História e Desenvolvimento.
No início da década de 1960, a Força Aérea Brasileira (FAB) assumiu papel central em um ambicioso esforço de integração nacional, coerente com as diretrizes estratégicas de desenvolvimento e ocupação do território brasileiro. Nesse contexto, praticamente toda a frota de aeronaves Douglas C-47 e Beechcraft C-45 foi intensamente empregada, não apenas na ampliação das rotas do Correio Aéreo Nacional (CAN), mas também em missões de assistência logística, transporte de pessoal e apoio médico às populações das regiões mais remotas do país. O emprego contínuo e prolongado dessas aeronaves, entretanto, resultou ao longo dos anos em acentuado desgaste estrutural, refletindo-se em elevados índices de indisponibilidade operacional. A situação tornou-se ainda mais crítica em razão das crescentes dificuldades para a obtenção de peças de reposição, uma vez que muitos desses modelos já se encontravam em fase avançada de obsolescência. Esse quadro evidenciou, de forma inequívoca, a necessidade de substituição integral da frota então em serviço. Foi nesse cenário que o então Coronel Aviador Ozires Silva apresentou ao Alto-Comando da Aeronáutica a proposta para o desenvolvimento de uma aeronave bimotora nacional de médio porte, capaz de atender às necessidades específicas do país e reduzir a dependência de equipamentos importados. Os esforços para materializar essa visão começaram a ganhar forma em junho de 1965, com o lançamento do programa IPD-6504, conduzido pelo Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento (IPD) do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos, São Paulo. Sob a supervisão do engenheiro aeronáutico francês Max Holste reconhecido projetista de diversas aeronaves, entre elas o MH-1521 Broussard, então em serviço na Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) foi constituída uma equipe multidisciplinar dedicada ao desenvolvimento do novo projeto. A proposta previa uma aeronave bimotora de asa baixa, estrutura metálica, com 12,74 metros de comprimento, janelas em formato de bolha e capacidade para transportar até oito passageiros, conciliando robustez, simplicidade construtiva e versatilidade operacional. A partir de 1967, concluída a fase de cálculos estruturais e aerodinâmicos, bem como a elaboração dos desenhos técnicos, iniciou-se a construção de um mock-up em escala real (1:1). O processo envolveu o corte e a conformação manual dos painéis estruturais diretamente sobre o modelo, refletindo tanto as limitações industriais da época quanto o elevado grau de engenhosidade da equipe envolvida. Paralelamente, foram selecionados os motores turbo-hélice Pratt & Whitney PT6A-20, com potência de 550 shp cada, cuja confiabilidade e desempenho eram considerados ideais para atender aos requisitos operacionais estabelecidos. O programa de desenvolvimento e construção estendeu-se por três anos e quatro meses, acumulando aproximadamente 110 mil horas de trabalho e mobilizando diretamente cerca de 300 profissionais entre engenheiros, técnicos e operários especializados. O primeiro protótipo, designado YC-95 Bandeirante denominação escolhida em homenagem aos desbravadores do interior do Brasil no século XVI foi concluído no início de outubro de 1968 e imediatamente preparado para os ensaios finais. Os motores do Bandeirante foram acionados pela primeira vez em 17 de outubro daquele ano, apenas seis dias antes do voo inaugural. Seguiu-se uma intensa campanha de testes em solo, conduzida de forma exaustiva por engenheiros e pilotos de ensaio, com o objetivo de validar a confiabilidade dos sistemas. Durante essa fase, ocorreu o dano de um dos trens de pouso em um procedimento de taxiamento, prontamente reparado antes da data prevista para o primeiro voo, demonstrando a capacidade de resposta e o comprometimento da equipe com o sucesso do projeto.
