec - http://en.wikipedia.org/wiki/Eurocopter_Fennec 
- Modenização HÁ-1 - E-Blog do Exército Brasileiro, outubro 2014 via CECOMSEx 26
- HA-1 Fennec HM-1 Pantera - Revista Força Aérea Edição 22 - 2002 
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr

M-3 e M-3A1 Stuart CCL










Bibliografia :
- O Stuart no Brasil – Helio Higuchi, Reginaldo Bachi e Paulo R. Bastos Jr.
- M-3 Stuart Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/M3_Stuart
- Blindados no Brasil Volume I, por Expedito Carlos S. Bastos


H-13H e OH-13H Bell 47G2

História e Desenvolvimento. 
A Segunda Guerra Mundial (1939–1945) não apenas impulsionou avanços significativos nos armamentos convencionais, mas também desempenhou um papel decisivo no surgimento da aviação de asas rotativas com fins militares. Embora o emprego operacional dos primeiros helicópteros tenha sido ainda restrito  reflexo da imaturidade tecnológica e das exigências industriais voltadas à produção em larga escala de aeronaves tradicionais, essas iniciativas pioneiras estabeleceram as bases para a consolidação dessa vertente aeronáutica no período pós-guerra. Nesse contexto, a Força Aérea Alemã (Luftwaffe), sob a égide do regime de Adolf Hitler, destacou-se ao promover os primeiros esforços concretos de utilização militar de helicópteros, buscando vantagens táticas inovadoras em um cenário de guerra altamente dinâmico. Foi nesse ambiente que a empresa Flettner Flugzeugbau, liderada pelo engenheiro Anton Flettner, introduziu, em meados da década de 1940, o helicóptero Flettner Fl 282 Kolibri. Conhecido como “Kolibri” (beija-flor), o modelo destacava-se por sua concepção inovadora, incorporando rotores entrelaçados  uma solução técnica avançada que eliminava a necessidade de rotor de cauda e reduzia vibrações, além de um motor Bramo Sh 14A de aproximadamente 150 cavalos. Leve e compacto para os padrões da época, com cerca de 1.000 kg, o helicóptero atingia velocidades próximas a 150 km/h. Inicialmente projetado para atender às demandas logísticas da Kriegsmarine, sua função principal era realizar o transporte de pequenas cargas e pessoal entre embarcações, ampliando a capacidade de comunicação e coordenação em alto-mar, especialmente durante a Batalha do Atlântico. Relatos de pilotos de testes, como os da célebre aviadora Hanna Reitsch, evidenciam a notável manobrabilidade do aparelho, capaz de pairar com precisão mesmo sobre conveses sujeitos a intenso movimento  característica que o tornava particularmente valioso em operações navais. Posteriormente, a versão Fl 282 B-2 introduziu um segundo assento, ampliando suas capacidades ao permitir o emprego em missões de observação e reconhecimento. O desempenho promissor do Fl 282 levou o governo alemão a planejar uma produção em larga escala, com encomendas atribuídas à BMW. Entretanto, a intensificação dos bombardeios aliados a partir de 1943 comprometeu severamente a infraestrutura industrial alemã, forçando a priorização de aeronaves de combate convencionais. Como consequência, apenas cerca de duas dezenas de unidades foram efetivamente produzidas. Ainda assim, o “Kolibri” consolidou-se como um marco na história da aviação militar, demonstrando, de forma prática, o potencial dos helicópteros em missões de ligação, observação e apoio logístico. Paralelamente, nos países Aliados, o desenvolvimento de aeronaves de asas rotativas avançou de maneira mais consistente nos estágios finais do conflito. Nesse cenário, destacou-se o Sikorsky R-4, projetado pela Sikorsky Aircraft sob a liderança do engenheiro Igor Sikorsky. Considerado o primeiro helicóptero verdadeiramente operacional a ser empregado em missões militares, o R-4 foi introduzido no teatro do Pacífico em 1945, onde, mesmo em um período relativamente curto de atuação, evidenciou o valor estratégico dessa nova categoria de aeronave.