O momento de maior significado histórico ocorreu na manhã de 22 de outubro de 1968, quando o protótipo YC-95 realizou seu aguardado voo inaugural de ensaios. Durante essa primeira missão, foi identificada uma instabilidade direcional, prontamente diagnosticada e corrigida pela equipe técnica do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), evidenciando a maturidade técnica e a capacidade de resposta dos engenheiros envolvidos no programa. Concluídos os ajustes necessários, em 27 de outubro de 1968 o YC-95 Bandeirante, registrado com a matrícula FAB 2130, foi oficialmente apresentado ao público em uma cerimônia realizada no aeroporto de São José dos Campos, no estado de São Paulo. O evento reuniu autoridades civis e militares, representantes da imprensa e um público estimado em cerca de 15 mil pessoas, refletindo o forte simbolismo do projeto para o país. Sob a atenção dos presentes, a aeronave decolou de uma pista não pavimentada, pilotada pelo Major Aviador Mariotto Ferreira e pelo engenheiro Michel Cury, em uma demonstração que coroava anos de trabalho, dedicação e confiança no potencial da engenharia aeronáutica brasileira. Em 1969, divergências de ordem técnica e conceitual quanto à condução do desenvolvimento do projeto levaram ao desligamento do engenheiro francês Max Holste da equipe. Nesse mesmo período, o então Coronel Ozires Silva e seus colaboradores passaram a concentrar esforços na busca por parcerias junto à iniciativa privada nacional, com o objetivo de viabilizar a produção em série da nova aeronave. Apesar das sucessivas negativas encontradas, a persistência do Coronel revelou-se decisiva. Uma oportunidade singular surgiu durante um encontro fortuito com o Presidente da República, General Artur da Costa e Silva, ocasião em que Ozires conseguiu sensibilizá-lo quanto à importância estratégica do projeto e à necessidade de apoio estatal para sua continuidade. Como resultado desse empenho, foi criada uma empresa estatal de capital misto, sediada em São José dos Campos, cuja fundação ocorreu em 19 de agosto de 1969. A nova organização recebeu a denominação de Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A (Embraer), tendo o Coronel Ozires Silva como seu primeiro presidente, cargo que exerceria até 1986. Com a constituição da Embraer, o projeto IPD-6504 e seus dois protótipos foram oficialmente transferidos para a empresa, passando a adotar a designação EMB-100 Bandeirante. A partir de então, tiveram início os trabalhos de aperfeiçoamento do projeto original e o desenvolvimento da engenharia de processo necessária à futura produção em série. Como fruto dessa fase, foi construído um terceiro protótipo, registrado sob a matrícula civil PP-ZCN, que realizou seu voo inaugural em 29 de junho de 1970. Embora tenha demonstrado desempenho satisfatório durante os ensaios em voo, tornou-se evidente que as condições operacionais e as exigências do mercado haviam evoluído desde a concepção inicial da aeronave. Em particular, a capacidade de transporte limitada a oito passageiros já não atendia às expectativas dos operadores civis, que passaram a demandar aeronaves com capacidade para até doze passageiros. Essa mudança de cenário representava um desafio significativo à competitividade do EMB-100 nos mercados nacional e internacional, levando a Embraer a iniciar um processo de reformulação do projeto, etapa fundamental para assegurar a viabilidade comercial e a consolidação da aeronave como produto de referência da nascente indústria aeronáutica brasileira.

Dessa forma, surgiu o Embraer EMB-110 Bandeirante, uma evolução direta do projeto original, concebida com maior porte e capacidade, capaz de atender às novas demandas do transporte aéreo regional civil e, simultaneamente, ampliar o espectro de emprego militar por meio de sua variante C-95. Essa nova configuração representava um avanço significativo em termos de desempenho, capacidade de carga útil e maturidade técnica, refletindo a rápida evolução da engenharia aeronáutica nacional no início da década de 1970. Com as novas diretrizes de projeto consolidadas, teve início, em novembro daquele período, a produção do primeiro exemplar de pré-série da versão militar, designado C-95 e matriculado na Força Aérea Brasileira (FAB) como FAB 2133. Em relação aos protótipos iniciais, essa aeronave apresentava uma fuselagem alongada, com 14,23 metros de comprimento, além da adoção de janelas retangulares em substituição às janelas ovais originais. O projeto incorporava ainda um novo estabilizador vertical, naceles de motores redesenhadas e a instalação de motores turboélice Pratt & Whitney PT6A-27, cada um com potência de 680 hp, conferindo ganhos expressivos de desempenho e confiabilidade. O primeiro voo do C-95 FAB 2133 ocorreu em 9 de agosto de 1972. A partir desse marco, a aeronave foi imediatamente submetida a um extenso e rigoroso programa de testes e ensaios em voo, conduzido sob responsabilidade da Força Aérea Brasileira (FAB). Concluída essa fase, o modelo obteve a homologação operacional oficial junto ao Centro de Tecnologia da Aeronáutica (CTA) e aos demais órgãos governamentais competentes na área de transporte aéreo, atestando sua aptidão para o serviço regular. Nesse contexto, foi formalizado um contrato entre a Embraer S/A e o Ministério da Aeronáutica (MAer) para o fornecimento de oitenta células da versão militar, com as primeiras entregas previstas para fevereiro de 1973. Contudo, em razão de limitações industriais e orçamentárias, até o final de 1976 foram efetivamente produzidas e incorporadas à Força Aérea Brasileira cinquenta e cinco aeronaves. Embora concebido inicialmente para atender a requisitos militares, o C-95 Bandeirante revelou, desde os primeiros ensaios, um notável potencial para aplicações civis. Essa percepção levou ao lançamento da versão EMB-110C, capaz de transportar até dezesseis passageiros, característica que despertou imediato interesse por parte de operadores regionais. O primeiro contrato comercial foi celebrado com a empresa Transbrasil S/A, que recebeu sua aeronave inaugural em abril de 1973, registrada sob a matrícula PT-TBA. Na sequência, a Vasp S/A, companhia aérea estadual paulista de capital misto, tornou-se o segundo operador civil do modelo, sendo essa variante produzida em um total de trinta e quatro exemplares. Graças a um projeto bem equilibrado, adequado às exigências de rotas regionais, aliando desempenho consistente, robustez estrutural e economia operacional, o EMB-110 Bandeirante rapidamente ultrapassou as fronteiras nacionais. Ainda na década de 1970, a aeronave conquistou seus primeiros contratos no mercado norte-americano, consolidando a presença da Embraer no exterior. Em 1975, foi realizada a primeira exportação de uma versão militar para a Força Aérea do Uruguai (FAU), marco simbólico da projeção internacional do programa.
Apenas dois anos depois, a companhia aérea francesa Air Littoral tornou-se o primeiro cliente internacional da versão civil, confirmando o Bandeirante como um produto competitivo e representativo da nascente indústria aeronáutica brasileira. Nos anos que se seguiram ao voo inaugural do YC-95, em outubro de 1968, o EMB-110 Bandeirante consolidou-se progressivamente como uma referência no segmento de aviação regional, em especial no exigente mercado norte-americano. Suas características de robustez estrutural, capacidade de operar a partir de pistas curtas ou pouco preparadas e eficiência econômica em rotas de baixa densidade tornaram-no particularmente atrativo para companhias aéreas regionais, que buscavam aeronaves versáteis e confiáveis para atender comunidades afastadas dos grandes centros urbanos. No esforço de diversificar seu portfólio e explorar novos nichos de mercado, a Embraer desenvolveu a versão EMB-110E, derivada diretamente do EMB-110C, voltada ao transporte executivo. Essa variante apresentava um interior configurável para seis ou oito passageiros, privilegiando conforto e flexibilidade operacional. Contudo, a demanda restrita por esse segmento específico resultou em uma produção bastante limitada, totalizando apenas quatro exemplares. Em continuidade a essa linha de desenvolvimento, surgiu o EMB-110J, uma evolução do EMB-110E que incorporava melhorias incrementais tanto no desempenho quanto no acabamento interno. Apesar de seu potencial, essa versão teve produção igualmente modesta, com apenas doze unidades construídas, evidenciando que o mercado demandava avanços mais expressivos em capacidade de carga e desempenho operacional. A experiência acumulada com o emprego dessas versões iniciais revelou-se fundamental para a equipe de engenharia da Embraer. Os dados operacionais obtidos em serviço impulsionaram novos estudos e modificações no projeto do Bandeirante, com o objetivo de atender de forma mais ampla às necessidades do mercado comercial e, de modo particular, aos requisitos operacionais da Força Aérea Brasileira (FAB). Esse processo evolutivo culminou, em 1975, no desenvolvimento do EMB-110K1, concebido especificamente para o transporte militar. Designada como C-95A Bandeirante, essa nova versão incorporava avanços significativos em relação aos modelos anteriores. A fuselagem foi alongada em aproximadamente 0,87 metro, possibilitando a instalação de uma porta traseira de carga e de uma porta adicional destinada à tripulação e aos passageiros. A aeronave passou a ser equipada com motores turboélice Pratt & Whitney PT6A-34, com potência de 750 shp cada uma evolução substancial em relação aos PT6A-20 de 550 shp empregados no YC-95. Além disso, foram introduzidas melhorias relevantes nos sistemas aviônicos, no trem de pouso, bem como nos sistemas elétrico e de combustível. Essas modificações conferiram ao C-95A maior alcance, confiabilidade e, sobretudo, elevada capacidade de operar em pistas não pavimentadas, características essenciais para o cumprimento de missões em regiões remotas e de difícil acesso, como a Amazônia e o Pantanal, onde a presença do Estado dependia fortemente do apoio aéreo. A partir da plataforma do C-95A, a Embraer desenvolveu ainda duas variantes civis de maior capacidade: o EMB-110P1, apto a transportar até 19 passageiros ou carga equivalente, e o EMB-110P2, destinado exclusivamente ao transporte de até 21 passageiros, este último dotado de uma porta de serviço em substituição à porta de carga. Essas versões ampliaram significativamente a versatilidade do Bandeirante, permitindo sua ampla adoção em rotas regionais no Brasil e no exterior.