Sua capacidade de realizar missões de resgate, transporte e reconhecimento em áreas de difícil acesso inaugurou uma nova dimensão nas operações aéreas, antecipando o papel fundamental que os helicópteros desempenhariam nas décadas seguintes.  Paralelamente aos avanços observados durante ao conflito, outros fabricantes norte-americanos passaram a explorar de forma sistemática o ainda incipiente, porém promissor, campo da aviação de asas rotativas. Entre eles, destacou-se a Bell Aircraft Company, que, sob a liderança do engenheiro Arthur Young, deu início ao desenvolvimento de um projeto inovador voltado à criação de um helicóptero leve e funcional. Apresentado oficialmente à Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF) em 3 de setembro de 1941, o projeto evoluiu para o Bell Model 30, cuja materialização foi viabilizada por financiamento governamental. Dois protótipos foram construídos, sendo que o primeiro voo ocorreu em 26 de junho de 1943. Os resultados obtidos ao longo de um rigoroso programa de ensaios e testes de voo demonstraram a viabilidade do conceito, permitindo o aperfeiçoamento progressivo da aeronave e culminando no desenvolvimento de uma versão mais refinada: o Bell Model 47. O êxito inicial do Model 30, aliado às crescentes expectativas quanto ao potencial operacional dos helicópteros, incentivou a Bell a adotar uma estratégia industrial mais estruturada. Como resposta, foi criada a Bell Helicopter, uma divisão dedicada exclusivamente ao desenvolvimento e produção de aeronaves de asas rotativas, com instalações estabelecidas em Fort Worth. Esse movimento institucional refletia não apenas a consolidação de competências técnicas, mas também a percepção de que os helicópteros desempenhariam um papel cada vez mais relevante no cenário aeronáutico do pós-guerra. Foi nesse contexto que o Bell Model 47 realizou seu voo inaugural em 8 de junho de 1945, representando um marco significativo na evolução tecnológica da empresa. A aeronave apresentava um projeto inovador e funcional, caracterizado por um rotor principal simples de duas pás  originalmente em madeira  acionado por um motor convencional Franklin. Sua estrutura tubular em aço soldado, desprovida de carenagem, conferia-lhe um aspecto minimalista, porém altamente eficiente do ponto de vista operacional. Um dos elementos mais distintivos do Model 47 era seu cockpit, envolto por uma bolha de plexiglass que proporcionava ampla visibilidade ao piloto fator essencial para a segurança e precisão das operações, sobretudo em missões de baixa altitude e em ambientes restritos. Inicialmente composta por painéis removíveis, essa estrutura evoluiu para uma peça única moldada, tornando-se uma assinatura visual marcante da aeronave e um símbolo de sua proposta inovadora. A consolidação do projeto ocorreu com a introdução da versão de produção Bell Model 47A, que, em 8 de março de 1946, alcançou um feito histórico ao obter certificação civil classificação H-1 tornando-se o primeiro helicóptero homologado para uso comercial no mundo. Com capacidade para um piloto e até dois passageiros, além de apresentar notável confiabilidade mecânica, o Model 47 rapidamente conquistou espaço tanto no mercado civil quanto em aplicações governamentais.
Sua versatilidade operacional, aliada à facilidade de pilotagem e à robustez estrutural, permitiu seu emprego em uma ampla gama de atividades, incluindo transporte leve, evacuação aeromédica, treinamento e serviços utilitários. Dessa forma, o sucesso do Model 47 não apenas consolidou a reputação da Bell como uma das principais protagonistas da indústria de helicópteros, mas também contribuiu decisivamente para a popularização e expansão do uso das aeronaves de asas rotativas no cenário global. Baseada no modelo civil, a versão militar do Bell 47 apresentava diferenças visuais e técnicas significativas. Entre as modificações, destacavam-se a adoção de um cone de cauda coberto com tecido, que aprimorava a aerodinâmica, e um trem de pouso equipado com quatro rodas, aumentando a estabilidade em terrenos variados. Em termos mecânicos, a aeronave foi equipada com um motor mais potente, o Franklin 6V4-178-B3 de 178hp conferindo maior desempenho em operações exigentes. O primeiro protótipo foi entregue para avaliação em abril de 1946, iniciando um rigoroso programa de ensaios em voo que testou a aeronave em diversas condições operacionais. Desse processo emergiu a versão militar inicial de produção, designada Bell H-13 Sioux. Em dezembro de 1946, um contrato inicial foi firmado para a entrega de 28 unidades  marcando o início de sua integração nas operações militares norte-americanas. Após definida sua doutrina operacional, os primeiros exemplares seriam colocados em serviço ativo atuando em tarefas de ligação e observação, e seus excelentes resultados em ação despertariam a atenção do comando da aviação naval da  Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) e da Guarda Costeira dos Estados Unidos (U.S. Coast Guard).  