No final da década de 1970, a evolução do programa resultou no lançamento da versão militar EMB-110P1(K), designada como C-95B Bandeirante. Essa variante incorporava uma série de aprimoramentos em relação ao C-95A, destacando-se a adoção de uma porta de serviço com dimensões de 1,42 m por 0,63 m, integrada à porta de carga. Essa configuração permitia sua abertura em voo, viabilizando o lançamento de cargas e o emprego de paraquedistas, ampliando de forma significativa o leque de missões operacionais atribuídas à aeronave. Com uma capacidade de transporte de até 1.700 kg, o C-95B tornou-se o esteio das unidades de transporte, desempenhando um papel central em missões de transporte de tropas, suprimentos, evacuação médica e operações de paraquedismo. Sua robustez e flexibilidade permitiram a conexão bases remotas, apoiando a integração nacional e a defesa do território brasileiro. Entre os anos de 1981 e 1982, a Força Aérea Brasileira (FAB) recebeu cinco exemplares da versão EMB-110P1K SAR, aeronaves projetadas especificamente para a execução de missões de busca e salvamento. Essas aeronaves, designadas SC-95B foram registradas sob as matrículas FAB 6542 a FAB 6546, sendo incorporadas ao 2º/10º Grupo de Aviação - Esquadrão Pelicano, onde passariam a substituir os antigos anfíbios Grumman SA-16 Albatross empregados até este momento. Os SC-95B foram fornecidos internamente para realizar evacuações aeromédicas, possuindo capacidade para transportar até seis feridos em macas. Além disso, a aeronave permite o lançamento de botes salva-vidas e paramédicos por meio de paraquedas através da porta traseira. Para melhorar as operações de observação e busca, foram instaladas duas amplas janelas ovais em formato de bolha na parte posterior da fuselagem. Em 1983, a Embraer S/A desenvolveu a última variante militar do modelo, o EMB-110P1(A) Bandeirante, que recebeu a designação C-95C. Esta versão foi aprimorada com melhorias significativas, incluindo um isolamento acústico mais eficiente, modernização dos sistemas de aviônica e a adoção de estabilizadores horizontais com um ângulo de diedro positivo de 10 graus, medida destinada a incrementar a estabilidade e o desempenho da aeronave. Até o fim de sua produção, em dezembro de 1991, foram fabricadas 498 unidades do EMB-110 Bandeirante de todas as versões, atendendo tanto ao mercado civil regional em oito países quanto a nove operadores militares, entre os quais se destacam Chile, Brasil, Gabão, Uruguai, Cabo Verde, Colômbia e Angola. Este projeto foi um divisor de águas para o país, passando de um simples fornecedor de comodities para um dos expoentes da indústria aeronáutica internacional. Quando ouvimos a palavra “Bandeirante” lembramos do início da maior indústria aeronáutica do Brasil, a Embraer S/A, fundada em motivação da comercialização dessa aeronave com todo o planeta, seria o primeiro passo para futuros projetos e parcerias internacionais. O conhecimento agregado com o Bandeirante possibilitou à criação do o EMB-121 Xingu, pressurizado, compartilhando asas modificadas e trem de pouso, com nova fuselagem de seção cilíndrica. Na sequência seria desenvolvido o EMB-120 Brasilia, que com base eu projeto daria origem a família de jatos regionais EMB-145, levando a empresa brasileira a entrar no mercado comercial de jatos de transporte de passageiros e jatos executivos, galgando o posto de terceira maior fabricante do mundo.
Emprego na Força Aérea Brasileira
O Embraer C-95 Bandeirante foi concebido em atendimento a uma demanda estratégica da Força Aérea Brasileira (FAB), que buscava substituir, de forma gradual e planejada, sua então envelhecida frota de aeronaves de transporte, composta principalmente pelos modelos Douglas C-47 e Beechcraft C-45. Após décadas de intenso emprego, essas aeronaves já apresentavam sinais inequívocos de obsolescência estrutural e limitações operacionais, o que comprometia a eficiência e a segurança das missões de transporte aéreo em um país de dimensões continentais como o Brasil. Nesse contexto, foi formalizado o primeiro contrato de aquisição do novo vetor nacional, prevendo o fornecimento de oitenta unidades do C-95 Bandeirante. Esse quantitativo foi considerado suficiente para, em um primeiro momento, reequipar os principais esquadrões de transporte, garantindo a continuidade das operações aéreas essenciais. O processo de modernização priorizou as unidades responsáveis pelas missões do Correio Aéreo Nacional (CAN), com especial atenção às regiões Norte e Nordeste, onde o transporte aéreo desempenhava papel fundamental na integração territorial, no apoio às populações isoladas e na presença efetiva do Estado brasileiro. As três primeiras aeronaves de série, registradas sob as matrículas FAB 2132, FAB 2133 e FAB 2134, começaram a ser entregues a partir de 9 de fevereiro de 1973. Inicialmente, foram incorporadas ao 3º Esquadrão de Transporte Aéreo (3º ETA) – Pioneiro, sediado na Base Aérea do Galeão. Desde os primeiros dias de operação, esses C-95 passaram a cumprir missões relevantes no âmbito do III Comando Aéreo Regional (IIICOMAR), incluindo transporte logístico regional, operação de linhas aéreas de integração, apoio ao desenvolvimento nacional, além de missões de busca e salvamento e evacuação aeromédica, entre outras atribuições de caráter humanitário e estratégico. A partir de meados de 1974, a Embraer S/A atingiu uma cadência de produção de aproximadamente quatro aeronaves por mês, ritmo que possibilitou a rápida disseminação do C-95 Bandeirante por diversas unidades de transporte da Força Aérea Brasileira (FAB). Gradualmente, o modelo passou a equipar também o 1º ETA, o 2º ETA e o 4º ETA, além do Centro de Aplicações Táticas e Recompletamento de Equipamentos (CATRE), unidade criada em janeiro de 1974 na cidade de Natal, onde o C-95 foi empregado em missões orgânicas de instrução e apoio operacional. Nos primeiros anos de serviço, a frota inicial, composta por 55 aeronaves abrangendo as matrículas FAB 2132 a FAB 2175 e FAB 2179 a FAB 2189 demonstrou plenamente seu valor operacional. O Bandeirante representou um avanço significativo na aviação de transporte , ao oferecer maior confiabilidade, desempenho superior em pistas curtas e não pavimentadas, além de custos operacionais compatíveis com as realidades orçamentárias da instituição. Paralelamente às versões de transporte, a Embraer desenvolveu variantes especializadas a partir da célula básica do Bandeirante. Com o objetivo de substituir os veteranos Douglas EC-47, foi criada a variante EMB-110A, designada como EC-95, destinada à missão de calibragem de auxílios à navegação aérea, com capacidade para até seis passageiros ou operadores de sistemas eletrônicos. Posteriormente, surgiu a variante EMB-110B, designada R-95, voltada para missões de aerofotogrametria. Equipada com câmeras Zeiss e aviônicos adicionais, essa versão podia transportar até cinco passageiros ou operadores especializados.