Após tratativas seriam firmados os primeiros contratos de produção para estes ramos das forças armadas, inicialmente se limitando a um pequeno número de aeronaves, com estas sendo idênticas a versão empregada pelo Exército dos Estados Unidos (U.S. Army). As primeiras aeronaves destinadas a aviação naval seriam entregues no início do ano de 1948, e após o início das operações verificaria-se a necessidade de customização do modelo para atendimento aos parâmetros de operação naval. Suas missões geralmente compreendiam voos de longa duração sobre o mar aberto sem possibilidade de pousos de emergência, e neste contexto deveria-se priorizar o desempenho e consequente segurança. Com base nestas exigências,  a equipe de projeto da  Bell Helicopter Company desenvolveria a versão Bell 47D1, que passava a ser equipada com o novo motor Franklin O-335-3 que apresentava agora 200 hp de potência nominal. Apesar de manter sua capacidade de transporte de duas pessoas, teria sua carga útil aumentada para 225 kg e voltava a equipado com trem de pouso do tipo esqui, dispensando ainda a cobertura de lona na fuselagem.  As hastes horizontais de suporte dos esquis eram retas formando ângulos retos entre as hastes e os esquis, o que permitiria a colocação de uma maca em cada lado externo da aeronave para o transporte de feridos, agregando as tarefas originais de treinamento e emprego geral, a missão de evacuação aero médica o que potencializaria o valor militar da nova aeronave. Este novo modelo logo conquistaria novos contratos militares de produção, elevando rapidamente o número de células em serviço militar ativo nos anos seguintes, não só nos Estados Unidos. 

Seu efetivo “batismo de fogo” ocorreria durante a Guerra da Coreia, particularmente nos momentos iniciais do conflito, quando a situação estratégica das forças das Nações Unidas (ONU) se mostrava extremamente delicada. Entre agosto e setembro de 1950, no contexto da defesa do Perímetro de Pusan, os primeiros helicópteros Bell H-13 Sioux foram empregados em missões de ligação e observação, desempenhando um papel ainda experimental, porém crucial. Nessa fase crítica, em que as tropas aliadas encontravam-se comprimidas em uma estreita faixa costeira no sudeste da península coreana, a mobilidade proporcionada pelos helicópteros revelou-se um diferencial tático significativo. Pilotos como o major Robert Miller, vinculado ao 6º Batalhão de Transporte Médico Aerotransportado, realizaram, em meados de agosto, alguns dos primeiros voos em ambiente de combate, transportando oficiais, ordens e comunicações entre unidades dispersas sob constante ameaça inimiga. A característica bolha de plexiglass, que conferia visibilidade praticamente panorâmica, permitia aos comandantes uma melhor percepção do campo de batalha, favorecendo a coordenação de manobras e contra-ataques em tempo quase real fator decisivo para evitar o colapso das linhas defensivas. Um episódio emblemático dessa fase ocorreu em 16 de setembro de 1950, durante a Batalha de Incheon, quando helicópteros H-13 foram empregados em missões de reconhecimento prévio à operação anfíbia, identificando posições norte-coreanas sob risco constante de fogo antiaéreo e de artilharia. Tais ações evidenciaram, de forma inequívoca, o valor tático das aeronaves de asas rotativas em operações modernas. Entretanto, foi no campo da evacuação médica  o chamado MEDEVAC que o H-13 alcançou sua maior relevância histórica e impacto humanitário. A partir de outubro de 1950, com o avanço das forças da Nações Unidas em direção ao Rio Yalu, os helicópteros passaram a ser adaptados com suportes externos para macas, instalados nas laterais da fuselagem, permitindo o transporte simultâneo de até quatro feridos, além do piloto e de um atendente médico. O primeiro emprego efetivo desse conceito em condições de combate ocorreu em 20 de novembro de 1950, durante a Batalha do Rio Ch'ongch'on, no contexto da contraofensiva chinesa. Na ocasião, o tenente-coronel Harold Towne, pilotando um H-13D, realizou um pouso sob intenso fogo inimigo para resgatar militares cercados, transportando-os para unidades do tipo MASH (Mobile Army Surgical Hospital). Esse tipo de operação reduziu drasticamente o tempo de evacuação: feridos que anteriormente levariam horas  ou mesmo dias  para alcançar atendimento médico passaram a ser transportados em questão de minutos. Como consequência direta dessa inovação, observou-se uma redução significativa nas taxas de mortalidade em combate quando comparadas àquelas registradas na Segunda Guerra Mundial. Ao longo do conflito coreano, mais de 700 helicópteros H-13 foram produzidos e enviados ao teatro de operações, realizando aproximadamente 70.000 missões de evacuação médica, com índices de sobrevivência notavelmente elevados entre os feridos transportados. Episódios de notável bravura individual, como missões de resgate múltiplo conduzidas por pilotos experientes entre eles o próprio major Robert Miller, que teria evacuado dezenas de soldados em operações sucessivas ilustram o elevado grau de risco enfrentado por essas tripulações. Ao mesmo tempo, as perdas registradas, com mais de uma centena de aeronaves destruídas ou abatidas, evidenciam a vulnerabilidade desses meios em um ambiente hostil.