Em serviço militar, as aeronaves da família Bandeirante destacaram-se por sua elevada disponibilidade operacional, robustez e versatilidade, além de apresentarem uma excelente relação custo-benefício. Essas qualidades consolidaram o C-95 como um dos mais bem-sucedidos programas aeronáuticos da história da Força Aérea Brasileira (FAB) e um marco fundamental no processo de afirmação da indústria aeronáutica brasileira. A experiência operacional inicial com o Embraer C-95 Bandeirante evidenciou a solidez do projeto original, mas também revelou oportunidades de aprimoramento técnico e funcional. Essas constatações deram origem a extensos e produtivos debates entre os militares e o fabricante refletindo um processo maduro de cooperação entre usuário e fabricante, com vistas à evolução contínua da aeronave e à adequação às necessidades operacionais da Força. Como resultado desse diálogo, foi desenvolvida a variante EMB-110K1 Bandeirante, designada militarmente como C-95A, que representou a consolidação dos esforços conjuntos para elevar o desempenho, a capacidade e a versatilidade do modelo. No início de 1976, o Ministério da Aeronáutica (MAer), em coordenação com a Embraer, procedeu à revisão do contrato original de aquisição, decidindo converter o último lote de 25 aeronaves para essa nova configuração. Projetado prioritariamente para o transporte militar, o C-95A incorporava importantes avanços em relação às versões anteriores. Entre eles destacavam-se a adoção de motores Pratt & Whitney Canada PT6A-34, com potência de 750 hp, a introdução de uma deriva ventral para melhoria da estabilidade direcional, o alongamento da fuselagem para 14,60 metros e a instalação de uma porta de carga traseira, complementada por uma porta adicional destinada a passageiros e tripulantes. Essas modificações ampliaram significativamente a flexibilidade operacional da aeronave, sobretudo em missões de transporte tático e logístico. As entregas das aeronaves C-95A, registradas sob as matrículas FAB 2280 a FAB 2299, tiveram início em meados de 1976. A primeira unidade a operar o novo modelo foi o 5º Esquadrão de Transporte Aéreo (5º ETA), em outubro de 1977, sediado na Base Aérea de Canoas. O processo de incorporação estendeu-se até setembro de 1978, quando as aeronaves remanescentes foram distribuídas entre os cinco esquadrões de transporte aéreo então existentes na Força Aérea Brasileira. Em 1978, as aeronaves do 5º ETA passaram a ser empregadas pelo 3º Esquadrão de Instrução Aérea (EIA), unidade responsável pela formação de pilotos de transporte da FAB, evidenciando a versatilidade do Bandeirante também no campo da instrução aérea. Três anos mais tarde, em 1981, com a extinção desse esquadrão, a missão de formação foi transferida para o 1º/5º Grupo de Aviação – Esquadrão Rumba, que assumiu a responsabilidade pela instrução de pilotos multimotores até 1993, retomando essa função com o C-95 Bandeirante em 2001. Durante o período de atuação no Esquadrão Rumba, foi criada a Esquadrilha Daedalus, composta por cinco aeronaves C-95 Bandeirante, com a finalidade de realizar demonstrações aéreas e promover a aviação militar brasileira. A primeira apresentação ocorreu em Natal, em 10 de fevereiro de 1982, durante as solenidades de passagem de comando do Centro de Aplicações Táticas e Recompletamento de Equipagens (CATRE).

Posteriormente, em 18 de agosto de 1982, a esquadrilha realizou sua primeira exibição com o uso de fumaça, em São José dos Campos, como parte das comemorações do aniversário da Embraer S/A. Apesar do êxito institucional e simbólico, a Esquadrilha Daedalus teve existência breve, sendo dissolvida em 1983. As aeronaves então retornaram integralmente às suas missões primárias de formação de pilotos multimotores e transporte orgânico, funções nas quais o C-95 Bandeirante continuaria a desempenhar papel de destaque na história operacional da Força Aérea Brasileira (FAB).A partir de outubro de 1976, duas aeronaves Embraer C-95 Bandeirante, registradas sob as matrículas FAB 2187 e FAB 2189, foram temporariamente alocadas ao 1º/7º Grupo de Aviação (GAv) – Esquadrão Orungan. Essa medida teve caráter transitório e atendeu à necessidade imediata de manter a capacidade operacional da unidade após a desativação dos veteranos Lockheed P-15 Netuno, ocorrida em setembro daquele mesmo ano, até a incorporação dos novos Embraer EMB-111 P-95 Bandeirulha, cujo processo de recebimento se iniciaria apenas em 1978. Ao longo de sua trajetória, o C-95 Bandeirante destacou-se pelo desempenho consistente e pela elevada versatilidade operacional. A aeronave foi amplamente empregada em missões de transporte de passageiros, formação de pilotos e apoio logístico, além de atender a demandas específicas de patrulha, reconhecimento, busca e salvamento, consolidando-se como um vetor confiável em múltiplos perfis de missão. No início de 1981, os exemplares remanescentes do C-95 encontravam-se distribuídos entre o 1º/5º Grupo de Aviação (GAv) – Esquadrão Rumba, o 1º/15º GAv – Esquadrão Onça e os sete Esquadrões de Transporte Aéreo (ETA). Além dessas unidades operacionais, o Bandeirante desempenhou papel relevante como aeronave orgânica de apoio a diversas instituições da Aeronáutica, entre as quais a Academia da Força Aérea (AFA), a Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAr), o Centro de Tecnologia da Aeronáutica (CTA) e o Centro de Aplicações Táticas e Recompletamento de Equipagens (CATRE). Também esteve presente em bases aéreas estratégicas, como as de Florianópolis, Santa Cruz, Anápolis, Fortaleza e Campo Grande, reforçando sua contribuição para a integração e a mobilidade do sistema aéreo militar brasileiro. Em fins de 1979, o Ministério da Aeronáutica (MAer) formalizou uma nova encomenda junto à Embraer S/A, optando pela versão mais recente do modelo, o EMB-110P1(K). Essa aquisição compreendeu 31 aeronaves, designadas militarmente como C-95B Bandeirante e registradas sob as matrículas FAB 2300 a FAB 2330. As entregas tiveram início em fevereiro de 1980 e estenderam-se até outubro de 1984, marcando uma nova etapa na modernização da aviação de transporte. As primeiras unidades operacionais a receberem o C-95B foram o 2º/2º Grupo de Transporte (GT) – Esquadrão Corsário e o 1º/15º GAv – Esquadrão Onça. Este último substituiu seus bimotores canadenses De Havilland C-115 Buffalo pelas aeronaves de fabricação nacional, simbolizando o fortalecimento da indústria aeronáutica brasileira no âmbito militar.
Gradualmente, outras unidades passaram a operar o novo modelo, levando o comando da Aeronáutica a estabelecer uma divisão interna visando otimizar a distribuição dos meios. Nesse arranjo, os C-95 originais foram concentrados nos 2º, 4º e 5º Esquadrões de Transporte Aéreo (ETA), enquanto os C-95B foram destinados aos 1º, 3º, 6º e 7º ETA, além do 2º/2º GT – Esquadrão Corsário e do 1º/15º GAv – Esquadrão Onça. Estas últimas unidades, vocacionadas para operações táticas militares, destacaram-se especialmente em missões de lançamento de paraquedistas, reabastecimento aéreo e apoio direto às tropas em terra, reafirmando o papel central do Bandeirante na doutrina operacional da Força Aérea Brasileira. A incorporação C-95 Bandeirante, dotado de desempenho superior e equipado com instrumentos modernos de navegação e comunicação, representou um marco na evolução da aviação de transporte militar brasileira. Entre 1973 e 1981, as versões C-95 e C-95B passaram a substituir de forma gradual os veteranos bimotores de origem norte-americana, processo que se encerrou simbolicamente em 1982, quando foi realizado o último voo operacional de um Douglas C-47. Esse momento marcou o fim de uma era iniciada durante a Segunda Guerra Mundial e consolidou a transição para uma frota mais moderna, confiável e alinhada às necessidades contemporâneas da Força. Em 1987, dando continuidade ao processo de atualização de seus meios aéreos, o Ministério da Aeronáutica (MAer) formalizou uma nova encomenda de 12 aeronaves do modelo EMB-110P1(A). Essa versão distinguia-se, entre outros aspectos técnicos, pela adoção de estabilizadores horizontais com 10° de diedro positivo, o que proporcionava melhorias em estabilidade e controle em determinadas fases do voo. As aeronaves, designadas militarmente como C-95C e registradas sob as matrículas FAB 2331 a FAB 2342, começaram a ser entregues em junho de 1988. Desse total, onze exemplares foram destinados ao 6º Esquadrão de Transporte Aéreo (6º ETA), enquanto uma unidade passou a operar como aeronave orgânica da Base Aérea de Anápolis. A entrega da última aeronave desse contrato foi concluída apenas em agosto de 1990. Paralelamente à incorporação dos novos exemplares, já se tornava evidente o avançado desgaste das primeiras células do C-95, então em serviço havia cerca de quinze anos. Diante desse cenário, o Comando da Aeronáutica iniciou estudos técnicos e operacionais para definir o futuro dessas aeronaves. As análises indicaram a conveniência de retirar de operação os exemplares mais antigos e desgastados, com o objetivo de racionalizar e padronizar a frota em torno das versões mais modernas, notadamente os C-95A, C-95B e C-95C. Assim, a partir de 1988, teve início o processo de desativação gradual dos primeiros EMB-110 C-95 Bandeirante. As treze aeronaves mais antigas foram retiradas de serviço, sendo as células registradas como FAB 2133, 2134, 2135, 2136, 2137, 2138, 2139, 2140 e 2142 desmontadas e armazenadas no Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos (PAMAAF), no Rio de Janeiro. As quatro unidades remanescentes desse grupo inicial — FAB 2132, 2144, 2145 e 2147 — passaram por processos de revisão e foram posteriormente colocadas em leilão, sendo adquiridas por operadores civis em outubro de 1990. O processo de desmobilização prosseguiu nos anos seguintes. Em 1994, foi determinada a retirada de serviço de mais 21 aeronaves, que, após serem desmilitarizadas e revisadas, foram novamente oferecidas em leilão.