Nos anos que se seguiram à sua introdução, o H-13D tornou-se o primeiro treinador padrão de aeronaves de asas rotativas, desempenhando um papel essencial na formação de pilotos para a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), o Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) e o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (U.S. Marine Corps). A produção do Bell 47D, abrangendo tanto as versões militares quanto civis, alcançou a marca de mil unidades entregues até 1953. Esse período marcou também o início do desenvolvimento de novas variantes, impulsionadas pela crescente demanda nos mercados civil e militar, tanto doméstico quanto internacional. Entre as versões mais notáveis estavam o E, F, G, G-2 e H. Esta última, projetada para atender às necessidades de transporte executivo, destacava-se por sua capacidade de transportar até três pessoas, incluindo o piloto, e por incorporar um canopy totalmente fechado, que oferecia maior conforto e proteção contra as intempéries, além de reforçar a estética elegante que caracterizava o design do Bell 47. O sucesso do modelo no cenário internacional durante as décadas de 1950 e 1960 foi impulsionado por parcerias estratégicas que expandiram sua presença global. A Bell Helicopter Company licenciou a produção de suas aeronaves a fabricantes estrangeiros, ampliando significativamente a escala de fabricação. Na Itália, a Agusta S.p.A., produziu um total de 1.200 unidades das versões Bell 47G e Bell 47J, atendendo a uma ampla gama de clientes militares e civis na Europa e além. No Reino Unido, a Westland Aircraft Company, fabricou 422 helicópteros da família Bell 47, consolidando a presença do modelo em mercados estratégicos do Commonwealth e em outros continentes. Em 1952 um acordo de produção sob licença seria celebrado entre a Bell Helicopter Company e a empresa japonesa Kawasaki Aircraft Enginnering, envolvendo principalmente as versões Model 47D e do Model 47G, com sua produção sendo efetivamente iniciada somente no início do ano de 1954. Este acordo contemplava as  versões militares e civis, tanto para o mercado doméstico quanto para exportação. Este programa seria descontinuado no Japão somente em meados do ano de 1976 com quatrocentos e quarenta e sete helicópteros produzidos. Esta família de aeronaves de asas rotativas se manteria em produção ininterrupta por vinte e sete anos, com a última linha sendo descontinuada somente no ano 1977.  Sua imagem seria eternizada no imaginário popular na série de TV Mash que retratava o dia a dia do serviço médico militar norte-americano durante a Guerra da Coréia. Ao todo até fins da década de 1970 seriam entregues entre versões civis e militares mais de cinco mil células, com muitas destas se mantendo operacionais até o ano de 1998. Seriam empregadas no serviço militar na  Alemanha Ocidental, Argentina, Austrália, Brasil, Canada, Colômbia, Dinamarca, Espanha, Cuba, El Salvador, Egito, Sudão, Senegal, Bolívia, Estados Unidos, Franca, Grécia, Israel, Itália, México, Noruega, Nova Zelândia, Paquistão, Paraguai, Peru, Reino Unido, Brasil, Suécia, Tailândia, Turquia e Vietnã do Sul. 