Esses exemplares foram adquiridos principalmente por empresas de táxi aéreo e operadores privados. Muitas dessas aeronaves continuam em operação até os dias atuais, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, onde sua robustez, confiabilidade e capacidade de operar em pistas curtas mantêm vivo o legado do Bandeirante como um dos mais importantes marcos da aviação regional e militar brasileira. A frota original de C-95 sofreu a perda de quatro aeronaves em acidentes ao longo de sua vida operacional, o que reduziu o número de unidades disponíveis para 17 exemplares. Entretanto, diante das crescentes demandas relacionadas à formação de pilotos e tripulações multimotor, especialmente no âmbito da aviação de transporte, esse quantitativo foi posteriormente ampliado para 21 aeronaves. Tal ampliação ocorreu no início dos anos 2000, por meio da conversão de quatro aeronaves do modelo EC-95, então pertencentes ao Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV). Essas unidades haviam sido substituídas por aeronaves mais modernas, os EC-95C, equipados com aviônicos atualizados, o que permitiu a realocação dos exemplares mais antigos para missões de instrução operacional. Em setembro de 1995, a Força Aérea Brasileira (FAB) celebrou um acordo de caráter inédito com o Exército Brasileiro, viabilizando o arrendamento de quatro aeronaves C-95 e uma unidade do modelo C-95B Bandeirante para atender às necessidades de apoio aéreo da Força Terrestre. As aeronaves envolvidas nesse acordo eram provenientes do 7º Esquadrão de Transporte Aéreo (ETA), com as matrículas FAB 2150, FAB 2171 e FAB 2183, e do 1º/15º Grupo de Aviação (GAv), matrícula FAB 2175. Embora empregadas em benefício do Exército, essas aeronaves mantiveram as tripulações, a cadeia logística e as marcações originais, sendo identificadas externamente apenas pela aplicação do brasão do Exército Brasileiro na parte frontal da fuselagem. As operações em apoio ao Exército tiveram início em novembro de 1995 e estenderam-se até dezembro de 1999. Durante esse período, as aeronaves acumularam aproximadamente 7.200 horas de voo dedicadas exclusivamente a missões de transporte de pessoal, carga e apoio logístico, demonstrando a flexibilidade e a confiabilidade do C-95 em um contexto interforças. Com o encerramento do acordo de arrendamento, as aeronaves retornaram à Força Aérea Brasileira, e o 1º/5º Grupo de Aviação – Esquadrão Rumba passou a concentrar a totalidade das unidades operacionais remanescentes do C-95. Esse esquadrão manteve a elevada proficiência em missões de instrução até 2011, quando teve início o processo de substituição gradual pelo C-95A Bandeirante. As aeronaves C-95 remanescentes foram então encaminhadas ao Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos (PAMAAF), onde permaneceram estocadas. Parte desses exemplares ganhou nova destinação como monumentos históricos, preservando a memória de sua contribuição à aviação militar brasileira. Outras unidades foram doadas a governos estaduais e a instituições de ensino, permanecendo em operação em funções civis e institucionais até aproximadamente 2020. Os últimos voos operacionais do C-95 ocorreram até meados de 2014, quando a aeronave foi oficialmente retirada de serviço. Mais do que um meio de transporte, o C-95 simbolizou o pioneirismo e a consolidação da indústria aeronáutica nacional. Sua notável versatilidade, robustez e contribuição decisiva para a formação de gerações de aviadores militares constituem um legado duradouro.
Em Escala.
Para representarmos o Embraer EMB-110 Bandeirante C-95 “FAB 2143” empregamos o kit em resina do fabricante GIIC Model Kits na escala 1/72, modelo que apesar de antigo pode proporcionar um resultado final satisfatório. Fizemos uso de decais originais do modelo combinados com decais confeccionados pela FCM Decals oriundos de diversos sets.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura adotado em toda a frota de aeronaves Embraer C-95 e C-95A Bandeirante, com a primeira versão desta aeronave mantendo este esquema até sua retirada de serviço em 2014. As células que foram arrendadas ao Exército Brasileiro mantiveram este padrão, adicionando apenas o brasão da organização junto a parte frontal da aeronave.
Bibliografia :
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 por Jackson Flores Jr
- Centro Historico da Embraer – www.centrohistoricoembraer.com.br
- História
da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
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