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Ao término da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a Força Aérea Brasileira (FAB) consolidou-se como uma das mais expressivas forças aéreas do continente americano, figurando como a segunda maior das Américas e a principal potência aérea do Hemisfério Sul. Esse posicionamento foi alcançado, em grande medida, graças ao recebimento de mais de 1.500 aeronaves militares modernas, incorporadas a partir de 1942 por meio do Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), iniciativa norte-americana destinada a fortalecer os países aliados durante o conflito. Essa expressiva frota incluía aeronaves de elevado desempenho para a época, como os caças-bombardeiros Republic P-47 Thunderbolt e Curtiss P-40 Warhawk, além de aviões de ataque como o Douglas A-20 Havoc e o North American B-25 Mitchell. Complementando essas capacidades ofensivas, a Força Aérea Brasileira (FAB)  também dispunha de meios voltados ao transporte, à patrulha marítima e à guerra antissubmarino (ASW), o que lhe conferia uma notável versatilidade operacional no imediato pós-guerra. Entretanto, esse cenário favorável foi progressivamente desafiado pela rápida evolução tecnológica observada no final da década de 1940. A introdução das aeronaves a jato representou uma verdadeira ruptura no campo da aviação militar, ao mesmo tempo em que o surgimento e o desenvolvimento das aeronaves de asas rotativas particularmente os helicópteros  passaram a redefinir conceitos táticos e operacionais. Nos Estados Unidos, modelos pioneiros como o Sikorsky R-4 e o Bell 47 demonstraram, já no início da década de 1950, elevado grau de versatilidade em operações militares. Durante a Guerra da Coreia (1950 - 1953) , essas aeronaves foram amplamente empregadas em missões de transporte de pessoal, ligação, observação do campo de batalha e evacuação aeromédica, consolidando, na prática, o valor estratégico dos helicópteros em cenários de conflito. Atento a essas transformações, o Ministério da Aeronáutica (MAer) iniciou, no início da década de 1950, um abrangente processo de planejamento e modernização. Esse esforço resultou na formulação do primeiro grande plano de reestruturação institucional, que tinha como objetivos centrais a atualização da frota aérea e a criação de um núcleo operacional dedicado ao emprego de aeronaves de asas rotativas. No âmbito desse planejamento, definiu-se que a missão inicial desse novo segmento seria voltada prioritariamente ao transporte aéreo especial, com ênfase no deslocamento de altas autoridades do governo federal e comandantes militares em missões classificadas como VIP (Very Important Person). Tal diretriz refletia não apenas a necessidade de acompanhar a evolução tecnológica da aviação militar, mas também a intenção de alinhar a Força Aérea Brasileira (FAB) às tendências internacionais de emprego de aeronaves de asas rotativas em funções estratégicas, consolidando sua posição como uma força aérea moderna e em sintonia com os avanços doutrinários do período. Neste contexto em 1951 foi dado a um programa estratégico voltado à aquisição de aeronaves de asas rotativas, marcando a introdução de uma capacidade até então inédita no âmbito da aviação militar brasileira. 

Após criteriosa avaliação técnica, a escolha recaiu sobre o Model 47, fabricado pela Bell Helicopter Company, referência internacional no desenvolvimento dessa categoria de aeronaves. O modelo selecionado, equipado com motor Franklin O-335 de 178 hp, representava, à época, um dos mais avançados helicópteros em operação, sendo amplamente empregado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos em missões de ligação, observação e apoio geral. As negociações comerciais foram concluídas em 25 de março de 1952, com a assinatura do contrato junto ao representante da empresa no Brasil. O acordo previa a aquisição de quatro aeronaves novas, diretamente da linha de produção e sem modificações específicas, o que refletia a urgência  em incorporar rapidamente essa nova capacidade operacional. Além das aeronaves, o contrato contemplava a prestação de serviços essenciais, incluindo o treinamento de pilotos e técnicos brasileiros, bem como o fornecimento inicial de peças de reposição, assegurando a sustentação logística da futura operação.   A produção das 04 aeronaves foi concluída em novembro de 1952, nas instalações da Bell Helicopter Company em Fort Worth, Texas. Durante essa fase, oficiais brasileiros foram destacados para acompanhar e realizar a inspeção técnica dos helicópteros, assegurando sua conformidade com os requisitos estabelecidos. Após a aprovação, as aeronaves foram desmontadas e preparadas para transporte marítimo com destino ao Brasil. Já nos primeiros dias de 1953, os helicópteros desembarcaram no porto do Rio de Janeiro, sendo posteriormente transportados por via terrestre até o Aeroporto do Galeão. A montagem final ocorreu nas instalações da Fábrica do Galeão (FGL), sob supervisão de técnicos da fabricante norte-americana, que atuaram em conjunto com equipes brasileiras, em um esforço que contribuiu para a transferência inicial de conhecimento técnico. Durante esse processo, constatou-se que uma das 04 células havia sofrido danos significativos durante o transporte marítimo. Após avaliação detalhada, concluiu-se que sua recuperação não seria economicamente viável. Em consequência, a aeronave não foi montada, sendo seus componentes destinados ao suprimento de peças de reposição. Apesar desse revés, o programa cumpriu seu objetivo estratégico central: estabelecer as bases para o emprego de helicópteros na Força Aérea Brasileira (FAB), inicialmente voltado ao transporte aéreo especial de autoridades (VIP). Suas operações seriam iniciadas a partir do Aeroporto Santos Dumont, onde ficavam concentradas as estruturas e aeronaves pertencentes a Seção de Aeronaves de Comando (SAC), que era subordinada ao Quartel General da III Zona Aérea, organização esta criada para uso exclusivo no transporte das autoridades do governo brasileiro. Esta unidade evoluiria no futuro, se tornando o Esquadrão de Transporte Especial (ETE) e que posteriormente seria o embrião para a formação do Grupo de Transporte Especial (GTE), com a operação de aeronaves de asas rotativas destinadas ao 2º Esquadrão.

Do ponto de vista técnico, os H-13D apresentavam características inovadoras para o contexto nacional. Destacava-se a possibilidade de utilização de kits de flutuadores intercambiáveis, recurso até então inédito no Brasil, que podia ser alternado com os esquis de pouso convencionais. Essa solução ampliava significativamente a versatilidade operacional da aeronave, permitindo sua atuação em ambientes diversos, incluindo áreas alagadas e regiões costeiras. Adicionalmente, os helicópteros dispunham de suportes laterais para a instalação de macas externas, possibilitando sua utilização em missões de evacuação aeromédica (MEDEVAC). Essa configuração revelou-se fundamental para o desenvolvimento inicial da doutrina de busca e salvamento na Força Aérea Brasileira (FAB) conhecida como SALVAERO, contribuindo para a estruturação das capacidades voltadas a operações humanitárias e de resgate em cenários complexos. Ao longo de sua história, o SALVAERO consolidou-se como um dos pilares da atuação da Aeronáutica, refletindo não apenas sua capacidade operacional, mas também seu compromisso humanitário na preservação da vida, seja em território nacional ou em áreas sob responsabilidade brasileira no cenário internacional. Com o objetivo de aprimorar o transporte de autoridades e atender a crescentes exigências de conforto e eficiência, foi autorizado, em 1955, a aquisição do Bell 47J Ranger, uma variante desenvolvida especificamente para missões VIP. A introdução dessas novas aeronaves, a partir de 1956, permitiu uma reestruturação do emprego dos meios de asas rotativas. Nesse processo, os helicópteros H-13D foram gradativamente redirecionados para missões de busca e salvamento (SAR), nas quais sua versatilidade e seus equipamentos especializados mostravam-se particularmente adequados. Como parte dessa reorganização, as três unidades operacionais remanescentes foram transferidas para o Quartel-General da 3ª Zona Aérea, também no Rio de Janeiro, onde permaneceram em operação até março de 1958, consolidando sua contribuição pioneira para o desenvolvimento das capacidades de busca e salvamento no pais.  Com o objetivo de elevar o padrão de conforto e adequação no transporte de autoridades, o Ministério da Aeronáutica (MAer) efetivou, em 1955, a aquisição de aeronaves do modelo Bell 47J, versão especialmente configurada para missões de transporte VIP. O recebimento desses helicópteros, ocorrido em 1956, permitiu a reorganização operacional da frota existente, liberando os H-13D para emprego prioritário em missões de busca e salvamento (SAR). Nesse novo arranjo, seriam foram concentrados no Quartel-General da 3ª Zona Aérea (QG3º ZAé), no Rio de Janeiro, onde permaneceram em operação até março de 1958. A partir de então, as aeronaves foram redistribuídas para a 2ª Esquadrilha de Ligação e Observação (2ª ELO), baseada na Base Aérea do Galeão, consolidando atuação em missões de transporte e ligação. Paralelamente, a criação do 2º/10º Grupo de Aviação, em 1957, com sede na Base Aérea de Cumbica, representou um marco na estruturação da aviação de asas rotativas.

A nova unidade passou a concentrar a responsabilidade pela formação de pilotos de helicópteros, estabelecendo um centro dedicado à instrução e ao desenvolvimento operacional nesse segmento. O uso contínuo dessas aeronaves, entretanto, também evidenciou os riscos inerentes à operação. Em maio de 1959, o helicóptero H-13D “FAB 8500” envolveu-se em um acidente com perda total e vítimas fatais, reduzindo a já limitada frota a apenas duas unidades operacionais. Esse episódio reforçou a necessidade de renovação e ampliação dos meios disponíveis. Diante da crescente demanda por aeronaves de asas rotativas  tanto para a formação de pilotos quanto para o cumprimento de missões de apoio ao Exército Brasileiro e à Marinha do Brasil, reconheceu-se  a urgência de expandir sua capacidade operacional. Assim, em meados de 1959, foram iniciadas negociações com a Bell Helicopter, culminando na aquisição de treze novas aeronaves na versão mais avançada então disponível, o Bell H-13G2. Essa incorporação representou um passo significativo no fortalecimento da aviação de asas rotativas no Brasil, permitindo não apenas a recomposição da frota, mas também a ampliação das capacidades operacionais e de instrução da Força Aérea Brasileira (FAB) em um período de consolidação doutrinária e tecnológica. As novas aeronaves Bell H-13G2 começaram a ser entregues em lotes a partir do início de 1960, sendo inicialmente destinadas ao 2º/10º Grupo de Aviação, sediado na Base Aérea de Cumbica. Nessa unidade, passaram a desempenhar funções essenciais de treinamento de pilotos e missões de busca e salvamento (SAR), consolidando o papel do Esquadrão “Pelicano” como núcleo central da aviação de asas rotativas. Posteriormente, essas aeronaves foram distribuídas às 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação e 3ª Esquadrilha de Ligação e Observação, que operavam em apoio direto ao Exército Brasileiro, bem como à 2ª Esquadrilha de Ligação e Observação, responsável por missões em proveito da Marinha do Brasil. Além disso, duas unidades foram temporariamente destacadas para operar junto ao 1º Grupo de Aviação Embarcada, ampliando a integração interforças no emprego de helicópteros. A partir de 1967, em um movimento de reorganização doutrinária e operacional, todas as células remanescentes foram novamente concentradas no 2º/10º GAv, em Cumbica. Nesse mesmo ano, definiu-se que a unidade passaria a dedicar-se prioritariamente às missões de busca e salvamento, função para a qual passou a empregar, de forma predominante, o Sikorsky H-19 aeronave de porte médio mais adequada a esse tipo de operação, em virtude de sua maior capacidade de carga, alcance e autonomia. Paralelamente, visando aprimorar a formação de pilotos de asas rotativas, foi criado, em 8 de setembro de 1967, o Centro de Instrução e Emprego de Helicópteros, estabelecido na cidade de Santos. Essa iniciativa representou um passo importante na institucionalização do ensino e na padronização da doutrina de emprego de helicópteros no âmbito da Força Aérea Brasileira (FAB). Com o intuito de reforçar a frota e recompor perdas operacionais acumuladas ao longo da década, o Ministério da Aeronáutica (MAer) adquiriu, em 6 de maio de 1971, 36 células usadas do modelo Bell H-13H, provenientes dos estoques do Exército Americano (U.S. Army) que até então operavam em unidades baseadas na Alemanha Ocidental. Após criteriosa inspeção, essas aeronaves foram desmontadas e transportadas ao Brasil.
Nos primeiros meses de 1972, as células passaram por processos de montagem e revisão nas instalações do Parque de Aeronáutica dos Afonsos, sendo gradualmente incorporadas ao serviço ativo entre abril e maio daquele ano. Esse processo incluiu ainda a adaptação de parte das aeronaves para a configuração de instrução, com a instalação de duplo comando mantendo a designação H-13H, enquanto as versões com comando único passaram a ser redesignadas como Bell OH-13H. Dessa forma, a ampliação e modernização da frota de helicópteros leves contribuíram significativamente para a continuidade das atividades de formação de pilotos e para o fortalecimento das capacidades operacionais da Força Aérea Brasileira, em um período marcado pela consolidação de sua doutrina de emprego de aeronaves de asas rotativas. Além de serem destinadas ao emprego no Centro de Instrução de Helicópteros (CIEH), no âmbito do programa de formação de pilotos de aeronaves de asas rotativas, parte dessas “novas” células passou a desempenhar funções operacionais diversificadas, incluindo missões de busca e salvamento e tarefas de emprego geral. Nesse contexto, foram distribuídas a diferentes organizações da Força Aérea Brasileira (FAB), como o Centro de Formação de Pilotos Militares (CFPM), a Academia da Força Aérea (AFA), o 1º Ala de Defesa Aérea (ALADA), além das bases aéreas de Fortaleza e Canoas. No âmbito institucional, o Centro de Instrução de Helicópteros (CIEH) passou por sucessivas alterações de denominação ao longo da década de 1970, refletindo a evolução organizacional da aviação de asas rotativas no Brasil. Em 1973, a unidade foi redesignada como Centro de Instrução de Helicópteros (CIH), sendo posteriormente enquadrada sob a denominação ALA-435. Finalmente, em julho de 1979, recebeu a designação definitiva de 1º/11º Grupo de Aviação, mantendo como principal vetor operacional o Bell OH-13H. No início da década de 1980, observou-se a ampliação do emprego dessas aeronaves também em atividades de caráter técnico e experimental. Em 1981, uma unidade foi transferida para o Centro Técnico Aeroespacial (CTA), localizado em São José dos Campos, com a finalidade de apoiar o Curso de Pilotos de Ensaios de Helicópteros, contribuindo para o desenvolvimento de capacidades avançadas na área de testes em voo. Paralelamente, a introdução progressiva de aeronaves mais modernas, como o Helibras UH-50 Esquilo, a partir de 1980, permitiu uma redistribuição mais eficiente dos meios aéreos. Esses novos helicópteros passaram a equipar diversas unidades como aeronaves orgânicas, possibilitando a concentração das células remanescentes dos modelos  OH-13H e  H-13H no 1º/11º GAv – Esquadrão Gavião. Nesse contexto, essas aeronaves continuaram a desempenhar um papel fundamental na formação e no treinamento de pilotos de asas rotativas, consolidando sua importância histórica no desenvolvimento da doutrina operacional. Sua trajetória operacional foi encerrada em 12 de setembro de 1990, após décadas de serviço contínuo. Ao longo desse período, especialmente em Santos, acumularam cerca de 47.500 horas de voo, contribuindo para a formação de aproximadamente 500 pilotos e 900 mecânicos um legado expressivo que evidencia sua relevância na consolidação da aviação de helicópteros no Brasil.

Em Escala.
Para representarmos o Bell 47 H-13H "FAB 8612" fizemos uso do excelente kit da Italeri na escala 1/48, para se compor a versão empregada na Força Aérea Brasileira não é necessário proceder nenhuma alteração.   Optamos por apresentar uma aeronave  pertencente ao 1º/11º Grupo de Aviação (1º/11º GAv), fazendo uso assim de decais confeccionados pela FCM Decais, oriundos de diversos sets.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregado, sendo adotado após a primeira revisão em âmbito de parque IRAN (Inspection And Repair as Necessary). Originalmente os helicópteros foram recebidos em 1972 na cor verde oliva padrão do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army). A aplicação da cor amarelo ouro com combinações esporádicas da cabine em vermelho e azul se mostrariam tradicionais neste tipo de aeronave durante sua operação na Força Aérea Brasileira (FAB), com este esquema permanecendo até sua desativação em 1990.
Bibliografia :
- Esquadrão Pelicano 50 anos de Historia - Mauro Lins Barros & Oswaldo Cruz
- Sikorsky H-19 Chicksaw - Wikipedia - https://en.wikipedia.org/wiki/Sikorsky_H-19_Chickasaw
- Sikorsky H-19D Na FAB, por Aparecido Camazano Alamino - Revista Asas Nº 32
- Historia da Força Aérea Brasileira – Prof Rudnei Dias Cunha
- Historia da Força Aérea Brasileira por :  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html